História Eiji - Capítulo 7


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Categorias Naruto
Personagens Hashirama Senju, Izuna Uchiha, Madara Uchiha, Tobirama Senju
Tags 2nd Hokage, Hashirama Senju, Izuna Uchiha, Madara Uchiha, Naruto, Segundo Hokage, Senju, Tobiizu, Tobirama Senju, Tobizuna, Uchiha
Visualizações 181
Palavras 5.481
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Capítulo Seis


O convívio naquelas horas da semana se tornou mais fácil depois que chegamos a um acordo. O ar à nossa volta não era mais hostil, apesar do incômodo ainda estar entre nós. Com o passar dos dias, notei que Izuna também se incomodava daquela maneira quando a atenção de Eiji estava sobre mim, e mesmo sabendo ser infantil, não conseguia deixar de sentir prazer nisso.

Apesar de nos vermos todas as semanas, não nos falamos mais como antes. Nem curtas palavras ou acenos, o tratava como se não estivesse ali e ele fazia o mesmo comigo. Talvez esse fosse o motivo para o fim das discussões que acabávamos tendo na maioria das vezes, e isso era bom não só para nós, mas principalmente par Eiji, que parecia mais animado em não nos ver gritando como antes.

Apesar de tudo, o meu silêncio não queria dizer que estava calmo ou conformado. Pelo contrário, minha mente estava funcionando ainda mais rápida e enérgica. Aquele acordo que fizemos não ficou em segundo plano em minha cabeça em um momento sequer, e por esse motivo estava ansioso para continuar com o trabalho no clã. Hashirama me olhava desconfiado ás vezes, por conta de minha urgência em derrubar os acampamentos Uchiha, mas podia ver que achava que entendia o que estava se passando comigo, o que fazia dele um tolo.

Eu o estava fazendo de idiota ao não contar o que acontecia em minha vida, me sentia mal por isso, e tudo piorou quando voltou a fazer perguntas sobre os passeios que dava fora do clã com Eiji. Ele queria saber onde íamos e ficava deprimido em todas as vezes em que o respondia com palavras curtas e atravessadas. Não gostava de respondê-lo de tal maneira quando era eu quem estava fazendo algo “proibido” e mentia para ele, porém, o meu nervosismo me fazia tratá-lo de forma arisca e impaciente sempre que o assunto surgia.

Depois de algum tempo, Hashirama parou de perguntar, o que deveria ter me deixado aliviado, mas só me fez sentir ainda mais culpado. Ele não merecia ser enganado quando era a pessoa que mais me apoiava desde que eu havia nascido. Eu não podia mais mentir para o meu irmão, aquilo parecia quase como um crime.

— An-chan, — o chamei em certa tarde — o que acha de nos acompanhar na próxima vez em que sairmos?

A pergunta que saiu de minha boca foi ensaiada muitos dias antes, pois sem querer admitir, estava amedrontado com o significado daquele convite, e quando enfim tive coragem de fazê-lo, recebi um olhar surpreso, mas claramente animado. Hashirama se aproximou no segundo seguinte e segurou um sorriso ao perguntar:

— Posso mesmo acompanhá-los na sexta-feira?

— Não! — Exclamei em tom alto e imediatamente, recebendo um olhar desconfiado. — Quero dizer... estava pensando em amanhã, já que não temos muito o que fazer. Sexta você estará ocupado com o treinamento de Tsubaru.

As investigações sobre os Uchiha estavam estagnadas, mas ainda tínhamos os nossos próprios assuntos internos para resolver, e um deles era os treinamentos de nossos shinobi. Na sexta Hashirama se encarregaria de Tsubaru, um dos melhores jovens que tínhamos e estávamos ansiosos para contar com sua ajuda em campo, mas naquele dia ele serviu para muito mais do que lutar — o treinamento do garoto era a minha desculpa perfeita. As sextas-feiras eram os dias de Izuna ver Eiji, e mesmo querendo dizer aquilo para Hashirama, ainda estava tentando criar coragem e também prepará-lo para me ouvir. O passeio serviria para isso.

— É verdade — ele ficou envergonhado por ter claramente esquecido daquilo, mas logo voltou a sorrir. — Então iremos amanhã!

