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História Eis que de repente tudo começa - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Cap 2


O telefone não parava de tocar e ele nem acreditava que estava mesmo acontecendo. Ficara até tarde assistindo seus filmes favoritos, coisa que não fazia há tempos, porque achava que conseguiria dormir até um pouco mais tarde no dia seguinte. Como estava enganado. Eram oito e meia da manhã e algum degenerado sem alma o incomodava.

— Alô? – tentou deixar claro pela sua voz tanto seu sono quanto seu mau humor, aquele, que aparecia em momentos raros de sua vida.

— Alô, Milo, desculpa te incomodar.  – a voz do outro lado do telefone o assustou. Era Aiolia e ele estava diferente do habitual – será que você poderia me ajudar hoje? Estou precisando de uma mãozinha. – Aquilo não era nada bom. Sua voz estava triste, monótona, bem diferente de quando haviam se despedido ontem na sorveteria.

— Claro! Onde te encontro? – disse se levantando imediatamente, espantando o pouco de sono que ainda anuviava sua consciência.

— Te encontro em meia hora no centro da cidade, tudo bem?

— Sim, sim, já já te encontro. – e desligou o telefone. Desceu as escadas após se arrumar e avisou seus pais onde iria. Como era sábado, não haveria problema de se divertir um pouco, e sua família conhecia o jovem Aiolia para saber que era uma boa companhia.

Andando pelas calçadas em um ritmo mais acelerado que o normal, mas ainda não correndo, não conseguia deixar de ter na mente a voz pesada do amigo igualmente loiro na cabeça e refletia. Sabia que o amigo enfrentava uma família um pouco complicada, e aquilo às vezes o consumia de uma maneira que em sua tão jovem idade não sabia lidar. E nem tinha como.

De longe enfim havia avistado o jovem atleta, sentado a um banco próximo a um semáforo.

— Cheguei. Desculpe a demora.

— Nada, eu que cheguei cedo – sorriu um sorriso fraco, visivelmente abatido.

— O que houve? – perguntou genuinamente preocupado enquanto começavam a andar sem rumo pelas ruas.

— Ah, o de sempre, apenas. - Ainda que Aiolia fosse um garoto prodígio e com muitas habilidades, mesmo em algumas ele tendo superado seu irmão mais velho, sua família fazia questão de puxá-lo além de seus limites, colocando Aiolos em uma posição de superioridade inatingível para qualquer ser humano normal. Ainda que seu irmão mais velho jamais alimentasse aquele comportamento absurdo dos pais, e mesmo às vezes chamando a atenção deles para o que acontecia e o que eles faziam, parecia não importar. A sorte do mais jovem era ser amado pelo irmão e amigos, pois visivelmente a família tinha um filho favorito. – Hoje o meu pai está em casa, voltou do trabalho. Sei que o dia será só de gritaria, e sinceramente não sei se quero estar em casa ouvindo isso.

— Então vamos apenas nos divertir hoje, tudo bem?

— E o que você sugere?

Os dois ficaram parados pouco tempo se olhando até que o loiro de olhos zuis resolveu o que eles fariam.

— Já tenho o plano perfeito para o dia! – sorrindo, puxou o loiro de olhos verdes pela mão e saíram correndo – vem comigo!

Aiolia definitivamente se assustou com o gesto, mais pela espontaneidade dele do que com o gesto em si, mas de forma alguma aquilo o incomodou. Na verdade, ficou muito feliz pelo toque das mãos do amigo nas suas, já que há muito tempo não sabia o que era aquilo.

Os dois meninos chegaram até um bairro residencial e logo ele reconheceu o que Milo iria fazer. Eles estavam perto da casa de um dos amigos, o Luís, aliás, o agora Aldebaran. Se aproximaram de uma janela e jogaram uma pedrinha, e logo o rapaz apareceu com cara de sono.

— O que vocês querem a essa hora da manhã?

— Aldebaran, combine com os meninos para todos nos encontrarmos em 2h neste endereço. Ah, e levem dinheiro e sungas! Não vou esperar ninguém, quem for, deve estar lá pontualmente neste horário!

— Ok... – estranhou o amigo brasileiro – até daqui duas horas então.

— O que você está aprontando? – perguntou o jovem de olhos verdes

— Logo você verá! Vamos, você também precisa de sunga e eu também. Temos pouco tempo para arrumarmos.

