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História Ele é Como Rheya - Capítulo 28


Escrita por:


Notas do Autor


Oiiiii! Não vou falar muito aqui, mas boa leitura amores!

<3

Capítulo 28 - Ele é como Chocolate


JUNGKOOK

 

Eu não pude beijar Jimin nos lábios depois que os ônibus do acampamento chegaram na escola.

Meus pais já estavam esperando por mim e Seokjin (que ia de carona com a gente) quando descemos do busão. Me senti um pouco tímido por desejar, naquele momento, poder beijar Jiminnie pelo menos mais um pouquinho antes de voltar para casa. Eu dormi o caminho todo do acampamento até a escola e não acordei nem na parada, perdendo assim, todas as oportunidades de dar mais beijinhos nele. Puxa vida, que azar...

No fim, apenas pude me despedir de Jiminnie com um toque de mãos extremamente sem graça, e na frente de todo mundo. Eu só me senti feliz porque nós também trocamos um olhar cheio de significados antes de nos separarmos, e isso me deixou todo quentinho por dentro.

Puxa... eu até me pergunto: é estranho eu sentir meu coração palpitar e meu estômago ficar geladinho com seus olhos, mesmo depois de beijá-lo nos lábios? Porque, puxa... eu sinto. Sinto que qualquer contato com Jiminnie é insuperável porque todos mexem muito comigo. Deve ser porque eu gosto muito dele...

No carro, a caminho da casa de Seokjin, eu, ele e meus pais ficamos conversando sobre o acampamento. Eles me perguntaram sobre o vasinho das violas lilás, e eu dei a mesma desculpa sobre elas que dei para Seokjin mais cedo:

— Eles estavam distribuindo, então eu peguei um dos vasinhos. — E essa era a minha mentirinha.

Acho que fui sortudo por pensar nessa mentira tão rápido quando Seokjin me questionou mais cedo, no ônibus. Ele não desconfiou de nada, só me perguntou quando aconteceu e eu disse que foi durante a festa. Como ele estava dançando no meio de todo mundo naquela hora, acreditou de primeira. Já minha mãe elogiou as violas, tranquilamente, e nós mudamos de assunto logo depois.

Demos risada juntos quando contei sobre a tirolesa, e Seokjin fez questão de falar sua teoria sobre ela e possíveis mortes. O pior é que meu pai achou que fazia muito sentido, e Jin ficou esfregando isso na minha cara... aff.

— Qual foi a parte favorita de vocês? — mamãe perguntou de repente, quando paramos no sinal.

Jin respondeu sem hesitar:

— A minha foi a festa! E a comida. E o lago — Jin disse, seguidamente, fazendo meus pais rirem pelo seu jeitinho indeciso e animado.

Já eu, me senti tímido quando parei para pensar na minha parte favorita. Afinal... apenas Jimin me veio em mente. Jiminnie e seus beijos. Jiminnie e eu dançando. O vasinho de violas lilás que ganhei do Jiminnie. Jiminnie me chamando de coelhinho e entrelaçando seus pézinhos nos meus embaixo do cobertor...

Jiminnie, Jiminnie, Jiminnie...

Naquele momento, pensei que Jimin provavelmente havia me enfeitiçado com seus lábios macios e cheinhos. Ao tocá-los nos meus, ele me tornou incapaz de pensar em qualquer coisa que não fosse ele, seus toques, sua voz, seu calor, e seus cabelos ruivos... Eu realmente me sinto enfeitiçado agora... e o pior é que eu gosto, puxa...

— Filho? — minha mãe chamou, de repente. — E a sua?

Desviei meu olhar, perdido na paisagem lá fora, para ela. Meu rosto estava quente, e provavelmente estou todo corado, mas tentei não pensar nisso ao perguntar:

— A minha...? — indaguei, avoado.

De fato, estou enfeitiçado...

— Sua parte favorita do acampamento, querido — mamãe disse, rindo baixinho do meu jeitinho distraído que ela já conhece.

Puxa...

— Ah... — murmurei, abaixando meu olhar. Pensei um pouco sobre as outras coisas que não envolviam Jimin, e disse a primeira que me veio em mente: — A tirolesa... foi bem legal.

— Nós podemos marcar um dia para ir em uma tirolesa por aqui — meu pai disse, e então, todos começaram a falar especialmente disso. Já eu, o enfeitiçado, voltei a viajar por minhas próprias lembranças...

E que lembranças... ah.

Depois de muita conversa, nós finalmente chegamos na casa de Seokjin. Seus pais vieram nos cumprimentar e, como sempre, nossas mães entraram em uma bate-papo infinito. Foi até engraçado ver meu pai e o pai do Jin em silêncio, apenas assistindo elas tagarelarem sem parar. A conversa era tanta que eu até desci do carro para ficar com o Seokjin, apenas aguardando...

Depois de um tempo tedioso, Jin se lembrou que queria me mostrar um vinil que ele tinha comprado na semana passada, me convidando para entrar e ouvi-lo. Avisei meu pai que ia entrar rapidinho e que já voltava. Ele apenas acenou com a cabeça, e nós fomos.

— É o álbum de estreia deles e, cara, você vai amar! Comprei porque estava na promoção, nem imaginava que o som deles podia ser tão bom — Jin disse, enquanto subíamos as escadas para o segundo andar.

A casa de Jin era mais luxuosa e grande que a minha. A decoração era toda antiga e bonita, e os cômodos sempre estavam impecavelmente limpos. Por mais que eu tenha vindo aqui várias vezes, não me canso de reparar nisso... ambientes arrumados e bonitos me deixam feliz de alguma forma.

— Qual é o nome da banda? — perguntei quando chegamos no segundo andar. Tinha uma foto pendurada na parede do corredor muito fofa do Seokjin com um terninho. Eu sempre noto esse retrato quando venho aqui.

Ele era uma criança fofinha...

— Tears for Fears. — Ele olhou para mim com um sorrisinho. — Vou te mostrar a minha música favorita desse álbum, mas todas são incrivelmente boas! Você vai amar.

Dei um sorriso, afirmando com a cabeça ao que chegávamos na porta de seu quarto. Nós entramos, e depois disso, Jin fechou a porta.

O quarto de Seokjin é outro lugar da casa que eu amo muito. Na porta, do lado de dentro, tem um pôster colado bem grande do Michael Jackson que sempre me dá um susto quando eu durmo aqui. Jin realmente ama o Michael — assim como eu amo o David Bowie — e a quantidade de discos e coisas que ele tem dele e dos Jackson 5 são uma prova clara disso.

Além do Michael, seu quarto está infestado de pôsteres das bandas e artistas que ele gosta, como: Soft Cell, Depeche Mode, Pet Shop Boys, Wham!, New Order, e seus favoritos que, além do Michael, são o Prince e a banda Duran Duran. Também tem vários pôsteres dos filmes que ele ama e fotos das atrizes que ele diz ser "perdidamente apaixonado" em sua parede. Há uma prateleira com alguns gibis e bonecos que ele coleciona — eu admito que queria roubar todos — e em uma das suas mesinhas de cabeceira, tem um globo terrestre de mesa lindo que seu pai trouxe do Japão. Tem uma vitrola no cantinho do quarto, e o aparelho de música que ele usava para gravar fitas também.

O quarto de Jin define completamente a sua personalidade. Talvez seja por isso que eu gosto tanto dele...

— Vem, vem! — Jin chamou depois de pegar um vinil em sua mesinha de cabeceira, correndo até sua vitrola.

Me apressei e me sentei com ele no chão coberto por um carpete macio confortável. Jin tirou o disco da capa cuidadosamente e o colocou na vitrola, posicionando a agulha na música que ele queria me mostrar logo em seguida.

Quando a melodia começou, pisquei um par de vezes e perguntei:

— Qual é o nome dessa música?

Jin me deu a capa do vinil, para eu eu pudesse analisá-lo, e disse:

— Pale Shelter.

Balancei minha cabeça, prestando atenção na música, na voz dos artistas e na melodia suave e gostosa. Aquela canção parecia estranhamente intrigante para mim. Eu me sentia em um filme de suspense enquanto escutava ela, e apesar de não entender o motivo, gostei muito.

A cada segundo que se passava, a música do Tears for Fears ficava melhor. Eu já me sentia todo balançado e curioso para ouvir cada vez mais do som deles, e quando a música terminou, eu pedi:

— Coloca outra! — Eu sorri, lendo o nome das músicas. — Qual é a segunda melhor?

— Mad World — Jin disse, sorrindo feliz como sempre fica quando eu gosto das músicas que ele me mostra. — Eles não são incríveis? — perguntou, posicionando a agulha no disco até a segunda melhor música começar.

— Muito... — eu disse, impressionado. É realmente incrível como o mundo é cheio de músicos talentosos que nós não conhecemos. — Você vai me emprestar o vinil, né?

— Hoje não! Ainda não gravei nenhuma fita com as músicas deles — ele disse, e eu fiz um biquinho. — Vou gravar duas! Aí te dou uma delas amanhã.

Meu biquinho se desfez e eu sorri. Puxa, Seokjin é o melhor!

— Tá bom!

Continuamos escutando música juntos, conversando sobre as vozes e os instrumentos que, de certa forma, pareciam diferenciados das bandas que escutamos atualmente. Jin deixou o vinil tocando, sem escolher uma música, e todas pareciam ótimas. Mal posso esperar para escutar o resto amanhã...

Jin e eu estávamos dando risada de uma coisa aleatória quando, de repente, ouvimos batidas na porta. Nós dois olhamos para o Michael Jackson (o pôster), até que a porta foi aberta e quem apareceu foi...

Jisoo.

— Jinnie — ela chamou, dando um sorriso amável. — O pai mandou chamar o Jungkookie. Os pais dele já vão embora.

Ou, para ser mais específico: Jisoo, a irmã gêmea de Seokjin, foi quem abriu a porta.

— Ok, Jisoo, nós já vamos descer — Jin disse, dando um sorriso calmo para ela.

— Ok. — Ela assentiu. — Olá, Jungkookie.

— Oi... — eu disse, baixinho, porque não sei ao certo como tratá-la. Mesmo que eu tenha a encontrado outras vezes, não costumamos conversar...

Até porque sua relação com Jin é meio... complicada.

Afinal, Jisoo e Seokjin são irmãos gêmeos, mas são completamente diferentes — tanto exteriormente quanto interiormente. Jin tem TDAH e Jisoo não. Jin repetiu quatro anos no ensino fundamental, e Jisoo é uma das garotas mais inteligentes da nossa cidade. Ela é tão boa em ciências que, uma vez, saiu no jornal por causa de uma de suas experiências. Ela é... diferente...

Assisti Jisoo fechar a porta, saindo do quarto, e pensei um pouco mais nela e... em Seokjin.

Essa é uma questão meio difícil para ele... tanto que é muito raro a Jisoo ser um assunto entre nós dois. Há muito tempo atrás, quando Jin me contou sobre seu transtorno de déficit de atenção, ele também desabafou sobre como se sentia quanto a Jisoo ser um prodígio e ele ser um "burro". Foi uma conversa melancólica, e agora, distante, mas eu ainda me lembro bem dela. Seokjin me disse como Jisoo sempre é o assunto principal, e que às vezes, parece que ele nem existe em sua família. Meu melhor amigo compartilhou seus pensamentos tristes comigo naquele dia, sobre como ele pensou que veio com um cérebro estragado, e que queria ser como a Jisoo... por amar tanto dele, eu jamais me esqueci de suas palavras.

Puxa... me lembro de me sentir muito triste por ele pensar assim, porque ele é incrível, e sempre vai ser. Não há nada de errado com Jin, e eu o disse isso várias vezes naquela época. Hoje em dia, nós não falamos muito sobre, e eu acho que é melhor assim. Afinal, para mim, Jin é o prodígio de sua família apenas por existir e ser do jeitinho que ele é... ele é meu melhor amigo, e é importante. E também é inteligente...

E apesar de ter esses pensamentos ruins, Jin nunca tratou a Jisoo mal. Ele apenas não a deixa se aproximar muito, mas faz isso de um jeito muito sutil. Talvez essa seja mais uma das coisas que fazem com que eu e Jin sejamos tão próximos: temos certas questões com nossas irmãs.

De qualquer forma, me sinto aliviado por ele estar em minha vida e por eu estar na dele. Sempre me sentirei assim, puxa...

Alheio aos meus pensamentos, Jin tirou o disco da vitrola antes de se levantar do chão. Me levantei logo depois dele, ganhando uns tapinhas seus em meu ombro. Descemos as escadas falando sobre a banda, e quando chegamos lá fora, demos um abraço atrapalhado e horrível — como todos que o Seokjin dá em mim. Dessa forma, entrei no carro e me despedi dele, com um sentimento feliz em meu peito.

Feliz por Kim Seokjin ser meu melhor amigo.

***

Colocar o vasinho com as violas lilás na minha escrivaninha foi a segunda coisa que fiz ao chegar em casa.

Lippy estava dormindo com a cabeça apoiada em meu pé porque sentiu muitas saudades de mim no fim de semana. A primeira coisa que fiz ao chegar, inclusive, fora enchê-lo de abraços e carinho. Agora ele está pertinho de mim, aquecendo meu pé enquanto eu olho fixamente para as belas flores lilás.

Puxa...

Estou sentado na cadeira da escrivaninha, descansando a bochecha em minha mão enquanto observo cada detalhe daquele presente em silêncio. Puxa. Eu ganhei flores do Jimin e agora não consigo parar de olhar para elas...

Me lembrar do acampamento e em tudo que fiz com Jiminnie agora, que estou sozinho, me deixa tão... agitado. Pensar nele, em suas palavras apaixonadas, em seus toques suaves e sua boca macia e gentil é demais para mim... com Jiminnie na minha cabeça, eu não consigo controlar o rubor nas minhas bochechas e meu coração inquieto e apaixonado. Desse jeito, fico morrendo de saudades, puxa...

