História Égon: A Origem - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Tags Ação, Aventura, Ficção Cientifica, Heróis
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Palavras 2.124
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - A Caçada


  Uma música relaxante toca no rádio de um furgão em movimento. Dentro dele há um conjunto de homens fortemente armados, exceto um, que traja um sobretudo e bermuda beges, sua pele é branca e os cabelos e bigode loiros. Tal indivíduo esboça serenidade em seu rosto, com um cigarro na boca, ele cantarola a mesma melodia emitida pelo equipamento.

  O furgão, acompanhado de outros dois veículos, aproxima-se, dispersando uma grande quantidade de poeira no caminho, de uma aldeia indígena. No local, existem muitas barracas, algumas instaladas no solo, outras, nas imensas árvores que moldam a paisagem. Muitas escadas e pontes conectam as construções. A noite é iluminada por inúmeras tochas espalhadas pelo terreno.

  Vários habitantes encontram-se mortos, os demais são torturados e feitos de refém por uma série de criminosos, a aldeia está sendo atacada. O carro estaciona, em seguida, o calmo homem desce e se espreguiça ante a presença de índios ajoelhados.

— Que maravilha! – Exclamou o sujeito, com um sotaque carregado- Parece que fizeram um trabalho excelente aqui, pessoal!

— Eles resistiram um pouco, senhor Lamartine! – Disse um dos homens armados. – Mas conseguimos contê-los, alguns indivíduos fugiram, mas logo iremos capturá-los!

— Ora, pode me chamar de Oliver. – Falou Lamartine- E vocês têm certeza de que este é o lugar certo?

— Sim! – Exclamou o homem- Nossos especialistas estimam a presença de uma boa quantidade de ouro no subsolo desta vila.

— Ótimo, vamos iniciar a mineração o quanto antes! – Disse Oliver.

— Vocês nunca irão explorar esse lugar! – Gritou um idoso, ajoelhado junto aos demais reféns. – A aldeia Jirati é sagrada, quem ousar danificá-la irá pagar um preço alto demais!

  Olhando o velho, com desgosto, Oliver Lamartine pergunta:

— Quem você pensa que é? Algum Xamã poderoso? Suas crenças não me impedirão!

— Meu nome é Sutor Guaruna, chefe da tribo Jirati! – Exclamou o idoso- Não só minhas crenças irão pará-lo, mas o Governo! Esta reserva é assegurada nacionalmente, o exército acabará com você assim que descobrir o que fez conosco!

  Aproximando-se de Sutor, Oliver agacha-se dizendo:

— Qual Governo? Hein? Sua confiança naqueles que o representam é impressionante, devo admitir! Mas me sinto na obrigação de dizer o quão ingênua ela é. Quando a corrupção se encontra presente, não há justiça e igualdade, tudo é manipulado por aqueles que detêm o poder, a riqueza. Pessoas como eu ditam as regras do jogo! Vários juízes e parlamentares já receberam meu pagamento, eles farão vista grossa em relação a tudo o que está acontecendo aqui!

— Seu verme! – Exclamou o chefe indígena.

  Lamartine levanta as mangas de seu casaco, revelando uma tatuagem de leão no antebraço, e soca o rosto do idoso, exclamando:

— Guarde os insultos para você, seu velho!

  Os indígenas choram e gemem de desespero.

— Parem com essa choradeira, vocês foram poupados da morte! – Disse Oliver- Amanhã, começarão a trabalhar cavando esse chão!

— Preferimos morrer, do que tornarmos escravos seus! – Falou um dos índios.

— Quem assim seja! – Exclamou Lamartine.

  Fazendo um gesto com as mãos, o criminoso ordena que os homens atirem nos nativos. Em seguida, o que se escuta é o som dos disparos, os indígenas caem mortos.

  De um arbusto próximo da aldeia, três índios observam a brutalidade. Um deles, uma garota, chora desesperadamente. Ela faz um movimento, como se quisesse pegar o arco em suas costas. Logo em seguida, um dos rapazes, que a acompanhavam, segura o braço dela, dizendo:

— Calma Liana, você não conseguirá confrontá-los! São muitos!

— Irmão, eles destruíram nosso povo! – Exclamou Liana- Acabaram de matar nosso pai!

— Eu sei! Mas não podemos fazer alguma coisa, não agora! Vamos sair antes que nos encontrem!

  Oliver limpa, utilizando um lenço, o sangue em seu rosto, falando:

— Que desperdício de mão de obra! Esses caras até que eram bem fortes!

— Nós vamos conseguir mais! -Disse um dos homens armados.

— Tudo bem!

  Observando um animal, dotado de pintas, Lamartine questiona:

— Aquilo não é uma jaguatirica? Aquele animal em extinção?

— É sim! – Respondeu um dos criminosos.

— Ótimo, parece que vamos lucrar com animais exóticos também! – Exclamou o contrabandista.

  A alguns quilômetros dali...

