História Eletrização de Corpos - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O
Tags Chansoo, Chanyeol, Colegial, Comedia, Exo, Oneshot, Romance
Visualizações 85
Palavras 7.532
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, Slash
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


acordei relembrando de umas matérias da época que eu estudava e me lembrei de eletrização de corpos que era minha fav, daí veio a ideia. Espero que gostem dessa comedinha, perdoem qualquer erro <3

Capítulo 1 - Capítulo Eletrizante Único


 

Sabe quando acordamos e sentimos que nesse dia tudo vai dar certo? Então, isso aconteceu comigo exatamente hoje, nesta manhã. Acordei com um bom humor raro e digno de aplausos, até mesmo eu sei que levanto da cama com uma carranca na cara e meia dúzia de palavrões na ponta da língua.

Tomei meu querido banho da manhã, cantei com minha voz de sereia e me arrumei. E o bom humor continuava ali. Até estranhei, não sou feliz, aqui eu só trabalho com a depressão, mas vai que hoje o lado das trevas decidiu deixar meu corpo? Até o mundo parecia diferente, o motorista do ônibus continuava calado, como sempre, mas achei a sua forma de respirar feliz. Ele também estava feliz, tinha que estar; mau humor alheio não pode me afetar, pelo menos não hoje que eu acordei mais feliz que a Park Shin Hye quando se lembra que atuou com metade dos atores dos dramas. Minha rainha, musa inspiradora. Amém.

Sempre é bom glorificar essa deusa.

Cheguei na escola feliz, entrei na sala de aula feliz, conversei com aqueles falsos que sou obrigado a chamar de amigos e, bom, preciso falar que estava feliz? Se eu tomar um tiro agora vou continuar feliz.

Mas minha vida não é tão boa assim, meus caros. A vida é como andar em um ônibus cheio de desconhecidos, mas que vez ou outra decide dar uns intervalos e nos faz achar dinheiro no banco do ônibus, mas como eu sempre digo: a vida fode com a gente e nem usa lubrificante. Achamos o dinheiro, então quando vemos são aquelas notas falsas de criança.

Perceberam que estou contando tudo no passado? Pois então, eu estava feliz. A desgraça do dia começou a desandar cinco segundos atrás, mas vou começar a contar o que aconteceu dois minutos antes.

O professor de física entrou na sala, aquele ar de "eu odeio todos vocês, mas os aturo", presente em sua expressão.

–Hoje a aula vai ser de reforço para as provas segunda-feira. Muitos alunos estão com dificuldades na matéria e não quero aturar de novo o Conselho falando no meu ouvido por ter sido o professor responsável pela matéria que teve uma chuva de notas baixas.- tinha uma expressão séria sobre os alunos. Ah, como nos odeia. Explicou a matéria exatamente do mesmo modo na outra turma e não teve tantos zeros. Qual era o problema da nossa sala?- passarei um trabalho que já garantirá uma nota, assim ninguém ficará abaixo da média, mas é necessário tirar pelo menos cinco vírgula cinco pontos, o trabalho vale seis.

E foi aí que até os mudos da sala se exaltaram.

–Então teremos que praticamente gabaritar o trabalho, professor!– um aluno que eu até agora não sei quem foi tinha gritado, desconheço o indivíduo, mas já sei que é o Capitão Óbvio da turma. Se algo vale seis e a meta pedida é cinco vírgula cinco, é lógico que está sendo pedido quase que um gabarito.

–Isso é injusto, professor. Se não entendemos a matéria vamos conseguir gabaritar um trabalho? Os professores fecham a nota após a primeira prova, temos que entregar o trabalho segunda! É impossível.– essa daí É a Park Min Jae. Não vou perder meu tempo descrevendo ela, odeio essa vagaba desde o oitavo ano quando ela pisou na minha lapiseira que havia caído no chão e não fez a menção de se desculpar. A lapiseira tinha custado metade da minha mesada, acendia luizinha!

–Eu também pensei nisso, senhorita Min Jae. Decidi passar esse trabalho em dupla, porém não será vocês que escolherão o parceiro. Será eu.– naquele momento tinha até sido engraçado ver todo mundo que gritou de felicidade por ser em dupla quebrar a cara por não poder escolher os amigos.

Começou o burburinho dos alunos e eu continuei na minha. Seja lá quem for que seja minha dupla, sei que não vou gostar. Não gosto de ninguém aqui. Farei as duas partes do trabalho e falarei que a pessoa também ajudou, plano perfeito para manter minha nota impecável e não perder a paciência com gente burra atrapalhando meus estudos.

–Separei as duplas com cuidado, mantendo uma ordem de um aluno com poucos problemas na matéria e outro aluno com grandes problemas, assim podendo ajudar o parceiro.– estão percebendo onde eu senti que já ia dar desgraça e minha felicidade iria direto para a puta que pariu? Eu ia ser dupla de uma porta burra, não que tenha alguém nessa sala inteligente e que não me irrite, mas um bocó mais burro que uma mosca que voa até a lâmpada apenas para ser queimada também não ajuda.

–Então começarei a falar as duplas. Yoo Seung Ho com Eun Boung Hee...– ele ficou um bom tempo separando todos os alunos, até que percebi que já estava acabando os alunos e meu nome não havia sido chamado.

–Por fim, Do Kyungsoo...- quando ele falou o meu nome eu quase morri, juro pra' vocês. A minha turma é constituída por trinta e um alunos, ou seja, não tem como dividir todos em duplas. Um ficaria de fora ou um grupo seria formado por três. Faltava eu, Chan Jiwook e... Park Chanyeol. Eu preferiria até fazer trabalho com a mosca suicida, mas com aquele poste idiota, não. Não era possível que eu fosse me foder tanto.- perdão, li a ordem errada. Agora, Chan Ji Wook, infelizmente você terá que trabalhar sozinho, temos apenas trinta e um alunos.

