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História Ela - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Fragmentos


Fanfic / Fanfiction Ela - Capítulo 4 - Fragmentos


Maio de 1955.


Como havia ganhando o fim de semana de folga Natan estava em Harefield na casa de seus pais, a família aproveitou o fim de semana para passear pela cidade, apreciando a paisagem bela que a primavera proporcionava, a estação que espalhava flores de todos os tipos, cores vibrantes, e um clima agradável. Natan retratava no papel a beleza da estação das flores, os campos cheios de vida que estavam espalhados por Harefield, em seus desenhos o rapaz captava com maestria cada detalhes visto por seus olhos atentos. 


No domingo como de costume a família Turner se reunia para um almoço, a mãe de Natan cozinhava um verdadeiro banquete, Liza e James, irmãos do jovem que estavam com doze e dezesseis anos, lhe contavam as novidades de suas vidas, e ouviam e perguntavam com curiosidade sobre o trabalho de Natan no manicômio. Naquele domingo depois de jantar o jovem se recolheu cedo, pois teria que estar de volta ao Clarita antes das sete da manhã. Já em seu quarto antes de dormir Natan resolveu procurar por alguns livros que gostaria de levar para o manicômio a fim de ler, vasculhou em sua estante e acabou encontrado alguns livros que gostava, enquanto colocava algumas caixas de volta na parte de cima da estante de livros, acabou derrubando uma das caixas o que fez espalhar todo o conteúdo da mesmo pelo chão do quarto.


Um tanto irritado o jovem começou recolher o que havia caído colocando de volta na caixa, enquanto recolhia os objetos, Natan notou uma pequena pasta preta, ao pega-la viu que dentro da mesma havia alguns desenhos, o jovem olhou cada desenho na maioria eram paisagens, algumas Natan se lembrava já outras ele não se recordava.


Mas um dos desenhos acabou chamando a atenção do rapaz, este não era de paisagem, mas sim de uma figura feminina, Natan olhou para o papel com mais atenção do que os outros, o desenho era mais realista que os outros e também mais cheio de detalhes. Não demorou muito para Natan reconhecer de quem era aquele rosto, e ficou surpreso também com a descoberta. Como era possível? O rosto desenhado naquele papel era o de Lydia Roden.


Como Natan poderia ter um desenho de Lydia em seu quarto? Como era possível que ele a tivesse desenhado, sendo que ele tinha a absoluta certeza que nunca havia desenhado Lydia. Mas então como aquele desenho estava na casa de seus pais? Eram perguntas eu o jovem se fazia ao olhar para o desenho em suas mãos. Natan ficou a olhar para o desenho ainda por um bom tempo tentando entender como ele poderia ter indo para em seu quarto, em fim cansado e com sono o jovem resolveu ir dormir deixando o mistério para o dia seguinte. 


Na manhã seguinte Natan já estava de volta ao Clarita Payne, intrigado com o que havia encontrado em seu quarto foi em busca de respostas, e a única pessoa que poderia lhe dar alguma era a própria Lydia. Mas ao entrar no quarto da jovem Natan não a encontrou, o que era estranho pois ainda era muito cedo para a moça ter acordado, dado que Lydia só se levantava depois das sete da manhã. Estranhado a ausência da moça no cômodo Natan perguntou ao chefe dos enfermeiros onde a jovem estava, o mesmo disse ao rapaz que Lydia havia sido levada para a enfermaria, pois na noite anterior a jovem havia tomado uma grande quantidade de remédios que roubou da farmácia, preocupado Natan foi até a enfermaria para ver a jovem. 


Ao chegar Natan a encontrou em uma das camas, Lydia ainda estava inconsciente.


Ao vê-la ali deitada, com seu rosto tão pálido, Natan sentiu um aperto no peito, seu coração pareceu parar por alguns segundos, um nó subiu por sua garganta, e um medo lhe atingiu, naquele momento ele sentiu medo. O medo de perdê-la. Natan sentou na beirada da cama e ali permaneceu por horas, apenas a observando em silencio, naquele dia ele não trabalhou, a noite chegou e o jovem continuou ao lado de Lydia, ele não sabia o porquê, mas não conseguia deixa-la sozinha e mesmo com a chegada da madrugada ele não se foi, permaneceu ao lado dela.


- Natan!


Pela manhã uma voz fez Natan acordar, o rapaz havia caído no sono sentado em uma cadeira ao lado da cama de Lydia. A voz que havia dito seu nome era a do doutor Steven, que estava parado em frente ao jovem que ao vê-lo se levantou rapidamente.


- Bom dia, doutor! [disse Natan]
- Bom dia, o que faz aqui meu rapaz? [perguntou o médico]
- Eu soubesse do que aconteceu com ela, então vim vê-la, ver se estava tudo bem! [disse o rapaz]
- Agora está, ela teve muito sorte! [disse Steven]
- Por que ela fez isso? [perguntou Natan]
- Lydia é uma mente complicada, Natan, as vezes parasse está melhor, mas aí ela regride no tratamento, volto a estaca zero! [disse o médico]
- É uma pena, ela é tão jovem e bonita também! 
[disse Natan]
- Sim ela é, senti sua falta ontem, chegou hoje? [perguntou Steven]
- Sim senhor, fiquei um pouco mais com meus pais! [disse o rapaz]


Natan achou melhor não revelar ao médico que tinha passado a noite ao lado de Lydia, por algum motivo omitiu sua noite de vigília a jovem, e também achou melhor não contar a Steven sobre o desenho que havia descoberto, mesmo que considerasse o médico um amigo achou melhor guardar para si.


- Bem, acho melhor você voltar a suas atividades a muito trabalho a ser feito por aqui! [disse Steven]
- Claro, senhor, tenha um bom dia! [disse Natan deixando a enfermaria]


Steven olhava para o jovem enquanto este deixava a enfermaria, o médico sabia que a presença de Natan ali havia sido mais do que uma simples visita, o médico sabia de tudo o que acontecia em Clarita Payne, nada lhe escapava de seus olhos e ouvidos atentos.