Assenti para ele, o observando tão animado com aquilo. Ás vezes meu irmão parecia uma criança atrás do que queria, e me perguntava o que os outros achariam se o vissem daquela maneira. Para os outros membros do clã, Hashirama era não apenas o nosso sério líder, era como um deus superpoderoso e invencível. Ele realmente era extremamente forte, porém, era difícil vê-lo tão seriamente quanto os outros viam. Ás vezes até mesmo conseguia me esquecer de toda a sua força e liderança, e para mim em tais momentos ele era apenas Hashirama, o meu bobo irmão mais velho. Mas apesar de tudo, eu ainda o respeitava grandemente fosse como um líder ou irmão.

 

***

— Porque o pai nunca me disse sobre esse lugar? — Foi a primeira coisa que Hashirama disse assim que pisou no gramado daquele lugar. Suas bochechas inflaram como uma criança e bufou enquanto cruzava os braços. — Que injusto!

Ri em tom baixo de sua reação.

— Ele me trouxe aqui na mesma época em que passou a espada do avô para você — sorri de canto ao me lembrar daquela época. — Deve ter pensado que eu ficaria com ciúme e quis que tivéssemos algo só para nós dois, não sei ao certo.

— Mas você realmente ficou com ciúme — Hashirama me olhou com provocação ao dizer.

— Fiquei sim — dei de ombros ao admitir. Eu era apenas uma criança apesar de tudo, e não havia vergonha naquilo. Não como ele deveria ter naquele momento. — Agora, você é quem está.

— Calado — Hashirama gaguejou ao se aproximar, finalmente se envergonhando pelo claro ciúme que sentiu ao saber sobre aquele lugar. Ele ficou emburrado com a minha alta risada e antes de se afastar, pegou Eiji de meu colo.

O restante da tarde foi mais tranquila do que esperei — pelo menos para os outros dois. Eiji e Hashirama brincaram sobre o gramado, dispensando o lençol na maior parte do tempo, o que me fez imaginar o surto que teria que aguentar se Izuna estivesse ali. Revirei os olhos ao me lembrar dele e balancei a cabeça de um lado para o outro, a fim de espantá-lo o mais rápido possível de minha mente. Eu ainda estava tentando lidar com aquela situação e tentava criar coragem para iniciar uma conversa séria com Hashirama, e pensar em como Izuna era com Eiji não ajudava em nada, me deixava mais nervoso.

As horas passaram, as brincadeiras e risadas de Eiji iam e vinham, mas nada do assunto surgir. Em certo momento pensei que entraria em pânico com os meus próprios pensamentos e ansiedade, mas tudo se acalmava quando dava atenção ao pequeno e algum assunto aleatório de meu irmão.

Eu tentei falar durante o lanche que fizemos no meio da tarde, mas novamente nada saiu. Estava sendo difícil, muito mais do que quando voltei para casa meses atrás e tive que contar a ele sobre Eiji. De repente, o que eu estava permitindo ali parecia ser uma das coisas mais terríveis que podia fazer.

Minha mente esfriou um pouco quando Hashirama sugeriu que levássemos Eiji para mais perto do lago. Com seu jutsu, fez um deque sobre a água. Tinha apenas três metros de comprimento, mas foi o suficiente para nós dois sentarmos sobre a madeira e molharmos os pés. Eiji, pela primeira vez notou a água e se assustou por um momento, mas no seguinte estava tão agitado para nos imitar e molhar os pezinhos que quase pulou de meu colo para o lago. Meu coração pareceu parar por um momento quando o senti escorregar de minhas mãos, mas suspirei aliviado quando consegui segurá-lo com firmeza e sentá-lo entre as minhas pernas.

Hashirama e eu não conseguimos segurar altas risadas quando o pequeno gritou alegre ao sentir a água gelada. Ele bateu os pés com força na água, e sentiu ainda mais graça naquilo, soltando risadas em todas as vezes seguintes que repetiu aqueles movimentos.

— Não há como esconder que é seu filho — Hashirama comentou risonho. — Olhe como adora a água.

Eu assenti e ri junto com o pequeno, que ainda se divertia com os pés. Naquele momento me senti mais à vontade, e novamente pensei em introduzir o assunto que tanto adiei, porém, mais uma vez travei e fiquei em silêncio enquanto observava Eiji ter aquela nova experiência.

