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História Ele. - Capítulo 30


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Capítulo 30 - Parte trinta.


Gotas de suor brotam em minha testa e meu coração palpita cada vez mais forte. Meus olhos estão arregalados e minha boca puxando e expelindo pesadamente o ar por entre meus pulmões. Espreito por entre a frecha da cortina os policiais cercando minha casa e as pessoas se aproximando curiosas para ver o que se passa na misteriosa mansão. Vincent está na porta da sala e já entendeu o que está acontecendo apenas por ouvir as sirenes de polícia que berram incessantemente.

Engulo meu desespero empurrando-o pela minha garganta e tento calar a boca das vozes que estão gritando dentro de minha cabeça, para ouvir o que o policial que está com um megafone tem a dizer; “liberte o menino e saia com as mãos na cabeça!” É o que ele grita, como se eu realmente fosse fazer isto! “E qual outra opção você tem?” As vozes questionam. Elas têm razão! Jesus, o que vou fazer?

Meus ouvidos se cobrem inteiramente pela estática e meus olhos borram tudo ao meu redor. Minhas pernas amolecem e tremem tanto que não consigo mais me manter de pé; caído miseravelmente para trás. “O que vamos fazer, Edgar! Temos que pensar em algo!” Vincent grita em minha cabeça, mas, caralho, eu já sei isso! Eu 'tô completamente fodido! Não consigo pensar, não consigo! Minha barriga chega a doer de tanta adrenalina, assim como não consigo evitar tremer minhas mãos!

Levo as mãos trêmulas até meus cabelos e as passo entre os fios fortemente, arrancando alguns que se enrolam aos dedos! Eu estou tão agitado! Tão fodido! Tão… merda! Eu não sei o que me estressa mais: os corpos no jardim, as lembranças no porão, ou o próprio Vincent que anda de um lado para o outro, me estressando ainda mais! “Fica quieto caralho!” Grito, o fazendo parar de andar e me sinto um merda por ter gritado com ele assim! Lágrimas brotam junto ao suor e se arrastam por meu rosto até o chão!

As luzes vermelhas e azuis entram na sala pelas cortinas finas e me deixam ainda mais desesperado! Realmente não posso pensar agora e este lugar tem luzes o suficiente para enlouquecer quem quer que seja! E o pior de tudo é pensar que minha maior preocupação é manter Vincent ao meu lado, por que eu preciso dele de modo que nunca precisei de outra coisa tão apaixonadamente! E, claro, mantê-lo afastado de Piere! O Vincent vai sair bem, vivo, e isto me irrita de uma forma irracional! Eu quero ele comigo e somente comigo!

Estou irritado só de pensar em ele vivendo sua vida feliz enquanto eu apodreço atrás das grades! Eu não posso deixar que isso aconteça! “Então porque não foge com ele?” As vozes dizem, zombando de mim, mas isto me parece um plano a se considerar! Decido fazer isto! Ficar no chão me lamentando sendo consolado por uma criança não vai me levar a lugar algum! Me levanto rapidamente, e ainda preso numa tremedeira incessante, corro até o quarto, sem ar e com o desespero instaurado em meu cérebro!

“Vincent! Vincent!” Grito realmente alto, fazendo o menino vir assustado até mim. “Pegue… pegue essa mala…” gaguejo, lhe entregando uma mala de viagem. “E coloque tudo… qualquer merda que você ache importante!” Termino, também gritando, vendo a confusão em que ele também se encontra: seus olhos estão viajando por tudo rapidamente confusos e estressados, enquanto sua boca resmunga coisas que eu não consigo entender, já que ele fala assim rápido!

Seu rosto está brando como neve e seu corpo está tremendo de medo; assim como seu peito, que sobe e desce exacerbadamente com sua respiração acelerada de quem correu ma maratona! Esse menino 'tá realmente confuso e desesperado, mas eu também estou! Sem tempo para pensar nisso! Preciso me concentrar! Corro, tentando me equilibrar no suor excessivo de meus pés sem cair, pegando tudo o que vejo para colocar numa outra mala; roupas, sabonetes, sapatos, comida; todo tipo de merda necessária.

Corro até a janela do banheiro, que dá para outra rua, e a abro, vendo que ali não há nenhum policial! Sorte! Correndo novamente, vou até à sala, de certa forma contente, para falar para Vincent que achei uma saída, mas quando chego na mesma o vejo com a gaveta da mesinha da sala aberta, os jornais em mãos, de cabeça baixa, como sempre quando está nervoso! Que merda! Porque essa porra tinha que acontecer logo agora? Respiro fundo e me acalmo o máximo que posso, me aproximando lentamente do garoto. Essas horas me irritam, admito!

Por que diabos esse menino tem que fazer graça logo agora? Ele sempre faz isso! Continuo tentando me manter calmo, mesmo sabendo que minhas mãos estão tremendo estressadamente e as vozes estão me dizendo para matá-lo; acabar com o problema antes que o problema acabe comigo! Não faira isso, assim como ele também não me mataria! Ele não me mataria, certo? “Ele vai te matar-ar!” As vozes cantarolam enquanto o alvoroço do exterior aumenta.