 

༺༻


Natan fumava um cigarro na parte dos fundos do manicômio sentado em um caixa de madeira, estrelas enfeitavam a céu e uma brisa leve circulava no ar, Yang que havia ido colocar o lixo viu seu amigo sentado, foi até ele e sentou-se sobre uma pedra de frente para Natan que lhe ofereceu um cigarro que Yang acabou aceitando, os dois ficaram em silencio por algum tempo até que Yang viu que seu amigo estava uma tanto distante, parecia perdidos em seus pensamentos.


- Você está bem? [perguntou Yang]
- Só estou pensando! [disse Natan]
- Em quê, posso saber? [perguntou Yang]
- Em uma coisa que encontrei! [disse Natan]
- Que coisa? [perguntou Yang]
- Nisso! [disse Natan colocando a mão no bolso de sua calça]


Natan tirou do bolso o desenho que havia encontrado e entregou a Yang que logo reconheceu Lydia.


- É a Lydia? [perguntou Yang]
- É! [disse Natan]
- Você que fez isso? [perguntou Yang]
- Não sei, mas é o que parece! [disse Natan]
- Ficou muito bom! [disse Yang]
- O problema Yang, é que não me lembro de ter feito esse desenho, e de como ele foi parar na minha casa! [disse ele]
- Você deve ter feito e não se lembra, deve ter levando para casa! [disse Yang]
- Eu não fiz esse desenho, você não entende, não pode ter sido eu! [disse Yang]
- Então quem foi? [indagou Yang]
- Eu não sei, Yang, mas... Esses traços, a forma do desenho, são meus, isso eu sei, mas não foi eu quem fez, eu não desenhei a Lydia! [disse Natan]
- Então pode ter sido ela mesma, afinal ele também desenha! [disse Yang]
- É pode ser, mas como ele foi para na minha casa? [perguntou Natan]
- Eu não sei, Natan! [disse Yang]
- Eu fui vê-la ontem, passei a noite ao seu lado na enfermaria! [disse ele]
- Ela tentou se matar, roubou um frasco de remédios da farmácia, por pouco não conseguiu! [disse Yang]
- Quando eu a vi ali, eu senti medo, eu não sei explicar! [disse Natan]
- Medo? medo de quê? [perguntou Yang]
- De perde-la, Yang, senti medo de perder a Lydia! [disse Natan]
- Você gosta dela, não é? [perguntou Yang]
- Não, quer dizer, não do jeito que você está pensando, eu não... eu não estou apaixonado por ela, se é o que você quer saber! [disse Natan]
- Têm certeza, porque não é o que está parecendo, Natan! [disse Yang]
- Eu só... quer saber esquece o que eu disse! [disse Natan]


Yang se levantou e deu alguns passos parando em seguida.


- Natan, eu não devia te dizer isso, mas, a Lydia precisa de ajuda! [disse Yang]
- Eu sei, por isso ela está aqui, o doutor Steven está tentando! [disse Natan]
- Não é esse tipo de ajuda que ela precisa, Natan, não é do doutor Steven que ela precisa! [disse Yang]
- Do que você está falando, Yang? [perguntou Natan]
- Esse lugar, ele não é o que parece, Natan, isso aqui é um inferno, a Lydia precisa sair daqui, e você também! [disse Yang]


Natan olhava para o rosto sério de Yang tentando entender do que seu amigo estava a falar, Yang parecia saber de algo sombrio sobre o manicômio.


- Quem é Jason? [perguntou Natan]
- Onde você ouviu esse nome? [perguntou Yang]
- A Lydia que chamou Jason, alguns dias atrás, quem é ele? É o namorado dela? [perguntou Natan]
- É sim! [disse Yang]
- Ela surtou, achou que eu era ele, é por isso que ela precisa de ajuda, Yang. É triste, mas ela tem problemas, precisa desse lugar, e que o doutor Steven cuide dela! [disse Natan]
- Nem tudo que parece é Natan, nossos olhos as vezes nos enganam, boa noite, meu amigo! [disse Yang indo embora]


Mas tarde naquela noite em seu quarto Natan olhava para o desenho, ainda tentando entender de onde ele havia surgido, e como ele havia indo para em sua casa.

༺༻

14 de abril de 1955.


Em seu quarto Lydia continuava deitada na cama mesmo que já passassem das dez da manhã, sua tentativa de suicido havia lhe deixando fraca, por essa causa passava a maior parte do dia no quarto, recebendo apenas a visita de suas pais que vinha visita-la, e de Steven que todos os dias ia vê-la mesmo que a jovem não suportasse sua presença. Naquela manhã três batidas de leve em sua porta a fizeram acordar, sem ânimo ou vontade de levantar a jovem mandou que a pessoa entrasse, assim que a porta se abriu o visitante revelou-se. Era Natan que trazia nas mãos uma pequena barra de chocolates, fazia alguns dias que ele não via Lydia, e nem ela a ele. O rapaz fechou a porta do quarto e caminhou até a cama de Lydia entregando o chocolate a jovem.


- Trouxe para você, roubei da dispensa! [disse ele]
- Espero que não lhe traga problemas! [disse ela]
- No máximo me custara o jantar! [disse ele]
- Eu lhe dou o meu, não se preocupe! [disse Lydia]
- Sendo assim, você parece bem! [disse ele]
- É, na medida do possível! [disse ela]
- Nunca mais, faça aquilo! [disse ele]
- Por que? [perguntou ela]
- Porque, eu não suportaria não ver mais você! [disse ele]


As palavras de Natan entraram nos ouvidos de Lydia como pequenas chamas de esperança, e aqueceram um pouco o coração da jovem.


