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História Ele ou Ela - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Capitulo 11


- Hey, Belly! Como está Lil? – Amanda me pergunta enquanto organizamos os HQ’s que algumas crianças mexeram e não colocaram na ordem de novo.

- Ele ta bem, bem irritado na verdade. – Fico olhando a capa do HQ do Homem Aranha e o coloco na ordem correta. – Como não está indo pra faculdade e nem trabalhar, fica completamente estressado sentado no sofá com o notebook no colo.

- Mas ele tem as muletas certo? Ele pode se movimentar pela casa.

- Sim, mas isso não acalma ele. Estamos brigando todos os dias porque ele quer sair de casa e eu e Alec não deixamos. – Suspiro bem cansada.

Faz só três dias que estou morando com Lil e Alec para ajudar eles e não está sendo tão bom quanto imaginei. Lil está se estressando demais, parece ansioso, querendo fazer as coisas, resolver tudo o mais rápido como se tivesse um tempo cronometrado para viver.

Entendo que o acidente o afetou bastante e ele tem esse projeto trabalho que é importante, mesmo assim, Lil teria arrumado uma forma de aliviar essa tensão toda. Ele está completamente diferente e eu achei isso bom, até agora.

- Por que você não sai com ele? – Amanda termina com sua sessão e faz uma bolha de chiclete a estourando logo em seguida. Ela não deveria mascar chiclete enquanto estivesse organizando os livros, mas sei que ela toma cuidado, por isso não ligo. – Acho que não fará mal, ele precisa tirar todo esse estresse, mostrar que pode se divertir mesmo um pouco imobilizado. Isso só vai melhorar as coisas para vocês.

Olho para ela como se fosse um gênio. E pensando bem por que EU não pensei nisso antes? Se eu sair com Lil ele vai se sentir mais útil e menos irritadinho. Ai, Isabelly ás vezes até eu me surpreendo com sua lerdeza e olha que eu sou você.

 Termino de arrumar a minha sessão e vou empurrando o carrinho com alguns outros livros pelos corredores, sempre cumprimentado com um sorriso e muita educação.

- Mandy, hoje você merece uma grande caneca de chocolate quente de tão gênio que você é. – Escuto mais uma bolha de chiclete sendo estourada atrás de mim e seu gritinho de satisfação, dou risada e volto a me concentrar ao resto do serviço enquanto planejo todo o fim de semana que vamos ter.

 

 

Na hora do almoço mando uma mensagem para Patrícia a chamando para um piquenique em um dos seus parques preferidos. Eu sei que não é o que Lil mais ama fazer, mas ele idolatra Paty, minha irmã caçula e ela também o ama, então vai ser a melhor distração e um ótimo aproveitamento de fim de semana. Ligo para Lil e enfio um pedaço de ovo na boca.

- Casa da putaria, cafetão falando. – Lil atende com um tom de voz mais humorado do que os três dias passados.

- Hey quero um negão alto e forte para hoje á noite inteira. – Sorrio quando o escuto bufar, parece que alguém não sabe receber a mesma dose da brincadeira.

- Você acaba com qualquer chance de me animar brincando assim, sabia?

- Ah é? Que pena, mas não me importo. Já almoçou?

- Ainda não. Estou esperando Alec, disse que vai passar aqui com uma visita. – Escuto um barulho de fundo e ele solta um palavrão.

- O que houve?

- Derramei refrigerante na cozinha. – Ele fala meio abafado e cansado. Escuto barulhos no fundo enquanto ele ainda pragueja no telefone.

- Lil, não se esforce demais, deixa que quando Alec chegar ele limpa. – Afasto o prato com a comida, me preocupar com Lil me faz perder completamente a fome.

- Eu consigo, Belly e vai ter visita, imagina quem quer que for chegar e ver uma poça de refrigerante na cozinha? Vai achar que somos porcos, não somos porcos. – Ele solta outro palavrão que me deixa um pouco irritada e com um suspiro longo ele comemora. - Eu disse, consegui. Limpinho.

Balanço a cabeça imaginando a cena, Lil na cozinha provavelmente com uma calça moletom e sem camisa, se apoiando em uma muleta enquanto passava o pano pela poça de refrigerante no chão fazendo várias caretas só por se esforçar em fazer isso. É engraçado de imaginar e acabo soltando uma risada.

