História Ela era fria e ele amava o inverno - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.195
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ecchi, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Capitulo novo!
não esquece de deixar um comentario aqui em baixo, gosto muito de ler os recadiinhos que vocês deixam <3

Capítulo 2 - Dia de chuva


Fanfic / Fanfiction Ela era fria e ele amava o inverno - Capítulo 2 - Dia de chuva

No dia seguinte, quase perdi a hora, nem vi o despertador tocar, talvez seja por eu ter ficado acordado até tarde ouvindo musica, mas a questão é eu não tinha conseguido dormir, então fui fazer o que sempre faço, ouvir musica. A musica sempre foi um bom psicólogo pra mim, acho que se não fosse por isso, eu já tinha ficado louco.

A questão é que eu fiquei pensando em Beth e tudo que eu poderia ter feito para talvez fazer o primeiro dia de aula dela melhor, mas eu não fiz nada, apenas assisti ao seu sofrimento assim como todos. Levantei da cama devagar, com uma cara de sono e o cabelo todo despenteado, como um zumbi.

Me arrumei mais ou menos, colocando a mesma calça de ontem e até o mesmo uniforme, por mais amarrotado que estivesse. Calcei o meu tênis esportivo, afinal, teria aula de educação física, uma das aulas que os alunos mais respeitavam, afinal, não tinha que fazer nada além de se divertir, inclusive eu gostava muito. Futebol nunca foi minha praia, mas eu e meus amigos gostávamos muito de basquete, mesmo que nossa altura fosse 1,72.

Minha mãe decidiu me levar para a escola naquele dia, afinal, eu estava muito atrasado, ouvindo isso fiquei muito feliz, não ia chegar soado na escola. No caminho para a escola, fiquei olhando para a janela o tempo todo, ouvindo as noticias pelo radio e pensando em Beth, minha mãe nunca foi boba e sacou que algo estava realmente errado.

-Meu filho, algo te aconteceu?
-Ah, só estou com muito sono mãe. ~Respondi.
-Franklin, eu sou sua mãe, e te conheço bem. Você não dormiu bem né? O que aconteceu? ~Perguntou minha mãe, confiante.
-A gente pode falar isso quando eu voltar da escola? ~Perguntei, querendo acabar com aquele momento tenso.
-Tudo bem, desculpa se incomodei filho. ~Disse minha mãe, chateada.

Eu entendo minha mãe, ela só queria me ajudar naquele momento, mas você que é adolescente vai me entender, nós nunca queremos falar sobre as coisas que acontecem em nossas vidas com adultos, talvez seja por pensar que eles não vão entender, ou simplesmente insegurança, mas uma coisa é fato, seus pais já foram adolescentes assim como você, e querendo ou não, você tem que aceitar que eles podem te ajudar. Mas de qualquer forma, eu simplesmente voltei a minha visão para a janela, onde as casas “corriam” para o sentido contrario do carro.

-Mãe, obrigado pela carona! ~Falei, do lado de fora do carro, antes de fechar a porta.
-De nada meu filho. ~Respondei mamãe, olhando para frente.
-Mãe, me desculpa. Eu só estava com a cabeça quente. Prometo esclarecer tudo. ~Falei.
-Tudo bem meu filho, era isso que eu queria ouvir. ~Respondeu mamãe.

Uma coisa que minha mãe é ótima, são em chantagens. Ela faz você se sentir culpado para pedir desculpas e assim falar tudo que ela queria ouvir. Eu não sei exatamente porque eu falei que ia contar, ela agora ia cobrar de mim, e eu correria dela assim como corremos de quem devemos. Eu realmente odiava falar das minhas problemáticas com as pessoas, mesmo que sejam coisas bobas.

Assim que entrei na sala, era a mesma coisa, um campo de guerra. Alunos pulando em cima de suas mesas, bolinhas de papel voando pra lá e pra cá e juro que naquele dia, até cigarros eu vi dentro da sala. Esse é o grande problema do adolescente, ele acha que as coisas não tem consequências, então por isso tanta farra e tanta bagunça, inclusive, por isso os cigarros. Se sentem “descolados” com essas coisas de “adultos” como cigarros e bebidas alcoólicas.

Me sentei e comecei a conversar com meus dois amigos. Jack e Wallace. Jack era irmão mais velho de dois irmãos, não tinha uma vida social muito boa, apesar de não ser depressivo e essas coisas, mas o problema é que se ele não estava cuidando dos irmãos, ele estava jogando algo online, e por isso dificultava quando chamávamos ele pra algum rolê.

