História Ela não está lá para segurar sua mão - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias WINNER
Personagens Jinwoo, Personagens Originais
Tags Jinwoo, Winner
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Palavras 1.138
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Literatura Feminina
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Confuso, muito confuso. Viajado, muito viajado.

Capítulo 1 - Perdi um pedaço de algo, acho que foi de mim.


Primeiro era o musgo verde e gosmento que capturava seus olhos, crescendo e se espalhando pela roda-gigante-não-tão-gigante-assim, depois eram as luzes amareladas e néons, junto com o estúpido questionamento de como continuavam quase todas acessas depois de tantos anos. E ele até escreveria poesias sobre se soubesse as escrever e se não se considerasse um grande poço de vazio.

E eram tantas histórias e tantas vidas, tantos cacos de vidro e tantas risadas que se dissiparam como nuvens, um feio e imundo urso de pelúcia e centenas de coisas enferrujadas, era mal-cheiro e água parada, era o lugar preferido de Jinwoo, aquele parque abandonado. E não era como se saltando um dos carrinhos de bate-bate ele não esperasse ouvir o próprio nome ser gritado como melodia melancólica e ruim, faltando apenas a guitarra desafinada, um vocalista rouco e bêbado usando seu nome como letra e um baterista que salvava a banda. E não era como se não ouvisse os avisos da mãe ou como se não estivesse ali justamente por aquilo, com um coração pouco determinado, mas de qualquer forma...

Kim Jinwoo.

Não a deixou gritar mais de três vezes antes de girar sobre os calcanhares com as mãos dentro do casaco muitos números maiores observando a fumaça que se espalhava em frente ao rosto por conta do clima frio. E a silhueta se aproximava cada vez mais antes de se tornar feições bem nítidas, com a pinta na bochecha esquerda e o sorriso meio torto evidentes.

Então ele lhe estendeu a mão enquanto ela se aproximava observando-o por de trás da franja comprida e assimétrica como algum felino selvagem de olhos amarelos e predadores, logo encaixando os dedos silenciosamente (tirando o barulho dos sapatos sobre os cacos de vidro) nos de Jinwoo, aqueles dedos magros, brancos e gélidos.

E era engraçado ouvir o barulho que os passos dos dois pares de pés provocavam ao pisarem no vidro, plástico e musgo. E era engraçado como o céu parecia uma mistura grudenta de rosa, violeta e um azul feio como se fosse um vômito. O que era uma comparação completamente doentia na concepção dela. Para Jinwoo fazia muito sentido.

Jinwoo estava cansando as pessoas com suas idas naquele lugar se tornando cada vez mais frequentes, Jinwoo estava cansando a si mesmo.

Tem comido bem?

Ele a respondeu com um aceno leve com a cabeça. Mas mentia, maldito mentiroso.

Sua mãe anda preocupada, certo?

Não só ela.

Se permitiu responder, sentindo ardor na garganta pouco usada.

Você nunca chorou, Jinwoo. É preocupante até para mim e olha que eu nunca gostei de lágrimas, nem das minhas e nem das suas.

Então ele sorriu com a sinceridade que só conseguia sorrir ali, sobre os cacos de vidro e sob o céu com aspecto de vômito melequento e colorido.

Eu nunca chorei, você mesmo disse, por que choraria depois de tudo? Por que choraria agora? Já você...

E a careta confusa, emburrada ou fosse o que fosse (já que Jinwoo não sabia diferenciar nem mesmo suas próprias emoções quanto mais as dela ou de qualquer outra pessoa) trouxe-lhe o sentimento de se deitar sobre veludo.

No ano novo, quando aquele cara te beijou na hora dos fogos e eu fugi de você por duas semanas.

Ele lembrou desprentensioso. E a careta de confusão se tornou mais distorcida ainda.

... Você me procurou, chorou no meu casaco e blá blá.

Eu lembro.

Tudo bem. 

Os dedos já aquecidos se separaram permitindo que o vento pesado e frio afastasse a quentura e a vontade de permanecerem assim, então um de cada lado se sentaram sobre o banco enferrujado que se encontrava no meio do parque por alguma razão, observando algumas flores que cresciam entre o lixo.

Você tem me visto com frequência demais, Jinwoo. 

Eu sei.

Sabe que isso não é legal, certo?

A pergunta roubou da flor a atenção do jovem escondido dentro do próprio casaco, fazendo com que os olhos escuros dele viajassem até o rosto que lhe estudava e procurassem ali alguma resposta ou o consentimento do silêncio que ele desejava.

Você está falando como sua irmã.

Respondeu por fim depois de alguns minutos, olhando novamente para aquela flor solitária e que pouco coloria o cenário.

Tem a visto?

Algumas vezes. Pelas esquinas, mercado, por aí, sabe...

Entendi.

Ela me beijou esses dias.

E o que você fez?

Eu corri, o que mais eu faria?

Jinwoo sorriu sem vontade de sorrir, mostrando as covinhas e tudo mais sem nem pretender esconder o quão imóvel os olhos estavam e o quão evidente se tornava o fato de que não sorria com sinceridade. Enquanto ela, ah, ela lhe observava como um gato observa um novelo de lã.

De qualquer modo, eu não acho que desejo deixar de te ver ou então permitir que sua irmã passe por isso comigo.

Todos já superaram, Jinwoo. E me ver só denúncia o quão debilitada está sua saúde.

Tudo bem.

Não.

Não mesmo. Nada de tudo bem, nada de tudo bem e ele sabia, sua mãe lhe dizia e todos a sua volta.

Eu sei que não.

Já fazem dois anos e, você sabe, se ela te beijou é porque gosta de você de verdade.

Talvez eu não tenha corrido.

Ele admitiu, levando os olhos novamente às feições doces e infantis da garota de cabelos desgranhados sentada em um postura ereta ao seu lado. Era tão errada a maneira como ela mantia o olhar sereno sobre tudo a sua volta enquanto ele se esforçava para esconder a própria aflição.

Tá tudo bem, Jinwoo.

Eu sinto sua falta, mesmo você estando aqui agora.  

Esfregou o rosto com as duas mãos, duas mãos cada vez mais ásperas.

Eu não estou aqui.

Eu sei.

Eu sei que sabe.

Ela disse apoiando o rosto sobre as duas mãos e levando os olhos até o céu acima de si sem mover a cabeça. E era tão adorável vê-la daquele modo, daquele modo de sempre. E despedir-se dela soava tão injusto e cortante, por isso permaneceu em silêncio mais do que achava possível.

Isso é um adeus definitivo, certo?

Assim como deve ser.

Ela respondeu alcançando novamente as mãos masculinas e bonitas de Jinwoo.

Assim como não quero.

Ele tornou, tocando as bochechas gordas e rosadas dela com a ponta do nariz.

 

E quando o céu passou a lhe lembrar cada vez mais uma xícara de café Jinwoo percebeu que seus pés já lhe carregavam para longe dali, que talvez aquilo fosse sobre recomeços ou começos e não sobre um fim, que deixá-la doía terrivelmente mas que talvez fosse o certo a se fazer, que precisava de um banho e um travesseiro quente e que queria mais do que nunca segurar as poucas mãos daqueles dispostos a lhe ajudar e que, talvez, isso incluísse as mãos pequenas da irmã de sua falecida namorada. 



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