Faz tão pouco tempo desde que estivemos juntos que eu me sinto meio louco por estar com saudades. Não consigo parar de pensar no quanto eu quero estar com ele agora. Como no acampamento, quando dormimos no mesmo cômodo, fizemos todas as nossas refeições juntos, e voltamos para o mesmo lugar no fim do dia... tudo isso por vários dias seguidos, puxa. Foi tão, tão bom...

Agora que acabou, somente consigo pensar no quanto eu gostaria de ficar com Jiminnie desse jeitinho por mais tempo... talvez por uma semana inteira. Ou um mês.

"Se você deixar, eu vou ficar com você pra sempre..."

Ou... para sempre.

Senti minhas bochechas corarem, lembrando-me da voz macia e galanteadora de Jimin proferindo essas palavras para mim. Não posso evitar sorrir como um bobo, com meu coração batendo fortemente ao me lembrar que Jiminnie me disse palavras tão apaixonadas, sinceras e bonitas. Quando ele diz que eu sou o único que ele quer beijar, me sinto a pessoa mais sortuda do mundo... e quando ele me beija, então... ah... puxa...

De repente, estou sorrindo como um pateta, com meu rosto queimando e minhas bochechas doendo. Jiminnie nem está aqui, mas só de pensar nele, eu fico feliz e amoroso... e é tão bom. É realmente bom estar apaixonado...

É bom até demais. Tanto que eu quero pegar minha bicicleta e ir até sua casa para ficarmos conversando no seu quarto, nos beijando, e ouvindo um disco atrás do outro, sem parar. Quero que Jimin me abrace, como me abraçou na beliche, e quero ficar assim por horas... apenas sentindo seu cheirinho bom, seu calor, suas mãos me fazendo carinho e seus pés fazendo cosquinha nos meus... só quero estar com Jiminnie agora. Puxa, é até engraçado quando penso que ele disse "Se você deixar, eu vou ficar com você pra sempre", porque é tão óbvio que eu deixaria. Puxa, eu quero tanto ficar com ele pra sempre também... sempre mesmo, mesmo...

Sinto minhas mãos formigarem e meu estômago se perder num friozinho gostoso com o pensamento. Meu corpo inteiro gosta quando penso em Jiminnie... eu me sinto todo dormente e feliz. O meu coração bate forte e arde num calor tão bom; tudo parece tão leve e feliz. Estar apaixonado é muito feliz...

A saudade que sinto de Jiminnie é tão grande que quero ligar pra ele. Puxa. Será que ele já chegou em casa? Será que é cedo demais para eu ligar? Ficamos juntos por tanto tempo, talvez ele não queira falar comigo agora...

"Eu acho que nunca mais vou conseguir parar de pensar em você..."

Mordisco meus lábios, com a sensação de que estou derretendo por dentro. Puxa, Jiminnie, você está pensando em mim agora?

Está pensando em mim como eu estou pensando em você?

De repente, escuto minha mãe gritar meu nome do andar de baixo. Apesar de estar todo molinho de amor, não demoro em me levantar da cadeira, aproveitando que Lippy tirou o focinho do meu pé para ir até a porta do meu quarto, a abrindo.

— O quêee?! — eu grito de volta, porque é assim que nós nos comunicamos aqui em casa.

Mamãe demora poucos segundos para responder e, quando ela o faz, sinto que vou explodir de alegria.

— Jimin está no telefone! — ela grita, então, sem imaginar o quão feliz essas palavras podem me fazer sentir. — Vem logo!

Não perco tempo. Desço as escadas apressadamente, e vou até a sala de estar praticamente saltitando de alegria. Assim que eu chego nela, minha mãe me entrega o telefone, trocando um sorriso breve comigo antes de voltar para a cozinha onde ela e o papai estão preparando almoço. Me sinto feliz por eles estarem ocupados cozinhando porque isso significa que vou ter certa... privacidade, para falar com Jiminnie. Isso é ótimo porque, com todos esses sentimentos dentro de mim, sinto que vou falar um monte de coisas melosas para Jiminnie agora. Puxa...

Me sento no chão, atrapalhadamente como sempre faço ao conversar com Jiminnie por telefone. Eu o coloco sobre meu ouvido, e mordo ainda mais meus lábios ao ouvir sua respiração calminha do outro lado da linha.

Sinto saudades até da sua respiração, puxa... eu realmente sou um maluco.

— Oi, Jiminnie... — sussurrei, dando um sorriso porque até dizer seu nome está me deixando feliz agora. Puxa...

Escuto Jimin suspirar do outro lado da linha, e isso me traz lembranças. Meu coração palpita.

— Jungkookie... — Jiminnie sussurrou, me fazendo sorrir mais. — Hum... é cedo demais pra ligar?

Dei uma risadinha, porque Jiminnie parece um pouco tímido e isso é tão, tão fofo... ele pensou da mesma forma que eu, e mesmo assim, ligou pra mim...

Me sinto aliviado e agradecido por ele ter feito isso...

— Não é... — eu disse. — Eu queria ligar, mas também pensei que era muito cedo... — Dei uma risadinha.

— Nós estamos sincronizados então, Gguk... — Jiminnie disse, rindo também. — Eu senti saudades assim que cheguei em casa... fiquei pensando em você sem parar... aí eu não me aguentei... e liguei...

Meu coração amoleceu com suas doces palavras. Então... ele estava pensando em mim... assim como eu estava pensando nele...

Puxa...

— Nós realmente estamos sincronizados, Jiminnie... — eu disse, baixinho.

Ouvi ele rir, e consegui imaginar perfeitamente seu sorriso. Isso me fez morder ainda mais meus lábios.

— Então quer dizer que você estava pensando em mim sem parar também? — perguntou, e como sempre, meu coração quase pulou para fora do meu peito de tão forte que ele bateu.

Pisquei um par de vezes, e a esse ponto, me sinto todo arrepiado. Estou rubro de timidez e amor, e o nervosismo é tanto que puxo o fio do telefone, o enrolando como se fosse um cachinho entre meus dedos para tentar descontar meus sentimentos ali. Aah...

Jiminnie, Jiminnie, Jiminnie...

— S-sim... — eu disse, e minha voz soa tão quebradiça e tímida que eu coro mais. — Puxa...

Inevitavelmente, me lembro como Jiminnie disse que gosta quando eu falo "Puxa". Me lembro de quando ele me deu as violas e disse o porquê ele me presenteia sempre... aquilo significou tanto para mim...

 Ai, Kookie... — ele murmurou, com a voz molinha. — Sua voz soa tão doce agora... está fazendo meu coração bater mais rápido...

Puxa, puxa, puxa...

— Eu... — comecei, fechando meus olhos com força. — É que... e-eu estou feliz... — admiti.

Estou muito feliz... e é por estar apaixonado. Por ele, só por ele...

De repente, Jimin dá uma risadinha do outro lado. É um riso suave, doce, e rouquinho... me faz rir também.

— Jungkookie... eu estou preocupadíssimo com a gente — ele disse, ainda aos risos. — Sabe... como eu vou suportar ir para a escola e ficar sem te beijar o tempo todo? É simplesmente impossível! Só de pensar, já me sinto tentado a te chamar pra matar todas as aulas possíveis... só pra gente ficar se beijando...

A fala de Jimin me faz rir também, e eu enrolo o fio do telefone no meu dedo com ainda mais força. Dou uma espiadinha para ter certeza de que meus pais não estão por perto e, quando confirmo que não, volto ao telefone.

— Eu... eu bem que queria... — eu disse, pensando nessa possibilidade. — Amanhã... a gente bem que podia matar a aula avançada de história... — eu falei, mordendo meus lábios com mais força.

Jiminnie ficou em silêncio por um tempo, o que me fez ficar com um pouquinho de vergonha. Será que ele só estava brincando ao falar sobre matarmos aula?

— A de história avançada e a de ciências também — Jimin disse, de repente. — Vamos matar as duas.

Ergui as sobrancelhas, surpreso. A aula de ciências era logo depois do recreio, e depois dela, a de história avançada. Seria praticamente metade do dia na escola só com ele...

Puxa...

— S-sério? — perguntei, dando um sorriso trêmulo.

— Sim... você quer?

— Quero — respondi, sem pensar duas vezes.

 Então vamos.

— Vamos. — Senti meu rosto esquentar quando, de repente, meu pai apareceu na sala. Meu coração palpitou de susto, mas logo se acalmou porque ele não parecia surpreso ou bravo, o que me fez acreditar que ele não tinha escutado nada. Ufa... — Jiminnie... tenho que ir agora. Até amanhã.

 Até amanhã, Jungkookie... me encontra perto daquela escada, onde te dei os chocolates — ele sussurrou. Sorri pequeno. — Eu te adoro — ele completou, baixinho.

Olhei para meu pai de relance e engoli em seco antes de dizer:

— Tá bom. Eu... eu também...

E nós desligamos.

Quando meu pai me viu colocando o telefone no gancho, se aproximou mais e disse:

— O jantar ficou pronto. — Deu um sorriso. — Vamos comer?

Me levantei do chão, sorri e assenti, com a minha cabeça nas nuvens por causa de Park Jimin.

JIMIN

 

O domingo pós-acampamento estava sendo maravilhoso.

Leonor foi me buscar na escola assim que cheguei e nós voltamos para casa de ônibus, rindo e conversando sobre tudo que aconteceu no fim de semana. Lhe contei todas as partes legais do acampamento, principalmente sobre a aula de plantinhas que tive e a tirolesa, já que essas foram as minha partes favoritas — tirando os beijos com o Jungkookie, é claro...

Foi divertido e ela riu um monte dos meus relatos. Quando nós chegamos em casa, Leonor me pediu para guardar minhas coisas antes de ficar de bobeira — como faço todo domingo, heh — então, depois de tirar as roupas da minha mochila e substituí-las pelo material da aula de amanhã, eu desci as escadas e fui até a sala, prontinho para não fazer nada pelo resto do dia.

Isso antes, é claro, de eu começar a pensar em Jungkookie e em seus beijos apaixonantes... afinal, mente vazia é oficina do Jungkook. E não, o ditado não é esse, mas para mim ele faz muito mais sentido assim. Ainda mais agora...

Leonor tinha acabado de subir para tomar banho naquela hora, e com minha mente cheia de Jungkookie, seus beijos e jeitinho fofo de ser, eu acabei não me aguentando. Foi quando liguei para ele, para termos uma conversa breve, mas cheia de planejamentos sobre carinho, aulas e... beijos.

Eu estava me sentindo tão quentinho e feliz quando desligamos que me joguei e me esparramei todo no sofá, com um sorriso largo nos lábios e os olhos focados no teto da sala, apenas pensando sobre cada detalhe sobre ontem e hoje de manhã, quando nos beijamos.

Por um momento, eu toquei meus próprios lábios, me perguntando se eles ficaram mais macios depois de serem beijados tantas vezes. Seria doideira se eu dissesse que sinto que sim?

Ao ouvir os passos da minha mãe na escada, parei de acariciar minha própria boca — eu pareço doidinho quando faço isso. Assim que ela chegou perto de mim, deu uma risada baixinha.

— Hmmm... — ela murmurou, passando por mim ao me ver deitado no sofá, com um sorriso bobo no rosto e as bochechas vermelhas. — Você está radiante. O que aconteceu?

Sua pergunta me fez dar um longo suspiro amoroso; meu sorriso crescendo ainda mais em meus lábios recém beijados. Radiante... estou radiante. É claro que estou radiante! Seria impossível não ficar radiante depois de ter uma conversa com Jungkookie por telefone, com ele dizendo de um jeito tão bonitinho que está pensando em mim da mesma forma que eu estou pensando nele.

Ai, ai... a vida é linda.

— Nada demais — eu disse, dobrando minhas pernas quando ela deu um tapinha nelas, procurando espaço no sofá. Quando ela se sentou, dei mais um suspiro melodioso. — Só me lembrei de uma coisa engraçada... — menti, rindo baixinho.

Leonor me olhou por alguns segundos, desconfiada, e depois deu risada.

— Uma coisa engraçada, hein... — ela deu um tapinha no meu pé. — E o que seria essa coisa?

Sem parar de sorrir, eu disse a primeira mentira que me veio a cabeça:

— Jin caiu de um jeito engraçado no acampamento — eu disse, rindo. — Ele não se machucou, então foi engraçado...

Mamãe deu risada, fazendo um carinho breve no meu pé antes de dizer:

— Tenho certeza de que foi. — Ela se inclinou para pegar o controle da tevê na mesinha de centro. — A novela já vai começar. Quer pedir pizza?

— É claro que sim. — Dei um sorriso animado, sem hesitar em aceitar. Afinal, quem é que nega uma pizza? — De que sabor?

— Pode escolher — ela disse assim que levantei e me sentei no sofá. — Só porque fiquei com saudades de você no fim de semana.

Senti minhas bochechas queimarem e sorri mais ainda, me aproximando para dar um abraço apertado nela. Leonor riu e me abraçou de volta, me fazendo sentir muito amado.

— Vou pedir uma doce também! — falei, indo correndo até o telefone. Abri o caderninho que ficava ao lado dele, até achar o número da pizzaria que normalmente pedimos.

— Ok, peça pelo menos metade dela de banana! — disse minha mãe, me fazendo rir e confirmar com a cabeça antes de discar o número da pizzaria.

Depois de pedir, assisti a novela com Leonor e recebi nossa pizza. Nós comemos no sofá e conversamos mais sobre o acampamento e o fim de semana. Inclusive, falei para ela o quanto eu amei o livro que o Siwon me deu — e eu amei mesmo! Li no dia que cheguei, de madrugada, e não me arrependo nem um pouquinho.

Ela pareceu bem feliz com isso, e disse que passaria meus elogios ao livro para ele amanhã, no trabalho. Fiquei animado para isso.

