História Ele quer dançar - Capítulo 29


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Colégio, Dança, Escola, Jovem-adulto, Lgbt, Musica, Romance, Young Adult
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Palavras 2.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Slash
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Atrasei uma semana. :( Quero pedir desculpas por isso. A vida tá corrida aqui, eu juro que me esforço. Tem o livro novo em fase final (logo mostro a capa), o Simple Plan tá pra chegar no Brasil, minha irmã que mora fora veio visitar a gente por umas semanas, eu tô escrevendo o livro 3 do Caíque (em negrito porque é isso o que importa pra vocês hahaha) porque se rolar de publicar ele precisa estar pronto a qualquer momento, os vídeos e blog do meu site estão voltando (falando sobre música, literatura e vida de fã) e tomando bastante tempo até estruturar de novo, tirando o clube literário e as revisões – que são pra eu poder ter dinheiro e viver pra fazer esse resto todo, então me perdoem! Até se alguém quiser acompanhar as postagens e vídeos do site, estão começando em psdoispontos.com (onde também fica a lojinha com meus livros, o clube literário, a assessoria literária pra quem precisar de revisão ou o que for). É só entrar lá pra ver tudo e seguir o @_psdoispontos e o @cizagatto no Instagram. Venham pro Gattos da Cínthia no Facebook também. E acho que vocês vão gostar de saber que “Ele quer dançar” tá prevista pra terminar em dezembro. Yay! Amo vocês de montão. Obrigada pelo carinho imenso.
Bem-vinda, Aiwasuki!

Capítulo 29 - Capítulo 28


O teatro da escola de Caíque não era exatamente um teatro; era um auditório voltado a palestras normalmente muito chatas, às quais eles gostavam de assistir apenas porque perdiam aula, e cerimônias oficiais, como as formaturas do nono ano e do ensino médio. Dentro de alguns dias, estaria ali com roupas sociais – mas que não deveriam envolver terno e gravata porque não condiziam com o calor daquele fim de novembro –, mas agora estava vestido com outro tipo de roupas que nunca imaginara colocar. Sentado na ponta do palco, usando o uniforme de um time de basquete, conseguido para metade dos meninos da turma em uma loja de aluguel de fantasias, esperava os poucos colegas que chegaram no horário combinado terminarem de se arrumar.

A maioria deles tinha mais de uma troca de roupa durante a peça, e estavam todos muito bem ensaiados para se vestir atrás do pano desenhado com dois cenários, que dividiam o palco exatamente na metade. O espaço que servia de coxia lhes dava cerca de um metro espremido contra a parede dos fundos, sem a menor intimidade para arrancarem a roupa dali a uma hora, mas até então eles se trocavam em duas salas vazias; uma para os meninos e outra para as meninas, onde Caíque havia se vestido e deixado sua mochila e suas roupas, porque achava muito mais seguro.

A porta do auditório chamou sua atenção ao ser aberta. Seu nervosismo quase não o deixou entender de quem se tratava. Dentro de uma calça preta, uma camisa social rosa-bebê, sobreposta por um colete cinza com desenhos de losangos em pink, tênis sem meias e uma boina branca na cabeça, o garoto parado ainda no fundo das fileiras de poltronas fez seu coração parar por um segundo. Caíque soube que havia aberto a boca, porque precisou fechá-la ao desviar os olhos e afastar os pensamentos que o haviam atropelado em um segundo tão breve que o deixaram zonzo. Afinal, não havia muito motivo para estardalhaço, já que se tratava apenas de Danilo.

— Os meninos estavam dizendo que você não tinha chegado.

Caíque sorriu, embora fosse difícil fazer isso perto dele. Na maior parte do tempo, queria apenas que Danilo não tentasse nenhum contato. O problema era que ele mesmo sabia que, se continuasse com aquele azedume toda vez que o antigo melhor amigo chegava perto, começaria a dar sinal de que havia algo errado. Tanto que Melissa e Nicole já pareciam perceber. E Caíque ainda não tinha certeza do que era, só nutria esse ódio contido por tanto tempo que agora era mais fácil alimentá-lo do que entendê-lo.

— Como sempre, os meninos não sabem muito bem das coisas.

Danilo o olhou por um tempo, mas não respondeu enquanto se aproximava. Caíque o viu subir os poucos degraus que levavam ao palco, depois enxergou de canto a silhueta dele se aproximando até se sentar ao seu lado. Quando o fez, estava tão perto que Caíque apoiou as mãos no chão e ergueu o quadril para se empurrar alguns centímetros para mais longe.

— Tá preparado?

