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História Eis que de repente tudo começa - Capítulo 4


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Notas do Autor


Último capítulo desta fic. Espero que curtam bastante!
E o universo ainda não está fechado, ainda tem muita fic deste mundo, muitos encontros e desencontros ainda, muitas águas rolarão por debaixo desse moinho.

Até a próxima fic!!

Capítulo 4 - Cap 4


— Ê, que bicho mordeu esse aí? – falou entediado o italiano, levando seu copo à boca.

— Não sei, ele está arredio desde que chegamos aqui, e do nada se irritou – respondeu Shaka, que passou o dia distraído junto de Mu com os livros.

— Ninguém vai atrás deles? – Afrodite já desconfiava o que podia ser, mas preferia manter a discrição. – Milo?

Todos olhavam para a saída por onde o amigo havia saído. Quando Milo ouviu seu nome, ele voltou seu rosto para o jovem sueco balançando a cabeça e voltando a sorrir.

— Nada. Amanhã eu o pego no caminho e a gente conversa. Acho que por agora ele só precisa mesmo espairecer.

Apesar da preocupação, todos concordaram. Sabiam que Aiolia enfrentava uma família desestruturada e o quanto tudo aquilo mexia com o seu humor, tornando-o até mesmo emocionalmente instável.

— Então amanhã o loiro aqui resolve a vida do loiro lá. – deu de ombros Máscara da Morte. – E já já esse francês aí vai estar falando a nossa língua, ou assim espero, porque não entendo nada do que ele diz.

— Diz a lenda que as línguas latinas são parecidas, italiano – desdenhou o sueco. Sempre que podia, alfinetava o amigo – não deveria ser tão difícil assim para você entende-lo.

— Mas ele mesmo quer que falemos em grego, e duvido que ele vá abrir a boca pra falar palavras em francês. Aposto que ele vai evitar ao máximo falar até começar a entender alguma coisa. – respondeu na lata.

— Bom, na verdade ele me disse que os pais pensaram em procurar um instrutor de grego pra ele. – ponderou Afrodite, se lembrando da conversa que teve com Camus no caminho até a sorveteria.

— A gente tem um professor novo de literatura, não tem? O senhor Papadakis se aposentou, não foi? – falou Milo, eufórico

— Verdade. O professor Daskalakis parece ser bem inteligente, ele é formado em grego, e parece ser um cara legal. Talvez ajude o Camus com o grego. – enfatizou Afrodite com um sorriso.

— E é um colírio – reforçou Shaka, arrancando risada de todos – mas é verdade, ué. Amanhã a gente tem aula com ele, a gente aproveita e pergunta se ele pode ser o tutor do Camus.

— Isso! Afrodite, aproveita e fala pro Camus o que estamos falando e se ele aceita, que aí ele concordando amanhã mesmo a gente procura o senhor Daskalakis e explica tudo. – se empolgou Milo, imaginando que poderiam ajudar o mais novo amigo a se encaixar no novo país, pensando que no dia seguinte ele falaria com Aiolia.

—x-x-x-x-x-x-

Enfim a aula de literatura havia começado e o professor Daskalakis já se encontrava em sala. Havia sido informado de que tinha um jovem aluno recém chegado da França, mas que não falava absolutamente nada de grego. Por sorte, ele sendo da área de linguística, apreciava as línguas latinas como um todo, e francês era uma das línguas que ele dominava.

— Camus Roux? – o jovem levantou o olhar e percebeu que o professor estava ao seu lado – Me chamo Saga Daskalakis, sou o professor de literatura grega, tenho formação em língua grega também. A escola solicitou que eu o apoiasse nas minhas aulas, dando um reforço para que você pudesse progredir mais rapidamente no grego e assim o farei. Gostaria que soubesse que se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo.— Camus ficou impressionado e aliviado em ouvir o francês perfeito vindo da boca do professor de linguagem, sabendo que aquilo certamente o ajudaria, e muito.

Os meninos no dia anterior haviam conversado com ele sobre a possibilidade de pedir ajuda justamente ao professor Daskalakis, e cogitou sim a possibilidade, mas gostaria de primeiro aprender sozinho alguma coisa para só então ter o reforço com algum especialista. Saber, por acaso, que o próprio indicado era fluente em sua língua materna só tornava a escolha ainda mais certa.

— Muito obrigado, professor Daskalakis, agradeço a ajuda que sei que vou precisar. – respondeu enfim aliviado e animado com a possibilidade de que tudo estivesse caminhando bem para si.

Camus se sentiu um pouco mais aliviado com o encaixe de tudo, e olhou para o lado, querendo dividir um pouco do que havia acontecido ali com os amigos, nem que fosse com o olhar, já que não falavam ainda a mesma língua. Tudo o que viu foi a nuca de Milo, já que o grego estava com o rosto virado para o outro lado da sala, numa direção bem mais ao fundo. Olhando no mesmo lugar, percebeu que Aiolia havia se sentado afastado deles naquele dia.

Não entendia ainda o que havia acontecido, mas dava para notar que o rapaz de olhos verdes estava muito irritado ainda. Virou-se para trás, olhando para Shaka e Mu, que olhavam curiosos para ele. Tudo o que o ruivo fez foi sorrir e fazer um sinal de ok com o polegar levantado (1), o que Mu correu para cobrir seu dedo e baixar sua mão, com olhos arregalados, Shaka mais atrás com uma expressão entre diversão e pavor, olhando ao redor para ver se ninguém havia reparado.