- Lydia eu não devia, eu sei que não, mas eu gosto muito de você, eu sei dos seus problemas, mas também sei da garota maravilhosa que você é, sei que o doutor Steven está tentado te ajudar, sei também que ele quer você como esposa, mas quando eu te vi naquela cama, tão abatida, inconsciente, eu tive medo de perder você, eu sei que parece loucura, mas foi o que eu senti, e nunca mais eu quero sentir aquilo de novo, você entendeu? Nunca mais faça uma coisa daquela! [disse ele]


Lydia apenas assentiu com cabeça deixando escapar um breve sorriso no rosto, Natan aproximou-se de Lydia abaixando-se e ficando de joelhos perante a jovem sentada em sua cama. Ele passou seus dedos suavemente no rosto dela.


- Eu quero você Lydia! [disse ele]


Natan beijou suavemente os lábios macios da jovem, era o beijo pelo qual Lydia tanto esperou, o amor da sua vida finalmente parecia querer voltar para seus braços. Aquele beijo fez a mente de Natan afasta-se por alguns segundos, seus olhos se perderam dentro do verde dos dela, era uma espécie de Déjà vu, era como se aquilo já houvesse acontecido antes, era fato que Lydia o havia beijado de surpresa a alguns dias atrás, mas aquele beijo que ele deu nela, foi diferente. Em sua mente um fragmento de algo começou a se formar, aqueles lábios eles estavam lá assim como estava agora.


- Eu... eu tenho que ir! [disse Natan saindo rapidamente do quarto]


Natan saiu rapidamente do quarto de Lydia sua mente estava confusa, aquele beijo havia despertado algo dentro dele, uma lembrança talvez, mas que lembrança? Lydia viu nos olhos de Natan que ele havia se lembrado de alguma coisa, mesmo ele não soubesse o que, o impossível parecia ter acontecido. 


- Ele se lembra! [disse ela]

༺༻


Uma música lenta e romântica música tocava no grande salão, um enorme globo de luz girava no teto, casais dançavam abraçados ao ritmo da melodia. Ele podia sentir seu perfume doce, seus cabelos ruivos tinham um cheiro ainda melhor, sua mão segurava de forma delicada a cintura dela, seus corpos tão próximos. 

༺༻


O carro parando em um lugar remoto, uma música rolava no rádio, os beijos intensos e vorazes que tentavam saciar de uma só vez todo o desejo dos dois, a blusa dela retirada com avidez, o calor que emanava de seus corpos esquentava o interior do carro dele, a pele dela era tão macia e lisa, era como tocar em seda, as mãos fortes dele que percorriam por inteiro corpo dela, ela o queria e ele a deseja mais que tudo no mundo naquele momento. 


Algo quente tocou a pele dele, o beijo de repente tinha um gosto estranho, era algo familiar, era algo conhecido. Era sangue. Ao olhar para ela, Natan viu porque o gosto de beijo havia mudado, da boca de Lydia escorria intensamente uma enorme quantidade de sangue, que descia pelo pescoço da jovem que não conseguia falar e fazia ruídos indecifráveis, ao olhar para o pescoço dela, ele viu que um enorme corte que estava presente na garganta da moça.


O rapaz entrou em desespero tentando conter o sangramento com as mãos, mas era inútil, o sangue continuava a escorrer, dos olhos de Lydia saiam lagrimas que se misturavam ao seu sangue. Natan via Lydia morrer sem poder fazer nada para impedir.


- Você fez isso! [disse uma voz]


Uma voz grossa surgiu do nada atraindo a atenção do rapaz por alguns segundos, Natan olhou pela janela do carro e pode ser uma sombra negra, mas escura que o próprio escuro, o rapaz apertou os olhos para ver se conseguia distinguir de quem era a silhueta na escuridão.


- Quem está aí? [perguntou o rapaz]


Então das sombras surgiu uma criatura imensa que aparentava ter mais de dois metros de altura, seu corpo estava coberto pelo que parecia ser uma longa capa negra, com um capuz que lhe cobria a face, e não permitia que o jovem visse o rosto do ser. Mesmo de uma certa distancia Natan pode reparar nas mãos da criatura, elas eram extremamente magras, como as de um esqueleto, o ser não tinha pernas e flutuava acima do chão.


- Quem é você? [perguntou o jovem]
- Você me conhece, tenho observado você a muito tempo! [disse o ser]
- Você pode ajuda-la? [perguntou Natan]
- Ela já se foi! [disse a criatura]


A cabeça dela tocou-lhe o ombro o sangue pingava na calça dele escorrendo e sujando o banco do carro, ele olhou novamente pela janela para onde a criatura estava, mas ela havia sumido. Natan passou as mãos pelos longos cabelos de Lydia os segurando com força, enquanto chorava toda a dor que sentia agora, e não suportando mais a dor em seu peito soltou um grito alto profundo.


-LYDIA!


O pesadelo fez Natan dar um pulo da cama seu coração estava acelerado e batia freneticamente, sua respiração estava ofegante e seu corpo inteiramente coberto por suor, suas mãos tremiam assim como seu corpo, aquele pesadelo havia sido tão real que havia espaço deixado realmente assustado. Natan passou o restante da noite em claro não consegui mais dormir com medo que que o terrível pesadelo voltasse novamente, em seu caderno de desenhos começou a desenhar o ser que vira no sonho, tentando lembrar de cada detalhe da criatura escura e sinistra, aquela não era a primeira nem seria ultima vez que o rapaz a encontraria.

 

༺༻

Abril de 1955.


Beth e Thomas Roden entraram na sala de Steven cumprimentaram o médico e se sentaram, o casal havia sido chamado naquela tarde pelo próprio Steven que tinha algo a dizer.


