História Em guerra com a verdade - Capítulo 35


Escrita por: e LinkSkyward

Postado
Categorias Fullmetal Alchemist
Personagens Alex Lois Armstrong, Alphonse Elric, Alphonse Heiderich, Barry, Basque Grand, Buccaneer, Dr. Tim Marcoh, Edward Elric, Elisia Hughes, Envy, Fu, Gluttony, Gracie Hughes, Greed, Heymans Breda, Izumi Curtis, Jean Havoc, Kain Fuery, King Bradley, Lan Fan, Ling Yao, Lust, Maes Hughes, Maria Ross, May Chang, Milles, Noah, Olivier Mira Armstrong, Personagens Originais, Pinako Rockbell, Pride, Riza Hawkeye, Rose, Roy Mustang, Scar, Sloth, Trisha Elric, Vato Fallman, Von Hohenheim, Winry Rockbell, Wrath, Yoki
Tags Almei, Alphonse, Edward, Edwin, Lanfan, Ling, May, Riza, Roy, Royai, Winry
Visualizações 73
Palavras 7.099
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção Científica, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yooo! cheguei e trazendo novidades. Digamos que estava revendo o roteiro desse arco e bom, me veio ideias novas que junto das antigas vão ficar fantasticas! <3
Peço perdão a aqueles que não assistiram os filmes de fulmetal mas eu vou começar a inserir alguns personagem deles, começando pela querida julia!
boa leitura <3

Capítulo 35 - Reencontro inesperado


Fanfic / Fanfiction Em guerra com a verdade - Capítulo 35 - Reencontro inesperado

Alphonse julgava ser exagero do irmão de colocar a ele e as quimeras para fora para que não presenciassem o “assassinato” dele. Winry não o mataria por mais brava que estivesse!

Ainda assim, quando voltaram para casa no alto da noite e mesmo com as luzes ligadas a casa estava em volta pelo mais completo silencio, Alphonse temeu pela vida do mais velho.

Deixou que as quimeras fossem descansar antes dele, alegando que apagaria as luzes e fecharia a casa antes de ir dormir. Mas na verdade queria investigar, se achasse vestígios de sangue pela casa saberia que um deles estava muito encrencado.

Contou as facas da cozinha só para ter certeza de que estavam todas ali. Conferiu na oficina da loira e não encontrou nem mesmo um sinal dela, com tudo bem organizado ali deixava a vista que não havia entrado na sua oficina a um bom tempo.

Talvez tivessem saído... Mas deixando a casa toda aberta? Não, Edward não era louco de fazer isso. No fim das contas desistiu de procurar, aqueles dois sabiam se virar bem ele não tinha o porquê se preocupar tanto, não é?

Afastou as ideias neuróticas de si e finalizou o fechamento da casa ao trancar a porta da frente. Seguiu escadas acima, com as costas doendo e um cansaço imenso. Reparou em algo que nunca devia o ter chamado a atenção, se não tivesse o teria poupado de ter visto a visão do inferno.

A porta do quarto de Winry estava entreaberta, ela nunca deixava a porta entreaberta!

Alphonse deu uma espiada inocente para dentro, temendo que algum dos dois tivesse passado mal ou coisa parecida. O que viu fez foi o loiro passar mal. Fechou a pequena fenda do mal que possibilitou a ele a visão de Edward dormindo abraçado em Winry, se fosse apenas isso o mais novo não teria estranhado, mas preferia não ter visto a bunda pálida do irmão pra fora das cobertas.

“—Cuidado Paninya... — Alphonse começou misterioso e com um sorriso brincalhão— Se o Ed e a Win sumirem é melhor não procurar! É capaz de não gostar da visão.” Devia ter ouvido seu próprio conselho.

~*~

Cidade central.

“Minha doce Julia Crichton,

Me pergunto se já esta a caminho de nosso encontro tão esperado por mim. Desde que lhe contei sobre a chance de terem avistado seu irmão, Ashley, você tem parecido muito mais alegre em suas cartas. Acredite quando digo que fico feliz com isso, mas ainda assim me preocupa o fato de apenas você procurar por ele. Se Ashley quisesse mesmo vê-la ele próprio lhe procuraria.

Mas não estou escrevendo para te irritar, me desculpe se foi o que fiz mesmo que sem a intenção. Estou apenas preocupado que acabe se magoando, como todo bom amigo estaria.

Com todo carinho do mundo, Steve Clarck.”

Já deveria ser a décima vez que a ruiva lia aquelas palavras, “Se Ashley quisesse mesmo vê-la...” Essa era a parte que mais detestava. Steve conseguia ser um homem muito mais gentil do que muitos que Julia havia conhecido, mas não tinha a mínima ideia do quanto a tirava do sério quando fingia entender os sentimentos ou pensamentos da ruiva e de seu irmão.

A vida não foi bondosa com eles, as tragédias de sua infância a afastaram do irmão e de qualquer relação amistosa que pudesse ter com ele. Ambos até mesmo se enfrentaram em um combate com alquimia e as estrelas de sangue. Era triste pensar sobre isso, mas ainda assim ela estava lá.

Mesmo que tantos anos depois sua vida já esteja estabilizada, ela não se sentiria completa se não procurasse pelo irmão que após a batalha desapareceu sem deixar pistas a ela.

Duas batidas do lado de fora do quarto de hotel em que estava foram o suficiente para tirar a ruiva de seus pensamentos. Dobrou a carta e a deixou sobre a cama de hotel antes de seguir até a porta para abri-la a uma das funcionarias.

