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História Ele. - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Parte dezessete.


Ontem Piere foi embora com o corpo da menina. Não posso acreditar que ele estava fazendo isso com Vincent; aliás, estava quase fazendo, quando eu intervi. “Isso vai realmente ser um problema! Por que não entrega logo o menino?” “Aconteceu exatamente como você disse. Me apeguei.” Discuto com as vozes. Eu adoraria realmente matá-lo, mas não posso fazer isto, por que é ele quem dá o dinheiro de que preciso. Aquele trabalho como professor não me proporcionaria nada. Bem, nada além de uma mulher escandalosa no meu pé!

Enfim, hoje já liguei para Adelle para me demitir por que “tive que viajar urgentemente”, então estou em casa. Eu mesmo preparei o café da manhã hoje e estou comendo, mas algo está errado. Vincent ainda não acordou; está no quarto de hóspedes, dormindo como uma pedra. Parece até que não quer acordar! Às vezes ouço gemidos dele acordando e em seguida se deitando para dormir novamente. Penso em maneiras de fazer ele se levantar, mas não consigo escolher alguma forma. Parece que está num estado profundo de isolamento; é estranho, sem contar perigoso.

Enfim uma ideia passa por minha cabeça e decido fazer isso! Tranco tudo e deixo um bilhete para ele, dizendo que estou saindo para fazer compras. Saio de casa e vou andando até o metro, onde compro uma passagem e parto para Grays, visitar uma pessoa que não vejo há muito. Após às duas horas que levo para chegar ao meu destino, caminho pelo Grays Beach Riverside Park, em direção à casa de Cameron H. Anderson, um estrangeiro que veio para Londres durante sua adolescência, por causa de uma bolsa que ganhou para o Imperial College London; e, de alguma forma, ele acabou por se mudar para grays.

“Ele é um gênio; o conheci durante o colegial, depois de minha avó ter conseguido minha transferência. Estudamos juntos por três anos e ele foi minha primeira paixão, diga-se de passagem.” Penso, enquanto aprecio a paisagem que se estende à minha direita: um lago, não muito longo, que possibilita a visão do outro lado de Londres. As luzes que a cidade emite se espelham no lago e causam uma sensação de melancolia, quase que nostálgica. “Não o vejo desde que vim o visitar quando acabei a faculdade.” Continuo pensando. “Não pense naqueles tempos.” As vozes dizem.

Enfim chego em sua casa; dou um enorme suspiro, me preparando para vê-lo, e bato à porta. “Espere um pouco!” Uma voz de dentro grita. Depois de alguns segundos, a porta finalmente se abre. É ele. É realmente ele. É sua voz grossa porém amável. É sua pele levemente bronzeada. São seus cabelos negros como a noite. São suas mãos fortes. É sua boca que exibe o mais tentador sorriso. São suas discretas covinhas. É ele, e eu gosto de cada mínimo detalhe. “Olá!” Ele exclama ao me ver.

“Oi!” Também o cumprimento, tentando imitar sua animação. “Como vai? Nossa, está a mesma pessoa! E em pensar que já se passou, deixe-me ver… dez anos?” Ele continua falando, ainda animado. Eu gostaria de dizer que ele também não mudou, e que isso me deixa completamente estasiado. Minhas mãos estão tremendo e, se eu já não tivesse chorado de raiva ontem, por causa de Vincent, estaria chorando agora; como eu adoraria pular em cima dele neste exato momento! “Sim, não é mesmo? Estou bem, e você?” Tento parecer o mais comum possível. “Estou ótimo! Entre, vou te apresentar minha família!” Ele diz, me dando passagem para entrar.

“Família?” Pergunto, entrando sorrindo, mas morrendo internamente. Eu sabia! Eu sabia que devia ter terminado com aquilo naquela época, mas não fui capaz e agora esses sentimentos estão voltando a tona! “Eu estou sempre certo, mas você não me ouve!” As vozes dizem. “Sim!” Ele responde. “Tenho uma esposa e uma filhinha! Munique e Harley são minhas princesas!” “Entendo! Deixe-me conhecê-las!” Digo, tentando fingir que estou bem. “Você sabia que ele não gosta de caras! Aquela vez foi só uma exceção! Ele te chutou, por que ainda gosta dele? Eu avisei!” As vozes gritam desesperadamente.

