História Efêmero - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano, Personagens Originais
Tags Henrique & Juliano
Visualizações 31
Palavras 3.290
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi! Desculpem a minha demora para voltar, vou tentar não repetir isso. Espero que gostem do capítulo!

Capítulo 2 - Café da manhã atípico


X Capítulo 2 | Henrique X

[CAMPOS DO JORDÃO, SP | 3 DE DEZEMBRO DE 2016]

Acho que nunca dormi tão bem em toda minha vida. Com o corpo cansado, depois de um banho tão frio e demorado, foi simplesmente vestir uma cueca e apagar.

Há um barulho incômodo, que soa como se estivesse vindo de fora. São batidas. Consigo ouvir também resmungos e identifico a voz do meu maior pesadelo: Juliano.

— Acorda! — ordena. — Tô falando sério, véi, se você não levantar logo eu vou acabar indo sem você.

— Dez minutos! — grito de volta.

Abro meus olhos pela primeira vez. O quarto está completamente escuro, porque me lembrei de fechar as cortinas na noite anterior.

— Porra!

— Para de reclamar mais um pouco, caralho! — exclamo de volta para meu irmão. Acabei de acordar e ele já tem me causado dor de cabeça.

— Eu vou te esperar lá embaixo.

Quando finalmente ouço passos se distanciarem, crio coragem e jogo as pernas para fora da cama.

Tomo uma ducha rápida, para tentar me despertar de vez, porque não tenho certeza nenhuma que acordei ainda.

Me visto com uma bermuda jeans e camiseta preta. Não sei se vamos embora da cidade ainda hoje, mas por vida das dúvidas, levo minha mala comigo.

Juliano está me esperando no carro, com uma cara de sono similar a minha.

— Vamos embora? — ele pergunta, estranhando a mala.

— Não sei, você não tem planos de ir para outra cidade?

— Amanhã. Vinhedo. Soube que tem um parque de diversões legal por lá.

Concordo em silêncio, jogando minha mala no banco de trás novamente.

— Vamos comer? — retoricamente pergunto.

Minha barriga está roncando desde o momento em que acordei. Acho que não jantar ontem não foi uma boa escolha.

Juliano, como eu, também está vestindo uma camiseta preta com bermuda, mas tem óculos escuros escondendo seus olhos. Seria uma boa para mim, se eu tivesse lembrado de trazer.

— Depois precisamos fazer compras. — comento, passando a andar ao seu lado.

Há uma padaria no próprio prédio em que estamos hospedados. Deduzo que nosso café será ali.

— Compras? Você está falando sério?

— Como eu vou viajar sem óculos de sol?

— Ah, Henrique...

Cerro os olhos na direção do meu irmão.

— Você vai implicar comigo? Estou propondo um quase passeio juntos.

— Isso não é bem uma escolha. Eu vou junto com você aonde você for.

Bufo diante da sua declaração e também do entusiasmo de duas garotas que estão logo na primeira mesa da padaria, logo que a escada termina, em uma espécie de varanda.

— Você torcendo o nariz para mulheres. O que aconteceu? Descobriu sua verdadeira sexualidade? — ouço meu irmão debochar, segurando firme no corrimão para não garantir uma resposta atravessada.

— Só não gosto de garotas histéricas.

Firmo meus olhos sobre os olhos de uma delas conforme passamos pela mesa. Não sei distinguir se são verdes ou azuis, mas sei que são bonitos.

— Nem na cama?

— Aí é diferente. — respondo, seguindo com meus olhos até Juliano.

— Diferente como?

— Ainda não gosto de histeria, mas curto mulheres mais... — me sento sobre a banqueta ao balcão, tentando idealizar uma palavra.

— Selvagens?

— Não, não é nesse sentido. Só não gosto que sejam quietas demais talvez. Gosto que me falem sacanagem.

— Ok, eu já descobri demais do seu comportamento na cama hoje. — rimos juntos, enquanto meu irmão gesticula. É como um alívio rir. Fazia bastante tempo que não me divertia com algo simples. — Tá bom, quantos anos você acha que elas têm?

Olho para as garotas. Uma tem cabelos cacheados longos, enquanto a outra — aquela de olhos claros que me encarou e continua olhando para cá nesse momento — tem os cabelos lisos, um pouco maiores.

