História Ele - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Tags Amizade, Drama, Linguagem Imprópria, Nudez, Romance, Sexo, Trama
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Palavras 2.240
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Eu sou como o sol?


Fanfic / Fanfiction Ele - Capítulo 4 - Eu sou como o sol?

- Não quero que essa madrugada acabe. Não quero me afastar de você – June disse baixinho no ouvido de Chris, que estava recostado em seu peito, os dois sentados na areia da praia vazia, em meio a escuridão.

- Podemos ver o sol nascer. Acho que falta pouco – o rapaz disse baixinho.

- Ou você poderia subir comigo para o meu quarto... – ele sugeriu.

- Já falamos sobre isso... ainda sou funcionário – o rapaz o lembrou e ele fez um som aborrecido, o fazendo rir. – Você sabe lidar muito bem com o ‘não’. Não está acostumado a ter suas ordens questionadas. Não é verdade? – virou-se um pouco para encará-lo.

June abaixou a vista, com um sorriso culpado. – Ok, eu admito que sou meio controlador. Sou bem dominador. Posso ser extremamente possessivo também – admitiu.

- Não gosto de ser controlado – Chris disse, voltando a sua posição inicial, com as mãos sobre as dele.

- Vou tentar mudar. Afinal, foi meio por causa desse meu jeito que... – ele parou antes de concluir a frase.

- Que perdeu seu grande amor? – o rapaz completou. – Não se acanhe em falar sobre ele.

- Eu não aceitei que ele não queria a mim, mas a outro homem, e tentei prejudicar meu concorrente da pior maneira possível. Eu fui baixo e me envergonho muito do que fiz – contou, com voz triste.

O rapaz se desvencilhou do abraço, e se aproximou mais, acariciando o rosto dele com a ponta dos dedos. – O que resultou disso? – perguntou baixinho, o encarando.

- Eu os aproximei mais. Ele apenas criou coragem e se declarou ao meu adversário e eles ficaram juntos. Devem estar namorando desde então – deu de ombros, com um suspiro desanimado.

- Eu sinto muito – Chris disse baixinho, antes de lhe dar um beijo, longo e profundo, para consolá-lo, com promessas de curar suas dores e cicatrizar suas feridas abertas.

Ele não costumava se entregar, mas os beijos de Chris apenas o levavam e ele não conseguia se controlar. Eram como ondas bravias, que não davam espaço, porque chegavam fortes e levavam tudo à sua frente.

Envolvido naquele beijo avassalador, ele apenas o puxou para o seu colo, aprofundando cada vez mais o ato. Suas línguas se misturavam de uma maneira íntima e tudo o que ele queria naquele momento era arrastar aquele jovem doce para a sua cama. Mas sabia que havia prometido ter paciência.

Estava com um virgem em seus braços e aquilo nunca havia acontecido. Aquele rapaz dizia ter 20 anos, mas agora, o observando detidamente, sentindo seu corpo e ficando completamente enlouquecido por ele, parecia ser um adolescente ainda.

O que queria com o rapaz tão jovem? Mas ele era tão doce, e havia se sentido atraído por ele. Que mal faria se aproveitasse um pouco de toda aquela atenção e fascinação que aquele jovem rapaz demostrou por ele? Seria uma troca de favores. O rapaz curaria sua autoestima destruída e ele lhe daria o que quisesse em troca. Afinal, tinha muito dinheiro e poder. Faria com que vivesse no paraíso durante o tempo em que estivessem juntos e, quando fosse embora, ficariam as melhores lembranças daquele tempo.

- Preciso que se demita o mais rápido possível – ele disse, em seus lábios, completamente necessitado de mais acesso ao rapaz, que riu em sua boca também.

Continuaram naqueles beijos ardentes, entre carícias leves, sem nada mais intenso, por pura ausência de possibilidade de poder se aprofundar-se posteriormente. Estavam na praia, mas era uma área particular que poderia ser vigiada. E mesmo, June queria dar a Chris a privacidade que merecia quando o tocasse mais intimamente. Era um gentleman, um homem fino e educado, um aristocrata que estava louco para esquecer toda a sua boa criação e esbaldar-se naquele rapaz.

Estavam esquecidos do mundo, entre beijos e carinhos quando os primeiros raios do sol surgiram no horizonte. O rapaz deixou seus lábios para observá-los e June achou incrível ver seu rosto banhado por aquela luz.

Chris observou por vários minutos o espetáculo da chegada da manhã, com um sorriso nos lábios e chamou a atenção de June para fazer o mesmo. Foi a primeira vez, em toda a sua vida, que o mais velho parou para prestar atenção naquilo, olhando toda aquela luz, sob a ótica do jovem rapaz.