E então, finalmente chegamos ao presente. Agora é tudo ao vivo. Estou parado, congelado no tempo desde que a ficha caiu. A porra da minha dupla é mesmo Park Idiotão Chanyeol. E eu achando que hoje tudo ia dar certo.

–Do Kyungsoo e Park Chanyeol, última dupla. Na verdade vocês dois foram a minha real inspiração para fazer este trabalho. Eu não poderia ajudá-los até mesmo nos finais de semana, mas vocês poderiam se ajudar. Juntar o melhor aluno com o mais problemático, genial, certo?– ignorando o narcisismo do meu professor, gostaria de protestar contra esta patifaria. Ele está me acusando? Por eu ser inteligente tenho que trabalhar com um pombo manco?

Continuei encarando meu caderno, não querendo olhar nos olhos desses urubus que são meus colegas de classe. "Ui, ui, o estranho vai ficar com nosso Chanyeol", posso até mesmo ouvir o pensamento deles.

Olhei de relance para o lado e minha visão focou em um único rosto que me encarava com uma expressão assustadora. Tudo bem que ele estava sorrindo, mas eu juro que parece que as bochechas dele vão se partir. Como é possível alguém conseguir sorrir desse jeito?

Sério, é tão patético o tipinho de pessoa popular dessa escola. Nos filmes americanos os populares são maus, egocêntricos e cruéis -não consigo entender a lógica de seguir alguém tão horrível assim, mas o que esperar dessa geração que vê mais importância em assistir um reality de famosos do que estudar?-. Na vida real, na minha escola pelo menos, o popularzinho é um abestado de dois metros, cara de retardado e que vive pintando a merda do cabelo, além de ser extremamente petulante e feliz. É uma porra a felicidade desse garoto, e isso não é inveja de um ranzinza! Pensem comigo: como é possível ficar feliz em plena segunda-feira? Deveria ser um crime. Preferiria a adolescente metida e demoníaca dos filmes americanos como queridinha da escola.

E agora terei que fazer um trabalho importante com a única pessoa que eu poderia implorar para não ser meu parceiro. Eu até aceitaria de boa os outros da sala, ignorar eles é tão fácil quanto eu receber uma nota baixa no LoL*, mas com Park Chanyeol é diferente. O doido não tem um pingo de vergonha na cara, já perdi a conta dos olhares mortais que direcionei a ele, mas o garoto continua querendo puxar assunto. Qual parte que eu sou das trevas ele não entendeu?

Mas tudo bem, já aguentei muita coisa em todos esses anos na escola, não vai ser uma girafa petulante que vai me tirar do caminho de ouro. Vou seguir o baile.

Eu vou é dar uma acelerada nisso aqui, se for ficar descrevendo cada aula chata vão desistir de ler o relato da merda que é a minha vida.

Então cá estou eu guardando meu material. Meu estojo no início do ano tinha até caneta com quatro cores, agora o que tem são quatro lápis de cor quebrados que sobreviveram à zona de guerra de roubos que é essa escola. Eu ainda vou colocar uma bomba em alguma caneta e esperar o ladrão explodir, esses filhos da puta que me aguardem.

–Então... Vamos fazer o trabalho na minha casa ou na sua?– no inferno, de preferência, meu anjo.

Ignorando o fato de eu ter que levantar minha cabeça até o teto apenas para o olhar nos olhos e responder com a educação que a sociedade demanda, apenas dei de ombros.

–Pode ser na sua? É que a minha tá' em obra, então poderia atrapalhar.

–Por mim tudo bem. Vai ir que horas?– tô' sendo educado, mas eu queria mesmo é mandar se foder e sair daqui triunfante.

–Agora, vamos juntos.– sorriu e, por obséquio, vá se foder. Impossível alguém ter tantos dentes e continuar tendo o sorriso bonito. Só o sorriso que é bonito, vão se foder também por acharem mesmo que eu reparo nesse pokémon desevoluído.

–Certo.– vou é responder o mínimo possível, fazer minha parte no trabalho e ele que se vire.

Saímos da sala juntos, descemos as escadas juntos, andamos na rua juntos e, minha nossa senhora, havia me esquecido que a presença contínua de outro ser humano era uma porra. Até o andar dele me irrita, o jeito que respira, o sorriso estampado na máscara de halloween que chama de rosto, tudo me irrita nesse garoto e nem venham me perguntar o motivo, também não sei. Não tenho a mínima ideia, mas tudo começou há seis anos atrás, na quarta série. Lembro bem de quando ele entrou na sala e se apresentou, eu até achava fofinho a forma que o garotinho gordinho vivia com aquele furão, mas aí ele começou a querer conversar e ele conversa tocando, quando gargalha fica batendo, cutuca, tem uma mania irritante de chamar a pessoa quarenta vezes até ela atender; "Kyungsoo-ah, Kyungsoo-ah, Kyungsoo-ah, Kyungsoo-ah, Kyungsoo-ah...", acho que foi por essas manias irritantes e pela forma que meu nome saía enjoativo da boca da criança que me fizeram ser totalmente fechado para ele. Mas aí o gordinho cresceu, ficou magro e, para a minha desgraça, conseguiu ficar ainda mais irritante.

Abri a porta com rapidez, quero que isso acabe logo.

–Vamos fazer o trabalho aqui?– é, animal, vamos fazer pesquisas longas e demoradas na sala minúscula da minha casa.

–Não, vamos ir para o meu quarto. Lá tem mais espaço.

–Certo.– sério, vocês devem estar achando que sou exagerado, "nossa, mas o Chanyeol nem fez nada irritante", já posso ouvir vocês. Eu também não estou entendendo o porquê dele estar agindo como um ser humano normal.

–Você mora aqui sozinho?– começou o interrogatório, já estava demorando. Acho que esqueci de mencionar que a curiosidade dele também me irrita.

–Sim.– eu só quero que ele perceba que não quero conversar.