- Ta rindo do que? Palhaço na praça de novo?

- Não, não mesmo. – Respiro fundo para controlar a risada. – Estava imaginando como você deve ter limpado o refrigerante.

- Ah e você acha isso engraçado? – O tom de humor e malicia em sua voz já me avisa que ai vem coisa. – Muitas mulheres acham um homem de calça moletom e sem camisa na cozinha algo completamente sexy.

Sorrio e mexo no meu cabelo, como na minha imaginação. Ás vezes minha intimidade com Lil me surpreende muito. Nos conhecemos melhor do que nossas próprias famílias, do que nós mesmos até. Isso era único, só nosso.

- Lil, imaginar você já é algo sexy. Mas engraçado também.

- Me acha sexy? Interessante, vamos falar mais sobre isso.

- Tchau, Lil. Hora de trabalhar. – Desligo o telefone mesmo ele pedindo para esperar e segundos depois recebo uma mensagem. E adivinha? Solto uma gargalhada alta é uma foto dele com cara de bravo e com a legenda “desligou na minha cara, metida”. Balanço a cabeça, esse garoto é um idiota. Estava sentindo falta disso.

- Parece que o dia está muito bom para alguém. – Tomo um susto quando Daniel senta do outro lado da mesa, bem na minha frente e mesmo sem querer acabo perdendo um pouco a graça do dia.

- Oi, Dan. – Dou um sorriso e me inclino para lhe dar um selinho. – Teve tempo para vir me ver.

- Sim, meu pai está em reunião com o pessoal da empresa e como eu já sei sobre o que é não preciso ficar lá. – Ele coloca o marmitex dele em cima da mesa e olha para o meu prato com uma boa parte da comida ali. – Que bom que peguei você no começo.

- Na verdade eu já terminei. – Ele aponta para meu prato com um olhar indignado. – Não estou com muita fome hoje.

Dou de ombros e respondo a mensagem de Lil rapidinho antes de guardar o celular. Daniel começa falar sobre as coisas que estão acontecendo na sua área e por mais que isso antes me deixasse fascinada agora me deixa com tédio. Passar um tempo com ele ultimamente não é mais tão bom.

Quando não estamos nos beijando, conversamos sobre ele ou brigamos por causa da sua cisma com Lil. Quando disse para ele que ia ficar um tempo na casa dos meninos para cuidar do Lil tivemos nossa briga mais feia. Daniel me acusou de estar traindo ele e quase pediu para escolher entre Lil e ele, mas para sua sorte o telefone tocou e ele teve que ir correndo para as asas do papai.

Desde então não estávamos nos vendo muito e nem conversando. Por isso estar hoje conversando com ele como se nada tivesse acontecido não é o ponto alto do meu dia.

- Dan, tenho que ir, minha hora de almoço já esta acabando. – Junto minhas coisas na mochila que estava na cadeira e começo a me levantar. Daniel também se levanta e se aproxima de mim.

- Que tal sairmos hoje á noite? Um jantar, só nós dois, precisamos disso. – Sinto sua mão na minha cintura e o puxão que me dá, mas nada acontece no meu corpo. Por um tempo teria sentido arrepios com isso, mas não hoje, não agora. Seguro os braços dele me afastando um pouco.

- Não sei, vou ver com Lil e Alec e te mando uma mensagem. – Seu semblante fecha na hora. – Não começa, Daniel.

- Não começa? Estou chamando minha namorada para jantar e ela diz que tem que ver com os homens com quem ela está morando, acho que tenho direito de começar.

- Lil ainda não está curado e ele precisa de mim Daniel, já te expliquei isso, só vou falar com eles para poder ter certeza que Alec consegue cuidar de Lil por um tempo que eu estiver fora. Só isso. – Me afasto de vez dele e pego minha mochila a jogando no meu ombro.

- Aposto que agora Lil está sozinho se virando, ele pode se cuidar algumas horas da noite também. – O fuzilo com o olhar, respiro fundo pensando que estamos em publico e não quero fazer uma cena. Dou um sorriso meio nervoso.