— E sabe quem voltou enquanto você estava fora? — Leonor perguntou, mais tarde.

No momento, estamos dividindo a louça. Eu lavo, e ela seca.

— Quem? — perguntei, sorrindo enquanto passava um copo limpo para ela.

— Aquele gatinho preto felpudinho — ela disse, sorrindo. — Ele e o Menino estavam na varanda, dividindo a caminha que você fez.

Sorri, animado com a ideia de vê-lo de novo. O gatinho preto vive voltando, mas ainda fico extremamente animado quando ele dá as caras. O Menino não é tão peludinho quanto ele, então eu amo quando ele vem... é tão gostoso fazer carinho nele! O rabo dele é tão longo e peludo... parece até um espanador!

— A gente bem que podia colocar ele pra dentro... — eu disse, sorrindo sozinho. — Ele e o Menino se dão tão bem...

— Hmm... — ela murmurou, secando um prato. — É verdade... mas ele nunca tentou entrar. Já até chamei ele para comer aqui dentro.

Ergui minhas sobrancelhas, surpreso.

— Chamou? — Sorri, feliz porque isso quer dizer que Leonor também quer adotar ele.

Por algum motivo, pensei que precisaria fazer várias coisas para convencê-la a deixar... logo meu coração ficou quentinho por saber que ela também queria o pretinho pra gente. Isso é tão bom...

— Sim — ela disse, sorrindo. — Ele ficou parado na porta e não entrou. Acho que ele é tímido, mas uma hora ele entra.

— Posso começar a chamar ele também? — perguntei, desligando a torneira assim que enxaguei o último copo.

Leonor sorriu e assentiu com a cabeça.

— Claro que sim — ela disse. — Acho que não tem muita diferença entre ter um gato e ter dois.

— Também acho! — eu disse, feliz por pensarmos igual.

Afinal, Menino é um gato super limpo! Ele sempre está com um cheirinho bom e nem usa a caixa de areia que deixamos para ele. Ele sempre prefere ir lá fora, e a gente nem vê a sujeira... além de que ele é muito bonzinho poxa, nem rouba comida. Aposto que o pretinho é assim também...

— Então a gente já tem que começar a pensar em um nome — ela disse, me dando o pano de prato para eu secar minhas mãos. — Que tal Oliver?

— Assim ele parece um gato de madame! — eu disse, fazendo um biquinho sem querer. Mamãe riu. — Prefiro Feijão.

— Você é uma criança por acaso? — ela retrucou, imitando meu biquinho. Dei risada e mostrei a língua para ela, malcriado.

Mamãe e eu continuamos falando vários nomes, brincando e provocando um ao outro até voltarmos para a sala para ver mais uma novela. Perto das nove horas, tomamos um chá com mel, e assim que terminamos, mamãe foi dormir, pedindo para eu não me deitar muito tarde. Eu estava tão cansado por ter acordado cedo que realmente não demorei muito para tomar um banho e ir para a cama.

Quando deitei a cabeça no travesseiro, dei um suspiro preguiçoso e feliz porque amanhã tem aula e eu vou matá-la com Jungkookie. Isso é demais...

Caí no sono com um sorriso no rosto e o coração quentinho, ansioso para dar mais beijos em Jeongguk.

***

Na escola, durante a primeira aula, Yoongi e eu conversamos sobre a fita que ele me ajudaria a gravar essa semana.

— Músicas... românticas? — ele perguntou, baixinho, já que o professor estava na sala.

Assenti com a cabeça, com um sorrisinho tímido no rosto.

— É que... minha prima está apaixonada — eu disse, mentindo sobre o real propósito daquela fita.

Afinal... eu não podia falar para o Yoongi que aquela fita era para o Jungkookie e em seguida pedir por músicas românticas. Então, inventei que eu queria gravar uma fita para presentear minha prima que, por acaso, está apaixonada...

Yoon, por mais esperto que seja, não desconfiou de nadinha. Ele apenas assentiu com a cabeça e anotou isso em seu caderno.

— Você acaba de pedir músicas de amor para um roqueiro que tem o álbum "Não é uma música de amor" como favorito — disse ele. Ri baixinho, coçando minha nuca. — Mas tudo bem, vou achar umas. Tem muitas fitas da minha mãe que são super toscas, e o Queen também faz músicas de amor... aí você pode dar uma olhada nelas — disse ele, me fazendo assentir. — Mas você já tem alguma música em mente?

— Para falar a verdade, tenho sim... mas só duas e elas estão em fitas. Tem problema? — perguntei, vendo-o negar de prontidão.

— Não tem, o meu gravador de fitas não funciona com vinil mesmo — ele disse, anotando mais coisas. — Você vai querer uma fita de quantos minutos? Trinta? Sessenta?

— Hmm... — pensei um pouco. — Pode ser trinta.

— Ok. Trinta. — Ele anotou, e dei um sorriso feliz por vê-lo tão animado e empenhado a me ajudar a gravar uma fita. Yoon é mesmo um ótimo amigo... — Cada lado da fita vai ter quinze minutos. A gente vai ter que passar em uma loja para comprar uma nova, porque as que eu tenho já estão todas usadas e velhas... — ele disse, me fazendo parar pra pensar. — Bom... até que dá pra regravar em cima delas, mas aí não vai ser tão especial.

Olhei para Yoongi e rapidamente neguei com a cabeça.

— Quero uma nova... — eu disse. Yoongi se virou e anotou isso. — Quando podemos gravar? — perguntei, animado.

— Pode ser... amanhã ou depois de amanhã — ele me disse. — Vou passar na loja hoje e ver o preço da fita pra você. Aí te ligo e falo.

— Ok... — Sorri, vendo-o fechar o caderno. — Você é muito bom, Yoon. Podia até trabalhar com isso! — eu disse, animado.

Yoongi deu um sorriso pequeno.

— Bem que eu queria... mas ninguém paga por algo assim — ele disse, dando de ombros com um sorrisinho. — Mas enfim... eu vou ver as músicas que eu acho e te mostrar elas e as letras... aí você pode decidir, mas tenta escolher pelo menos metade das músicas! Acho que em uma fita dessas cabe 7 ou 8 — ele disse, me fazendo erguer as sobrancelhas.

As letras...

Isso me deu uma ideia!

— Espera aí... as letras? Tipo, as traduções? Você sabe elas? — perguntei, segurando seu braço para sacudi-lo, já animado com a ideia romântica que, repentinamente, tive.

Yoongi assentiu com a cabeça, franzindo o cenho com a minha animação, mas igualmente risonho com a forma a qual eu balancei ele do nada.

— É, né... por que está tão feliz? — perguntou quando parei de balançá-lo como um doidinho.

Soltei seu braço pálido e macio, colocando minhas mãozinhas sobre a minha mesa, sem conseguir segurar meu sorriso. Eu não sabia como dizer para Yoongi o porquê de eu estar feliz. Afinal... é porque, agora, posso expressar meu amor por Jungkookie através das letras das músicas românticas que vou dedicar a ele... e assim, posso fazer uma carta recheada de amor.

Dei um suspiro apaixonado, amando a ideia com todo meu coração; atraindo o olhar de Yoongi para mim. Para disfarçar, dei de ombros, com minhas bochechas queimando por causa da paixão.

— Nada... é que eu estava querendo mostrar a letra pra ela também — eu falei, mordiscando meus lábios e desviando meu olhar para minhas próprias mãos.

Ouvi Yoongi murmurar um "Hummm" longo, com sua voz que está ficando cada vez mais grossa (heh, ele está crescendo).

— Tá bom então... vou escrever as letras pra você — ele me disse, abrindo o caderno mais uma vez para fazer essa anotação. Então, o fechou de novo. — Ok, então vamos fazer isso.

— Se você me ligar depois das oito pra falar do preço da fita, já posso te dizer se posso ir amanhã ou na quarta — eu falei, já que Leonor chega depois das oito.

Sei que ela vai me deixar ir pra casa do Yoongi de qualquer jeito, mas é sempre melhor pedir antes de confirmar, né...

— Está bem — ele disse, apoiando o cotovelo na mesa e a bochecha em sua mão. — Quais são as músicas que você tem em mente?

Dei um sorriso.

— Tem uma que é indispensável... Us and Them, do Pink Floyd — eu disse, pensativo. — Mas quero pensar bem antes de selecionar as outras, sabe?

Yoon assentiu.

— Sei... se você quiser, pode falar alguma coisa na gravação também — ele disse. Isso me surpreendeu. — Meu gravador faz isso... é só deixar uns minutinhos sem música e falar.

— Wow... — eu suspirei, baixinho. — Você acha que ficaria legal?

— Acho que sim. Eu nunca gravei, mas meu gravador é bom, então deve ficar legal — disse ele. — Você pode deixar uma mensagem pra sua prima...

Dei um pequeno sorriso, ainda mais empolgado com a ideia toda. Assim que chegar em casa, vou me sentar e planejar cada detalhe sobre ela... e também vou comprar uma cartela de adesivos. E um envelope muito bonito. Talvez eu possa escrever as minhas partes favoritas de cada uma das letras, e explicar por que elas me lembram ele. Também posso aproveitar e me confessar um monte... e dizer algo bem fofo na gravação... algo que deixe as bochechas de Jungkookie coradas...

A ideia me deixa tão animado que quase me esqueço de responder Yoongi, que está me olhando com uma careta super engraçada — ele sempre faz essa careta quando começo a sorrir sozinho de repente.  Mal sabe ele que estou perdidamente apaixonado e, consequentemente, muito maluquinho...

— Está bem... eu quero deixar uma mensagem — eu disse.

— Ok... — ele disse, fazendo a última (de novo) anotação em seu caderno e ignorando meu jeitinho estranho. Para ser bem sincero, acho que Yoongi já até se acostumou. — Vou preparar tudo...

— Obrigado, Yoonie... — eu disse carinhosamente, fazendo um carinho breve em seu ombro. Yoongi apenas assentiu com a cabeça e olhou para o quadro cheio que nós ignoramos no primeiro tempo para falar da fita.

Já eu, direcionei meus olhos ao Jungkookie de hoje. Um Jungkookie que está me deixando muito bobinho e derretido porque, céus... Dá pra acreditar que ele veio com uma touca preta fofinha cobrindo seus cabelos hoje?

Quando o vi no ônibus, quase saí flutuando de paixão, assim como nos desenhos animados. Ele está muito lindo apenas com a franjinha saindo na parte da frente de seu rostinho e, na boa... é apaixonante. De verdade. Eu acho que ele já usou touca outras vezes na escola quando não éramos tão próximos, mas parece que dessa vez ele se superou e ficou trezentas vezes mais lindo do que já é... ainda mais vestindo esse moletom preto, que combina com a toquinha e seu tênis...

Mal posso esperar para poder falar o quão lindo ele está quando nós matarmos aula hoje...

Depois de divagar muito e olhar Jeonggukie de longe, dediquei os últimos minutos da aula para me concentrar em copiar a matéria. Como o professor do horário seguinte nos deu atividades para fazer até o final da aula, eu precisei me concentrar bastante, o que foi muito chato porque, depois de dar uns beijinhos no meu amorzinho, tudo que eu mais quero é pensar nele sem parar.

Aff... como é difícil amar...

Depois de terminar o meu dever, gastei meus últimos minutos da aula pensando nas músicas que eu queria colocar na fita. As primeiras que pensei, foram: Us and Them, do Pink Floyd (obviamente) e Baby It's you, dos Beatles...  parece simplesmente impossível essas músicas não serem sobre Jungkookie... logo, eu anotei elas em meu caderno.

A terceira música que eu pensei, fora a que dancei com ele no acampamento. Eu não sabia o nome, mas já tinha a escutado em uma das fitas que Taehyung me emprestou há um tempinho. Como eu já devolvi todas, decidi ir atrás dele no intervalo para perguntar sobre a música e, também, pedir algumas indicações. Taehyung escuta muitas músicas românticas, e se por acaso ele souber as letras também, a fita do Jungkook vai ficar perfeita... eu mal posso esperar...

Quando o sinal para o intervalo tocou, avisei Yoongi que encontraria ele no refeitório mais tarde porque precisava fazer uma coisa. Ele apenas assentiu com a cabeça, e eu saí da sala para ir atrás do Tae.

Ele não estava no refeitório, nem na cantina, então fui até o clube de música, já que ele e Hoseok costumam lanchar lá às vezes. Para a minha sorte, acertei em cheio: os dois estavam lá, sentados em cima das mesa enquanto comiam salgadinhos.

Quando entrei na sala, eles me olharam de imediato. E também, deram um grande sorriso.

— Minnie! — Tae exclamou, pulando da mesa para vir me abraçar daquele seu jeitinho carinhoso. Sorri o abracei de volta. — Aff, eu bem ia te ligar hoje! A gente nem se falou desde que você voltou do acampamento, poxa... quero saber o que você achou de tudo.

— A gente pode conversar sobre isso amanhã, aqui no clube... — eu disse, sorrindo e acenando para Hoseok, que acenou para mim também. — Mas antes, preciso da sua ajuda com uma coisa... — eu disse, sorrindo. Taehyung pareceu gostar da ideia, dando um sorriso retangular super fofinho. — Eu estou planejando gravar uma fita, e tem uma música que estava em uma das suas que eu quero pôr nela... eu não me lembro o nome, mas acho que estava na "Para ouvir apaixonado".

— A versão dos Beatles? — perguntou, colocando mais salgadinho na boca.

— Não, a outra — eu disse, pensando. — Ela tinha uma melodia assim... hmm... hum, nananan, na nam, na, naammmm...

Cantarolei, e apesar de soar bem engraçado, Taehyung não deu risada. Muito pelo contrário! Ele levou super a sério e prestou bastante atenção... até que me interrompeu com sua fala:

— Acho que você está falando de uma música do Elvin Bishop, mas não tenho certeza — disse ele, com um biquinho. — Espera.

