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História Ele ou Ela - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capitulo 03


Fiquei o dia inteiro junto com Megan e Ricardo trabalhando nesse projeto, liberei eles para almoçar, mas não me permiti descansar até estar com o trabalho satisfatório. Só fui perceber a hora quando Ricardo me chamou para ir embora, já havia passado do nosso expediente. Estava sem comer e muito cansada, então desliguei o computador depois de salvar todo o trabalho de hoje e enviar para meu e-mail sem correr riscos de perde-lo permanentemente.

 Sai do escritório junto com eles. No estacionamento me despedi dos dois e segui até meu carro, a segurança de mais cedo não estava lá, o que me deixou bem aliviada, não estava no clima para dar outra patada nela. Entro no meu carro e ligo o rádio automaticamente, saio com ele do estacionamento e sigo para a avenida que dava em direção á minha casa, mas Isabelly não saia da minha cabeça. Todo esse problema, o que minha vida se tornou com essa transformação e a ligação da minha melhor amiga enfurecida comigo está me atingindo com tudo agora. Começo a sentir meu peito se contrair e minha visão se turvar, dou a seta e jogo o carro para o acostamento desligando-o logo que encosto. 

Respiro fundo para tentar recuperar o controle. As lagrimas que estava segurando o dia todo saem como enxurrada, a confusão que minha vida se tornou do dia para noite é um peso que não sei se consigo aguentar sozinha. Era tudo muito confuso, eu não sabia como tomar as rédeas novamente, como há anos atrás. Encosto minha cabeça no banco e fecho os olhos. 

- Calma, Lilly. Você consegue, pensa em um plano. Você lida com estratégias, então crie uma. – Respiro fundo novamente e a música I Won't Give Up do Jason Mraz começa a tocar. A sua letra e melodia me fazem voltar a lembrar meus momentos com Isabelly, tudo o que conquistamos juntas e a promessa que fizemos de nunca desistir, o nosso contratado. Eu nunca trairia a confiança dela, eu tenho certeza disso. Não importa quem eu seja, que vida esteja, eu sinto que Isabelly é importante para mim o suficiente para estregar com uma transa qualquer. Não faria isso com Belly e eu vou provar para ela. 

Aumento o volume do rádio e volto a ligar o carro, dou a seta e entro de volta na avenida. Pego a primeira saída em direção á casa de Isabelly. Ela pode estar querendo me matar agora, mas não me importa. Eu não vou desistir. Não vou deixar que ela escape pelas minhas mãos. 

Em meia hora chego à porta de sua casa, desligo o carro e respiro fundo. Saio do carro, o travando logo em seguida, fico parada em frente à sua casa, ainda arrumando coragem para entrar. A entrada mostrava aquilo que Isabelly é. Simples e elegante. Um enorme quintal com grama verde e bem aparada, um caminho que dava direto para a porta da frente, sem portões para ela não se sentir presa demais. Uma janela grande a vista que eu sabia ser da sala.

Encosto no carro e cruzo os braços lembrando todos os momentos que passei com ela naquele local. Os piqueniques nesse quintal sem a gente se importar se outras pessoas estariam vendo. As guerras de travesseiro em seu quarto, assistir filme deitadas no chão da sala enquanto comemos brigadeiro ou os jantares que ela fazia questão de fazer em sua cozinha. Solto o ar. Até as brigas onde uma vez soquei a porta da frente quase a quebrando porque ela estava me escondendo algo, no final das contas era só uma surpresa de aniversário que ela estava me fazendo ou quando ela começou a me bater desesperada no sofá da sala depois de eu ter confessado que não tinha passado a noite anterior em casa. Tudo, como mulher, melhores amigas.

Passamos por tudo, juntas. Não podia perdê-la. Abaixo a cabeça e me desencosto do carro, hora de começar a luta. Começo a andar para a porta de sua casa quando escuto uma voz angelical, mas raivosa, atrás de mim. 

- O que você está fazendo aqui? 

Viro e lá estava ela. Linda, como sempre. Seus cabelos no ombro em um corte repicado e uma franja que cobria parcialmente seus olhos de mel que estão protegidos pelos óculos de grau que usava. Meu coração acelera e tento conter um sorriso. A olho de cima a baixo simplesmente para admirá-la, estava usando uma calça jeans colada e uma blusinha com vários desenhos de gatinho, nos pés o tênis da Nike preto que ela ama. 