Wallace era filho único de pais separados, e ainda assim não morava com nenhum deles, preferiu morar com os avós maternos, ele disse que preferia morar em uma casa com amor, acho que entendo o lado dele, é difícil escolher entre morar com o pai e mãe. Ele era o mais sociável entre nós, ele quem nos chamava para festas e coisas assim. Também tinha alguns contatos onde conseguir uma boa identidade falsa com cigarros e bebidas. O fato de ter os pais separados, levou ele a se envolver um pouco com cigarros e bebidas na ultima semana, mesmo que já faça 5 meses que eles são separados.

Alguns minutos depois o professor entrou, e todos os alunos pararam com sua algazarra quando viu que o diretor o acompanhava, talvez, só assim para que o professor conseguisse dar aula.

-Alunos, todas as salas de aula agora possuem câmeras, que são ligadas na minha sala, e estarei monitorando principalmente a turma de vocês pelo ocorrido de ontem. Adolescentes me enojam. ~Disse o diretor.

Pela primeira vez na vida eu concordei com o que ele disse sobre adolescentes, eu sou um e sinto nojo de mim mesmo, e isso é triste parando pra pensar. Mas quando ele mencionou o dia de ontem, voltei a pensar em Beth, e notei que ela não estava presente, desviei o olhar de sua cadeira vazia para a janela, gotículas de chuva caiam sobre o vidro, tem algo mais melancólico que um dia nublado? Sempre aparecem pensamentos tristes em nossas cabeças, apesar de fazer um clima bom, com o friozinho, mas mesmo assim, dias nublados não são bons para o psicológico.

Pela primeira vez a sala de aula se manteve quieta, era um milagre. A chuva em um tempo seco e a sala de aula quieta com a presença do professor. Já tinha se passado trinta minutos de aula, e a chuva tinha engrossado ainda mais, era confortante ouvir a sala quieta e os pingos de chuva batendo na janela, ainda mais com o cheiro da  terra molhada que invadia a sala. Assim que o sinal do fim daquela aula tocou e o professor se retirou, todos se levantaram para conversar um com o outro, inclusive eu.

Estava eu escorado em uma das mesas, conversando sobre RPG  e jogos eletrônicos com meus amigos, quando a sala toda se calou e passou a olhar a porta, em seguida, surgiu risadas. Era Beth, toda encharcada por conta da chuva, com o cabelo colado no rosto, o uniforme que era branco mostrava o seu sutiã preto e ignorando todos, ela joga a mochila encharcada no chão ao lado de sua cadeira e se senta.

O próximo professor entra na sala e todos os alunos se calam, mais ainda assim, ficam todos olhando para Beth, com o olhar de juízo final. Eu fiquei olhando para Beth e  depois olhava em volta, a sala toda olhando pra ela como se fosse um alienígena.

-Professor, posso ir pegar algo para que nossa colega possa se secar? ~Perguntei, me levantando.
-Ok, pode ir lá. ~Disse professor balançando a caneta como se não se importasse.

Caminhei até a porta, toda a atenção foi direcionada a mim, eu sei que a partir daquele momento eu iria sofrer bullyng junto com ela, mas eu não podia ficar parado enquanto ela sentia frio e passava vergonha na frente de todo mundo. Fui até a secretaria, onde tinha uniformes que eles emprestavam para aqueles que não tinham vindo uniformizados, era usado, mas pelo menos estava seco.

Chamei por Beth na porta da sala e assim que o professor lhe deu permitiu vir, ela se aproximou.

-Então... Essa camiseta mais limpa você coloca no corpo, e essa mais encardida, você usa para se secar, pelo menos, o que der. ~Falei, entregando as camisetas.
-Muito obrigada, estava congelando. ~Disse ela, recolhendo as peças de roupa e indo para o banheiro.

 A proposito, assim que entrei na sala de aula, as pessoas não riram de mim, mas ainda eu era o centro das atenções. Na hora do almoço, eu estava sentado na frente do meu armário com uns amigos, enquanto lia um gibi de heróis, Dennis veio até mim e chutou o gibi pra longe.

-O que você quer, miolo more? ~Perguntei, sério, me levantando.
-Me chamou de quê? ~Perguntou ele, me empurrando com força no armário.
-M I O L O – M O L E ~Soletrei.
-Você ajuda aquela gótica mais cedo e agora se sente o fodão né? Se liga mané, não atrapalha nossa diversão! ~Disse ele, me dando um soco na barriga, o qual caio no chão.

Enquanto eu caía no chão eu pude ver Beth sentada do outro lado do corredor, observando tudo que estava ocorrendo, e assim que eu recuperei minhas forças para me levantar e olhar direito pra ela, vi Beth correndo para outro lugar, com as bochechas rosadas, pelo pouco que observei dela, ela parecia muito tímida, então o fato de eu observar ela enquanto eu estava no chão, pode ter corado ela de vergonha.