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Em duas horas estavam em um ponto de ônibus e lá com eles estavam Aldebaran, Afrodite, Mu e Shaka. Ninguém sabia porquê, mas uma coisa era certa: todos entravam de cabeça nessas doideiras, quando não promovidas pelo Aiolia, as promovidas pelo Milo.

— Nosso ônibus chegou! – apontou Milo, deixando alguns assustados

— Ei, espera: aonde você pensa que nós vamos?

— Cabo Sounion! Sempre quis ir e a oportunidade é essa. É a menos de duas horas daqui, gente, vai dar tudo certo.

— Você está louco? São quase oitenta quilômetros de distância! – falou um Shaka alarmado

— Ah, gente, nem fica em outro lugar, nem estamos saindo da Ática.

— Você tem noção do quão descarado você é? Fala como se fosse o bairro ao lado! Nem temos idade para isso!

— SHHHH! Fica quieto! – era verdade que a idade não lhes favorecia, mas um dos motivos para todos se destacarem nas atividades esportivas era por, apesar da idade, apresentarem altura e porte físico nada condizente com suas idades. Tá que nem de longe pareciam adultos, mas também, não pareciam ter apenas doze anos. – Olha, eu estou indo, e o Olia também. Quem não quiser vir, tá beleza, sem drama, só ir embora, mas vai perder um lindo dia de praia.

— Eu que não vou perder! – disse Afrodite já subindo as escadas do ônibus com seu bilhete em mãos. Apesar de achar não ser o certo, o indiano não conseguiu simplesmente desistir da ideia louca de não ir à Sounion e se rendeu aos demais que já estavam embarcando no ônibus.

A viagem transcorreu bem, e até rápida para um sábado ensolarado, levando pouco mais de uma hora apenas, e Milo havia conseguido fazer com que o amigo dissipasse um pouco daquela carga que estava carregando.

Chegando no local, realmente se deslumbraram com o que viam. Claro que para muitos não passavam de pedras e ainda por cima, quebradas, mas havia resquícios de história ali, história viva, fora a beleza do mar e uma quantidade considerável de pessoas passeando por ali, tomando banho no mar, se divertindo e relaxando. Logo todos eles também encontraram suas atividades e puseram-se a se divertir. Milo, evidente, não deixava de observar Aiolia em momento algum, superprotetor como sempre.

— E aí? Gostou da surpresa? – se aproximou sorrateiro do amigo que havia acabado de se sentar nas pedras para se secar. Já estava há bastante tempo na água e queria voltar pra casa seco, pelo menos.

— Até que gostei sim. Nunca tinha vindo aqui, é a primeira vez – respondeu com o olhar sereno e um sorriso igualmente calmo.

— Também nunca vim. – sentou-se ao seu lado, também querendo aproveitar os restinhos de sol do fim do dia para se secar - Sempre tive vontade de vir aqui e nunca tive a oportunidade. Acho que hoje foi o dia.

— E funcionou, ajudou bastante. – olhou longamente para o amigo – obrigado, de verdade

— Nada, não precisa agradecer – respondeu, colocando a mão em seu ombro – você sempre poderá contar comigo para o que precisar

— Eu sei... E parece bobeira, mas eu venho pensando em algo há um tempo e preciso da sua ajuda.

— Pois diga.

— Eu vou pintar meu cabelo. – Milo olhou estranho, não entendendo a grandiosidade daquele ato – É só que eu não aguento mais as comparações lá em casa, e eu e meu irmão somos muito parecidos fisicamente. Mesmo tentando não deixar me influenciar por tudo que é dito lá em casa, quando me olho no espelho eu não consigo simplesmente não repassar tudo na cabeça. – Milo fez cara de quem enfim entendeu a ideia - Pensei que talvez mudar um pouco ajudasse a diminuir esse estresse.

— Bom, quando voltarmos, passamos em uma farmácia e aproveitamos para ver as tintas. Não faço ideia de como isso funciona, mas a gente descobre – lançou um sorriso para acalmar o amigo, dando confirmação de que ele estaria ao seu lado.

— Obrigado! De verdade. É muito importante para mim.