Acabo soltando um sorriso de lado, essa garota é muito linda. Estava segurando sacolas de compras em uma mão e no ombro direito sua mochila. 

- Vai me fazer repetir, Lil? – Volto à realidade com seu tom de voz ainda mais grosso. Aproximo e ela se afasta. 

- Vim conversar. A gente precisa se entender. 

- Não temos o que conversar, deixei bem claro para que não me procurasse mais. Boa noite. – Ela da à volta em mim e vai em direção á porta de sua casa, a abrindo e logo entrando, quando estava prestes a fechar eu corro e a interrompo. Vantagem em ser homem é ser mais forte que ela, apesar que quando era mulher também tinha esse privilegio, já que tinha mais corpo que ela. Apoio todo meu braço na porta e forço um pouco para não fechar. – Vai embora, Lil. Agora. 

- Não, vamos conversar. Você querendo ou não. Acho melhor que seja dentro da sua casa para os vizinhos não ficarem falando merda, mas se preferir aqui fora, tudo bem, não me importa. – Isabelly fica me fuzilando com o olhar sem me da passagem. 

Continuo a encarando sem ceder. Ela solta o ar que segurava e se afasta da porta. Sorrio de lado. Lil 01 X 00 Belly. Entro na casa dela e fecho a porta, quando me viro ela já tinha sumido de vista, provavelmente foi pra cozinha guardar as compras. Vejo a mochila dela jogada perto do sofá e penso em pegar para levar ao quarto, mas acho que vou acabar piorando as coisas e seria bom sair daqui com um beijo no rosto em vez de panela na cabeça. 

Fico parada do lado do sofá da sala toda elegante, olho para os painéis pendurados lotados de livros. Na mesinha de centro estava um livro que ela provavelmente estava lendo e as chaves da casa e do carro jogadas do lado. A TV pendurada em um suporte na parede e na estante várias fotos. Dela sozinha, com sua irmã, seus pais, sua família inteira, seus animais e comigo. Aproximo mais para ver as fotos. Várias delas eu estou junto. Eu como homem. Sempre a abraçando possessivamente, como se... Espera. 

Arregalo os olhos e olho para minhas mãos, não tenho aliança e não me lembro de ter visto nenhuma aliança nos dedos dela.

- O que você está fazendo, Lil? 

Viro e olho direto para as mãos de Isabelly. Sem aliança. Volto a olhar para seu rosto e ela me lançava um olhar de impaciência.

- Nós não namoramos né, Belly? Não é por isso que você esta tão magoada com minha suposta traição? – Seu olhar de impaciência foi para surpresa, indignação e agora ódio puro. Ferrou. Ela se aproxima de mim com os punhos cerrados e agora eu começo a ficar com medo. 

- Você é um perfeito imbecil. Eu nunca namoraria um canalha, insensível e sem escrúpulo igual á você. 

- Ai vai com calma, eu.. 

- Você só queria me comparar com mais uma das putas da sua lista, como se estivesse esquecido tudo o que somos, na verdade, que éramos um para o outro. – Seus olhos começam a encher de lagrimas, isso está me quebrando por dentro. – Nós nunca vamos namorar, principalmente depois de você ter dormido com minha prima, seu nojento. 

Fico tão indignado quanto ela. Eu nunca transaria com a prima dela, realmente seria nojento e eu acho que tenho algo pra salvar aqui dentro. Volto a olhar para as fotos, a forma como estou feliz ao lado de Belly, como a abraço. Pego uma que esta só nós dois, eu estou a abraçando por trás e dando um beijo em sua bochecha, ela está com um enorme sorriso tirando a “self”. Aquilo mostra todo o carinho que temos uma pela outra, mesmo como homem, sei que a amo e a respeito como a pessoa mais importante da minha vida. A foto é tomada da minha mão com brutalidade. Olho para Belly que estava ao meu lado apertando o porta retrato contra seu peito. 

- Saia daqui, Lil. Por favor. 

