História El Príncipe del Diablo - Capítulo 16


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Bertolt Hoover, Connie Springer, Dot Pixis, Eld Jinn, Eren Jaeger, Erwin Smith, Farlan Church, Grisha Yeager, Gunther Schultz, Hange Zoë, Hannes, Historia Reiss, Isabel Magnolia, Jean Kirschtein, Kalura Yeager, Kenny Ackerman, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Mike Zacharius, Mina Carolina, Nanaba, Oluo Bozado, Pastor Nick, Petra Ral, Reiner Braun, Sasha Braus, Ymir
Tags Attack On Titan, Lemon, Levi X Eren, Riren, Shingeki No Kyojin, Yaoi
Visualizações 404
Palavras 5.297
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Adivinha quem apareceu sem ter a maior vergonha na cara depois de um mês - ou algo assim-? EUUUU *arco-íris*
Porque né, se não for pra ter gente decepcionada comigo eu nem faço história :'v

Enfim, espero que gostem - e que comentem, obrigada de nada e-e

Capítulo 16 - Sua Droga, Meu Vício


Mina acordou sentindo frio, o corpo quente - quase fulminante - de seu marido fazia-lhe falta. Sabia que ele iria embora, na verdade, aguardava por isso, já tinha se preparado mentalmente para coisas desse tipo.

Eren não seria nem a primeira, nem a última de suas decepções amorosas.

A única diferença, é que agora casada, não teria escolha à não ser continuar levando tudo como estava. Não teria o conforto em outros braços, e não poderia diminuir sua tristeza com sexo.

Mesmo após o acordo, ela sabia que nada daquilo daria certo. Eren não era dela, e nem mesmo as malditas leis do casamento poderiam afirmar isso, pois ele, nunca foi, nem seria, seu pertence, nem mesmo seu marido... eram desconhecidos forçados a viverem daquela forma desconfortável para ambos.

A dama estaria confinada a passar a próxima temporada na casa de seus pais - sentia isso, e mesmo já tendo plena noção de que aquilo aconteceria, seu coração doía, e não conseguia parar de chorar.

Ali naquela cama fria, Mina ficou completamente devastada. Seu corpo, pela primeira vez, não fora o suficiente para um homem, e por mais que não pudesse entender, o porque do moreno preferir Levi à ela, trataria tudo aquilo com indiferença.

Desde cedo, percebia que todos eram extremos, amor ou ódio, gostar ou não gostar. Mas a Srta. Carolina sabia, que mais do que isso - um nível totalmente superior à todos -, era não ter nenhum sentimento referente àquilo. Não se importar, era mais forte do que ódio. 

Se o amor era tudo o que ela sentia - e poderia oferecer à Eren -, agora, desejava arrancar esta sensação que rasgava-lhe o peito - nem se importaria de quebrar as unhas -, e deixar-se ser completada com a mais pura indiferença.

E depois de muito tempo refletindo, finalmente baixou, para tomar seu café da manhã, não importou-se em arrumar-se, as olheiras eram notáveis e nem mesmo tirara a camisola de dormir. Apenas deixou-se ser tomada pelo completo nada que sentia.

Mesmo estando acompanhada, ela sentiu-se sozinha, como a muito tempo não se sentia. Voltou para cama e deitou-se, desolada.

O dia passou, e Mina não moveu-se. 

Estava paralisada com sua melancolia, e afogando-se no silêncio de seu próprio quarto. Estava completamente vazia e sua mente encontrava-se em branco, como se estivesse vendo o tempo passar por uma janela, e não por seus olhos.

Como se ela não estivesse ali naquele instante.

 

 

Quando Historia saiu de sua carruagem, pisou em uma poça de lama e sujou a barra de seu vestido. Olhou ao redor, e fez uma cara de nojo para a paisagem completamente asquerosa que via; pessoas felizes.

Descera apenas para buscar informação, e usar um banheiro que estivesse em um bom estado - ou seja, um bom o suficiente para uma dama de requintes, como ela.

Entrou em um bar qualquer, como estavam no meio do dia, o lugar ainda cheirava ao café da manhã que provavelmente haviam feito - automaticamente seu estômago grunhiu, pela falta de alimento. Mesmo se recriminando, sentou-se na cadeira, que rangiu pelo seu peso.

- Porcaria velha... - Reclamou.