- Depois te mando mensagem, Dan. – Beijo seus lábios de forma rápida e vou embora segurando a mochila no meu ombro. Sei que também tenho que relevar e dar mais atenção para ele, mas tudo que consigo pensar agora é em cuidar do Lil, ver ele e saber que está bem.

Na verdade o problema não é se Lil e Alec vão bem sem mim por algumas horas á noite, mas sim que eu não quero longe de Lil mais do que o necessário. Não quero mesmo.

 

No final do dia vou correndo para a casa dos meninos. Já tinha me decidido não jantar com Daniel, ainda não mandei mensagem para ele porque tinha dito que ia ver com os meninos primeiro, então quando chegar em casa eu cancelo.

Passo em uma lojinha e compro muitas barras de chocolate, refrigerante e um pote de doce de leite, isso vai alegrar Lil rapidinho, tenho certeza.

Sorrio empolgada e me atrapalho um pouco para abrir a porta quando chego, mas assim que entro, estou pronta para gritar por eles, quando uma risada alta e completamente irritante invade toda casa.

- Só pode ser assombração. – Respiro fundo, coloco as compras no balcão que separa a cozinha da sala e vou andando para o corredor dos quartos o mais silenciosamente possível.

De novo aquela maldita risada ecoa, fazendo meus punhos cerrarem automaticamente. Paro porta quarto de onde aquela risada saia. O quarto Deus, por favor, que minha imaginação, por favor.

Coloco a mão na maçaneta pronta para girar e abrir a porta, ela se abre sozinha fazendo tropeçar pra frente e cair de joelhos dentro quarto Sinto rosto ferver de vergonha até eu olhar pra e estava a cena que eu não queria ver.

Lil sem camisa só com a calça moletom que falávamos mais cedo, o bagunçado, apoiado maçaneta da porta e com uma muleta embaixo do braço, atrás estava ela, Kira, o também bagunçado, óculos encaixados decote da sua camisa social completamente desajustada, a social que usava também estava torta e descalça. menos estava vestida.

- Eu sempre imaginei você nessa posição, só que em uma ocasião bem diferente. – Lil diz bem humorado, fazendo meu coração se acalmar por um momento.

- Eu também, só que em uma ocasião bem mais humilhante. – A voz daquela garota debochada faz meu rosto avermelhar, de ódio dessa vez. Me levanto em um pulo e a olho enfurecida, querendo quebrar a cara dela.

- Eu só vim te avisar que vou sair pra jantar com Daniel. – Minha voz sai entre dentes, estava os cerrando para não gritar e botar ela para fora dessa casa.

- Hoje? – O tom de Lil já não estava mais com o bom humor de antes. Parecia nervoso, chateado. Olho para ele com a sobrancelha levantada igual ele fazia comigo.

- Lógico, não viria até seu quarto pra avisar se fosse outro dia, não acha? – Cruzo os braços, jogando todo meu sarcasmo em cima dele. Não me olhe assim, Lil. Você merece.

- Nossa, mais grossa impossível. – A nojenta disse enquanto olhava as unhas.

- Lil, querido, pede pra sua cadela parar de latir, estamos conversando aqui. – Sorrio de lado quando Lil tenta prender a risada fazendo Kira ficar completamente raivosa.

- Você me chamou do que?

Kira sai de trás de Lil e vem em minha direção, também dou um passo em sua direção mostrando que estava pronta para briga. Completamente pronta. Mas antes de qualquer começo, Lil entra na nossa frente e solta um gemido de dor pelo esforço.

Na hora minha raiva some e a preocupação domina meu peito, passo a mão em seu braço e o seguro firme.

- Você não deveria estar se esforçando, teimoso!

- Vocês não deveriam estar brigando. – Reviro os olhos e, sem vontade, junto com Kira levo ele até a cama para que sentasse. – Kira, pega um copo d’água pra mim, por favor?

Ela fica um tempo olhando de mim para Lil, mas logo sai batendo o pé forte. Mostro o dedo do meio para as costas dela e escuto a risada gostosa de Lil. Viro para ele de cara fechada.

-Eu não chamei ela, foi Alec que a trouxe. – Ele levanta as mãos em forma de rendição.

