História Eiji - Capítulo 16


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Categorias Naruto
Personagens Hashirama Senju, Izuna Uchiha, Madara Uchiha, Tobirama Senju
Tags 2nd Hokage, Hashirama Senju, Izuna Uchiha, Madara Uchiha, Naruto, Segundo Hokage, Senju, Tobiizu, Tobirama Senju, Tobizuna, Uchiha
Visualizações 155
Palavras 2.573
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Capítulo Onze - Parte III


Assim que nos levantamos, ficou ainda mais óbvio que não conseguiríamos ir diretamente dormir. Descemos para andar de baixo, e tentando fazer o mínimo de barulho, preparamos um banho quente. Por um momento deixei Izuna se limpar sozinho, enquanto me certificava que Eiji estava dormindo corretamente, já que o pequeno ás vezes beirava a cair da cama, de tanto que se movia. Assim que o arrumei na cama, e vendo que não havia acordado por conta daquilo, voltei para o banheiro, e encontrei Izuna já dentro da banheira de madeira e com a cabeça encostada nas bordas.

Ele sorriu ao me ver entrar e quando retirei a calça que havia vestido para checar Eiji, estendeu a mão em minha direção. Acabei rindo em tom baixo quando aceitei a ajuda e segurei sua mão, e suspirei relaxado quando Izuna me guiou para deitar sobre seu peitoral, e enfim senti a água quente me cobrir. As mãos dele acariciaram o meu peito devagar, enquanto ouvia sua respiração próxima ao meu ouvido, e o coração batendo forte que podia ser sentido por minhas costas fizeram o meu corpo relaxar aos poucos.

Em certo momento cochilei em seus braços, tamanha era a tranquilidade que sentia ali, mas fui despertado por sua voz baixa e hesitante que soou tão próxima a meu ouvido que senti seus lábios esbarrarem em minha orelha.

— Tobirama.

— Hm? — Tentei fingir que estava acordado por todo aquele tempo ao respondê-lo, mas minha falta de palavras talvez tenha me entregado. Porém, Izuna nada disse sobre aquilo e apenas continuou a me acariciar levemente.

— Nós podemos mesmo ter o que queremos? — Ele perguntou ainda em tom baixo. — Não é sonhar grande demais?

Demorei alguns segundos para perceber do que ele falava, e que aqueles minutos que passamos em silêncio, estava pensando na conversa que havíamos tido mais cedo.

— Talvez — respondi sinceramente. — Talvez não poderemos ter tudo, mas podemos lutar para ter o essencial.

— Eu não sei se mesmo o essencial para mim seja possível.

— O que quer dizer? — Perguntei com seriedade, e chamei por seu nome quando não tive uma resposta imediata.

— Eu quero você, nosso filho e... meu irmão — ele enfim explicou. — Isso é sonhar demais, Tobirama, e sabe disso.

— Eu sei — o respondi imediatamente, e toquei um dos braços sobre o meu peito. — Eu também não consigo imaginar um futuro sem o meu irmão. Ele é a minha família. Mas você também é — suspirei fundo. — Nossa situação é mais do que complicada, não há como ter muitas certezas, mas... eu sei que não vou mais lutar contra você. Não consigo. Eu lhe dei um tapa na mão no outro dia e foi como o fim do mundo para mim, mal consigo imaginar voltar a machucá-lo como antigamente — minha mão passou a subir e descer devagar em seu braço, e deitei a lateral de minha cabeça ali. — Me sinto envergonhado por um dia ter encostado em você de uma maneira diferente de agora.

— Eu também — ele me abraçou com força ao dizer. — Eu sinto tanto.

O tom trêmulo de sua voz me preocupou, e tentei me virar para olhá-lo, porém, Izuna me segurou naquele abraço e levemente choroso, pediu:

— Não, fique assim — ele apertou um pouco mais o abraço. — Não olhe para mim, por favor.

Eu me segurei em seus braços ao ouvi-lo fungar atrás de mim, e procurando respeitar seu pedido, fiquei onde estava e apenas o acariciei em silêncio, até ter certeza de que estava mais calmo. Eu entendia como ele se sentia naquele momento. O que tínhamos no passado não eram simples brigas. Tentamos nos matar por diversas vezes, e não havia nenhuma lembrança em que pegávamos leve um com o outro. Era horrível de se lembrar.