  Nas imediações de uma pequena fazenda, uma senhora encontra-se lavando roupas. Ela canta uma suave música, mesmo com a interferência do ruído intenso, vindo da televisão no interior da casa. Intuitivamente, a mulher olha os arredores, ela sentia-se como se estivesse sendo observada, no entanto, encontra nada diferente da vegetação. Ao passo que estende as vestimentas, uma notícia chama-lhe a atenção:

— Moradores de Campo Celeste estão aterrorizados com o evento ocorrido na semana passada- Disse a Repórter- Eles alegam a aparição de uma enorme criatura azul, a qual tentou atacar dois de seus habitantes, Luíza e João Castro, e matou Lucas, um homem que tentou perseguir o monstro. Antônio Castro, filho do casal, encontra-se desaparecido desde o incidente.

  O marido da senhora, perplexo, grita de dentro da sala:

— Maria, venha ver isso! Parece que agora há monstros entre nós!

— Eu escutei! – Exclamou a senhora- Estou indo!

  Abandonando as roupas, Maria entra no cômodo. Beneficiando-se da oportunidade, Antônio surge do meio da mata, ele estava espionando o casal durante todo esse tempo. O menino vistoria as vestimentas, na tentativa de encontrar algo que o servisse, e coleta uma jaqueta de couro preta e uma camiseta vermelha. As roupas ficam justas, parte da barriga permanece à mostra.

— Bom... Isso é o melhor que encontrei até agora. – Sussurrou Antônio- Vai ter que servir.

  Ajustando uma mochila nas costas, o menino abandona a fazenda. Segundos depois, Maria surge e nota a ausência de algumas peças no varal.

— Droga! – Exclamou a senhora- Jorge, chame a polícia, fomos roubados!

  Antônio já não estava mais ali, ele caminha nas beiradas da estrada AM-240. O garoto, em um ato de brincadeira, faz gestos, como se estivesse pedindo carona para os caminhões, apenas para rir dos sustos que os motoristas levam ao notar a presença do grande mostro.

  Durante a última semana, Antônio vagou pelo Amazonas, explorando as habilidades do seu novo corpo. A capacidade de saltar quilômetros de distância permitiu que ele vagasse por vários cantos do estado, conhecendo cidades e pontos turísticos. Quando a fome o atinge, o menino usa de sua aparência para assustar as pessoas em restaurantes, ele então invade a cozinha e come até sentir-se satisfeito, ou até um grupo de guardas aparecer atirando. Na mochila, Antônio carrega um conjunto de pertences furtados, como vestimentas e aparelhos eletrônicos. Tal estilo de vida não é apropriado, mas é o que distrai o garoto.

  Apesar de tudo, um grande vazio o consome, a falta de sua família. Todas as noites, ele senta-se debaixo de uma árvore próxima de Campo Celeste, a fim de apreciar a imagem de seu povo. Neste dia, como de costume, Antônio encontra-se próximo da mesma planta. Com o capuz na cabeça, ele observa a Praça Principal, a festa e a música cortam o silêncio da mata e colocam um sorriso no rosto do rapaz. Entre os indivíduos, localiza-se Luíza e João, os pais de Antônio estavam comendo crepe em uma barraca. Os olhos dele lacrimejam novamente, o garoto levanta-se e caminha rumo à caverna perto da vila.

  O local é restrito, os acessos são concedidos apenas por turistas que solicitam previamente, mas isso pouco importa para Antônio. Usando a mochila como travesseiro, ele deita no interior da toca. Em seus sonhos, cenas de um assalto, brigas e viagens na velocidade da luz tomam conta da mente do menino. Ele se contorce, como se estivesse tendo um terrível pesadelo. Certas frases surgem em sua cabeça:

— “O que você tem em mente? Como pretende retirar a guarda real das suas costas?”

— “Usar a Vymena para trocar meu corpo!”

  Nesse instante, Antônio acorda desesperado. Não é a primeira vez que isso acontece, em todos os sonos, lembranças surgem, memórias que não foram vividas pelo rapaz. Esses pensamentos perturbam a mente confusa de Antônio, ele quer entender o significado de tudo isso.

  Ao amanhecer, ele coleta seus objetos e inicia uma nova caminhada. Antônio tem planos de visitar as fronteiras do estado. Após sucessivos saltos, ele aproxima-se do “Pico da Neblina”. Está chovendo intensamente, seus pés afundam no solo lamacento. Enquanto anda, um tiro de aviso atinge uma árvore ao lado esquerdo de Antônio. Assustado, ele vira-se para trás e observa um ser amedrontador. O indivíduo, trajando uma armadura cinza com detalhes pretos, tem seu rosto totalmente coberto por uma máscara cinza, a qual contém duas asas metálicas afiadas, do queixo até alguns centímetros acima da cabeça, e duas fendas, uma em cada olho.

  O sujeito tem uma altura quase idêntica ao corpo hoguniano de Antônio, ele porta duas pistolas e uma espada em suas costas.

— Finalmente te achei! – Gritou o indivíduo, com a voz abafada em função da máscara- Você não irá escapar, seu bandido imundo!

