História Elementais - Primeira Temporada - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.401
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Perguntas


《Dylan》

Acordo com alguém sacudindo meus ombros. Abro os olhos lentamente enquanto as dores de cabeça e no corpo voltam. A primeira coisa que vejo é Kristy com um sorriso bem próxima de mim. Caralho como isso é estranho! Eu consigo ver as camadas de maquiagem na cara dela.

Me afasto com um susto e olho ao redor. Não, tá tudo normal ainda (e já ta de noite, meu Deus). Em seguida foco o meu olhar na mulher, querendo uma explicação.

- Mas que porra é essa?!

Kristy se afasta apertando as mãos enquanto me observa com uma intensa curiosidade. Nunca vi ela desse jeito, parecia até...Preocupada?

- Como cê ta se sentindo?

Agora que ela me perguntou, estou me sentindo um pouco estranho. Estou ofegando e suando sem nenhum motivo.  Encaro ela por uns segundos antes de esticar  a gola da camisa em uma tentativa de me esfriar, mas o que recebi foi uma intensa dor de cabeça. 

Coloquei as duas mãos nas têmporas, fechando os olhos impulsivamente apenas esperando o tormento passar. A dor foi diminuindo aos poucos.

Ainda estava deitado na cama, me apoiando nos cotovelos, sinto as mãos grudentas de creme da Kristy me ajudando a sentar. Quando consigo abrir os olhos de novo, vejo que ela está sentada ao meu lado segurando minha mão esquerda e analisando sabe se lá o quê com os dedos. Franzo as sombrancelhas e puxo a mão de volta, me afastando um pouco.

- Vai ler meu futuro agora? Pega um remédio pra mim...

Acrescento pressionando a têmpora direita. Kristy ajeita a postura na cama e põe sua mão na minha perna. Quando fala, está calma e carinhosa de um jeito que me assusta.

- Dylan, precisa me ouvir agora. Tá bom?

Concordo com a cabeça me arrependendo amargamente de ter feito esse movimento. Puta que pariu, viu...Dor do cacete.

- Vou ser direta, sua casa ta pegando fogo. Está em todos os jornais.

Demoro alguns segundos para assimilar a informação. Minha casa. Pegando fogo. Do nada?! Saindo da minha paralisia inicial, sinto o desespero e dou um pulo da cama. 

- PUTA QUE PARIU VELHO...Não é possível...

Em seguida a vertigem me pega de jeito e quase caio no chão não fosse pela Kristy. Ela me faz sentar de novo enquanto faz de tudo para me acalmar.

- Ta bom, não foi uma boa ideia ter começado por aí...Vamos lá. Respira fundo, se concentra...

Sinto uma falta de ar, que junto com a enxaqueca e a tontura parece que vou morrer.  Tudo isso é muito bizarro e inesperado. Fecho os olhos enquanto passo as mãos na testa, enxugando o suor e em seguida apoio os cotovelos nas pernas, pressionando a cabeça entre os dedos. Escuto Kristy soltar uma bufada de irritação e ir embora, voltando uns minutos depois. 

Ela se senta bruscamente enquanto puxa um dos meus braços, me fazendo  tombar e erguer a cabeça, e coloca a mão direita no meu rosto, me fazendo abrir os olhos levemente. 

Na sua mão esquerda vejo que está segurando uma pequena pílula azul. Imagino ser o remédio e não penso duas vezes antes de engolir quando Kristy o põe na minha boca. Não sei que remédio é esse, mas sinto como se estivesse engolindo uma pedra de gelo.

Segundos depois, a enxaqueca para, junto com as dores no corpo e a tontura. Finalmente fica tudo bem! Comigo, pelo menos... Volto o meu olhar para Kristy que me observa com um sorrisinho no rosto. Abro a boca pra falar algo, depois fecho, aí abro de novo. 

- QUE PORRA FOI ESSA?!

Minha voz saiu esganiçada por um momento. 

- E essa é a parte que você cala a boca e me escuta...

O olhar de Kristy é debochado enquanto me puxa com força pelo braço para me conduzir para outro cômodo. Agora sim, esse é o habitual dela, não aquele carinho de antes. Porra, vei... Quê que tá acontecendo?!