- Senhor e senhora Roden, agradeço muito que tenham vindo! [disse o médico]
- Nós que agradecemos, doutor, ficamos muito preocupados com o que nossa filha fez, mas o senhor como sempre cuidou de Lydia, muito obrigado[disse Thomas]
- Que isso senhor Thomas, não fiz nada mais do que minha obrigação, sempre farei o que for preciso para o bem-estar da Lydia! [disse Steven]
- Essa tentativa de suicido nos deixou preocupados, pensamos que a Lydia estivesse melhor, ela parecia estar progredindo! [disse Beth]
- Infelizmente os problemas da mente é algo incontrolável, senhora, é como o mar, as vezes na superfície estar tudo aparentemente calmo, mas em suas profundezas uma tempestade se esconde. Assim funciona uma mente doente as vezes calma, centrada, mas aí algo a perturba e tira seu controle! [disse Steven]
- O que vai acontecer com nossa Lydia agora, doutor? [perguntou Beth]
- Bem, é sobre isso que quero falar com você, como vocês sabem a Lydia é muito especial para mim, faço tudo o que posso para ajuda-la a melhorar para que um dia finalmente ele deixe esse hospital! [disse Steven]
- Nós sabemos, doutor e somos gratos, por isso! [disse Thomas]
- Por isso tenho algo importante para falar há, algo que a muito tempo desejo e anseio, e espero que vocês entendendo e me apoiem! [disse Steven]
- Pode falar, doutor! [disse Thomas]
- Quero me casar com a filha de vocês, que tornar Lydia minha esposa! [disse Steven]


Thomas e Beth se olharam surpresos com o pedido do médico, era algo inesperado para o casal eles sabiam do carinho e dedicação do médico para com sua filha, mas não do desejo de casamento de Steven.


- O senhor, quer casar com a nossa filha? [perguntou Beth]
- Sim, senhora, sei que parece algo estranho, afinal Lydia é minha paciente, mas nesses dois anos que venho cuidado dela, acabei me apaixonando por ela, sei que não tenho mais idade para isso, sei também da diferença grande de idade entre nos dois, mas meu carinho e amor por ela é maior que isso eu lhes garanto! [disse Steven]
- Confesso que não estava esperando por isso! [disse Thomas]
- Lhes garanto que minhas intenções são as melhores possíveis, a Lydia precisa de alguém que compreenda seu problema, que a ajude na vida, que cuide dela com a dedicação que ela precisa e merece. E eu sei quais são seus pontos fracos, os possíveis problemas que poderão aparecer ao longo do tempo, infelizmente a filha de vocês vai precisar de ajuda psicológica pelo resto da vida, e eu como seu marido e médico poderia guiá-la nessa jornada tortuosa, se vocês assim me permitirem! [disse Steven]


Thomas pai de Lydia tinha grande admiração e respeito por Steven, via nele um homem de caráter ao qual sempre poderia contar para ajudar sua filha, além de ser um médico respeitado e com uma carreira brilhante.Um homem de poses que poderia dar a Lydia a vida que ela estava acostumada, sua mulher compartilhava do mesmo pensamento, sua filha não poderia encontrar partido melhor.


- Para mim seria uma honra tê-lo como genro, doutor Steven! [disse Thomas estendo a mão para o médico]
- Para mim também, doutor! [disse Beth com um sorriso]


Mais uma vez o médico havia conseguido o que queria, agora com o apoio dos pais de Lydia nada o impediria de tê-la, ainda mais sobre o seu poder. Logo a jovem foi informada por seus pais sobre a infeliz novidade. Ela já sabia das intenções de Steven, mas não esperava que seus pais apoiassem tau loucura, mas era o que havia acontecido agora com o consentimento, seu destino parecia ter sido selado. 

 

༺༻


Natan estava sentado em sua cama lendo um dos livros que havia trazido de sua casa, quando ouviu batidas na porta de seu quarto, abrir deparou-se com Lydia que trazia no rosto uma expressão aflita.


- Lydia! [disse ele]
- Oi, eu posso entrar! [disse ela]
- Claro, entrar! [disse Natan]


O rapaz reparou que Lydia parecia não estar bem já era tarde e assim como os outros pacientes, a jovem deveria está em seu quarto.


- Você está bem, Lydia? [perguntou ele]
- Não! [disse ela]
- O que houve? [perguntou Natan]
- Ele conseguiu convence-los! [disse Lydia]
- Como? [perguntou Natan confuso]
- Steven, ele convenceu os meus pais a aceitarem, ele se casar comigo, Natan! [disse ela]
- O doutor Steven, gosta muito de você, Lydia, seus pais devem saber disso! [disse Natan]
- Como eu posso me casar com um homem que eu não suporto, que não amo, como eu poderia fazer isso? Eu tenho nojo daquele homem, você não pode imaginar como eu tenho, quando ele me toca, quando ele colocar aquelas mãos sujas no meu corpo, quando ele me obriga a me deitar com ele, você não imagina como é! [disse ela chorosa]


Natan aproximou-se da moça afagando seus cabelos, ele a aconchegou em seus braços, a consoando de sua tristeza, os dois ficaram abraçados por um longo tempo, Natan segurou no rosto de Lydia a olhando nos olhos.


- Eu quero te ajudar, mas não sei como! [disse ele]
- Me tirando daqui[disse ela]
- Eu não posso fazer isso, Lydia! [disse ele]
- Você pode, por favor, me tira daqui! [pediu ela]


Natan foi até a mesa de seu quarto e pegou o desenho que havia encontrado e entregou a Lydia, que ao olha-lo chorou ainda mais, ela reconhecia aquele desenho.


- Você sabe dizer como isso foi parar na minha casa? [perguntou ele]
- Eu sempre amei esse desenho! [disse ela]
- Quem foi que fez isso? fui você? [perguntou ele]
- Não, foi você. você que fez, Jason, foi seu presente de aniversario para mim! [disse Lydia]
- Lydia, para de me chamar assim, eu não sou esse tal de Jason, e você sabe, como eu posso te tirar daqui, se você troca meu nome! [disse Natan]
- Porque você é Jason, não Natan, nunca foi, você precisa se lembrar, o Steven fez alguma coisa com você, lobotomia eu acho que é esse o nome, ele apagou suas memórias, ele me apagou da sua cabeça! [disse ela]
- Meu Deus Lydia, eu sinto muito, mas eu acho que não posso ajudar você, eu queria de verdade, mas não dá, talvez o doutor Steven seja o que você precisa! [disse ele]


A jovem soltou o desenho o deixando cair ao chão, as palavras de Natan eram mais uma vez decepcionantes para ela.