— Esse gesto, aqui na Grécia, é ofensivo— falou Mu em inglês, já que era a única forma de se fazer entender naquele momento, o que deixou o francês extremamente encabulado.

Pouco tempo depois o sinal bateu, indicando o fim das aulas, e Aiolia logo pegou suas coisas e saiu de sala rápido como um foguete. Milo sequer deu tempo dos amigos falarem qualquer coisa, juntou seu material de qualquer jeito dentro da mochila e saiu correndo atrás do amigo enfezado deixando os três para trás curiosos com o que poderia acontecer.

Milo só foi alcançar Aiolia bem mais a frente, já próximo a um parque. Ele tinha certeza de que o amigo sabia que o seguia, já que o chamou algumas vezes e isso fez com que o grego de cabelos curtos andasse ainda mais rápido. Em um rompante de fúria, o loiro de longos cabelos cacheados aproveitou a menor distância que havia conseguido colocar entre eles e arremessou sua mochila nas costas de Aiolia.

— Será que dá pra você parar com esse show? – bradou enfurecido, sua mochila acertando em cheio a cabeça do amigo, que tropeçou e parou de andar, incrédulo com o que havia acabado de acontecer.

— Show? Eu não estou fazendo show nenhum aqui, só estou indo embora pra minha casa! – para a surpresa de Milo, Aiolia simplesmente pega sua mochila e a arremessa de volta, que por sorte consegue segurá-la.

— Cara, você do nada ficou mal humorado ontem e até agora não melhorou. Tentei falar com você, mas também não dá abertura, e não diz o que é. Fica difícil te ajudar assim.

— Eu estou bem, se é o que quer saber! Já pode voltar a dar atenção ao novato, que está precisando e muito da sua ajuda.

Milo ficou surpreso com aquilo, de verdade. Aiolia gostava de ser o centro das atenções, e ficava manhoso quando alguém tomava o seu posto, todos sabiam disso. Quando se tratava de ter atenção era muito mimado, mas aquilo estava indo por um caminho estranho, que ele não conseguia entender.

— Cara, o novato só precisa de ajuda. Ele está totalmente sozinho em um país desconhecido, em uma língua que ele sequer conhece, passa o dia sozinho, igual a praticamente todos nós. Achei que você fosse capaz de simpatizar pela história dele. O que há de errado?

Aquilo caiu como um tapa em si. Realmente os rapazes se juntavam porque se sentiam sozinhos, seus pais ocupados demais o dia inteiro para lhes dar atenção eles acabavam tendo um pouco de conforto na companhia uns dos outros, e o dia do francês, segundo a transcrição do Afrodite, era idêntica a deles. Era um ótimo candidato a ficar a tarde toda com todos eles.

— Eu não sei – falou, sincero – eu não sei, Milo... – se sentou no chão, cruzando as pernas e apoiando os cotovelos nos joelhos, usando as mãos como suporte para seu rosto – eu simplesmente não sei.

Milo se aproximou do amigo vendo que estava ali, confuso e cansado, sentou-se ao seu lado para dar um mínimo de conforto para ele.

— Eu não consigo esquecer aquele fim de semana no cabo Sunion, de tudo o que você fez para que eu me sentisse confortável e bem. Como foi bom estar com vocês, como foi bom estar na sua companhia, a sua atenção, a tinta que você escolheu para mim... E aí de repente aparece outro cara e você dá essa mesma atenção para ele. Eu achei que... Não sei...

— O que você achou?

— Não sei explicar...

— Mas eu só estava ajudando alguém que estava com um problema. Todos estavam fazendo o mesmo: o Dite, o Mu, o Shaka, até o Máscara. Todos estavam sendo solidários ao Camus, só isso.

— Eu sei...

— Então...?

Aiolia ergue o rosto das mãos pela primeira vez e olha diretamente nos olhos azuis do amigo. Tanto seus olhos verdes quanto os olhos azuis de Milo tremulando com lágrimas que ainda não haviam caído. Eles sabiam o que aquela conversa significava, mas não tinham coragem de falar por qualquer que fosse a razão, até que se encararam, e viram que esse medo era mútuo. Talvez, só talvez, valesse a pena arriscar falar tudo o que estava sentindo.

— Eu queria você só pra mim.

Enfim, ditas. Não só da boca para fora, mas assumidas para si mesmo. Gostava do amigo, mas não havia percebido o quanto até aquele momento. Queria ele só pra si, mas era tudo tão confuso e tão novo que não entendia o quanto era aquilo, e falar parece que fez sua mente clarear, suas ideias entrarem em ordem e finalmente tudo fez sentido.

Estava apaixonado pelo seu melhor amigo.

E não sabia o que sairia dali. Quando enfim tomou consciência de tudo ao seu redor, percebeu Milo a sua frente, também parecia que estava divagando, olhava para um ponto qualquer, fora da realidade, sua respiração compassada, mas intensa. Foi quando enfim o loiro de olhos azuis recobrou a consciência, olhando diretamente para ele, enrubescendo intensamente com os lábios entreabertos como se criasse coragem para uma resposta. Até que enfim, as palavras saíram.

— Se você quiser, eu sou todo seu.

 

~FIM


Notas Finais


(1) Só pra reforçar, é um gesto rude na Grécia, equivale ao levantar do dedo médio.
https://www.veem.com/library/understanding-greek-body-language/ (17/05/2020)


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