História Elementals - Capítulo 25


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Categorias Teen Wolf
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Palavras 4.402
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Harem, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 25 - Suficiente


O clima se tornou tenso no salão do trono do castelo do reino de Felos do Norte. Stiles encarava o seu velho inimigo, agora um homem já formado completamente, beirando o início da velhice, enquanto Chris e os jovenseu o encaravam com certo receio. O desejo de cumprir com o seu dever brilhava nos olhos de Derek, Kira e Scott. O exército real que ali estava nada compreendia. Não sabia o motivo da tensão que se formou a sua frente.

O Stilinski, discretamente, cerrou o punho entorno de seu sai, enquanto Derek e Scott não disfarçaram em nada ao apontarem as suas armas para o castanho. Kira, assim como o outro vulpino, cerrou o punho entorno da empunhadura de sua katana. Allison não sabia o que fazer. Ela conhecia a história por trás do nome Stilinski, por trás da família real de Vulpus do Sul. Mas ela não sabia como reagir naquela situação. De um lado tem a sua família, que fora marcada pela família Stilinski, de outro tem alguém justo que, pelo que ela esperava, apenas carregava o nome da família amaldiçoada pelo demônio. Não seria justo atacar alguém devido ao erro de um membro de sua família. Passar por aquilo era horrível.

Eles já estavam assim há um bom tempo. Depois do susto inicial criado pela afirmação do castanho, todos haviam ficado daquela forma, atentos e estáticos. Um movimento errado poderia gerar uma situação desagradável que poderia levar a um erro muito grande. Tanto Stiles quanto Chris sabiam disso. Eles já haviam participado de situações como aquelas. Stiles em sua infância e Chris desde que havia se tornado rei. E então um frio estranho na barriga surgiu no rei de Felos do Norte. Ele conhecia aquilo. Aquele frio na barriga só aparecia quando algo muito grande estava em jogo.

Em muitas situações difíceis, aquele mesmo frio na barriga vinha a si. Ele veio quando o exército de Draconis do Sul lhe pediu ajuda contra o demônio e também veio em várias reuniões diplomáticas com outros reis. Ele simplesmente respirou fundo, como sempre fez, tentando afastar aquele frio estranho, porém muito conhecido para si. Chris precisava pensar e rápido. Se uma luta começasse ali, e se aquele rapaz também tivesse um demônio, o seu reino estava perdido. Sua mulher, sua filha, os seus súditos. Todos seriam mortos numa tempestade apocalíptica de ar, terra, água, fogo e morte.

Mesmo tendo toda a calma do mundo para pensar em um modo de resolver aquela situação, Chris se viu perdido quando Derek Hale, o príncipe de Lupus do Norte, avançou. Naquele momento, Chris sentiu o frio crescer e lhe atingir o peito, criando uma dor forte em seu coração. O lupino fora seguido por seu afilhado e pela filha dos Yukimura. Cada um deles erguia a sua arma na direção do castanho que apenas se virou em sua direção para receber os três golpes de queixo erguido e arma abaixada.

- parem! Vocês não... – o rei até tentou os repreender, mas já era tarde demais.

Derek, Scott e Kira rugiram alto ao golpearem, ao mesmo tempo, o nada. Eles se viram surpresos ao verem que suas armas atravessaram o ar, seguindo na direção do chão de prata. Allison deixou o queixo cair, assim como os guardas reais. O rei varreu o local com os olhos, não se dando ao luxo de baixar a guarda por se surpreender com um movimento do adversário.

- muito óbvio – ditou o castanho, chamando a atenção dos três para uma das pilastras do salão.

- atrás dela – murmurou Chris preparando um pouco de água em sua mão, enquanto não tirava os olhos da pilastra para nada. De trás da pilastra, o castanho de olhos claros saiu devagar.

- eu vou acabar você! – ralhou Scott avançando contra o castanho, que suspirou vendo que, atrás de Scott, Kira se movia furtivamente, quase invisível quando ele se focava apenas em Scott.

- inteligente, devo admitir- falou o Stilinski saltando quando Scott golpeou a pilastra com o seu martelo, fazendo a mesma tremer.

“Peguei”

Foi o que Kira pensou ao golpear o outro com sua katana. No entanto, o golpe fora bloqueado por um dos sais do castanho, o único que ele tinha em mãos, que prendeu a lâmina da arma. Kira franziu o cenho na direção do castanho, mantendo a sua expressão séria. Pela lâmina da espada da garota, Stiles pôde ver cabelos negros surgirem atrás de si. O brilho do ouro passou rápido na fina lâmina, antes de atingir a mesma.