- É lindo! O dia vai chegando devagar. Ele vai embora em tons de rosa e laranja, mas chega todos os dias em tons de amarelo e azul. Quando os primeiros raios tomam o horizonte limpo, é como se o sol dissesse bom dia a noite... ela se despede e ele toma tudo... se apodera... domina. Ele é meio como você, dominador, controlador e possessivo – o rapaz riu com a comparação que tinha acabado de fazer.

- Eu sou como o sol? – June riu, levantando as sobrancelhas.

- Sim, você é forte, dá a impressão de poder, e domina tudo ao seu redor.

- E você? – perguntou, mas Chris não respondeu, apenas se calou, observando o sol, recostado no peito e sentado entre as pernas de June, que o abraçava protetoramente.

- Acho melhor nós irmos. Você precisa dormir – o rapaz disse, se afastando do corpo dele.

- E você?

- Eu também preciso descansar um pouco.

- Quando nos vemos? – ele indagou preocupado. – Vai se demitir do hotel. Não vai?

- Não sei se ainda vão querer que ao menos cumpra o restante da semana – deu de ombros. – Mas eu vou resolver isso hoje, prometo.

- Nos vemos no bar da piscina, à tarde?

- Provavelmente – ele assentiu.

- Até mais tarde, sweet boy!

- Até mais, my dream!

Eles se levantaram e voltaram para o hotel de mãos dadas. No portão de acesso à praia, trocaram um beijo apaixonado. Chris foi para a área de funcionários e June entrou no hall, subindo para o seu quarto, pelo elevador social.

Era a primeira vez, desde que havia chegado àquele hotel, que ele ia dormir sóbrio. Primeira vez, também, que conseguiu observar o quarto em que estava.

Era quase um apartamento, com sala, onde havia uma mesa com quatro lugares, sofás e TV, quarto enorme, cama gigante, sacada com mesa e duas espreguiçadeiras, vista exclusiva para o mar e uma piscina particular. No banheiro havia uma banheira confortável. Chris iria gostar de ficar lá, pensou e riu sozinho, porque não conseguia tirar aquele rapaz da cabeça. Estava inebriado por ele.

Depois de tomar um longo banho no chuveiro de 12 duchas que massageavam todo o corpo, ele se deitou naquela cama gigante e não demorou a dormir, embalado pelas lembranças daquela noite atípica, e incrivelmente gostosa, que tinha passado com o rapaz.

***

Estaria fazendo a coisa certa, em largar seu emprego no maior resort das Maldivas, para se lançar de cabeça em um caso com um homem bem mais velho, que em algum momento iria embora e o deixaria para trás?

Não. Definitivamente não estava fazendo o certo. Se contasse o que estava prestes a fazer à sua mãe, ela o chamaria de louco e perguntaria onde estava todo o juízo que sempre demostrou ter. Afinal, sempre havia sido ponderado e ajuizado. O que estava fazendo então?

Deveria bater na porta do quarto dele e dizer que não podia fazer aquilo. Era loucura demais e ele não tinha condições a ser tão irresponsável. E o dinheiro para a faculdade? E os planos que traçou para si, quando colocou a mochila nas costas e saiu do Novo México? Até ali havia feito tudo à risca e estava dando certo. Mas aí, aquele homem apareceu no bar em uma noite, e sua vida virou do avesso.

O que viu naquele homem? Um bêbado trôpego que pouco falava e estava em processo de autodestruição. Talvez fosse a tristeza que via em seu olhar. A amargura em seus gestos, a infelicidade que o cobria inteiro. Seu coração apenas se apertava quando o via se afogar em doses de tequila, noite após noite.

Ficou totalmente obcecado por ele. Era meio doentio. Não tirava mais suas folgas, porque temia que ele, o tal bêbado, fosse furtado ou caísse ao tentar voltar para o quarto sozinho. Passou a se sentir responsável por sua vida, desde que resolveu o levar para o quarto na primeira noite.

Não havia feito grande coisa naquela noite, porque era comum funcionários agirem de maneira semelhante, mas foi a constância que gerou a obsessão, e o fez dobrar o horário para ficar até o fim da noite para ampará-lo.

Então uma colega pediu que cobrisse seu horário na piscina, à tarde, e ele o encontrou lá. Sob os raios do sol ele era mais bonito ainda, embora a barba estivesse crescendo rápido. Cuidou de sua ressaca e recebeu uma bela gorjeta. Mas o que lhe valeu o dia mesmo foi o sorriso que ele lhe deu, como agradecimento por sua atenção.

Foi o bastante para pedir para ficar trabalhando também naquele horário, todos os dias, no bar da piscina. Quase não descansava mais. Estava enlouquecendo por se sentir atraído por um bêbado desconhecido? Sim, estava.