–Você paga o aluguel sozinho?– não, eu pago uma parte e Jesus paga a outra.

–Sim.

-Oh, incrível. Já trabalha?– as perguntas idiotas dele também me irritam, podem anotar aí na lista de coisas que ele faz e me irrita.

–Faço meio período na lanchonete da esquina.- sou muito educado, gente. Só pago de revoltado na minha cabeça, sou bem sonso, sei.

–Ya, hyung, muito legal! Pode deixar que vou ir lá te ajudar com os clientes.– certo, pode até ter sido fofo a forma que ele fez o 'joinha' com o dedo e sorriu, mas que intimidade a gente tem pra' ele me chamar de hyung? Sou apenas dois meses mais velho! Mas tudo bem, é melhor assim do que ouvir o meu nome soar da forma irritante que soa quando é falado por ele.

–Vamos começar.– me sentei no chão e peguei os livros e os cadernos com as anotações, vendo o altão se sentar no chão e abrir a mochila, tirando de lá o celular. Sério que ele vai ficar no celular? Nem pra' fingir que queria trabalhar. Não que eu estivesse esperando mais dele.

–Olha, eu separei aqui no meu bloco de notas algumas anotações de assuntos da matéria que estou com dificuldade.– tá', quebrei a cara.

Peguei o celular e desci o dedo pelo ecrã, arregalando os olhos ao ver que ele tinha suas próprias anotações com símbolos diferenciados nas partes que já entendia, que estava entendendo e que não sabia nada. Quebrei a cara parte dois.

–Já tinha tudo isso separado aqui?– indaguei.

–Ah não, isso estava no meu caderno, mas ontem o professor me procurou e me falou sobre esse trabalho, logo avisando que você seria minha dupla, então passei tudo pro' celular para ficar mais fácil de entender.– quebrei a cara parte três.

–Não precisava, eu já ia meio que te explicar tudo mesmo.– não vou ceder no meu ódio por ele apenas por ter visto que ele é organizado e teve uma ação atenciosa, mas tenho que admitir que foi adorável a forma que  bagunçou o cabelo tingido de vermelho.

–Sério que passei tudo pro' celular atoa?

–Bem, acho que sim, mas está bem, assim eu posso saber em qual parte você precisa de mais ajuda.– eu só sorri mesmo porque sou educado, não foi por mais nada. Vocês me respeitem e não pensem besteira.

–Certo.- e lá vem o sorriso gigante, pronto, voltou a me irritar.

–Vamos começar com eletrização de corpos, está bem?

–Sim, é aí que mais tenho dificuldades mesmo.– se aproximou e pegou meu livro, passando os dedos pelas páginas até parar no capítulo três: eletrização de corpos. Quero mesmo saber que intimidade ele acha que a gente tem pra' pegar meu livro sem pedir.

–Bom, o que eu sei é que um corpo pode ser positivo ou negativo.– então o que você sabe é a base que até mesmo as crianças da primeira série sabem, caro gafanhoto.

–Sim, sabe o que pode causar a eletrização de dois corpos que correspondem a negativo e positivo?

–Huh... Acho que o professor passou isso em sala, mas não me lembro bem.– e lá vamos nós.

–Um corpo eletrizado negativamente tem maior número de elétrons do que de prótons, assim tendo a carga elétrica negativa.– expliquei e marquei com o marca-texto a explicação no livro.

–E o corpo positivo?

–Espera, já vou falar, calma.– conseguem perceber minha paciência se esvaindo? Não me apressa se não eu me estresso.

–Já um corpo positivo tem maior número de prótons, assim sendo um corpo com carga positiva.– é, beira o adorável a forma que as sobrancelhas dele se juntam ao ler o livro, mas nada que me faça achá-lo menos irritante.

–Como ocorre essa eletrização?– me encarou e, ok, até que a cor dos olhos dele é bonita.

–A eletrização consiste na transferência de cargas elétricas entre os corpos. Essa transferência ocorre por três processos, sabe quais?– o encarei e vi uma ruguinha de concentração se formar entre as sobrancelhas.

–Por atrito e... Infusão... Não, não é esse o nome, por atrito e... e...– era só o que me faltava, sério, como é possível que nem isso ele saiba?

–Por atrito, contato e indução.– suspirei.

–Ah, isso mesmo, hyung! Eu havia me esquecido.– sorriu.

–Sabe o que significa cada um ou também vou ter que explicar?– gente, ser professor não é a carreira que eu almejo e isso tem um grande motivo: não sei explicar, não tenho paciência, não dá, não gosto e vou tacar uma borracha em cada aluno que perguntar algo que acabei de explicar.

–Já está se irritando, hyung?– olhei para ele e vi seu rosto apoiado sobre a palma da mão, um maldito sorriso no rosto. Calma aí, que porra de sorriso é aquele? É diferente dos outros sorrisos dele. Mas que merda esse gala seca acha que está fazendo no meu território?

–Não, eu estou muito bem. Agora foque a sua atenção no caderno.– voltei a ler o livro, mas senti o olhar dele ainda sobre mim. Socorro.

–O hyung realmente perde a paciência muito rápido, não é?– o encarei e agora vi o sorriso divertido em seu rosto. É, é isso, ele está querendo me irritar. Já sabia que essa história de ajudar ele em trabalho não iria dar certo, o cara sempre que está perto de mim tenta me irritar. Parece criança esse maldito.

–Podemos continuar o trabalho ou vai preferir que eu desista dessa merda? Sabe, não sou eu quem está precisando de ajuda.– bufei.

–Não, tudo bem, capitão.– fez uma continência, o sorriso ainda nos lábios. Ah, vai se foder.

–Continuando a explicação, vou explicar Eletrização por atri...-–

–Me explica eletrização por contato.– me cortou. Vou ignorar o meu ódio por ser interrompido e acabar logo com isso.