- foi uma boa tática, mas eu já aprendi a esperar o ataque de onde quer que ele venha. Uma combinação infantil dessas não vai funcionar comigo – soltou o castanho vendo o Hale e a Yukimura aterrissarem com cara de poucos amigos.

- infantil, é? Vamos ver o que acha disso – soltou o Hale ante de separar os seus machados duplos.

- você não precisa de outra arma para me enfrentar. Você precisa é de habilidade – soltou o castanho vendo o moreno de olhos verdes avançar contra si, sendo seguido por Kira e Scott.

- eu vou lhe dizer o que vai acontecer – disse Stiles, erguendo o indicador com um ar de ironia.

- a garota vai receber três golpes fortes nas costas e um no abdome. O queixo torto vai ser lançado no chão em um golpe e você vai bater com a cara na porta – disse o castanho apontando para o trio que não tardou a lhe alcançar.

- isso é o que vamos ver – ditou Derek, sorrindo ladino ao ver o castanho recuar até estar encurralado na porta do salão. Kira e Scott avançaram mais rápido, para que pudessem impedir Stiles de tentar se safar pelos lados.

- parem de atacar! – Chris novamente tentou os impedir.

Stiles sorriu antes de avançar contra o trio quando os três já estavam próximos de si. O castanho se colocou na frente de Kira, estando um pouco mais à esquerda da garota. Ele desviou de um golpe da espada da morena, se abaixando, e golpeando as costas do joelho esquerdo de Kira com a mão esquerda. A garota grunhiu, enquanto caía e recebia dois golpes fortes das juntas dos dedos do castanho nas costas. Ela colocou as mãos no chão, parando a queda, mas apenas exibiu o abdome para o adversário, que não hesitou em chutá-lo. A garota voou e acertou Scott, derrubando o moreno de lado no chão.

- agora você – ditou Stiles vendo o lupino tentar lhe golpear com os machados de ambos os lados enquanto rugia no ato.

Saltando, o castanho passou por cima dos ombros de Derek, vendo o lupino largar um dos machados para que pudesse usar a força e velocidade do outro para girar mais rápido e acertar a arma em si. Mas, mesmo com todo o esforço, tudo fora em vão. Assim que se virou, Stiles golpeou o seu rosto com o pé, num giro, lhe forçando a girar e acabar batendo com o rosto na porta, do salão, antes de cair no chão, de costas.

- francamente – murmurou o castanho vendo os três jogados no chão ao lado de suas armas.

- um príncipe que sabe tão pouco usar sua arma – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes se erguer rosnando para si.

- SEU... – Derek fora calado quando Chris Argent surgiu a sua frente e jogou água em sua boca, a congelando.

- fique quieto. Todos vocês, fiquem quietos – ordenou o homem com sua voz autoritária ecoando pelo salão, agora que a batalha se calou brevemente.

- me conte, exatamente quem é você, rapaz – disse o homem que já segurava o seu arco com a outra mão

- já disse. Sou Stiles Stilinski, filho de um membro da família real de Lupus do Sul – disse o castanho vendo o homem franzir o cenho em sua direção.

- e como posso ter certeza de que não possui um demônio como o garoto que destruiu Vulpus do Sul? – perguntou o rei de Felos do Norte, vendo o castanho de olhos claros dar de ombros.

- só há um demônio, e ele estava no príncipe – respondeu o vulpino vendo o rei franzir o cenho para si.

- a história diz que só há um demônio. Muitas vezes histórias são apenas histórias – contra argumentou o Argent vendo o Stilinski inclinar um pouco a cabeça, descrente em suas palavras.

- ou são a experiência de outros transmitidas em palavras para que erros catastróficos não ocorram novamente – o castanho voltou a argumentar vendo o rei de Felos do Norte se manter impassível.

- ainda não confio em sua resposta – afirmou o rei vendo o forasteiro olhar para a princesa, antes de voltar a lhe encarar.

- então não há como saber sem me conhecer primeiro – argumentou o Stilinski vendo o rei lhe fitar confuso.

- o que você faz em nosso reino? – indagou o homem com fios branco espalhados entre os negros, vendo o rapaz dar de ombros.