- Ah foi é? Me lembre de passar no quarto dele antes de sair. – O semblante dele volta a fechar, não nego que de uma forma estranha isso me deixa feliz. – O que foi?

- Vai mesmo sair com aquele idiota?

- Bom, aquele idiota é meu namorado e namorados saem juntos, então... Sim, eu vou sair com ele.

Por um tempo ficamos quietos nos encarando, dava para perceber pelo olhar de Lil que ele não gostava da ideia, mas ele estava ali, talvez a tarde inteira ficou no quarto com aquela garota, ele não tem direito de fazer uma cena.

- Vou me arrumar, você já tem quem cuide de você. – Bagunço mais o cabelo dele e começo a ir para á saída, mas sou parada antes de estar no meio do caminho.

- Eu quero que você cuide de mim. – Lil segurava minha mão firmemente, fazendo um carinho de leve. Suspiro, o toque dele sempre me acalmava. – Fica.

Seu pedido sussurrado tem mais efeito em mim do que eu gostaria. Naquele momento eu tive a certeza, novamente, de que queria ficar com ele aquela noite. Mas Kira aparece na porta com o copo de água que Lil pediu em mãos.

- Tenho que ir. Aproveite a companhia. – Me solto da mão dele de forma brusca e passo por Kira sem olhar para trás indo direto para o banheiro.

Bato a porta com força e a tranco, encosto de costas para a porta e vou escorregando até o chão. Respiro fundo e abraço minhas pernas. Encostando testa nos joelhos. Droga, acabei de lembrar que minhas roupas estão quarto dele. Merda de noite.

 

Depois de tomar um banho e gritar Alec para tirar aquela nojenta do quarto do Lil e aproveitar para xinga-lo por ter trazido ela a esse apartamento, já estou pronta para minha tão esperada noite, mas não tanto.

Estava me olhando no espelho e mexia em algumas mechas do meu cabelo. Analisando meu vestido preto social junto com o salto médio também preto, parece até que estou indo para um funeral do que um jantar com meu namorado. Acho que o humor realmente afeta o estilo.

Solto um suspiro quando escuto a campainha, me ajeito no vestido mais uma vez, pego uma bolsa de mão para deixar o celular guardado e com uma ultima respiração funda me viro para sair do quarto, mas me deparo com Lil encostado no batente da porta com os braços cruzados, ele me olhava daquele jeito que sempre fazia meu coração acelerar como em uma corrida. Me admirava, aquele brilho era sempre voltado para mim, era impossível não me sentir linda assim.

- Você está... – Ele engasga por um momento, solta um suspiro e balança a cabeça. – Daniel está na sala te esperando.

- Certo. Estou indo. – Vou andando devagar até a porta e paro bem perto dele. Com o salto fico um pouco mais alta, me deixando quase na mesma altura que ele. Dou um sorriso de lado e me aproximo mais, o olhar de admiração mudou para algo mais felino e perigoso. – Licença.

Por um momento Lil não fez nenhum movimento, não disse nada. Parecia que até sua respiração cessou. Somente seus olhos viajavam da minha boca para os meus olhos e depois para meu corpo todo e de volta para os olhos.

Então de repente, de novo, aquele pensamento que eu sempre luto para afastar voltou para minha cabeça e em segundos eu senti meus lábios abrindo e minha voz saindo formando a temida frase.

- Me beija.

O mundo a nossa volta parou, não existia mais Daniel, Kira, Alec, ninguém além dele na minha frente e eu louca pra saber o que vai acontecer agora. Lil arregalou os olhos e soltou o ar, sua mão foi com urgência até minha cintura puxando meu corpo contra o seu. Dessa vez eu que solto o ar e levo minhas mãos até sua nuca.

Sinto sua outra mão brincando com meus cabelos da nuca, arrepiados por seu toque. Nossos rostos se aproximavam, sua boca se abria um pouco e eu nunca senti um desejo tão grande por um beijo. Senti o toque dos seus lábios nos meus e naquele momento, na hora perfeita de sentir sua língua invadindo a minha boca, Alec surge do além.

- Isabelly anda logo, Daniel ta esperando, demônio. – Lil se afasta de forma brusca e solta um gemido que eu não sabia se era de dor ou frustração. Volto para a minha realidade e meu rosto fica vermelho agora por vergonha de perceber o que eu ia fazer com o meu melhor amigo.