–Ótimo, a eletrização por contato necessita de pelo menos um dos corpos carregado eletricamente. Vou dar um exemplo pra' você entender: considere um condutor carregado positivamente e outro condutor neutro, aproxime-os até que ocorra contato entre eles. Quando isso acontece, haverá uma transferência de elétrons do corpo neutro para o carregado positivamente. Isso vai acontecer até os dois condutores ficarem com o mesmo potencial elétrico.– expliquei gesticulando com duas canetas nas minhas mãos, vendo-o prestar atenção na explicação fielmente.

–Então se um corpo eletrizado positivamente tem contato com outro corpo neutro, ocorre uma transferência de elétrons e os dois ficam parecidos?– até que entendeu rápido.

–Por aí.

–Então, por exemplo, se um corpo humano está eletrizado e o outro corpo não está tanto assim, se ocorrer contato terá essa transferência? Que interessante.– mudei minha atenção do livro para suas palavras assim que captei uma certa malícia em seu tom.

O encarei e quis me jogar naquele chão e sumir quando me deparei com um sorriso obviamente sugestivo. Por que ele demonstra tudo pelo sorriso? Não, pera, isso foi obviamente malicioso, ele está flertando comigo? Tá' mandando mensagem subliminar pra' mim? Espera, deixa eu raciocinar.

–Não vai me explicar os outros dois?– é, ele está agindo de boa, foi coisa da minha cabeça.

–Espera.

–Tô' esperando, não tenho pressa.

–Não foi "espera" no sentido de esperar porque está apressado, ah... Esquece. Já estou explicando física, não vou explicar interpretação também.– murmurei e ouvi uma risadinha. Debochado dos infernos.

–Você explica bem, é uma pena ter o pavio curto.– ele quer mesmo falar de mim dentro da minha casa? Aqui eu posso matar ele, esconder dentro do meu sofá e ninguém vai saber.

–Eu não tenho pavio curto.– rosnei mais do que falei.

Chanyeol me olhou como se eu houvesse acabado de falar uma tragédia. Oras, não tenho pavio curto! Só me estresso rápido... É diferente.

–Eu apenas não tenho paciência pra' ensinar, só isso.– voltei a folhear o livro, querendo ignorar aquela conversa. É assim que levo a vida, seguindo o baile e ignorando problemas

–Começamos agora e você já se irritou.– debateu com aquela porra de sorriso brincalhão

–Acontece que não tenho paciência pra' ensinar gente burra, aliás eu até tenho, porque pra' mim ainda estar aqui lendo essas merdas e explicando pra' você significa que ainda tenho um resquício de paciência dentro do meu ser.– fechei o livro com força e o encarei, totalmente incomodado com a expressão bem humorada que jamais saía do rosto do altão. Agora é sério, qual o problema dele?

–Eu nem sequer fiz burrices pra' você se irritar!

–Lógico que fez, não sabia os três fenômenos que causam eletrização! isso é o início de toda explicação em aula, como é possível não saber?

–Olha, eu esqueci e você está aqui porque o trabalho pede que você me ajude, a culpa não é minha se você tem pavio curto...– murmurou e foi aqui o estopim, gente, não aguento mais, não. Sai da minha casa. Não, melhor, sai do planeta Terra. Aproveita que tem gente que acredita que a Terra é plana e vai andando reto, uma hora você cai no universo.

–Eu não tenho pavio curto!

–Claro que tem, só falei uma verdade e você tá' vermelho de raiva!– apontou e eu rapidamente me lembrei do meu pequeno problema de ficar vermelho por qualquer coisa. Mas agora eu posso ficar vermelho, tô' com raiva mesmo. Eu tô' é puto.

–Quer saber? Vai se foder, só aceitei esse trabalho porque não gosto de perder ponto, mas prefiro repetir do que aguentar um burro que nem você. É certeza que esse tanto de tinta que taca na cabeça intoxicou os poucos neurônios que você tinha. Isso que dá não prestar atenção em aula.

–Até da tinta do meu cabelo o nervosinho fala, tá' preocupado com minha vida agora?

–Meu filho, eu tô' é pouco me fodendo pra' sua vida nem lembro da sua existência na escola.

–E como sabe que não presto atenção nas aulas? Eu presto sim!– rebateu e eu quis rir.

–Presta nada, só fica rabiscando o caderno ou conversando por bilhete. E isso quando não está dormindo.– falei e comecei a escrever meu nome no papel almaço, vou é fazer meu trabalho que eu ganho mais.

–Como sabe o que eu faço em aula? Disse que nem lembrava da minha existência.– senti a ponta da caneta afundar no papel e o olhei, encontrando uma expressão convencida.

Exato. Exato. Exato. Exato. Como eu sabia o que ele fazia? Agora parando para pensar, eu sei praticamente tudo o que ele faz em aula.

–Como eu sei? É, como eu sei...?– juntei as sobrancelhas e pisquei, como eu sei?

–Parece que presta mais atenção em mim do que pensa, nervosinho.– inclinou a cabeça levemente para o lado e sorriu.

–Não me chama de nervosinho, não te dei confiança. E eu não presto atenção em você, só... Só reparo nas pessoas e percebi que você é um inútil dentro da sala.

–Mas você nem lembrava da minha existência, então como pode reparar nos meus hábitos?– arqueou uma sobrancelha.

·Mas que porra, viu?! O que é isso agora? Um interrogatório? Abaixa essa tua bola, ninguém aqui é stalker seu e muito menos desocupado pra' passar a aula notando teus hábitos de vagabundo, não. Agora pega a porra do trabalho e faz o que foi pedido.– ignorei o que ele ia falar e peguei o papel, anotando ali as perguntas e problemas que o professor havia passado no quadro.

