1. Spirit Fanfics >
  2. El Poder >
  3. Capítulo 15 - Os Verdes

História El Poder - Capítulo 16



Capítulo 16 - Capítulo 15 - Os Verdes


Aquela definitivamente tinha sido uma segunda-feira negra, cheia de assombrações, de demônios que precisava lidar. Não conseguia pensar direito com aquele sentimento de desapontamento, fúria, de nojo todo dentro de mim.

Finalmente podia pensar direito, sem ser cega, como o próprio Sérgio tinha dito.

Comecei a pensar em como tudo aconteceu e que no início parecia tão mais lúcida em relação a mim e ao Sérgio, mas aparentemente tinha mesmo ficado cega, apaixonada e besta, defendendo aquele imbecil de marca maior com unhas e dentes, trabalhando que nem uma condenada, e pior que isso, sempre com minhas palavras de incentivo, tentando deixá-lo satisfeito como uma babaca que eu era.

Nunca acreditei que o Sérgio era um santo, porém cheguei acreditar que ele podia ser um político que pelo menos fosse humanizado. E caralho, ele era um bom ator. Imaginei tudo que passamos juntos, e sabia que não era a história que tinha construído com a esposa, mas era algo. Nós tínhamos construído uma relação boa, de confiança, nunca menti pra ele, e como uma tola achava que nunca tinha mentindo pra mim, até perceber que era descartável, um passatempo.

Não conseguia encaixar toda aquela indiferença com a minha existência, com nossa relação e tudo que tinha feito por mim, tudo que nós tivemos. Ele me dando o estágio, elogiando, me levando para conhecer os peixes grandes, me colocando por trás de pessoas de destaques pra aprender e mesmo quando não me respondia sobre o nosso futuro como casal, amantes, ele sempre me disse que me levaria junto, que não seria esquecida, que me puxaria para estar ao seu lado.

Acreditei naquele babaca, e quando me disse que queria ter me conhecido antes da esposa, o quanto queria que a esposa o fizesse sentir tão bem como eu fazia, que queria poder se separar dela e ficar comigo. Seus elogios, carinhos, nossas noites juntos, as viagens, brincadeiras. Tudo estava indo tão bem..

Tinha caído do cavalo e a queda foi feia.

Não queria chorar, não era tristeza que me consumia. Era raiva, uma ira de beirar a loucura, de fazer minhas mãos formigarem, deixar meu rosto queimando, e meus olhos embaçados, tudo rodava.

Queria ver o Sérgio sofrendo.

XXXXX

 

A verdade era que agora não conseguia pensar em nada, a não ser de ver a caveira do Sérgio. Não pretendia brigar, espernear, choramingar, fazer escândalo, ir na imprensa, pedir satisfações ou discutir o relacionamento.

O trataria como sempre tratei, veria seu comportamento e finalmente tentaria pensar em algo, em como agir. Eu sorriria, daria sexo, seria a amante e a estagiária perfeita que ele sempre quis.

XXXXX

 

Enquanto ficava no comitê trabalhando em algumas coisas que o Aníbal me pediu, ao mesmo tempo tentava pensar em algo, vasculhas as coisas, tentar achar algo que pudesse levar comigo como garantia da decadência do Sérgio.

Na verdade estava dando murro em ponta de faca, sendo irracional, precisava pensar e agir rápido.

Só faltavam duas semanas pra eleição, e sabia que meu tempo estava curto.

- Raquel? Reunião em cinco minutos - Aníbal apareceu na porta.

Peguei minhas coisas e fui pra sala de reunião, entrei, mas só Sérgio estava ali, e quando me viu abriu o sorriso de sempre, suspirando.

- Como é bom te ver - sorri. Precisava agir naturalmente - Tive um final de semana e segunda terríveis. - Ele parecia mesmo cansado.

- Está tudo bem com você? - Perguntei. Ele veio até mim me dando um beijo e me olhando.

- Agora sim - Mas sua expressão mudou - Não tenho boas noticias, quer dizer, pelo menos pra mim não são boas - Foi sentar.

Aníbal entrou sentando na sua cadeira de sempre e sentei na frente do Cortez.

- A reunião é apenas entre nós? - ambos assentiram.

- Sim, Raquel - Sérgio disse. Era estranho ver ele agindo naturalmente, como se não tivesse falado barbaridades sobre mim no dia anterior. Imaginei se Aníbal sabia - Infelizmente, um dos nossos candidatos está com grande quantidade de trabalho e pensamos que seria uma boa ideia levá-la pra lá.

- Mas eu não estou trabalhando com o Aníbal?

- Eu sei que você deve preferir, porque lida com os peixes grandes, como você mesma diz - Sérgio nem me olhava direito - Porém você será uma boa adição a equipe de lá, principalmente nessa reta final, levar seu conhecimento pra lá.