— Bom dia, senhorita Crichton. — A funcionaria começou alegremente, empurrava um carrinho para dentro do quarto onde todo um café da manhã estava pronto e a espera.

Julia sorriu ao deixa-la entrar no lugar. Mal havia conhecido a mulher de idade, já prestes a se aposentar, mas já a amava como se conhecesse há anos.

A gentileza do olhar da senhora a encantou assim que se conheceram na entrada do hotel, não havia atendente naquela hora e aparentemente a mulher era a faz tudo dali e por isso fez a reserva de Julia.

—Bom dia, Melina — A ruiva retribuiu ao cumprimento fechando a porta atrás de si e apontando na direção do carrinho onde uma bandeja muito elaborada e com aroma delicioso já fazia seu estômago gritar— São pra mim?

—Mas é claro! —Melina riu ao responder, como se aquela fosse a pergunta mais boba que havia escutado na vida— E com uma entrega especial por pedido do Senhor Clarck.

Julia ergueu uma sobrancelha estranhando o comentário e o olhar brincalhão de Melina sobre si, só entendeu o que a mulher quis dizer quando a mesma estendeu a ruiva uma única e linda rosa. Mal havia notado a flor no carrinho quando a senhora de idade entrou, mas já sentia as bochechas arderem ao entender que essa era a entrega especial.

—Parece que alguém despertou os interesses românticos do meu chefe! —Melina brincou, destacando bem a parte em que falava românticos e chefe.

Quando conheceu Steve, Julia não esperava que ele além de político também fosse herdeiro e, desde algum tempo atrás, dono da maior rede de hotéis de toda a Amestris!

—Ele é apenas um bom amigo! —Julia garantiu a ela, pelo que parecia ser a milésima vez desde o dia anterior. — Um bom amigo que vem me ajudando a encontrar o meu irmão!

—Engane a si mesma o tempo que quiser. — a mulher cantarolou ao deixar a bandeja sobre a mesinha ao lado da cama e girando sobre a ponta dos pés para ficar de frente para a ruiva e laçar um olhar brincalhão a ela— Se não caiu nos encantos do Sr. Clarck é por que esta apaixonada por algum amigo, ou talvez um romance antigo que volte a desabrochar nesse coraçãozinho?

—Para uma mulher viúva anda pensando demais em romance! — Julia brincou rindo da expressão de falsa ofensa da mais velha.

— Até eu, gosto de sonhar. Mesmo com um neto a caminho! —Melina finalizou a frase com um gritinho agudo e animado, antes de fazer uma careta como se soubesse um segredo muito intimo da ruiva e estivesse prestes a usa-lo contra ela— E eu ouvi dizer que você tem procurado demais por seu irmão! Andou perguntando sobre o Alquimista de aço?

Estava na cara que a mais velha não precisava de uma resposta, ainda assim Julia se conteve em apenas acenar com a cabeça, confirmando a pergunta retórica da mais velha. Vinha procurando por Edward e Alphonse também, queria agradecer a eles pela ajuda que lhe deram no passado. Não podia negar que também tinha certa curiosidade de saber se eles conseguiram ou não completar a busca deles!

— Com tantos pretendentes assim você até me faz lembrar os meus dias de glória! — Melina riu ao se apoiar no carinho e abanar uma das mãos no ar levemente, balançando-a de um lado para o outro, como se tentasse seduzir alguém.

Julia não conteve a risada, aquela mulher era certamente a idosa mais pirada e genial que havia conhecido em toda sua vida! E estava feliz por isso, por ter mais uma amiga para guardar no peito quando sua jornada acabasse.

—Melina você é maravilhosa! — Julia a elogiou o que, aparentemente, só aumentou o ego da idosa— Mas me diz uma coisa... Onde fica o bairro Nakawa?

O riso e a animação da mais velha deram lugar a uma expressão de pura preocupação após a duvida da ruiva, e essa mudança brusca de humor foi o bastante para preocupar Julia também.

—Não vai querer ir lá menina. — Melina recomeçou, as mãos sobre a cintura como se estivesse dando bronca em um de seus filhos por aprontar algo— O lugar é perigoso para uma garota como você!

—Se não quiser me contar eu vou descobrir sozinha! — Julia a desafiou, cruzando os braços sobre o peito em uma postura de pura decisão. Viu a mulher suspirar e negar com a cabeça, apesar disso sabia que havia vencido.

—Na parte leste da cidade central, mais tarde eu trago um mapa e te mostro melhor. — A mulher suspirou ao empurrar o carrinho em direção à saída — O que uma menina como você quer em um lugar daquele?

Não era como se a mulher esperasse por uma resposta para sua pergunta, imaginou que se fosse um assunto muito particular a ruiva não diria a ela, mas ainda assim não resistiu em perguntar. A resposta não veio assim como esperava, apenas quando a mais velha saiu dali foi que Julia retirou do bolso um pedaço de papel com o endereço do ultimo lugar em que seu irmão foi visto.

~*~

Se não estivesse tão cansado na noite passada Alphonse teria tido pesadelos com a cena que viu antes de ir dormir, mas graças ao seu cansaço ele não sonhou com nada. E agradecia profundamente por isso!

Aqueles dois não tinham decência! O que custava fechar a porta direito?