— Eu sei. – olhou para a direção do mar e percebeu que o sol começava a se abaixar. Todos já haviam saído da água há um tempo considerável, e os outros rapazes estavam próximos, mas distantes o suficiente para garantir o mínimo de privacidade aos dois. Apesar de jovens, eles haviam percebido que Aiolia precisava de um ombro amigo, e por isso que aceitaram aquela maluquice de ir até aquele local tão afastado – olha! Está começando! Dizem que é um dos pores de sol mais lindos da Grécia!

O jovem de ferinos olhos verdes olhou o por do sol e depois voltou seu olhar para o amigo ao lado, vendo como as cores do crepúsculo adornavam seu rosto – Realmente, é lindo – disse sem nem se dar conta de onde estava olhando, fazendo Milo desviar o olhar para o amigo e sorrindo para ele. Ambos passaram os braços por sobre os ombros um do outro e apreciaram o espetáculo da natureza.

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— Tchau, gente, até segunda! – cada um tomava seu rumo de casa depois de um dia atípico, porém divertido. Isso nenhum deles poderiam negar, já que nunca tinham feito aquilo. Alguns só esperavam não apanhar ao chegarem em casa depois do sol já posto há algumas horas. Os dois gregos estavam cansados, mas até animados com o passeio e não paravam de conversar, até que passaram em frente a uma farmácia e decidiram entrar para pesquisar sobre tintas de cabelo.

Um atendente muito simpático havia explicado como escolher o tom da tinta em relação ao cabelo e ao que estava na caixa, algo meio confuso para eles, mas que na hora eles entenderam o suficiente para procurar a tinta ideal. Inclusive foi sugerido que não fizesse a primeira vez em casa, pois corria o risco de manchar o cabelo todo, e que o ideal seria aprender com alguém primeiro. Deu sorte, porque achou que era só jogar no cabelo na hora do banho e fim.

— O que acha dessa cor? – mostrou uma caixa de tinta preta

— Nada! Muito forte para você, vai pesar demais e vai contrastar demais com seu tom de pele, mesmo com esse bronze todo. – Aiolia meio que ficava confuso às vezes com a forma como Milo falava. Até parecia o Afrodite.

— Você parece entendido nessas coisas de cosmético – deu um riso meio sem graça

— Meus cabelos são longos, o mínimo que posso fazer é cuidar um pouco deles né? – olhou bem a prateleira – e esse castanho aqui?

— Não é muito diferente do meu loiro. Não acho que eu vá me sentir muito diferente. Não é a mesma cor, mas sei lá, lembra o mesmo tom.

Milo devolveu a caixa, pensando bem. Até que decidiu. Era ousado, mas combinava com o jovem leonino apaixonado por plateia. E sem dúvidas aquilo traria ainda mais plateia para ele.

— Essa cor – apontou – este exato tom de vermelho.

Aiolia pegou a caixa e ficou estudando. Até tinha se interessado, mas era muito diferente

— Você acha? – perguntou olhando pra ele

— Sim, acho que você fica bem ruivo. Acho que muita gente fica bem ruiva – riu – Sério, acho que combina com seu tom de pele, sua personalidade e atende o que você precisa.

— Então é essa a tinta que irei usar. – sorriu e levaram a caixa para finalizar a compra.

— Só espero de verdade agora que você não se arrependa de ter escolhido essa tinta – riu Milo

— Não vou me arrepender – segurou de encontro ao peito – você que a escolheu pra mim, sei que vou gostar.

Como já era noite, certo que o menino de cabelos curtos não viu as bochechas do seu companheiro de aventuras se avermelhar por causa daquele comentário. Sem muito jeito, tratou de se despedir logo.

— Bom, já está tarde, sei que nossas casas ficam para lados opostos e acho que a gente se divide aqui né?

— É... – respondeu o outro, triste pelo encerramento do dia enfim estar acontecendo – Me diverti muito. Obrigado de verdade por tudo hoje.

— De nada – sem pensar muito no que estava fazendo, Milo deixou um beijo em sua testa e saiu em disparada – Até segunda!

O jovem grego ainda ficou um bom tempo observando seu amigo se afastar, até que a distância o confundisse. Abraçado à caixa de tinta, sorriu contente pela ótima experiência tida até aquele momento, agradecendo pela chance de ter sido feliz naquele dia.

 

 

 

CONTINUA



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