História Elementais - Primeira Temporada - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.413
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - A Casa



《Gabbelyn》

Sentir aquela coisa na minha boca me deixou apavorada, tenho que admitir. Minha primeira reação foi empurrar o garoto com os dois braços e uma vez que eu estava livre dei um soco no lado direito do seu rosto.

Ok, pode ter sido exagero...

O rapaz gemia de dor enquanto tentava cambalear para longe. Eu fiquei parada no lugar ainda com a adrenalina no corpo, sentindo as emoções se esvaindo normalmente. Olhei ao redor e percebi dezenas de pares de olhos nos encarando, que para minha surpresa não me afetavam em nada. 

Diferente do cara que se apoiava na parede ao lado. Tinha cabelo cacheado loiro e apresentava uma expressão de dor enquanto colocava a mão no rosto. Não tinha certeza, mas acho que já o vi antes. Ele estava sangrando um pouco.

- Porra velho precisava fazer isso?!

Ele diz olhando furioso para mim e tentando limpar o sangue do corte na boca. Sinceramente, quem deveria estar bravo por causa de toda essa situação seria eu.

- Nunca pedi por isso, nem mesmo deixei. Fez por merecer.

Minha voz saía mais dura do que de costume, fazendo o menino sentir um pouco de medo. Já havia me acostumado com essas reações.

Olhei para todos em volta e decidi que seria melhor se eu voltasse para casa. Rose e Nathan não tem nada a ver com essa história, então resolvo não incomodá-los em me dar carona. Até porque não sei onde estão. 

Saio calmamente do casarão e chego até a calçada. Olhando para o carro de Nathan, percebo que alguém pintou uma mancha azul enorme nos vidros. Uma brincadeira idiota. Solto um suspiro e começo a andar, sabendo o quão longe minha casa está.

Tendo me afastado 4 quarteirões, escuto o barulho das sirenes policiais juntamente com um caminhão de bombeiros. Todos eles iam para o lado sul da cidade, passando do meu lado direito e indo reto.

Não sei muito bem o porquê, mas a minha mente só conseguia pensar em Dylan enquanto dava meia volta e corria na direção oposta. 





Estava com os saltos na mão enquanto me aproximava do agrupamento de policiais, bombeiros e viaturas. Na minha loucura irracional (e, temo dizer isso, emocional) acabei ficando sem fôlego e quase caí ao tentar correr de saltos. Foi o que me fez tirá-los. Em contrapartida, meus pés doíam e sangravam um pouco. Foram muitos quarteirões até aqui.

Tomei cuidado para não me aproximar tanto. A última coisa que eu gostaria que acontecesse é ser parada por policiais estressados. Do outro lado da rua, atrás de um poste quase apagando, assistia ao espetáculo infernal à minha frente.

Uma casa inteira estava em chamas e tudo nela queimava. A deformidade da construção me impressionou, quase não dava para reconhecê-la se não fosse pelo telhado tombado e os buracos retangulares no concreto, onde antes haviam janelas. O quintal também sofria, a grama agora preta espalhando o fogo mais rapidamente.

O calor excessivo e ardente da casa não fazia aquilo parecer um simples incêndio, estava complicado demais, gigantesco demais. Mesmo do outro lado da rua, as chamas me faziam recuar sem nenhum motivo aparente, enviando muita informação ao cérebro. Era uma experiência nova com certeza.

Não consegui segurar o olhar por muito tempo. Era simplesmente majestoso e pela primeira vez em anos não tinha palavras para descrevê-la. Ao invés disso, resolvi focar minha atenção nas pessoas ao redor.

Policiais corriam de todos os lados ajudando bombeiros a apagar o fogo. Vizinhos saíam de suas casas e juntavam-se atrás da barreira policial. Todos muito chocados enquanto cochichavam entre si e não haviam me notado.

Assim como eu, ninguém estava entendendo muita coisa. Apenas que havia um incêndio e provavelmente moradores dentro da construção. Infelizmente percebi que qualquer um que estivesse lá já estava morto a essa altura. Nenhum bombeiro conseguia achar alguma abertura para ao menos tentar um resgate, e não se ouvia gritos entre a fumaça e as chamas. Uma pena.