Disfarçadamente, pegou um lenço de seda que havia guardado anteriormente na manga de seu vestido, e tapou o nariz - o cheiro notório de colônia barata e charuto lhe incomodavam. Franziu o cenho, olhando para os lados nervosa, não havia ninguém para atender-la.

Iria chamar pelo atendente, quando escutou duas risadas vindas do que parecia ser a porta para a cozinha.

Assim que os cabelos loiros entraram em seu campo de visão, a reconheceu, levantando-se tão rápido que sua cadeira quase caiu.

Annie desviou o olhar rapidamente para a pessoa que estava no bar, seu sangue gelou e sentiu seu coração falhar uma batida, empurrou Marco de volta para a cozinha, e fez um sinal para que calasse a maldita boca.

O mais chocante de tudo para Historia, não fora o encontro quase furtivo que tivera com a outra, e sim o fato quase abominável, dela estar com o cabelo preso em um penteado esquisito - estava amarrado mais à cima da nuca, de forma que parecesse um corte masculino -, as roupas simples de cores claras a fizeram empalidecer, e ao notar o resto de suas vestimentas, sentiu seus dedos gelarem.

- Santo Deus... - Murmurou encabulada. - O que fizeram à você?

Com sua comum faceta de indiferença, a outra loira, que ainda estava encostada na batente da porta desviou o olhar para a calça surrada que vestia.

- É mais confortável assim... - Fora sua resposta, sem nenhum pingo de emoção. - Ninguém se importa.

- Eu me importo! - Gritou, batendo a mão na mesa com força. - Jesus! Olhe para você Annie! Parece uma... aberração. - Aproximou-se da outra, mirando suas vestes, inconformada. - Alguém lhe obrigou a vestir isso? Eu posso te ajudar, ou... não sei, talvez um médico, alguém especializado... nisso.

Historia agarrou o braço de Annie grosseiramente - em pânico, pensando para onde a levaria. A loira que estava sendo praticamente arrastada, puxou seu braço em resistência, as duas pararam, trocando olhares intensos.

- Estou bem assim, obrigada. - Rebateu de imediato.

A menor lhe encarou, chocada, parando enfim, para analisar-la completamente, e viu as maçãs do rosto levemente coradas, a cintura larga e os braços cheios. 

- Você ganhou alguns quilos... não se preocupe, também podemos tratar disso. 

- Repito. - Sua voz soou grave. - Eu não quero. A sua ajuda. - Falou separadamente. - Hai capite? (Você entendeu?) 

Em completo desgosto, Historia deu um passo para trás, enquanto seus lábios se retraiam e instintivamente levava suas mãos para o tórax. Sua boca abriu-se para continuar a conversa, talvez conseguisse convencê-la a mudar de ideia quanto à... seja lá o que ela estivesse passando. Mas então, o barulho alto de seu estômago roncando calou as duas, constrangidas.

Annie suspirou cansada, caminhou à passos largos até a cadeira mais próxima, sentou-se e esperou a outra loira sentar-se a sua frente. Receosa Historia acompanhou-a na mesa.

- Você... - Começou, não sabendo como completar.

- Trabalho aqui. - Arriscou, recebendo outro olhar de incompreensão. - Trabalho para pagar minhas despesas. Não é tão ruim quanto parece, lhe garanto. 

- Não vejo como cozinhar o dia todo possa ser algo bom. - Provocou.

- Eu não cozinho. - Afirmou.

- Mas então o que...

- Eu administro o dinheiro, limpo o lugar, atendo mesas, mas nunca, em hipótese alguma, entrei naquela cozinhar com o propósito de sujar minhas mãos de farinha. - Um silêncio breve alastrou-se, antes de Annie completar. - Funcionamos mais pela noite, como pode ver... - Apontou com a cabeça para as mesas vazias. - ... não temos muitos clientes pela manhã.

- Não há ninguém aqui. - Afirmou, cruzando os braços. 

- Como eu disse, temos mais clientes, durante a noite. - Reafirmou sem paciência. - Afinal, o que você quer aqui em Devon? Realmente veio atrás do lorde Rivaille?

- O quê? Eu... - Mirou os olhos cinzas impenetráveis, então suspirou, deitando com a cabeça na mesa. - É isso o que os boatos estão dizendo?

- Sim. - Confirmou cética. - Todos dizem que ficou louca.

Não trocaram mais palavras, nem se encararam. Annie gritou algo, e depois de alguns minutos uma sineta foi tocada, ela levantou da mesa à passos pesados - só agora notando que a outra usava uma espécie de botina para homens - e trouxera um prato cheio de comida - que fez seu estômago revirar pelo cheiro gorduroso, mas apesar disso, o devorou.