Jerso e Zampano estranharam quando, na manhã seguinte, o casal da casa parecia estar com um bom humor fora do comum, ainda mais quanto a Edward. Aquele lá era ranzinza até a alma e vê-lo alegre tão cedo naquele dia era estranho às duas quimeras.

—Tá animado hoje heim, nanico! — Jerso o provocou, o bom humor de Edward era tão fora do comum para eles que a quimera quis o irritar, para ter ao menos um gostinho de normalidade.

—O dia tá bonito, ué. — Edward respondeu, deixando as quimeras de boca aberta pelo fato dele não ter pirado por ser chamado de pequeno.

Sentou-se a mesa ao lado da loira e com um garfo roubou um pedaço da torta de maça dela. Normalmente teria levado uma surra por conta disso, mas Winry apenas riu dando uma leve cotovelada no braço dele.

—Falando assim tá até parecendo a Chang. — A comparação de Zampano fez com que Alphonse engasgasse com o café, logo todos os olhos estavam voltados ao loiro mais novo.

—Não. —Alphonse respondeu com um riso nervoso escapando de si ao se por em pé na mesa, saiu dali antes que acabasse fazendo algum comentário indevido— Não mesmo.

—Ok... —Jerso começou, cortando o silêncio que só parecia estranho para ele e Zampano já que os outros dois estavam num mundo cor-de-rosa onde tudo é apenas amor e carinho— Nós que somos as quimeras, mas eles que trocaram de corpo!

Dito isso, a quimera pôs as mãos sobre a mesa usando-a de apoio para seu peso quando deu impulso em se levantar, Zampano veio logo atrás dele não querendo ser o único a segurar vela naquela cozinha.

—Ei Jerso. — Zampano o chamou seguindo o amigo até a área de fora da casa, onde teriam um pouco da normalidade que parecia ter sumido dentro da casa— Acha que a Milena já foi embora?

O moreno estranhou a pergunta do amigo, ergueu uma sobrancelha ao encarar ele e ver o olhar pensativo de Zampano encarando o horizonte, parecia se perder na imensidão daquela paisagem. Pensativo, estava assim já tinha um tempo e apenas agora tomou coragem de conversar sobre com o parceiro.

—Não esbarramos nela mais. — Jerso comentou, um fio de alivio em sua voz. Não suportaria ter que se esconder uma terceira vez dela— É provável que já estivesse indo embora quando chegamos.

—Entendi... — E foi só o que a outra quimera disse. O olhar pensativo que não se desviou uma única vez da paisagem. Se ele tinha mais o que dizer era muito provável que tivesse perdido a coragem.

Jerso deixou um suspiro pesado lhe escapar antes de se aproximar do amigo e sentar nas escadas de concreto com ele. Ficou olhando a paisagem, na mesma direção do parceiro, tentando imaginar o que passava pela mente do outro.

— Qual é o problema? — Questionou. Conhecia Zampano a tempo o suficiente para saber que havia alguma coisa muito errada com ele.

—Quando te transmutaram... A Milena era praticamente um bebê. 4 anos, não deve nem lembrar de você direito... —Zampano começou a explicar, estalava os dedos das mãos, inquieto ao prosseguir— O Felipe não. Tinha a idade que o Alphonse tem hoje... Não vou ser um estorvo vou? Voltar agora, ele já deve ter uma vida feita.

—Ter uma vida feita não quer dizer que ele não precise de um pai. — A resposta veio rápida, tão rápida quanto o olhar descrente da quimera ao seu lado— A relação de vocês não estava boa quando te transmutaram né?

—Não. — Zampano suspirou, não era fã desse assunto. A última vez que havia falado disso foi com Alphonse e apenas por que havia enchido a cara em um bar de Xing. As bebidas de lá com certeza o faziam soltar a língua. —Depois que minha esposa morreu eu meio que morri junto... Ele não precisa de um bêbado na vida dele.

Jerso se manteve em silencio por uns instantes. Não sabia o que dizer, “não foi sua culpa!” “Ele vai te perdoar.” Nada daquilo ajudaria, ele sabia disso, vivia um dilema bastante parecido com o do parceiro ao seu lado.

—Um pai é bem-vindo em qualquer momento. — A voz de Alphonse deu um leve susto nos homens do lado de fora.

Não haviam reparado que o loiro estava escorado no batente da porta, e menos ainda que houvesse escutado acidentalmente parte da conversa deles. Não que fosse a intenção do mais novo, mas ele parecia ter um ímã que o fazia aparecer nesses momentos de confusão dos amigos.

A surpresa no olhar das quimeras tirou um riso nasal do loiro, seguido de um sorriso ao se aproximar deles, sentando-se no meio dos dois e cruzando os braços sobre os joelhos. Um pirralho dando conselhos a dois adultos problemáticos. Parecia uma imagem irônica de se imaginar.

—Quando encontrei o meu pai, também não sabia como falar com ele. —Alphonse começou, sorrindo com a lembrança— Mas até que foi tranquilo, estranho de inicio, mas ainda assim... Era meu pai apesar de tudo.

—Está dizendo pra mim enfrentar isso? — Zampano questionou, não conseguindo acompanhar bem o raciocínio do mais novo que riu com a pergunta.

—Estou dizendo que tem um laço entre vocês. — Alphonse recomeçou após o riso, jogou o ombro contra o braço de Zampano em um baque leve, apenas para anima-lo— Por mais gasto que possa estar, ele ainda tá ai. Agora reatar ele já é com vocês dois!

