1. Spirit Fanfics >
  2. Ele é uma patricinha - Jungkook >
  3. Parece que sou uma gostosa

História Ele é uma patricinha - Jungkook - Capítulo 2


Escrita por: e Lxytori


Notas do Autor


Caralho, finalmente, né?
Essa capítulo era pra ter ficado ENORME, mas resolvi cortar ele no meio pq ficou longo demais

Espero que gostem
E, pasmem, escrevi ouvindo Whitney Houston

Eu não respondi todos os comentários do cap interior, porém eu prometo que vou responder a todos


Boa leitura ♡

Capítulo 2 - Parece que sou uma gostosa


Fanfic / Fanfiction Ele é uma patricinha - Jungkook - Capítulo 2 - Parece que sou uma gostosa


E então… como isso vai ser?

Com o braço apoiado no encosto da cadeira que eu estava sentado virada do lado contrário, encarava os dois Jeon's no sofá a frente esperando que me explicassem como o plano seria exatamente, porque mesmo que já estivesse óbvio desde a primeira vez que ouvi, eu precisava ouvir de novo para que meu cérebro processasse coerentemente. Eu fazia a expressão mais intimidadora que eu conseguia para deixar claro que eu não estava nem um pouco feliz com isso; não entrava na minha cabeça que era realmente a única solução que existia.

— Bom… — Meu pai começou, meio receoso.

Eu sabia que lá no fundo, ele concordava que aquilo era uma loucura.

— Você irá se passar por sua irmã até que ela ganhe o bebê e tenha condições de voltar para o colégio.

Ergui uma sobrancelha, desacreditado daquele papo furado. Meu pai não iria deixar ela voltar para o colégio com um recém nascido para cuidar depois que acontecesse o parto nunca, isso era óbvio, e significa que eu não terei vida própria por um ano. Ótimo.

— Vai ter todo o processo de transformação, não só de aparência, mas também no jeito de agir e falar. Esse é o principal, principalmente porque tenho uma reputação a zelar e… —Me analisou, fazendo uma careta —Você é homem demais.

—Ah, obrigado. Eu gosto de ser homem cis, hétero e… Bom, eu. — Olhei para o meu pai, deixado claro a indireta.

Minha irmã raspou a garganta na tentativa de quebrar a tensão que se espalhava rapidamente pela casa, continuando a falar.

— Segunda é recesso, então temos até terça para que você aprenda a como ser eu. Podemos até pedir ajuda da tia May, né papai? —Arregalei meus olhos no mesmo momento.

—É, tem razão, mais uma mulher na história seria bom… —Colocou a mão no queixo pensativo, e meus olhos se abriram mais ainda por ele realmente estar cogitando isso.

— Vocês estão loucos?! —Berrei, perplexo com outra ideia absurda — Não vão colocar tia May nisso, ela vai detestar! Eu tô dizendo, nós dois somos os únicos normais dessa família. Minha tia não concordaria nunca.

Eu estava completamente convicto da minha afirmação. Não tinha a menor chance da minha tia compactuar com esse plano.

— Não vamos falar com ela. Ponto final. 

_______________________


Um dia depois…


— Eu sonhei com isso minha vida inteira!

O sorriso largo que tia May carregava no rosto, junto aos pequenos saltinhos que ela dava vez ou outra enquanto ajeitava minha saia, fazia com que cada vez mais eu repensasse toda a trajetória da minha vida até aqui, completamente decepcionado. Eu não vou mentir, estava blefando quando afirmei com todas as letras que minha tia não poderia concordar com aquele plano, afinal, além de trabalhar com jardinagem e viver harmônica com a natureza ao nível que afirma conseguir se comunicar com flores, ela tinha uma pinta hippie, e isso já dizia muito. Minha vida toda eu ouvi de familiares distantes -aqueles que aparecem para nos vistar uma vez no ano apenas para dizer que não esqueceu da nossa existência- que eu havia puxado a família da minha mãe, e por mais que eu tivesse detestado isso em todas as vezes que ouvi, em parte, eu concordava e agradecia.

— Eu não vou nem questionar essa sua frase levando em consideração que é irmã do cara louco que me reproduziu.

— Oh, meu querido… — Parou de xeretar na minha saia, olhando para mim e colocando a mão direita no meu rosto, com um sorriso meigo. — Se empolgue! Essa vai ser uma história que poderá contar para o seus filhos, e quem sabe, não acabe virando roteiro de um filme algum dia, hm?! 

Continuei a encarando com tédio, enquanto a mulher falhava totalmente na missão de me confortar, animar, ou seja lá o quê for que ela queria com aquilo.

— Sim, vai ser empolgante contar para eles o dia que eu joguei minha dignidade fora.