Taehyung deu meia volta e foi até a mesa. Ele bebeu um gole de refrigerante e voltou para perto de mim balançando sua cabeça, começando a cantar sem mais delongas:

— I must have been through about a million girls... — Hoseokie parou de ler seu gibi para assisti-lo. Já eu, me concentrei na forma que ele cantava... — I'd love them then I'd leave them alone...

Senti meu coração palpitar ao perceber que ele estava cantando exatamente a música que eu queria.

— É essa mesmo! — eu exclamei, feliz. Taehyung deu um grande sorriso. — Eu quero ela! E outras músicas de amor. Você pode me emprestar sua fita de novo?

— Claro que sim, Minnie — ele disse, sorrindo e me puxando para mais um abraço. Ri baixinho e o abracei de volta. — Amo quando você me pede as coisas, porque aí significa que estamos ficando ainda mais íntimos.

Ri de sua fala, o dando um tapinha no ombro antes de me afastar do seu abraço amigável e acolhedor.

— Que bom, porque eu sou pidão... — brinquei, o fazendo rir. — Ah, é... e eu também queria saber se você sabe a tradução da letra das músicas. Eu queria ler algumas...

— Tem algumas que eu tenho anotado. O Hobi também faz bastante traduções — disse ele, apontando para Hoseokie, que sorriu para nós. — Eu te trago amanhã! E da música que você quer também.

Dei um sorriso feliz e assenti com a cabeça, animado por estar tudo dando certo.

— Obrigado, Tae... — eu disse e, dessa vez, fui eu quem o puxei para um abraço. Taehyung ficou feliz, e em momentos como esse, eu sinto muita vontade de passar um tempão pertinho dele.

Ele é muito legal mesmo...

Depois de trocar mais algumas palavras com ele e Hoseokie, saí da sala do clube e segui meu caminho para o refeitório. Peguei minha comida, localizei a mesa onde Yoongi estava, e fui me sentar com ele logo depois, com a minha cabeça na fita que vou gravar muito em breve para o meu amorzinho.

JUNGKOOK

 

Seokjin e eu nos sentamos nas mesinhas do pátio na hora do intervalo.

Nós compramos nossos lanches e decidimos ficar por lá, mesmo. Jin está me contando a história de um filme que ele odiou e apesar d'eu estar bem aqui, na sua frente, não consigo prestar atenção em nenhuma de suas palavras.

Não quando daqui a alguns minutos, eu vou me encontrar com Jiminnie... puxa...

Estou pensando nesse fato sem parar, levando meus dedos até a minha touca para ajeitá-la de maneira nervosa o tempo todo. Eu só estou com ela hoje porque meu cabelo está muito bagunçado... mas muito bagunçado mesmo. Não é daquele jeito que Jimin diz que ser bonitinho... ele está fora de controle... é praticamente uma juba de leão. Fui dormir com ele molhado e não deu tempo de escová-lo antes de pegar o ônibus. Eu acordei super atrasado por ter esquecido de trocar as pilhas do meu despertador. Eu só saí correndo e deu nisso...

Foi uma manhã bem agitada... mas não tanto quanto meu coração está agora que estou prestes a ficar a sós com Jiminnie.

— Mas aí, no fim, ela era a assassina — disse Seokjin. O olhei, e fingi que tinha escutado tudo que ele disse até agora, fazendo uma feição surpresa. — Eu já tinha visto esse tipo de reviravolta antes, e é boa, até! Mas nem explicaram como aconteceu, sabe? Ficou uma droga!

Balancei a cabeça, concordando com ele enquanto mordia o último pedaço do meu pastel. Puxa. Pastel me lembra o Jimin...

— Será que isso se encaixa em um final aberto? — murmurei, alheio.

— Nah, ninguém quer um final aberto num filme de suspense... — ele resmungou, bicudo. — Fiquei pensando nisso sem parar, mas foi de raiva mesmo!

Ri da careta que Seokjin fez, assentindo com a cabeça porque, no fim, isso é verdade.

— Concordo. Ninguém merece, puxa... — falei, bebendo meu refrigerante e olhando para as horas no relógio pregado na parede.

Só falta dez minutos para o fim do intervalo... puxa...

— É... — disse ele, acabando de mastigar seu salgado. — Hm. Quer comprar uns doces?

Neguei com a cabeça.

— Agora não... tô cheio — eu disse, dando um suspiro ansioso.

— Ok, eu vou comprar — disse ele, se levantando, tomando o resto de seu refrigerante. Me levantei também e peguei o lixo na mesa, reunindo tudo para jogar no lixo.

— A fila deve estar gigante — eu disse, pensativo. — Não vou esperar com você não.

Seokjin fez uma careta de dor falsa, colocando a mão no coração como se tivesse acabado de ser atingido bem ali.

— Ai... essa doeu... — ele disse, me fazendo revirar os olhos e rir um pouco.

— Nem vem! Você nunca espera comigo — eu disse, e é verdade. Seokjin sempre volta pra sala porque tem preguiça de ficar em pé.

— Ai, tá, tá — ele disse, dando uns tapas nas minhas costas. — Depois a gente se vê então, seu rancoroso. E tchau!

Mostrei a língua pra ele, malcriado, dizendo:

— Tchau! — E saí andando para o lado oposto. Seokjin resmungou alguma coisa que eu não entendi, mas nem liguei. Ele sempre resmunga mesmo...

Depois dessa despedida doidinha com meu melhor amigo, fui até a lixeira para jogar o lixo fora. E então, comecei a fazer meu caminho até o banheiro. Eu trouxe minha pasta e escova de dentes comigo quando saí da sala para lanchar, só pra não ter que voltar para pegar ela depois. Logo eu fui direto para o banheiro.

Escovei meus dentes na pia e o sinal tocou assim que terminei. Decidi entrar em uma das cabines para me esconder, guardando a escova de dentes e a pasta em um dos bolsos grandes do meu casaco preto. Me sentei na tampa do vaso, e fiquei encarando meus sapatos enquanto esperava o barulho lá fora diminuir para... então... o encontrar...

Minhas bochechas queimaram e eu dei um suspiro bem longo, ansioso demais. Até me funguei para ver se estava cheirando a perfume, e felizmente, estava. Meu cabelo também estava cheiroso por eu ter lavado ontem de noite, então... estava tudo certo...

Mas ainda sim, meu coração não parava de bater fortemente.

Puxa... Jiminnie e eu mal nos falamos hoje. Nós trocamos um olhar no ônibus e conversamos um pouquinho na entrada, mas Seokjin e Yoongi estavam com a gente, então foi uma conversa em grupo muito breve...

Na sala de aula, Jimin parecia ocupado demais para olhar para mim. Ele estava fazendo todas as atividades pacientemente e imerso em sua conversa com Yoongi, não me percebendo olhando-o nenhuma vez no primeiro tempo. Depois disso, eu desisti de capturar seus olhos e apenas fiz meu dever... puxa... Eu até pensei que conseguiria vê-lo no intervalo, mas Jimin foi o primeiro a sair da sala — e foi até sem o Yoongi! Seokjin perguntou se ele queria lanchar com a gente, mas ele negou e disse que ia encontrar Jiminnie no refeitório depois...

Estar perto dele e ao mesmo tempo tão longe me deixa ainda mais ansioso para ficar consigo... é intenso...

Fiquei pensando sobre isso por tanto tempo que, quando percebi, já estava bem silencioso lá fora. Só assim, eu saí da cabine, indo até o espelho para ver se estava tudo bem com meu rosto. E bem, eu estava normal... acho que isso basta...

Saí do banheiro depois de lavar minhas mãos, bem discretamente. Os corredores estavam vazios e eu não demorei muito para fazer meu caminho calmo e silencioso até aquela escada. Fica perto do meu armário e eu sei bem como chegar até ela sem ser notado...

Quando dobrei o corredor do colégio e, de longe, vi a escada, senti meu coração bater mais forte quando percebi que Jiminnie já estava lá.

Puxa... ele está tão lindo hoje. Jimin está usando aquela blusa listrada laranja e azul, com uma calça jeans clarinha dobrada na canela. Seus pés estão com aquele allstar azul que eu tanto gosto, e puxa... ele fica lindo assim...

Jiminnie, parado e encostado na lateral da escada com o walkman amarelo em sua mão, não me notou de imediato. Isso me fez rir baixinho e apressar meus passos, praticamente saltitando para mais perto dele. Jiminnie estava olhando para seu walkman e só levantou o olhar quando eu estava bem próximo. Poder ver seus lábios e olhos sorrindo com tanta felicidade e carinho só para mim, me fez sorrir de volta no mesmo momento, inexplicavelmente feliz.

Puxa, como eu gosto dele...

— Ggukie... — Jimin sussurrou, dando alguns passos pra frente para, muito repentinamente, me abraçar.

Senti seus braços em torno dos meus ombros e fechei meus olhos, deixando meu sorriso crescer mais. Enlacei suas costas e o abracei de volta.

— Oi... — eu murmurei, encostando a lateral do meu rosto no seu. Senti meu coração palpitar quando as lembranças dos beijinhos na boca que tínhamos dado atravessou minha mente de repente.

Puxa. Estou abraçando Jiminnie depois de nos beijarmos um monte... parece tão diferente e, ao mesmo tempo, tão igual...

— Eu comprei chocolate... — Jimin disse, me fazendo rir baixinho. Ele se afastou lentamente do nosso abraço e do nada, olhou em volta.

Fui fazer o mesmo para ver se o corredor estava vazio, mas quando fui virar meu rosto, as mãos de Jimin seguraram minhas bochechas. De repente, ele me puxou para perto e deu um beijinho estalado e rápido nos meus lábios. Foi tão rápido e repentino que eu nem fechei os olhos!

Quando ele se afastou e viu minha feição chocada, acabou por rir baixinho. Já eu me virei com tudo, olhando em volta de nós dois meio assustado, mas o corredor, felizmente, ainda estava vazio.

Quando olhei para Jiminnie novamente, com meus olhos arregalados, ele riu ainda mais.

— Jiminnie! — eu fiz um biquinho, com o coração acelerado. — Alguém poderia ter visto... puxa...

Meus olhos ainda estavam bem abertos, e Jimin parecia fixado neles. Quando pisquei um par de vezes, ainda ofegante, Jimin parou de rir, mantendo o belo sorriso em seus lábios.

— Fofo... — ele murmurou, erguendo sua mão. Quando ele tocou embaixo do finalzinho da minha sobrancelha, contornando meu olho cuidadosamente com a pontinha do seu indicador, minhas bochechas coraram. — Você é tão zoiudinho... — sussurrou. — É tão fofinho...

Senti meu estômago ficar geladinho de felicidade. Puxa. Nunca pensei que ficaria tão feliz por ser chamado de zoiudinho...

— Puxa... — murmurei, sem conseguir me segurar. Jiminnie sorriu com os olhos. — É que... você me deu um susto... — falei, dando uma batidinha em seu ombro.

— Hehe... eu sei... — ele disse, segurando a minha mão que tinha acabado de lhe dar um tapinha. — Sabe, tô com medo de algum professor ver a gente... então eu pensei em ficar embaixo da escada que nem naquele dia... mas só se você quiser... — mordeu seus lábios que acabaram de me beijar.

Senti a animação arrepiar meu corpo e mordi meus lábios inconscientemente. Não precisei pensar muito antes de assentir porque, puxa, é claro que eu quero... embaixo da escada podia ser o meu esconderijo com Jiminnie...

Ou, mais um dos nossos lugares.

Jimin sorriu e me puxou pela mão. Espiei o corredor deserto uma última vez antes de me estreitar todo para passar pelas cadeiras e mesas quebradas que bloqueavam a escada. Fomos lá para o fundinho, exatamente onde ficamos da última vez que viemos aqui... quando Jiminnie me chamou de filhotinho... e me deu um cheirinho...

Isso me fez sorrir com as lembranças. Meu rosto estava quente e meu coração estava batendo com bastante intensidade, mas eu não estava constrangido ou nervoso como da última vez que vim aqui com ele... eu me sentia muito mais confortável e ansioso, mas de um jeitinho bom...

Puxa... acho que aquele feitiço me deixou muito mais corajoso também...

Quando nossos pés estacionaram no lugar, Jiminnie deixou seu walkman sobre uma das mesas quebradas, e segurou minha outra mão, ficando de frente para mim. Senti seus dedinhos apertarem os meus, e abaixei meu olhar para assistir nossas mãos abraçadas. Jimin estava segurando ambas as minhas com as suas, apenas pela pontinha... só meus dedinhos estavam sendo aquecidos pela sua palma calorosa e macia.

Seu polegar fazia um carinho suave sobre o nó dos meus dedos e isso me fez sorrir, virando e abrindo minhas mãos suavemente, até elas estarem completamente entrelaçadas às suas. A sensação de unir minha mão à dele assim é tão boa, puxa...

Nós ficamos em silêncio por um tempinho. Senti que Jiminnie estava olhando para meu rosto, mas não consegui olhar para ele de volta. Apenas fitei nossas mãos, me sentindo tímido de repente... acho que é difícil não ficar tímido com ele tão concentrado em meu rosto, puxa...

Jimin se encostou na parede atrás dele, me fazendo me aproximar mais dele por causa da movimentação. Senti minhas bochechas ficarem quentes porque ele ficou mais baixinho que eu ao fazer isso, puxa...

Jiminnie deu uma risadinha.

— Então... — ele murmurou, e sua voz soava divertida e calma. — Ggukie... — chamou, melodiosamente. — Olha pra mim?

Sua pergunta soou tão doce que eu senti meu coração falhar uma batida. Lentamente, levantei meus olhos, olhando para Jimin e seu belo rosto.

Foi... peculiar... quando nossos olhares se encontraram. Porque não falamos nada por uma longa quantidade de tempo. Pensei que fôssemos começar a rir de repente, mas por algum motivo, não foi bem assim... nós só... nos olhamos, em silêncio...

