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História Elementais - A Base Para a Destruição. - Capítulo 26


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Capítulo 26 - Diretoria


《Dylan》

Quando eu fui obrigado a levantar hoje cedo, já sabia que o dia seria horrível. Quando andei pelas ruas com uma mochila velha e via o resto dos alunos mais chiques indo em direção à escola, já sabia que odiaria eles. Quando aquela garota Rose ficava pulando em volta de mim, "animada demais" e falando pelos cotovelos, já sabia que ela era chata. Só não esperava encontrar aquela garota depois do outro dia... Ela não tinha mudado nada, muito menos de personalidade. Pelo menos eu consegui arrancar algumas frases de respostas durante as aulas.

E definitivamente não esperava entrar em briga logo no primeiro dia de aula. Mas aquele cara tava pedindo também... Humilhando o garoto daquele jeito. Com certeza o atleta não veio dos outros bairros, haha. Principalmente por não saber do básico das ruas, muito menos como lutar sem improvisar com jogadas de esporte.

Meu corpo ainda estava dolorido e sabia que meu rosto estava um pouquinho feio com os machucados. E aquele professor fazer a gente ir andando até o banheiro pra se lavar não ajudou em nada. 

Olhando para o diretor agora, vejo que ainda iria me dar muito mal. Nós dois estávamos sentados em duas cadeiras separadas e de frente pro japonês de terno, o professor que tinha entrado na sala do nada estava de pé perto da porta e com os braços cruzados. O diretor estava vermelho de raiva e passava a mão pelo rosto enquanto nos olhava, bem diferente do homem sorridente e gentil de antes. 

Nós nos afundávamos nas cadeiras esperando ele começar. Mas diferente do cara do meu lado, que olhava um pouco mais para baixo, eu sustentava o olhar para cima. O que dizer... Depois de tantos anos tentando impor a minha presença para os outros, é meio difícil baixar a cabeça pra alguém facilmente. Mesmo que essa pessoa possa dificultar e muito as coisas pra mim.

- Por que? Eu quero saber... POR QUE?!

O diretor quebrou o silêncio com sua voz agitada e forte. Eu olhei pro lado e decidi não dizer nada. Willians soltou um suspiro e apontou para nós.

- Essa escola NÃO tolera nenhum tipo de violência. Não sob as MINHAS ordens. E eu não permito alunos COMO VOCÊS continuarem a pintar e bordar aqui dentro.

Confesso que fiquei com um pouco de medo do jeito que ele falava. Assim que parou de falar, olhou para nós esperando alguém dizer algo. Quando viu que continuaríamos quietos ele olhou pro cara do meu lado e continuou.

- Patrick... QUANTAS vezes eu já não te vi aqui?! E QUANTAS vezes você não me disse que iria mudar?! Bem... ESTOU ESPERANDO SUA MUDANÇA. Você está ISSO AQUI de ser expulso dessa escola, não deveria brincar com esse tipo de coisa.

Patrick baixou a cabeça e permaneceu escutando quieto. Quando o diretor me chamou, não consegui evitar de me assustar com seu tom.

- DYLAN! Você mal começou seus dias aqui, NEM sequer tem uma semana. É DESSE JEITO que você vai fazer as coisas?! Logo no seu PRIMEIRO dia?! Porque... Eu não sei se VOCÊ sabe, mas as primeiras impressões são importantíssimas.

Engoli em seco e desviei o olhar discretamente. Ele tem razão sobre isso, mas eu não iria deixar o Patrick continuar humilhando aquele cara. E eu não me importo se esse é o diretor ou não, eu faria de novo se precisasse.

- CERTO. Muito bem, muito bem...

O diretor continuava explosivo enquanto ligava seu computador na mesa e clicava em algumas coisas.

- Vamos lá... O que eu deveria colocar nos perfis de vocês...? E aí? Talvez... AGRESSÃO FÍSICA... BRIGA EM SALA DE AULA... Hum?!

Ele alternava o olhar entre nós ainda esperando alguma frase.

- Acreditem, se eu escrever o que eu VEJO... As coisas vão piorar bastante. Podem me dizer o quê EXATAMENTE aconteceu?!

Olho para Patrick e vejo ele se encolher ainda mais. A gente vai acabar ficando aqui o dia todo...

- Ele começou... Eu continuei... Nós terminamos...

Minha voz estava mais baixa do que o normal, mas consegui a atenção do diretor mesmo assim. Ele parecia um pouquinho mais aliviado por alguém ter falado algo.

- Ah, sim. Muito bem. O que ele fez? Já que você disse que... Ele começou. Patrick, você fala depois.

Não escuto nenhuma reclamação vinda dele, então provavelmente ele nem teria como se defender. Me ajeito na cadeira subitamente nervoso e passo a descrever tudo que aconteceu, incluindo sobre o garoto que o Patrick estava incomodando. O diretor pareceu se interessar mais por ele, mas eu não lembrava qual era o nome dele. Talvez Jackson? Sei lá. 