Caíque abafou um riso no nariz. Não queria ser assim. Não queria ser o metido nojento da sala, embora aquele fosse o único lugar em que tivesse o direito de ser um metido nojento, assim como todos os outros meninos eram metidos nojentos nos lugares deles, como na quadra de futebol, no atletismo ou nas aulas de computação. Mas era difícil não ser assim, porque existia aquela coisa que o fazia querer responder atravessado a tudo que Danilo dissesse. Eu nasci preparado, meu amor.

— Eu tô bem — respondeu apenas, com a voz baixa quase sem sair, por não ser aquilo o que gostaria de dizer naquele instante.

— Eu não tô.

A resposta veio no mesmo silêncio, e Caíque demorou alguns segundos para decidir se havia escutado direito. Entendeu que sim quando ergueu o rosto para Danilo, e os olhos dele estavam fixos nos seus como em um grito mudo por socorro. E você queria roubar o meu papel, seu estúpido, pensou sozinho, pois não queria Danilo borrando as calças e estragando toda a peça porque, além de tudo, havia feito questão de pisar um pouco na merda que já estava na cabeça dele.

Fazia muito tempo que não tinha Danilo perto assim para reparar em como ele havia ficado bonito com o tempo. Ele ainda era menor se comparassem suas alturas, mas seus ombros estavam se alargando e seus braços tinham algumas marcas de musculação. O castanho dos olhos dele parecia cada vez mais escuro, e ele havia mudado recentemente o corte do cabelo – de formato nenhum para um que podia espetar para todos os lados. Bom, agora ele estava coberto pela boina, e o branco dela deixava ainda mais à mostra a pele cor de caramelo que ele tinha, tão diferente da sua.

Só então percebeu que havia ficado quieto por tempo demais. Danilo ainda o olhava, provavelmente esperando uma resposta. Mas a afobação que fez seu estômago se contrair não o deixou oferecer o que ele queria. Sua primeira reação foi a mais segura que poderia ter. Pulou do palco e, com um tom bastante simples na voz, virou-se para ele enquanto avançava pelas fileiras de poltronas.

— Então eu vou ver se sua Sharpay está pronta. Quem sabe ela não te dê um pouco de companhia?

Estava quase no corredor quando ouviu Danilo chamá-lo. Precisou respirar de volta todo o nervosismo que já ia saindo por sua boca, prestar a gritar: eu não sou a sua Sharpay, Danilo! Mas não conseguiu se virar para ouvir, ou não haveria controle que desse conta do que estava sentindo. Preferiu fingir não ter escutado e sair atrás de Nicole. Por sorte, ela se aproximava com um grupo de meninas.

Era com aquelas roupas que passariam a maior parte do dia. Tinham duas apresentações para as turmas da manhã, depois almoçariam na escola, fariam duas apresentações à tarde e encerrariam o expediente apenas à noite, com um apresentação para as famílias e convidados. E essa, sim, trazia uma ansiedade que vinha comendo Caíque por dentro. Cada apresentação a menos era uma apresentação mais perto do momento em que seus pais o veriam no palco. Vinha pensando agora que este era mais um motivo para comemorar não ter ganhado o papel e as roupas de Ryan, que agora eram de Danilo.

Já havia beijado Melissa quatro vezes quando, por trás do pano do cenário, escutou o auditório se encher pela última vez. Havia chamado vó Dirce e dona Lourdes para vê-lo, mas apenas a primeira prometera que iria, e ele sabia que dona Lourdes morava longe demais para ir embora tão tarde assim. Ela já concordava com a maioria dos seus caprichos, e Caíque vinha entendendo que ela também tinha a família dela para cuidar. Foi apenas no meio da música de abertura, que cantava com os outros meninos do time de basquete, quando finalmente pôde olhar para a plateia e procurar mais ou menos os rostos que queria ver. Não chegou a focar exatamente neles quando precisou se concentrar na coreografia de novo, mas ficou satisfeito ao bater os olhos em uma dupla de garotos cujos rostos lhe deram uma impressão muito rápida de ctrl-c e ctrl-v. Deviam ser os irmãos.

Descobriu que eram, ao lado dos pais e da avó, apenas quando se colocou em fila, dali a quase uma hora, e se curvou diante do público. Havia beijado Melissa pela quinta vez. E o motivo de não conseguir parar de contar era nunca ter dado seu primeiro beijo de verdade, e agora havia dado cinco beijos – selinhos, que fossem – justamente em uma garota. Não importava se era completamente apaixonado pela garota e aquilo não fosse nenhum sacrifício; só que não era apaixonado por ela no sentido romântico, e ainda gostaria de ter tido essa experiência de outra forma.