— Você sabe... — comecei a falar após algum tempo, também me sentindo fragilizado por aquele assunto, mas também querendo pensar em nossa realidade atual. — Pensar no passado nos ajuda a não cometer os mesmos erros agora, mas, planejar o futuro também é essencial, principalmente por termos mais do que a nós mesmos para cuidar — soltei um suspiro quando o senti relaxar e novamente voltei a sentir suas caricias, mas daquela vez não somente em meu peito, mas também em meus cabelos. — Nossos irmãos... são tão importantes, isso é incontestável, — retornei a falar — mas podem cuidar deles mesmos. Eiji precisa de nós.

— Nós precisamos tomar uma decisão, não é? — Ele perguntou ao encostar a cabeça na minha.

— Sim. Mas não precisa ser agora. Eu acho que saberemos quando chegar a hora de decidirmos o que fazer — virei a minha cabeça devagar e beijei seu braço no final da frase. — Só não se esqueça que nós sempre estaremos aqui para você.

— Eu também sempre estarei aqui para vocês — ele respondeu um pouco mais animado e afundou ainda mais os dedos em meus cabelos. — Você e Eiji são quem não pretendo abrir mão nunca.

O meu peito se aqueceu ao ouvir suas palavras, e mais uma vez beijei a pele de seu braço.

— Anos atrás, eu nunca imaginaria estar tendo esse tipo de conversa com você — ri ao final da frase. — Não imaginava nada como é agora. E mesmo com as coisas negativas, sou agradecido por nada ser como imaginei.

— Nós deveríamos agradecer a Eiji — Izuna também riu ao falar.

Sorri largamente e assenti.

— Ele nos mudou, hm?

— Eu acho que ele abriu os nossos olhos — Izuna suspirou profundamente. — Eu gostaria que todos também abrissem, sobre a violência e perdas sem sentido, mas é praticamente impossível.

— Será?

Naquele momento me vi questionando as palavras que eu mesmo dizia tempos atrás, e estranhamente, me lembrei de alguns momentos de meu passado, e tive um pouco dos pensamentos de meu irmão.

— É só que... nessa época em que vivemos, é um pouco difícil aceitarem amor em vez do ódio — Izuna disse chateado. — Talvez depois, eu não sei. Depois de tudo, eles poderiam amar uns aos outros de alguma forma? Como... nós, ou qualquer outro jeito?

Tive que tomar um momento para mim após ouvi-lo. Se amarem como nós? Eu gostei de como aquela frase saiu tão tímida de sua boca, e meu coração até mesmo acelerou um pouco por conta daquilo, porém, minha atenção logo foi para o real significado de sua pergunta, e mais uma vez me lembrei do passado, e passei a compreendê-lo melhor por causa dele.

— Eu não acho viável uma pessoa odiar outra e acabar amando-a em algum momento posterior. Seria impossível.

Izuna ficou em silêncio por um momento, e suas caricias também pararam, mas logo retornaram, juntamente com sua pergunta baixa e hesitante:

— O que quer dizer?

Eu imediatamente entendi o seu jeito, sem nem ao menos precisar olhá-lo, e rapidamente comecei a explicar as minhas palavras, que não significavam nada do que sabia que ele estava pensando. Era óbvio que eu o amava, e mesmo sem ter dito tão claramente, esperava que ele soubesse.

— Anos atrás, Aika disse algo para mim e meu irmão — comecei a minha explicação. — Eu não a entendi e nem quis entender na época, mas ultimamente venho pensado bastante nisso — minhas palavras saíram sérias, mas acabei sorrindo ao me lembrar da época em que Aika morava conosco. — “Não existe isso de ódio ter uma fina linha que o separa do amor”, ela disse para Hashirama, quando ele veio mais uma vez com suas ideias de mudar os pensamentos de nosso pai e do seu também. Ele tinha esse tipo de fantasia na época, era o que eu pensava.

— Madara também, por um tempo — revelou Izuna de maneira triste, mas logo pigarreou e voltou ao seu tom normal. — Ela explicou o motivo de dizer isso?

