1. Spirit Fanfics >
  2. Ele só pensa em dinheiro >
  3. Capítulo dezesseis

História Ele só pensa em dinheiro - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


Demorei um pouquinho porque arranjei uma pessoa para betar a fic, então logo todos os erros vão ser consertados. Espero que gostem e não xinguem a autora! kkkkkkkk

Comentem e votem! Boa leitura 💜

Capítulo 16 - Capítulo dezesseis


Eu gostaria de poder dizer que nossa grande decisão de vender trabalhos duplicados cortou pela metade meu trabalho. Bem, meio que cortou. Quase. Conseguimos duplicar cerca de um terço dos deveres, depois que tudo foi dividido e feito. Mas uma "carga absurda" de trabalho dividida por dois ainda é metade de uma carga absurda de trabalho, principalmente quando precedida por várias semanas de carga absurda de trabalho. Matei algumas aulas pela primeira vez na vida, imaginando que eu tinha como conseguir anotações de outras pessoas, ao passo que precisava do dinheiro agora.

Além disso, Stanford não ligaria se eu tivesse algumas ausências não justificadas em meus registros (pelo menos, era isso que eu achava), mas tinha certeza de que eles ligariam muito se eu fosse expulso por trapacear. Eu não sabia do que tinha mais medo agora: não conseguir ir para Stanford se Yugyeom me dedurasse por trapacear ou não ir para Stanford se meus pais descobrissem sobre a multa e me mandassem para a Tailândia. O prospecto de cada uma das opções era o que me motivava a continuar fazendo os deveres, mesmo quando as olheiras ameaçavam invadir o restante do meu rosto, e provavelmente, 80 por cento do sangue que corria em minhas veias consistia em energético.

Minha rotina diária naquela semana do final da aula até o trabalho e depois do trabalho até que eu desmaiasse por algumas horas era mais ou menos assim: digitar, digitar, ler, visão embaçada, digitar, digitar, câimbra nos pulsos, dedos dormentes, adormecer no teclado, lavar, enxaguar, cafeína, digitar, repetir.

Namjoon, tentando me ajudar, me deu um software de reconhecimento de voz moderno que ele baixou ilegalmente pela internet, mas depois que comecei o trabalho de alguém ditando "Mesmo que O velho e o mar seja um romance sobre a luta de um homem" e o texto na tela apareceu "O cesto do velho de ar cerveja rola sobre lugar dado homem", desisti disso. Namjoon, Hoseok e outros tinham o próprio método para lidar com o trabalho infernal, mas estávamos ocupados demais para nos lamentar uns com os outros, exceto por eventuais mensagens de textos mal-humoradas. Era uma merda. Tudo era uma merda.

Contudo Taehyung me salvou.

Sempre que eu estava exausto demais e queria desistir, ele conversava comigo e me fazia continuar ou me ajudava com algum trabalho. Quando eu me esquecia de usar as canetinhas marca-texto com desenhos obscenos para obrigá-los a copiar o dever antes de entregar — o que ainda era um sério risco para a segurança —,  Taehyung se certificava de fazer isso. Seu método favorito era escrever "por favor, vá tomar no cu". E o segundo favorito era escrever "Eu tenho sífilis". Quando eu não tinha tempo de imprimir os trabalhos e entregava em pen drive, ele me dizia para enviar os arquivos por e-mail que ele mesmo imprimia. E, uma vez, pensando em questões de segurança, criamos contas de e-mail falsas com essa finalidade. Mesmo quando eu estava a dois segundos de desmaiar à noite, depois de ter escrito outros trabalhos nota 7, eu tinha de rir quando fazia o login como [email protected] e enviava os aquivos para [email protected]

Era uma merda, muita merda mesmo. Eu não dormia e não dormia um pouco mais, e de repente ou por fim, não sei bem, o dia da multa chegou. Obviamente, o dia da multa era o último dia para pagar a multa do Departamento de Saúde antes que os juros começassem a correr. Eu também devia a Yugyeom, mas cuidaria disso no dia seguinte. (Tecnicamente, eu deveria ter pago a ele alguns dias atrás, mas consegui convencê-lo a me dar mais alguns dias ao ficar parado bem perto dele, bem pertinho mesmo, sussurrando o meu pedido no ouvido dele. E isso foi o mais próximo da prostituição que eu já cheguei). O importante era que agora eu tinha a quantidade para as duas dívidas: 15 mil. O dinheiro estava escondido em diversos lugares no meu quarto. Taehyung fora bom ao se certificar de que usava notas novinhas de 100, então pelo menos o dinheiro não ocupava tanto espaço assim. A maior parte estava escondida do colchão — um clichê, mas muito eficaz — e o restante em lugares aleatórios no meu armário.