Quando a comida acabou, colocou os talheres - se é que poderia chamar-los assim - para o lado esquerdo e empurrou o prato. Encarou Annie, sem dizer nada.

- É por conta da ca... - Começou, até que foi obrigada a parar pelo som estridente de uma cadeira sendo afastada com rudeza.

- Olha, se quer vestir-se e comportar-se como um homem, que seja! - Disse alto, já levantada e indo em direção à porta. - Mas não me envolva nisso! Ao contrário de você, preocupo-me com o futuro, não vou e nem queiro, ser taxada como uma solteirona barata.

Historia iria sair do bar, porém, seu corpo ficou paralisado ao escutar batidas pesadas contra o chão de madeira - tão grosseiros que pareciam de um homem. Uma mão forte apertou seu ombro, e foi impossível não tremer.

- Doze xelins. - Exigiu a voz.

Indignada, bateu na mão que lhe segurava, tentando soltar-se. Em fúria virou-se, encarando com raiva a loira, sentiu um leve tremor, vendo a profundidade mortal dos olhos cinzentos - meio-azulados. Levi veio à sua mente, como uma mariposa era atraída para a luz, céus, o olhar de Annie lhe recordava a própria imagem de Belzebu.

Mortal e silenciosa. Mas ao mesmo tempo, tão viva, que poderia lhe sugar a alma.

- És um demônio... - Sua voz saiu insegura, estava incrédula. - A face da bruxa, é o que tens.

Historia fez o sinal da cruz, rapidamente em si, pensando mentalmente em uma oração.

- Doze xelins. - Repetiu. - Ou preferes que chame a polícia?

Ela ficou ainda mais alarmada, estava tão chocada, que nem percebera quando abrira seus lábios em forma de um "o". Seus olhos estavam tão arregalados que parecia que saltariam da órbita. 

- Que Deus tenha misericórdia da sua alma. 

Saiu do bar rapidamente, indo de encontro à carruagem, onde Ymir dormia recostada na lateral. Seu coração batia tão rapidamente, que jurava estar escalando todos os seus órgãos, e neste momento, deveria estar entalado em sua garganta, cada batida era pesada, fazendo sua cabeça latejar em completa agonia.

Deu uma olhada rápida no estabelecimento e contraiu o lábios. 

Chega, pensou amargamente, espero que Levi volte para o Inferno sozinho, estarei esperando ansiosamente à queda patética que terá, e rirei junto com àqueles que almejavam vê-lo cair... e desejo que ele leve Annie de volta, concluiu. 

Não mais boatos existiriam sobre si. Porque Historia não iria ser lembrada como 'louca', e, definitivamente, não queria ser àquela a qual diziam ser 'louca pelo Satã'.

Pediu para a carruagem voltar à Paris, esperaria o próximo homem de bolsos cheio, que pudesse lhe sustentar e trazer a si, títulos nobres.

 

Eren esperava que o lorde estivesse brincando, apenas se divertindo à suas custas, mas ao chegar em Dartmoor - no fim da tarde -, a primeira coisa que fizera - obviamente - foi buscar informação. Perguntou se pela cidade, haveria de ter alguma grande mansão - no fim das contas, sabia que Levi era podre de rico e, provavelmente, não pouparia esforços para mostrar isso à todos daquela cidade rochosa.

As pessoas balançavam a cabeça de um lado para o outro, em negação. Passou pelo menos, uma hora e meia interrogando as pessoas que passavam pela rua.

Depois de algum tempo, vendo que não conseguira arrancar nenhuma mísera noção de onde se encontrava seu amante, decidiu que iria pernoitar em uma hospedaria qualquer, afinal, a noite já estava assolando o céu - fazendo uma mescla engraçada entre, laranja, rosa, azul claro e escuro.

Estava encostado na banqueta de madeira para alugar um quarto, em completo fracasso. Uma mulher veio lhe atender, muito sorridente - se não fosse pela enorme barriga que delatava sua gravidez, pensaria que o estava cortejando.

Suspirou profundamente, pedindo pelo quarto, em dessossego, sentindo que não conseguira fazer, tudo o que poderia - ou pretendia.

Deu uma última chance. "Pergunte, pela casa do Diabo", relembrou o que o lorde lhe dissera no encontro posterior que tiveram em uma ironia ácida, como se supõe que pergunte isso à alguém? Eles iriam rir da minha cara.