Abaixo a cabeça e passo por Lil as pressas o esbarrando e fazendo-o bater contra a porta. Sem olhar para trás vou rápido para a sala, da forma mais automática possível dou um sorriso para Daniel e Alec que estavam sentados no sofá conversando.

Daniel diz algo quando e se aproxima tentando minha boca, viro o rosto de fazendo com que o catasse canto. Meu corpo agia automático, não queria tirar a sensação dos lábios de nos não podia perder esse pouco que eu tinha dele.

Eu estava fora de orbita, quase desistindo, de novo, desse jantar, mas Kira sai da cozinha e se aproxima de Lil, pego a mão de Daniel e saio do apartamento sem nem me despedir.

Agi no automático por todo o caminho até o restaurante. Daniel falava sobre seus negócios e as coisas que aconteceram no escritório. Eu só conseguia pensar em Lil, como eu me senti com o toque dos seus lábios e em ver Kira ao seu lado novamente. Minha cabeça estava uma bagunça total, me fazendo soltar um suspiro cansado.

- Está tudo bem com você? – Daniel segurou minha mão e me despertou para nossa realidade. Já estávamos no restaurante, sentados em uma mesa mais afastada e o garçom colocava os cardápios em nossas frentes.

- Está, foi um dia cheio, só isso. – Dou um discreto e falso sorriso para ele, já colocando a escolha dos pratos entre nós dois para que não sustentasse uma conversa que eu não queria ter.

Fizemos nossos pedidos e dessa vez resolvi beber um bom vinho, precisava aliviar o peso que sentia de alguma forma. Daniel voltou a falar sobre sua vida profissional e eu voltei a me distrair.

Vejo um casal algumas mesas de distancia jantando a risadas, o homem mantinha sua atenção totalmente na garota a sua frente e ela o olhava como se fosse o ser mais precioso do mundo. Mordo meu lábio lembrando de quando sai pra jantar com Lil e ele me fez cair na risada varias vezes naquela noite, teve momentos em que precisei colocar as mãos na boca para tentar conter a altura do meu riso, pois já estava chamando atenção das pessoas a nossa volta.

Olho novamente para Daniel, o garçom servia o vinho em nossas taças, Daniel o agradeceu com um gesto de cabeça, pegou o vinho e deu um pequeno gole o experimentando, começou a fazer algum comentário sobre o gosto, mas eu não prestei atenção. Ao seu lado eu vi Lil, com um grande sorriso no rosto, pedindo uma cerveja, brincando com o garçom, se inclinando para trás como uma criança despreocupada do mundo e fazendo seus comentários completamente incoveniêntes, mas sinceros.

Olho para o liquido em minha taça e o bebo de uma só vez. Volto meu olhar par Daniel que se mantinha surpreso diante o meu gesto. Dou um sorriso sem graça.

- Estava com saudades de beber um bom vinho. – Ele continua me olhando surpreso, mas logo acena com a cabeça e volta a falar.

Me esforço em manter atenção na conversa dessa vez e sigo o restante da noite dando tudo de mim para não divagar e focar em meu namorado.

Depois que terminamos o jantar de comida realmente maravilhosa, eu consegui não pensar, muito, em Lil e me sentia mais a vontade com Dan. Não nego que as taças de vinho ajudou bastante nisso.

Estava rindo de uma piada que Daniel havia feito sobre números quando meu celular vibro e o peguei para ver a notificação. Era Lil me ligando.

- Só um momento Dan, preciso atender. – Ele confirma com a cabeça e pega seu próprio celular, enquanto atendia o meu. – Alô.

- Já está voltando? – Lil estava sério.

- Por que? Aconteceu alguma coisa? Você está bem? – Aperto o celular em meu ouvido imaginando mil coisas ruins que poderia ter acontecido.

- Não, estou bem. Eu só... – Ele suspira e fica quieto. Aguardo que termine o que dizia, mas ele se mantem em silencio. Olho para a tela do celular tendo certeza que a ligação não caiu e volto a colocar em meu ouvido.

- Lil? O que foi?

- Sinto sua falta, Belly. Não consigo dormir sem você ao meu lado.