Quando me dei conta, bastante tempo passou, e nada de importante havia sido dito entre meu irmão e eu. Olhei para o céu, percebendo o horário, e suspirei pesadamente. Estava decepcionado comigo mesmo por ser tão covarde.

— Está ficando tarde, — eu disse desanimado, sabendo que apesar de uma boa tarde, havia desperdiçado um bom tempo — é melhor irmos.

— Ou poderíamos ficar — Hashirama disse imediatamente e se levantou ao ver a minha expressão interrogativa. Ele me ajudou com Eiji e quando estávamos de novo no gramado, se virou para mim. — Irá escurecer em breve, não seria seguro sair por aí com Eiji. E... — Hashirama se mostrou empolgado e se afastou de nós. — Eu aprendi a fazer algumas coisas enquanto estava fora. Testei no acampamento do Norte e ficou muito bom — ele sorriu abertamente antes de juntar as mãos. Com os dedos fez símbolos da natureza de seu chacra e em seguida tocou o chão. — Veja! — Gritou animado enquanto algo grandioso feito de madeira se levantava à nossa frente.
                Já tinha visto Hashirama construir muitas coisas com seu jutsu, mas até aquele momento jamais havia presenciado algo como o que via. Hashirama se empolgou ainda mais com o meu olhar surpreso para a cabana que ele havia construído em segundos, e me chamou para entrar assim que abriu a porta que percebi ser a dos fundos assim que entrei.

Eiji havia se assustado com a movimentação repentina, mas seu interesse foi maior que o medo quando pisamos no lado de dentro.

— Isso é incrível — comentei ao ver que até mesmo por dentro tudo parecia feito por um bom marceneiro.

A cabana não era muito grande, mas tinha até mesmo uma mesa onde imaginei ser uma cozinha. Ele havia feito um banheiro também, e observei os detalhes boquiaberto, até que olhei para o lado.

— Mas... por que fez camas, se não temos colchões?

Hashirama, que até então estava com o peito inflado e se gabando por suas habilidades, pareceu despertar com a minha pergunta e corou levemente. Sua mão foi até a cabeça e a coçou da mesma maneira que sempre fazia quando estava sem jeito.

— Hm... Não pensei nisso.

— Típico — revirei os olhos ao dizer, e dei as costas para continuar a explorar o lugar.

— Ei, — Hashirama deixou a vergonha de lado e foi até nós. — Você deveria estar me agradecendo! E você mesmo disse que é incrível.

Eu ri com sua reação e a maneira que sempre caía em minhas provocações. Era claro que era incrível. Não era qualquer um que conseguiria fazer algo do tipo, mas nunca perdia a oportunidade de provocá-lo. Era um desperdício deixar chances como aquela passar.

Apesar de saber que estava brincando, Hashirama só me deixou em paz quando admiti que o seu trabalho era excelente e concordei em passar a noite ali. Ele não parecia muito animado para voltar para casa, e sinceramente eu me sentia da mesma maneira. Ainda tínhamos que conversar, e apesar de me sentir confortável em nossa casa, era muito mais difícil me expressar onde tínhamos outros assuntos tão sérios.

Quando o pôr do sol veio, Eiji se mostrou sonolento. Hashirama arrumou a cama com um colchão improvisado feito com o cobertor do pequeno e nossas blusas enquanto eu o balançava devagar, a fim de ajudá-lo a dormir. Eu o levei para o lado de fora por um momento, saindo pela porta da frente e encarando o lugar onde sempre estendíamos o lençol para sentar. O pequeno deitou a cabeça em meu ombro e suspirou fundo. Ele parecia mesmo cansado, mas pude notar que se manteve acordado, olhando para as árvores, e então, sussurrou o nome dele. Fechei os meus olhos e foi a minha vez de suspirar fundo. Por sorte Hashirama estava dentro da cabana ou teria que explicar aquilo, mas, ainda assim, não deixei de me incomodar. Era como se não importasse a situação ou as pessoas à nossa volta, Eiji jamais deixaria de chamar por Izuna. E isso me estressava ao extremo.