- Aqui está a chave do seu quarto, senhor. - Entregou-lhe, com um sorriso resplandecente, vendo que o moreno não se mexia do lugar, ergueu uma sobrancelha em dúvida, olhou para o lado, e então gentilmente perguntou, enquanto se aproximava mais um pouco dele. - Alguma dúvida senhor?

- Ahn... - Sua boca secou. - A senhorita poderia-me dizer se... se já viu alguma mansão, uma muito grande? Enorme, provavelmente. Aqui em Dartmoor, claro.

O rosto da jovem grávida contorceu-se em uma interrogação clara.

- Não, senhor. - Respondeu, calmamente. - Mais alguma coisa?

- Bem, faria... - Ele aclarou a  garganta. - ... faria algum sentido, se eu te perguntasse... - Pigarreou. 

- Sim, senhor?

- Pela... casa do... lorde Belzebu? - Murmurou completamente envergonhado.

A reação não veio, a jovem nada disse, mas sua pele empalideceu, seus lábios ficaram arroxeados, enquanto ela parecia estar cada vez mais pálida, e então seus olhos reviraram.

- Oh, meu Deus! - Eren falou uma pouco mais alto, quando a loira desmaiou, e para que não caísse no chão, o moreno conseguiu, bem à tempo, agarrá-la pelo braço, e erguê-la minimamente, enquanto chamava por ajuda.

Dois homens fortes - que deduziu serem o noivo e o pai da moça - logo vieram socorrê-la. Constrangido, Eren pediu mil desculpas pelo o que disse, para que a afetasse tanto. Não conseguiu nem mirar nos olhos dos dois, quando mais uma vez pediu pelo perdão deles, e simplesmente foi embora.

Agora ao menos, sabia exatamente o que deveria perguntar.

 

 

Era noite, e o vento era forte. Tão forte, que parecia estar cantando - gritando - pelo lado de fora. Uma mulher em desespero, pensou sadicamente, chorando pelo filho perdido, completou a sentença, enquanto virava o cálice que tinha em mão, e se deliciava com o vinho em sua boca.

Como fora pedido, os empregado haviam sido reduzidos pela metade, grande parte dos que restaram eram mais velhos, e pelo o que Claudette disse 'eram de total confiança'.

Não se importou muito, afinal, não era o seu emprego que estava em perigo com tudo àquilo. Não seria ele à ser demitido se algo, uma única palavra, vazasse para fora daqueles portões.

Bebericou mais um pouco de seu delicioso vinho, enquanto olhava a paisagem bruta, o céu nunca ficava estrelado naquela região cercada por nuvens pesadas.

E então no meio daquele barulho de ventania, algo pôde ser escutado, e não lhe recordava um grito, ou um canto distorcido, não, eram cavalos. Sorriu de canto, imaginando quem seria - mesmo tendo plena certeza de quem era.

Levantou-se, bem na hora que uma das empregados invadiu a sala - Levi franziu o cenho incomodado com a vinda repentina da mulher, mas não reclamou, pois seus pensamentos estavam ocupados demais pensando em um certo par de olhos verdes, para proferir injúrias à pobre coitada.

- Não lhe quero ser inoportuna senhor, mas há alguém no portão, querendo entrar.

- E? - Questionou erguendo uma sobrancelha. - Por que ainda não o deixaram entrar?

- Ah, fomos instruídos a informar toda e qualquer movimentação dentro do territó...

- Pela Santa Mãe de Deus. Deixe-o entrar! - Bradou.

- Sim, é claro, senhor. - Concordou. - Perdão, faremos isso imediatamente.

Levi revirou os olhos, já completamente perturbado com a situação.

- Deixe! - Ordenou, andando em direção à porta principal. - Eu mesmo o atenderei.

A rápida caminhada que fez até os grandes portões de madeira, fizeram seu coração saltar, mas obviamente não demonstrou isso. Abriu a porta com a mesma frieza que estava a noite.

 

 

Depois de ter 'assustado' a grávida, conseguiu reaplicar a mesma reação à mais duas pessoas, até que finalmente, alguém lhe deu todas as informações que necessitava. Conseguiu - sentindo-se muito orgulhoso de si próprio - coordenadas precisas de onde o lorde - supostamente - vivia.

Mas quando viu os grandes muros, grande parte sujo de tomates, já podres, e sangue - provavelmente atirados do povo que definitivamente odiava a família Ackerman. Tampou o nariz, o cheiro forte de chorume e frutas apodrecidas fizeram seu estômago revirar de forma asquerosa. 

