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História Efígie de Gelo - Capítulo 1


Escrita por: e Bowsette


Notas do Autor


Baseado em um acontecimento real.

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Tenho um corpo de pelos brancos e manchas pretas, tenho um apelido engraçado e uma comparação cômica.

Para a graça alheia, chamam-me de Floquinho. Para a nostalgia dos mais antigos, sou chamado de Dálmata. Mas, em verdade, eu sou apenas um ser vivo.

Um mero ser vivo.

Não sou comida, nem tenho uma centena de parentes. Sou apenas, era apenas um ser vivo. Folgado mas sempre batalhando para continuar sendo um ser vivo, sempre buscando a ajuda de almas solidárias que passavam algumas vezes sobre meu recanto.

Certo dia, dia entre muitos que eu tentava continuar a seguir em frente, eu encontrei duas dessas "almas caridosas" anteriormente citadas, vagando pelos arredores. Duas, ou mais, ou menos. Eu não lembrava e ainda não lembro qual era o número de pessoas que foram necessárias para retirarem-me do meu lar. Mas assim o fizeram, me pegaram e colocaram-me aos pés de um barranco, imóvel.

Assim como um floco de neve que cai na água e derrete, assim como um sorvete desaba ao perder sua casquinha, eu desabei nas mãos da crueldade. Tornei-me o picolé sem seu palito de base. Tornei-me um Dálmata estático.

Um dia após isso, latindo e tentando mover-me para ver se alguém me notava, eu finalmente o consegui. Dentre tantos olhares de repúdio, de pena e de dó que fitavam-me, um deles continha um fino traço de caridade. Em meio a três outras pessoas, este olhar estava desesperado para sair, para fazer algo por mim.

Os outros três haviam ido embora em uma locomotiva, mas aquele olhar inquieto do ser, um garoto, ainda jazia sobre mim. Ele afastava-se para ver algo, e logo retornava a fitar-me com certo desespero. Repetia isso várias e várias vezes, até que algum tempo depois ele se aproxima, decidido.

Descendo o barranco cuidadosamente, ele paira ao meu lado, eu me aquieto logo após com certo medo.

— "Ah, isso dói!" — Eu disse, mais especificamente, eu lati. Ele tocava-me pelas partes feridas e aquilo ardia em demasia.

— "Ah! Pare com isso!" — Novamente eu lati, olhando-o da mesma forma que ele me olhava, abalado.

Por fim, ele puxara-me mais uma vez, fazendo-me o morder. 

— Argh, não faça isso! —  Ele proferiu, soltando-me e afastando-se um pouco. Tempos, segundos depois ele bufou inquieto e parou de me olhar, voltou para cima e logo retornou a me olhar. Seus olhos marejados diziam-me "adeus". E ele tinha razão.

O garoto havia ido embora, deixando espaço para a sede e a fome chegarem e deixarem-me mais quieto, sequer grunhir eu podia. Mas isto não durou muito, não mesmo. Uma leve chuva caía sobre meus arredores, eu ia bebendo desta água refrescante à medida que a mesma derramava-se sobre mim.

Mas isto, isto não durou muito, não mesmo. Esta frase faz-se de novo. A noite chegava em meu domínio assim como uma história chega em seu final. A chuva, que agora cortava minha pele como um vento polar, intensificava.

E novamente, isto não durou muito. Não mesmo. Estava de noite, eu queria descansar e este era o momento perfeito para fazer isso. Meus olhos fechados calavam a dor do meu coração, meu corpo encharcado pesava no leito barroso. Meus ouvidos ecoavam a voz de um certo alguém, de uma alma caridosa de olhos marejados.

Pode ir dormir, cão. Junte-se aos seus companheiros da neve, floco. Pois você, em seu epílogo, conseguiu ter sido um ser vivo.


Notas Finais


Até a próxima!


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