Exceto pelas poucas vezes em que Melissa não ia à escola por algum motivo, foi a primeira vez que voltaram em carros separados. A família dela também estava lá, e vó Dirce convidou seus pais para terminarem a noite em uma pizzaria e comemorarem o que ela classificou como o sucesso da peça.

— Temos o nosso próprio Zac Efron aqui — ela disse sem que nenhum deles conseguisse enxergar a referência. Mas o elogio era tão grande para Caíque, que ele precisou abraçá-la e disfarçar os olhos marejados, porque não queria que seus pais ficassem perguntando ou deduzindo coisas.

Sentou-se na cama com o notebook novo no colo, depois do banho. Estava exausto e ainda tinha as últimas provas no dia seguinte, bem cedo, mas estava alerta demais para conseguir dormir. Não chegou a abrir o Orkut quando escutou uma batida no quarto. Por sorte, como não planejava fazer nada proibido – como dançar com musicais, ver filmes gays ou ensaiar balé –, não havia trancado a porta. E logo não soube se era sorte ou azar, porque a saliva desceu áspera por sua garganta quando viu o pai e a mãe entrarem juntos em seu quarto. Eles também já estavam de pijamas.

O primeiro pensamento que tomou sua cabeça foi que não era possível que tivesse se encrencado depois de beijar uma garota na frente da droga da cara deles.

— Oi? — falou surpreso, com uma ideia muito primitiva de que, se começasse a conversa, demonstraria que não estava com medo, porque não havia feito nada de errado. E talvez eles se convencessem disso também.

— Oi — o pai respondeu. — Sua mãe quer falar com você. — Empurrou-a na frente, e a expressão no rosto dela dedurou que não era bem verdade.

— Caíque. — Ela coçou a cabeça, olhou para seu pai, depois para ele de novo. — A gente foi um pouco duro com você por causa do canto. Você é bom, e é claro que você gosta de cantar.

Ele assentiu e segurou o comentário de que também gostava de dançar balé. Não podia ser azedo justo agora que seus olhos estavam crescendo com a expectativa de que aquela conversa finalmente chegasse em um bom lugar.

— Então — ela continuou —, nós podemos pagar aulas de canto pra você no ano que vem. Bom, você vai ter a tarde toda livre, de qualquer forma, e... E o seu pai só quer que você faça algumas outras coisas junto com o canto — ela começou a dar voltas e logo estava olhando para o homem ao seu lado. Não parecia bom sinal. — Não é?

— Eu só acho que você podia fazer aulas de bateria ou de violão junto. Porque, oras, pra que serve saber cantar se você não sabe fazer outras coisas com isso?

Caíque assentiu. Ele sabia atuar. Sabia dançar. Não era só cantar. Ele sabia fazer mais várias coisas junto com o canto. E foi então que não soube o que responder, porque estava ocupado pensando nisso. Na chance de ter uma das aulas paga no ano seguinte, na chance de não precisar se misturar com os meninos idiotas de novo para juntar dinheiro às escondidas. Mas em vez de assentir, ficou ali, em silêncio, olhando para eles com a coragem dividida: parte dela querendo enfrentá-los com a certeza de que perderia tudo, outra parte lhe dizendo que era só um pequeno sacrifício que valeria a pena. Quem sabe conseguisse um desconto se fosse matriculado em três aulas e pudesse pagar até menos no balé?

— Caíque? — a mãe insistiu, com os olhos grandes diretos nos seus. Ela assentia de forma incisiva, com um riso preocupado. — Aceita, meu bem.

Ele assentiu, antes que pudesse entender realmente o que ela dizia. Coçou a testa por baixo da franja molhada, então pensou nas duas horas semanais que ficaria preso batucando uns tambores idiotas. Queria conversar com alguém sobre isso. Com tia Olívia, talvez com Hugo. Foi quando ergueu a cabeça de uma vez. Hugo.

Caíque sentia alguma coisa toda vez que Hugo sentava atrás daquele piano. Talvez fosse porque na maioria das vezes ele o incentivava a cantar algo diferente, ele o desafiava com alguma coisa nova. E mesmo que não estivesse cantando, Hugo parecia se divertir. Nunca havia perguntado como ou por quê, mas Hugo era uma das coisas que o deixavam curioso. E talvez pudesse descobrir por si mesmo o que havia de tão interessante para ele naquele piano, exceto pela certeza de que seu pai faria um escândalo se sugerisse isso. Mas havia uma saída.

Seria uma mentira tão grande. Era alguma discussão que havia lido em uma comunidade de meninos músicos no Orkut e que não dizia nada disso. Mas era o tipo de coisa do qual os pais não tinham como saber.

— Eu posso estudar teclado? Dizem que todas as bandas de rock estão procurando tecladistas hoje em dia.



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