- O que eu preciso é que você se lembre, que se lembre de mim e que um dia você me amou, e que eu te amei, e ainda amo! [disse ela]
- SÓ QUE EU NÃO ME LEMBRO, LYDIA! [disse ela alterando o tom de voz]


Nervoso o rapaz acabou alterando o tom de voz aproximando-se de Lydia que afastou-se chorando mais, a insistência da moça para que Natan se lembrasse de algo que ele nem sabia o eu era, o estava tirou do serio e mesmo que nutrisse sentimentos por ela, para ele aquilo já estava passando dos limites.


- Eu acho melhor você voltar para o seu quarto! [disse ele abrindo a porta


Lydia caminhou de cabeça baixa saindo do quarto de Natan, que segurava a porta sem olhar para a jovem, já do lado de fora a moça virou-se novamente para ele.


- Não resta mais nada agora, eu dei tudo para você, e você nem se lembra, e nem quer tentar! [disse ela indo embora]


Natan fechou a porta do quarto sentando em sua cama, levou as mãos a cabeça dando um longo suspiro, sua mente era um turbilhão de pensamentos. Ele estava apaixonado por uma garota louca? Era isso que havia acontecido? Pensava ele naquele momento.

 

༺༻

 


Natan estava fazendo a limpeza dos banheiros quando a porta de abrir, era Michael que foi até um dos mictórios depois de se aliviar caminhou até Natan que continuava a limpar o chão com o rodo. Michael de proposito derrotou o balde que continha a água suja o que fez o liquido escorrer por todo o piso já limpo pelo rapaz que o olhou com raiva.


- Qual é o seu problema? é cego por acaso? [disse o rapaz irritado]
- Ah, que foi? sujei o seu chão, foi? me desculpe é que foi meio desastrado, sabe! [disse Michael com ironia]
- Ou talvez seja só um imbecil mesmo! [disse Natan]
-
Que foi? a noite passado não foi boa? [perguntou Michael]
- Do que você está falado? [perguntou o rapaz]
- Eu vi quando ela saiu do seu quarto, deu um trato nela, não foi[perguntou Michael]
- Me deixa em paz! [disse Natan]
-
Vai fala para mim, ela é bem gostosinha, não é? [indagou Michael]​
- Não aconteceu nada, se é isso que você quer saber! [disse Natan]
- Sei, escuta não tem problema, eu não vou contar para ninguém, eu mesmo já comi aquela vadia, você sabe né? aquela não foi a primeira vez não, teve muitas outras. Aquela garota, nossa. É um tesão, amigo, nunca meti meu pau com tanto gosto, em uma vagabunda como eu meti naquela... [disse Michael]


Não suportando mais ouvir as palavras sujas de Michael, Natan o segurou pela gola de sua camisa e o jogou contra a parede, o enfermeiro tinha quase dois metros de altura, mas foi pego de surpresa pelo rapaz, que olhe lançava puro ódio nos olhos.


- Eu já estou de saco cheio de você e das suas conversas imundas, eu não quero saber o que você faz ou deixa de fazer com esse seu pinto nojento. Se você ousar e chegar perto da Lydia, ou tocar nem que seja em um fio de cabelo dela novamente, eu juro que arranco isso que você tem entre as pernas e faço você comer, nunca mais ouse chegar perto daquela garota de novo, ou eu mato você. Você entendeu, amigo? [indagou Natan]
- Você pensa que pode me assustar seu maluco? O doutor Steven nunca deveria ter trazido você de volta, você é um doente igual a aquela outra demente! [disse Michael]
- VOCÊ ME ENTENDEU? [gritou o Natan]
- Sim! [disse Michael um tanto assustando]


Depois da afirmativa de Michael, Natan finalmente o soltou, mas ainda havia raiva em seus olhos, o enfermeiro recompôs e saiu do banheiro. Um pouco mais calmo o rapaz pegou novamente o rodo e o balde e prosseguiu com sua tarefa, mas parou em segunda, Michael havia dito que ele nunca deveria ter voltado, mas como assim? se ele nunca havia estando em Clarita Payne antes.


Doutor Steven atendia mais um de seus pacientes quando, a porta de seu escritório foi aberta de forma brusca o assustado.


- Doutor Steven, preciso falar com o senhor e tem que ser agora!


Natan estava visivelmente alterado o médico vendo o estado do rapaz, dispensou o interno ao qual estava atendendo e fechou a porta de seu escritório. Steven mandou que o jovem se sentasse para que eles pudessem conversar melhor, Natan relutou, mas acabou cedendo.


- Eu posso saber qual o motivo desse seu nervosismo? [perguntou o médico]
- Eu preciso de resposta[disse o rapaz]
- Reposta sobre o quê? [perguntou Steven]
- A Lydia! [disse Natan]
- O que tem a Lydia? [perguntou Steven]
- Eu conheço a Lydia? [perguntou Natan]
- Ora, meu rapaz, você já trabalha aqui a meses, logicamente a conhece! [disse Steven]
- Não, antes disso, eu já a conhecia antes de vim trabalhar aqui, doutor? [perguntou o rapaz]
- Claro que não, por que você está perguntando isso? [indagou o médico depois de uma longa pausa]
- Porque ela acha que sim! [disse Natan]
- Natan, você sabe que a Lydia tem problemas mentais, não sabe? ela vive entre a razão e o delírio, no mundo real e em um paralelo que ela mesma inventou, você não pode levar a sérios tudo que ela diz! [disse Steven]
- Então, como o senhor explica isso? [perguntou o rapaz estendendo a mão]


Natan entregou o desenho que ele encontrou ao médico, que não demostrou nenhuma reação ao vê-lo.