- bom, eu estava de passagem. Apenas vim comer e comprar algumas coisas, quando tudo isso começou – respondeu vendo o rei franzir o cenho em sua direção.

- e como isso começou? – indagou vendo o rapaz dar de ombros.

- precisei de dinheiro, me inscrevi num torneio fácil. Sua filha e seus amigos esquentadinhos apareceram. Eu ganhei e o seu exército mal disciplinado, juntamente com os lupinos idiotas me prenderam e me trouxeram aqui – respondeu Stiles vendo o homem desviar o olhar para a filha, vendo a mesma menear positivamente em sua direção.

- quanto tempo pretende ficar em nosso reino? – perguntou o felino retirando a água congelada da boca do príncipe lupino, vendo o mesmo mover o maxilar para cima e para baixo algumas vezes.

- Depois disso? Não mais que o resto do dia. Agora, se me dão licença, preciso passar no ferreiro cujo a filha fora ameaçada pelos homens que deveriam os proteger – respondeu Stiles guardando o seu sai na sua luva de pelos brancos.

- não vai fazer nada? – indagou Allison olhando para o pai, que apenas suspirou.

- não posso deixar que saia do reino – a voz do homem alcançou os ouvidos de Stiles que suspirou.

Allison olhou para pai, indignada, vendo o homem de coroa dourada dar passos na direção do forasteiro. Os lupinos e a Yukimura franziram o cenho, confusos. Num minuto o rei defendia o castanho, no outro o fazia prisioneiro?! Era para, no mínimo, estranhar. Stiles se virou na direção do rei, com a sua típica expressão de tédio. O Argent mais velho já passava a se perguntar se nada surpreendia aquele rapaz. O homem parou apenas a alguns metros do membro da família real de Vulpus do Sul. Quando o Stilinski iria questionar o motivo, Chris já o respondia.

- não sem antes compensar o que lhe foi feito – ditou o rei criando uma leve curva nos lábios da princesa, que tinha o brilho de seus olhos escondido por sua máscara. Stiles piscou algumas vezes, confuso, mas sem perder a sua expressão vazia.

- eu recuso – disse o castanho voltando a dar as costas, não surpreendendo o homem.

- por favor, aceite nem que seja uma refeição – o rei pediu vendo o rapaz parar enquanto fazia a curva para sair do campo de visão limitado pelas portas do salão.

Genim pensou por um tempo. E, ainda pensativo, olhando para baixo, Stiles fora surpreendido quando pernas se projetaram em frente as suas. Pernas idênticas as suas, usavam até as mesmas calças de pele de urso das neves que as cobria. Ele ergueu um pouco mais os olhos, vendo um torso recostado na portada da porta a sua frente. Braços cruzados sobre o colete e um sorriso convencido nos lábios, era assim que Stiles via Void, como o Stilinski gostava de chamar. Void era a personificação de sua imagem possuído pelo Nogitsune que o próprio demônio projetava em sua mente para tentar lhe confundir que eles eram um só ser e que Stiles deveria lhe aceitar e lhe libertar do fundo do seu ser.

- hm? Fazer uma refeição decente, hein? Não me parece ser má ideia – comentou o demônio direcionando o olhar pelo canto dos olhos para o seu hospedeiro.

- não me enche – rosnou Stiles fechando os olhos, pedindo paciência aos Deuses. Void mudou sua expressão, propositalmente, para uma curiosa.

- hm? O quê? Não vai me dizer que prefere voltar aos tempos em que se alimentava de si mesmo – zombou o demônio e o castanho rangeu os dentes.

Havia muito tempo que ele não comia algo decente. Uma refeição digna de uma pessoa. Cozida, bem temperada, quentinha, numa mesa e com talheres. Na prisão feita a si devido ao demônio, ele não comia. As algemas de pontos de pressão o impediam de se mover para comer. Ele não podia mover as mãos, ele não podia mover os pés, muito menos se inclinar para levar a boca até a comida. Ele sobreviveu por anos graças ao demônio em seu corpo que, querendo ou não, sempre curava os seus ferimentos simples como cortes e pequenos pedaços de si faltando.

Com isso, Genim passou a comer da própria carne.