O barulho da porta abrindo ecoou pelo quarto de repente, e meu olhar desviou para entrada encontrando minha irmã que arregalou seus olhos no mesmo instante em que os parou em mim, de pé naquele pequeno banco, com uma blusa rosa de botões que se apertavam um pouco na parte dos meus seios postiços -que eram nada mais que uma esponja por dentro do sutiã incômodo preso a mim-, a saia em uma infeliz combinação com a blusa, junto a peruca castanha longa que estava presa em minha cabeça.  Ela parecia perplexa com o quê via, e eu imaginei que fosse elogiar, agradecer mil vezes por eu estar me submetendo a aquilo, ou dizer o quanto eu estou bonita, porém... 

— Você tem mais corpo que eu?! — Exclamou indignada, adentrando o cômodo em passos apressados.

Minha gêmea me rodeava com as sobrancelhas franzidas, fazendo caras e bocas para cara parte que analisava do meu corpo, como se fosse um robô de alta tecnologia em sua frente; uma mistura de espanto com admiração.

— É, fazer o quê? Parece que sou gostosa.

— Tia, olha a coxa dele! — Jihye apontou para mim, como uma criança birrenta — Assim não dá! Desde quando começou a malhar? — Me olhou — Eu sou delicada, minhas pernas são delicadas, meu corpo é delicado. Isso aqui não é perna de mulher! — Deu um tapa na minha coxa, me fazendo resmungar de dor.

— Flor, o seu irmão tem o corpo exato que precisa ter. Está vendo essa cintura? Fina! Eu estou impressionada! Nem nós duas temos isso. — Tia May passou a mão na parte citada do meu corpo com um olhar de admiração.

— Por acaso isso é um elogio? — Perguntei confuso.

— Qual é, titia? Isso não está certo! Ele… ele parece uma barbie!

— Eu sou uma barbie, bebê. — Provoquei.

— Jihye, veja. — Minha tia pegou em minha mão me fazendo descer do banco, do jeitinho que fazem com garotas delicadas que precisam de ajuda para qualquer coisa, e me colocou ao lado da Jeon histérica.

Foi até a parede onde ficava pendurado o espelho da minha irmã e tirou ele de lá, voltando em seguida com o objeto de bordas rosas em mãos, o segurado na frente de nós dois. Eu ainda não tinha me olhado desde que a transformação começou, e sinceramente, meu plano era adiar isso o máximo possível para que não me desse nenhum outro tipo de problema no coração, como no dia em que recebi a proposta absurda. Mas, assim que vi meu reflexo junto ao de Jihye no espelho, eu não tive nenhuma reação; nem cardíaca nem física. Não sabia direito o quê pensar, o quê falar, ou o quê fazer, e sabia que a garota ao meu lado estava tão atônita quanto eu, intercalando o olhar entre nós dois completamente perplexa. Pela primeira vez na vida, acho que compartilhávamos o mesmo pensamento a respeito de algo...

— Eu não acredito que eu me tornei você.

— Eu não acredito que é mais gostosa que eu.

Nossas vozes saíram em uníssono, e eu encarei minha irmã com espanto, enquanto ela continuava a nos olhar pelo espelho surpresa com a boca entreaberta. Bom, como em todas as outras vezes, eu me enganei sobre o nível de insanidade da minha família.

— Eu sei, faço magia, mesmo que a maior parte do trabalho tenha sido do pai de vocês. —Tia May riu, batendo palminhas.

Essa animação dela ainda era incômoda… Na verdade, tudo ali era incômodo.

— Quer saber? Você ter esse corpinho vai ser vantagem só para mim, não tem o porque eu ficar incomodada! — Minha irmã se virou para mim com um sorriso de canto a canto no rosto, conformada. — Vai manter minha reputação com dignidade, em?!

Eu queria chorar, ou deitar no chão em posição fetal, ou só me encolher até desaparecer completamente da terra, porém, repetia inúmeras vezes que eu estava fazendo aquilo por uma boa causa, como se isso fosse realmente amenizar minha situação deplorável.

Tudo bem, ok, é pela minha irmã, e no final das contas… Eu até que estou bem gata.


___________________


Segunda-feira; 12:49


Hoje era meu último dia em casa, e meu último dia como Jeon Jungkook. Eu pensei que conseguiria aproveitar ao máximo o dia sendo apenas eu mesmo e fazendo coisas que eu faço, mas me esqueci que moro em um hospício e aparentemente ser normal não é permitido. Minha irmã havia me acordado mais cedo do que se acorda um adolescente de 19 anos, apenas para me treinar mais uma vez e me repassar o quê eu deveria ou não fazer em alguma situação sendo ela, dizer como era o interior do colégio, e o nome de suas amigas que nunca fiz questão de lembrar. Eu tentava ao máximo ignorar o sono que eu sentia, assim como ela tentava ignorar minhas bocejadas a cada cinco minutos enquanto a mesma falava, mas eu sabia que estava sendo difícil para ambos.

— Hm… será  que tô me esquecendo de algo? — Colocou a mão no queixo, pensativa. — Quarto 202, não falar com o Jay, bunda empinada peito estufado, não comer carboidratos na frente das amigas… — Murmurou para sí mesma, repassando tudo o que já havia me dito. — Acho que não tem mais nada… Ah! Já sei, nunca passe o batom laranja verão! Nós não ficamos bem com ele.

