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História Elenlindale - Canção da Estrela - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Capítulo XIV


—  Maravilha! Estão os dois aqui! — Exclamou Alájea dando tapinhas em nossos ombros.

—  Sim...apesar de ser 4 h horas da manhã estou animadíssima. Olha a minha cara de quem está animadíssima.  — Apontei para minhas olheiras.

—  Não é tão ruim assim, afinal acordar cedo é bom para ouvir os pássaros.  — Disse Ezarel bocejando com seus cabelos um pouco desarrumados.

—  Bem, é um festival das almas, está é a hora mais sensível para ter contato com o outro mundo. A hora que o Deus e a Deusa estão em perfeita harmonia com seus filhos.

—  Claro, Claro...  — Bocejou novamente.

 — Sei que essa cultura está cada vez menor. Cada vez menos pessoas são adeptas a essa crença de que as nossas forças vêm da natureza. 

 — As pessoas sabem que a nossa força vem da natureza porque somos parte dela também. Só é surreal acreditar em divindades.  —  Contrariou Ezarel. 

Alájea fez uma expressão de desgosto, abriu a boca para falar, mas eu a interrompi, supondo:

—  Deve ser divertido. Afinal, não deixa de ser um festival.

Concordaram com a cabeça sorrindo.

Alájea ia na frente em passo rápido e nós dois conversávamos sobre o festival. Para se ter o contato era necessário beber o chá de uma planta que dá somente uma vez por ano. As expectativas não fugiam, talvez encontrasse naquele lugar as respostas que tanto procuro.

Seguíamos a trilha da floresta perto da cidade que estava iluminada por velas que as pessoas carregavam e pela lua. Ninguém tinha pressa, pareciam estar aproveitando as velas e as flores que carregavam. Em passos firmes, caminhávamos para o Lago Isil aonde nos banharíamos em suas águas iluminadas pela lua cheia após ingerir o chá.

— Moça. —  Uma garotinha de uns 5 anos me entregou uma coroa de margaridas.  — Eu que fiz!

E sorrindo orgulhosa foi puxada pela mãe que pedia desculpas.

—  Que fofa. Ganhei uma coroa de flores. Isso é tão legal, nunca havia usado uma antes.  — Sorri.

—  É só uma coroa de flores, Eirien.

— Não é só uma coroa de flores. 

Recordei-me de um episódio de minha infância. Vovô havia nos contado uma história em que a heroína usava uma coroa de flores em algum momento. Felipe e eu ficamos doidos por uma e por isso fomos pedir a minha mãe que fizesse para gente. Ela realmente tentou, fez isso e fez aquilo, porém antes que conseguisse um bom resultado, ela passou mal e perdeu o bebê que estava esperando.  Era tanto sangue que começamos a chorar desesperadamente. Arrependo-me profundamente de não ter a capacidade de ajudá-la. 

Quanto mais perto chegávamos do Lago Isil, mais as velas iam se apagando e a iluminação era feita por vaga-lumes, muitos deles iluminando a trilha da floresta. Foi quando as pessoas começaram a cantar em uníssono e meus olhos se encheram de lágrimas. Eram palavras em élfico, a língua mais antiga e hoje pouco falada. Eu não entendia, mas mexia com os meus sentimentos de uma forma tão intensa que eu me dissolveria em mar de tanta emoção.

Ezarel fazia aquela mesma expressão que fizera no dia da missão nos cais quando me viu chorar. Uma mistura de preocupação com espanto.

—  Não me olha assim, você também sente alguma coisa com tudo isso aqui.

Ele me olhou com o canto do olho e cerrou os punhos.

—  De onde nós viemos? Como é possível existir mundos como os nossos no universo? Será que existem mais?  — Suspirei com frio na barriga.

Ezarel soltou uma risada nasal.

—  Vamos! — Gritou Alájea.

Juntaram-se todos em volta do lago sentados em círculos. Todos falavam baixo, inclusive as crianças. Nós três nos sentamos sob uma árvore grande e bonita. Comentávamos sobre a umidade quando de surpresa Alájea fica de pé.  

—  Quem bom encontrar vocês aqui — Cumprimentou. 

—  Sim, sim. Meu filho fala tanto de vocês. É um prazer.

—  O prazer é todo nosso. Finalmente pude conhecer a mãe desse pestinha. — Apontou Ezarel para Mery que franziu o cenho.

Eu apenas sorri um pouco tímida.

—  Você sabe que sempre pode conversar comigo, Twilda, seja que assunto for. Os dias estão cada vez mais difíceis por aqui. —  Disse Alájea.

—  Obrigada.  — Apertou a mão de Alájea. 

— Vamos conversar ali, deixe o Mery com os meus amigos.

As duas foram conversar, e foram se afastando cada vez mais até que não pudéssemos ouvi-las. 

—  Ótimo. Nada mal, Eirien, somos pais agora.

—  Não, não! Você seria um péssimo pai. Seu filho ia ficar livre por aí, correndo perigos por experiências ou maltratando as pessoas. Pisando em pobres almas humanas. 

Ele gargalhou. 

—  E a senhora daria uma boa mãe?

— Eu acho que não. — Opinou Mery me deixando de queixo caído. 

—  Claro, mas o conhecimento viria de iluminação divina. — Apontei para o céu. 

—  Hormônios no caso. 

—  Bem, tanto faz. Não quero ter filhos tão cedo. — Disse enquanto olhava Mery sujar a roupa de terra. 

Chegou um certo momento em que as pessoas começaram a fazer fila para beber o chá. Uma senhora o distribuía de boca em boca utilizando uma concha. As pessoas bebiam e entravam no lago. 

Ezarel preferiu não beber. Apenas ficou ao nosso lado no fim da fila. Eu era a última. E enquanto olhava para as estrelas pude ver de relance que ele me encarava.

— O que foi? — Me virei.

— N-nada.

Bebi o chá e olhei para Ezarel uma última vez antes de entrar. 

A água fria fazia minha pele arrepiar. Nada se ouvia além dos sons da água e da minha própria respiração. E minha visão estava parcialmente coberta por uma névoa que se formou em minha volta. Mergulhei e subi várias vezes e nada aconteceu. Decidi, portanto boiar. O céu ainda estava estrelado, mas a lua se despedia. Fechei os olhos e respirei fundo. Foi quando senti uma pontada no peito e um arrepio correu minha espinha. Parei de boiar na hora.

Várias vozes invadiram minha cabeça. Nenhuma imagem se mostrou, apenas vozes e gritos chegavam aos meus ouvidos com frases aleatórias e barulhos estridentes de explosões. Estava desnorteada, parecia que minha mente ia explodir a qualquer momento. Tentei sair daquele lago, sem ter ideia de por onde, quando todas as vozes cessaram e só uma prevaleceu.

"Nós viemos das estrelas". 



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