- E o que vou fazer lá?

- Você vai fazer o mesmo trabalho que fazia no primeiro andar aqui - Aníbal disse me encarando, mas o Sérgio não me olhou.

Tentei controlar minha raiva. Ele estava fazendo o que disse a esposa que ia fazer. Me afastar aos poucos, me preparar para o abatimento. Tentei me controlar.

- Eles estão mesmo precisando de mim lá, então, não é? - Perguntei e ele finalmente me olhou assentindo, percebendo que não tinha ficado sentida em ser rebaixada.

- Sim, muito trabalho. Queria poder te manter aqui, mas você está vendo que o trabalho está aumentando para outros candidatos - Assenti pensativa.

- Está tudo bem. - Sorri - Não gosto muito, porém aposto que você está fazendo o necessário - Ele sorriu e até pareceu sincero.

- Obrigado, Kel - sorriu mais uma vez me observando - Aníbal?

Aníbal saiu nos deixando a sós.

- Me desculpa, querida. Realmente é necessário.

- Está tudo bem, cariño. Está acabando mesmo. Só duas semanas - Ele suspirou.

- Sim - pegou minha mão. Queria esfaquea-ló naquele momento, mas me contentei em sorrir - Como foram esses últimos dias?

- Bem, trabalho e trabalho - sorri - E você? Por que me mandou embora no sábado?

Ele não esperava que perguntaria isso. Ficou tenso, branco.

- Não foi nada demais. Nós tínhamos que cortar alguns gastos de hospedagem, então achei que você merecia um final de semana de folga.

Que papo furado!

- Okay - ri - É bom rever você - Levantei indo até ele e o beijando - Mas preciso trabalhar agora.

- Sim, qualquer coisa estou aqui.

- Tchau, cariño - outro beijo.

Sai da sala o xingando mentalmente. Miserável, merecia uma morte dolorosa, mas morte era fácil, ele merecia algo pior.

Olhei o corredor antes de fechar a porta, me trancando e procurando desesperadamente um cartão na minha bolsa. Achei dentro da minha agenda, o peguei discando o número anotado naquele papel, não consegui de primeira, apenas na quarta vez.

- Alberto?

- É ele, quem fala?

- Lembra de mim? Sou a Raquel, irmã da Laura.

- Kel?! Como é bom escutar sua voz. Qual o motivo da ligação?

- Estava pensando se podemos marcar um jantar, um café, qualquer coisa.

- Claro. Mas qual o motivo do nosso encontro?

- Estava pensando se você ainda acha que eu seria uma boa aquisição na equipe do seu pai.

Ele não respondeu, apenas riu satisfeito.

XXXXX

 

No dia seguinte estava mais animada. Era meu último dia trabalhando no comitê do Sérgio, e estava mais arrumada que o normal. Usava uma saia pouco acima do joelho da cor preta, uma blusa branca, meu blazer preto e meu scarpin preto. Estava sorridente, animada, o Aníbal até estranhou por ser o último dia.

Tinha meu jantar marcado com o Alberto, nos encontraríamos no restaurante, porque infelizmente ele não podia vir me buscar sem criar suspeitas.

Foi um dia normal, segui o Aníbal pra lá e pra cá. Sérgio me perguntou o que eu faria no final do dia mas falei que sairia com meus amigos, ele não insistiu, apenas falou que sentia minha falta.

Disse também que tinha falado com o Aníbal pra que eu não fosse afastada totalmente, quando o mesmo precisasse poderia me chamar, já que estava por dentro da maioria dos assuntos que usava nas reuniões.

Imaginei se a mulher dele sabia disso, se ela soubesse que ele estava voltando atrás. Sérgio parecia mais satisfeito, menos culpado quando me falou isso, como se me contentasse com migalhas.

Estava pouco me fodendo pra onde trabalharia agora. Aparentemente ele estava mesmo se sentindo culposo em rebaixar sua estagiária, então criou essa exceção provavelmente sem consentimento da esposa louca.

Pedi pra sair mais cedo, e acho que o Aníbal fez uma careta mas não negou meu pedido. Iria de qualquer forma. A verdade é que não aguentava olhar para mais ninguém naquele lugar, nem o Sérgio, muito menos o Aníbal, seus assessores e coordenadores, nenhum babaca que apoiava o Sérgio.

Sérgio estava cheio de elogios, dizendo que estava adorando minhas pernas naquela saia, que raramente usava saia para trabalhar e ele estava adorando. A estagiária depravada, seu filme pornô particular. Apenas agradeci, dando um beijo e indo embora.

A força azul pra mim tinha apodrecido, não tinha mais volta.