Entretanto, ao contrário do que esperava, ao adentrar os grandes portões de ferro, encontrou uma grama devidamente cortada e uma passagem de terra que o levava até a porta principal daquela grande mansão. Engoliu em seco, um pouco nervoso.

Vamos lá, pensou, tomando uma lufada de ar como se puxasse sua coragem novamente, já viemos até aqui, não podemos desistir agora!, insistia à si mesmo, tentando motivar-se.

Na verdade, a motivação estava aí, junto com a vontade esmagadora de tocar aquela tão maldita campainha dos infernos, queria deitar-se junto ao Diabo e delirar em sua luxúria... em seus lábios pecaminosos e seu corpo devasso.

Você quer?, sua mente provocou-lhe, trazendo imagens tão reais e intensas que um arrepio percorreu sua espinha, então vá pegar.

 

 

Quando os olhos se encontraram, arregalaram-se minimamente, dentro deles a alma dançava em um ritmo sensual, provocante, quase implorando para que ambos jogassem-se uns aos braços do outro. Era uma pena, que nenhum dos dois perceberam os sinais que seus corpos exalavam através de seus porós. 

Disfarçaram, como sempre fizeram, colocaram uma mascara de indiferença e jogaram água ao fogo - que eram suas mentes eufóricas pelo o reencontro.

- Sr. Jaeger. - Cumprimentou cordialmente, mas seus lábios teimavam em exibir um minimo sorriso. - Parece que agora, andas a me perseguir. 

Eren o encarou de maneira sarcástica - seus olhos ardiam, ah, como sentira falta daquilo -, e viu os criados sacarem sua bagagem.

- Neste caso, gostaria de vê-lo tentar se livrar de mim. - E então adentrou a residência, mesmo sem ser convidado.

O moreno vagou meio sem rumo pelo corredor principal, admirando as cores escuras que o cercavam - sua vontade foi colocar mil velas naquele lugar, mal conseguia enxergar devido às poucas velas que tinham, o que mantinha toda a mansão com uma luz... poderia dizer sensual? Talvez estivesse começando a delirar.

- Imagino que tenha sido difícil encontrar minha morada?

- Não fazes ideia, fiz uma pobre grávida desmaiar. - Levi riu, divertindo-se com o sofrimento do outro. - Isso, continue à rir do sofrimento alheio, vais à...

- Vou o quê? - Perguntou interessado. - Responda Eren.

Ele ficou em silêncio, e o lorde gargalhou quando viu-o corar.

- Não sabes de nada, pirralho.

- Então me mostre, senhor professor. - Respondeu sarcasticamente.

Ambos detiveram-se, ficando parados no meio do corredor. Levi sorriu perversamente, enquanto Eren fez de tudo para não desviar o olhar. Só conseguiram desviar a atenção dos olhos alheios - o cinza frio, no verde selvagem -, quando ouviram um pigarreio. odo, então ele prevaleceu pela grande parte da noite. Os olhares não se afastavam - um sustentando o outro - e o espaço parecia-lhes tão pequeno que sentiam-se sufocar. Fora um jogo, totalmente sem palavras. Mudo e ao mesmo tempo ensurdecedor, tamanho era o barulho - ou talvez fosse apenas o barulho gritante de seus corações .

Era como se toda a movimentação fora os corpos um do outro não existisse, fora intenso e quase carnal. Quando a garganta secava, bebiam mais vinho, e quando as palavras queriam sair de suas bocas, para iniciar uma conversa trivial, preferiam escolher preenchê-las com mais comida.

Até poderia parecer taciturno, toda aquela quietude, mas juravam que ouviam uma música tocar ao fundo. Os envolvendo... e era quente, Deus, como era quente.

E então, só quando a mesa foi deixada para trás - enquanto os empregados retiravam os pratos, agora vazios - eles conseguiram parar com tudo áquilo. Andavam lado a lado pelo corredor escuro, e Eren acompanhava pelas janelas consecutivas, - a paisagem obscura do lado de fora -, parecia uma noite fria e os rochedos lhe passavam uma impressão amedrontadora, e isso o fez arrepiar-se.

- Esta mansão é mal-assombrada? - Continuou caminhando, enquanto Levi seguia seu ritmo. - Devo me preparar para ouvir correntes se arrastando, gemidos horrendos à meia-noite, ou damas e cavalheiros com trajes antigos perambulando pelos corredores?