— Sim — o respondi ao voltar a acariciar o seu braço. — Aika disse que isso não seria possível, pois para ela, o “ódio” nem ao menos existe. Que o que chamamos de ódio é nada mais que o medo disfarçado. “Muitas coisas ruins que nomeamos de maneiras diferentes, na verdade é apenas uma: medo”, ela disse.

— Ela quis dizer que odiamos o que temos medo? — Sua pergunta foi feita com clara confusão. — Como se eu o odiasse no passado porque tinha medo de você?

— Não. Mas eu também pensei isso quando ela falou sobre essas coisas, por isso não quis mais ouvir e ignorei o assunto. Achei a ideia absurda, pois achava que eu não temia nada, muito menos o meu pai temeria o seu. Soou ridículo na época — sorri sem jeito, me sentindo bastante idiota por meus pensamentos antigos. — Mas pensando melhor agora, depois de tudo o que passei até aqui, acho que ela estava certa. Eu nunca o temi. Não você, mas o que poderia representar para mim, talvez. E depois do que me disse mais cedo... tenho quase certeza de que era exatamente isso.

Suspirei levemente ao me interromper e me lembrar novamente de como agia quando via Izuna, o que sentia e também os meus pensamentos. Tudo apontava para a razão de Aika.

— Nós poderíamos ter sido amigos, como nossos irmãos — continuei a falar. — Poderíamos ter nos apaixonado quando adolescentes, não lutaríamos ou brigaríamos gravemente. Nós poderíamos ter vivido o agora há muitos anos — outro suspiro, mas daquela vez por me sentir derrotado por minhas próprias palavras. — Mas isso me assustava, sem nem ao menos pensar no que poderíamos ter sido. E era como se esses pensamentos estivessem trancados em minha mente, por medo de decepcionar o meu pai, o meu clã, de vivermos na miséria enquanto os Uchiha nos comandavam, e de perder o último irmão que me restou. Mas nem ao menos isso eu sabia que sentia, pois achava que era por ódio que agia contra vocês.

— Pensando sobre mim, também acho que talvez ela esteja certa. Mas... aquilo sobre estar tudo bem sentir medo, se adicionarmos essa teoria, não seria o mesmo que dizer que está tudo bem “odiar”?

— Eu não acho — o respondi rapidamente. — Há muitos tipos de medos em nós, só precisamos saber identificar o que nos ajuda a ser mais fortes e os que nos puxam ainda mais para baixo.

Izuna ficou em silêncio daquela vez, e curioso para saber sua opinião, logo perguntei:

— Acha que estou errado?

— Eu acho que está sendo sexy novamente — disse ele risonho, um pouco antes de beijar minha bochecha de forma demorada e barulhenta.

Eu o acompanhei na risada, e enfim me virei para ele. O chamei para o meu colo, e Izuna veio até mim rapidamente, enlaçando minha cintura com suas pernas, que passei a acariciar no mesmo momento. Ficamos a nos olhar e em silêncio por tanto tempo, que acabei não me dando conta do quanto. Quando despertei do transe que seu olhar havia me prendido, subi uma de minhas mãos para o seu rosto e o acariciei com as costas da mesma.

— Eu ia dizer algo, mas me esqueci — confessei em tom risonho. — Fiquei distraído com a sua beleza. É demais para mim.

Izuna riu diante de minhas palavras e balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Bobo — disse ele, ainda em tom de graça, e segurou o meu rosto com ambas as mãos, para em seguida beijar os meus lábios.

Após nossa conversa, o banho que era para ter sido tomado com rapidez, finalmente foi realizado, e cansados demais, nos trocamos e fomos diretamente até as camas. Porém, tive que agir quando Izuna foi em direção oposta à minha, na clara intenção de se juntar ao nosso filho.

— Nem pensar — disse em tom baixo assim que o segurei pela cintura. — Hoje, você é só meu.

— Tobirama... — Izuna tentou falar seriamente, mas acabou deixando escapar um sorriso. — Ele ficará ainda mais enciumado.

— Então conversaremos com ele, de novo — nós rimos com as minhas últimas palavras, e em seguida abracei sua cintura. — Amanhã ele pode dormir conosco.