Aproveito e peço um suco com um misto quente, mas volto a olhar para elas no instante seguinte. Elas já no olham mais para cá.

— Sei lá, eu daria uns vinte no máximo. Por que a pergunta?

— Será que seria muita intromissão convidar elas para se sentarem com a gente?

Olho de novo para meu irmão.

— Ah, intromissão é, mas você é descarado mesmo.

— Eu não sou descarado. Elas ficaram olhando pra gente quando passamos.

— Isso não quer dizer que elas queiram dormir com a gente.

— Não no seu mundo, mas no meu sim. — Juliano se levanta com impulso, sorrindo. — Posso ficar com as duas pra mim?

— É feio falar assim. Elas não são como um objeto. — repreendo.

Apesar de gostar de diversão com mulheres, eu sempre mantenho o respeito.

— Eu sei que não, foi mal.

Juliano caminha até a mesa sem mim. Elas sorriem e antes que eu me dê conta, ele está completamente envolvido em um diálogo com elas. Peço ao rapaz que leve os pedidos para a mesa, respiro fundo e sigo os passos do meu irmão.

As garotas sorriem com a minha proximidade. Eu me sento exatamente entre Juliano e a cacheada, que mal espera eu me ajeitar para se apresentar:

─ Prazer, Eduarda, mas pode me chamar de Duda. Todos me chamam assim. ─ dá de ombros.

─ Henrique. ─ gesticulo com a cabeça, virando para os olhos claros a minha frente. ─ E você?

─ Nayla.

─ Nome diferente. ─ comento, batendo com os dedos na madeira barata da mesa.

─ Você falando de nome diferente? ─ meu irmão acusa, mas sequer olho para sua direção. Não precisamos entrar nesse mérito agora.

─ Por que? ─ Nayla pergunta por, debruçando seu corpo por cima da mesa. Seu sorriso marca duas covinhas sobre as bochechas, próximas aos lábios.

─ O nome do meu irmão é...

─ Pobre quando vai colocar nome em filho é foda. ─ todos riem da minha declaração, mas eu mantenho toda a postura, revezando meus olhos sobre as duas.

─ Eu fiquei curiosa. ─ Duda comenta, risonha.

─ Ah, e vai continuar. Meu nome é ridículo. Minha quis me sabotar.

Elas riem mais uma vez. Eu apenas sorrio, ainda estranhando a situação.

─ Como a gente pode ter certeza se você não quer contar? ─ Nayla desafia, com um sorriso debochado e a sobrancelha arqueada, além de um olhar mortal.

─ Vão viver eternamente com essa dúvida.

─ Eu não vou conseguir dormir de tanta ansiedade pra saber seu nome. ─ ela diz, debochada.

Quando Nayla volta a se endireitar na cadeira, balanço a cabeça em negativa e cruzo meus braços, mas solto um riso baixo com sua declaração.

─ Infelizmente.

Ela também ri e se põe para comentar algo, mas o garçom nos interrompe, trazendo meu lanche e suco e o café de Juliano, com seu pão de queijo. Agradeço, aproveitando que estou com o humor um pouco melhorado.

─ Seu irmão estava contando que vocês vieram de Goiânia. ─ Duda diz. Eu apenas aceno com a cabeça, com a boca cheia. ─ Muita coragem a de vocês.

─ De onde vocês são? ─ acabo perguntando, após engolir.

─ Nós duas somos de Vitória, Espírito Santo. ─ responde, antes da amiga acrescentar:

─ Mas eu moro atualmente em Itapetininga, aqui em São Paulo Estamos aproveitando as férias da Duda e decidimos viajar um pouco.

─ A gente não tem destino não. ─ Juliano se antecipa para elas. ─ Separei uns lugares que quero conhecer. Vamos pra Vinhedo, depois São Paulo e talvez Rio. Já estiveram lá?

─ Eu já. ─ casual, Nayla murmura. ─ Ei, vocês por acaso não estão indo pro Hopi Hari, ou estão?

Nunca ouvi esse nome, mas deixo para Juliano responder essa ─ e, para a minha surpresa, ele balança a cabeça.

─ Por que a pergunta? É tão comum assim?

─ Ah, eu já fui algumas vezes com a escola, na época em que eu estava no ensino médio. É bem legal, mas não me parece o tipo de passeio pra dois marmanjos crescidos, com todo respeito.