Para o meu alivio o pequeno logo pegou no sono, e só voltei a entrar na cabana quando tive certeza de que não despertaria. Ainda não podia arriscar que chamasse por aquele nome na frente de meu irmão, que para a minha surpresa já tinha tudo preparado quando entrei pela porta. O lugar para Eiji já estava reservado e assim que o deitei ali, fui até a outra porta que estava aberta. Pude observar o lago outra vez, apesar de já estar quase escuro, e sorri de canto ao ver Hashirama terminando de acender uma fogueira perto dali.

Eu me sentei na entrada, podendo assim ficar perto de meu irmão, mas também atento a Eiji que dormia profundamente sobre a cama sem colchão.

— Eu trouxe algo, — Hashirama chamou a minha atenção ao dizer — mas acabei esquecendo durante o dia.

Revirei os olhos com o final de sua frase e recebi uma baixa risada sem graça. Aquilo era a cara dele.

Hashirama logo deixou aquele assunto do esquecimento de lado, e da bolsa ao seu lado, tirou uma garrafa de saquê. Minha garganta ficou seca quando vi a garrafa e pude até mesmo sentir o gosto da bebida. Já fazia algum tempo que não bebia, minhas obrigações com Eiji me impediam de fazer algo do tipo.

— Eu não sei se podemos... — hesitei ao dizer, sabendo que não deveria, pois, o pequeno poderia precisar de mim durante a noite, mas internamente desejando que Hashirama insistisse para que eu bebesse com ele.

— Vamos, Tobirama — ele sorriu ao se levantar e abrir a garrafa. Hashirama sentou ao meu lado e como desejei, me ofereceu a garrafa. — Eiji está dormindo e provavelmente permanecerá assim até o amanhecer. E você merece uma folga, certo?

— Certo — Fingi hesitar daquela vez, mas não demorei para pegar a garrafa de sua mão. Soltei um aliviado suspiro quando senti o líquido descer por minha garganta e me esquentar imediatamente. Havia sentido falta daquilo.

Hashirama foi o próximo a beber o líquido, e por alguns minutos permanecemos em silêncio, apenas observando a fogueira à nossa frente. Eu me sentia mais calmo por causa da bebida, e de repente também mais corajoso. Estava muito longe de estar bêbado, mas senti que aquele único gole era o que eu precisava para enfim fazer o que foi planejado para aquele dia.

— An-chan — chamei em tom baixo, e recebi atenção imediatamente. Virei meu rosto em sua direção, e fiquei sério ao encarar sua expressão calma. — Preciso contar uma coisa.

— Ok... — Hashirama endireitou a postura ao dizer, e me olhou com curiosidade e preocupação, afinal, eu nunca começava uma conversa qualquer daquela maneira.

Respirei fundo antes de tomar mais um gole do saquê e então, finalmente falei. Desde o significado da permanência de Eiji na janela de nossa sala até o último encontro que tivemos com Izuna. Cada detalhe do que houve, com exceção de nosso mudo acordo para ficar com Eiji no final. Isso ele deveria saber quando chegasse o momento certo, que definitivamente não era aquele.

Hashirama me ouviu atentamente, fazendo perguntas e prestando ainda mais atenção nas respostas, e como esperei, ele não reagiu tão bem por ter guardado aquele segredo por tantas semanas. Meu irmão se mostrou chateado por saber daquilo apenas naquele momento, mas como também era parte de sua personalidade, não conseguiu ficar de cara fechada por muito tempo. Ele logo suavizou a expressão e voltou a me ouvir, e até mesmo caçoou de mim, dizendo que parte de meu nervosismo com Izuna era por ciúme do relacionamento que o outro havia construído com Eiji. Eu neguei veemente, é claro, mas no fundo sabia que ele estava certo, e que me incomodava saber que alguém além de mim também era importante para o pequeno.

Apesar de ficar nervoso pelo segredo, Hashirama não disse que eu estava errado ou certo por fazer aquilo. Ele apenas sorriu suavemente e disse que era uma pessoa muito melhor do que eu mesmo pensava por priorizar Eiji daquela maneira.

Logo voltamos a relaxar e me senti um pouco mais leve por poder falar abertamente sobre o que estava acontecendo. Ter que me limitar — e até mesmo o pobre Eiji — em sua presença estava sendo difícil.