Zampano sorriu para o mais novo, pensativo quanto ao que ouviu, porém, mais esperançoso do que estava antes. Agora tinha a sensação de que as coisas poderiam dar certo, mesmo com o medo o puxando para trás. Se Alphonse conseguiu perdoar o pai dele, talvez Filipe também pudesse.

—Ei. —O chamou, deixando o braço cair sobre os ombros do loiro e com a outra mão bagunçou o cabelo dele— Nesse caso você é meu filho adotado!

—Sai pra lá! —Jerso resmungou ao parceiro, puxando Alphonse para fora do braço dele o que iniciou uma disputa entre as quimeras pelo loiro— Eu já adotei o garoto antes.

Alphonse gargalhou ao ser disputado pelos amigos. Não deixavam de estar falando a verdade, uma verdade meio retorcida na percepção de Alphonse. Era o mais novo quem cuidava deles como seus filhos, mas se aqueles dois queriam ter uma visão de que eram mais maduros que o loiro, não seria ele a negar isso aos dois.

~*~

Xing, capital.

Há milhões de formas de se lidar com a dor da perda! Uma delas é deixar que ela nos consuma e nos arraste para o fundo de uma depressão e de um vazio que jamais será preenchido sem a presença daquela pessoa. Outra é viver com a saudade ao seu lado, mas transformar a dor em algo melhor.

Ling podia ver esses dois exemplos bem a sua frente. Hikari representava bem o primeiro, jamais superaria a morte do irmão e ele não esperava que fosse realmente faze-lo, mas a menina também não parecia ter mais vontade de viver. Estava ali por ser obrigada pela família a estar presente do contrario jamais colocaria os pés novamente no lugar onde seu irmão morreu.

Senhora Himashira por outro lado, junto do marido, representava bem o segundo exemplo. Tinham o rosto erguido, mesmo que os olhos lacrimejassem às vezes. A mulher era a mais forte dali, tomava a frente da conversa indicando o lugar que antes foi uma fabrica e hoje são apenas destroços.

Até mesmo para o imperador era desconcertante voltar ali, imaginou que havia sido uma boa escolha evitar a presença de muitas pessoas além dele, a família de Taki, Lanfan e Yang. O que discutiam ali se tornou segredo até mesmo de May, preferiram deixar para contar a princesa apenas quando tudo já estivesse certo.

—Vocês tem certeza quanto a isso? —Yang os questionou pelo que parecia ser a milésima vez desde que a mãe dos gêmeos havia iniciado aquele assunto dias atrás, era um pouco cansativo, mas ele tinha razão quanto a questionar de novo. Não se cria um centro médico da noite para o dia e nem mesmo no impulso do momento.

—Tenho certeza de que Taki iria gostar que fosse feito. — A mulher respondeu, a voz nostálgica que não fraquejou mesmo em frente às ruínas de onde seu filho morreu, Lanfan pode jurar ter visto Hikari se incomodar com a resposta da mãe e estava certa.

Para a garota estava cada vez mais insuportável ficar junto da família. Ninguém ali se recuperou ou iria se recuperar da perda do rapaz, ainda assim sua mãe parecia ter a mania de não querer deixa-lo sozinho no cemitério, mesmo com Hikari deixando claro que aquilo não era seu irmão. Era apenas uma carcaça que não ouvia nem sentia nada!

O pior era quando agia da mesma maneira que agora, falando como se soubesse o que o garoto diria, o que ele gostaria. Será possível que não podiam o deixar descansar?

Esses eram fortes motivos para que a garota viesse passando mais tempo com a velha Naomi do que com a própria família. A velha cega ao menos respeitava a opinião e o pedido por sossego e paz da garota, preferia ficar a sós com sua dor e pensamentos do que ter que fingir uma força que não tinha.

—Meu filho entrou para a guarda por que queria ajudar as pessoas, queria fazer o correto. —Senhor Himashira começou, parecia ter encontrado sua voz apenas agora— Faremos o mesmo financiando esse centro, mas de uma maneira menos perigosa.

—É certo que podíamos nos virar sozinhos com isso... — a mulher voltou a falar, tendo a atenção dos demais de volta para si— Mas gostaríamos do apoio dos senhores para transformar esse monte de sucata em um lugar que vai acolher e tratar daqueles que precisam.

Yang lançou um olhar de soslaio para o imperador ao seu lado, os dois já vinham conversando sobre isso muito antes de ouvirem o discurso convincente da mulher, esperava por um sinal o mínimo balançar de cabeça como confirmação que não tardou a vir.

Quando o que precisava ser feito ali havia acabado ele se despediu rapidamente, seguindo caminho de volta ao palácio com Lanfan junto de si. Yang ficaria por lá por mais um tempo ainda, discutindo alguns pontos do planejamento da família Himashira. Detalhes para o qual o velho tinha muito mais jeito do que outros ali.

—Acha que Kei vai gostar de saber disso? — Ele questionou, aproveitando do momento para tirar algumas duvidas de sua mente.

Nos últimos dias Lanfan parecia ter se aproximado muito mais do guarda real do que se imaginava que aconteceria e Ling não podia evitar, nem essa aproximação, nem o incomodo na boca de seu estômago sempre que notava aquilo.

—Ele era muito próximo do Himashira... —Lanfan explicou, com estranheza em sua voz pela a questão do imperador e também pelo fio de ciúmes que percebeu na voz dele— É provável que sim.