Dou meu primeiro gole no suco e mantenho os olhos em Nayla. Ela também está fixa em mim, esperando que eu a responda.

─ Não se preocupa com isso. Meu irmão tem a mentalidade de uns cinco anos.

─ E meu irmão faz pirraça como se tivesse três. ─ Juliano acrescenta.

Eu apenas sorrio imaginando toda a malícia que pode ter em seu sorriso. Realmente, muitas vezes eu sou infantil, mas meu irmão supera isso.

─ Você estava querendo ir para o Wet'n Wild. ─ Duda completa para a amiga.

─ É um parque aquático. ─ Nayla murmura para Duda, em resposta.

─ Com o calor que tem feito, é uma boa. ─ sugiro, me servindo de outro gole.

─ Realmente. ─ Nayla completa.

─ Vamos pra lá então? ─ Juliano completa a sugestão, cutucando minhas costelas com seu cotovelo. ─ Podemos dar uma carona para vocês.

─ Estamos de carro. ─ Duda diz.

Vejo que Nayla engole em seco disfarçadamente. Ela olha suspeita para nós. Eu gostaria muito de saber o que se passa na sua cabeça. Meu irmão não deveria ter dito isso para duas garotas que acabamos de conhecer. Isso é suspeito para elas e, se eu tivesse no lugar de uma delas, eu também teria medo.

Eu vi quando os dois chegaram.

X NAYLA X

Especificamente, ouvi os comentários do rapaz barbudo sobre a nossa histeria. Já previa que eles viriam falar com a gente, mas a conversa não foi exatamente como eu esperei. Henrique, o tal barbudo, parece um pouco tenso e também parece desaprovar o convite do irmão.

─ Vocês fazem o que da vida? ─ acabo perguntando. Não gosto do clima chato que fica depois de recusarmos o convite.

─ Eu sou advogado, meu irmão também.

─ Uhm... Interessante. ─ finjo pensar muito, enquanto brinco com o que resta de café na minha xícara.  ─ Trabalham juntos?

─ Por mais que seja curioso, não. ─ Juliano comenta. ─ Trabalhamos em escritórios diferentes. Mas e vocês? O que fazem?

─ Eu sou estudante de jornalismo.

─ E eu sou youtuber e também trabalho como modelo. ─ conto, me vangloriando.

Juliano me parece um pouco surpreso, mas Henrique sequer olha pra mim. Ele tem os olhos fixos em Duda, enquanto bebe de seu suco.

─ Bem, com esse rosto, duvidaria muito se não fosse. ─ murmura, para mim. Chego a sentir um arrepio forte quando dispõe seus olhos até mim. ─ Vocês são muito bonitas, com todo o respeito.

─ Obrigada. ─ agradeço, com o melhor dos meus sorrisos estampados.

─ Você poderia voltar o elogio, só pra constar. ─ ele pisca em minha direção, sobrepondo as mãos na mesa.

─ Eu não estaria sendo sincera.

Duda e Juliano riem, enquanto endireito minha postura e torço para que o rapaz não leve a sério. É impossível que ele se olhe no espelho todas as manhãs e não saiba da sua própria beleza.

─ Você tem medo de admitir. ─ me diz, com os olhos semicerrados.

─ E por que eu teria medo?

─ Porque você é orgulhosa.

Fico surpresa com a percepção do rapaz. Francamente, se existisse algo acima de orgulhosa eu seria. Não dou o braço a torcer por nada nesse mundo, estando errada ou não; magoando os outros ou não. Também não sou o tipo de pessoa que aprende com os próprios erros. Se fosse, não insistiria tanto em repeti-los.

— Eu sou. — admito. — Mas eu estava falando sério sobre você.

Henrique parece incrédulo, mas não diz mais nada sobre o assunto. Seu irmão se torna o fio condutor da conversa ao perguntar:

— Vocês namoram?

— Direto o rapaz, hein? — Duda pergunta, disfarçando o incômodo com uma risadinha. — Eu não, já a Nay...

— Eu estou dando um tempo no meu namoro.

É delicado falar disso. Tem horas que, pensando, quero chorar, mas tem outras que eu fico feliz em falar.

Ergo meus olhos até o rapaz a minha frente. Ele mantém um sorriso.

— Vocês estão há muito tempo juntos? — parece precisar de coragem para me perguntar.