Minha respiração trava, mordo meu lábio inconscientemente e olho novamente a tela do celular. Você não pode tá falando sério, Lil. Caramba! Levo minha mão livre para meu coração e respiro fundo tentando me manter calma.

- Desculpa, eu não queria incomodar... – Lil sussurrava agora, escutei um barulho ao fundo e, de alguma forma, eu sabia que era o som que as molas de sua cama fazia quando o corpo de Lil se movimentava.

- Tudo bem. – Minha voz sai mais fina que o normal. Solto um pequeno pigarro e bebo um pouco mais de vinho. – Eu já estou indo, ok? Tente dormir, mesmo assim.

Ele confirma com outro suspiro e desliga o celular, continuo olhando para a tela, agora apagada do meu aparelho, sentindo o efeito que suas poucas e simples palavras me causaram.

- Como assim já está indo? Aconteceu alguma coisa? – Olho para Daniel, que só agora, percebi sua presença novamente.

- Lil não está conseguindo dormir.

- Só isso? Ele não é mais uma criança. Tome um remédio para dormir e pronto.

- Não é assim. Prometi cuidar dele, então acho melhor nós irmos. – Tiro o guardanapo do meu colo e o coloco em cima da mesa, olhando em volta procurando pelo garçom que havia nos atendido.

- Não acredito nisso. – Daniel esbravejou, irritado. – Eramos para passar a noite juntos e você resolve sair correndo para a casa de outro homem só porque ele não consegue dormir? Você parece uma cadela, Isabelly. Pelo amor de Deus.

Olho para ele completamente indignada. Daniel estava com o rosto todo vermelho, suas mãos cerradas em cima da mesa e seu olhar em puro ódio. Eu nunca tinha o visto dessa forma. Bravo, sim, mas não desse jeito. Era assustador.

- Daniel, eu vou ignorar o que disse sobre mim e antes que faça qualquer "showzinho" estou me retirando. Pegarei um táxi. – Pego minha bolsa e saio a passos rápidos.

Assim que atravesso a porta do restaurante, pego meu celular e chamo um carro pelo aplicativo. Sinto uma brisa fria passar e abraço meu corpo, ando um pouco mais para a guia procurando pelo carro que estava a poucos minutos de chegar.

- Você não pode simplesmente sair e me deixar para trás. – Meu braço é puxado me fazendo colidir com o corpo, forte, de Daniel. – Eu não sou algo que você joga fora desse jeito. Mereço respeito, porra!

- Você está agindo como um louco e ME desrespeitando, então não tem merece nada. – O empurro com todas as minha forças conseguindo manter alguns metros de distancia entre nós dois. – E caso não tenha entendido, vou deixar bem claro. Nós terminamos.

Um carro para ao meu lado perto da guia, abaixa o vidro e chama o meu nome. Confirmo com a cabeça e entro no banco de trás as pressas. Tudo estava acontecendo rápido demais e o pouco alcôol em meu sangue não me ajudava a pensar direito.

Sei que não fui a melhor namorada esses tempos, mas nunca vou aceitar ser tratada da forma como Daniel me tratou. Não me sentia triste por ter terminado tudo, mas decepcionada por ter visto um lado que eu nunca imaginaria que aquele homem poderia ter.

 

Chego em casa sem perceber o caminho percorrido, entro tentando fazer o minimo de barulho possível e vou para o quarto de Lil, abro a porta devagar e na ponta dos pés vou até sua mesinha deixando minhas coisas ali. Olho para a cama e Lil parecia ter conseguido dormir.

Pego meu pijama e me troco ali mesmo deixando para tirar o sutiã quando já estava com a blusa vestida. Passo no banheiro e faço minha higiene. Volto para o quarto e vou direto para de baixo das cobertas e nesse momento percebo que Lil estava abraçado ao meu travesseiro. Seu rosto estava quase todo enterrado nele como se tivesse caído no sono enquanto sentia meu cheiro.

Um sorriso surge em meus lábios com essa cena. Esse garoto... Com cuidado tiro o travesseiro de seus braços, o ajeito já me deitando. Sinto o peso do dia e da noite vindo com tudo e relaxo na cama em um suspiro. Fecho os olhos querendo dormir logo, quando sinto o braço de Lil passar por minha cintura, com um puxão ele encosta meu corpo no seu, seu rosto vai direto para minha nuca. Lil respira fundo e solta um pequeno grunhido, como se tivesse ronronando igual um gatinho.