Mas agora esse assunto deixou uma pulga atrás da minha orelha. Não era suposto eu saber tanto dele, juro que nem lembrava dele mesmo. Ou lembrava? Agora vendo bem, eu sabia até mais que aquilo. Sei as manias deles; tipo aquela de morder o polegar quando está nervoso em uma prova, ou aquela de jogar o cabelo vermelho para trás quando os fios invadiam o rosto, também tem aquela mania de arregalar demais os olhos quando se surpreendia com algo. E não para por aí.
Sei também que ele adora a aula de biologia, falta pular na cadeira de felicidade quando o professor entra. Sei que ele, provavelmente, não vai muito com a cara do Kim Jongdae, um garoto do segundo ano, sempre que eles passam lado a lado o Chanyeol o olha com desdém. Espera aí, então eu também sei o que ele faz no intervalo? Afinal, Chanyeol e Jongdae só se esbarram no intervalo. Mas que merda tem acontecido comigo e eu não tenho notado?

Gente, acabei de perceber uma coisa muito grave: eu não noto ele só agora, venho notando seus hábitos há tempos. Memorizo o que ele faz desde os primeiros anos em que estudamos juntos, mas por quê?

É impossível que eu tenha notado ele tanto assim e nem mesmo eu consegui perceber. Sério, por que eu só me liguei nisso agora? E junto disso não veio só lembranças, mas também sentimentos. Acabei de achar um motivo pra' nunca ter ido com a cara da Min Jae, ela gostava do Chanyeol e ele certa vez havia a chamado para sair. Por que aquilo naquela altura me incomodou tanto? Aliás, por que isso ainda me incomoda?

Tirei meus olhos do papel sobre minhas pernas e reparei Chanyeol que se encontrava totalmente submerso em copiar o texto. Desci o olhar por todo o rosto, tentando encontrar um motivo para servir de desculpa por eu ter agido estranho por tanto tempo e nunca ter percebido.

Os olhos estavam totalmente focados no livro e no caderno, vez ou outra jogando o cabelo vermelho para trás quando os fios caíam para sua testa. Só agora eu reparei que Chanyeol é bonito, bonito chega a ser pouco. Antes eu sempre zoava as orelhas, mas agora, neste momento, a saliência das orelhinhas se encaixam tão bem com ele. Sempre concordei que tinha um sorriso bonito, -mesmo que por vezes exagerado- mas só agora percebi os lábios grossos e bonitos.

É oficial, eu morri e fui substituído. Que porra agora é essa de pensar demais nesse acéfalo? Isso não é normal, ele deve ter feito alguma magia negra.

–Kyungsoo hyung, é pra' copiar essa parte também?– não desgrudou os olhos do papel.

Céus, por que a voz dele ficou tão grossa e rouca do nada? Espera, sempre foi assim, não é? Mas meu nome não soou irritante, muito pelo contrário, deslizou tão suavemente entre os lábios dele que parecia ter sido feito para ser chamado por ele. Eu quero morrer.

Ah, entendi. Já entendi o motivo, gente. E agora cometerei suicídio.

Depois de tantos anos, só agora me liguei que sinto algo por esse babaca. Acho que meu coração se envergonhou por ter escolhido alguém como ele e decidiu esconder até de mim. Seria ótimo se fosse só uma atração boba, até porque o gigante ali do nada ficou lindo, com corpão e voz sedutora, mas agora sei bem que é bem mais. Eu noto o cara desde a primeira vez que estudamos juntos, vim coletando informações dele que consegui apenas observando durante todos esses anos, me senti incomodado por ele estar com outra pessoa. É mais que óbvio a forma que a vida decidiu me foder. Estou apaixonado por Park Chanyeol.

A vida bateu em minha porta e eu abri, senhoras e senhores, ela me fodeu.

Eu achei que a vida pudesse me tapear de qualquer forma, mas não desse jeito imundo. A vida é alguém que merece tomar umas porradas na cara pra' aprender que com isso não se brinca. O inferno que tô' apaixonado por Park Chanyeol! Isso aqui não é dorama escolar, não.

Eu devo ter passado na frente de alguém fumando maconha e puxei a fumaça, a bala que comprei na venda da escola poderia estar drogada, a comida que comi poderia estar fora da validade, tem um motivo lógico que vá justificar o que eu estou sentindo agora.

Até seis minutos atrás eu não sentia nada por esse cão, mas agora eu sei que sinto algo. E não é ódio nem dor de barriga. Sério, já cogitei a ideia de ser só uns gases presos.
O que eu vou fazer é ignorar, vai passar. Tenho certeza.

É, ignorar, vai funcionar. Com toda certeza vai.

Ignorar sentimentos.

Ignorando.

Mas será que eu encaro ele na escola? Sério, se eu o encaro e alguma vez ele já percebeu? Jesus, não acredito que meu cérebro me faz pagar por esses micos. Era mais fácil me matar.

–Ei, escuta, Chanyeol... eu te encaro? Sabe, na escola.– continuei escrevendo, tentando não demonstrar real interesse.

Dependendo da resposta dele ou eu saio daqui com minha dignidade ou já posso dizer adeus para ela.

–Sim.– não demonstrou feições sobre isso, continuou lendo o livro.

Paralisei, galera, paralisei. Ele notou! Ele notou a minha obsessão maluca quando nem mesmo eu havia notado! É certeza agora, com vida de hoje eu não passo.

–Tá' brincando!

Não vou aceitar isso fácil, preciso arrumar desculpas, explicações.

–Não, na verdade vim percebendo que você fica me encarando desde quando éramos crianças.– deu de ombros.

–E por qual motivo você nunca foi em mim e falou: "Cara, para de encarar, me incomoda", ia me ajudar pra' caramba!– jogar a culpa no inimigo é uma forma de me defender.

–Eu tentava falar com você, perguntar, na verdade ainda tento, mas quando eu chegava você faltava me espancar, então eu não entendia. Aliás, por que tá' me perguntando isso? Você deveria saber.