— Três anos. — engulo em seco, mantendo meus olhos sobre os seus. — Mas eu acho que a gente perdeu bastante oportunidades nesse meio tempo. A gente se prendeu demais nesse namoro a distância.

— Não tem volta? — pergunta, torcendo o nariz.

Me recomponho, fungando e limpando a lágrima que ameaça cair.

— Por mim não. Eu o amo demais, mas eu sei que ele quer curtir a vida e que se sente preso a mim pra fazer isso. Eu só quero deixar ele viver, não deixar ele sufocado. Acho que o importante é ter ele feliz.

Duda sempre diz que é um gesto de altruísmo o que estou fazendo, sem perceber que estou sendo egoísta a cada vez que prolongo essa conversa com Rafael.

— Eu fiz você se abrir com algo pessoal. — Henrique comenta, possivelmente após se dar conta.

— Eu não tenho problema com isso. — o consolo, reagindo a sua cara abalada. — Se tivesse, não teria minha vida exposta na internet.

Após esse desabafo, preciso de um minuto para me recompor.

— Me desculpem por isso... É que eu estava conversando um pouco antes com a Duda disso. 

Juliano abre um pequeno sorriso e balança a cabeça. Henrique não tem comentários.

— Você é do tipo que posta tudo na internet? — objetivo, pergunta, sem tirar os olhos de mim enquanto põe os lábios no canudo.

— Não. Eu amo o que faço, gravar vídeos é minha maior paixão, mas o que eu posso esconder da minha vida particular eu guardo, principalmente meu namoro.

— É, eu vejo as pessoas postando essas coisas na internet e fico sem entender. — ele concorda.

— Sim. Eu acho completamente sem sentido. Aliás, conheço várias pessoas que fazem isso, afinal, eu estou nesse meio. — vejo que estou brincando com minha pulseira no final da frase.

Agradeço com um sorriso quando o garçom se dispõe a levar nossas xícaras sujas, mas volto a mergulhar na conversa com Henrique.

— Você tem daqueles videozinhos de casal no seu canal?

Rio baixo com a objetividade de sua pergunta.

— Não, aliás, meu namorado nunca apareceu no canal. Temos umas fotos juntos no meu Instagram, mas esse é o máximo.

— É, eu também não acho que é legal não mostrá-lo. As pessoas tem curiosidade, eventualmente...

— Credo gente, que papo mais cabeça. — Juliano resmunga, conquistando a atenção do irmão. — Vamos conversar sobre algo mais...

— Conversem vocês dois. — Henrique interrompe, gesticulando. — Nós dois estamos bem por aqui.

Duda me olha como se estivesse brava — e não tivesse a mínima possibilidade dela estar gostando de Juliano.

— Mas é sério? Ele não apareceu em nenhum vídeo do seu canal? — Henrique pergunta, voltando minha atenção para ele.

— Ele aparece falando em alguns vlogs de vez em quando, no fundo, mas é o máximo. — explico.

— Quando vocês começaram a namorar você já tinha o canal?

— Sim, eu já tinha o canal há um ano.... — cerro os olhos, tentando me lembrar da data exata. Mas é, acho que é isso.

— E hoje você tem quantos inscritos?

— Cinco milhões. — exibo um sorriso orgulhoso conforme seu rosto adquire uma expressão de espanto.

— Cinco?

— Cinco. — confirmo, risonha por conta da sua reação exagerada.

— Milhões?

— É, cinco milhões. — adianto, mas nada poderia prever seu gesto seguinte:

— Porra! — ele exclama, chamando a atenção de Duda e Juliano. — A gente está com uma celebridade da internet aqui!

Rio demais com a sua declaração e a reação desentendida de seu irmão, enquanto Eduarda me acompanha.

— Não é pra tanto. Celebridade é o Whindersson Nunes.

— Cara, mas você tem cinco milhões de inscritos. Sabe o que é isso?

— Não. — respondo com sinceridade, ainda segurando a risada com todo seu entusiasmo. — Ow, me responde uma coisa na sinceridade: você bebeu alguma coisa agora de manhã?

— Tipo?

— Álcool?

Ele abre um sorriso como o meu. Já tenho a sensação de que vou gostar demais desse rapaz.

— Olha, eu bebi umas doses antes de descer... Mentira, isso tudo é sono. — Henrique parece conferir o horário no celular, deixando o aparelho sobre a mesa. — Eu fui dormir lá pela uma e meia e são só oito horas, se não fosse a porra do meu irmão batendo na porta...