- Que isso? [perguntou o médico]
- Eu o achei nas minhas coisas, na minha casa, como o senhor me explica isso? [perguntou Natan nervoso]
- Ora, você deve ter desenhado e levando para casa! [disse Steven]
- O senhor não está entendendo, eu não me lembro de ter feito esse desenho, muito menos de ter levado para a casa, como é possível que um desenho da Lydia, que eu não me lembro de ter feito, ter indo parar na minha casa? [indagou o rapaz]
- Talvez a própria Lydia tenha feito o desenho e colocado nas suas coisas, sem que você tenho visto! [disse Steven]
- E foi na casa dos meus pais, entrou sem ser vista, subiu no meu quarto, colocou em uma caixa na minha estante? É isso? [perguntou o jovem]
- Sinceramente não sei o eu você quer que eu diga, Natan, eu não sei como esse desenho foi parar na sua casa! [disse o médico]
- O senhor me desculpe, é que esses dias não estão sendo nada fáceis! [disse o rapaz]
- Tem dormindo bem, meu rapaz? Você parece que não tem tido boas noites! [indagou Steven]
- E não tenho, minha cabeça está uma bagunça! [disse Natan]
- Talvez tenho sido um erro chama-lo para trabalhar aqui[disse Steven]
- O problema não é aqui! [disse Natan]
- O problema é a Lydia, não é? [perguntou o médico]


O rapaz olhou para Steven que entendeu o silêncio de Natan como resposta, o jovem agora havia se tornado uma ameaça para o médico, como já havia sido antes. Steven se levantou e caminhou até a janela olhando para o pátio do manicômio.


Alguns internos passeavam no jardim, outros apenas andavam de um lado para o outro, sentada em um dos bancos estava Lydia, o médico olhava para jovem que parecia perdida em seus pensamentos.


- Acho melhor você se manter afastado dela, é visível que sua interação com Lydia está lhe causando problemas, a partir de hoje aconselho a não mais conversar com ela, afaste-se, ou se achar melhor pode voltar a trabalhar em Garfield! [disse Steven ainda olhando pela janela]


- Talvez seja melhor mesmo! [disse o rapaz depois de minutos em silêncio]


Natan foi até a porta do escritório e antes que o ele saísse o médico falou novamente sem desviar os olhos da janela.


- Natan, as aflições que lhe atingem agora são passageiras, não deixe que as perturbações de quem não pode controlar sua própria mente, contaminem a sua, pode ser um caminho sem volta! [disse Steven]

 

༺༻

18 de maio de 1955.

Domingo.


Lydia entrou no quarto de Steven que a esperava sentado em uma bela mesa onde um mini, banquete estava posto, o médico estava vestido em um de seus belos e caros ternos, ao ver a jovem em seus aposentos dirigiu-se até ela passando de forma suave seus dedos em seu rosto, tentou beija-la mais esta virou o rosto em renúncia.


- Você está linda, minha querida, aliás como sempre, venha sente-se, tenho um vinho maravilhoso que você vai gostar bastante! [disse ele]


O médico conduzia Lydia até a mesa onde colocou em sua taça vinho tinto, e entregou a jovem que continuava em silêncio.


- É um legítimo vinho italiano, de cem anos, raríssimo, para poucos, vamos bêbeda, minha querida! [disse ele]


A moça olhou para a taça por alguns segundos e a colocou na mesa sem beber o vinho contido nela, Steven observou a cena um pouco frustrado, era nítido o descontentamento da jovem por estar ali.


- O que foi? pensei que gostasse de vinho? [perguntou ele]
- Não quero beber! [disse ela secamente]
- Veja mandei preparar um prato especial para você, Lagosta grelhada ao molho de laranja com risoto pesto, uma delícia! [disse Steven]
- Não estou com fome! [disse ela]
- Não seja mal-educada, minha querida! [disse ele impaciente]
- Estou cansada, quero ir para o meu quarto! [disse ela levantando-se]
- Sente-se, você vai ficar aqui, vai jantar comigo, vai dormir comigo! [disse ele]
- Eu estou cansada! [disse ela]
- Seu queridinho, veio falar comigo alguns dias atrás, parecia um pouco perturbado com algo, ou com alguém, você sabe alguma coisa a respeito? [perguntou ele]
- Por que eu deveria saber? [perguntou ela]
- Ele achou um desenho seu na casa dele, foi você quem fez? [perguntou Steven]
- Não, ele quem fez, mas não se lembra, não é? como ele poderia! [disse ela]
- Vou manda-lo embora, e nunca mais você o verá novamente! [disse Steven friamente]


A notícia abalou a jovem. Ela sabia que com a partida de Natan suas esperanças estariam completamente destruídas, e sua vida se tornaria ainda mais insuportável do que já era naquele momento, e seu eminente casamento seria a pedra final derrubaria de fez suas estruturas.


- Eu não vou me casar com você, nunca! [disse ela]
- Então, vou nunca saíra daqui minha queria! [disse Steven]
- Eu prefiro morrer, do que ser a sua mulher! [disse Lydia]


Steven se levantou e foi até a jovem, segurou em seu rosto inclinando a cabeça dela para trás.


- Você já é minha, Lydia! [disse o médico beijando a jovem]


Lydia empurrou o médico se levantando rapidamente, passou a palma da mão sobre a boca em sina de repulsa ao beijo do médico.


- Você me dá nojo, isso é a única coisa que sinto por você, nojo! [disse ela]


A jovem abriu a porta do quarto e saiu em disparada, o médico correu atrás do jovem, mas parou logo em seguida, não ficaria bem para ele ser visto pelos funcionários correndo a trás de uma interna. 


Então voltou ao seu quarto e telefonou para a recepção, onde Michael estava e mandou que ele contesse Lydia a todo custo, a moça correu pelos corredores do hospital assim que passou pela recepção foi agarrada por Michael que a derrubou no chão, o enfermeiro a segurava contra a solo, enquanto Lydia gritava e se debatia. Natan que estava na cozinha jantado ouviu os gritos e logo os reconheceu como sendo os de Lydia, o rapaz correu para a recepção se deparou com Michael e Lydia. A jovem gritava e tentava se soltar das garras do enfermeiro, vendo a cena o rapaz laçou-se contra Michael o empurrado para longe da jovem.