- Não. – Me aproximo e ela se afasta mais uma vez. – Belly, olha para mim, acha  mesmo que eu ficaria com sua prima? Eu tenho tanto nojo e ódio dela quanto você. Eu a espancaria se ela estivesse na minha frente. – Isabelly se afasta mais. – Se ela fosse homem, claro. Enfim, eu nunca faria isso, amor. Confia em mim. – Me aproximo mais de Isabelly e ela da à volta em mim para se afastar mais. Tira do bolso da calça seu celular e começa a mexer nele. Levanto uma sobrancelha sem acreditar que ela vai mexer no celular no meio de uma DR. 

Aproximo para tirar o celular da mão dela quando ela o vira para mim e me mostra a foto que estava em sua tela. Fico por um tempo sem entender o que a foto daquele homem deitado na cama seminu com a prima dela ao lado tem haver comigo até que eu caio em mim. Aquele homem sou eu é a minha forma de homem, meu corpo. Meus olhos estão quase soltando das bordas, pego o celular da mão dela e aproximo mais para olhar bem detalhadamente aquela imagem irreal. 

- Quem te enviou isso? 

- O que interessa, é a verd.... 

- QUEM ISABELLY? – Grito com ela deixando escapar parte do meu ódio por aquilo. Isabelly me olha assustada, mas volta a ficar séria. 

- Paty me mandou. Parece que Eliza mandou para um grupo de primas que eu não estou. Ela estava se exibindo por ter conseguido outro dos “meus gostosões” – A magoa na voz de Belly atinge meu coração com tudo. Suspiro para me recuperar. 

- Belly, isso é mentira. Nunca poderia ter acontecido. Pelo amor de Deus acredita em mim. 

- Como? Com essa foto não da pra acreditar e eu sei que você estava na mesma balada que ela, você me falou, eu só não tinha me ligado antes. Se tivesse prestado atenção á uma semana... 

- Porra. Você tem que confiar em mim e não em uma foto que uma vadia manda pra te atingir – Jogo o celular de Isabelly que bate no sofá e cai no chão. Ela joga o porta retrato que estava em sua mão em mim, mostrando sua irritação, me encolho para me defender e ele bate no meu braço, cai no chão e o eco do vidro rachando é escutado por toda casa. 

- Me diz como vou acreditar em você se tudo esta voltado para isso? Não posso fechar meus olhos uma segunda vez. 

- Eu espero que você não esteja me comparando com aquele infeliz. 

- É JUSTAMENTE ISSO QUE VOCÊ SE TORNOU PARA MIM – Isabelly grita e começa a chorar. Fico a olhando surpreso. Meu coração quebra sangrando de dor. Ela não esta dizendo isso. Aproximo de Isabelly e a seguro antes que ela se afaste. 

- Isabelly eu nunca... – Paro quando sinto uma grande pontada na cabeça. Solto Isabelly e caio ajoelhada gritando de dor. Coloco minhas mãos na minha cabeça e uma lembrança de repente se forma na minha mente. 

“Eu estava sentado com Isabelly no sofá da sala de sua casa. Estava passando Simplesmente Acontece na TV. Isabelly comia pipoca ao meu lado coberta nas pernas por uma manta. Sorrio e me aproximo mais dela, passo meu braço por seus ombros a abraçando de lado e roubo a pipoca da sua mão quando ela vai colocar na boca. 

- Hey! Têm muitas no pote, sabia? – Ela bate no meu ombro enquanto faz um biquinho. 

Sorrio de lado e sussurro perto do seu ouvido - Mas eu queria aquela que estava mais perto da sua boca – A vejo ficar vermelha de vergonha e solto uma gargalhada comendo a pipoca roubada. 

- Você é um idiota. – Ela ri e fica prestando atenção no filme. Fico a olhando e penso como seria bom tê-la só para mim. Balanço a cabeça para espantar esse pensamento, não posso magoá-la, qualquer um, menos ela. 

O filme acaba e Belly vai colocar o pote na cozinha, volta logo em seguida pulando no sofá, a abraço e puxo para meu colo. Isabelly fica fazendo carinho no meu cabelo e eu encosto minha testa no seu ombro. 

- Como foi a noitada de ontem? Alec disse que você não voltou pra casa. – Escuto a malícia no seu tom de voz e solto uma risada. 

- Eu não dormi com a mina, se é o que quer saber. – Levanto a cabeça, olhando nos olhos de Belly, acaricio seu rosto – Entenda meu amor, eu nunca durmo na mesma cama com uma mulher que eu só transei. Para que eu durma junto, preciso amá-la. 