—Hum... — Foi só o que ele conseguiu dizer, não por falta de respostas, mas por essa ser a mais educada que tinha em mente, o restante, bom... Era o restante.

Era preocupante para ele que essa relação entre a vassala e o guarda real tenha sido tão fortificada nos últimos dias. Kei podia ser um dos melhores guardas, ter um gênio bondoso e parecer muito inteligente e tudo o mais. Só que Ling não confiava nele quando o assunto era Lanfan, temia que o outro a ferisse de alguma maneira, mas parecia aos olhos do imperador que a garota não tinha essa preocupação! Lanfan não falava do assunto e quando questionada respondia apenas o necessário, deixando o imperador no escuro quanto a isso.

A verdade é que ela não se importava e nem mesmo dava atenção ao que estava prestes a acontecer de acordo com May. Uma disputa romântica, a vassala nunca havia rido tanto quanto rio quando May falou isso a ela, pouco antes de seguir para a sua região. Tinha preocupações maiores do que uma ilusão romântica da princesa.

“Há coisas do passado que é melhor não remexer, imperador” O comentário de Yang ainda parecia muito misterioso para ela, não entendeu bem onde o velho queria chegar com aquilo. Havia sido essa a resposta dele quando acabaram entrando em alguns assuntos sobre o antigo imperador. Seja lá o que o velho quis dizer, sua expressão e mudança repentina de humor naquela hora deixavam claro que havia mais alguma coisa no passado que incomodava a ele.

Talvez fosse melhor conversar com May sobre isso, era melhor que ela soubesse. Lanfan estava decidida, comentaria com May sobre o ocorrido assim que ela voltasse para a capital.

~*~ quebra de tempo ~*~

Amestris, Resembool.

Eram recém 17:32 e a sala da casa já estava lotada de malas. Os rapazes viajariam para a central ainda no fim daquele dia, tudo que encontraram no casarão de Tucker havia sido entregue no inicio da tarde por um dos subordinados do General, “vantagem de serem os queridinhos do chefe!” De acordo com Jerso.

Winry suspirou, estava na sua oficina, consertando próteses mais para passar o tempo do que por necessidade. As duas quimeras na sala conseguia causar uma zona razoável com a animação deles, com Alphonse andando de um lado para o outro ficava pior, o que fazia da oficina o único canto mais silencioso da casa.

—Esse lugar vai voltar a ficar quieto... —Murmurou para si mesma, antes de deixar um pequeno sorriso aparecer e balançar a cabeça em negação ao voltar à atenção para a prótese a sua frente.

—Winry, viu a minha camisa vermelha? Eu não estou achando em lugar nenhum! —A voz de Edward soou do lado de fora, devia estar berrando isso do quarto.

—Se você não sabe como espera que eu saiba? —Winry berrou em resposta, sem tirar a atenção do auto mail em sua frente—Procura!

Houve um longo instante de silencio, conhecendo o loiro ele devia estar praguejando dentro do quarto e revirando tudo como um louco, não pode evitar o riso ao imaginar a cena. Mas, diferente do que imaginou, foi surpreendida com duas batidas na porta da oficina que a obrigaram a se virar para trás e ver quem estava ali, escorado no batente da porta, com apenas a parte de baixo do corpo vestida e os cabelos loiros molhados após um banho.

—Por que é a mesma que eu estava ontem. —Edward comentou, como se aquilo fosse o óbvio. E lançou um olhar desafiador para a loira ao ver o rosto dela se avermelhar ao encarar o peito desnudo dele, achou uma boa ideia provoca-la por isso prosseguiu dizendo, mais baixo dessa vez— E foi você quem sumiu com ela!

—Abusado. —A loira resmungou, desviando o olhar para qualquer ponto que não fosse o corpo do amado a sua frente antes de se levantar seguindo em direção da porta que ele ocupava a saída— Se eu achar, faço você engolir ela. — Ameaçou, com um bico que logo se desfez em um sorriso singelo e com um leve empurrão tirou o loiro de seu caminho.

—Vocês estão parecendo casados já. —Alphonse brincou ao ouvir a ameaça da cunhada para o irmão dele, o choque da noite anterior já havia passado sobrando agora muitas piadas a espera do momento certo para serem usadas— Só falta os meus sobrinhos...

—Você tá insistente nisso heim? —Edward comentou, o que tirou um sorriso vitorioso do mais novo.

—E vocês não estão negando! —Alphonse o provocou, mas o efeito disso foi muito maior em Winry do que no irmão. A loira estava vermelha dos pés a cabeça e como impulso tirou a chave inglesa do bolso a mostrando como uma ameaça para o mais novo que apenas engoliu em seco antes de rir da situação deles. —Não tá mais aqui quem falou. Mas sério Ed, vai colocar uma camisa!

—Que foi? Tá com invejinha do porte físico maravilhoso do seu irmão? —Edward brincou, viu Winry subir as escadas fugindo dali antes que lhe perguntassem algo. Afinal esse tipo de discussão sempre sobrava para ela resolver.

—Além de tudo convencido. —Alphonse suspirou, lançando um olhar reprovador para o irmão enquanto a cabeça balançava em negação—Ed, Ed... Não adianta “ser maravilhoso” e ser fraquinho! — provocou com certa ironia na parte do maravilhoso o que deixou o mais velho de queixo caído com a ousadia do mais novo.

Edward deixou um sorriso maldoso aparecer ao notar o olhar desafiador do irmão para cima dele, se queria lhe provocar era melhor ter feito direito! Sentou-se de frente para o irmão na cozinha e com o cotovelo apoiado sobre a mesa lhe lançou um olhar desafiador.