Inicialmente, Jiminnie estava com um sorriso nos lábios, mas ele foi diminuindo com o tempo. Isso me deixou um pouco intimidado porque Jimin fica lindo quando sorri, mas quando ele fica sério é tão, tão bonito também... é diferente... puxa...

Viajei meus olhos por todos os detalhes bonitos do seu rosto naquele nosso silêncio intenso e íntimo. Assisti suas sobrancelhas ruivas, seu nariz pequeno e gordinho, suas sardas e pintinhas... seus lábios cor de rosa...

Engoli em seco. Seus lábios são tão lindos... puxa vida... como é que eles podem ser tão lindos?

Jimin desprendeu suas mãos das minhas lentamente. Seus toques me deixam tão balançado que, quando a pontinha de seus dedos tocaram a minha nuca, eu fechei meus olhos completamente. Puxa, ele vai me beijar, vai me beijar, vai me beijar, puxa...

Permaneci com os olhos fechados, e senti a respiração de Jiminnie bem pertinho, mas ele não beijou meus lábios. Ele beijou minha bochecha lentamente, e quando eu estava prestes a abrir meus olhos para fitá-lo, Jiminnie desviou seus lábios para a minha boca, dando-me um beijo carinhoso e calmo.

Senti meu rosto queimar mais ainda. Como seus lábios podem ser tão macios? Como seu beijo pode ser tão quente e acolhedor?

Me senti surpreendido. Quando Jiminnie se afastou sutilmente, abri meus olhos muito lentamente. Por ele estar tão próximo, não hesitei em fechá-los de novo, me sentindo tão molinho que tombei minha cabeça para o lado. Isso fez Jiminnie rir muito baixinho e segurar meu rosto com a mão que não estava em minha nuca, virando seu rosto bonito para me dar mais um beijo lento. Dessa vez, consegui fazer um biquinho, e foi tão bom quanto a primeira vez que nos beijamos.... foi bom como todas as outras... é bom... é muito bom, puxa...

Dessa vez, senti os óculos de Jimin tocando meu nariz sutilmente e isso deixou o beijo ainda melhor... puxa... é como se o toque geladinho me lembrasse que estou beijando ele. Park Jiminnie. Faz com que os beijinhos se tornem ainda mais nossos do que já são... e eu acho que isso nem faz sentido, mas eu gosto tanto, puxa...

Nosso beijo fez um barulhinho suave quando nos separamos, mas Jiminnie uniu nossos lábios novamente sem demora, me deixando rubro de felicidade. Me senti todo arrepiado quando, além de me beijar, Jimin subiu a mãozinha pela minha bochecha, passando os dedinhos pela lateral do meu rosto até chegar na minha orelha. Minhas bochechas coraram quando ele fez aquele carinho bom que me dá um nervosinho tremendo... puxa...

Acho que vou desmaiar de satisfação...

De repente, meu coração estava batendo muito rápido. Todos os detalhes daqueles beijos simples, em que nossas bocas apenas se tocavam por breves segundos, estavam me deixando extremante eufórico. E me fazendo gostar ainda mais de Jimin. Eu sempre gostei tanto dele, mas eu gosto ainda mais agora... puxa... eu gosto muito de gostar de Jimin... ele é tão doce... tão doce... como chocolate...

Talvez até mais que chocolate. De certa forma, eu até me sinto um chocolate quando estou com ele. Ou um sorvete. Eu simplesmente sinto que estou derretendo. Me sinto maluquinho por pensar assim...

Jiminnie desgrudou nossos lábios lentamente. Demorei um tempo para abrir meus olhos, completamente tonto porque, quando começamos a nos beijar, minha mente foi longe... como da última vez, eu fui para outra realidade.

E quando meus olhos perdidos e mansos encontraram os seus, Jiminnie riu baixinho.

— Você fica tão fofo quando fecha os olhinhos antes de eu te beijar... — ele disse, de repente. Seus dedinhos desceram pela minha orelha, ombros, e braços. Até chegarem em minha mão. — Dá vontade de ficar te olhando por horas...

Sua fala fez meu coração chacoalhar. Eu fico fofo fechando meus olhinhos... Jiminnie disse que eu fico, então eu fico...

— Puxa... — sussurrei, todo quentinho. Meu coração pedia para eu elogiá-lo também, então, eu disse a primeira coisa que veio na minha cabeça: — Quando seu óculos toca meu nariz... eu gosto tanto...

Só depois de falar em voz alta, eu percebi como minhas palavras soaram extremamente aleatórias e sem sentido. Minhas bochechas pinicaram de constrangimento.

— Pfft... — Jimin riu melodiosamente, seus olhos sorrindo lindamente. — Por que, Ggukie?

Engoli em seco, completamente quente. Puxa, puxa, puxa...

— Porque... assim eu fico lembrando o tempo todo que é você... — eu disse, atrapalhadamente. — E eu fico mais... m-mais feliz... puxa...

Mordi meus lábios com força. Me senti super bobo, mas não estava com medo da reação de Jiminnie. Afinal, eu já disse e fiz tantas coisas estranhas na frente dele... e Jiminnie sempre ri e gosta... é um alívio que ele gosta de mim mesmo que eu seja super esquisito, puxa...

— Jeongguk... — Jimin chamou. — Eu amo tanto como você pensa... tem e não tem sentido... é tudo de bom...

Isso me fez rir baixinho, e Jiminnie se juntou ao meu riso. Rir com ele era tão gostoso e confortável que eu senti vontade de abraçá-lo bem apertado. E assim, eu o fiz, me aproximando para passar meus braços por baixo dos seus, enlaçando suas costas macias e escondendo meu rosto em seu ombro quente e acolhedor.

Dei um suspiro, amando como Jiminnie é quentinho e macio. Funguei o cheirinho bom da sua roupa, e me senti todo feliz... o perfume de Jimin me deixa feliz...

Senti seus dedos nas minhas costas, apertando e afagando. Isso me fez tombar ainda mais minha cabeça em seu ombro, deitando a bochecha em seu ombro manhosamente.... puxa... eu poderia ficar aqui pra sempre...

— Hihi... você é tão bebê, Jungkookie... — Jiminnie disse, risonho. Isso me fez fechar os olhos, sorrindo também. — Eu amo como você se aninha no meu ombro... parece um filhotinho...

Ele ama como eu penso, ama como me aninho em seu ombro... ama, ama, ama...

— Hmmm... — murmurei palavras incompreensíveis. Jimin riu de mim.

— Só falta você ronronar... — Jimin sussurrou, e a forma como ele disse "ronronar" fez meu coração ficar quentinho. Senti suas mãos subirem pelas minhas costas, até chegarem em minha nuca e, em seguida, em meu rosto.

Jiminnie segurou-o e eu estava tão dormente que apenas segui suas mãos quando ele me afastou bem pouquinho de seu ombro. Com minhas bochechas entre suas mãos, Jiminnie abaixou seu rosto para me roubar um beijo na boca macio e breve. Meus lábios formigaram e eu fiz um biquinho no outro beijinho que ele me deu. Que bom, puxa...

Me senti agraciado quando Jiminnie desviou seus lábios, beijando minhas bochechas, o cantinho do meu nariz, e até meus olhos fechados, acarinhando toda minha pele com seus lábios amorosos. Tão bom, puxa...

— Meu amorzinho... — murmurou, sua voz soando manhosa e doce. Puxa. Puxa... — Até suas bochechas tem um cheirinho bom... — Tocou a pontinha de seu nariz na maçã do meu rosto, fungando de levinho antes de deixar mais um beijinho nela. Meus dedos tremelicaram e eu apertei suas costas, puxando sua camiseta de levinho com isso porque foi muito gostoso. Puxa...

Senti que derreteria a qualquer momento.

— Puxa... — sussurrei, voltando a apertá-lo mais, escondendo meu rosto em seu ombro mais uma vez. Jimin deu um suspiro amoroso. — Jiminnie... q-quando você diz essas coisas, eu não sei o que responder, puxa... — confessei, porque era verdade. Eu só queria ficar coladinho nele ouvindo, ouvindo e ouvindo, porque é tão doce e bom...

Não me canso de dizer que é bom, puxa...

— Não tem problema... — ele disse, subindo os dedinhos pelo minha nuca, infiltrando-os por baixo da minha touca. Meu couro cabeludo se arrepiou com o carinho. — Eu amo quando você só me abraça e me aperta... — Jimin murmurou. Ele ama... — Posso tirar sua touca? — indagou, brincando com a pontinha dela.

Por estar tão imerso no carinho de Jiminnie, eu quase disse que sim. Mas então, me lembrei de como meu cabelo estava embaraçado e alto, e balancei minha cabeça, negando suavemente.

— Tá uma bagunça... — sussurrei. — De verdade... eu dormi com ele molhado ontem e ele ficou muito cheio... — Minha fala fez Jiminnie rir.

— Mas eu já vi seu cabelinho bagunçado — retrucou. Quando me afastei sutilmente do abraço, encontrando seu rosto sorridente e olhos amorosos, quase cedi.

Quase... porque meu cabelo hoje tá parecendo uma juba de leão...

— Não do jeito que ele tá agora... tá super embaraçado — eu falei, sentindo meus ombros amolecerem quando Jiminnie fez ainda mais cafuné no meu couro cabeludo. — Não deu tempo de pentear hoje de manhã... e se você for fazer carinho nele, vai ficar com o dedo preso.

Jimin deu risada da minha fala, e eu ri também, me sentindo feliz e muito bobo.

— Sabe... — ele começou, baixinho. — Eu trouxe uma escova de cabelo uma vez pra cá e deixei no meu armário — sussurrou, tirando a mão do meu cabelo, colocando ambas as suas em meu ombro. — Posso pentear seu cabelo? — perguntou, com os olhos brilhando.

Senti minhas bochechas queimarem porque a ideia parecia muito, muito boa. Mas, puxa, se Jiminnie fizer isso, vai ver a minha juba de leão...

— Mas... meu cabelo tá todo pro alto... — eu disse, baixinho. Jiminnie riu um pouco.

— Não tem problema, Ggukie... — ele disse, levando sua mão até minha franja que saía pela pontinha da touca. — Deixa?

Sua voz saiu mais doce e amável do que antes. Isso fez meu coração palpitar e, quando encontrei seus olhos bonitos, tão pidões e bonitos, eu não consegui negar.

— Deixo... — eu disse, me sentindo um molenga. Ele nem precisou insistir, puxa...

Acho que nunca vou conseguir negar nada a Jimin. Não quando ele olha nos meus olhos assim... não quando ele sorri tão bonito quando eu deixo, puxa...

— Me espera aqui — disse ele, dando um beijinho estalado na minha bochecha. Dei um sorriso bobo. — Vou pegar a escova rapidinho. Já volto!

E antes que eu respondesse qualquer coisa, Jiminnie saiu caminhando para longe, praticamente saltitando de tão feliz. O segui com o olhar até ele passar pelas cadeiras e mesas quebradas, vendo-o dar risada sozinho enquanto o fazia. A maneira que ele ficou alegre me deixou tão eufórico que eu nem liguei pro fato de que ele estava prestes a ver o meu cabelo... ou melhor: o meu ninho de passarinho.

Afinal, mesmo com todas as minhas esquisitices, Jiminnie ainda gosta de mim. E sinto que, apesar de tudo, sempre vai ser assim.

JIMIN

 

Eu praticamente corri até meu armário para abri-lo, pegar a minha escova de cabelo, e então, fechá-lo.

A escova estava em perfeitas condições, com o cheirinho do meu shampoo e alguns fios ruivos presos nela. Eu os tirei com cuidado, jogando-os no lixo antes de fazer meu caminho de volta para a escada... ou será que eu deveria chamar ela de céu?

Afinal, ficar embaixo dela com um Jungkookie cheio de denguice por vários minutos só poderia ser isso. O céu... ai ai...

Meu coração estava acelerado e eu estava quase dançando enquanto andava. Ficar de chamego com Jungkookie sempre me deixa feliz, mas dessa vez, estou absurdamente feliz. A maneira que ele deitou o rostinho quente em meu ombro e ficou falando arrastado, cheio de manha, me fez ficar ainda mais apaixonado por ele. E estar apaixonado me deixa feliz. Tive que me segurar muito para não sair falando que amo ele incontáveis vezes sempre que o beijava... e nossa. Beijar seus lábios se tornou uma das minhas coisas favoritas nesse mundo...

Fala sério, eu o amo demais...

Não consegui parar de sorrir por um segundo sequer enquanto caminhava de volta para a escada e, quando entrei debaixo dela, fiquei ainda mais sorridente. Principalmente quando encontrei Jungkookie com meus olhos. Coisa linda...

— Peguei — falei, balançando a escova na minha mão. Jeonggukie, que estava encostadinho na parede, se ergueu sutilmente.

— Puxa... que rápido — ele disse, com um sorrisinho miúdo.

Dei risada, e quando fiquei pertinho dele, fiz um carinho em seu ombro.

— Eu fui bem rapidinho porque estou muito ansioso, hehe — eu disse, com um sorriso bem grande. Jeongguk sorriu de volta. Lindo, lindo, lindo... — Vem, vamos nos sentar. — Puxei seu ombro.

Jungkook piscou um par de vezes.

— Aonde? — ele perguntou, confuso já que todas as cadeiras ali estavam quebradas.

— No chão — falei.

Ri baixinho, e comecei a me sentar no chão, puxando Jungkookie comigo pelo ombro, até ficarmos de joelhos. Quando me joguei para trás, sentando sobre meus calcanhares, meu amorzinho fez o mesmo, mas se jogando completamente, até estar sentado com suas perninhas cruzadas.

Dei um sorriso porque ele fica fofo demais assim...

— Agora tira a touca... — eu pedi, ansioso para ver seu cabelo todo pro alto porque, na minha imaginação, isso é muito fofo...

