História Ela - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Kuroshitsuji
Personagens Ciel Phantomhive, Mey-Rin, Personagens Originais, Sebastian Michaelis
Visualizações 100
Palavras 4.163
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shounen, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá! Depois de certo tempo, estou de volta, desta vez trago algo mais triste e mais sério. Tive a inspiração para fazer esta fanfic após assistir o filme "Um momento pode mudar tudo", recomendo a todos e quero avisar que todos os meus conhecimentos sobre os sintomas e diversos veio da internet, se algo estiver fora dos conformes, peço que me avisem.

Bem, vou deixar vocês lerem, até as notas finais.

Capítulo 1 - Capítulo único


A pequena garota andava animada pelos corredores da escola, guiando seus pais para a sala onde ocorreria sua apresentação. Uma peça de teatro, sua turma ficara com Branca de neve, a mesma seria interpretada pela garotinha.

-Vamos papai! Não podemos nos atrasar. -Ela chamou o pai, sorrindo largamente por aquela ser a primeira vez em que ele ia a um de suas peças, ele, sempre ocupado com o trabalho, não podia comparecer aos eventos escolares da filha.

-Meu bem, não vamos nos atrasar, chegamos uma hora antes. -Ele fala sorrindo, colocando os longos cabelos negros atrás da orelha.

-Sebastian tem razão, Mercy, não vamos nos atrasar. -Foi a vez do outro pai falar, sua mão era constantemente apertada pela filha.

Depois de passar por alguns corredores, eles finalmente chegaram à quadra onde a peça iria acontecer, os pais pegaram um canto na frente, ansiosos para ver Mercy se apresentar. Todas as turmas tinham sua história de conto de fadas, todas as crianças pareciam se empenhar e se divertir encenando, e então, a turma da garota começou a se apresentar.

Mercy estava linda, seus cabelos negros e longos presos num coque, a roupinha de branca de neve um tanto folgada nela, e aqueles olhos azulados que tanto lembravam os do pai. Sebastian se sentia orgulhoso, sempre se sentira orgulhoso em relação à filha adotiva, mas ali,quando finalmente teve a chance de assistir sua apresentação, ele se sentia mais do que orgulhoso. Segurando a mão do esposo e sorrindo de canto, sem tirar os olhos da garota. Ao término da peça eles se reuniram, Mercy correu para os braços do pai e o mesmo a colocou no colo, dando vários abraços e beijos nela.

-Pai, o que achou da apresentação?

-Estava perfeita, você estava perfeita! Branca de neve. -Sebastian afagou os cabelos da jovem, olhando para os lados ele vê seu esposo se aproximar. -Onde estava?

-Eu estava falando com a diretora, ela me entregou o boletim da Mercy. -Ciel olha para a garota, era incrível como ela sempre ficava ansiosa quando era mencionado boletim, mesmo que suas notas fossem sempre altas. -Não se assuste meu bem, você conseguiu ótimas notas, como sempre. Estou orgulhoso.

-Obrigada papai!

A jovem esticou seus braços na direção do azulado, um pedido silencioso para ficar em seus braços. Enquanto segurava a garota, Ciel pediu para que Sebastian assinasse o boletim da filha, entregando-o uma caneta e o papel. Ao pegar o papel e a caneta, suas mãos vacilaram deixando-os cair no chão.

-Huh? Deixa que eu apanho. -O menor falou, apanhando o que havia caído e entregando ao marido novamente. -Eu vou ali com a Mer, vamos comprar algo parar comer, você poderia assinar isto e entregar a diretora por mim? Sabe, ela deve querer ir falar com as amigas e eu não quero deixa-la sozinha.

-Claro, pode deixar.

(Alguns dias depois)

O jantar era servido para o marido e a filha, Ciel se concentrava em lavar a louça, todos estavam em silêncio, nem a garotinha estava a falar. Enquanto comiam, Sebastian deixou seu garfo cair, sentindo novamente sua mão travar. Ciel olhou-o pelo canto dos olhos, ele andara muito desastrado nos últimos dias, sempre derrubando as coisas ou deixando-as cair. Sempre que acontecia, o menor pensava no quanto seu marido era desastrado.

