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História Ela é o cara... literalmente - Capítulo 3


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Notas do Autor


Olá, como estão? Espero que bem. Não sei onde vocês moram, mas cuidem da saúde. Espero que gostem do capítulo.

Capítulo 3 - Quando a noite chega


••.••

Naruto saiu do banheiro já arrumado, de cabelo preso e usando um vestido laranja. Olhou para Hinata, que estava deitada em sua cama, lendo algo enquanto ouvia música. Achou melhor não incomoda-la.

Estendeu sua toalha, arrumou a roupa suja para lavar depois e sentou na cama. Olhando para a janela, sem ter o que fazer.

Hinata pareceu perceber, pois guardou o livro e tirou os fones de ouvido. – Olá... – ela rolou na cama, sentando de um jeito que lembrava a posição de lótus, mas com os pés embaixo das coxas.

– O-Olá... – Naruto afinava a voz, abaixando o rosto.

– Ahn, Naruko Uzumaki, certo? – perguntou, recebendo um aceno como resposta. A garota o observava, como se desconfiasse de algo, como se pudesse ver através de seu disfarce.

Naruto abaixava o rosto, fingindo estar envergonhado. – A-Algum problema?

– Me desculpe se eu estiver sendo indelicada, mas você é bem alta e forte... – ficou um silêncio por alguns segundos.

– Você também acha que sou lésbica? – perguntou. Dessa vez foi a Hyuuga quem ficou envergonhada.

– N-Não é isso... – evitou contato visual.

– Tudo bem. – sorriu. – Eu já ouvi essa mesma pergunta do diretor e de duas professoras. Acho que é normal pensar assim, por causa do meu físico. Como sou uma garota alta e forte, quem não me conhece, com certeza pensa isso.

– Oh... – Hinata a encarava, ainda desconfiada. – Deve ter sido difícil ficar forte assim.

– Hm, meus pais eram jogadores de basquete em Tóquio, e eu fui treinada desde cedo para ser uma jogadora também, mas aconteceram alguns problemas... Tivemos que nos mudar para cá. – disse.

– Ah, entendo... – ela sorriu. – Uma família de atletas, isso é tão legal. Você deve ter conhecido e jogados em vários lugares. – ela deitou de bruços em sua cama, de frente para Naruto, demostrando interesse na história.

Hinata usava uma blusa lilás larga, que chegava até o meio de suas coxas, mas apesar de ser larga, a blusa não conseguia esconder o belo corpo da garota. Naruto evitou olhar. Era um policial justo e honesto, e estava investigando um caso, não podia se permitir distrações.

– S-Sim... Alguns. – olhou para outro lugar no quarto. – Eu joguei em um time por dois anos. Consegui ajudar o time a conquistar algumas medalhas e troféus para a escola. Enfrentamos algumas das grandes escolas de Tóquio, sempre indo de lá para cá.

– Nossa, deve ter sido tão bom. – ela mostrou um sorriso genuíno. O que deixou seu rosto mais belo, junto de seus incomuns e maravilhosos olhos perolados. – Eu sempre quis sair pelo mundo, viajando, aprendendo coisas novas, conhecendo pessoas novas... – ela se virou mais uma vez na cama, encarando o teto. – As vezes eu consigo me imaginar em um país diferente, fazendo algo que não costumava fazer.

– Por que você não faz então? – perguntou.

– Problemas de família... – ela disse depois de alguns segundos em silêncio. – Apesar de minha idade, possivelmente serei a herdeira das empresas do meu pai.

– Isso não é bom? – perguntou. – Você vai ser a dona da empresa.

Hinata ficou por alguns segundos em silêncio.  – Até que não seria ruim assumir a empresa, mas eu só queria viver como uma garota normal antes.

– O que quer dizer?

A Hyuuga suspirou. – Eu não posso sair de casa, não posso ter uma amizade verdadeira, não posso ir a uma livraria, cafeteria, shopping ou simplesmente passear. Estou sendo privada de minha juventude antes da hora. – sentou de novo. – Meus pais querem que eu chegue na idade adulta já amargurada com a vida, sem amigos, ambições, sonhos ou visão de futuro, tudo para que eu possa me tornar a “herdeira perfeita". – reclamou.

– Assim é difícil...  – lembrou de si mesmo na idade dela. Naruto era apenas um rebelde que não queria nada com a vida, que tinha sua liberdade mas não sabia usar.

– Pode parecer bobagem para você. Uma garota rica reclamando porque vai herdar uma empresa... – sorriu triste. – Mas não custa nada eles me darem um tempo. Eu estou odiando isso de ser obrigada a ficar com a empresa.

– Não, não é bobagem. Eu sei como se sente um pouco. Sem a parte de ser dona de uma empresa. – riu.