Jungkookie, sentado de frente para mim, parou por um momento. Suas bochechas ficaram rubras e a visão era tão amorosa que eu ri baixinho, completamente apaixonado pelo seu jeitinho fofo de ser.

— Puxa... acho que você vai dar risada — ele disse, levando os dedos hesitantes até a pontinha da touca.

— Prometo que não vou... — eu disse, mordendo meu lábio inferior ansiosamente.

— Não tem problema se você rir, puxa... — ele puxou a touca de uma vez, fazendo um biquinho e desviando o olhar.

E eu? Bem... eu dei um sorriso bem grande.

Os cabelinhos de Jungkook estavam realmente bagunçados. Acho que a touca deixou eles ainda mais embaraçados e arrepiados, mas, caramba... ele ficava tão bonitinho com ele assim! Tão cheinho e embolado. Fica parecendo um... um... um bebê...

Céus, como ele é fofo...

— Awn... — eu murmurei, sem me aguentar, vendo algumas pontinhas do seu cabelo fazendo curvinha. — Tá tão fofinho... você é muito fofo, Ggukie... — eu disse, sorrindo largo, me inclinando para frente para alcançar sua franja.

Quando fui fazer carinho, seu cabelo embolou no meu indicador, exatamente como ele disse que aconteceria.

Jungkookie riu quando percebeu.

— Eu disse que você ia ficar preso... — ele disse, com um sorrisinho, bem menos tímido agora. Sorri com ele, rindo.

— Ficar preso com você para mim é vantagem — eu brinquei, fazendo Jungkookie rir mais. Amo tanto quando ele ri... simplesmente amo ele demais. — Vem aqui... senta de costas pra mim. Vou começar a pentear.

Meu amor assentiu com a cabeça e começou a se virar. Eu estava sentado sobre meus calcanhares, mas os coloquei no chão, e fiquei sentado com as pernas um pouco abertas. Com Jungkookie na minha frente e sua nuca em meu campo de visão, peguei a escova de cabelo e comecei a afagar seus fios bagunçados e embolados.

— Se puxar, me fala, tá bom? — eu disse, prendendo um pouco de cabelo entre meus dedinhos, apertando-os ali antes de pentear. Assim, eu não puxo seu couro cabeludo... — Eu vou ir fazendo assim, mas posso puxar sem querer...

— Tudo bem... — ele disse, tranquilo enquanto eu passeava minhas mãozinhas com a escova por seu cabelo, penteando fiozinho por fiozinho com bastante cuidado e carinho.

Afinal, esse cabelinho significa o mundo para mim...

É a coisinha mais linda que existe.

Jungkookie, com o tempo, se inclinou ainda mais para trás, relaxando conforme eu desembaraçava suas madeixas. Era tão fofo ver como elas ficavam mais escorridas quando eu as penteava... o cabelo de Jungkookie ia ficando mais comprido e menos cheio, e estava tão cheiroso... por penteá-los, o cheirinho bom ficava cada vez mais evidente. É sem dúvidas o paraíso...

Assim que penteei a parte de trás e as laterais completamente, toquei o ombro de Jungkookie até ele se jogar mais para trás. Foi fofo demais quando ele simplesmente se deitou sobre mim; suas costas usando minha barriga de travesseiro e sua nuca acolhida no canto da minha clavícula, bem perto do meu ombro. Fechei minhas pernas com carinho para acolhê-lo ainda mais no meu colinho.

— Fofinho... — sussurrei, rindo baixinho enquanto escovava sua franja, por último. Ela não estava tão embaraçada, então não precisei escová-la por muito tempo. Só acabei tirando as ondinhas na pontinha dela, assim como o resto do seu cabelo.

Sem parar de pentear, dei uma espiadinha no rosto de Jeonggukie. Quando percebi que seus olhos estavam fechados, quase desmaiei de amor. Ele é mesmo muito bebê...

Deixei a escova de lado por um tempo, colocando meus dedos entre seus fios, agora, lisos e macios. Fiz um carinho gostoso em seu couro cabeludo e ouvi Jeongguk suspirar. Que amor...

— Eu terminei... — falei, percebendo que os cabelos de Jungkook estavam exatamente como no primeiro dia do acampamento, de noite. Ele deve ter escovado eles aquele dia... — Eu puxei? — perguntei, sem parar de acariciar seus cabelos com meus dedos, sentindo como eles estavam completamente desembaraçados agora.

— Hm? — ele murmurou, abrindo os olhos.

Ri baixinho.

— Puxei seu cabelo? — perguntei, sem parar de mexer neles porque, sério... são tão macios e cheirosos. É muito gostoso fazer carinho...

— Não... — ele disse. Então, riu baixinho, dizendo aleatoriamente: — Jiminnie, você está usando meias diferentes...

Espiei meu allstar azul e minhas meias aparecendo, percebendo que, realmente, elas são diferentes. Uma é azul e outra é branca...

— Ih... — murmurei, rindo baixinho junto com ele. — Sabe... essa é a intenção, Kookie. Eu estou super atualizado e meias assim são tendência hoje em dia. Você, infelizmente, está fora de moda... — eu brinquei, fazendo Jeonggukie rir mais.

— Tem certeza disso, Jiminnie? — ele indagou. Franzi o cenho quando Jungkookie ergueu um de seus pés, puxando o cano alto para baixo para me mostrar a cor da sua meia do pé esquerdo. Branca. — Woah! — exclamou ao puxar seu tênis levemente e me mostrar a meia do seu pé direito logo em seguida:

Verde com estampa de sapinhos sorrindo.

Não aguentei a surpresa boa e comecei a rir um monte. Jungkookie riu também, e de repente, estávamos dando risada das nossas meias. Das nossas meias, poxa! Acho que a paixão deixou a gente tão maluquinho que tudo que acontece entre nós é engraçado demais...

E é muito, muito divertido também...

— Você me pegou de surpresa! — eu disse, sem parar de rir.

— Eu só comentei porque as minhas estão diferentes hoje também! — ele disse, risonho. — Você sempre vem com meias diferentes mesmo... eu nem falo nada porque já me acostumei...

Fiz um biquinho, dando um tapinha em seu peito.

— Aff, é verdade... eu quase nunca encontro o outro par das minhas meias — falei, levando minha mão do seu peito até seu pescoço. Apertei a gordurinha macia presente ali, fazendo Jungkookie rir um pouco. — Será que todo mundo percebe e me julga? — questionei.

— Aposto que eu sou o único que olha pra sua meia — disse ele, tranquilamente. — Puxa. Isso soou meio estranho...

Ri baixinho, negando com a cabeça para apertar sua bochechinha.

— Não é estranho... é fofinho... — eu disse, sorrindo. — Eu gosto de olhar seu tênis... você sempre vem com um allstar diferente...

— Eu gosto mais do preto e do vermelho... eu também gosto do azul... — ele comentou. — Só que gosto tanto que quase não uso...

Ri baixinho.

— Por quê? — perguntei, fazendo carinho em sua bochecha agora.

— Pra ele ficar novinho pra sempre, puxa... — disse ele, baixinho. Fofo... — Sabe... eu gosto do seu tênis também... — Jungkookie disse, esticando a perna suavemente até nossos pés estarem lado a lado. — Seu allstar azul combina com o meu preto, de cano alto...

Dei um sorriso grande com a sua fala, fitando nossos pézinhos juntos. Eles combinam mesmo...

— Acho que nós dois combinamos... — falei, abraçando seu pescoço com meus braços, com muito carinho. — É por isso que vamos ficar juntos pra sempre... — sussurrei, apoiando meu queixo em meu próprio braço e, consequentemente, colando a lateral do meu rosto à sua.

Por estar tão pertinho, pude ouvir Jungkookie suspirando melodiosamente. Isso me fez sorrir.

— Puxa... — ele sussurrou, erguendo sua mão para segurar a minha com carinho.

Naquele segundo, senti saudades de Jeongguk antecipadamente. Senti saudades da sua forma de me corresponder, do seu cabelinho bagunçado, e do seu allstar preto de cano alto...

Senti saudades do meu amorzinho e aproveitei ao máximo o resto do tempo que tínhamos juntos naquela segunda-feira calorosa e cheia de muito amor.

***

— Sim, ela custa isso tudo... — Yoongi falou, do outro lado da linha. Fiquei chocado. — Eu até vi uma mais barata, mas é de uma marca muito ruim! Já comprei antes, ela começa a embolar muito rápido... não vale a pena.

— Poxa... — eu murmurei, fazendo um biquinho. — Eu estava querendo comprar outras coisas pra ela também, mas essa fita leva a minha mesada todinha. Que cara...

 É cara mesmo. Mas ela é uma das melhores — disse ele. — Aliás, você vai poder vir aqui em casa amanhã? — perguntou.

— Na verdade, minha mãe disse que era melhor na quarta. Amanhã ela volta mais cedo e não tem como me buscar... na quarta ela pode voltar de carona com a amiga dela — falei, pensativo. — É até melhor... vou ter mais tempo para escolher as músicas.

 Não deu tempo de escolher nas aulas que você matou hoje, não? — Yoongi perguntou, curiosamente.

— Hum. Pior que não... — murmurei, me sentindo culpado por estar mentindo.

Afinal... quando me encontrei com Yoon no ônibus hoje, depois de sumir das últimas aulas, eu precisei mentir para ele. Falei que tinha matado as aulas de ciências porque estava muito ansioso para planejar e escolher as músicas da fita. Eu precisava inventar algo, e ele acreditou em tudo que eu disse, mas ainda me sinto meio culpado...

 Ah, sim... — disse ele, suspirando. — Ok, eu estou vendo algumas músicas românticas aqui. Na quarta você vem, então.

— Sim... — eu disse, dando um sorriso. — Obrigado, Yoongi.

 De nada... — disse ele, preguiçosamente. — Agora eu vou comer. Tchau.

Ri baixinho de seu jeitinho de se despedir, balançando a cabeça e dizendo:

— Ok, ok... tchau — falei. — Boa noite.

Depois de desligar o telefone, fui até a cozinha e esperei Leonor acabar de fazer o jantar em silêncio. Fiquei me lembrando dos momentos amorosos que tive com Jungkookie na escola, mais cedo, e rindo sozinho, atraindo o olhar da minha mãe.

Ela deu uma risadinha.

— E aí? — ela perguntou, de repente. A olhei. — Tá todo serelepe por quê? Lembrou de alguma coisa engraçada de novo? — Arqueou uma das sobrancelhas.

Ri baixinho, balançando minha cabeça positivamente. Mamãe apenas riu e voltou a cozinhar, sem nem perguntar o que era. Logo, voltei a sonhar acordado sobre Jungkookie e seus cabelinhos... que saudade...

Quando a comida ficou pronta, minha mãe e eu comemos juntos no sofá, vendo novela, e assim que terminou, ela subiu para se banhar e dormir, deixando a cozinha para eu arrumar. Fiquei meio bicudo, admito, mas arrumei tudo bem quietinho...

Depois que terminei, lavei minhas mãos, escovei meus dentes e fui me deitar, ansioso para ver Jungkookie amanhã. Não vamos poder matar aula de novo porque ele precisa fazer algumas das provas que perdeu quando foi suspenso, mas só a ideia de vê-lo me deixa feliz.

Logo eu dormi com um sorriso no rosto.

No dia seguinte, na escola, as coisas ocorreram normalmente. Só cheguei a ver meu amorzinho no ônibus no início da manhã, já que ele ficou em uma sala separada da nossa para fazer os testes e provas. Nós até conseguimos nos falar no intervalo, mas Seokjinnie e Yoonie estavam juntos, então foi muito breve. Mesmo assim, valeu a pena...

Encontrei Taehyung no clube de música mais tarde e ele ficou envergonhado quando se deu conta de que esqueceu de trazer a fita e as letras.

— Amanhã eu trago! Mas me lembra — ele disse, coçando a nuca. — Eu me esqueço de tudo... quando chegar em casa, me liga e me lembra de colocar na mochila, tá? — pediu.

Ri baixinho, abanando a cabeça.

— Tá bem, Tae — eu disse, sorrindo.

— Mas só desliga o telefone quando eu confirmar que coloquei na mochila, ok? — disse ele. — Se bobear, eu desligo o telefone e me esqueço! Então só desliga quando eu disser que coloquei!

E depois de me passar mais instruções sobre como não deixá-lo esquecer sobre a fita e as traduções, Taehyung, Seokjin, Hoseok, Namsoon e eu fizemos nossas atividades do clube. Niuke tinha faltado e Jungkookie estava fazendo mais provas... fiquei jogando baralho com o Hobi, e venci ele todas as vezes. Isso me fez sentir saudades do meu amorzinho... mas ainda foi legal jogar com o Hoseokie. Ele até que era bem bom no baralho...

Quando cheguei em casa, corri até o telefone e liguei para Taehyung. Depois de lembrá-lo sobre a fita e me certificar que ele guardou ela e as traduções em sua mochila, nós nos despedimos e desligamos. Sendo assim, aproveitei para dar uma ajeitada na casa, e depois, separei tudo para ir na casa do Yoongi amanhã — inclusive o dinheiro da fita.

No dia seguinte, Jeonggukie ficou ocupado com as provas também. Ele nos contou, no intervalo, que escolheu terça, quarta e sexta, daquela semana, para fazer todas as provas. Como quinta-feira era seu aniversário e domingo não dava tempo dele estudar, ele optou por esses dias.

Fiquei feliz por ele estar tranquilo enquanto lanchava conosco. Isso significava que ele estava se saindo bem nas provas... espero que dê tudo certo para meu amor sempre.

O resto da aula foi tediosa depois disso, e eu até dormi no último tempo. Fui acordado por Yoongi quando o horário de ir embora deu, e saí junto com ele, me lembrando de última hora que tinha que pegar a fita e a folha com Taehyung.