-Ciel...

-Sim?

O azulado se vira para falar com o moreno, se assustando quando viu a expressão de medo no rosto do outro. Aquilo soou como um alarme, rapidamente ele lavou as mãos e pegou as chaves do carro, indo com a filha e o marido para o mesmo. Rapidamente dirigindo para o hospital.

-Papai, onde estamos indo? -perguntou a filha.

-O papai está com alguma coisinha, então nós vamos ao hospital. -Ciel esclareceu, ele sabia que Sebastian não estava mais conseguindo pegar as coisas como antes, era como se sua mão perdesse os movimentos.

-Você está doente, pai? -A garotinha pergunta,

olhando para seu pai, curiosa e preocupada.

-Acho que sim, mas eu vou ficar bem!

O esposo sorri, mesmo não sabendo o que estava acontecendo Sebastian se mantinha otimista, ele se mantinha assim para não alarmar a filha. Ele nunca foi muito presente na vida da garota, mas mesmo assim se preocupava com ela e ela com ele. Era até irritante, às vezes, sempre no trabalho e quase nunca em casa. Após chegarem ao hospital Ciel pediu um minuto a sós com o marido, precisava saber o que estava sentindo e o que ele achava que poderia ser.

-Não sei, eu não estou mais conseguindo segurar as coisas, minha mão não responde. -O moreno olha para a mão, preocupado com o que quer que esteja acontecendo consigo.

-Oe! Calma, talvez não seja nada muito grave.

Ele tenta animar o outro, mas não da muito certo, eles voltam para perto da garotinha, o moreno tenta se distrair brincando com ela, conversando e fazendo planos para um bom final de semana. O azulado permanecia um tanto inquieto, temia pela saúde de seu marido.

-Senhor Michaelis, o doutor está a sua espera. -A enfermeira o chamou, sorrindo levemente ao abrir a porta para eles.

-Com licença, boa noite doutor.

-Boa noite, a que devo a visita?

Enquanto Sebastian explicava o que estava acontecendo, seu esposo imaginava que ele poderia ter ler, aquele seria o menor e até mesmo o melhor de seus problemas, pelo menos ele iria entender de vez que não podia ficar trabalhando no computador o dia inteiro.

-Vamos fazer um exame de sangue, um exame físico e uma tomografia computadorizada para ver se não há problemas no cérebro. Quando terminarem com os exames, venham me ver imediatamente.

-Certo. Obrigado. -Disse o moreno.

(...)

Na semana seguinte Ciel já estava ficando louco, o que parecia ser algo besta se tornou algo preocupante, parecia que só iria piorar. Novamente no consultório, Sebastian explicava o novo sintoma.

-Sebastian, os resultados estão prontos e com eles uma notícia um tanto desagradável. Eu sinto muito, o senhor está com esclerose lateral amiotrófica. -Aquele nome tão complicado mexeu com o azulado, em seu íntimo ele sabia que aquilo era um péssimo problema. -Mais conhecida como Ela, que é uma doença degenerativa do sistema nervoso, não se sabe até hoje como ela é provocada ou como pode ser parada.

Ciel estava inconformado com a resposta, estava se contendo para não chorar, mas parecia que tudo estava virando de cabeça para baixo e não voltaria a ser o mesmo. A palavra degenerativa ecoava em sua mente sem parar, o deixando nervoso e intimidado. Já o seu marido não parecia se importar com o que havia sido dito, se conformando rapidamente com a nova noticia, apenas sentia pelo menor e por sua filhinha, não precisava ser um gênio para saber que Ciel estava enlouquecendo mentalmente.