- Meu Deus, não. Quem colocou essa ideia na sua cabeça?

Algum silêncio se passou, então meio envergonhado respondeu à medida que abaixava a cabeça encarando o chão passar por baixo de seus pés.

- Talvez o jantar não tenha me caído tão bem quanto imaginei.

Levi suspirou, levando a mão aos cabelos os puxando para trás, um pouco irritado pelo modo que a noite acabava. Deveria tentar entrar no quarto junto à ele? Ou será que poderia propôr que os dois dormissem juntos?

Mas que merda..., pensou, dormirmos juntos?, repetiu com nojo, até parece que estou apaixonado. O que irá ser depois? Um passeio de mãos dadas? Oh que romântico, revirou os olhos.

- Descanse o resto da noite, talvez amanhã de manhã já esteja melhor. - Eren baixou a cabeça e concordou.

- Boa noite, lorde Rivaille. 

- Boa noite, Sr. Jaeger.

Se encararam por mais alguns segundos, seus corpos recusando o comando de ir embora. Eren se aproximou, e lhe beijou a bochecha. Nenhum dos dois conseguiria responder porque o moreno fizera áquilo, mas de algum modo, o gesto pareceu bastar para acalmarem-se. E então se foram, por caminhos diferentes.

 

 

Quando acordou estranhou o fato de não sentir nenhum calor ao seu lado - fazia tanto tempo que não dormia sozinho, que começava a enojar-se pela falta de contato humano.

E bastou somente que "contato humano" cruzasse pela parte pervertida de sua cabeça, que sentiu-se corar.

Naquela instante, Eren sentiu um calor arrebatador, seu corpo estava mais quente que o normal, e sua mente ficava recordando-lhe que encontrava-se na mansão de Levi, o que foi estranho... e muito incômodo na verdade.

E com tudo àquilo, foi impossível não lembrar-se, da última vez que tiveram algo íntimo, - o levou a literalmente ficar de joelhos, pouco se importando se sua esposa poderia ir ali ou não. 

Logo pensou que era apenas um desejo matinal comum... até que isso se alastrou ao início da tarde.

Quando a noite chegou, estava quase a sufocar-se, tamanho era sua ânsia de prazer, comparou aquilo com uma abstinência. Levi era sua droga, e tinha acabado de viciar-se. Não aguentando mais, pediu desculpas e disse que iria se retirar do jantar, pois estava sem apetite - ao menos para comida.

Maldição, sentia que estava queimando em tesão! Afinal, tudo naquela casa tinha o cheiro dele. E tudo que Eren queria era evitá-lo, porém era como se Levi sempre estivesse em seus pensamentos... não precisava estar pensando diretamente nele, estava ali, implícito em seu ser, como se fosse um papel que decorava o fundo de sua cabeça.

Com passos pesados e incertos, rumou para a biblioteca, assim que entrou seus olhos se colidiram com a grande bíblia da família. Acercou-se com curiosidade e a abriu com delicadeza.

Franziu o cenho ao ver escrito somente o nome de Levi. Virou mais algumas páginas e mesmo assim, não encontrou nada. Voltou à primeira, e passou os dedos na parte onde um dia já havia tido folhas, mas agora restava apenas àquilo. Folhas arrancadas com brutalidade.

Nem todas foram tiradas, porém metade da bíblia estava faltando. A metade da família que esteve viva, pensou Eren mordendo os lábios.

Mas então, escutou as portas de madeira serem abertas, e o gemido de frustração foi inevitável, rapidamente pegou um livro qualquer, e sentou-se no parapeito da janela para disfarçar, afinal não queria ser pego bisbilhotando - questionaria o lorde sobre àquilo mais tarde.

Levi aproximou-se lentamente - como um predador chegando perto de sua presa, e por Deus, Eren estava adorando a sensação de sentir-se caçado por ele. Controle-se!, bradou a si mesmo internamente.

- O que está lendo? - Perguntou, e quando chegou perto o suficiente, o moreno mostrou-lhe a capa do livro. - Um exemplar de Don Juan?

Eren sorriu em uma concordância muda, mas por dentro gritou em desespero por ter escolhido - provavelmente - um dos livros mais românticos de todos que tinha naquelas estantes.

- Não é de meu agrado. - Afirmou o homem de cabelos negros, e a faceta de choque foi a que automaticamente tomou a do outro.