—Vamos ver quem é fraquinho? — Sugeriu os olhos mudando o foco do irmão para seu braço já em posição para a guerra.

—Não vou aceitar choradeira depois. —Alphonse o provocou, os olhos brilhando em desafio.

Tão concentrados que aqueles dois estavam em sua pequena disputa, mal notaram que certa plateia se formava um pouco mais longe. Onde Jerso e Zampano observavam juntos de Winry, já com a camisa do loiro em mãos e prestes a fazê-lo engolir ela, e Garfiel e Paninya que haviam acabado de voltar de Rush Valley e entraram silenciosamente na casa.

—Eu aposto no Al. —Jerso comentou deixando uma porção de moedas na bancada atrás de si.

—Edward. —Garfiel entrou na brincadeira, recebendo um olhar de estranheza das garotas ao seu lado— O que? Gosto de apostas! E você Win... Vai apostar em qual dos dois?

—Não me metam nisso! — Winry pediu, rindo baixinho para não chamar a atenção dos outros dois, preferia ficar apenas observando e depois zombar daquele que perder.

Por um instante Edward já se lamentava por ter escolhido queda de braço. Fizeram muito essa disputa quando haviam voltado para casa após o dia prometido e o mais velho costumava ganhar todas, mas se esqueceu de um grande detalhe dos últimos tempos. Alphonse já não estava mais fraquinho!

O corpo do mais novo já havia sido recuperado a alguns bons anos que foram generosos para o mais novo. Ainda mais contando o treinamento que teve em Xing, por May ser a criatura mais amável que existe Alphonse nunca imaginou que ela praticamente o torturaria nos primeiros dias em que lhe ensinou a Waindanshu e algum tipo de combate xinguês.

—Já esta desistindo, Ed? —Alphonse o provocou, o sorriso maldoso no rosto era mais um disfarce do que uma vitória, para ele a disputa também não estava tão fácil assim, mas não era como se fosse deixar o irmão notar isso.

—Nem brinca com isso. — Respondeu entre dentes, apertou mais a mão do irmão em um desafio claro— Que foi? Tá com medinho de perder?

Se Edward não tivesse provocado o mais novo com isso era provável ter uma chance de vitória naquela disputa. Estranhou ao ver o sorriso maldoso, quase diabólico do mais novo em sua direção e por um instante ficou em duvida sobre o que se passava na cabeça dele.

—Medo hã? —Alphonse começou, falando lentamente para dar certo suspense na conversa. Pelo canto do olho notou a presença da pequena plateia logo atrás e deixou um suspiro lhe escapar antes de prosseguir, sussurrando para que apenas o irmão ouvisse— Tenho medo é de ir dormir e acabar vendo sua bunda branca pra fora da coberta. Tá precisando pegar uma corzinha heim, Ed!

Edward empalideceu, entendendo perfeitamente onde o mais novo queria chegar. Deixou um sorriso amarelo lhe escapar, sentindo o parto do mais novo ficar mais firme e o sorriso do mesmo se alongar.

—Ainda posso retirar a aposta? — Garfiel questionou com um tom de certo desespero ao notar que iria perder, a única resposta que teve foi um balançar de cabeça em negação de Jerso.

Não levou muito mais do que alguns segundos para que Alphonse se aproveitasse da brecha que o irmão deixou para ele. A surpresa do mais velho com o comentário fez com que ele abaixasse a guarda e assim se tornasse mais fácil para que Alphonse tombasse o braço dele para o lado.

—Isso não foi justo. —Edward resmungou revoltado com o irmão— Você roubou!

—Tsc. — Alphonse estalou a língua no céu da boca ao ouvir a reclamação do irmão. Com os braços cruzados sobre o peito e o olhar repreendedor, Alphonse parecia estar dando bronca em uma criança levada— Eu disse que não ia aceitar choradeira.

—Corre. — Sugeriu, colocando-se em pé e lançado um olhar assassino para o mais novo— Vou te ensinar a não roubar em jogos com o seu irmão!

—Cuidado pra não acabar levando uma surra, Ed. — Winry comentou, rindo abertamente enquanto defendia o mais novo.

—De que lado você está? — O loiro questionou, observando enquanto Winry seguia para o lado de Alphonse com um sorriso debochado.

—Do lado vitorioso é claro. — a garota brincou, rindo da expressão de desgosto de Edward antes de jogar a camisa vermelha dele sobre seu rosto— Agora se veste, ou vou tirar os olhos da Paninya do lugar.

—Fazer o que se o cara tem braços bonitos? — a morena se defendeu tendo como resposta uma gargalhada da loira.

Edward mal havia notado a presença dos outros ali até que Winry fez aquele comentário. Bufou, meio contrariado pela derrota injusta, mas ainda sim um pouco aliviado pelos sócios da loira terem voltado tão cedo. Não precisaria se preocupar em deixa-la sozinha quando viajassem.

—Que hora nós vamos? — Edward questionou, encarando Zampano após vestir sua camisa.

—Se querem chegar ainda hoje temos que sair em uma hora. — a quimera respondeu, esquivando-se de um Garfiel chorão após ter perdido a aposta e estar atrás de consolo.

—Certo. — Edward concordou, seguindo em direção da escada— Vou terminar de pegar as coisas.