Ao chegarem em casa o Phantomhive o acompanhou até o quarto, a garota não estava em casa, pois tinha ido à casa de um de suas amigas. Naquele momento, Ciel agradeceu por não ter ela por perto, assim ela não veria as lágrimas que deslizavam por sua face.

-Ei, não chore, eu estou bem! -O moreno tentava acalmar o esposo. Sentado ao seu lado ele acariciava seu rosto, era assustador o ver chorando daquela forma.

-Ciel, é sério, você tem que se acalmar, está começando a ficar nervoso.

-Desculpe, eu só... Não consigo tirar a palavra degenerativa da cabeça, o que vamos fazer?

-Esperar, é tudo que podemos fazer agora. Mais veja o lado bom, eu ainda estou vivo! -Nem mesmo uma risada ele conseguiu arrancar do pequeno, frustrado e irritado ele fala. -Vamos lá, sorria um pouco. Nós vamos conseguir.

“Nós vamos conseguir” ele dizia, mas na verdade não sabia se poderia mesmo conseguir, era como dar um tiro no escuro, ele não sabia como as coisas seriam dali em diante. Apenas torcia para que os sintomas não fossem tão assustadores quanto à própria doença.

(Alguns anos depois)

-Pronto!

Disse Ciel, terminando de colocar a camisa no marido e dando um selinho em seus lábios, o mesmo estava irritado, de cara fechada olhando para o lado, não tinha como se acostuma com o fato de ter de ficar em casa enquanto seu esposo trabalhava.

Sentia falta do trabalho, das correrias, do subir e descer das escadas, dos cafés gelados e da comida de fast food que sempre pedia quando estava atrasado. Agora, não havia mais trabalho e comidas rápidas, apenas lhe restava ficar em casa com sua dieta rígida e uma cadeira de rodas para ajudar a andar.

-Olha, Mey-rin vai chegar daqui a pouquinho, Mercy só vai chegar à tarde, mas...

-Mas vai ter que ir a aula de piano e só vai chegar a noite, eu sei. –Ele interrompe o esposo, novamente sendo grosseiro com ele.

-Eu sei que sei que sente falta do trabalho, mas não precisa ser um chato comigo por isso. Algum dia eu teria que voltar a trabalhar, veja o lado bom: vai ter mais tempo com nossa filha. –Ciel se sentia um idiota quando Sebastian fazia aquilo, era sua maior reclamação, o trabalho. –Também te amo, tchau Seb.

E mais uma vez ele foi deixado em casa, sozinho até Mey-rin chegar. Todos os seus dias ele se sentia cada vez mais obsoleto, agora, não conseguia nem sequer ir ao banheiro sem ajuda. Nunca havia imaginado que chegaria a aquela situação.

Pelo menos, era como Ciel havia dito, ele tinha mais tempo para Mercy e para suas aventuras. Ela, com seus 17 anos, era uma menina muito criativa e cheia de energia, vivia tocando para o pai não só o piano, mas o violão também, cantando musicas aleatórias que ela inventava.

-Senhor Sebastian!

E ela, chegou à empregada desastrada que cuidava dele, era engraçado passar o dia com ela, pois sempre haveria algo parar rir –Seja dela ou da cara de seu esposo quando via a bagunça. Existiam pontos positivos em ficar em casa, mas também tinha os negativos e pareciam que estes nunca iriam embora.

A mulher o ajudou a se levantar e segurar sua cadeira de rodas, ainda conseguia andar um pouco, então ficava a caminhar pela casa praticando com a ajuda da empregada.

-Ontem eu troquei meus óculos, mas continuo com uma visão terrível.

-Como isso acontece?! Você vive trocando os óculos e continua sem enxergar direito. –Ele ri, olhando para o chão para não errar o passo. Mey-rin corre para sua frente e começa a andar de costas, o chamando enquanto caminhava. –Não fique andando de costas, você pode se machucar.

-Está tudo bem, veja!