O cômodo que entramos lembrava uma pequena biblioteca. Havia estantes cobrindo todas as paredes com livros velhos e antigos, uma iluminação razoável vinda das lâmpadas do teto já que não tem janela aqui e uma mesa de escritório também antiga bem no meio da sala. Tinha duas cadeiras nos dois lados da mesa, e eu estava sentado de frente para a porta. Com os braços cruzados, esperava que Kristy, sentada na minha frente, começasse a falar. Minha paciência já estava acabando.

- E então? Como é que vai ser? Vou ter que escolher entre duas pílulas agora?

Acrescento com um tom de ironia. Kristy estava me encarando nos últimos minutos, entrelaçando os dedos. Por fim, ela finalmente quebra o silêncio. Sua voz é séria, apesar de continuar um pouco arrastada.

- Cê já ta melhor?

Finjo surpresa colocando uma das mão no peito e deixo a voz um pouco mais fina.

- Ó meu Deus, que maravilha você se importar comigo...

Ela se encosta na cadeira e revira os olhos, comentando mais para si mesma.

- Com certeza já tá

Fico quieto, até porque deve ter um motivo pra ela ter me levado até aqui.

- Falaí tia.

Ela me olha por um tempinho até dar um suspiro e começar a falar.

- Sabe que sua casa pegou fogo hoje a noite. Era muito conectado à ela?

Primeiro penso que deve ser zoeira, mas o olhar sério em seu rosto me faz rever minha resposta.

- Como assim?

- Faz muito tempo que morava lá?

Paro um pouco pra pensar. Quem conseguiu aquela casa pra mim já sumiu há muito tempo, na verdade não seria surpresa nenhuma se já estiver morto. Ganhei ela faz 2 anos e meio, com 15 anos, por causa de uns serviços pelas ruas. Nada de mais.

- É, mais ou menos.

Passo a mão pela nuca enquanto espero pela próxima pergunta. Decido colaborar com Kristy já que ela é a única que pode me ajudar nisso, e algo me diz que esse interrogatório vai demorar...

- Gosta da sua vida? Tem algo que quer mudar nela?

Ok, não sou obrigado a responder merda nenhuma. 

- Por que essas perguntas?

Ela dá de ombros, mas continua mantendo a atenção em mim.

- Preciso saber.

Devo ter feito uma cara do tipo "tá-de-sacanagem-comigo?" porque em seguida Kristy completa.

- Isso é sério Dylan. Cresça um pouco e me ajude a te ajudar.

Seu tom de voz tinha uma certa urgência e percebo que seu nervosismo aumenta (para de batucar nessa mesa, caralho!!). Fico em silêncio por uns segundos até soltar um suspiro e responder.

- Minha vida é uma merda. Só aprendi a esquecer isso.

Ela assente com a cabeça enquanto mira em algum ponto invisível e permanece perdida em seus pensamentos. E eu fico me perguntando porquê disse isso.

Mas caraca vei, falar aquilo em voz alta é libertador de certa forma. Deixa de ser algo só seu ou só da sua cabeça e passa a ser uma afirmação, um fato concreto. E sendo assim, é quase impossível de ignorar. Talvez o convite de Kristy para eu me juntar à ela  (tava mais pra ameaça mesmo) possa me ajudar a recomeçar realmente. Talvez seja bom me afastar de Jordan, Damen, Mikhael e o sul desse lugar. Talvez seja bom poder respirar de novo sem medo de ter que brigar, roubar, ser morto por alguém ou de ser pego pela polícia. Porque apesar da minha fama e do que eu faço, tudo isso é um grande risco se não for feito direito. Mas olha, não ser pego pelo DP vai ser um pouco difícil, hehe.

Mas e por quê não? Nunca conseguiram uma imagem minha, nem um retrato falado. Para o Departamento, devo ser só um cara de 30 e poucos anos com um puta vício em maconha e que deve ser pego imediatamente. Não é impossível viver bem. E ainda...

- Flamejante...

Acordo dos meus pensamentos pelo sussurro de Kristy. O quê que ela falou? "Flamejante"?

- Oi? Quê?

Dessa vez é ela que volta para a realidade, ainda um pouco perdida. Dá um sorriso sem graça e responde.

- Ahn? Nada não. Pensando em voz alta...

Bem, se vamos levar isso a sério... Ajeito minha postura e coloco ambas as mãos na mesa. Ela pode ser minha única chance de ter uma vida melhor, e se pra isso eu tiver que engolir o meu orgulho, que seja.

- O que você quer me falar? A minha casa pegou fogo, beleza. Agora continua...







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