– Antes de assumir a empresa eu queria estudar o que eu gosto, passear com as amigas que ainda não perdi, aprender uma língua diferente, conhecer uma cultura diferente, fotografar alguns lugares. – ela dizia entusiasmada. – O mundo é um lugar enorme, cheio de coisas para ver, conhecer e aprender... Se todos podem ter a chance de conhecer um desses lugares, eu não posso também?

Naruto passou apenas a escutar. Apesar da pouca idade, a garota era muito madura. Um pássaro que teve sua liberdade tirada, cortaram as asas e colocaram em uma gaiola. Era assim que Naruto via a Hyuuga.

– Eu vi na internet que tem um jardim enorme em algum lugar do mundo. Seria ótimo ir até lá, passear, sentir aquele lugar, fotografar... – sorriu, e logo suas bochechas ficaram rosadas. – É um dos meus sonhos.

Naruto apenas ouvia o que ela dizia. “Realmente, um pássaro engaiolado.” – pensou.

– Minha vida foi decidida por outra pessoa sem a minha permissão. – o encarou. – Eu vou assumir a empresa, vou me casar com um desconhecido, ter duas filhas, vou trabalhar... E esse é o resumo da minha vida futura. Com altas chances de ser odiada pelas minhas filhas, já que não terei tempo para ficar com delas.

– Isso é como ser obrigada a viver a vida de outra pessoa. – comentou.

– Sim, isso mesmo. – suspirou. – Você me entende.

– Talvez você precise conversar com seus pais. – aconselhou. – Dizer como se sente.

Hinata riu um pouco. – Eu já fiz isso, várias vezes. Por isso estou aqui, para aprender a me comportar. – disse irônica.

– Que situação complicada... – coçou a nuca sem saber o que dizer.

– Mas vamos mudar de assunto. Me fale sobre você. – ela sorria.

– Eu? O que eu poderia falar? – pensou por alguns minutos, escolhendo o que ia dizer. – Bom, eu tenho dezenove anos, nasci em Tóquio, jogava basquete, moro com minha mãe, trabalhava em uma lanchonete, não tenho muitos amigos, nem conhecidos, hm... Acho que é só.

Hinata riu. – Um ótimo resumo. Bem melhor do que as bobagens que eu te fiz escutar. Me desculpe por isso.

– Não, tudo bem. Eu entendo. As vezes estamos tão cheios que precisamos desabafar, mesmo que seja com estranhos.

– Obrigada por me ouvir... – seus olhos ficaram marejados. – Tem sido um tempo difícil e estressante para mim, ainda mais depois da morte de Shion.

– Anh, eu fiquei sabendo. Uma tragédia...

– Eu ainda lembro daquela noite... – disse um pouco assustada. – Foi horrível.

– Você viu o corpo? – Naruto a encarou.

– Eu encontrei o corpo... – respondeu. – Ela era minha colega de quarto. – dizia tentando segurar as lágrimas, mas falhando. – F-Foi horrível. Eu estava tão assustada, e nem sabia o que fazer, apenas gritei. Eu... Eu... – fechou os olhos, levando as mãos aos cabelos, se desesperando.

Naruto percebeu que ela poderia estar tendo um crise e se aproximou, aconchegando a garota perto de si. – Calma, respira... – passava a mão pela costa dela. – Respira, vai ficar tudo bem.

••.••

Depois de alguns minutos Hinata acabou dormindo. Naruto se afastou, indo comunicar a Kakashi a nova informação que tinha conseguido.

– Hinata disse que Shion era sua colega de quarto. – disse baixo. – Ela teve uma crise nervosa, provavelmente trauma daquela noite, está descansando agora. Quando acordar, vou tentar perguntar mais algumas coisas.

– Cuidado para não assusta-la. – Kakashi advertiu.

– Ela disse que encontrou o corpo. E o assassinato aconteceu de noite... – Naruto tentava juntar as informações.

– Será que Hinata pode ter matado aquela garota?

– O que? Não! – Naruto protestou. – Elas eram amigas, e além do mais, Hinata está arrasada, se fosse a assassina, nem teria tocado no assunto.

– Você não deve confiar totalmente em alguém que acabou de conhecer.

– Eu confio na minha intuição. – disse firme. – Nós conversamos, e ela pareceu bem verdadeira para mim.

– Tudo bem. Espero que você não esteja enganado.

Naruto suspirou pensativo. – E sobre a equipe para ajudar na investigação? Você aceita que meus pais participem?

– Eu conheço Minato e Kushina, sei da vida policial deles, e digo que são ótimos. Eu já entrei em contato com eles. Agora, devo avisar Sasuke? – perguntou.