XXXXX

 

Peguei um táxi e fui em direção ao restaurante que Alberto tinha me dito. Cheguei e já era mais de oito horas da noite e o movimento estava normal. Era um restaurante de luxo, homens de paletó e mulheres de terninho. A hostess veio falar comigo.

- Reserva no nome de Alberto Vicuña. - ela finalmente sorriu abertamente ao escutar o sobrenome dele.

- Boa noite, senhorita. A mesa já está pronta, mas o Sr. Vicuña não chegou ainda.

- Vou indo mesmo assim - Sorri, andando confiante até a mesa, recebendo olhares dos homens mais velhos. 

Sentei na mesa, que era afastada da entrada, da maioria do barulho, e a luz era ambiente, um pouco escuro e romântico, mas aquele definitivamente não seria um jantar para encontro.

Pedi uma água com limão, mexi no meu celular, recebendo mensagens do Sérgio, e percebi que estava extremamente mais carinhoso depois de segunda, depois de ter dito barbaridades sobre mim, como se quisesse compensar, como se sentisse culpado. Idiota.

- Boa noite, Raquel. - Me virei e vi Alberto em pé ao meu lado no seu terno grafite, rindo para mim.

Apenas tive que sorrir.

Levantei, o cumprimentando com dois beijos na bochecha, ele me olhou dos pés à cabeça e disse que estava diferente, linda.

- O lado negro lhe caiu bem. - Se referiu a minha mudança de lado.

Se sentou, mexendo rapidamente no telemóvel e o colocando de lado.

- Está esperando há muito tempo?

- Não, tudo bem.

- Vocês gostariam de fazer os pedidos? - O garçom perguntou e ele me olhou.

- O mesmo vinho que tomamos no almoço? - Assenti. - Um Almaviva 2002, por enquanto. A conversa vai ser longa. - Sorriu para o garçom que devolveu o sorriso.

- Lembra do vinho que tomamos ?

- Geralmente só peço esse, quando têm pelo menos. Mas neste restaurante imaginei que tivesse.

- Legal, conhece muito de vinhos?

- Não muito, só o que minha mãe me ensinou, mas desisti de tentar aprender - Sorri.

- Também não sei. Na verdade, não tenho muito interesse.

- Você não parece ser dessas que bebem muito.

- Apesar de beber toda a vez que nos encontramos..

- Provavelmente não consegue ficar sóbria ao meu lado. - Rimos.

O maître veio com o vinho, trocando algumas palavras com o Alberto, nos dizendo que o sabor era aveludado e mais um monte de coisas. Alberto sempre simpático com todos, gostei de ver esse lado dele.

- Vai me viciar nesse vinho. - Disse tomando. - É muito bom.

- Verdade, ele é ótimo. - disse tomando da sua taça. - E como foram essas últimas semanas depois da última vez que te vi? Você desapareceu desde o nosso almoço.

- É verdade, um pouco atarefada, desinteressadamente na oposição.. - Ele sorriu.

- Pelo visto não mais oposição. 

- É.. - disse um pouco magoada.

- O que vem fazendo nessas últimas semanas? 

- Não quer ir direto ao assunto? - Ele negou.

- Finalmente tenho a chance de te encontrar novamente, quero aproveitar sua presença. Não tenho pressa.

- Aposto que além de muitas coisas pra fazer, você tem várias mulheres que adorariam te acompanhar. - Ri tomando meu vinho.

- Por hoje meu expediente acabou. É bom não estar com homens barrigudos e grisalhos falando sobre política em pelo menos uma refeição. - Sorriu - E gosto do seu jeito, Raquel.

- Achei que me odiasse.

- Não! Claro que não. - Riu divertido. - Você que me odeia. - Assenti e ele riu ainda mais. - Está vendo? Você nem esconde.

- Estou brincando. - Sorri - Até odiava, mas depois das suas dicas comecei a pensar duas vezes.

- Vem usando minhas dicas? - Perguntou.

- Talvez.. - Engoli seco - E você, como anda seu trabalho?

- Venho acompanhando meu pai, em reuniões, e algumas coisas. Estou mais como assistente pessoal, pra falar a verdade, o que odeio um pouco, entretanto é bom pra conhecer as pessoas certas, ir conhecer a máquina, e você sabe..

- Pretende seguir esse caminho mesmo, não é?

- Sim.. Esse é o plano. - Disse pensativo. - Gosto mesmo, sabe?! Meu pai apoia a ideia, mas diz que ainda é muito cedo.

- Deveria começar com um cargo menor, talvez desse mais certo.

- É, mesmo assim ele diz que ainda é muito cedo. - Ele parecia um pouco magoado. - E você, o que vem fazendo? 