O assunto tomou um bom tempo daquela noite, e vendo como não estávamos tão fechados em nossos próprios pensamentos como era costume, resolvi ser sincero ao dizer:

— Estou lhe dizendo isso, porque prometi a mim mesmo que não esconderia mais nada de você.

— Obrigado — Hashirama sorriu suavemente e subitamente mudou sua expressão. Ele abaixou o olhar e depois o desviou para a fogueira. — Eu também não gosto de esconder coisas de você.

Seu olhar pensativo e triste estava ali novamente, e mesmo sabendo que Hashirama nunca parecia animado para falar sobre aquele seu humor, mais uma vez insisti:

— Então, o que está havendo?

— Tobirama... Eu... — ele voltou a me olhar e virou o corpo completamente em minha direção — peço que não me julgue pelo o que vou contar — vi suas bochechas se tornarem coradas e fiquei a pensar se era pelo assunto ou por conta da bebida, e logo tive a minha resposta. — É sobre mim e como venho me sentindo.

— Você nunca me julgou, até mesmo nas coisas mais duvidosas que já fiz — ri sem graça ao dizer e também me virei para ele. — Por que faria isso com você e seus sentimentos?

— Eu não sei. Quero dizer — Hashirama gaguejou. — Eu sei. É por isso que é difícil.

Ele fechou os olhos com força e suspirou fundo antes de tomar um longo gole de saquê.

— Diga de uma vez — eu disse com impaciência. Ele deveria saber que não precisava hesitar para me contar qualquer coisa. — Não pode ser tão ruim.

— Não tenha tanta certeza — disse ele após abrir os olhos e voltar a me olhar envergonhado.

Minhas sobrancelhas se juntaram ao ouvi-lo falar de tal maneira, e permaneceram assim durante todo o momento em que Hashirama continuou a falar. Eu não estava surpreso com o que ouvia, mas... não deixava de ser chocante. Como eu suspeitava, o problema era Madara e o relacionamento que ambos tiveram no passado. Eu já sabia, mesmo sem ter visto ou o escutado falar sobre aquilo antes, mas tudo se tornou verdadeiro demais depois de ser dito através de seus próprios lábios.

— Eu o amo — confessou enfim, enquanto o rosto corava ainda mais. Ele em seguida me olhou amedrontado, provavelmente por meu silencio. — Sei que pode parecer estranho para você e até mesmo nojento, mas... não posso mudar isso. Já tentei, acredite.

— É mesmo estranho — eu disse, depois de muito pensar no que dizer, mas ainda sem saber direito como expressar o que pensava. — Mas não tenho nojo de você, só dele.

Hashirama se mostrou aliviado com o que disse a ele, porém, me olhou com seriedade pela última parte. Suspirei fundo antes de beber mais um pouco e repetir em minha mente que machucaria Hashirama ao dizer o que pensava de Madara. Nunca havia pensado muito naquilo e vinha dizendo o que queria até aquele momento, mas ao ter certeza do que o meu irmão sentia, tive que repensar na indelicadeza de minhas palavras.

— Desculpe — pedi em tom baixo e me senti culpado por vê-lo ainda mais triste. — Quer saber o que realmente penso? — Hashirama ficou atento com a minha pergunta e assentiu imediatamente. — Eu não estou surpreso, na verdade. Você é transparente demais, An-chan — ri em tom baixo por sua vergonha aumentar ao me ouvir. — Eu não gosto da ideia de vocês juntos, mal posso imaginar, — confessei — mas se é o que realmente sente, posso tentar compreender, e em outro cenário o apoiaria com toda a certeza.

— Mas...? — Hashirama me incentivou a continuar, sabendo que eu tinha mais a dizer, e que não era uma coisa tão boa para ele.

Estava sendo sincero ao dizer que o apoiaria apesar de não aprovar Madara, porém, ele estava certo por achar que havia um “mas” após aquilo

— Estamos em guerra, An-chan — eu disse o óbvio. — Não pode esperar que tudo fique bem só porque se amam.

Ele me mostrou uma expressão dolorosa por ouvir aquilo, mas apesar de odiar fazê-lo se sentir mal daquela maneira, não podia alimentar o que sabia que não daria certo ou seria pior mais tarde.

— Eu não disse que ele sente o mesmo — revelou ele e depois bebeu um pouco mais. — E já disse que concordo com você.