O sorriso de Izuna morreu no mesmo momento em que me ouviu e chateado, disse:

— Eu não posso ficar amanhã.

O meu humor também esmoreceu ao ouvir aquilo, e soltei um longo suspiro ao acariciar suas costas.

— Tobirama...

— Está tudo bem — eu disse rapidamente, e forcei um sorriso. — Você sabe que entendo muito bem.

Izuna me olhou triste, obviamente não acreditando em minhas palavras. Eu havia sido sincero ao dizer que o entendia, mas para mim, não estava tudo bem, e para o nosso pequeno também não. Nós sentíamos a falta dele de forma dolorosa em todos aqueles dias em que precisávamos ficar longe, e não era tão fácil fingir que tudo estava perfeitamente bem a todo momento. Porém, mais do que a distância, detestava ver aquela expressão em sua face, e imediatamente tratei de espantar os sentimentos negativos e voltei a sorrir ao me afastar dele.

— Está tudo bem. Só é uma pena, porque, — eu me deitei enquanto falava e meu sorriso se alargou — iríamos juntar as camas, e Eiji ficaria tão feliz. E eu poderia abraçá-los a noite toda...

Eu sabia que não podia convencê-lo com aquilo, mas tinha certeza de que ao menos arrancaria um sorriso de seus lábios, e me senti satisfeito ao ouvi-lo rir em tom baixo.

— Não faça isso — ele pediu ao se aproximar, ainda com seu sorriso a mostra.

— O quê? Você é muito forte, certo? — O provoquei enquanto me arrastava pela cama, e deixava um espaço vago para ele. — É claro que pode resistir àquela carinha, — apontei para Eiji dormindo ao lado e em seguida sorri debochado ao apontar para eu mesmo — e a um homem muito bonito cujo os olhos te encantam.

Acabei rindo da última afirmação, me livrando do sentimento antecipado de saudade ao ouvir sua risada outra vez.

— Eu não sou assim tão forte — ele afirmou ao se juntar a mim debaixo das cobertas. — Uma espada pode me atravessar e irei sobreviver, mas não posso resistir a isso.

Nós rimos outra vez, e em seguida, sem nem ao menos notar, nossos lábios se tocaram automaticamente e nos beijamos profundamente. Era engraçado o modo que agíamos. Estávamos tão cansados, e até mesmo havia quase pegado no sono algumas vezes durante aquelas horas, mas ainda assim, sempre havia uma energia extra para nos perdermos em longos beijos ou simples caricias.

— Eu mandarei um gavião para o meu irmão amanhã — avisou Izuna, assim que soltou os meus lábios.

— Sério? — Perguntei incrédulo, mas ao mesmo tempo animado com a possibilidade de tê-lo ali por mais uma noite.

Izuna balançou a cabeça para cima e para baixo antes de me beijar rapidamente e se acomodar melhor na cama.

— Eles podem ficar sem mim por mais um dia — afirmou ele com um fraco sorriso. Em seguida, segurou o meu braço e deu as costas para mim. Ele me puxou para abraçá-lo, e o obedeci prontamente, afundando o meu rosto em seus cabelos, e aspirando o seu cheiro em seguida.

Eu o abracei com força ao ouvi-lo suspirar em meus braços, e antes que sono tentasse me calar novamente, sussurrei:

— Eu falei sério. Sobre o nosso quarto — Izuna passou a acariciar meu braço, mostrando que me ouvia. — Mantenha isso em mente quando chegar a hora, ok? Nós não conseguiríamos viver sem você.

Ele assentiu rapidamente sem me olhar, e em seguida recebi um leve beijo no braço. Eu não queria pressioná-lo a tomar uma decisão imediata, quando eu mesmo hesitava muito antes de ter uma conclusão sobre o que faria, porém, ainda queria mostrar a ele que para mim, não havia opção em que não o tivesse ao nosso lado. Eu só queria ter certeza de que ele entendia o quão importante era para a nossa família.


Notas Finais


Hey!
Espero que tenham gostado da última parte do capítulo onze. Gostei muito de escrevê-lo, e me faria imensamente feliz se me dissessem o que estão achando. Aproveito aqui para agradecer pelos favoritos e os amorzinhos que já comentam e me dão muito amor <3


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