- Trabalhando com os queridos do seu pai. - Ri. - Fui estagiária do primeiro andar para assistente de um assessor, e depois estagiária do primeiro andar de novo em apenas algumas semanas. Algumas histórias para contar, pra falar a verdade.

- Hm..  então é por isso que está aqui. - Neguei.

- Estou aqui por conta do que está atrás desses rebaixamentos.

- E o que é? 

- Gostaria de pedir algo para comer? - Desconversei

Alberto pediu um prato que envolvia algum tipo de peixe, apenas pedi o mesmo.

- Então quer dizer que você não vai me falar.

- Ainda não. É meu trunfo.

- Está decidida então.

- Estou.. sabe.. mudei um pouco nessa campanha, é como se tivesse amadurecido cinco anos nesses meses. Era tão iludida, tentava fazer sempre o meu melhor, me esforçar, lutar pelo meu crescimento, e meio que não adiantou de nada. Confesso pra você que.. Esses dias, semanas, venho chorando bastante. As coisas foram além do meu limite, e acho que finalmente depois de levar uma rasteira de umas das pessoas que colocava minha mão no fogo; finalmente aprendi a ser egoísta. 

- Está falando de quem? Do Sérgio, de alguém que trabalha com você? 

- Você saberá na hora certa. - Meu celular tocou algumas vezes indicando mensagem.

Eram mais mensagem do Sérgio, estava um chato esses dias. Não queria mais olhá-lo, queria ver apenas seu pó. 

Alberto olhou curioso pra mim e para o meu celular. O cara era esperto mas duvido que ele achasse que eu tinha algo com o Sérgio.

O garçom trouxe nossos pratos, e começamos a comer. Comentamos sobre a comida, falei que estava maravilhoso, ele disse que conhecia o chef, que era uma pessoa esforçada que fazia coisas deliciosas e finalmente havia montado seu restaurante.

Paramos um pouco de falar de política e começamos a falar coisas da vida.

- Sabe aquela cantora que me disse que estava viciada? - Assenti rindo.

- Fui procurar, né. E quem está viciado agora sou eu. - ri mais ainda.

- Não acredito que você foi procurar.

- Fui. - Ele disse depois de mastigar. - Está sendo o som do meu celular agora.

Meu celular começou a tocou e era uma ligação do governador. Desliguei e meu humor mudou novamente. Suspirei ignorando a ligação, colocando no silencioso.

- Alguém quer mesmo falar com você. - Dei de ombro.

Quando vi que o garçom já tinha recolhido nossos pratos, percebi que era hora de abrir o jogo.

- Então, Alberto. Deve estar curioso pra saber o porquê de ter te ligado.

- Pode ter certeza que sim.

- Fiquei pensando no que você me falou na festa, no almoço. E por mais que não tenha dado a mínima, finalmente percebo o significado das suas palavras. E acho que até segui seus "conselhos" indiretamente. Pelo menos é assim que gosto de pensar.

- O que está acontecendo, Kel? Não foi por achar que dou bons conselhos que você está aqui.

- Tem razão. - concordei. - E.. Estou aqui porque quero que marque uma reunião com seu pai.

- E qual é o motivo da reunião?

- É meio triste dizer que quero um certo tipo de vingança?

- Vingança de quê?

- Eu caí do cavalo, Alberto. Cai feio. Talvez a culpa seja um pouco minha, por ter sido muito cega, besta e boazinha.  Talvez devesse ter sempre mais pensado em mim.

- Raquel, preciso que seja mais clara.

- Vamos dizer que estou desapontada por trabalhar nesta campanha. As pessoas não eram o que eu achei que era, o clima não fica muito bom assim, festa acabou, a amizade é um pouco idiota e percebi que não tenho futuro lá. Chega de ver essa merda como férias, como um trabalho legal; agora penso em mim e foda-se os outros. - Ele sorriu quase orgulhoso.

- Kel, está mesmo vindo para o nosso lado, ou você está jogando sujo?

- Não Alberto, por isso que quero que marque uma reunião com seu pai. Nunca falei tão sério em toda minha vida.

- Kel, você está sendo muito vaga.

- Quero derrubar o Sérgio Marquina e toda sua turma.

- Raquel, isso é sério. -   disse sussurrando. - Eles estão muito na frente das pesquisas, chamei você antes pra compartilhar coisas básicas, estratégias em debates e as conversas internas..

- A situação é seria, Alberto. O seu pai vai adorar me conhecer.

- É complicado.

- Eu tenho como derrubar o Sérgio até a eleição.

- Raquel..

- Só preciso da reunião.

- Que assim, seja. - sorriu estendendo a mão por cima da mesa e eu apertei.

- Vamos ganhar essa eleição.. Juntos!



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...