Naquela sexta-feira de manhã, dividi o dinheiro em dois envelopes gordos e coloquei o destinado ao Departamento de Saúde entre meus livros na mochila, rezando para que eu conseguisse chegar ao colégio e ir ao Departamento sem ser roubado, ou sofrer um acidente, ou ser atacado por uma praga de gafanhotos. Usei então calças pretas, uma blusa social azul e sapatos pretos, que eu achava que faria com que eu parecesse um pouco mais velho e menos suspeito quando entrasse no Departamento de Saúde.

[💵]

— Você tá parecendo o meu pai — disse Taehyung.

Ele já estava no carro quando cheguei depois da aula e olhou para a minha roupa com um misto de diversão e desgosto mal disfarçado enquanto girava a chave na ignição.

— Então acho que não devemos nos beijar hoje — falei, seco.

Coloquei o cinto de segurança enquanto saíamos do estacionamento e seguíamos para o centro. É claro que, quando chegamos lá, Taehyung me deixou na porta e decidiu dar uma volta no quarteirão, em vez de esperar no estacionamento. Como eu esqueci que tinha colocado o dinheiro dentro de uma bolsa, que estava dentro da mochila, quando entrei, larguei a mochila perto da porta e a chutei para baixo de uma mesa velha que estava no caminho, rezando para que o movimento fosse sutil, mas sabendo que provavelmente não era. Tanto faz, eu estava ali. Finalmente...

Caminhei até um balcão cinza. Em termos de atmosfera geral, o Departamento de Saúde era bem parecido com o departamento de veículos motorizados, embora com bem menos gente esperando. Até então, tudo bem. A única coisa entre mim e a minha liberdade era uma mulher desgrenhada de uns 40 anos, cujo crachá dizia MANDY e cuja postura passava a mensagem "já estamos no final de semana?".

— Oi — disse eu a Mandy. — Eu estou aqui para pagar a multa do restaurante tailandês Pailin.

Mandy lançou-me um olhar cético.

— Em geral, isso é feito pelo correio. Você tem o número de citação?

— Hã... Sim.

Fucei na bolsa procurando a carta original.

— Aqui está — falei, entregando a ela o papel bastante amassado.

Ela olhou o documento.

— E como você pagará? Cheque ou cartão de crédito?

— Dinheiro.

Mandy ergueu uma sobrancelha. Dei um sorriso amável.

— Tudo bem — respondeu ela, cansada, entregando-me um formulário para preencher. — Vou precisar ver sua identidade.

Coloquei o envelope de dinheiro e minha carteira de motorista no balcão, tentando parecer casual. Mandy abriu o envelope e arregalou os olhos e depois levou muito tempo, muito mesmo, para conferir o valor. Uma fila começou a se formar atrás de mim. Rezei para que todos estivessem tão entediados quanto pareciam e não estivessem prestando atenção ao que estava acontecendo, enquanto Mandy teve de chamar o supervisor para conferir com ela a contagem e a recontagem, além de marcar cada nota com uma daquelas canetas invisíveis para detecção de notas falsas.

— Tudo certo aqui — disse ela por fim, depois do que parecia ter sido uma eternidade, mas na verdade, tempo o suficiente para começar a formar bolhas nos meus pés por ficar ali parado, enquanto mudava o peso de uma perna para a outra.

— Obrigado — agradeci, enquanto pegava o recibo que ela estava me entregando. — Então, está tudo certo? Não receberemos mais avisos pelo correio?

— Vocês não devem receber. Pelo menos não até serem reprovados em outra inspeção — respondeu ela.

Ai! Senti meu coração mil quilos mais leve.

Saí e Taehyung parou bem onde eu o esperava. Entrei no carro sentindo uma pontada nos pés. Tirei os sapatos, baguncei o cabelo com as mãos e soltei um suspiro de alívio.

— Problema resolvido — disse Taehyung, inclinando-se e encostando sua testa na minha.

— Ainda falta resolver o outro — respondi.

Flutuei pelo restaurante no turno daquela noite, tremendo de felicidade porque sabia que o pesadelo da multa ficara para trás, mas ainda ciente de que eu teria de lidar com a questão de Yugyeom na manhã seguinte. Será que ele pediria mais dinheiro? Será que eu teria de continuar com o lance do dever de casa? Mas eu não queria pensar nisso agora. Eu mal podia esperar pela minha primeira noite inteira de sono em quase um mês.