- Boa noite, princesa.

- Boa noite, meu anjo.

 

No dia seguinte acordei com o despertador tocando e o resmungo de Lil com o barulho. Levanto sonolenta e dou um beijo no rosto de Lil, como todos os dias.

- Bom dia. – Escuto o resmungo dele e saio da cama, vou para o banheiro, tomo um banho para acordar, faço minha higiene e vou para o quarto me trocar. Lil estava sentado na cama já com o notebook ligado em seu colo. – Mas já? Nem acordou direto, garoto.

- Amanhã é o grande dia. Vamos entregar o final do nosso projeto na empresa. Preciso ter certeza que não tem erro antes de ser aplicado e da reunião começar. – Confirmo com a cabeça sem repreendê-lo. Sei que é muito importante para ele, não vou me meter nisso.

- Chamei Paty para um fim de semana no parque. – Escuto ele parar de digitar e sei que estava me olhando, termino de colocar o sutiã por baixo da toalha e viro para ele. – E você vai, caso queira saber.

- Eu não sou um cara de parques, sabia? - Tiro a toalha já vestida com a calcinha, abro o guarda roupa e pego a primeira calça que eu vejo, estava ciente dos olhos de Lil sobre meu corpo, me fazendo ter uma batalha interna sobre demorar a me trocar ou ser mais rápida.

- Eu sei, mas vai ser bom para todos nós sairmos um pouco. Arejar os pulmões não faz mal para ninguém. – Visto uma blusinha com estampas de flores e pego minha jaqueta de coro, estava meio frio. Viro de novo para ele. – Vai, por favor, Lil. Vai ser divertido, você adora a Paty.

Ele volta a digitar, mas sei que está pensando no assunto. Vou para a penteadeira e dou um trato no meu cabelo enquanto deixo ele pensando, passo o desodorante e o perfume, sento na cadeira e coloco meu Nike cinza e branco. Assim que levanto, ele me olha e já tem a resposta.

- Tudo bem, nós vamos, mas Alec vai junto.

- Guarda costa?

- É sempre bom ter uma carta de segurança. – Dou risada alta, corro até ele e o abraço com cuidado, dou um beijo em sua testa e me afasto.

- Obrigada, amorzinho.

- Por esse carinho vale à pena.

Sorrio e bagunço o cabelo dele, saio do quarto desejando sorte para esse projeto. Eu deveria contar para ele sobre o que aconteceu noite passada, mas Lil estava tão envolvido em seu trabalho que resolvi deixar esse assunto para depois.

Vou direto para cozinha e Alec já estava me esperando com duas canecas de café com leite.

- Bom dia, rapaz.

- Bom dia, garota.

Pego uma das canecas e dou um grande gole, me encosto no balcão enquanto fico olhando para ele. O garoto fica tentando me ignorar e tomar seu café da manhã em paz, mas eu sei que ele não aguenta por muito tempo.

- Ok, não tenho culpa, ela foi até o meu serviço e disse que queria encontrar com Lil, estava preocupada e tudo mais. E você já me xingou e bateu muito ontem por isso. O que mais eu ia fazer?

- Sei lá, qualquer coisa. Menos, trazer ela para passar a tarde toda com ele. Ela não trabalha, não? – Termino de beber meu café e vou lavar a caneca.

- Trabalha, mas tinha banco de horas, por isso podia pular à tarde. Pelo menos foi o que ela disse. – Reviro os olhos, secando minhas mãos. – Eu conversei com o Lil depois que você saiu para o jantar ontem.

- Sobre? – Pego minha mochila em cima do balcão e vejo se está tudo em ordem, vou para a geladeira, pego minha marmita e volto para o balcão para guardá-la na mochila.

- Muitas coisas, só que o mais importante, sobre ela. – Ele levanta e vai lavar sua caneca também. – Ele disse que está confuso, por causa da sua breve perda de memória e por eles terem tido uma recaída antes do acidente, mas tem certeza que não é apaixonado por ela.