- Oh, vamos Levi seja mais romântico. - Disse Eren levemente irritado, para então soltar uma lufada de ar em descontentamento. - Esqueci-me que não tens um único átomo de romantismo no teu sangue. Afinal, se o encontrasse, você o destruiria... parece que os sangue-azul, são ranzinzas naturalmente.

- Não sou romântico. - Falou aborrecido, revirando os olhos. - E com certeza não sou ranzinza. Quanto a ser um puro-sangue, você sabe que metade da minha ascendência é italiana.

- Mas a metade italiana também tem sangue azul. - Disse ele. - Já ouvi falar da linhagem de sua mãe, vem de uma nobreza florentina muito antiga. 

Levi falou algumas coisas que Eren não conseguiu entender, mas imaginou que fossem impropérios na língua natal da mãe. Ele estava completamente indignado, mas internamente já esperava o desgosto do lorde, referente àquele livro em específico.

- Eu conheci o Byron durante uma viagem à Itália. Comprei o livro porque ele era um depravado, e seu conteúdo, famoso por ser indecente.

O incontentamento alastrou-se ainda mais no moreno.

- Você não o leu! - Franziu o cenho em reprovação. - Ah, não, isso não passa de hoje...

- O quê? - Disse meio perdido.

- ...rápido sente-se aqui, irei ler para você.

Levi ainda iria perguntar se ele estava à falar sério, porém ao mirar a cara de birra do outro, deu-se por vencido, sentou em sua frente, fazendo o espaço do banco parecer escasso para ambos, mas os acomodava completamente - na medida do possível.

- "Casada ela foi, por alguns anos, com um homem / de 50, e tais maridos aos montes há de haver / E, mesmo assim, eu penso, em vez de UM / Melhor seria DOIS de 25 ter."

A boca de Levi se retorceu em um sorriso debochado. Eren folheou as páginas.

- "Um pouco ela se esforçou, e muito se arrependeu / E sussurrando 'Nunca vou ceder', cedeu."

Uma risada nasal, meio estrangulada pôde ser ouvida, espalhou-se pela biblioteca, os olhos verdes encontraram-se com os cinzentos, os dois refletindo a si mesmos. Eren sentiu seu corpo esquentar de forma considerável, então afastou-se, sentou em um sofá, próximo a uma lareira apagada, não muito afastado de onde o lorde decidira ficar.

Voltou a ler em voz alta.

Na terceira estrofe, Levi saiu de perto da janela.

Quando chegou à oitava, ele já estava sentado ao seu lado. Na décima quarta havia se esparramado, com uma almofada sob a cabeça e uma banqueta sob os pés. No processo, a mão esquerda aleijada de alguma forma pousou sobre a coxa direita do moreno. Eren fingiu não perceber, mas continuou lendo sobre a tristeza que Don Juan sentiu.

- "Nenhum remédio pode uma mente adoentada curar / E aqui, quando o navio deu um solavanco, ele sentiu-se enjoar."

Levi soltou uma risada zombeteira.

- "Antes disso o céu beijará a terra (e aqui sentiu-se enjoar mais) / 'Oh, Julia! O que são outras aflições?' (Pelo amor de Deus, permitam-me beber algo; Pedro, Battista, ajudem-me a descer aos porões)"

Se estivesse lendo apenas para si, Eren teria rido, como fez antes ao ler pela primeira vez aquele mesmo exemplar na casa da tia. Mas, com Levi ali, recitou as declarações apaixonadas de Don Juan com uma angústia melodramática, cada vez mais distraído conforme o mal de mer do herói suplantava o amor imortal

Ele fingiu não perceber o corpo de Levi subindo e descendo prendendo a risada silenciosa tão próximo de si, ou a gargalhada discreta e quase estrangulada, soprando-lhe uma brisa suave que lhe fazia cócegas no pescoço.

- "'Amada Julia, escute-me aqui a suplicar!' / (e aqui, vomitando, não conseguiu mais falar.)"

Agora sentia cócegas na sua orelha e não precisou desviar os olhos para perceber que seu amante estava mais perto, olhando a página enquanto se debruçava sobre Eren. Ele continuou a ler a estrofe, percebendo o hálito morno e as vibrações que aquele riso grave e agitado lhe causava.

- "Sem dúvida, aquilo seria ainda mais patético..."

- "... mas o mar agia como um forte agente emético" - Concluiu o lorde a estrofe num tom grave. Em seguida, o moreno permitiu-se virar o rosto, mas Levi desviou o olhar no mesmo instante e sua expressão rudemente atraente ficou indiferente.