Segurou firme em minhas mãos, me olhando como se estivesse me aconselhando a não cometer um crime.

— Se "nós" não ficamos bem com ele, por que "nós" o temos?

— Faz parte da coleção Victoria secrets! Precisamos ter! —Ergui uma sobrancelha, deixando claro que aquilo era pura idiotice.

Minha irmã me ignorou, voltando a falar e repetir tudo o quê eu deveria saber, e eu passei a tarde inteira treinando em como ser ela. Devo admitir, estava me saindo bem, e pela primeira vez os 19 anos de convivência me serviu para alguma coisa. 

No outro dia, tia May chegou cedo para me ajudar novamente na transformação, e eu já sabia o básico de maquiagem, como colocar um sutiã, que roupa combinava e não combinava, treinando também ao máximo minha voz feminina. Meu pai observava tudo aquilo sem expressão alguma, parecendo pensativo ou talvez… culpado por tudo isso. Eu sabia que ele também não estava satisfeito com a minha situação, porém, aparentemente, não havia outra saída. Eu tentava ao máximo me mostrar positivo e esconder minha clara insatisfação com meu novo visual apenas para que ele  não se sentisse magoado com sigo mesmo, e prendia um sorriso no meu rosto a cada palavra que tia May dizia sem nem escutar realmente, mais preocupado em manter às aparências. Sairíamos para Gyeongsang National University em poucos minutos, e eu tentava manter a calma com o  quê eu estava prestes a enfrentar.

— Querido, saiba que titia está muito orgulhosa de você! — A mulher que outrora ajeitava meus cabelos,  apertou meu nariz de repente, me tirando dos pensamento focados em não surtar. — É um ato muito bonito de amor pela sua irmã o quê está fazendo. — Sorri fraco.

— Meu pai te pediu para falar isso, não é?

— É, pediu. — Soltei um riso nasalado, saindo de perto da mais velha e indo até o espelho olhar como eu estava. — Ele está se sentindo mal por você e…

— Tia, ele não tem que se sentir mal por mim. — Encarei ela pelo espelho — Eu escolhi passar por isso, não é como se meu pai tivesse me obrigado ou apontando uma arma na minha cabeça me ameaçando. Foi uma escolha só minha, então eu devo arcar com as consequências sozinho.

A mulher de cabelos grisalhos sorriu, vindo até mim, alisando meus ombros, também me olhando pelo reflexo na vidraça. 

— Você sempre foi uma pessoa maravilhosa, Jungkookie. Temos sorte de ter você. — Sorri, um pouco envergonhado com o elogio 

— É... vocês tem mesmo.

— Filho? — Meu pai apareceu de repente na porta do quarto, junto a minha irmã. — Já está na hora de ir. Vamos?

Assenti, depois de um longo suspiro, e saímos do cômodo descendo as escadas e indo até a sala. Eu estava levando uma pequena bolsa com objetos meus que eu me recusava a não levar, como minhas boxes e escova de dente, junto a algumas das esponjas que eu teria que colocar no meu sutiã. Em questão de roupas, grande parte do armário da minha irmã estava no dormitório dela, e por uma infeliz coincidência, nossa estrutura corporal não era tão diferente. Eu poderia usar todas suas peças.

—Jungkook, não vou poder ir até o colégio com você, mas saiba que estarei te mandando forças por aqui! — Jihye falou após parar em minha frente, com uma expressão amistosa.

Todos me olhavam como se eu estivesse indo para o exército e fosse ficar fora por dois anos. Era incômodo demais. Apenas assenti, me despedindo dela brevemente e indo até o carro parado na entrada da frente junto com minha tia e meu pai. O caminho foi silencioso, digo, silencioso da minha parte, porque tia May e Jeon Myungdae não paravam de falar por um segundo sequer. Assim que paramos em frente o portão do Colégio interno que já tinha alguns alunos entrando, choraminguei baixinho segurando meu impulso de voltar para casa.

— Boa sorte, filho. Nos vemos no final de semana! — Me olhou pelo retrovisor, sorrindo.

— Vai dar tudo certo, querido. Arrasa! — Tia May, com sua típica empolgação anormal, disse, me mandando um joinha.

Me despedi deles com um murmúrio e um sorriso falso no rosto, descendo do carro junto com a minha bolsa que eu trazia. Contei até dez mentalmente antes de começar a andar até o portão, me esforçando ao máximo na minha postura e andar feminino. Evitei olhar para qualquer pessoa, e ignorei alguns acenos que desconhecidos mandavam para mim,  mesmo sabendo que provavelmente eram colegas da minha irmã. O meu foco de chegar no dormitório o mais rápido possível era mais importante do que a educação naquele momento, sem dúvida nenhuma.




Notas Finais


Foi isso manas
Espero que tenha gostado
O próximo vão vai sair rapidinho, garanto!
Até lá

Bj bj @Galaxychild


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...