— Ele é mais idiota do que pensei então — disse sem pensar, pela surpresa por saber daquilo. Sempre achei que de alguma maneira Madara também nutria algo por meu irmão, mas segundo o próprio, eu estava errado. — É por isso que anda tão estranho? Tiveram uma conversa ou coisa parecida?

Voltei a puxar assunto quando o vi quieto demais e preso em pensamentos que imaginava não serem dos melhores.

— Ele... também pensa como você, — explicou Hashirama — mas a diferença é que não se importa com o que sinto — ele sorriu triste e desviou o olhar. — Mas está tudo bem. Não é como se ele fosse obrigado a se importar — suspirou fundo antes de beber mais uma vez. — Mas, ainda assim, não deixa de machucar.

Mais do que nunca eu quis matar Madara naquele momento. Odiava a ideia de vê-los juntos, mas era ainda pior ver o meu irmão daquela maneira, tudo por culpa daquele Uchiha desgraçado.

Precisei de algum tempo para me acalmar e enfim voltar a dar atenção a Hashirama, que se conservou quieto até eu me aproximar, colocar minha mão em seu ombro, e dizer:

— Eu sei que não vai ser como quer, mas tudo logo terminará, An-chan. Só precisamos nos focar em ganhar.

— Eu não acho que isso irá terminar para mim, Tobirama, — ele sorriu daquela mesma maneira triste de antes — mesmo depois que essa guerra acabar — Hashirama tocou minha mão sobre seu ombro e deu leves batidas nela. — Mas agora mesmo só consigo me preocupar com você e Eiji. Tem certeza de que está fazendo a coisa certa aqui?

Ele enfim fez a pergunta que sabia que uma hora viria, e como também esperei, não tinha uma resposta exata para aquilo.

— Eu não tenho certeza de muitas coisas — confessei desanimado. — A única coisa que sei, é que esses encontros fazem bem para Eiji — ao dizer tal coisa, me senti sonolento por causa da bebida e descartei a ideia de continuar por aquela noite. — Mas estou atento, não se preocupe — disse na intenção de encerrar o assunto.

— Eu sei. Você sempre é — Hashirama riu em tom baixo e continuou a beber. — É muito melhor do que eu.

Outra risada e cheguei à conclusão de que Hashirama já deveria ter parado com o saquê há algum tempo.

— Acho que já bebeu demais.

Retirei a garrafa de suas mãos e a deixei de lado, e Hashirama riu mais uma vez.

— Viu só? — Ele segurou o meu rosto com ambas as mãos ao falar. — Você é o futuro do nosso clã, Tobirama — apesar de estar claramente alterado por causa da bebida, sua voz saiu firme ao dizer. Ele voltou a sorrir relaxado em seguida e soltou o meu rosto. — Eu sei que se está fazendo isso, é porque acha certo não só por Eiji. Só é orgulhoso demais para admitir.

Soltei um suspiro assim que o ouvi. Ele talvez estivesse certo, mas
eu não queria pensar naquilo, não mais. Estava realmente cansado de pensar tanto.

— O futuro está dormindo ali dentro — foi a única resposta que dei naquele momento.

Apontei para trás antes de me levantar e ajudar Hashirama a fazer o mesmo. Meu irmão sorriu largo quando ficamos em pé e um em frente ao outro, logo ele assentiu por minha frase e bateu em meus ombros um pouco forte demais.

— Eu amo tanto vocês — ele riu ao dizer e suas mãos em meus ombros subiram até minhas bochechas e as apertaram com força. Imediatamente bati em suas mãos e me afastei, pronto para brigar com ele, mas desisti ao ver seu estado.

— Você definitivamente bebeu demais — balancei a cabeça de um lado para o outro antes de segurá-lo pelo braço. — Vamos entrar.

Hashirama dormiu rápido e sem reclamar quando o deixei jogado no chão da cabana, mas eu ainda demorei para pegar no sono, apesar de também me sentir amortecido por conta da bebida. Passei alguns minutos sentado ao lado de Eiji, podendo ver apenas parte de seu rosto que era iluminado pela luz da lua que entrava por uma das janelas. Eu realmente não queria mais pensar naquilo, mas, era difícil me controlar em todas as vezes que tinha aquele silêncio à minha volta. Era óbvio fazia aquilo por Eiji primeiramente, mas no fundo, apesar de todo o ódio que nutri por todos aqueles anos, ainda me colocava no lugar de Izuna vez ou outra. Porém, ainda assim era difícil de acreditar que estava fazendo algo de bom para ele, era estranho e eu não gostava daquele sentimento em meu peito.