–Deixa de ser curioso e vai fazer sua parte no trabalho.– grunhi e puxei meu estojo para mim, vai que acho algo que sirva para me matar ou matar Chanyeol. Criei um plano de acabar com Park Chanyeol e assim viver feliz sabendo que não existe mais pessoa pro' otário do meu coração gostar. Esse plano infelizmente pode me custar muito mais que um coração partido ou uma perda de orgulho.

Talvez nem seja paixão, talvez seja só um surto demoníaco que meu corpo está tendo, não beijo faz um tempão e nunca estive assim, sozinho e pertinho, com Chanyeol. Só caiu a ficha agora que o rapaz é bonito, meu corpo é sedento. É, é isso. Tudo isso é culpa dos hormônios. Anos anotando coisas sobre ele... Hormônios. Definitivamente.

–Mas agora eu realmente fiquei curioso, hyung. Por que fica me encarando?– juntou as sobrancelhas e puta que me pariu, tudo o que ele faz agora é lindo? Não via um pingo de beleza e agora é só ele respirar que já me treme o chão.

–Eu não fico te encarando.– murmurei.

–Ya, é claro que fica! Passa a metade da aula me olhando de rabo-de-olho, até mesmo no intervalo!– gesticulava as mãos de forma exagerada.

–Te encaro nada! Só olho pra'... pra'... Pra' ter certeza que está bem longe de mim.– respondi convicto e, gente, juro pra' vocês que na minha cabeça essa desculpa ficou bem melhor.

–Nem você acredito nisso, não é, hyung? Mas sabe, já sei a resposta mesmo. Reconheço de longe.– sorriu orgulhoso.

–Sabe do que, criatura?

–Da sua paixonite por mim.– me encarou.

Conseguem ouvir a batida do meu coração? Tô quase enfiando esse livro na minha garganta.

–Você tá' é doido, Park Chanyeol! Eu gostar de você? De você? É mais fácil morcego doar sangue.

–Ouvi dizer que o Batman é um homem muito caridoso, então...– sorriu sugestivo.

–Ah, não me amola.– enfiei o livro na minha cara e continuei assim.

Ele fica se achando o rei da cocada preta por estar jogando na minha cara os meus sentimentos, esse atribulado. E quem é ele pra' falar alguma coisa? Eu gosto de quem eu quiser! É, isso aí. Eu gosto de quem eu quiser e que se foda.

Tudo bem que eu não queria, não quero e provavelmente jamais irei querer gostar de alguém de calão tão baixo quanto desse ser na minha frente, realmente não quero mesmo. Mas ainda tenho o poder sobre meus próprios sentimentos! Sou dono do meu corpo e do meu coração drogado!

–Quer saber? Que se foda você e esse teu jeitinho arrogante, quem manda nessa porra sou eu e eu gosto de você mesmo. E daí? Só eu que posso me meter nisso. Agora termina a sua parte antes que eu te jogue pela janela.– sambei.

–Você gosta de mim mesmo? Eu estava brincando.– sambei nada.

Oh meu deus, por que faz isso comigo? Já não basta a sequência do livro da série que eu leio ainda não estar traduzido? Será que o ônibus 343 já passou? Tomara que dê tempo pra' mim poder me jogar na pista quando ele passar.

–Eu estava brincando também, leva tudo a sério, né?– sabe a risada de nervoso? Acho que exagerei nela.

Se declarar, depois perceber que vai quebrar a cara e dar aquela desculpa de que foi tudo brincadeira é tipo mandar uma putaria no CuriousCat, esquecer de colocar anônimo e falar que "a conta foi hackeada". E, bem, tem tudo pra' dar certo, porém todo mundo já conhece essa jogada e acaba sendo um dos piores métodos. Ou seja, estou fodido de uma forma ou de outra.

–Mas você parecia estar fal...-

–Cala a boca, garoto. Vai fazer o dever, deixa de ser chato.

Juro pra' vocês que tô lendo a mesma linha faz dois minutos. Por que eu tenho que fazer esse tipo de merda? Eu sinto o suor descendo pela minha testa, pousando no pescoço e acabando com o perfume que coloquei mais cedo. Além de tudo agora também vou ficar com cheiro de gente que acabou de sair da academia.

E já não basta eu mesmo estar me martirizando, ele tá' rindo! Rindo mesmo, gente, tentando disfarçar. Como eu odeio esse garoto.

–Dá pra' parar de rir? Está me atrapalhando.– grunhi.

–Quem diria, Do Kyungsoo gosta de mim.– riu.

–Eu não gosto de você! Mas que demônio, não já falei que foi brincadeira? Eu te odeio demais.

Jogar o livro na cara dele foi a melhor opção que me apareceu pra' mudar o foco dele, e foi isso mesmo que eu acabei de fazer. Se quebrar a cara dele vai ser pouco.

–Você brincando? Tem o humor de um assassino, só vi você rindo quando o professor de química fez aquele experimento que deu errado e explodiu na cara dele.- não era pra' ele focar na dor? É um mutante, sabia.- você brincando, essa é nova. Se eu faço uma piada em sala só me manda um olhar de ódio, além de permanecer sério a aula todinha.

Mas é um condenado mesmo, quem ele pensa que é pra' saber que meu humor só funciona pra' rir quando alguma cois...- pera aí. Para tudo. Como ele sabe tudo isso? Sabe, sobre mim, meu jeito em sala.

–Espera aí, como sabe tudo isso? Acho que não sou apenas eu que fica notando a vida alheia em sala.– solta as cobras.

Choque do trovão o que eu senti agora. Ele deu um sorriso, mas um sorriso meio tímido, meio envergonhado. Não sabia que ele tinha vergonha nessa cara.

–Esquece.

Esquece o cacete, anjo. Ele também fica me olhando. Clã, é agora o momento decisivo. Eu afronto ele ou deixo passar? Tem coelho nessa horta. Acho que não é assim o ditado, mas vamos ignorar. É óbvio que tem coisa aí, e esse sorriso suspeito que ele deu? Será que é hoje que vou crushar alguém que me crusha?