Ele começou mordendo as próprias bochechas. Era pouco, mas já lhe ajuda a se manter vivo. Durante os primeiros dias, passou horas parado em posições desconfortáveis para que pudesse se sentar na posição de lótus e colocasse os braços sobre o colo. Nessa posição, Genim podia mover, lentamente, os braços até os lábios para se alimentar de seus músculos. Beber o próprio sangue e comer da própria carne serviu não só para alimentar o seu corpo, como também o seu ódio pelo ser que causou tudo aquilo para si. Cada mordida era uma lembrança de que ele não poderia esquecer o passado. Aquilo também lhe ensinou que a dor atrapalhava nas lutas.

- calado – o rapaz voltou a rosnar.

- ah, qual foi? Não podemos comer como comíamos em nossa casa, com nossos pais? Sabe? Eu sinto tanto a falta de purê de batatas com carne de lebre ventania – falou o demônio se desencostando da portada para se aproximar do vulpino.

- não fale dos meus pais como se eles fossem os seus! – ralhou o rapaz vendo o outro erguer as mãos, ao lado dos ombros.

- está bem, então. Mas se lembre que, se não se alimentar, vai acabar fraquejando. E quando esse momento chegar, você vai ter que fazer – o demônio falou sorrindo ladino na direção do seu hospedeiro, antes de se desfazer em fumaça que não deixou nenhum rastro.

Chris e os demais ficaram um tanto apreensivos com a demora do outro naquela posição. Era como se o convite do rei tivesse criado uma guerra interna no jovem castanho. Allison cerrava o punho, esperançosa. Ela queria compensar o que Miguel e os outros fizeram com o rapaz. Ela entendia muito bem pelo que o outro estava passando. A mascarada entendia a sua dor.

- por favor – pediu a morena de máscara vendo o outro sair de sua posição e lhe fitar pelo canto dos olhos, antes de suspirar.

- tudo bem. Eu aceito – respondeu se afastando da portada e voltando a adentrar o salão.

Allison suspirou aliviada ao ver o castanho, de braços cruzados, se aproximar um pouco do grupo de realezas, mas mantendo distância deles. Era como se ele os evitasse. Aquilo incomodou um pouco a princesa. Aquele jeito distante, calado, isolado. Ela o reconhecia muito bem. O rapaz mantinha um olhar sério sobre o trio de visitantes que o atacou no salão, os quais ele mesmo derrotou sem problema algum.

Derek voltou a unir os machados, irritado. Aquele cara havia lhe feito de capacho não só ali, como também no ringue, mais cedo. Mesmo sendo um membro da realeza, aquele cara não era um príncipe, mas ainda assim era melhor numa luta sem dominação do que ele. Aquilo era irritante. Ele recebeu treinamentos intensivos. Treinamentos que só um futuro rei recebia. Mas, mesmo assim, não fora se quer um adversário para aquele cara. Ele sabia disso. Reconhecia os fatos. Se fosse apenas ele no ringue contra aquele castanho, ele perderia feio.

Mas o que mais lhe irritava, que era o mesmo que irritava Kira e Scott, era o fato de que eles três haviam perdido feio para um vulpino. Vulpino esse que não era o demônio que eles caçavam. Os seus pais lhes disseram que Genim era o pior de todos. O mais rápido, mais forte, mais resistente e o mais flexível. O guerreiro perfeito, pois apresentava a característica mais forte de cada espécie. Agilidade dos vulpinos, Força dos lupinos, Resistencia dos draconis e Flexibilidade dos felinos. Genim Stilinski, ainda em sua infância, se tornou o que todo membro da família real das oito nações sonhava em ser: o guerreiro perfeito.

Se com apenas um simples vulpino, os três não haviam conseguido nada, com Genim eles seriam massacrados antes mesmo que pudessem dominar uma pequena porção dos seus elementos. Assim que Derek e Scott erguessem um cascalho e Kira fizesse uma pequena brisa, os três seriam engolidos por uma enorme onda, seriam sufocados por tornados, queimados com o fogo que o demônio soltasse pela boca, antes de serem esmagados por rochas enormes.

- gostaria de tomar um banho? Suamos muito naquela disputa – indagou Allison vendo o castanho lhe fitar com seriedade no olhar.

- seria conveniente, além de relaxante – respondeu o Stilinski, ainda sendo encarado pelos membros da realeza dos reinos de Felos e Lupus da região do Norte.

