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História Ele. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Parte três.


O garoto está amordaçado e acorrentado no porão. Coloquei água e comida ao seu alcance para que não morra de fome ou sede e deixei a luz ligada. Estou completamente desesperado; encrencado; fodido! Estou derramando o melhor vinho da adega e tentando pensar no que fazer. “Ele é problema, estou falando! Devia mata-lo ou vende-lo!” “Mas não mato homens, e se vender posso ser descoberto!” “Então faça isso! Deixe que ele more aqui pra sempre!” “Não é uma má ideia!” “Ele vai acabar te matando!”

Espanto as vozes pra fora da minha cabeça e decido ir falar com o menino, talvez ele seja útil pra algo. Ando até a lavanderia e abro o porão. Desço as escadas e ele começa a se debater como um cachorro que vê o dono. “Calma, calma!” Digo, tirando a mordaça de sua boca. Ele se acalma e não diz nada, apenas me olha com um olhar cheio de medo, raiva e curiosidade. “Qual é teu nome, em?” Pergunto. “Vincent Poe…” Ele responde com a voz baixa e rouca.

“Sua voz está ruim, por que não bebe?” Pergunto e ele nega com a cabeça. “Como ele ousa desobedecer?” Penso. Ando até ele, seguro seu queixo e obrigo ele a beber ao menos um pouco da água. “Primeira regra: não me desobedeça!” Digo. “Já que não vai falar, estou indo em bora. Tente não morrer de sede!”

“Espera! Onde estou? Quem… quem é você?” Ele pergunta. “Meu nome é Edgar Holmes, e você está em minha casa, no porão.” Respondo. Ele começa a chorar e implorar por sua vida como a maioria das vítimas faz e eu me enjoo. “Não vou te matar, idiota! Só não sei o que fazer com você.” Comento. “Por que me sequestrou?” Ele pergunta. “Por que te confundi com outra pessoa…” Respondo.

Ele abaixa a cabeça e eu espero sua próxima fala. Espero algo comum como “não me mate” ou “eu faço qualquer coisa”, mas, na verdade, me assusto com o que sai de sua boca; “eu sou nojento. Pior que você.” Ele diz. “Por quê?” Pergunto. “Eu gosto disso. De ser machucado ou maltratado.” Responde. “E o que tem?” Pergunto. “Você não acha estranho ou incomum?” Pergunta. “Não. Eu gosto de machucar.” Respondo. “É por isso que está fazendo isso?” Pergunta. “Pode-se dizer que sim.” Respondo. “Se não é por isso, então o que é?”

Entre esse jogo de perguntas e respostas, ele faz uma pergunta “proibida”; “eu disse que era pra você matar ele! Agora olha só, já está apegado!” “Cala a boca! Óbvio que não tá! O menino só fez uma pergunta, não tem culpa do nosso passado!” Penso. Mesmo que saiba que ele não sabe de nada sobre minha mãe, ainda me sinto acusado, então, sem quaisquer explicações, saio do porão, trancando-o novamente. Ele não faz objeções.

Faço a mesma rotina de sempre para dormir e, após prováveis quatro horas de sono, começo a sonhar, o que é bem raro, para dizer a verdade. Tudo começa escuro; apenas o escuro. Mas começo a ouvir vozes: crianças gritando, musicas carnavalescas, buzinas; esse tipo de coisa. Depois sinto cheiros: pipoca, doces e suor, muito suor. Sinto que estou segurando alguma coisa em forma de cone e, de repente, alguém esbarra em mim, me fazendo abrir os olhos.

Estou num parque de diversões. Crianças correm de um lado pro outro e pessoas em barracas vendem doces, pipoca e fornecem jogos comuns. Há palhaços alegrando umas crianças, um vendedor de balões e um homem vestido em listras coloridas num monociclo. Percebo que estou segurando um algodão-doce e como um pedaço. Inclusive, eu também sou uma criança. Em certa hora, os alto-falantes, que estão presos a postes distribuídos por todo o parque, começam a dizer que o circo vai começar em breve.

De repente, coelhos antropomórficos começam a puxar as crianças para a tenda que está armada no centro do parque. Esses coelhos carregam bolsas e estão de batom vermelho. Eu também começo a ser puxado e fico desesperado, tentando fugir. “Precisamos ir! Vamos! Vamos ao circo!” As vozes falam e eu fico ainda mais desesperado! Não consigo respirar; não consigo me mover; eu quero morrer, eu quero! “Ah, ah!”

Acabo entrando no circo e, por meio de uma esteira que não me deixa sair, sou levado até meu assento. Me sento e percebo que todo o público é mulher. Todas são mulheres, de bolsas e batons vermelhos. “Quero matá-las, quero! Quero morrer, quero!” As luzes apagam e um holofote é lançado para um homem que está no centro do palco. É meu pai! Ele está lá! Com um terno e um chapéu!

"Senhoras, senhores e coelhos de todas as idades! Sejam bem-vindos ao circo des mauvais souvenirs!” É meu pai mesmo! É ele! Ele até corta as frases começando a falar francês, sua língua nativa! Pai! Corro entre os outros assentos tentando chegar até ele, mas as mulheres tentam me agarrar e me puxar para elas! De relance, tentando não desviar a atenção de meu pai, olho para as mulheres, que estão descascando!

Como bananas, elas perdem suas peles, se tornando coelhos; só para, em seguida, se descascarem de novo! Elas ficam com apenas seus órgãos e ossos, sangrando, me sujando de sangue e me agarrando, clamando por ajuda! Me desvio delas e, enfim, chego até meu pai! Só que, por algum motivo, ele também se descasca! Ele se transforma numa fênix, também antropomórfico! Antes dele se destacar pela última vez, tento prende-lo, colocar sua casca de novo, mas não consigo!

As mulheres sangrentas vão até ele e o descascam a força, arrancando seus órgãos e comendo-os! Eu grito, berro, choro, sofro, morro, grito; nada funciona, nunca! “Agora, voltem para seus lugares e apreciem as ciâmesas!” A voz dele diz pelo ar e todas as mulheres vão para seus assentos. Eu permaneço sentado no chão; chorando; sofrendo. Uma mulher, ou duas mulheres, que dividem o mesmo corpo, aparecem.

Elas entram desengonçadas, discutindo. Seu vestido está dividido ao meio: parte azul, parte rosa. Elas param bem em minha frente e fazem uma reverência tão desengonçada quanto sua entrada. “Olá a todos!” Elas começam. “Eu sou Haldol!” Uma delas diz. “E eu sou Aripiprazol!” A outra termina. “E nós resolveremos todos os seus problemas!”

De repente, um palhaço, vestido todo em tons de vermelho, joga um balde de sangue em cima das gêmeas, que derretem lentamente. Em seguida, ele diz: “Olá a todos! Eu sou o palhaço Citalopram, e farei vocês darem boas gargalhadas!”

Ele ia jogar um balde de sangue em mim também, quando uma enfermeira; aliás, um enfermeiro, de vestido cor-de-rosa e uma seringa em mãos, dá uma facada nele. O palhaço cai desfalecido no chão e o enfermeiro vem até mim. Quando ele chega bem perto de mim, vejo que é Vincent. Na seringa, há a palavra amor. “Vou te aplicar um pouco disso, tudo bem?” Ele diz numa voz calma e afetuosa. “Vai te deixar mais feliz!” Aceno e ele me aplica a injeção, enquanto me beija.



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