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História Ela - conto. - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo único.


No dia dezessete de agosto às quinze e quarenta, foi nesse horário em que eu cheguei à porta de sua casa. Sentei-me na calçada, você não estava pronta, algo me dizia isso, você sempre se atrasava para nossos encontros.

Nós tínhamos nos conhecido há seis meses e eu já estava tão apaixonada por você. Agora eu era a sua nova amiga apaixonada, onde não havia sentimento recíproco.

Naquela época eu já havia me acostumado com o sentimento denominado paixão. Foi meio difícil me acostumar com isso de uma hora pra outra, fiquei feliz por não me culpar pela falta de empatia.

Eu sempre agi de maneira tão rude com você... Como e por que deixava eu tratar-te daquela maneira? Hoje eu reconheço o quanto eu era horrível. Perdoe-me por tudo aquilo, por favor.

Caso eu não batesse na sua porta naquele exato instante, você acharia que eu esqueci o nosso encontro ou te deixei plantada. Ah... Em tão pouco tempo descobri e decorei quase tudo sobre você e isso, de certo ponto de vista, é estranho. Nunca foi minha intenção parecer uma maníaca, ok?

Desde a primeira vez que te olhei percebi que você era 'diferente' e isso, na minha opinião, só te deixava mais incrível. Seu jeito de encarar a vida, sua alegria de sempre, o seu sorriso... ah, que belo sorriso!

Eu sempre te pedia para não acreditar no que diziam sobre você, sempre te pedia para não pensar como aquelas pessoas, sempre te pedia para ter fé em você. Afinal, você sempre mereceu todo o apoio do mundo, coisa que eu não pude de te dar.

Você se tornou o meu 'tudo', o meu mundo, com tamanha facilidade...

Estava na hora e eu não tinha a mínima do quer fazer ao entrar. Eu queria te dar um dia digno ao meu lado... Antes de tudo, arrumei minha postura e bati na porta. Como já era de costume, sua mãe que a abriu. O jeito que sua mãe me olhava era... inexplicável. Ela nunca gostou do meu jeito e de quem eu era, e nem se quer tentou esconder isso. Mas naquele dia o seu olhar não expressava nada, eu diria até que estava um pouco ausente. Naquele momento eu não cheguei a me importar, e esse é o meu maior arrependimento.

Mesmo depois de vários minutos sentada lá fora eu ainda cheguei cedo demais. Maldita ansiedade!

Antes de você descer, sua mãe sorriu, me tratou muito bem, até me desejou boa tarde. Como não pude perceber que havia algo errado? Analisando todos os nossos momentos juntas, não consigo entender como eu consegui ser tão burra.

Caso tudo desse certo entre a gente, minha vida iria proceder. Tínhamos tudo para darmos certo. Assim como tudo que planejei, nada poderia dar errado. Infelizmente nada é impossível.

Sua mãe recomendou que eu me sentasse, e assim fiz. Ela foi atrás de quem realmente me interessava, foi atrás de você.

Você desceu devagar, com o auxílio de sua mãe. Você estava simplesmente maravilhosa. Todos os bons adjetivos não seriam capazes' de descrever o quão perfeita você estava naquele dia. Você sempre fora linda, mas estava ultrapassando todos os limites existentes.

Eu apenas conseguia pensar no quanto você estava perfeita, até mesmo nos mínimos detalhes, tanto é que fiquei paralisada por alguns instantes.

Não sabia o que fazer, o que dizer... E, se fosse hoje, mesmo sabendo tudo o que aconteceria depois daquele dia, eu continuaria com a mesma dúvida.

Eu nunca soube o que fazer quando se tratava de você, nem naquele dia, nem hoje, nem nunca. Você é tão especial que não há um jeito certo de agir quando se trata de você. É inexplicável.

Acho que isso tem um pingo de ironia, isso se for parar para pensar na nossa relação desde o início... Como eu não sabia o que fazer, não fiz nada, apenas admirei-te.

Hoje eu tenho plena certeza que te amo. Ou melhor, te amava. Tudo em você me encantava, era incrível.