Ela rodopia, mostrando que sabia o que estava fazendo, caminhando enquanto olhava para o moreno, sentindo-se mal por vê-lo sempre a andar com aquela cadeira. Decidida, ela se aproxima dele e pega suas mãos, o sustentando enquanto repetia que estava tudo bem, ela conseguiu o fazer dar alguns passos antes que ela tropeçasse no batente, causando uma queda.

-Mey-rin! Mey-rin! Mas não é possível! –O maior tentava acordá-la, mas parecia impossível. Frustrado ele procura por uma saída, depois de minutos procurando e pensando em algo para acordá-la ele finalmente acha.

O celular dela estava jogado bem próximo dele, sendo assim ele puxa o celular para perto e pressiona os lábios no botão, desbloqueia com o queixo e suspira em alivio por ter conseguido, usando o comando de voz ele consegue ligar para Ciel.

“Mey-rin, o que houve?”

“Oi Ciel”

“Sebastian, como você está? Você pediu a Mey-rin para me ligar?”

“Na verdade aconteceu um pequeno probleminha”

“Tipo?”

“Nós caímos”

“Como assim ‘caíram’? Sebastian onde você está?”

“No chão”

“MEU DEUS! Eu já vou chegar não se mexa!”

“Nem se eu quisesse”

Quando o Phantomhive chegou, tratou de correr e levantar o maior, bombardeando-o com perguntas sobre seu bem estar.

-Eu estou bem, vá ajudar Mey-rin!

Exclama Sebastian, preocupado com o bem estar da outra.

No final, ela estava bem apenas tinha ganhado um arranhão na perna, Ciel logo tratou de colocar um band-aid no arranhão. Depois de vários pedidos de desculpa e algumas gargalhadas, eles já estavam bem, sentado na sala rindo do acontecimento.

Aquele era mais um dia que entrava para a lista de dias inusitados, quando Mercy chegou, a garota só faltou chorar de tanto rir, nem um pouco preocupada com o pai, já tinha se acostumado com sua situação.

(Algumas semanas depois)

Sebastian tinha piorado como o esperado, agora, sem conseguir se mexer por completo e com sua cabeça agora pendia para trás, isto tinha afetado tanto a filha quanto o esposo, mas ambos tentavam não encarar tudo pelo lado negativo, com a doença, os dias de Sebastian estavam contados e isto só entristecia a família, que tentava aproveitar os mínimos segundos com ele.

Insistindo em ir com o esposo e com a filha ao supermercado, ele era seguido por Mercy e Ciel. A cadeira de rodas motorizada balançava a cada tapinha que Mercy dava, brincando com seu pai enquanto falava sobre seu estilo. Sebastian havia virado um grande amigo de sua filha, deixando Ciel com ciúme às vezes. A jovem olha para trás e amarra seus cabelos agora azuis imitando os do pai.

-Pai, eu aposto como você não me alcança!

-Apostado. –O moreno adorava poder apostar com a garota coisas triviais, sabia que poderia não conseguir, mas não deixaria de tentar mesmo assim.

Mercy sorri e começa a correr, o casaco quadriculado balançando junto do cabelo a cada passo, o mais velho não perdeu tempo e logo foi atrás dela. Já o menor estava escolhendo as frutas, confiando totalmente na filha para ficar com seu marido–¬Coisa que não deveria fazer.

Quando ele se virou, começou a procurar os dois, quase entrou em pânico quando não os achou. Olhando de um lado para o outro, até ver o casaco tão caricato de sua filha, por minutos preferiu não ter encontrado os dois.

Morto de vergonha, Ciel começou a correr atrás dos dois, gritando para que parasse antes que causassem um acidente.

-Corre pai! Não deixa o Ciel pegar a gente. –Ela gritou, sabia que Ciel odiava quando ela o chamava pelo nome, sabia que também levaria uma bronca e tanto quando chegasse em casa. Mesmo assim, não dava à mínima, com o tempo aprendeu a provocar o azulado e a quebrar regras com seu pai cujo qual era tão distante.

-Mercy! Sebastian! Parem com isso!