[💵]

É claro que, quando você fica sem dormir por tanto tempo, mesmo dez horas parecem duas e Yugyeom já estava sentado à mesa do canto, lendo um exemplar, quando entrei no Starbucks, onde havíamos combinado de nos encontrar. Eu carregava o outro envelope de dinheiro que havia preparado na véspera e estava completamente pronto para deixar para trás o pesadelo das últimas semanas. Eu só esperava que ele não estivesse planejando algum golpe repulsivo de última hora, como cobrar uma multa por estar vinte minutos atrasado.

— Oi. Até que enfim — disse Yugyeom acenando e com um sorriso largo no rosto. — Sente-se aqui. Você quer alguma coisa? Pode deixar que eu pago. Parece que isso é café com hortelã — informou ele, apontando para um drinque que estava na frente dele.

— Eu só quero sair logo daqui — respondi friamente, observando enquanto o rosto dele ficava triste um momento antes de um sorriso falso se instalar. — Aqui está — disse eu, entregando o envelope e sem me preocupar em me sentar. Ele abriu o envelope. — Ah, fala sério! — exclamei. — Você vai contar aqui? Como se você não soubesse onde me encontrar se eu não pagasse tudo direitinho...

— É claro que vou contar aqui — disse ele com voz agradável e dando um show ao dobrar as mangas. — Tipo, você é um trapaceiro. É claro que não se pode confiar em você e já lhe dei alguns dias extras. Então, por que não se acalma?

Resisti à tentação de quebrar o pescoço dele, mas em vez disso, sentei-me em uma cadeira em frente a ele. Ele abriu o envelope e começou a contar as notas.

— Já terminou? — perguntei depois de um tempo.

— Acabei — respondeu Yugyeom, fechando o envelope e enfiando-o na mochila. — Está tudo certo, obrigado. Isso será o suficiente no momento — ele se levantou jogando uma nota de vinte na mesa. — Eu tenho de ir, mas se quiser comprar algo, é por minha conta.

— Você já disse isso e eu ignorei você — disse eu, devolvendo o dinheiro a ele. — E o que você quer dizer com isso de será o suficiente por ora? Acabou. Eu não farei mais isso.

— Talvez tenha de fazer — disse Yugyeom. Embora ele estivesse sorrindo, havia um tom ameaçador em sua voz. — Não se preocupe. Eu aviso com antecedência.

Olhei para ele sem acreditar enquanto ele se afastava assobiando uma música alegre. Ele não podia — ele não faria — isso comigo! Eu ia me formar em dois meses. Se ele achasse que teria tempo para voltar a me chantagear, estava enganado. Bem, na verdade, ele não estava enganado, já que tinha dois meses para me chantagear, mas por ora...

Por ora, estava acabado.

Ai, meu Deus. Fechei os olhos e respirei fundo. Tudo bem. Tinha acabado. Eu estava tão zangado com a ameaça de última hora de Yugyeom que eu queria jogar uma cadeira nas costas dele enquanto ele saía pela porta, mas acabou.

Ai, meu Deus, tudo estava resolvido!

Um sorriso se formou em meus lábios e sorri ainda mais quando ouvi meu telefone tocar. Quando abri havia uma mensagem de texto de Taehyung: "Tudo bem?".

Liguei para ele.

— Tudo foi bem — respondi alegre, encostando-me e colocando os pés na cadeira que Yugyeom acabara de deixar.

Olhei em volta para a multidão de rostos felizes que enchiam o Starbucks e até mesmo para os rostos mal-humorados. Embora eu tivesse chegado mal-humorado, ficara bem humorado depois.

— Tipo — continuei —, ele meio que ameaçou que poderia... Mas sabe do que mais, não se preocupe com isso. Saiu tudo bem.

— Ótimo — disse Taehyung. — Hã, então... À que horas você acha que conseguirá chegar aqui mais tarde?

O baile de primavera era naquela noite e, mesmo que eu tivesse de ficar preso no trabalho enquanto Taehyung dançava com Dani e o restante dos seus amigos, eu ainda tinha de ir para a festa na casa dele depois do baile. A festa duraria a noite inteira — como sempre, os pais dele estavam fora da cidade.