- venha. Eu vou lhe mostrar um quarto onde você pode tomar banho e se trocar – disse a princesa apontando para a porta que levava para o interior do castelo, enquanto caminhava para a mesma

Stiles olhou ao redor por um tempo, antes de suspirar. Ato que chamou a atenção da princesa Argent, que só então notou que o outro não a seguia como ela havia pedido. Se virando para trás, ela viu o vulpino a encarar com tédio. Perdida, ela parou para observar o mesmo.

- algum problema? – indagou a morena vendo o castanho erguer a mão direita.

- caso não se lembre, quando fui preso pelos dominadores de terra, eu estava sem as minhas coisas – respondeu o Stilinski e, no mesmo instante, a princesa se lembrou.

De fato, quando Stiles recebeu o dinheiro de Edward, ele o colocou dentro de uma mochila de couro. Mas quando Scott o prendeu em um cilindro de terra, Stiles já não tinha mais a mochila em sua posse. Para completar, ela não se lembrava de nenhum deles ter trago os pertences do rapaz. Em outras palavras, aquilo fora um “Vocês perderam as minhas coisas, suas bestas!”. Corada, a princesa agradeceu por usar uma máscara para esconder o seu rosto. Ela direcionou o olhar para os guardas, vendo os mesmos a encararem, perdidos.

- me digam que algum de vocês trouxe os pertences dele – pediu o Rei Argent vendo os guardas abaixarem o olhar, envergonhados.

Cansado, o homem suspirou, tentando controlar a raiva que apenas crescia em seu peito. Ele não acreditava na incompetência de seus homens. Tanto treinamento. Eles passavam por tanto treinamento. Eram tantas provas, analisadas pelos melhores do reino, apenas para aquilo?! Ele se via envergonhado de dizer que seu reino era protegido por aqueles homens. Desviando o olhar para o castanho, Chris já preparava um discurso de desculpas, no qual já lançaria uma crítica séria aos seus homens, mas fora surpreendido quando viu o rapaz saindo do salão, sozinho.

- espere! Para onde vai? – questionou o rei vendo o castanho lhe ignorar.

- eu vou atrás dele – disse Kira, vendo Allison correr atrás do castanho.

- a gente também devia ir – disse Scott vendo o primo, que apenas encarava a porta pela qual os três sumiram.

- nós já fizemos demais, Scott – falou o Hale dando as costas e se dirigindo para o interior do castelo.

O moreno de queixo torto olhou confuso para o primo, que já alcançava a porta por onde Chris adentrou o salão. Ele não havia entendido a atitude do moreno de olhos verdes. Derek parecia estar... chateado com algo. Ele não poderia julgar. Também estava um pouco irritado com algo.

A diferença de habilidades entre ele e o vulpino.

Isso lhe incomodava bastante. Por um momento, o McCall ficou apenas pensando no que fazer. Ele sentia que deveria ajudar o castanho a recuperar suas coisas, afinal, fora por culpa deles que o Stilinski as perdera. Mas, por outro lado, ele sentia que não seria bem-vindo na busca. O jeito solitário do vulpino já havia deixado bem claro a resposta que ele daria para a sua ajuda: “Vocês já fizeram o suficiente”.









Stiles olhava ao redor, atento. Ele precisava recuperar aquela mochila. Tudo bem que o dinheiro com o qual ele a havia comprado fora um presente da mascarada que lhe ajudara a se livrar de precisar se tornar um procurado antes da hora. Aqueles malditos gatos escaldados haviam lhe roubado tempo e paciência, além do precioso dinheiro que ele havia conquistado naquele maldito ringue de madeira.

O rapaz se aproximou da estátua no centro da praça onde fora preso pelos lupinos e, num salto, subiu na mesma, se colocando sobre a ponta dos pés no topo do punho que a estátua erguia em um ato simbólico. Olhando ao redor, ele viu apenas os destroços do ringue e pessoas indo de um lado para o outro, preocupadas com suas atividades diárias simples e suas vidas fáceis num reino próspero. Por um momento, ele se distraiu com a memória do seu reino, onde havia uma praça parecida com esta, com uma fonte de água cristalina no lugar de uma estátua simples.

- algum guarda deve ter pego – a voz da mascarada alcançou os seus ouvidos e o ato de revirar os olhos fora impossível de se controlar.

- isso não teria acontecido sem seus malditos guardas – a sua voz soou calma, mas o seu sentido fizera o trabalho de entregar o modo como se sentia com a situação.