(horas depois)

-O que deu em você?! Sabe que ele não pode fazer esse tipo de coisa, o que faria se ele se machucasse? Você tem sido muito inconsequente mocinha, quando vai aprender a voltar a se comportar?

-Me comportar? Você o trata como um invalido! Eu só estou tentando aproveitar o tempo que ainda tenho com ele, será que nem isso eu posso fazer?!

Sebastian sairia de perto se pudesse, mas infelizmente não podia. Ele queria se meter e falar alguma coisa, mas não podia retirar a razão de Ciel de maneira alguma, pois a jovem estava mesmo sendo inconsequente com muitas coisas, já havia perdido a conta de quantas vezes os dois tinham discutido.

-Ciel, calma, não seja tão duro com ela. –Ciel o olhou e suspirou, sentando-se ao seu lado. –Mercy, você tem sido muito problemática.

-Me de um exemplo. –Disse a garota de braços cruzados.

-Você pintou o cabelo de azul, fez uma tatuagem e fugiu de casa para ir a uma festa.... Tudo isso escondido de nós.

-Eu só queria me divertir!

-Por que não avisa antes?! Eu enlouqueci aqui me perguntando onde você estava para depois você voltar e dizer que foi numa festa! –O menor bateu o pé no chão, cruzando seus braços, ele tinha suas regras e admitia ser um tanto chato, mas no fundo, ele só tinha medo de perdê-la.

-Não me deixaria ir. Eu tenho tentado me comportar, mas não posso fingir que o modo como o papai se encontra agora não me afeta. –Mercy abaixou a cabeça, atraindo os olhares para ela, as lágrimas caindo e molhando suas pernas foram notadas. Mas nada impressionou mais do que o fato dela ter chamado Sebastian de “papai”, coisa que ela parou de fazer a anos. –Poxa, eu precisava sair, era o único jeito de não me sentir mal.·.

O outro pai não fala nada, se ocupou em sair da sala antes que se sentisse ainda pior, a garota mordeu o lábio e saiu de casa, precisavam pensar, ambos precisavam, mas não conseguiam quando achavam que estavam errados de todas as formas.

O moreno suspirou, chamando o esposo, mesmo que ele demorasse a vir a seu encontro, sorriu levemente para ele, vendo o rosto triste olhando o chão. Uma onda de nostalgia o envolveu, lembrando-se de quando discutiam e o menino fazia birra, sentia saudades dos momentos em que o abraçava e apertava até que voltasse a sorrir do jeito fofo de sempre. Não tinha um dia que Sebastian não sentisse falta de toca-lo, abraça-lo, beija-lo, já que os selinhos que recebia nem sempre matavam sua saudade, se pudesse, se levantaria e o abraçaria junto da garota, mas não podia, tudo que poderia fazer era falar com ele e assistir tudo que acontecia.

-E-eu te trato como um invalido? –Questiona, com lágrimas nos olhos, levando suas mãos para segurar as do outro, sentia falta daquele aperto reconfortante que sempre recebia.

-Não, claro que não meu amor, você me trata normalmente, não vá ficar preocupado com as coisas que Mercy disse, ela só estava irritada.

-Eu queria poder voltar a falar com ela como antes, queria que ela me respeitasse, mas acho que a culpa é minha mesmo.

-Não é, é apenas o jeito como ela lida com... Isso. –Olhou o chão, depois a mão que segurava a sua, não sentia aquele aperto.

-Tá, obrigado. –Sua risada preencheu o lugar, junto das lágrimas que ainda caiam. –Nós não mudamos mesmo, você continua sendo gentil e me ajudando quando faço besteira, obrigado, de novo.

-Não agradeça, eu sempre... -Ele repensa, não estaria ali para sempre, tinha ciência disto, então não poderia prometer ficar para sempre com ele. –Eu vou te ajudar enquanto eu poder sabe que amo você.

-Também te amo, muito.