- Tire as mãos deles seu maldito! [disse Natan]
- Só estou fazendo o meu trabalho seu imbecil! [disse Michael se levantando]
- Eu avisei á você! [disse Natan pondo-se de pé]
- Natan, já chega! [disse Steven]


Antes que Natan avançasse contra Michael, doutor Steven interrompeu a discussão.


- Doutor, esse sujeito estava machucando a Lydia! [disse Natan]
- Ele não estava, Natan, fui eu quem mandou ele, conte-la, Lydia se descontrolou! [disse o médico]
- Eu disse a ele, doutor, mas esse idiota não quis ouvir! [disse Michael]
- Pode leva-la para o quarto dela, e lhe dê um calmante! [ordenou o médico]
- Não toque nela! [disse Natan dando um passo à frente]
- Mas o que isso, meu rapaz, Michael, levante a Lydia, e a leve para o quarto, agora! [disse o médico irritado]
- EU DISSE QUE NÃO! [disse Natan alterando-se]


Natan abaixou-se e ajudou Lydia a se levantar, a jovem chorava e tremia, estava nervosa, o rapaz tentou acama-la lhe dando um breve abraço.


- Você está bem? Ele te machucou? [perguntou ele]
- Você não pode ir embora, preciso de você! [disse ela]
- E eu não vou! [disse ele]
- Já chega! [disse Steven puxando a jovem para longe]


Steven entrou Lydia para Michael e mandou que a levasse embora, depois voltou-se para Natan.


- Olha aqui meu rapaz, eu não admito que um funcionário desobedeça às minhas ordens, ou interfira em meu trabalho, você entendeu? O que você pensa que estava fazendo, o Michael é o enfermeiro e acata as minhas ordens... [disse o médico]


O médico falava, mas Natan já não o ouvia, o rapaz parecia distante sua mente começou a ficar confusa, ele fechou os olhos, um dor fina e aguda atingia sua cabeça, e mesmo com os olhos fechados um feixe de luz surgiu.


 E a mesma sensação de déjà-vu lhe ocorreu, do mesmo jeito de quando beijou Lydia, aquilo parecia já ter acontecido antes.


- Lydia! [disse Natan baixo]
- Você me entendeu, Natan? [perguntou o médico]
- Sim senhor! [respondeu o jovem voltado a si]
- Você tem a até o fim do mês! [disse Steve]
- Pra que? [perguntou o rapaz]
- Para ir embora daqui! [disse o médico]
- Mas, doutor, eu... [disse o rapaz]
- Eu não quero ouvir, mais nada, Natan, pode ficar até o fim desse mês, depois é rua! [disse o médico indo embora]


Natan foi até o quarto de Yang que abriu a porta para o amigo, era visível para Yang que algo estava perturbando o rapaz que não parava de andar de um lado apara o outro.


- Você está bem, Natan? [perguntou Yang]
- Eu acho que conheço a, Lydia! [disse Natan]
- Claro que sim, você trabalha... [dizia Yang]
- Não, antes disso, eu acho que a conheço fora desse lugar, Yang! [disse o jovem]
- É... eu... [disse Yang]
- Eu sei que parece loucura, mas eu sinto que a conheço além de tudo isso, aquela garota significa alguma coisa para mim, Yang, eu só não sei ainda o quê! [disse Natan]


Yang sentou-se em sua cama olhando para seu amigo sem saber o que dizer.


- Você está apaixonado, não é? [perguntou Yang]
- Acho que sim! [disse finalmente o rapaz]
-
Você está, dá para ver nos seus olhos, meu amigo! [disse Yang]
- Eu não suporto vê-la aqui, esse lugar não está a ajudando, Yang, só está destruído ela, cada dia um pouco, e agora o doutor Steven quer se casar com ela! [disse ele]
- Casar? O doutor vai casar com a Lydia? [perguntou Yang surpreso]
- Sim, mas ela não quer, ela o detesta, ela me pediu para tira-la daqui, mas como? afinal ela tem problemas, não é? [perguntou Natan]
- Natan, escuta, o doutor não pode se casar com a Lydia, de jeito nenhum, ele vai destruir a vida daquela garota, mas do que já destruiu, você precisa tira-la daqui! [disse Yang]
- Mas ele gosta dela! [disse ele]
- Não, Natan, ele não gosta dela, ela só é uma obsessão dele, quem gosta não machuca, não maltrata, não faz do outro seu objeto de posse! [disse Yang]
- Ele me mandou embora, tenho até o fim do mês! [disse Natan]
- Leve-a com você, salve-a, meu amigo! [disse Yang]
- Como eu vou cuidar de uma pessoa como ela? Não posso torna-la minha responsabilidade, Yang! [disse Natan]
- Mas ela já é sua responsabilidade, Natan, e não é de agora! [disse Yang seriamente]
- Como assim, não de agora? [perguntou o rapaz]


Yang levantou-se e foi até seu armário pegou uma pequena chave e entregou a Natan.


- Vai até a estação, cofre setenta e oito! [disse Yang]
- O que tem lá? [perguntou Natan]
- Você vai ver!


Natan pegou a chave sem entender o que aquilo significava, mas aquela pequena chave desvendaria apenas parte do mistério que o cerava.

 

༺༻


Na manhã seguinte Natan chegou à estação de trem de Guildford, dirigiu-se até a sessão de guarda-volumes onde havia uma parede com diversos cofres, procurou pelo de número setenta de oito. Dentro do cofre havia uma pequena caixa de sapatos, Natan a retirou do cofre abrindo-a e, encontroando em seu conteúdo alguns bilhetes.


O rapaz então pegou a caixa e voltou para seu carro dirigindo de volta ao Clarita Payne, já em seu quarto em fim, Natan começou a verificar o conteúdo dos envelopes e da caixa, o jovem viu logo que se tratavam de bilhetes românticos, com certeza de alguma menina apaixonada devido a escrita adolescente evidente. 