Ignorem também que eu aceitei gostar dele rapidinho depois de ver uma chance de gostar de gente que gosta de mim. Não posso perder uma chance dessa.

–Você que gosta de mim e fica falando que eu gosto de você.

–Gosto de você mesmo, hyung. Não tenho vergonha de admitir que nem certas pessoas.

Aviso: error 404, o sistema cerebral apresenta problemas e precisa ser reiniciado imediatamente.

Ele acabou de se declarar, não é? Jesus, gente, eu venci na vida, -tudo bem que ainda estou meio decepcionado por ser justamente Park Chanyeol, eu jurava que odiava ele- o crush me crusha, porém não sou fácil, não. Já aceitei que gosto dele e descobri que ele gosta de mim, mas vocês notaram que ele mandou indiretinha pra' mim? "Certas pessoas", vê se pode.

–Tá' mandando indireta pra' mim? E eu lá tenho obrigação de assumir coisa que eu nem sabia? Olha aqui, você me respeita.

–De tudo o que eu falei você só gravou a indireta? Ya, Kyungsoo-ah! Como você é difícil de lidar.– o biquinho aborrecido adornando os lábios cheinhos, o garoto já tem a cara toda fofa e ainda faz isso. Terei que matá-lo.

–Esperava o quê? "Eu também te amo, Julieta"?.– debochei.

–O que te faz pensar que eu seria Julieta?– as sobrancelhas se arqueando.

–Porque eu obviamente sou Romeu.

–Pois eu duvido, com essa sua carinha fofa vai ser Romeu?

–Então vamos ver quem vai ser Romeu aqui!– o talento dele é ótimo pra' me estressar, notaram? 

–Isso aí! Você namora comigo e eu provo que eu sou o Romeu!– levantou a mão, esperando que eu batesse.

–Isso mesmo!– bati minha mão na dele, concluindo o high-five.– Ei, calma aí, você me pediu em namoro?

–Pedi e você aceitou, não tem como voltar atrás.– fui ludibriado.

–Mas eu não tive intenção!

O demônio me ignorou, colocou as mãos nos ouvidos e ficou cantarolando.

–Não tô' namorando com você, não. Cada uma.

Vê se pode uma dessa, fala cheio de animação, me deixa eletrizado e com o espírito de competição ativo só pra' se aproveitar e me namorar.

–Mas o que falta? Eu gosto de você e você gosta de mim. Simples.- sorriu e, gente, não é fraqueza, mas quase cedi pra' esse sorriso. A culpa não é minha se sorriso bonito mexe com o meu coração.

–Quem disse que eu gosto de você? Você que se declarou, eu tô' na minha.– só pra' brincar, gente.

–Vamos lá, hyung, sei que o sentimento é recíproco.– bem chocado que ele sabe o significado de "recíproco".

–Deixa de ser insistente, qual parte do "eu te odeio" você não compreendeu?

–Tudo bem, Kyungsoo.– que isso? Desistiu? Não, para, eu ia aceitar na próxima.

–Já desistiu?– perguntei incrédulo.

–Mas você disse que me odeia.– me lançou um olhar confuso.

–Mas como você é burro, Chanyeol. É só charme.– não acredito que vou ter que ensinar as estratégias da arte do Cu Doce.

–Então você gosta de mim?– e lá está o sorriso que eu sempre achei bonito, mas que agora parecia ter triplicado de beleza.

–Ainda estou pensando na hipótese de eu estar sobre efeitos de algum entorpecente.– e estou mesmo, ainda não descartei a ideia de eu estar drogado.

·Certo, então enquanto você pensa nessa hipótese, eu posso dizer que estou te namorando?– o livro já fora tirado de sua perna e ele se aproximava, o sorrisinho bobo em seus lábios. Tá' repreendido a bruxaria que ele usou pra' me fazer achar ele lindo do nada.

–Acho justo.– tô' todo mole pela aproximação dele, não vou negar.

–Pode não parecer, mas sou muito bom na matéria de Eletrização de Corpos.– murmurou.

–É nada, Chanyeol.– queria muito soltar o meu veneno e chamar ele de burro, mas não dá pra' ser naja com um homem desse bem pertinho assim.

–É, realmente, na eletrização de física eu sou péssimo, mas na eletrização de corpos eu sou realmente bom. Quer ver?

–Acho que seria bom eu ver as matérias que você é bom, iria ajudar na aula. Fins puramente acadêmicos, claro.– será que é hoje que eu saio da seca de beijo na boca? Tô' faz muito sem beijar, se eu falasse o tempo vocês iriam pensar que decidi virar abstêmio.

Passou o polegar por todo o meu maxilar, segurando a área e juntando nossos narizes, o sorriso ainda em seus lábios. Me posicionei mais para frente, querendo juntar logo o que já deveria estar grudado. Tenho paciência pra' cena de filme romântico, não. Deslizou o lábio inferior suavemente entre os meus, descendo a mão canhota para minha cintura e puxando-me mais para si.

Cristo Jesus, que pegada.

Larguei o livro até então ainda preso entre meus dedos e passei os braços pelos ombros de Chanyeol, querendo mais contato. A destra ainda pousada em meu maxilar foi até minha nuca, prendendo meu rosto mais contra o dele.

O meu corpo parece amolecer com cada toque, mas ao mesmo tempo sinto uma trilha intensa de choque. Ele é muito bom nessa matéria, real/oficial.
Meu lábio inferior foi puxado gentilmente antes de nos separarmos para recuperar o ar já esgotado. Pulmão desgraçado que não armazena ar direito.

–Temos que terminar pelo menos o início do trabalho.– e temos mesmo, não vai dar pra' terminar hoje e só temos mais dois dias. Beijar é muito bom, mas também sou mendigo de ponto e quero tudo.