Ele acena com a cabeça e eu o sigo até uma sala de estar. Nos sentamos e ele chama por “Munique”, sua esposa. “Olá!” Ela me cumprimenta. Ela é animada assim como ele; eu não mataria ela, é branca de cabelos castanhos e não lembra em nada minha mãe. “Olá! Sou Edgar Holmes, estudei com Cameron no ensino médio!” “Nossa, que legal! Me chamo Munique e sou a esposa dele! Prazer em conhecê-lo!” “O prazer é meu!” Conversamos enquanto o clima fica cada vez mais pesado. Acho que ela percebe algo errado, pois, se agarra com ele como se estivesse protegendo um tesouro, sendo que é ela quem o roubou.

“Bem, tenho que ir. Trabalho como jornalista e já estou atrasada.” Ela diz, por fim, e sai do local. “Sua família é linda!” Digo, bebendo o chá que Munique me serviu. “Eu sei…” ele diz, parecendo agora um pouco triste. Eu não sei o que está havendo; subconscientemente nutri algum tipo de esperança desde que nos vimos pela última vez e pensei que talvez ele também estivesse fazendo isso, mas não está. Está casado e tem uma filha de sete anos. Seus olhos não exibem mais aquele predadorismo, agora parecem mais calmos, mais domáveis. “Posso perguntar por que veio?” Ele pergunta. Aceno e explico:

“Preciso de um bolo. Acho seu trabalho o melhor. Ainda está praticando isso?” "Sim. Nunca pararia de fazer o que amo." Ele responde e me quebra. “Viu? Ele confirmou!” As vozes gritam e eu concordo mentalmente. “Que bom! Precido de um de uns três andares e de morango.” Digo. “Tenho um assim na cozinha. Espere só um minuto.” Ele responde e eu aceno. Ele se levanta e anda até uma das portas, que aparentemente é um corredor.  

Toda essa situação é tão desconfortável. Aposto que conseguiria achar algo assim em um livro! Mas é culpa dele, por desistir de mim e se casar tão sigilosamente! “Aqui!” Ele diz, enquanto se senta novamente depois de alguns minutos, com um bolo cor-de-rosa. O bolo tem três camadas e decorações de flores brancas. “Este é perfeito.” Digo, prestando atenção nos detalhes que farão os olhos de Vincent brilharem. Espero que ele goste.

Estou prestes a perguntar quanto custa o bolo, quando, de repente, ele se inclina em cima de mim. Me empurra, me deitando no sofá e fica por cima de mim, prendendo minhas mãos para que eu não fuja, e me olhando com aqueles olhos que agora se tornaram os olhos do mais temido predador. “Me larga!” Digo, deixando claro que não estou feliz como essa situação, mesmo que esteja ânciando por ele. “Não minta! Eu sei que me quer!” Ele grita, apertando ainda mais minhas mãos. Meu coração está palpitando e meu rosto está corando; ele está certo. Quero ele. Quero sua atenção. Quero seu amor. Quero sua esperança. Quero seu corpo. Quero tudo!

“Porquê?” Pergunto e ele diz, aproximando seu rosto do meu: “Quando te vi, lembrei o quanto é lindo. Quero você, e sei que me quer.” Ele responde. Seu rosto está lentamente se aproximando; seus olhos lentamente se fechando; seus lábios lentamente se abrindo, quando viro o rosto, me recusando a lhe beijar. “Foi você que me largou. Disse que ninguém aprovaria e que sua família não pode perder a boa reputação. Foi você quem quis isso.” Digo, permitindo que uma ou duas lágrimas escorram por meu rosto, até caírem e se esparramarem pelo tecido do sofá.

“E você não sabe o quanto me arrependo disso! Não suporto os problemas de Munique e Harley não é minha filha de verdade. É filha do casamento anterior de Munique. É malcriada e estranha. Eu queria formar uma família com você! Eu era estúpido naquela época! Me perdoe, por favor! Sou o único que sabe o que você fez com sua mãe!” Ele grita e, apenas quando termina, vê o choque em que me encontro. Meu coração está quebrado e meu peito está doendo. Minhas lágrimas chovem no tecido e menhas mãos tentam se libertar das suas. “Me solta, filho da puta!” Grito e ele me solta, saindo de cima de mim e se sentando no sofá. Me levanto com rapidez e pego minha carteira.

“Aqui!” Digo, ainda com raiva, lhe entregando seis libras para pagar pelo bolo e me preparando para ir embora. Ando rapidamente para a saída e ele me segue. Quando estou abrindo a porta, ele segura meu braço esquerdo e diz, com a cabeça baixa e a respiração ofegante: “Irei te visitar. É melhor se preparar, por que, agora que lembrei do sou rosto rodeado de confusão, não vou exitar em te fazer meu.” Me solto e saio de sua casa, correndo em meio ao desespero e às lágrima, em direção à estação de metro.



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