(Meses depois)

Agora, a fala se tornou um problema, a voz embolada não dizia coisas entendíveis, apenas algumas palavras eram compreendidas pelo resto da casa, as vezes, nada parecia ter sentido e eles se cansavam de tanto manda-lo repetir, acabando por deixar para depois.

Era cada vez mais estranho ver o homem tão falante e ativo numa cadeira de rodas observando o mundo a sua volta, e o tempo parecia correr para ele, o que deveria ser eterno se tornou temporário. Logo aquilo teria o final que todos tentavam impedir, mas ela era indestrutível, tão fatal quando um tiro no peito a queima roupa, era impiedosa com suas vitimas.

O brilho vermelho que antes era algo encantador, virou algo mórbido, fosco, aqueles olhos não pareciam ter vida ou esperança, assim como os olhos azuis de quem o observava todos os dias, tanto pai quanto filha, ninguém parecia ter esperança ou vida. A empregada do riso contagiante foi ficando triste, deixando as piadas de lado para que sua seriedade a consumisse.

Agora, em meio ao jantar, eles se entreolhavam, Ciel se ocupava em colocar a comida na boca do marido, sorrindo levemente e dando beijinhos em seu rosto, tudo parecia bem, até que o moreno começasse a tossir, não estava conseguindo respirar, aquilo só deixou Mercy e Ciel preocupados, se levantando na pressa para leva-lo ao hospital.

-Pai! Ajuda ele! –A garota grita, indo para o carro com Ciel.

-Eu vou, Mercy, fique com ele e coloque o cinto, vou dirigir um tanto rápido. –Avisou, olhando para trás no carro, vendo aquelas belas orbes cheias de desespero, apertou o volante antes de dirigir rapidamente para o hospital mais próximo.

Os minutos pareciam horas enquanto estavam sentados esperando qualquer noticia de Sebastian, Mercy estava agarrada ao pai, chorando como ele não via ela fazer a tempos, só viu a filha chorar daquele modo quando era criança, mas ele entendia sua preocupação, era a mesma que sentia agora, porém se manteria firme para que ela não ficasse ainda mais nervosa. Por mais que Ciel quisesse gritar de tanto medo de perder seu marido, ele se manteria forte para passar a sua garotinha que tudo ficaria bem.

-Senhor Phantomhive? –O médico chama, segurando a caderneta em mãos, vendo o rapaz a sua frente se aproximar. –Não tenho boas noticias, está piorando, não aos poucos como os outros sintomas, agora, a doença avançou mais do que o esperado. Não há tanto tempo para ele agora, mas, ainda consegue escutar e falar poucas coisas, você e sua filha podem entrar e falarem com ele.

As palavras soaram como tapas, a frase toda soou como um tiro em seu coração, agora não dava para ser forte nem se tentasse. Não sabia o que iria fazer sem Sebastian ao seu lado e da filha, precisavam dele mais do que tudo. O azulado morde seu lábio, chamando a garota e entrando na sala, observando o amor de sua vida deitado, os batimentos sendo mostrados na máquina que parecia ficar cada vez mais lentos, não acreditava que iria perder ele por ela. Não acreditava que não iria poder mais continuar com a pessoa que tanto amava ao seu lado.

-Pai! O senhor... você pode me ouvir?

-P-posso.

-Tá, que bom. –Mercy sorriu, segurando a mão dele e o olhando o menor do outro lado da maca. –Obrigado, aos dois, por me adotarem, eu sei que nem sempre sou a melhor filha do mundo, mas eu realmente sou grata por ter vocês como meus pais. Prometo que vou tentar melhorar e cumprir a promessa que te fiz de continuar tocando e cantando.

-B-bo-boa menina, eu que agradeço p-por te ter como filha. –Sorriu como podia, olhando ela o abraçar com uma força considerável. Olhou para Ciel, novamente com a face banhada em lágrimas. –Amo v-você.