—Se a mala ficar muito pesada pode me pedir ajuda Ed. — Alphonse o provocou quando o irmão já estava na metade dos degraus.

—Vai te catar! — o mais velho berrou em resposta, podendo ouvir a gargalhada dos outros que assistiam a discussão. Seguiu seu caminho, resmungando baixo para si mesmo— Esse moleque tá ficando abusado.

~*~

Com as coisas já prontas Edward se deixou relaxar um pouco na cama, ainda tinha algum tempo até precisarem pegar a estrada para a cidade central. Ter que estar no terceiro laboratório já cedo no dia seguinte seria um problema a resolver, outro seria arranjar o hotel para ficarem. Duvidava que os alojamentos militares fossem ao menos um pouco confortáveis.

—Ed, o que tá fazendo escondido aqui? — Winry o questionou ao invadir o quarto do loiro e o encontrar jogado sobre a cama.

—Depressivo pela derrota. —Ele brincou, com uma expressão de falsa tristeza que não convenceu à loira. Lançou um sorriso malicioso para ela ao vê-la parada ao seu lado e enlaçou a cintura da mesma causando a queda da loira sobre si— Bem que podia me animar, né?

—Bobo. —Winry comentou, deixou um selinho rápido nos lábios do loiro antes de apoiar a cabeça em seu peito, ficando assim por uns instantes. Apenas deitada sobre ele que a abraçava fortemente, como se não quisesse deixa-la sair dali. — Quanto tempo vocês vão ficar na central?

—O necessário. — Respondeu calmamente, pode jurar que viu a loira conter um suspiro o que tirou um sorriso sacana dele— O que foi? Já esta com saudades?

—Idiota. — ela riu erguendo o rosto para encarar o dele, com uma expressão preocupada— Só estou me perguntando quanto tempo vai levar pra você quebrar a prótese de novo.

Ou quanto tempo vai levar pra eu me meter em encrenca ela quer dizer. Edward pensou ao encarar os olhos azuis da loira agarrada a si, sorriu de canto e deixou um beijo na testa dela, como se com aquilo pudesse tirar as preocupações de sua mente.

—Se quebrar juro que vai ser de propósito para fazer certa mecânica ir me ver. —Riu ao responder aquilo, apertando mais o abraço para evitar o puxão de bochechas que levaria por conta de seu plano— Relaxa, eu só estou brincando.

—Acho bom. — Ela resmungou, com o dedo indicador desenhando círculos invisíveis no peito do loiro sobre a camisa do mesmo— Vocês deveriam ir ver a Elísia... —Comentou pensativa por uns instantes.

—Concordo. — Edward sorriu maldoso para a loira afrouxando o abraço um pouco — E me vingar do banho de tinta que a miniatura de Hughes me deu!

—Não seja mal com ela! —Winry pediu, não pode evitar o riso ao se lembrar da bagunça que a mais nova causou da ultima vez que esteve ali— Se for, sou eu quem vai te fazer sofrer.

—Se for como ontem eu aceito. — sussurrou ao pé do ouvido dela, deixando uma loira extremamente vermelha e recebendo um puxão em suas bochechas logo em seguida.

—Você esta ficando muito abusado, rapaz! — Winry falou, logo que soltou as bochechas dele fez menção a se levantar, mas foi impedida pelo mesmo.

—Te amo. — Sussurrou ao pé do ouvido da loira que ficou sem entender o porquê daquilo assim do nada, e sentiu o rosto avermelhar quando sentiu um o loiro depositar um beijo em seu pescoço.

—Eu também te amo. — Respondeu, no mesmo tom de voz do loiro. Ajeitou-se melhor sobre ele, com seus rostos frente a frente e lhe roubou um beijo, calmo de inicio, mas sendo aprofundado com o passar do tempo. — Ed... Não pode ficar enrolando os rapazes pra sempre. — comentou ao se separar dos lábios dele, deixou um selinho rápido— Vem logo.

Mesmo que contragosto o loiro se ergueu junto de Winry, jogou a mala sobre o ombro com uma das mãos e com a outra enlaçou a cintura da garota impedindo que ela saísse do quarto antes de lhe roubar outro beijo.

—Agora da pra ir. —Sorriu travesso ao seguir para fora do quarto, assim que desceu junto da loira notou o sorriso malicioso do irmão para eles, podia ter certeza de que o mais novo o infernizaria a partir de agora.

Não demorou muito para que logo eles tivessem na estrada, com Zampano dirigindo já que ninguém ali queria se arriscar com Edward atrás do volante. Aos poucos a paisagem rural de Resembool foi sendo deixada para trás e as ruas mais pavimentadas iam surgindo, mas estranhamente os Elric tinham cada vez mais a impressão de que estariam perdidos.

Zampano ia discutindo com Jerso na parte da frente sobre atalhos que podiam pegar para chegar lá mais rapidamente o que trouxe desconfiança aos dois loiros mais atrás e um frio na espinha de Edward.

—O cara de sapo, porco espinho! Não vão fazer a gente se perder né? —Edward os questionou, notando que não conhecia a rota que os dois à frente haviam escolhido para seguir.

—Repense suas palavras, nanico. Eu sou o astro do volante! —Zampano se vangloriou recebendo um tapa na nuca do loiro atrás de si— Pra que isso?

—Por me chamar de pulga microscópica! —Edward reclamou, quase aos berros dentro do carro.

—Ele voltou ao normal! —Jerso comentou, gargalhando logo em seguida com seu próprio comentário.