“Por que você mentiu pra mim? Porquê? Por que não me contou?” Ele grita, levantando a cabeça e revelando o rosto manchado de lágrimas e de raiva irracional! Quero acalmá-lo e protegê-lo, mas não posso fazer isso se quem está o machucando sou eu! “E se você tiver que protegê-lo de você? Eu te disse pra pensar sobre isto!” As vozes zombam, mas eu já sei disto! Eu devia ter escutado! Eu devia… “Desculpe, desculpe mesmo, mas agora precisamos ir!” Digo tentando me aproximar dele.

“Sai!” Ele continua gritando, pegando a faca que estava guardada na gaveta. Eu não acredito que ele poderia fazer isto comigo! Eu deixei ele viver! Por que ele quer fazer isto comigo? “Por que eu iria à algum lugar com você? Você sempre mente, sempre! Você mentiu sobre nunca me colocar no porão novamente, sobre ir às compras, sobre seu amigo, e aposto que está fodendo com aquele outro cara! Eu só quero ficar com você! Mas por que você não pode ficar só comigo? Você não sabe o quanto 'tô querendo morrer agora!”

Ele grita, expressando todo seu desespero e tristeza que vaza por sua voz entorpecida pelo choro! Eu não quero que ele chore! Não chore! Por que está chorando? Não gosto de te ver chorar! Penso isto, mas também há lágrimas vazando de meus olhos enquanto mantenho minha boca ligeiramente aberta para deixar escapas meus soluços e gemidos de dor! Jesus, estou pagando por todos os meus pecados! Agora, meu pescoço, que ainda está ferido, começa a doer; doer de mais, insuportável!

Levo meus dedos até o gaze que cobre o ferimento e vejo todo o sangue que está escorrendo do corte! Minha visão enturva e meu pescoço dói cada vez mais! Minha blusa 'tá cheia de sangue meu! Minha própria cor carmesim! Como eu acabei assim? E o pior de tudo é ainda me preocupar mais com o porquê de Vincent estar levando a mão direita, que não está segurando a faca, até os cabelos! Cuspo uma quantidade considerável de sangue no chão e percebo, agora, que estou tendo uma hemorragia!

A dor é pior que a morte; arde e queima ao toque do gaze! Não aquento mais ficar em pé e caio instantaneamente no chão, me rastejando até Vincent nessa forma miserável e digna de pena! “Você…” ele gagueja enquanto se afasta de mim. Por que ele está se afastando de mim? Porquê? Me mata! Me mata, seu filho da puta! Eu só quero morrer! “Me mata, desgraçado! Me mata de uma vez! Eu não aquento mais! Você já 'tá quebrado! Já 'tá destinado ao inferno!” Grito e ele se assusta.

Ele se ajoelha até mim e eu apoio minha cabeça em seu colo, sentindo as gotas quentes e salgadas das lágrimas caírem sobre mim. Fecho um pouco meus olhos, tentando segurar a dor, e pego em sua mão esquerda, que está segurando a faca, levando-a até meu peito. “Por favor… eu já 'tô cansado! Eu já 'tô velho! Eu não quero ir pra cadeia! Só acaba com isso! Bem aqui, no coração. Vai ser tiro e queda!” Digo, implorando para que ele enfie esta faca em meus músculos coronários, mas ele é assim tão fraco!

Ele segura as lágrimas para si e acalma os soluços; esboçando aquela expressão insensível novamente! Ele vai me matar, friamente; deve acertar o coração! Deve… ele volta a chorar! Pare de chorar! Você vai errar! E ele realmente erra, escorrega a faca para minha barriga! Minha barriga! A dor piora e agora minha barriga, além da adrenalina, dói por causa da faca enfiada até o cabo na mesma! Esse merdinha! Ele errou! A faca escorregou!

Levo as mãos até a barriga e fico lá, jogado, me lamentando, enquanto o menino se levanta, e anda lentamente até a porta, após pegar a chave de meu sobretudo! “Vincent! Não! Você não merece viver! Eu não vou morrer enquanto você fica bem! Você me matou! Você vai viver com isso pelo resto da sua vida!” Grito, sentindo mais sangue escorrer por miha boca e se misturar com as lágrimas. Mas, ainda assim, ele se vira, e vai em bora; sai com as mãos na cabeça e é acolhido por uma policial!

Admito que sua perda fez com que lágrimas escorressem por minha bochecha. Eu… eu mereço isso! Tento me acalmar enquanto dois enfermeiros entram e me colocam numa maca, me levando para fora. Como em câmera lenta, vejo Alan; totalmente chocado e decepcionado. Ele disse que eu era seu melhor amigo e que confiava em mim, e agora está assistindo os policiais tirando partes de corpos humanos de minha casa; devia me sentir mal, mas não me importo.

Piere também está lá, com um sorriso cínico. Foi ele quem contou para a polícia. Eu sei que foi. Filho da puta. Bem, acho que este é o final do jogo afinal! Solto um sorriso cínico para ele em resposta e ele desfaz esse sorriso; é um idiota! Também há uma mulher, asiática, que eu nunca vi por aqui antes. Gostaria de saber que ela é, mas acho que agora é tarde. Vincent está lá também. Falando com um policial; algo sobre o jardim. Ele 'tá contando tudo.

Lentamente, enquanto sou colocado numa ambulancia, minha visão vai se confundindo com o carmesim e meus olhos lentamente se fecham, enquanto eu me lamento internamente por não ter matado Vincent.



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