No fim das contas, nós dois levamos uma advertência, o que se transformou em uma suspensão para Patrick (que pelo visto já tinha umas advertências aí). Ele devia ir para casa logo hoje, já eu podia voltar na próxima aula. Apesar disso, Willians continuou pegando pesado com a gente e não parava de me aconselhar. 

Depois de tudo resolvido, o diretor estava mais calmo e praticamente de volta ao normal. Ele mesmo nos levou para a enfermaria da escola e dispensou o professor que havia perdido uma aula com a gente.

Eu levei três pontos na boca, um curativo médio debaixo do meu olho direito e outro um pouco maior na minha bochecha esquerda e alguns remédios para dor. Patrick não precisou de pontos, mas teria que fazer uma consulta médica para verificar o braço machucado e também levou remédios para dor. Eu não tinha colocado muita força naquele golpe, porque se quebrasse o osso eu teria mais problemas... Deveria ter sido suficiente para incapacitá-lo de usar o braço, mas ele tinha uma resistência que me surpreendeu um pouco. 

A enfermeira era legalzinha e até deu gelo para gente colocar nos machucados. Eu e Patrick ignorávamos um ao outro, aproveitando ainda o diretor que sempre se colocava entre nós e continuava seu sermão.

Quando a gente ficou um pouquinho melhor, Patrick foi mandado embora e eu podia já ir direto para a sala. O diretor seguiu Patrick até a saída, onde uma mulher alta e furiosa aguardava com a mochila dele nas mãos.

Não faço ideia de qual aula é essa próxima, mas não tô com paciência pra aturar ninguém agora. Abro a porta bruscamente, jogando o gelo que segurava no meu olho dentro da lixeira da sala, fazendo toda a sala ficar quieta em instantes.





Alguns tinham nojo, outros desprezo e a maioria medo. O que eu já esperava depois do Patrick ter soltado uma bomba daquelas pra todo mundo escutar. Solto um suspiro e vou para a minha carteira lentamente, agradecendo em silêncio pela Gabbelyn não ter virado pra trás. Eu odeio esse jeito antipático dela, mas por agora poderia até ser útil.

Abro o caderno que eu tinha socado dentro da bolsa antes de sair de casa e pego uma das canetas da Kristy perdidas no fundo. Tento me concentrar em escrever algo enquanto escuto vários comentários pela sala. A maioria me xingava mesmo, mas algumas retardadas ainda diziam frases do tipo "nossa, que sexy". Reviro os olhos algumas vezes e começo a rabiscar qualquer coisa nas bordas da folha, me encolhendo na carteira.

Depois de alguns minutos, quando a sala já voltava a conversar normalmente (e eu finalmente relaxei um pouco), olhei para o lado por um segundo apenas para ver aquele garoto de cabelo cacheado me olhando de volta. Ele parecia um pouco... Arrependido. E quando nota meu olhar, vira para frente rapidamente. Ainda me sinto um pouco mal pelo o que Patrick fez, mas não tinha vontade de levantar e ir até o cara. Também não queria ficar parado sem fazer nada.

Pego uma caneta minha e cutuco Gabbelyn algumas vezes no ombro. 

- Ei...?

Ela acaba por me ignorar e continua escrevendo qualquer coisa no caderno dela. Chata do caralho... Por que eu ainda tento?! 

Solto um suspiro e falo.

- Dá pra virar, porra?

Sei de como meu tom de voz saiu rude, mas espero uma resposta. De qualquer jeito, nada parece incomodar essa criatura. Ou pelo menos, o suficiente para ela elevar a voz. Gabbelyn logo se vira e quando vejo aquele olhar cínico de antes já tenho vontade de morrer. 

- Cê é a única pessoa que vai falar comigo por um tempo. Então eu iria amar se você mudasse esse seu jeito.

Apoio meu rosto cuidadosamente na minha mão enquanto eu falo. Mas eu sei que não vai mudar droga nenhuma...

- O que te faz pensar que vou manter contato com você?

Olha aí, o mesmo egocentrismo de antes... Solto um suspiro e luto contra a minha impaciência de mandar ela pra aquele lugar.

- Porque, senhorita Gabbelyn, a gente vai fazer parte do grupinho de isolados. Aliás, já fazemos. Tá feliz? Vai ficar presa comigo até o final das aulas... Relaxa, falta pouco.

Dou um sorrisinho ao pensar que vou poder irritar ela o tempo todo, só pra dar o troco. Gabbelyn franze as sobrancelhas e estala a língua antes de virar para frente de novo. Aí está minha diversão. Dou uma risadinha que eu tenho certeza que ela escutou e volto a rabiscar no meu caderno.











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