Você nunca soube o que acabou chamando minha atenção em você, não fazia a mínima noção sobre. Acho que nem eu sei, quem sabe foi apenas o fato de você ser você, o seu 'eu' tão sincero... Ou quem sabe foram suas perguntas que ganharam de vez meu coração, perguntas cujo nunca soube responder. Coisas como: "Como são as cores?", "Como está o céu?", "Como é a vista da janela do seu quarto?"

Naquele tarde eu resolvi atender um pedido teu. Levei-te até a praça, lá era um lugar bonito e convidativo para casais apaixonados se encontrarem. Lá tinha um pequeno parque e muitas crianças, esse era o toque especial.

Com nossos braços entrelaçados, nossos corpos encostados, minha cabeça apoiada na tua, enquanto eu narrava tudo o que acontecia ao nosso redor. Nenhum detalhe escapava dos meus olhos, eu estava mais atenta do que nunca.

Talvez por falta de planejamento da minha parte, acabamos passando em frente a cafeteria. Com tantas outras rotas possíveis eu escolhi justo aquela. Mesma cafeteria em que tua mãe me levou para tomar um café, muito antes de nossa relação começar a se desenrolar.

Eu acabaria passando uma impressão pior caso não aceitasse aquele pedido de sua mãe. Então, fui. Ela fez perguntas típicas, típicas de uma mãe preocupada que preza pelo melhor a filha. E eu claramente não era o melhor.

Ela tentou me explicar algumas coisas sobre você, sobre a sua situação... Mas eu não deixei que ela falasse, pensava que eram apenas baboseiras, pensava que ela queria apenas que eu ficasse longe. Como eu consegui ser tão ignorante?

Eu estraguei tudo. Ela não queria contar a história completa, era um amontoado de coisas cheias de furos. Eu estava confusa.

No final ela apenas me disse que você era especial.

Se eu soubesse toda a história, se eu soubesse a verdade, eu teria te deixado. Por amor fazemos tudo, não é mesmo?

Eu deveria ter deixado você no seu canto, junto a sua mãe, lugar do qual você nunca deveria ter saído.

Depois disso eu tive a certeza de que só sirvo para atrapalhar.

Ela completou dizendo que você era coisa demais para mim, e disso eu sempre soube. Eu via aquilo como uma estúpida tentativa de me afastar de você. Sua mãe tinha toda razão. Eu apenas respondi que apresentaria você ao mundo, e sai.

Eu não sabia o que dizia, era idêntico ao modo de como eu agia. E ainda é assim.

Eu realmente não imaginava, mas na manhã seguinte, após o encontro, eu saberia o porquê do especial.

Nosso encontro terminou bem, foi incrível, justamente porque era um encontro com você. Deixei-te no portão de sua casa, nos despedimos com um beijo. E, ah... que beijo! Se eu pudesse, teria feito aquele momento durar mais...

Sai de lá feliz, te beijar foi realizar um sonho. Suas bochechas coradas, o seu modo fofo de agir logo depois do ato... como você conseguia ser tão bela?

Antes de ir, você disse que ligaria para mim. Eu esperei, esperei e esperei mais um pouco, mas nada de ligação sua. Minha cabeça estava a mil, o que eu tinha feito de errado? Eu não tinha ideia, mas já arquitetava milhões de formas de pedir perdão.

Eu havia encontrado o amor da minha vida, não podia perdê-lo agora. Eu não me perdoaria. Eu não me perdoei.

Eu não consegui dormir, minha ansiedade estava acabando comigo. Meu celular tocou, era por volta das sete da manhã. Atendi sem exitar. Mas, infelizmente, não era você quem falava do outro lado da linha e sim sua mãe. Ela estava chorando... uma notícia ruim estava por vir.

Ouvir aquilo foi como se meu coração se despedaçasse. Queria que nossa despedida tivesse sido mais completa, com mais carinho.

Queria que você soubesse que poderia me contar o que estava acontecendo. Queria que você soubesse que poderia contar comigo para tudo.

Queria que você não tivesse partido sem que eu te dissesse "eu te amo".

Eu nunca vou encontrar alguém como você. Você foi e sempre será a pessoa que eu mais amei. Eu sinto tanto a sua falta e sempre vou sentir...

Como faço para parar de sentir saudade de momentos que não vão mais voltar?


Notas Finais


espero que gostem!


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