-Sebastian. –O esposo se aproxima, apertando a mão dele. –Obrigado também, você me deu o mundo, fez o que ninguém tinha feito por mim, me amou e me ajudou em tudo. Casar com você foi a melhor coisa que já me aconteceu, você foi a melhor coisa da minha vida. Eu queria ter mais tempo, mas o tempo que tivemos foi maravilhoso, quando adotamos a Mercy, eu senti que tudo estava perfeito. –Uma pausa foi dada para que pudesse respirar e não errar as palavras ou não conseguir fala-las. –Mercy, você é a melhor filha do mundo, Sebastian, você é o melhor marido do mundo, eu amo você mais que tudo.

-Também a-amo você, meu céu, meu... amor. –Quase não falava pela falta de ar que era cada vez mais presente, estava a chorar um pouco, por querer continuar com ele, mas não conseguir. –Desculpe não cumprir a promessa de ficar com você para sempre.

-Não, você cumpriu, fez até mais do que deveria.

Ciel olha a máquina, vendo os batimentos cardíacos diminuírem, suspirou, depositando um último selinho nos lábios dele, o abraçando junto da garota enquanto repetiam que o amavam.

Naquela noite, Sebastian veio a óbito, com um leve sorriso em seus lábios, ele se sentia amado e sabia que tinha tido a melhor família do mundo. Em seu velório, Mercy tocou as músicas que ele mais gostava que ela cantasse, Ciel contou coisas engraçadas e se manteve junto da menina.

Com o tempo, ambos voltaram a ficar próximos, a diversão voltou a casa e eles se recusavam a manter uma lembrança triste do outro, apenas as melhores coisas.

Hoje, 6 anos depois, Mercy com seus 23, trouxe um garoto para casa, surpreendendo o pai por breves segundos, mas este logo o chamou para entrar, sorrindo abertamente.

-Pai, esse é o Damien, é dele que tenho falado tanto. –Ela aperta a mão do namorado, olhando o chão, estava envergonhada demais para olhar o pai. Sim, ela voltara a chamar ele assim.

-Minha nossa, prazer te conhecer! Mercy vive falando de você.

O azulado riu, apertando a mão do rapaz, olhando bem ele era bem bonito e parecia simpático. Os cabelos eram castanhos iguais a seus olhos, o estilo lembrava o da filha, punk, riu com o pensamento de que eles dariam muito certo.

-Que bom, mas ela fala bem ou mal? –O rapaz se pronuncia, a voz suave e embargada em timidez.

-Bem, até demais.

-PAI!

Os homens riram da atitude da menina, e logo o pai se sentou no sofá com o casal. Sorriu durante a conversa que tinham, se Sebastian estivesse ali ele não deixaria Damien entrar na casa por achar que sua garotinha era nova demais, é, Mercy sempre seria a garotinha dele não importando a idade. Olhou o chão, voltando a falar com eles.

-Senhor, se me permite a pergunta: onde está sua esposa? Mercy nunca me fala da mãe.

-Não é esposa, é marido, mas ele já se foi há muito tempo. –Respondeu com simplicidade, sem ser ríspido, vendo o rapaz se impressionar. –A proposito, se ele estivesse aqui, você não teria nem passado na calçada, e é me lembrando disto que tenho que saber todas as suas intenções com minha filha.

-São todas boas!

Damien responde rapidamente fazendo os outros rirem, o desespero dele era engraçado naquele momento. Entre risadas, eles continuam a noite, os dias, semanas e meses, ainda com uma pequena saudade em seus peitos que vinha para assombra-los, mas, sempre tentavam esquecer o sentimento colocando coisas alegres. Ciel não se casou mais, afinal, o grande amor de sua vida era Sebastian, mesmo assim, ele mantinha o sorriso corriqueiro de todos os dias, aquele sorriso que alguém um dia tanto amou.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, desculpe se fiz alguém ficar triste kkk. Eu adoraria saber a opinião de vocês sobre este capítulo, bem até a próxima, bye bye.


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