  Antônio corre, desesperadamente, para o seu flanco direito. Notando que o rapaz o seguia, ele soca um tronco na sua lateral esquerda, derrubando a árvore. O sujeito misterioso pula o obstáculo e, enquanto corre, dispara sucessivamente na direção do menino. Antônio freia bruscamente e bate no chão, com uma considerável força, provocando um intenso abalo. A vibração desequilibra o oponente, o qual cai no solo.

— A gravidade nesse planeta é fraca, os hogunianos têm uma alta vantagem aqui. Se você pode usufruir desse benefício, eu também posso! – Exclamou o misterioso ser.

  Pisando fortemente no chão, o indivíduo ergue um pedaço de rocha e lança-o em Antônio, acertando-o.   

— Não resista Égon, eu não quero te matar! – Disse o sujeito.

— Égon? – Perguntou Antônio, atordoado- Eu já ouvi falar nesse nome!

— Não se faça de idiota! – Exclamou o mascarado.

  O menino tenta se levantar, contudo, o hoguniano aproxima-se dele e o soca do rosto, dizendo:

— Fui contratado por Plasmodammus, tenho a missão de resgatar a Vymena. Como fui pago antecipadamente, tenho a obrigação moral de finalizar o serviço.

— Plasmodammus? Vymena? Eu conheço essas palavras! – Falou Antônio- Por que elas me perseguem?

— Deveria ter pensado duas vezes antes de roubá-la! Onde ela está?

  O hoguniano prepara-se para acertar outro golpe, no entanto, em um rápido movimento, Antônio defende-o. O garoto impressiona-se com a ação, ele não sabe como foi capaz de executá-la. Em seguida, o sujeito tenta encaixar um chute, mas os reflexos permitem Antônio esquivar-se dele, rolar para o lado direito e se levantar do solo.

  O oponente tenta acertá-lo novamente, contudo, em um rápido flash de memória, o garoto visualiza um sentinela atacando-o em uma sala iluminada por uma luz vermelha. Ao voltar à realidade, o sentinela é substituído pelo caçador e, velozmente, Antônio bloqueia o soco e revida com um pontapé no abdômen do inimigo.

— Como? – Pensou o menino.

  O garoto tenta encaixar uma série golpes no hoguniano, mas ele também consegue defender. Posteriormente, o menino chuta o solo, lançando lama no rosto do inimigo, e, aproveitando a distração, encaixa uma voadora no caçador, derrubando-o. Rapidamente, o sujeito gira para trás e, com um soco, atinge uma árvore, tombando-a em Antônio. O garoto consegue segurar a planta, contudo, ficou indefeso. Beneficiando-se da situação, o caçador chuta-o. Durante o tempo em que Antônio permanece deitado, o sujeito exclama:

— Se faz de bobo, mas tem um estilo de luta hoguniano muito bem treinado! Qual é? Vamos lá Égon, facilite as coisas para mim. Onde está a Vymena?

— Cala a boca seu idiota, está perseguindo a pessoa errada!

  Antônio ergue-se e foge desesperadamente. O caçador pega sua pistola e segue o menino. Ao ouvir os disparos, o garoto impulsiona suas pernas e salta na direção do “Pico da Neblina”, colidindo-se com a superfície rochosa. Antônio escala a montanha, fazendo buracos na rocha com a força bruta.

  O caçador pula violentamente e persegue o garoto na escalada. Com temor, Antônio acelera seus movimentos, rumo ao topo do pico. A névoa atinge-os, dificultando a vista de ambos. Ao chegar a um campo estável, o menino, ofegante, repousa-se na pedra, ele está cansado, não consegue dar continuidade ao combate. Segundos depois, o caçador alcança-o.

— Você não vai escapar de mim! – Exclamou o sujeito.

  Pressionando um botão, localizado próximo à orelha direita, a parte frontal da máscara abre-se, revelando o rosto de Tarkkin.

— Você é como eu? – Perguntou o garoto.

— Achei que já tivesse percebido! – Disse Tarkkin, enquanto tira a sua espada das costas – Há muitas formas de finalizarmos essa luta, cabe a você decidir se esse desfecho será agradável ou não.

  Com um golpe de espada, Tarkkin tenta ferir Antônio, contudo, ele esquiva-se e a lâmina atinge a pedra. Durante a ação, o garoto perde o equilíbrio e, enquanto tenta se firmar, o caçador crava a espada em seu peito.

— Escolha errada, amigo! – Exclamou Tarkkin- Estou decepcionado.

  No momento, Antônio olha-o assustado, o medo o consumia mais do que nunca, ele segura a lâmina enquanto o sangue escorre pela sua boca. Tarkkin empurra-o da montanha, fazendo o garoto desaparecer por entre o nevoeiro.


Notas Finais


Olá possível leitor, tudo bem? Aqui quem fala é o G. Fico feliz que esteja acompanhando essa história, espero que esteja gostando. Caso sinta-se satisfeito, ou até mesmo chateado com certos assuntos, por favor, comente! Deixe sua opinião, mesmo que seja negativa, para me motivar a continuar liberando os capítulos e readequando a narrativa!


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