Não contou o que estava acontecendo à sua melhor amiga, nas ligações trocadas, porque tinha medo de ela pensar que estava usando drogas. Tinha vergonha de admitir que estava vivendo uma paixão platônica por um homem que, bem... parecia muito hétero.

Nunca havia se apaixonado em sua vida. Não tinha tempo para isso. Sempre havia sido muito focado em seus objetivos. Vinha de uma família pequena e pobre. Era só ele a mãe. Nunca conheceu seu pai e ela nunca falava dele, então não perguntava também, para não a aborrecer. Não tinham muito, mas também não passavam grandes necessidades.

Ele estudava muito, pensando em um dia poder dar a mãe uma vida boa. Ela era enfermeira e trabalhava em dois turnos para sustentar a casa. Às vezes trabalhava como cuidadora à noite e ele ficava sozinho. Talvez por isso havia amadurecido tão rápido, pois tinha de se virar sem ninguém.

Só saiu de casa depois de terminar a escola e sua mãe se sentir segura o suficiente para encontrar um novo amor. Ela havia se casado com um enfermeiro, como ela, que lhe dava uma vida confortável. E ele achou que era sua vez de seguir em frente. Mesmo a mãe dizendo que poderiam fazer um empréstimo universitário, ele negou e resolveu seguir seus planos.

Iria realizar seu sonho e viajar pelo mundo, trabalhar nesse meio tempo, juntando dinheiro para realizar outro sonho, a faculdade de direito. Já havia passado por vários países e trabalhado nas mais variadas funções, conseguindo juntar uma quantia razoável.

Só não se maldizia mais com sua paixão platônica, porque ela estava lhe rendendo bons ganhos com os turnos dobrados e dupla jornada, embora soubesse que era apenas uma loucura da sua cabeça. Tinha esperança de um dia o homem simplesmente não aparecer mais no bar, ir embora, e ele voltar ao normal.

Mas aconteceu ao contrário. O homem o enxergou. Finalmente o viu e... era gay, tão gay quanto ele. Era apenas bom demais para ser verdade. Mas conseguiu ficar melhor. Ele o queria.

Chupa, mundo!

E agora, lá estava ele, cometendo a maior loucura da sua vida. Iria largar tudo para ficar com aquele homem em férias no resort.

Parecia uma loucura, mas não era, pensava enquanto andava em direção ao setor de recursos humanos do resort. Já tinha tudo planejado em sua cabeça.

Nem havia dormido naquela manhã, apenas pensando sobre certo e errado. Não era errado, concluiu no final.

Nada o prendia nas Maldivas. Viveria sua paixão por June até ele ir embora, depois pegaria uma mochila e seguiria viagem, em busca de outro país e outro emprego. Estava apenas se dando uma folga para viver sua aventura amorosa. Afinal, merecia, depois de se bloquear até ali. Nunca havia se dado uma oportunidade.

Não mentiu quando contou a ele que era virgem. Tudo o que lhe disse era verdade. Nunca havia se apaixonado antes. Ser gay no Novo México não era exatamente simples. Havia preconceito e a área que morava não era das mais seguras. Sua mãe sabia de sua sexualidade e sempre lhe dava tantas orientações, que chegavam a lhe assustar. Ele tinha pavor de ser atacado e agredido por gostar de garotos. Então apenas os observava discretamente de longe, fazendo o possível para não ser notado.   

Já havia beijado alguns poucos, mas tinha medo de seguir para a segunda base. Eram jovens como ele, mas afoitos e pouco carinhosos. Queriam apenas usá-lo e isso ele não queria. Então se negava e fugia.

Sua melhor amiga dizia que ele era bonito demais para ficar sozinho e virgem, mas ele não acreditava muito nela. Então June disse que ele era uma tentação e que o queria, e ele estava encantado por aquele homem mais velho e tão apaixonante.

Sim, estava louco e cometendo o maior erro da sua vida, ou não, mas tinha direito de fazer isso, porque andou na linha tempo demais. E quando tudo acabasse, apenas colocaria sua mochila nas costas e iria embora. Estava ciente e consciente disso. Não tinha nada a perder, além de sua virgindade, que já ia tarde, e seu coração, que estava disposto a colar os caquinhos depois.

Não abriria mão daquela oportunidade. Viveria sim o seu grande amor com aquele homem mais velho e que sua mãe e sua melhor amiga cuidassem das suas vidas. Esse foi seu último pensamento antes de entrar naquela sala, decidido a demitir-se.


Notas Finais


Acho que perceberam que eu mudei a imagem para Chris.
Achei esse mais expressivo...


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