Ele assentiu e deslizou a mão para fora da minha cintura, não havia notado que minha blusa tinha sido levantada e, gente, pense numa dor de sentir os dígitos dele passarem pela minha pele daquele jeitinho carinhoso. Esquece o trabalho, volta aqui.

–Mas a gente tem muito tempo, né.– como eu disse, sorriso bonito mexe com meu coração.

(...)

Já havia se passado o fim de semana e nosso trabalho estava feito, alguns erros aqui e outros acolá na parte de Chanyeol, mas nada que me fizesse dar um ataque.

E se a gente tá' super casalzinho? Claro que não, na verdade acho que odeio ele mais agora. Chegamos na escola faz quinze minutos e ele já falou que estava namorando comigo pra' trinta e duas pessoas. É verdade, eu contei. 
Sábado e domingo -e até agora mesmo- passei só querendo terminar, só me aborrece esse garoto, mas aí ele dá aquele sorriso e eu já me desmonto, não convencido da desgraça que faz com o meu psicológico apenas sorrindo, também me beija e eu me faço de esquecido sobre os problemas envolvidos nesse relacionamento. Até que ele é engraçadinho. Um pouquinho. E também é gentil, bem pouquinho também, tem aquela risada fofa e o jeitinho carinhoso, ah, também tem a forma que ele parece um filhotinho indefeso de cachorrinho, é até adorável, mas tudo isso em pequenas quantidades. Tudo um pouquinho só. Nada que me faça me apaixonar por ele toda hora, claro.

Entramos na sala e o jumento de dois metros se sentou atrás de mim, já vi que meu plano de deixar ele se sentar onde sempre se sentava e ter uns minutos de paz foi pra' puta que pariu.

–Ei, Soo-ah.

Aliás, sábado ele começou a me chamar de "Soo", me faço de gótico e digo que não gostei da alcunha, mas por dentro me derreto toda vez que ele me chama assim, admito.

–O que você quer, Chanyeol?– é meu crush, mas ainda sou o iceberg que afundou o Titanic com todo mundo, sem exceção.

–Sabia que eu sempre te achei bonitinho? Desde a primeira vez que te vi todo pequenininho na primeira série.

Ignorando a forma que eu morro de fofura quando ele fala com esse sorrisão, ele também me nota desde aquela época? Hum, então eu não fui trouxa sozinho.

–Já eu te odiava.– só posso me derreter por dentro, por fora ainda sou gelo. Aqui é capricorniano.

–Tudo bem, não me importo mesmo, já sei que agora você me ama, Julieta.

–Olha aqui, você vai se foder com essa merda de Julie...-

–Classe!– professor miserável atrapalhando meu momento de putidão.

–Todos fizeram o trabalho, certo?– todos da sala concordaram em uníssono.

–Ótimo, vou começar a chamar as duplas para me trazerem a apostila com as anotações.

Agora vamos tirar um tempinho pra' eu refletir sobre tudo. Eu odiava Park Chanyeol, isto é fato, porém eu fui burro e não notei que no meio desse ódio tinha aquela pontinha desgraçada de gostar. Eu ainda odeio gostar de Park Chanyeol, olho pra' ele e me pergunto o que o meu coração viu nesse abestado. Acho que nem meu coração sabe, na verdade. Porém tem alguns pontos positivos, mínimos, quase zero. Até que a companhia dele não é tão desagradável quanto eu achava, mas ainda é uma porra.

Se não fosse por esse trabalho idiota de um professor que nunca fui com a cara, -não que eu já tenho ido com a cara de algum professor- jamais saberia que gostava do Chanyeol, assim como nunca teria comprovado uma tese que diz que um corpo humano eletrizado pode ser mais potente que uma bateria de um carro. Chanyeol me ajudou a comprovar, façam suas teorias de como.

Acho que a única coisa que fazia sentido nesse destino estranho é que eu sempre gostei da matéria Eletrização de Corpos, sempre entendi bem. Lógico que agora eu prefiro eletrizar outro tipo de corpo, um corpão bem corpão mesmo.

É, ok, até que sou meio grato pelo professor e pelo trabalho. Mas, como de costume, só um pouquinho.

–Chanyeol e Kyungsoo.

Lá vamos nós.

–Os dois alunos que me inspiraram a fazer este trabalho, -sorriu orgulhoso- tenho grandes 
expectativas em vocês dois.

Como assim em pleno século vinte e um ainda tem gente que coloca expectativa em mim? Até a vida já desistiu de mim, um exemplo é ter feito eu me apaixonar por esse demônio do meu lado. 
Ele leu e releu toda a apostila,  a minha parte e a parte de Chanyeol.

Chanyeol estava esperançoso, sinto daqui a áurea otimista dele. Ele se esforçou muito, eu vi com meus próprios olhos. Tirando o tempo que a gente parava de estudar pra' eletrizar uns corpos, ele realmente estudou muito e deu tudo de si nesse trabalho.

–O trabalho é em dupla, a nota vai ser igual para ambos, mas falarei a nota individual de vocês só para terem uma ideia.– anunciou e nós dois assentimos. Ouço o altão orando aqui do lado.

–Kyungsoo tirou seis. -como esperado de mim, mores.- Chanyeol... cinco vírgula zero. Infelizmente você não tem nota pra' juntar e passar direto, vai ter que fazer a recuperação nas férias.

–Ah, professor!

–Eu te avisei.– me virei para voltar para o meu lugar. Pelo menos eu já passei.

–Ya, Soo-ah! Volte aqui!

É, pensando bem, não é tão ruim assim gostar de Park Chanyeol. Eletrizante, né?

 


Notas Finais


LoL= League Of Legends

aaaaaaaaa espero de coração que tenham gostado sz

**pra quem leu na primeira versão e ficou "?????" pelo cap estar repetido, eu sinto muito.
wattpad: Arferitix
Twitter: @ssaturnz


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