- Não acredito que você comprou o livro e nunca o leu. - Disse o rapaz com um sorriso vitorioso. - Você não fazia ideia do que estava perdendo, não é?

- É bem mais divertido ouvir poemas na sua voz. - Respondeu. - E menos trabalhoso.

- Talvez se eu ler regularmente para você, possa lhe  transformar num romancista.

- Chama isso de romance? Byron, é um cínico.

- No meu dicionário, romance não é um sentimento piegas e pegajoso. - Argumentou ironicamente. - É algo picante, temperado com entusiasmo e uma boa dose de cinismo. - Estreitou os olhos. - Acho que daqui a algum tempo você se transformará num belo tempero picante, Levi. Com alguns ajustes, claro.

- Ajustes? - Repetiu ele, enrijecendo o corpo. - Você irá me ajustar?

- Com toda a certeza. - Admitiu divertido. - Ser um cavalheiro de respeito demanda ajustes.

- Não este, senhor. Eu já paguei, uma quantia absurda aliás, para chegar a onde estou e não...

- Sim, naturalmente você é o chefe de tudo. Nunca conheci um homem tão competente em administrar tudo e todos. Mas nem mesmo você pode pensar em tudo, ou procurar por aquilo que nunca experimentou. Ouso dizer que há mais benefícios em se ter uma esposa. - Alfinetou.

- Somente um. - Retrucou ele, estreitando os olhos. - Há mais benefícios em ter um amante. E posso garantir, meu senhor, que já pensei nisso. Várias vezes. Porque é a única maldita coisa que...

- Acabou de descobrir Byron, graças a mim. - Disse Eren, sufocando uma onda de calor e ansiedade. - E a leitura melhorou teu humor.

Levi estressado, chutou a banqueta na qual seus pés repousavam.

- Já entendi. Então é isso que estás fazendo, queres me amolecer. Ou, pelo menos, é o que está tentando fazer.

Eren fechou o livro e deixou-o de lado.

Ele decidira ser paciente, cumpriria os deveres em seu casamento, mas também, cuidaria de Levi... entretanto, mesmo assim, depois de provocações, humilhações, e brigas, o lorde reduzia suas tentativas de entender-lo a meras tentativas de manipulações. 

Impulsivo como era, a paciência que supostamente era para ter, se foi.

- Tentando amolecer você. - Ele cuspiu as palavras, que rebateram com força dentro de si mesmo, fazendo seu coração disparar com aquela afronta. - Seu ingrato presunçoso e estúpido! 

- Não sou cego. Sei o que pretende com isso, e se acha que...

- Se acha que não sou capaz de fazer isso - Disse por entre dentes. - Se acha que não sou capaz de fazer você comer na palma da minha mão, recomendo que pense de novo, Belzebu.

Houve um silêncio curto, trovejante e cheio de tensão.

- Na sua mão. - Repetiu o lorde em voz baixa.

Eren reconheceu aquele tom e o seu significado. Uma parte do seu cérebro gritou "corra!", mas o restante da sua mente era uma massa vermelha de fúria. Lentamente, ele colocou a mão esquerda sobre o joelho, com a palma pra cima. Com o dedo indicador ele traçou um pequeno círculo no centro.

- Aí está. - Falou, a própria voz tão baixa quanto a do lorde, sua boca estava curvada num sorriso provocador. - Desse jeito, Levi. Na palma da minha mão. E depois... - Prosseguiu, ainda acariciando o centro da palma. - ... eu farei você implorar.

Outro silêncio trovejou pela biblioteca, e internamente Eren perguntou-se como os livros não caíram das estantes.

E foi então que surgiu, suave como o veludo, a resposta que o moreno não esperava, que, como percebeu no mesmo instante, deveria ter previsto.

- Pois, eu gostaria de vê-lo tentar. - Foi tudo que o lorde disse, acompanhado de um sorriso pecaminoso.


Notas Finais


COMENTEM NESSA CARALHA *arco-iris*
TO FALANDO SÉRIO MAN, TO MO BOLADA PORQUE NINGUÉM ANDA COMENTANDO *risos*

Eu mereço? ...... pouco, mais eu mereço ok?
Até porque se fosse pra publicar e ninguém opinar nada, eu continuava escrevendo no meu caderno u-u

(man eu sou muito chata, foi mal o-o)

Enfim, bye bye galera <3


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