Chegando no estacionamento, tive que correr até o ônibus do Tae para pegá-las antes dele sair. Foi uma cena engraçada porque o motorista estava prestes a ir e me levar junto com eles, mas felizmente, consegui pegar a fita e as traduções e descer a tempo! Mesmo assim, Hoseok e Taehyung ficaram rindo muito de mim... admito que, no fim, eu ri um pouquinho também.

Depois disso, ainda tive que correr para o meu ônibus, mas foi a toa, porque o nosso motorista estava no banheiro. Eu só me dou mal mesmo...

Yoongi deu risada de mim e de como eu estava sem fôlego e Seokjin me deu sua água gelada assim que me sentei. Jungkookie ficou com os olhinhos curiosos sobre mim, e eu apenas disse para todos eles que tinha esquecido uma coisa importante. Foi uma desculpa esfarrapada, mas pelo menos colou e eles não perguntaram mais nada...

A viagem de ônibus foi rápida e comum. Não era minha vez de ir na janela, mas mesmo assim, fiquei espiando Jungkookie quando ele desceu. Quando Seokjin se foi, agradeci a ele pela água e me despedi dele também. Logo, o ponto de Yoongi chegou e nós fomos descer...

Quando pisamos fora do ônibus, não fizemos o mesmo caminho de sempre, que nos levava para sua casa... muito pelo contrário! Yoon e eu fomos para o lado oposto, prontos para comprar a minha fita novinha.

Em certo ponto da caminhada, meu melhor amigo disse:

— Vamos aproveitar e comprar batatas — ele falou, de repente. Ergui uma sobrancelha, confuso, e logo Yoon me explicou: — Quero almoçar batata frita.

Ri baixinho de sua fala.

— Só batata frita? — perguntei.

— É. Com Ketchup. — Deu um sorriso. — Mas antes vamos comprar a fita. Você já decidiu qual mensagem quer gravar pra ela? — perguntou, e eu assenti com a cabeça.

— Já sim. E vou terminar de selecionar as músicas hoje.

— Ok — ele disse, e ao virarmos uma esquina, chegamos em uma rua mais movimentada. Olhei em volta, curioso com o ambiente novo. — Você vai usar alguma das minhas músicas?

Quando o sinal fechou, Yoonie e eu atravessamos a rua. E enquanto fazíamos isso, eu dei um sorriso e assenti.

— Sim! Eu confio muito no seu gosto musical, Yoonie — eu disse, olhando para meu melhor amigo com bastante carinho.

Quando chegamos na calçada, Yoongi não respondeu minha fala. Ele apenas deu um sorriso fofinho e pequeno, dando uma balançadinha com a cabeça sutil. Awn. Eu ainda penso na forma que ele não consegue demonstrar seus sentimentos sem ser extremamente discreto...

E eu ainda demonstro o dobro por ele também.

Yoon e eu continuamos nosso caminho até a loja e chegamos nela rapidamente. Quando entramos, percebi que ela era parecida com a loja de eletrônicos onde comprei meu walkman, mas muito mais organizada. Fiquei distraído olhando as vitrolas e os walkmans enquanto Yoongi falava e pedia a fita ao balconista.

Logo o funcionário a entregou e, então, Yoongi veio até mim com a fita bonitinha em uma caixinha mais bonitinha ainda, em suas mãos.

— Aqui — disse ele, me entregando. — Agora é só ir no caixa e pagar.

Balancei a cabeça, assentindo, e nós fomos até o caixa juntos.!Yoongi ficou olhando os chaveirinhos enquanto eu pagava, e depois que a moça colocou a fita na sacolinha, nós saímos pela porta juntos.

— Vamos alugar um filme também? — perguntei para Yoongi quando passamos em frente a uma locadora. — A gente pode assistir depois de gravar a fita, né?

— Sim... — ele disse, dando um sorriso travesso. — De terror, né?

Ri baixinho e nem pensei em negar. É engraçado e divertido ver filmes de terror com Yoongi porque ele fica rindo horrores. Aí eu nem fico com medo!

— Claro que sim — eu disse, entrando na locadora logo depois dele.

Assim que uma das atendentes viu a gente entrando, começou a nos seguir pelo estabelecimento. Já até sei que é porque ela tem medo da gente tentar espiar a sessão para adultos.

Até parece...

— Seokjin me indicou um filme quando fomos no acampamento! Acho que o nome é "Arrepio e o medo"... ou algo assim... mas tinha uma palavra em inglês também — falei, seguindo-o até a sessão de filmes de terror, ignorando a atendente.

É tão normal isso acontecer nas locadoras que é completamente normal para nós, adolescentes, simplesmente ignorar.

— "Arrepio e medo"... hmmm... — Yoongi murmurou, olhando os filmes, ignorando a moça também (viu como é normal?). Aproveitei e olhei também, procurando por aquelas palavras na estante. Depois de um tempinho, Yoongi ergueu uma das fitas da sessão. — Seria esse?

Me aproximei dele e li o nome do filme. "Creepshow - Arrepio do Medo". É esse mesmo!

— Isso! — eu disse, rindo. — Nossa, eu confundi um pouco o nome, mas é esse mesmo. Jin disse que é assustador e muito legal — falei, enquanto Yoongi virava a fita para ver a sinopse e as imagens do filme.

— Parece legal mesmo — disse ele. — Tá bom, vamos levar esse!

Depois de pagar pelo filme alugado, eu e Yoongi saímos da locadora. Passamos em um Hortifruti pra comprar as batatas, e ainda fomos ao mercado comprar pipoca, refrigerante e macarrão instantâneo. Só então fomos para a casa de Yoongi, cheios de compras nas mãos.

Quando chegamos e entramos em sua casa, colocamos tudo na cozinha, deixando apenas a fita do filme a fita k7 na escada, junto com as nossas mochilas. Começamos a fazer nosso almoço — batata frita com ketchup — logo em seguida.

Ficamos descascando as batatas e depois as fatiamos. Elas ficaram tortas e feias, mas o que importa é que dá pra comer!

Yoongi fritou elas e eu fiz uma limonada. Comemos arroz com batata e muito ketchup e, sim, estava muito gostoso!

Nos sentamos para comer juntos e, em certo ponto, me vi perguntando:

— O que você tá fazendo? — indaguei quando vi ele jogando um pouco de melado na batata.

— Eu tô deixando a batata frita mais chique — respondeu Yoongi, comendo a batata cheia de melado.

Fiz uma careta.

— Eca.

Yoongi apenas riu, continuando a fazer isso com suas próximas batatinhas. Esse meu melhor amigo é um nojento mesmo...

Quando terminamos nosso almoço, Yoon e eu lavamos a louça juntos — ele lavando e eu secando. Ao terminarmos, subimos para seu quarto cheios de preguiça, e eu queria muito tirar uma sonequinha pós-almoço... mas a fita era mais importante. Afinal, o aniversário do Jungkookie ja é amanhã e eu não quero atrasar seu presentinho.

É importante, poxa...

Quando Yoongi entrou no quarto, se jogou com tudo em sua cama. Eu, vendo isso, não deixei ele dormir. Muito pelo contrário! Fui até ele e segurei seus pulsos com força.

— Ei, ei... — chamei, o puxando para ficar de pé com bastante força. Ele resmungou, e já estava até de olhos fechados. — Depois você dorme! Vamos fazer a fita.

— Ah, depois, depois... — ele tentou se soltar das minhas mãozinhas, mas eu fui mais rápido em puxá-lo mais.

Depois do que pareceu uma eternidade, Yoongi finalmente ficou de pé. Dei um sorriso e fiquei atrás dele, dando batidinhas em suas costas, o empurrando até a escrivaninha.

— Depois você vai poder dormir bastante — eu falei, fazendo-o se sentar na cadeira da escrivaninha. — Vai, me fala! Qual é o primeiro passo?

Yoongi demorou um pouco para responder, com uma carranca enorme por causa do sono. Ele parece um gatinho mal humorado...

Depois de um tempo com o cenho franzido e uma careta de descontentamento enorme no rosto, Yoon se virou na sua cadeira. Ele abriu uma das gavetas da sua mesa, e tirou um caderninho de lá. Folheou por um tempo, e depois me o entregou, aberto.

— Nas próximas cinco páginas tem as traduções das músicas que eu peguei — ele disse, me passando. — E eu passei as músicas pra uma fita ontem porque aí fica mais fácil na hora de gravar. Aí depois que você selecionar as que você quer, é só a gente gravar e você fazer a mensagem — ele disse, e a cada palavra, proferida, Yoongi bufava.

Dei um sorriso pequeno quando ele me entregou a fita, que estava na mesma gaveta que o caderninho.

Pensei bem no primeiro passo que se consistia em: escutar as músicas, ler as letras, e decidir quais eu queria colocar na fita. Como eu estava planejando escrever elas e dedicá-las ao Jeongguk, parei e me peguei pensando se eu poderia simplesmente deixar Yoongi dormir um pouquinho enquanto fazia isso... afinal, eu ainda preciso ouvir as do Tae, também... pode demorar...

No fim, eu senti que estava tudo certo. Posso fazer o rascunho da cartinha de uma vez e me adiantar, e Yoongi pode dormir.

— Ok, eu vou fazer isso — eu disse, o puxando pelo braço para ele sair da cadeira. — Vou aproveitar para escrever a cartinha que vai junto com a fita. Você pode dormir um pouco. — Dei dois tapinhas em seu ombro, sorrindo amigavelmente.

Yoongi, quando ouviu minha fala, deu um suspiro melodioso. É até engraçado a forma que a carranca sumiu de seu rosto e ele apenas balançou a cabeça, indo até sua cama e se jogando lá — sem nem tirar os sapatos antes! — enfiando o rosto em seu travesseiro.

Pfft... Yoon fica de bom humor sempre que está prestes a dormir... tomar café e tirar uma soneca são suas coisas favoritas no mundo. É engraçadinho...

Fui até minha mochila e tirei meus fones e walkman de lá, o ligando e conectando corretamente antes de tirar a fita que estava dentro dele, a substituindo pela que Yoongi me deu. Abri o caderno, e comecei a ler a letra das músicas que ele escolheu enquanto as escutava nos fones.

A primeira que me chamou a atenção, de verdade, foi a terceira música a ser tocada. Ela era do Queen, com uma melodia calminha, e me fez ficar bobinho principalmente pela letra.

Me lembrei totalmente dos dias em que fiquei suspenso e com saudades de Jungkookie.

Dei um suspiro, porque a música tinha uma história. Parecia ser sobre um homem que encontrava uma moça um dia, e então, ficava torcendo para encontrá-la de novo em todos os outros. Na forma literal, não tinha muito a ver comigo e com Jeonggukie, mas quando eu pensava no sentimento de querer tanto, tanto ver e passar mais tempo com alguém, fazia tanto sentido. A forma que eu torci para poder vê-lo cada vez mais nas férias, quando fui suspenso, e quando ele foi suspenso, foi assim... é uma saudade e esperança tão grande. Um tipo de esperança amorosa... que só é acalmada quando nos vemos ou conversamos.

O jeitinho que o cantor disse, na letra, que queria que a sexta durasse por toda a eternidade, me lembrou das sextas incríveis que já tive com Jungkookie...

Eu amei muito.

Eu não sei explicar, mas... decidi selecioná-la pela sensação que ela me deu. Logo, escrevi o porquê a coloquei na fita em minha agenda, fazendo o rascunho da primeira parte da minha carta. Só quando acabei, voltei a ler as outras letras.

A próxima música que selecionei da fita do Yoongi era do Queen também. Lendo a letra, me lembrei tanto de Jungkookie e eu... a música era sobre amor. Era animada e feliz, e me fazia pensar em todos os momentos que Jeonggukie e eu demos risada juntos... era uma lembrança ótima e uma sensação melhor ainda. Não demorei nadinha para escrever um monte sobre isso, já copiando a parte da letra que me fazia pensar nele na minha agenda.

Depois disso, peguei a folha de caderno que Taehyung me deu no bolsinho da minha mochila, a abrindo e lendo a letra da música que eu pedi para ele. Dei risada porque, em algumas partes, ele desenhou umas carinhas confusas com "Putz, não sei se é isso mesmo, mas acho que é, mas não sei, hein" me fazendo sorrir. Mesmo incerto, escrevi isso na agenda, incluindo o que Tae disse sobre não saber se estava certinho, e ouvi sua fita para escolher algumas músicas.

No fim, escolhi três músicas da fita do Tae. Uma do Elton John, pela letra bonita, a que eu e Jungkookie dançamos juntos, e uma antiga que minha mãe sempre ouvia.

Sendo assim, minha fita estava completa com sete belas músicas sobre amor.

Finalizei o rascunho da minha carta pouco tempo depois. Eu estou tão apaixonado por Jungkookie que as palavras simplesmente apareceram no papel, como se esperassem ansiosamente para serem colocadas para fora em forma de confissões bonitas. Esse pensamento me fez rir sozinho...

Ao terminar o rascunho da carta, fui atingido por uma dúvida boba: finalizar com "Amorosamente, Jimin" ou "Com amor, Jimin"... demorei um pouco, mas consegui escolher uma.

Só que... ainda sim, parecia faltar alguma coisa ali, em meu nome. Será que era o sobrenome? Ou outra coisa...?

Senti meu rosto queimar quando me dei conta do que tanto queria colocar no fim da carta de Jeongguk. Quando me lembrei do nosso beijo no domingo, e da forma que ele disse que estava com ciúmes, não hesitei em mordiscar meus lábios e finalizar a carta com...

 

"Com amor,
Seu Jimin."

 

E daquela forma, senti que ela estava perfeita. Pronta para ser passada a limpo e entregue ao meu amor em seu aniversário....

Terminando isso, olhei o relógio e percebi que já tinha dado cinquenta minutos desde que comecei a fazer tudo sozinho. Logo me levantei e fui rapidamente até o banheiro, aproveitando para pegar um pouco de água no andar de baixo antes de voltar e acordar Yoongi para terminarmos a fita.