Até ao ler o rodapé de uma das cartas ele viu que havia um nome escrito: Lydia.


Era o nome dela em todos os finais dos bilhetes eram sempre terminados da mesma forma:

Com amor Lydia.
Ao abrir mais um dos envelopes Natan entrou diversas fotos na sua maioria de Lydia, em alguns ela parecia bem mais nova, era como vê-la se tornando mulher a cada foto que ele olhava, haviam também outros desenhos alguns eram de Lydia, outros de paisagens já outros eram desenhos com criaturas estranhas e bizarras. 


Era nítido para Natan que se tratava dele e da jovem, alguns pareciam ter sido desenhados por ele, já outro não. O rapaz segurava uma das fotos de Lydia tentando entender o que o conteúdo daquela caixa significava. E e por quê Yang a em tinha em um cofre? E por quê ele havia lhe entregado?


- Você a encontrou! [disse Yang aparecendo na porta]
- O que significa isso, Yang? [perguntou Natan]
- Isso, só é uma parte do seu passado, Natan, seu e da Lydia! [disse Yang]
- Como assim, meu e da Lydia? [indagou Natan]
- Aquela garota não é maluca, Natan, ela te ama e não é de agora, você também já a amou um dia, só não se lembra! [disse Yang]
- Como eu não me lembraria de uma coisa dessa? como eu não me lembraria dela, Yang? [indagou o rapaz levantando-se]
- Lobotomia! [disse Yang]
- Lobo... o quê? [perguntou Natan]
- Escuta, Natan, fizeram uma coisa com você, com a sua cabeça que eu não sei como, mas isso apagou as suas memorias, pelos menos as que envolviam uma parte do seu passado, que envolvia a Lydia. Você a esqueceu completamente como se ela nunca tivesse existido, apagaram ela dá sua memória! [disse Yang]


Natan olhava para seu amigo incrédulo aquela história não fazia nenhum sentido, ele nunca esqueceria alguém como Lydia assim do nada, e ele com certeza não havia passado por nenhuma seja lá qual fosse o nome. Ele sabia exatamente tudo o eu havia ocorrido em sua vida até aquele momento, não lhe faltava nenhuma parte, ele não sentia falta de nada. Exceto o vazio. O rapaz subitamente se lembrou do vazio que senti as vezes, da falta de algo que ele não sabia dizer do que, que as vezes lhe invadia.


- Eu nuca me esqueceria dela, Yang! [disse o rapaz]
- Mas esqueceu, amigo, te fizeram esquecer! [disse Yang]
- Essa caixa onde você conseguiu? [perguntou Natan]
- Foi a Lydia que me deu, ela pediu para eu guardar em um lugar seguro, ela tinha medo do doutor Steven achar e destruí-la, de destruir as últimas lembranças de vocês dois! [disse Yang]
- O doutor Steven sabe disso tudo? [perguntou Natan]
- Ele é o motivo de você não se lembrar, Natan, o doutor não é o que parece, ele quer a Lydia para ele, só para ele. Por isso ele fez isso com você, apagou sua memória, te mandou para longe, para assim você nunca procura a Lydia novamente. Ele não a ama, Natan, ele vai destruí-la aos poucos até não sobrar nada dela, até que a garota que você gostou um dia esteja morta, e reste apenas um corpo, sem vontade própria, sem sonhos, um nada que ele possa controlar, assim como ele faz com alguns internos daqui! [disse Yang]
- Meus pais, eles nunca deixariam isso acontecer, Yang! [disse Natan]
- Eles fizeram o que acham ser o melhor para você, influenciados pelo doutor Steven! [disse Yang]
- Quer dizer que eu sou esse tal de Jason? É isso? [perguntou o jovem]
- É, é sim, você é Jason Turner, não Natan! [disse Yang]


Em sua cabeça o rapaz tentava processar todas aquelas informações que pareciam ser uma completa loucura, por mais que tentasse ele não conseguiu se lembrar de nada que Yang havia dito a seu respeito.


- Eles não fariam isso comigo, não fariam, Yang, meu nome é Natan Turner e sempre foi Natan, não é Jason, não pode ser! [disse Natan]
- Mas é Jason, eu não posso trazer sua memória de volta, meu amigo, mas uma coisa eu posso fazer, é te mostrar que aquela garota que você acha que é maluca, te ama mais do que ela mesma, por um bom tempo achei que você era o mau para ela, mas não é, você é o que vai tirara-la daqui, e eu sei que vocês vão ser felizes, porque vocês se amam! [disse Yang colocando a mão sobre o ombro de seu amigo]

༺༻


O silêncio da madrugada já predominava o Clarita Payne, Natan entrou no quarto de Lydia com a caixa de sapatas nas mãos, caminhou até a cama da jovem que parecia estar em um espécie de choque, seus olhos estavam abertos fixos olhavam para o teto, pareciam sem vida. Natan puxou uma cadeira e se sentou ao lado da cama, ver Lydia daquele jeito incomodava intensamente o rapaz, era triste até vê-la assim, inerte, praticamente sem vida, só um corpo.


- Eu não sei se você pode me ouvir agora, espero que sim, o Yang me entregou isso, ele guardou para você, lembrar? Você disse que eu lhe dei essa caixa, mas eu não lembro disso, eu vi o que tem dentro, fotos, desenhos, cartas, cartas de amor que você escreveu no que parece para mim, e eu não me lembro. Eu não me lembro de você ou da gente, eu não me lembro, eu não me lembro de me chamar Jason, eu não me lembro de nada disso, Lydia! [disse Natan]


Natan aproximou-se e pegou na mão da jovem que continuava inerte.


- Não me lembro de um dia ter te conhecido, mas quero que você sabia que eu adorei ter conhecido, e não me importa se você é uma interna de um manicômio, não me importa nada, o que importa é que vou tirar você daqui, custe o que custar, eu vou tirar você daqui, Lydia, eu prometo! [disse Natan]

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