Juliano retribui o olhar torto, antes de dizer:

— Olha, a culpa não é minha, tá legal? Eu quero conhecer o máximo de lugares possíveis nesses trinta dias.

— Pra começar você podia ter escolhido um lugar mais perto.

Seu irmão não tem uma reação muito boa. Isso deve ser um real problema entre eles.

— Nessa eu concordo. — acrescento, totalmente intrometida, mas querendo acrescentar um ar divertido a conversa.

─ Uai, acabaram de se alfinetar e agora estão do mesmo lado? ─ Juliano pergunta, olhando de mim para o irmão seguidamente.

─ Não tem lado. Eu simplesmente concordo com ele.

─ A gente saiu de Goiânia. ─ inconformado, Henrique murmura, parecendo lembrar o irmão.

Aproveito o momento para pedir um café. Café vai bem em todas as ocasiões, especialmente em conversas como essa.

─ Se bobear a gente vai de Porto Alegre pra Manaus sem descansar. ─ ameaça.

Henrique olha para mim com o rosto puxado, como estivesse com medo da proposta. Não rio, mas abro um sorriso que vale por uma risada.

─ Do jeito que é louco, não duvido nada.

─ Seria uma viagem interessante. ─ digo para provocá-lo. É claro que ele transforma seu rosto e agora cerra os olhos. ─ Ué, já pensou?

─ Viagem para louco, só se for. Quanto tempo deve ter de viagem?

─ Sei lá, uns três, quatro dias?

Henrique dá de ombros. Eu realmente acredito que seria uma viagem legal de se fazer. Cruzar o Brasil, literalmente. O quanto de coisa fascinante não deve se encontrar?

─ Você gosta de viajar? ─ ele pergunta pra mim, voltando ao seu suco.

─ Existe alguém no mundo que não gosta?

─ Nem todo mundo gosta de chocolate. ─ justifica, me fazendo adquirir uma expressão bem como fez, de estranhamento.

─ Esse é o tipo de pessoas que são internadas em manicômios. Pessoas que não gostam de chocolate. Ou de viajar.

Ele acena com a cabeça, no momento com a boca cheia. Meu café chega a tempo de acompanhá-lo.

─ Eu não ousaria chegar perto dessas pessoas. Vai que é contagioso?

Impossível não rir baixinho com essa declaração. Ponho a mão à frente da boca e disfarço que estou com a boca cheia.

─ Você é sempre cheio das piadas?

─ Sou o mau humor em pessoa diariamente.

— Muito sutil, Duda. — Juliano comenta, piscando para minha amiga que retribui com um sorriso aparentemente verdadeiro.

— Ela é a sutileza em pessoa. — resmungo sobre Eduarda. — Mas o que ela faz que faz você se sentir assim?

Henrique parece surpreso quando volto ao assunto. Garanto que eu mesma estou surpresa.

— Ela está sempre em cima. Manda mensagem várias vezes por dia...

— Mas você não deixou claro suas intenções? — Juliano pergunta para o irmão.

— Uau, estão todos preocupados com o meu problema... — Henrique abre um sorriso divertido, com os olhos perdidos no momento. Levemente entendida, volto a brincar com minha pulseira. — Deixei, deixei desse o começo.

— Ela se apaixonou. — concluo. — E, francamente, não é difícil chegar nessa conclusão.

Dou de ombros. Sério que ele não concluiu antes? Não é difícil de se entender, mas se tratando de homens, chega a ser compreensível.

— Será que ela vai ficar mal demais se eu terminar com ela? Não é bem terminar porque jamais existiu algo entre nós...

— Claro que vai. — respondo, surpresa com essa declaração. — Você precisa tomar cuidado na hora de dizer. Ela não tem culpa por ter se apaixonado.

— Vou tentar, mas não sou alguém muito delicado.

— Tenta. — encaro seus olhos, abrindo um sorriso generoso. — Não a conheço, mas arrisco dizer que vai ser difícil toda essa situação.

— Você já teve um amor não correspondido?

Confirmo com um aceno de cabeça. Já fazem alguns anos que isso aconteceu e isso não faz mais diferença, mas eu fiquei mal demais na época, como já era de se esperar.

— Mas não precisamos entrar nisso. Enfim, estão afim de sair com a gente hoje?



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