Allison lambeu os lábios, envergonhada. De fato, ela não estaria ali, com aquele clima tenso e com a estranha sensação de culpa, se não fosse pela incompetência de Miguel e seus homens. A princesa abaixou a cabeça pela vergonha que sentia com a situação. Kira colocou a mão no ombro da princesa, tentando a confortar. A mascarada lhe fitou antes de erguer a cabeça para olhar para o vulpino que já chamava a atenção pelo local em que estava.

- eu peço desculpas pelo que ocorreu – ditou Kira vendo o seu conterrâneo abaixar o olhar para lhe encarar.

- parem de me pedir desculpas como se eu fosse aceita-las apenas pelo número de vezes que recebo – ralhou o castanho saltando na direção na qual o rosto da estátua apontava e correndo assim que aterrissou, seguindo para o alto de uma casa.

Kira conseguiu o seguir sem problemas. Ela era uma vulpina. Uma ainda mais treinada na dominação, pelo que ela pode perceber. Seguir aquele rapaz era fácil para ela. Já Allison, teve um pouco de demora para perceber para onde o rapaz ia. Mas com a ajuda de Kira, que o seguia, ela pôde o acompanhar melhor. Assim que os dois vulpinos subiram na casa, a princesa usou da janela da residência para os acompanhar.

- será mais fácil se você perguntar para as pessoas se elas viram a sua mochila por aí – sugeriu Kira vendo o Stilinski suspirar.

- as pessoas mentem, garota. Posso perguntar para o reino inteiro. Havia dinheiro naquela bolsa. Não vou a encontrar – ditou se sentando no telhado e apoiando o queixo no joelho direito.

- eu... – Allison pensou em se desculpar mais uma vez, mas logo se lembrou da fala do outro quando Kira se desculpou.

- nós... – a Argent não sabia o que dizer, ao certo. Ela queria poder desfazer tudo aquilo, mas não poderia.

Stiles era um forasteiro solitário com um passado ligado ao demônio que perturbou todos os seis reinos restantes. A mochila dele deveria ter lembranças de sua família e do seu reino. Mesmo que ela comprasse todas as mochilas do reino e as enchesse de mimos do seu reino, nenhuma conseguiria substituir a mochila do forasteiro. Ela não conseguiria recuperar as lembranças do reino do rapaz que a mochila dele deveria ter.

- eu posso fazer alguma coisa. Ordenar que todos os guardas... – a princesa tentou oferecer ajuda, mas, no momento em que começou a falar, o castanho cerrou o punho.

- você! Você pode ordenar que todos os incompetentes me deixem em paz, incluindo vocês! Todos já fizeram demais! – ralhou o vulpino, surpreendendo as duas garotas.

- calma. Nós só queremos ajudar – pediu Kira vendo o outro se erguer.

- vocês ajudam mais sumindo da minha frente! Se puderem me deixar em paz, tenho um ferreiro para ver e pedir o dinheiro do adiantamento de volta – Stiles falou antes de caminhar para o outro lado do telhado.

- eu posso cobrir as suas despesas – ofereceu Allison não vendo o castanho revirar os olhos.

- se não fosse por ela eu me mataria agora, apenas para não ouvir essa ladainha – murmurou o castanho saltando para o telhada da outra casa.

Allison tentou seguir o castanho, mas fora impedida por Kira, que a segurou pelo pulso.

- é melhor deixar ele sozinho por um tempo – sugeriu a vulpina vendo o monte de pelos brancos que eram as costas de Stiles subir e descer enquanto pulava de telhado em telhado.

- eu não posso deixar as coisas assim! – a princesa tentou convencer a Yukimura a lhe deixar ir.

- tentar conversar com ele irritado desse jeito só vai ser perda de tempo e argumentos – a vulpina explicou vendo a princesa suspirar, antes de olhar para a direção em que o Stilinski seguira.

Allison se sentia inútil por deixar o outro passar por aquilo. Por alguma razão, ela se identificava com o outro. Ela sentia que compreendia pelo que ele havia passado. Ter o seu nome ligado ao de alguém ruim era algo que mexia com uma pessoa. E ver alguém com quem ela se identificava passar por uma situação difícil bem na sua frente sem ela poder fazer nada mexia com o psicológico da mascarada.

Frustrada e desanimada, a Argent acompanhou a Yukimura no caminho de volta para o castelo. Focada em como tentar consertar as coisas, Allison nem notava os cumprimentos que recebia no caminho.



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