Quando a manhã veio no dia seguinte, não demoramos muito para sair. Hashirama tinha reuniões para liderar naquele dia, e após participar ao lado dele, tive os meus próprios assuntos. O resto da minha semana permaneceu o mesmo. Com os treinamentos dos membros do clã e os meus próprios. As reuniões também não estavam indo além do mesmo de sempre, apesar de sentir alguns olhares estranhos sobre mim. Por várias vezes pensei que alguém diria algo direcionado a mim, porém, todos continuaram limitados ao assunto dado por Hashirama. Aquilo era estranho, e comentei com o meu irmão, que apesar de sua mente avoada também havia notado.

A sensação de que algo aconteceria em um momento próximo me acompanhou até o final daquela semana, mas ela foi deixada de lado quando a sexta-feira chegou, e com ela, Izuna. De repente, olhar para ele havia se tornado ainda mais insuportável.

Ele sorriu ao ver o pequeno em meu colo e como sempre seus passos se apressaram até nos alcançar. Porém, a visão do que estava à nossa frente roubou a sua atenção daquela vez. Izuna olhou curioso para a cabana, e com surpresa perguntou:

— O que é isso?

— O que não lhe interessa — respondi com raiva, mesmo sabendo que não havia motivo algum para tratá-lo daquela maneira naquele momento.

Izuna fechou a cara no mesmo instante e bufou com nervosismo ao se aproximar um pouco mais. Ele tirou sua atenção de mim como eu queria e estendeu os braços na direção de Eiji.

— Ei, meu bebê — falou com aquela mesma voz estúpida que usava para interagir com o pequeno. — Vêm com o Izu.

Eiji soltou um som animado ao pular para o colo dele e Izuna continuou com aquela maldita voz, o que me fez suspirar impaciente.

— O quê? — Ele perguntou incomodado e me olhou seriamente.

— Nada — dei de ombros. — Por que está falando comigo?

A pergunta saiu no mesmo tom ríspido que usei assim que o vi, e Izuna se mostrou incomodado novamente.

— Você com certeza não consegue ser civilizado.

— Não com você.

Rebati suas palavras imediatamente e me afastei deles, indo sentar no banco perto da entrada da cabana. Hashirama realmente havia pensado em tudo (bem, quase tudo, pois o colchão ainda estava em falta.)

Izuna me olhou confuso, mas logo me deixou de lado, para o meu alívio. Apesar de estarmos sempre entre desavenças, eu normalmente não agia daquela forma. Sempre o ignorava na maior parte do tempo, talvez fosse por isso que ele parecia não entender o meu modo de agir naquele dia. A verdade era que a história que Hashirama havia me contado sobre Madara ainda estava viva em minha mente, e olhar para Izuna automaticamente me levava a seu irmão, quem havia machucado o meu sem nem ao menos se importar. Eu não deveria me afetar com aquele problema que nem ao menos era meu, mas não conseguia me controlar depois de ver Hashirama naquele estado.

Naquele dia passei boa parte do tempo afastado deles, mas não tirei os olhos de cada movimento que Izuna fazia. Ainda era difícil não imaginá-lo pegando Eiji no colo e saindo correndo dali, o que me tomava toda a atenção durante as horas que passávamos naquele lugar.

Em certo momento não pude mais manter a distância que queria, pois, os fracos pingos de água que começaram a cair do céu nos obrigaram a entrar na cabana e dividir o mesmo espaço. A chuva se tornou um pouco mais forte, minutos após nos abrigarmos, o que nos deixou presos ali por algum tempo.

Izuna agiu como eu na primeira vez que entrei ali, e sem vergonha alguma reparou em cada detalhe, mas não disse uma única palavra. Ele sabia que não receberia respostas e se me ouvisse dizer algo, seria apenas palavras para que tomasse conta de sua própria vida, então imaginei que seu silêncio era obviamente por isso.