- Ih, então nunca vai só dormir com uma garota. – Belly aperta meu nariz com um sorriso maroto nos lábios. 

- Eu durmo com você. – Beijo a ponta do seu nariz e ela fica com vergonha. A jogo no sofá e subo por cima fazendo cócegas.” 

Abro os olhos de volta a minha realidade, estava deitada em um tapete felpudo e escutava a voz de Isabelly desesperada ao telefone. Sento no chão e ela vem correndo ao meu lado ainda falando com alguém. Quando percebo que é da ambulância. Tiro o celular da mão dela. 

- Oi, não precisa de ambulância, eu estou bem, só foi uma tontura porque não comi hoje. – Escuto a mulher me dar orientações para me cuidar e confirmo o cancelamento de socorro. Desligo o celular e o coloco na mesinha de centro. 

- Você é louco? Precisa ir pro hospital. Você ficou cinco minutos inconsciente, Lil. – Ela estava muito preocupada mesmo, isso acalmou meu coração. 

- Estou bem, deve ter sido por falta de comida mesmo. Não importa agora. 

- É claro que importa você... 

- Belly, me escuta, uma vez aqui nessa sala eu te disse que nunca dormiria ao lado de uma garota que só tinha transado. Você lembra? – seguro as mãos dela para mantê-la calma e concentrada em mim. 

- O que isso tem haver? Lil... 

- Amor, pensa. Eu estava dormindo naquela foto, acabado. Alguma vez eu dormi com outra garota? – ela nega com a cabeça, parecia começar a entender. – Então, por que acha que eu dormiria logo com ela? Com a garota que eu odeio? Se fosse só sexo eu nunca dormiria com ela, por meus princípios e principalmente para você não saber. 

Isabelly se senta ao meu lado, seus olhos úmidos começam a perceber a verdade. Suspiro aliviado. Deixo com que ela fique pensando no que falei e me sento melhor, encostando minhas costas no sofá. Depois do que parecia a eternidade, Isabelly me olha. Agora mais calma, mostrava que havia acreditado em mim. 

- Você nunca faria isso comigo, não é? Nunca me trairia. 

- Nunca, meu amor. Por nada nesse mundo. – Ergo meu dedinho pra ela e com um sorriso ela entrelaça o dedinho dela no meu. Sorrio, empolgado,a puxo para mim e a abraço apertado. – Eu te amo, Belly. Não posso te perder. 

- Eu também te amo, Lil. Desculpa por desconfiar de você – Nego com a cabeça mostrando não me importar. Encosto meu rosto em seu pescoço e respiro fundo para sentir seu cheiro. Ela começa a fazer carinho no meu cabelo. Fecho os olhos, aliviado. Agora sim eu sei que consigo tudo. 

Ficamos um bom tempo assim, sem falar nada, só abraçados. Até que Belly se afasta e me da um tapa na cabeça. 

- Isso é por ter gritado comigo. – Me da outro tapa – Isso por ter jogado meu celular. – Faço uma careta e ela me da um tapa mais forte – E isso por ter ficado o dia todo sem comer, seu idiota. 

- Quanto carinho, vai com calma que assim me apaixono. 

Belly solta uma risada muito gostosa de ouvir e se levanta estendendo a mão para mim. 

- Vamos, acho que tem ovo pra comer. – Acabo rindo imaginando que na geladeira dela, provavelmente o que mais tem é ovo. Pego sua mão, mas não a uso para me levantar. Levanto com as forças das minhas pernas e quando estou de pé a puxo para ficar bem grudada comigo. 

- E se eu quiser comer outra coisa? – Pergunto em um tom malicioso para testar se nossa amizade voltou a ser a mesma. 

- Então eu só lamento. Porque pra você o que tem é ovo. – Ela da de ombros e vai em direção á cozinha rebolando. Balanço a cabeça. Essa garota. Ai, ai. 

Começo a segui-la até que vejo o porta retratos caído de frente pra baixo. O pego do chão e olho mais uma vez para nossa foto, o vidro estava todo rachado, mas não quebrou. Sorrio, algo assim nunca poderia ser perdido. O coloco na mesinha de centro e vou andando tranquilo até a cozinha lembrando de ligar para Alec e avisar que não ia dormir em casa hoje. 

 



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