Por incrível que pareça, quando ele acordou, não estava mal humorado, então nós apenas começamos a gravar a fita que já tinhas as músicas na ordem para gravação.

Yoongi abriu seu armário e tirou seu gravador de lá, que se consistia em duas peças: uma menor e uma maior. Fiquei o observando colocar as pilhas em ambos, e depois conectá-los com um fio, super em dúvida porque nunca vi ninguém gravando uma fita k7 antes. Esses gravadores são bem carinhos...

— Esse gravador é bem antiguinho, mas ele é muito bom — disse ele, abrindo o aparelho maior para colocar a fita nova que compramos. — A gente coloca a sua fita nova aqui no gravador. — Ele colocou, fechando logo depois. — E a fita que tem a primeira música que você quer, aqui, no toca-fitas — colocou no aparelho menor. Era um toca fitas, mas muito diferente do walkman. — Antes da gente apertar para gravar, temos que esperar a música que você quer chegar no toca fitas. Mas como dessa vez é a primeira, nós só temos que...

E então, Yoongi deu play na fita em seu toca fitas, clicando em "record" no gravador logo em seguida. E então, as duas fitas estavam rodando em sincronia. Achei lindo como o rolo delas giraram em sincronia...

— Wow... — murmurei, chegando mais perto.

— A gente tem que esperar a música acabar antes de colocar a próxima — ele disse, e alguns minutos depois, murmurou: — Aqui. — Yoon me chamou, abanando sua mão. — Se quando a música que colocamos primeiro acabar e a gente não pausar o gravador, você vai perder um tempão da sua fita e vai ter que rebobinar tudo. É bem chatinho quando acontece, então, sempre que uma música acaba... — Ao que Yoongi falava, a primeira música chegou ao fim. O vi pausar o gravador, fazendo o rolo da fita parar de girar. — Você tem que parar de gravar. E quando colocar a outra fita, tem que apertar em "record" assim que a próxima música da sua mixtape começar.

Assenti com a cabeça, vendo Yoongi tirar sua fita com a música do Queen do toca fitas, colocando uma das minhas, que eu especifiquei que tinha a música dos Beatles que eu queria. Depois de passar um tempo avançando a fita, ele parou quando a música dos Beatles chegou. Então, voltou um pouquinho, e esperou ela começar para voltar a gravar em seu gravador — fazendo as fitas rodarem em sincronia novamente.

Fiquei confuso, mas muito maravilhado também...

Pelo resto da gravação, Yoongi me explicou sobre seu toca fitas e aquele gravador de mesa, que era dos anos setenta. Sua mãe tinha trago para ele depois de uma conferência na capital — nossa, que ricos! — e funcionava bem até hoje. Adorei poder ouvir um pouco sobre isso...

Ficamos conversando sobre essa tecnologia enquanto Yoon gravava toda a minha fita. Em certo momento, me sentei na beira da sua cama e apenas o assisti fazer tudo na escrivaninha. Quando a última música, que era do Pink Floyd, chegou, Yoongi disse:

— Como essa é a última, você tem que gravar sua mensagem depois dela — disse ele, se virando para mim. — Vou te ensinar como fazer, aí te deixo gravando aqui, ok? Tô doido pra descer e fazer um café.

Sorri feliz, e assenti com a cabeça, me aproximando da mesa. Quando a música do Pink Floyd terminou, Yoongi pausou o gravador. Então, desconectou o fio dele que estava ligado ao toca-fitas, e começou a explicar:

— Agora você deve ter uns dois ou três minutos pra dizer alguma coisa. Você vai apertar o gravador quando se sentir pronto para falar... — ele começou a dizer, apontando para o botão "record". — E quando terminar, aperta em parar. — Me mostrou o botão de parar. — Mas pelo amor de Deus, não aperte nenhum outro botão ou você pode apagar a fita toda! E se você fizer isso, eu vou te matar...

Dei uma risadinha, assentindo com a cabeça enquanto Yoongi se levantava da cadeira da escrivaninha, me dando espaço pra me sentar. E quando eu fiz isso, recapitulei:

— Ok, então... aperto em gravar, falo, e aperto em parar — eu repeti, vendo Yoongi assentir. — Tá bom, acho que entendi... mas, tenho que falar pertinho do gravador? Pra minha voz sair direitinho?

— É só você ficar aí onde você tá que ele já vai gravar bem — disse Yoongi, rindo baixinho. — Só não fica muito tempo porque se não a fita vai te cortar e vai ficar horrível!

— Tá bem, tá bem... vou falar só um pouquinho — eu disse, bicudo, porque escrevi um textão para falar no fim da gravação.

Pelo jeito, vou ter que encurtar minhas palavras...

— Qualquer coisa você me chama, então — ele disse, sorrindo. Levantei meu polegar para ele, sorrindo e assentindo com a cabeça. — Você vai querer café também ou eu faço só pra mim?

— Pode fazer só pra você — respondi. — Obrigado, Yoonie.

Yoongi apenas assentiu com a cabeça e saiu do quarto. Esperei ouvir os passos dele descendo as escadas, e depois, me levantei para dar uma espiadinha no corredor. Quando vi que Yoongi já não estava no andar de cima, fechei a porta do quarto e me sentei rapidamente na cadeira perto da escrivaninha. Completamente pronto para começar a gravar a mensagem super romântica que eu tinha preparado para Jungkookie...

Peguei minha agenda de novo e reli mais uma vez o que eu tinha escrito para ele. Testei minha voz, e quando me senti pronto, cliquei no botão e comecei a gravar.

— Oi, Jungkookie... — eu sussurrei, primeiramente. Depois me senti tão bobo que dei uma risadinha. — É estranho falar com você desse jeito, mas como a fita está no finalzinho, eu vou ser rápido e dizer tudo que eu sempre quero te dizer e que, na maioria das vezes, eu te digo de qualquer jeito. Acho que essa mensagem final serve para reforçar todas essas coisas que eu falo pra você... pra você nunca se esquecer delas... — murmurei, e então, comecei a falar tudo que eu queria dizer ao Jungkookie.

Tentei ao máximo não enrolar muito, mas acho que o fiz de qualquer jeito. É provável que o universo esteja ao meu lado quando o assunto é dar amor ao Jeongguk porque, assim que terminei de falar, a fita parou de girar. Eu nem precisei apertar no botão para parar, porque ela simplesmente acabou... mas deu tempo de falar tudinho. Nem fui cortado, ufa...

Sorri sozinho, feliz com isso. Deixei a fita no gravador, e saí do quarto, em busca do Yoon:

— Yoongi! Já terminei! — eu disse, encontrando-o no ínicio da escada com uma caneca cheia de café. — E agora? Como que tira?

— Vou tirar pra você — disse ele, e sua voz soava mais macia e amigável agora. Bendito seja o café...

Depois que chegamos no quarto, Yoongi tirou a fita e me entregou. Ele também pegou um papel sulfite cortadinho e me entregou, e explicando como usar ele como a capinha da minha fita k7. Decidi fazer como Jungkookie fazia em suas fitas... colocando o nome das músicas selecionadas, e dando um nome para a coletânea de músicas.

No fim, enquanto olhava para a fita em minhas mãos, decidi que o nome dela seria 01. Em homenagem a fita 13, que apesar de não ter sido feita ou dedicada para mim, me fez sentir especial por ser chamada de treze, que é o dia em que eu nasci. Vou aproveitar e adicionar isso na cartinha...

Guardei o papel e deixei para fazer isso em casa. Depois de deixar minhas coisas organizadas, Yoongi e eu descemos as escadas e fomos ver o filme de terror na sala. Comemos pipoca, tomamos refrigerante e rimos horrores — Yoongi ria do filme e, consequentemente, eu ria dele e de sua risada esganiçada. Apesar de ter uma voz grave e um comportamento discreto, Yoongi ria de um jeito hilário... ele até gritava às vezes! Na minha opinião, isso só deixava ele ainda mais legal.

Depois do filme, Yoongi e eu fomos jantar nosso macarrão instantâneo com mais limonada ainda. Estávamos acabando de comer quando, lá pelas oito horas da noite, minha mãe chegou de carona com sua amiga do trabalho; buzinando do lado de fora da casa do Yoon.

— Vou pegar minha mochila — eu disse, mas antes, bebi o caldinho do meu macarrão rapidamente.

Yoongi fez uma careta.

— Eca.

Eu revirei meus olhos. Ele come batata com melado e acha nojento eu beber o caldinho do macarrão instantâneo? É um doidinho mesmo...

Fui até o andar de cima com pressa, pegando minha mochila já organizada e descendo as escadas. Yoongi estava na cozinha terminando de beber sua limonada, e se levantou para me levar até a porta.

— Até amanhã — ele disse, tentando se despedir de mim com um aperto de mão, como sempre.

E, como sempre também, eu transformei esse aperto de mão em um abraço — e ele resmungou um monte por isso... hehe.

— Até, Yoon! — eu disse, sorrindo e acenando antes de me afastar dele. Minha mãe gritou um "Oie!" para meu melhor amigo lá do carro, e ele respondeu com um aceno. Só depois disso, nós fomos embora para casa...

Ao chegarmos na vizinhança, Leonor e sua amiga se despediram, e eu ganhei um beijinho dela antes de descer do carro. Por incrível que pareça, já estava prestes a dar nove horas, então, eu apenas fui direto para o meu quarto tomar um banho, pronto para terminar minha noite passando a carta de Jungkookie a limpo e finalizando sua fita.

Mamãe passou no meu quarto para perguntar se eu já tinha jantado, e quando eu disse que sim, ela me deu boa noite e foi para seu quarto dormir. Logo eu fiquei até quase onze horas preparando o envelope amoroso e a fita de aniversário do Jungkookie. Mal posso esperar para entregar para ele amanhã...

Extremamente animado para passar meu dia com Jungkookie amanhã, escovei os dentes e bebi um pouco de água antes de ir para a cama. Fiquei escutando a fita que gravei hoje, e amei ela... estava perfeita! E quando ouvi minha própria voz, me senti todo envergonhado e constrangido... como eu sou bobão...

Quando ela terminou, a guardei de volta em sua caixinha, deixando-a em cima da carta, que estava escondida dentro da minha cômoda. Só então, voltei a me deitar, agora, para dormir, fantasiando sobre os diversos sorrisos que Jungkookie vai me mostrar quando eu lhe entregar seu presente.

***

Pela manhã, quando desci as escadas para tomar café, minha mãe já estava saindo para trabalhar.

— Bom dia — ela disse, vindo até mim para dar um beijinho nos meus cabelos. Bocejei. — Até mais tarde, filho.

— Bom dia... até... — eu disse, com a voz rouca, vendo-a sorrir e ir até a porta para, enfim, ir trabalhar.

Quando fiquei sozinho, a primeira coisa que fiz fora ir até a geladeira, procurar um pouco de iogurte. Enquanto pegava o restinho que tinha em uma das garrafas o telefone, lá na sala, começou a tocar.

Deixei a garrafa sobre o balcão, e corri para atendê-lo. Eu estava tão sonolento que nem cheguei a criar expectativas sobre quem estava ligando tão cedo, então, quando atendi, foi uma surpresa maravilhosa quando...

 Oi, Jiminnie... — Jungkookie respondeu, depois do meu "Alô."

Senti meu coração palpitar, como se meu amor por ele tivesse me dado um choque e me despertado do sono.

— Ggukie... bom dia — eu disse, com a voz meio rouca. Então, me dei conta de que já era seu aniversário. — Feliz aniversário!

Jeongguk deu uma risadinha do outro lado da linha.

— Obrigado... — ele murmurou, e parecia tímido. Isso me fez sorrir. — Eu... e-eu liguei porque queria perguntar uma coisa... mas não quero que você responda que sim só porque é meu aniversário...

Ri baixinho, balançando a cabeça.

— Pode dizer. Prometo só responder sim se eu quiser — falei, apoiando minhas costas na parede ao lado da mesinha do telefone.

Jungkookie demorou um pouquinho para perguntar o que tanto estava o deixando tímido. E quando ele disse, senti como se meu coração fosse sair saltitando por aí de tanta empolgação e felicidade.

 Você quer matar aula aqui em casa hoje? — indagou. — Meus pais vão trabalhar o dia todo, e queriam que eu fosse pra escola pra não passar o dia sozinho... mas aí... eu pensei um pouco... e quis te chamar... — Dei um grande sorriso. — Tudo bem se não quiser, porque já matamos aula essa semana, eu só perguntei porque-

— Eu quero. — O cortei imediatamente. — Claro que quero! Eu vou amar, Ggukie... — Dei um sorriso bem grande.

Jungkookie deu um suspiro do outro lado, como se estivesse aliviado. Isso me fez rir.

— Puxa... — ele sussurrou. — Posso... posso ir te buscar? E te trazer na garupa?

— Sim, claro que sim — eu disse de novo, bobo que só. — Mas você pode esperar até nove horas? Eu ainda não me troquei... — eu disse, vendo no relógio da sala que tinha acabado de dar oito horas.

 Sim, é claro, puxa... — ele disse. Meu amor, que agora tem 15 anos, disse... — Então... eu vou aí...

Sorri com seu jeitinho atrapalhado. É fofo como Jungkookie, de repente, fica tímido com as coisas... é um traço forte da sua personalidade que eu amo tanto...

— Então, eu te espero aqui... — eu disse, mordiscando meus lábios. — Até mais tarde, Gguk. Eu te adoro.

Ouvi a respiração do meu amor do outro lado da linha, e suspirei junto com ele.

— Até daqui a pouco, Jiminnie... — disse ele, me deixando extasiado com o som da sua voz macia. — Eu também te adoro.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, bebês <3 vou deixar vocês ouvirem a fita e reagirem junto com o Jungkookinho... espero que gostem hihi <3

Beijinhos e até a próxima~~~


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