Tudo se tornou ainda mais incômodo e constrangedor quando Eiji pediu para voltar para o meu colo e acabou pegando no sono rapidamente. Sem o pequeno, obviamente o silêncio nos abraçou, e ficamos a esperar pelo fim da chuva sem nem ao menos olharmos um para o outro. Foi um momento estranho, mas ainda era melhor do que conversar com ele.

Quando a chuva enfim cessou, Eiji ainda dormia. Estava ficando tarde e não podia esperar que acordasse para partir, então tive que enrolá-lo em um pequeno cobertor e sair da cabana apenas com aquilo para protegê-lo do frio que a chuva havia trazido.

Ao colocar os pés no lado de fora, notei que algumas gotas ainda pingavam finas no gramado. Meu braço foi imediatamente até o rosto do pequeno, na intenção de protegê-lo da água, mas sabendo que era inútil. Por um momento pensei em passar outra noite ali, porém, a falta de preparo tanto com alimentos e pelo súbito frio afastou aquela ideia tão rápido quanto veio. E foi então que vi Izuna se mover ao meu lado. Havia esquecido completamente de sua presença, e ao me lembrar, a irritação de antes me cutucou levemente.

Logo o observei retirar o casaco azul marinho que usava, e em seguida tentar colocá-lo sobre Eiji e meu ombro, mas antes que terminasse, me afastei.

— Não precisa — afirmei com seriedade, ajeitando o pequeno em meu colo. Para a minha sorte ele dormia profundamente e parecia que precisaria de muito mais que um pequeno agito para acordá-lo.

— Ele vai acabar se molhando — avisou Izuna com impaciência, enquanto voltava a se aproximar para tentar colocar o casaco sobre nós, mas novamente o impedi, dando um passo para trás. — Deixe de ser criança, Tobirama!

Seu jeito de falar me irritou como sempre, mas daquela vez procurei me controlar ao respondê-lo:

— Eu paro quando deixar de ser burro. O que vão pensar quando eu chegar em casa com uma capa do seu clã?

Izuna abaixou o casaco ao me ouvir e ficou algum tempo pensativo, provavelmente vendo a óbvia razão que tinha ao recusar seu casaco. Mas a verdade era que aquela desculpa só havia me ocorrido no exato momento em que saiu por meus lábios. Eu ainda estava com o humor arranhado e não conseguia nem olhar para ele, imagine aceitar uma gentileza.

— Estúpido — murmurei quando o vi finalmente se dar conta de que aquilo seria no mínimo estranho.

Izuna murmurou algum xingamento de volta enquanto colocava o casaco entre as pernas, mas não dei atenção a ele. Não poderia me irritar mais do que aquilo ou provavelmente faria uma besteira.

O olhei surpreso quando o vi tirar a grossa camisa que estava usando por baixo daquele casaco. Seus movimentos foram rápidos, mas pude ver parte de seu corpo e as cicatrizes na pele, e o pensamento de que a maioria havia sido feita por mim, me trouxe um sentimento estrangeiro. Eu logo dispersei qualquer pensamento sobre aquilo e por sorte ele foi rápido em se cobrir com o casaco com o emblema dos Uchiha. A blusa que havia sido retirada foi colocada sobre Eiji e meu ombro, e dessa vez não o impedi.

— Aqui — disse ele, nervoso após nos cobrir, e colocou as mãos na cintura. — Feliz?

— Enojado — a minha resposta o fez bufar e revirar os olhos, o que me trouxe um tolo sentimento de vitória. Mas vitória sobre o quê? Eu não fazia ideia.

Izuna logo deu as costas e se foi, e fiz o mesmo rapidamente. Aquela sexta havia sido mais estranha que o normal para mim, e tudo o que queria era poder chegar em casa e finalmente descansar. Me sentia diferente de alguma maneira da qual não sabia explicar. Ainda estava irritado com Izuna pelos mesmos motivos de sempre, mas apesar de estranho falarmos um com o outro depois de tantas horas em silêncio, mesmo que por pouco tempo e antes de nos separarmos, me sentia um pouco mais leve com aquilo. Era esquisito, mas naquela noite, depois de tanto pensar, vi que estava errado. Ficar em silêncio não era melhor do que falar com ele, mesmo que fosse apenas para brigarmos ou nos insultarmos. Qualquer coisa era melhor que nada.



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