Voltando-me para mim mesma, consegui afastar todas as emoções suficientemente bem para analisar a situação de maneira lógica e direta. Aquela casa estava pegando fogo por inteiro, qualquer possível passagem está bloqueada. Muita fumaça significa muitas chances de asfixia, realmente não vale a pena ninguém entrar. A intensidade e a velocidade que as chamas possuem são muito grandes para qualquer um sobreviver àquilo (embora na minha visão sejam monstruosas). Conclusão: manter a calma enquanto todas as energias  de todos os homens são focadas em apagar o incêndio, e apenas nisso.

Infelizmente, os policiais são estúpidos demais para desistir do possível resgate. Todos estão contornando a casa em distâncias perigosas, gritando uns com os outros e às vezes para a própria construção e quem quer que possa estar lá dentro. 

Compreensível, atualmente uma parte gigantesca da população está pressionando o departamento de polícia para que sejam feitas medidas para o sul da cidade por conta do enorme índice de criminalidade existente. Se naquele incêndio potencialmente criado por bandidos houver moradores, todos já mortos a essa altura, a polícia vai ficar ainda mais encrencada e suja aos olhos públicos por ter deixado isso acontecer. Então, para eles, é melhor ao menos tentar.

Mesmo assim, isso não é desculpa para se jogar em meio às chamas por causa de "possíveis sobreviventes". Mais uma vez, é pura estupidez e burrice. 

Quando consegui me acalmar por completo, retornando ao simples vazio e pacífico emocional, solto um suspiro e decido acompanhar o resto pela televisão mais tarde. Dou uma olhada nos pés (não estavam tão ruim quanto pensei) e volto a caminhar normalmente em direção a algum ponto de ônibus. Teria que andar um pouco mais até encontrar um.





Leonor estava sentada no sofá, prestando atenção na TV. Um grande milagre já que segundo ela "jornais são depressivos". Ao fechar a porta, ela se vira para mim um pouco assustada enquanto segura o controle no peito. Ando até ela e me sento na poltrona, esperando que comece a falar. Leonor solta um suspiro enquanto encara a TV com a reportagem ao vivo do incêndio. De acordo com minhas pesquisas a polícia está procurando ajuda da mídia para seus objetivos. Uma tentativa, ao meu ver inútil, do DP (departamento de polícia) mostrar às pessoas que não se esqueceu do lado sul.

- Ai Gabbe, imagina só como vai ficar lra quem tava morando ali...

Desvio o olhar da TV para encontrar Leonor dando um de seus olhares mais gentis para a tela. Realmente, ela é muito sensível. Organizo os saltos encostados no chão e limpo os shorts, um gesto habitual já que sempre estão limpos. Por fim, respondo.

- Não penso que alguém estava lá naquela hora. E se estava, morreu. Infelizmente.

Leonor me encara por alguns segundos com uma expressão pensativa. Já sei no que isso vai dar...

- Você estava lá pra saber?

Me encosto na poltrona, esperando o sermão. Disse aquilo apenas porque sabia como Leonor iria reagir, e ter uma visão mais simples das coisas era o que eu precisava no momento. Ela tem uma mania prática de incluir fatos em discussões, o que já me ajudou bastante desde nova.

- Estava vindo para casa quando escutei as sirenes. Fui ver o que aconteceu e parei naquele lugar.

Leonor colocou o controle de lado e pude ver sua preocupação e irritação surgindo lentamente.

- Espera um pouco. A senhorita estava voltando da festa sozinha, a pé, de noite... Escutou o barulho da viatura e decidiu seguir isso assim? Sem mais nem menos?

Fingi uma expressão de culpa e assenti com a cabeça. Leonor levantou do sofá e começou seu longo discurso de segurança, proteção, criminosos, estupro e juízo. Analisei tudo o que ela falou e no final, ela se voltou para mim com as mãos na cintura. Eu havia permanecido quieta durante todo o tempo. 

Por fim, ela suspira e comenta indo em direção aos quartos.

- Igualzinha ao seu pai, incrível...

Aquilo me fez pensar. Apesar de ser uma frase considerada comum entre as famílias, Leonor sempre se esforçou para esquecer e não dizer nada relacionado ao meu pai, Ben. E quando digo que se esforçou, realmente se esforçou. Mudamos de casa, as coisas que ele havia deixado aqui foram jogadas no lixo, ela me proibiu de falar sobre o assunto e qualquer indício de sua existência fora apagado. Então por que, ou melhor, o quê fez ela pensar nisso agora?

Vou para o meu quarto questionando a situação enquanto o incêndio, Leonor e Dylan dão voltas em minha mente.










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