— Sei lá — respondi, perguntando-me por que ele estava tão tenso mesmo depois de eu ter me livrado da paranoia das últimas semanas. — Depende do número de clientes no restaurante. Provavelmente depois das onze. Talvez mais perto de meia noite?

Olhei no relógio e levantei. Falando em restaurante, já era quase hora do turno do almoço.

— Bem, você sabe onde me encontrar — disse Taehyung.

— Com a cara no chão, bêbado? — perguntei.

— Na verdade, eu vou beber na piscina aquecida. Fica mais rápido assim.

— Tente ficar consciente até a hora de eu chegar.

— Não se preocupe. Vou guardar um lugar para você.

Eu ri. Despedimo-nos, desliguei e fui caminhando alegremente até o ponto de ônibus para ir ao restaurante. O turno do almoço acabou sendo mortal e o do jantar foi nossa noite mais cheia em semanas, mas de algum modo, consegui fazer tudo de forma perfeita: nada de pedidos esquecidos, nada de erros, apenas sorrisos para cada cliente. A certa altura, meus pais comentaram sobre meu bom humor e como minha voz estava alegre. Limitei-me a dar um sorriso misterioso e perguntei:

— Será que um garoto não pode ficar feliz sem qualquer motivo aparente?

— Não — respondeu Yeonjun.

— Você é meu irmãozinho favorito! — devolvi.

Estiquei a mão para acariciar o cabelo dele, enquanto equilibrava uma bandeja cheia de copos de soda-limonada. Ele me lançou um olhar estranho e eu sorri, embevecido de tanto bom humor. Não achava que era possível me sentir mais feliz do que eu tinha me sentido quando recebi a carta de Stanford, algumas semanas antes, mas aquela felicidade durou apenas alguns minutos antes de Yugyeom arruiná-la, ao passo que minha presente felicidade já durava horas.

O delírio de estar cansado por tantos dias consecutivos certamente não estava ajudando a me acalmar, nem os quatro cafés gelados que tomei durante o turno da noite. Então, quando cheguei à casa de Taehyung mais tarde naquela noite, praticamente corri para descer as escadas até o porão, cumprimentei a todos e devolvi um oi para quem olhava em minha direção. Cheguei até a tomar uma dose de bebida que me deram no caminho. Na porta do porão, eu me espremi entre Stacey e Bogum, que estava examinando a tatuagem falsa de henna que ela fizera em volta do umbigo.

— Beleza, Jeongguk? — cumprimentou-me Bogum, enquanto eu passava por eles tirando minha camisa, preparando-me para entrar na piscina aquecida com Taehyung.

Eu deveria ter prestado mais atenção — havia poucas pessoas com roupas de banho, mas a maioria ainda estava com a roupa do baile — mas, a essa altura, eu estava de muito bom humor. Sorri para Bogum e fiz uma dancinha para ele, o que causou um assobio de apreciação e voltei o olhar para a piscina aquecida. Eu estava a dois passos de distância quando eu vi o que estava acontecendo ali.

Taehyung e Dani estavam se beijando.

Congelei onde estava, arregalando os olhos e sentindo o coração disparar como se fosse explodir no meu peito. Parecia que eu não iria conseguir respirar. Dizem que, quando você está prestes a morrer, sua vida inteira passa diante de seus olhos. Bem, agora eu sei que, quando você está prestes matar alguém, a mesma coisa acontece. Exceto que, em vez de ser sua vida inteira, são apenas os momentos que  você passou com aquela pessoa, e cada momento é como lâmina afiada de uma faca.

— Seu imbecil! — gritei tão alto que todos no porão me ouviram, apesar da música.

Todos se viraram para olhar enquanto eu me aproximava mais da piscina, lançando um olhar furioso para Taehyung e Dani durante todo o caminho e me controlando para não pegar uma latinha de cerveja no chão para jogar na cara dele.

— Não acredito que confiei em você.

Taehyung calmamente afastou os lábios da boca de Dani e sorriu para mim.

— É, não acredito que você confiou — disse ele.

Todo mundo ficou em silêncio. E eu também, congelado por um momento. Furioso. Devastado. Querendo matar alguém. Querendo morrer.

Então, me virei, sem me preocupar com o fato de que dava para todo mundo ver que eu estava chorando, e fui embora.


Notas Finais


Ih... Tão surtando, será?
Vou ficar quietinha e apenas dizer que semana que vem volto com mais khkhk 💜

Não se esqueçam de votar na fic e comentar! Me seguir aqui e no twitter, é o mesmo user. E também dar uma chance para minhas outras fics. ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...