- Paro de mexer na mochila e viro para Alec, ele termina de lavar a caneca e se vira para mim secando as mãos.

– E por que eu deveria saber disso?

- Porque, Isabelly, eu vi o que aconteceu com vocês dois antes do jantar. – Arregalo os olhos, surpresa. Eu estava certa que aquele momento foi coisa da minha imaginação.

- O.. que?

- Olha, eu não sei o que você sente pelo meu irmão, ou porque você esta fazendo isso, mas Lil está mudando, para melhor e... – Ele abaixa a cabeça e segura a pia com as duas mãos, parecia está se esforçando parar dizer aquelas coisas. – Eu não quero perder meu irmão, Belly. Ele voltou para nós, voltou a ser o meu melhor amigo. E eu quero que isso continue, então, por favor, não estraga tudo.

Alec não me olhava, mas pelo seu tom de voz deu para sentir o desespero e o medo que sentia. Suspiro e olho para minhas mãos, estava tremendo. Eu o entendo, Lil está se tornando um homem para os outros que sempre foi para mim.

Ele se permitiu sentir, se abre mais e deixou aquela casca de macho alfa e superior. Isso é ótimo, tudo que eu sempre quis para ele, mas também o deixa mais frágil, Alec e eu fomos os únicos que presenciamos o quão Lil lida com algo quando sua durabilidade se quebra. Não posso causar isso há ele, não ao meu Lil.

Suspiro e cerro minhas mãos, não vai ser eu quem ira magoa-lo, não mesmo. Olho para Alec e ele continuava de cabeça baixa e segurando a pia, corro até ele e o abraço, envolvendo meus braços em sua cintura o aperto o máximo possível.

Eu e Alec nunca fomos de demonstrar carinho, sempre foi um amor de provocações, nos dávamos bem assim, mas agora sei que nós dois precisávamos daquilo, assim como apoiamos um ao outro no acidente de Lil. Sinto suas mãos nas minhas costas e um leve aperto, retribuía meu abraço.

- Eu nunca, nunca, farei algo para magoar ele, Alec. Eu o amo.

- Eu sei.

Continuamos por mais tempo abraçados e absorvendo o impacto daquele momento. Suas palavras foram duras e o clima ficou tenso entre nós dois, mas foram necessárias. Algo que todo irmão faria para preservar e cuidar. Eu me orgulho dele por isso.

- Ué, ainda estão aqui? Não vão se atrasar? – Escuto a voz de Lil, solto de Alec e olho para o relógio. Realmente, se não corresse ia chegar super atrasada no serviço. – Aconteceu algo?

Lil podia sentir as vibrações de algo sério no ar, ele sempre foi observador e sensitivo. Fico o olhando de calça moletom, sem camisa e com o cabelo bagunçado, apoiado nas muletas. Sorrio sentindo a calma em minha alma. Eu, realmente, o amo. Vou até Lil, o abraço e beijo no rosto, ele sorri sem entender nada.

- Vamos, Alec. – Pego minha mochila no balcão, me desvio de Lil e corro para a porta, antes de abri-la e sair, eu olho para trás e ele estava me olhando, sempre me olhando. – Te amo, amor.

Saio correndo sem esperar Alec, vou direto para o meu carro e entro assim que o destravo, jogando a mochila no banco de trás. Ligo o motor e fico esperando Alec enquanto olhava para o volante.

Minha respiração estava irregular, não pela corrida, mas pela conclusão dos meus pensamentos e sentimentos. Sinto meu rosto molhado, passo a mão nele e sei que são lagrimas. Eu chorava, de dor? Medo? Felicidade? Eu não sei, mas deixava que elas caíssem.

- Você está bem? – Escuto a voz de Alec eu meu lado, olho para ele ainda chorando e ele colocava o cinto, sem me olhar.

- Sim. Alec, eu acho... acho que o amo. – Alec me olha com um sorriso no rosto e segura minha mão tremendo no volante. – Estou apaixonada por Lil Muniz.

- Então fale para ele. Não vai se arrepender disso.

Fico o olhando por um momento sem reação, mas logo começo a rir, saio com o carro seguindo o meu caminho tendo a certeza de que esse fim de semana vai mudar completamente a minha vida.



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