Naruto ficou alguns segundos em silêncio. Suspirou. – Faz parte do trabalho, ser ridicularizado pelos colegas... Pode avisar.

– Certo, você quem sabe.

– Mas espere eu colocar as câmeras primeiro. – pediu. – Vou tentar instalá-las hoje de noite.

– Lembre-se, todo cuidado é pouco. Tenho que desligar, Sasuke está aqui. – disse. Naruto pode ouvir o amigo lhe chamar. – Ei, retardado. Não vai ficar relaxado com essas férias, eu que estou fazendo seu trabalho tedioso. – reclamou.

– Okay, okay. Eu te pago um jantar depois. – disse desligando antes do outro responder.

•• Noite – 22:15 ••

Naruto esperou passar o toque de recolher, e se certificou de que todas do seu andar estavam dormindo. Ele pegou as microcâmeras e colocou algumas no andar em que dormia, e foi colocar nos outros. De longe ele via algumas seguranças andando pelo corredor. Andava devagar, para que não fosse visto.

Depois de instalar treze câmeras ele ouviu um barulho vindo de um dos andares de cima, e decidiu voltar para o quarto. Quando estava no meio do caminho, ouviu um grito alto. As luzes se acenderam e uma sirene tocou. Ele correu para o quarto, entrando rápido.

 – Onde você estava? – Hinata o encarava na porta.

– Fui dar uma volta. – disse baixo, ouvindo gritos do lado de fora.

– O que aconteceu? – Hinata perguntou preocupada, se aproximando da porta, mas sendo impedida por Naruto.

– Não vá... – tentava controlar sua respiração. – Aconteceu algo. – ele abriu a porta um pouco e viu as seguranças na porta de número quinze.

Algumas garotas choravam, outras se desesperavam. Ele via algumas passando, outras tentando ajudar.

– Fique aqui... – disse para Hinata. Saiu, olhando as seguranças carregarem o corpo de uma garota. Sua estatura era média, cabelos loiros, lembrava um pouco Shion. Tinha o mesmo corte de cabelo e quase o mesmo corpo, e tinha sido assassinada do mesmo jeito.

– Saiam do caminho. – uma das seguranças gritava. – Tragam a maca, rápido.

Naruto saiu um pouco mais, para ter uma visão melhor. Ele viu outra garota igual a que tinha sido assassinada desmaiada no chão. Gêmeas?

Uma garota de cabelos rosa e uma loira de cabelos longos voltavam para o quarto dezoito. Naruto se aproximou delas. – Ei, o que aconteceu?

– Parece que Nari Matsumoto foi assassinada. – a de cabelos rosa respondeu, com uma expressão triste.

– Que horror. – a loira agarrou o braço da amiga, tentando controlar as lágrimas.

– Aquela é irmã dela? – Naruto apontou para a outra.

– Sim, Mari Matsumoto, a mais velha das duas. – a rosada comentou.

– Voltem para os quartos! – a segurança gritou. – Quem continuar aqui fora vai ganhar advertência.

As garotas começaram a voltar para seus quartos. E Naruto fez o mesmo. Quando entrou, Hinata ainda o esperava.

– O que aconteceu? – ela tinha um expressão aflita no rosto.

Naruto lembrou da crise que a garota teve mais cedo, não sabia se deveria contar para ela. Suspirou. Mas ela acabaria descobrindo mais cedo ou mais tarde. – Ao que tudo indica... Nari Matsumoto foi assassinada. – disse.

A Hyuuga levou as mãos à boca, assustada. Ela deu dois passos para trás, deixando escapar algumas lágrimas. – Não acredito...

O loiro passou as mãos pelo rosto, frustrado. Sem duvidas o assassino estava na escola. E nos minutos em que instalava as câmeras, o assassino chegou no andar em que dormia, entrou no quarto de número quinze e assassinou Nari.

Hinata foi até sua cama, sentou enquanto deixava algumas lágrimas caírem em silêncio. Ela pegou seu travesseiro, apertando forte. – O que está acontecendo aqui?!

Naruto suspirou, se aproximando. Sentou ao lado dela. – Não fique assim, lembre do que aconteceu de manhã.

Hinata concordou com a cabeça, tentando se acalmar.

Naruto sentiu uma raiva tomar conta de si. Outra garota foi assassinada, e dessa vez enquanto ele estava lá. Ele se sentia culpado por não ter conseguido salvá-la. Apertou os punhos com força, prometendo para si mesmo que pegaria esse assassino.

••.••


Notas Finais


Okay, talvez não tenha sido o que vocês esperavam, mas é necessário para a história. Espero que tenham gostado. Perdão se acharam algum erro, os teimosos fogem de mim. Obrigada por lerem, aos comentários e favoritos. Abraços. 😘


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