Na ultima aula do dia, com 5 minutos antes de dar o sinal para a saída, Dennis e alguns amigos fizeram uma rodinha no fundo da sala e começaram a discutir algo que eu não conseguia ouvir. Logo que tocou o sinal, todos da sala foram embora, eu como disse anteriormente, gostava de ser um dos últimos para evitar multidão, mas dessa vez, Dennis e uns três amigos também foram o últimos, e quando sobrou apenas eu na sala, eles aproveitaram para me dar uma baita surra, assim do nada, simplesmente porque deu vontade.

Foram uns cinco minutos de pancada, mas parecia uma eternidade. Quando recuperei as forças (novamente), me levantei todo dolorido e caminhei para a saída da escola, Dennis e seus amigos já tinham ido embora enquanto eu me recuperava, então nem se eu quisesse fazer algo, eu poderia, e cai entre nós, eu não levava nenhum jeito com brigas, apanhava feito uma garotinha inocente.

Quando saí do lado de fora da escol a, não tinham muitos alunos, os primeiros dez minutos depois do sinal, são os dez minutos com mais movimento na porta da escola. Então respirei fundo, doeu muito, meus músculos estavam muito doloridos, e então, comecei a caminhar para casa, mancando um pouco.

Ali próximo da escola, vi Beth encostada no muro de uma casa qualquer, segurando o meu gibi que Dennis tinha chutado pra longe, e olhando pra mim, me vendo aproximar dela cada vez mais. Além do gibi, ela carregava um sorriso muito fofo no rosto, e eu não entendi o por quê.

-Isso é seu né? ~Perguntou ela, me entregando o Gibi.
-Sim, é. Muito obrigado ~Respondi, pegando o gibi.
-Eu juro que não li. Mas fiquei curiosa. Gosto muito de heróis. ~Falou ela, sorrindo.
-Poxa, não tinha problema ler, se quiser, eu te empresto. ~Falei.
-Jura? Não vai se importar? ~ela perguntou, animada.
-Pega logo guria! Eu tenho vários em casa. ~Falei, rindo.
-Obrigado! Você é muito legal! ~Falou ela, tomando o gibi da minha mão rapidamente.
-Então... Você pode me acompanhar até em casa? ~Perguntei.
-Ah, era eu quem tinha que dizer isso babaca! ~Falou ela, rindo.
-Ei! Sem clichê de romance aqui! ~Falei, rindo.
-Mas eu aceito. Vamos? ~Falou ela.

Então fomos andando até em casa, conversando, tentando se conhecer um pouco mais, mas ela era muito misteriosa. Ela não falava muito sobre a família, nem nada muito particular dela, nem mesmo o motivo de ela ser tão “fechada” com os outros da turma.

-Bom, minha casa é aqui. ~disse ela, em frente a uma casa simples e bonitinha.
-Ah, fofa! ~Falei.
-Eu sei. Eu amo ela! ~respondeu ela.
-Deixa eu adivinhar... Você não deve ter uma família muito grande. ~Falei.
-É. Eu sou filha única, e mudamos a pouco tempo para a cidade, não temos tempo de olhar muitas casas. ~Falou ela.
-Entendi. Bom Beth, foi ótimo a conversa, mas agora eu tenho que ir. ~Falei, me despedindo.
-Ah, que droga! Podemos fazer isso de novo amanhã? É bom ter um amigo. ~Falou ela.
-Sim, claro que podemos. Desde que eu não apanha novamente. ~Falei, rindo.
-ah, sobre isso... eles são uns idiotas! ~Falou ela.
-Ah, você se acostuma. ~disse eu.

Nos despedimos, ela me deu um beijo na bochecha e foi pra dentro de casa. Fiquei um tempo paralisado e voltei ao meu corpo, e enfim, voltei a caminhar para casa. Cheguei em casa, minha mãe abriu o portão pra mim, tentei disfarçar o meu pé manco e tentei mostrar que meus músculos não pareciam todos moídos. Eu não queria estragar o meu dia fazendo com que minha mãe se preocupasse ainda mais, afinal, eu estava feliz por ter feito a Beth mais feliz hoje.

Com o objetivo de relaxar, fui ao meu quarto, liguei o meu computador e fui jogar uma partida de League Of Legends com meus amigos em uma chamada de áudio pelo Discord, mas decidi ainda não comentar com eles sobre a Beth e que acompanhei ela até em casa, e nem que nos tornamos “amigos” ou simplesmente conhecidos. Isso poderia esperar, um dia eles iriam saber. 



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