Quanto mais se aproximavam da cidade central, mais Edward desconfiava da escolha de caminhos dos dois à frente. Cada atalho escolhido por eles acabava os levando para lugares cada vez mais estranhos, tanto que até mesmo Alphonse começou a estranhar aquilo.

—Melhor pedirmos informação... —O Edward sugeriu, não tirava os olhos da janela observando a escuridão do lado de fora, os prédios se tornavam apenas grandes sombras em meio à escuridão.

—Pra que? Nós já estamos na central. —Zampano comentou, como se aquilo fosse óbvio demais.

Alphonse abriu um pouco o vidro da janela ao seu lado, precisando conferir novamente o cenário do lado de fora. Zampano só podia estar confundindo as coisas, o lugar em que eles estavam não se parecia em nada com a cidade Central. Havia lixo espalhado em um canto de um beco mais a frente, os prédios pareciam precários e dignos de uma ordem de isolamento, mais a frente havia um bar onde parecia estar acontecendo algum tipo de briga.

—Se isso é a central, o que o Grumman tá fazendo? —Alphonse questionou incrédulo com a situação do lado de fora.

—Não é culpa dele. —Jerso o respondeu. Também encarava a janela enquanto Zampano diminuía a velocidade do carro, tentando sair dali sem chamar muita atenção. — Esse lugar é Nakawa, um dos bairros mais violentos. É difícil para qualquer um lidar com o pessoal daqui.

Alphonse apenas concordou com um aceno de cabeça, ainda era estranho para ele nunca ter entrado ali, mas pensando bem... Antigamente, ele e o irmão só ficavam pelo centro da cidade Central ou se revezando nos laboratórios em bairros mais nobres.

—Provavelmente o velho ainda vai deixar isso para o próximo Füher resolver. —Edward comentou em tom de brincadeira, mesmo que soubesse que tinha certo fundo real ali.

Grumman estava prestes a se aposentar, obrigado por outros ao em vez de por vontade própria, mas ainda assim iria. Era de se imaginar que fosse deixar alguns problemas não resolvidos para que o General lidasse com eles.

O bar que Alphonse havia visto mais cedo, ficava bem na sua linha de visão e como Zampano havia diminuído a velocidade isso facilitou para que o loiro conseguisse enxergar o que acontecia dentro do bar. Estreitou os olhos tentando ajustar a visão e ver alguma coisa sobre as cabeças das pessoas que observavam o que acontecia mais de perto, quando notou uma cabeleira ruiva no centro da multidão, puxou o braço de Edward querendo tirar uma duvida com o mesmo.

—Ed. —Alphonse o chamou já que só com o puxão o mais velho não havia lhe dado muita atenção, apontou pelo vidro na direção do bar— Me tira uma duvida... Nós conhecemos?

Edward levou um longo instante para entender o que o mais novo estava falando, ao olhar na direção que o mais novo apontava pode ver a briga dentro do bar evoluir tornando os xingamentos entre um homem gordinho e certa ruiva ainda mais intensos.

—Para essa lata! —Edward berrou, fazendo a quimera a frente frear rapidamente, fazendo os pneus deslizarem se arrastando no chão antes que o carro parasse bem na frente do bar — É a Julia.

O que a garota estaria fazendo em um lugar como aquele já de noite? Não sabiam dizer, mas ao ver que o homem com quem discutia já avançava em direção dela, alterado pelo álcool, não puderam evitar sair do carro e correr até onde a briga acontecia.

—Ei bolota! —Edward o chamou, querendo a atenção do bêbado que se agarrava no colarinho do casaco de Julia, que por acaso já tinha um corte no lábio inferior após um soco que recebeu do homem— Vem brigar com alguém do teu tamanho.

—Edward? —Julia questionou, sorriu ao ver o velho amigo ali. Podia não ter encontrado seu irmão ainda, mas já era um ponto para aquela ida até Nakawa tivesse tido seu valor.

—O namoradinho veio salvar ela. — o homem zombou afinando a voz como se falasse com um bebê. Pouco antes de voltar ela ao seu normal e arremessar Julia em direção de uma estante de bebidas — Então pega a vadia.

—Você vai pagar por isso. —Edward o alertou, irado com o que viu partiu para cima do homem entrando em uma briga violenta com ele ali dentro.

Alphonse por outro lado, aproveitando que o irmão tomou a briga para si, correu até onde Julia estava caída. Precisou empurrar algumas pessoas de sua frente antes de chegar até a ruiva, que parecia zonza após a pancada que levou.

—Julia, vem eu vou te tirar daqui. —O loiro comentou, falando baixinho para não chamar a atenção dos outros que tinham os olhos vidrados na briga mais a frente, onde Edward já espancava o bêbado.

—Q-quem... É você? —Ela questionou, meio confusa ainda e sem conseguir reconhecer o rosto do garoto a sua frente. Viu apenas o sorriso largo no rosto do loiro enquanto o mais novo a pegava no colo, visto que a ruiva ainda estava confusa demais para sair dali sozinha.

— Sou eu, o Al. — sussurrou em resposta para ela, com a ruiva já nos braços e seu sorriso se alongando ao notar o olhar surpreso dela sobre si.

Adorava quando esse tipo de coisa acontecia. Não a briga de bar ou estar carregando uma velha amiga ferida, mas a surpresa no olhar das pessoas ao ver que ele já não era uma armadura. Ao ver que conseguiram completar seus objetivos.

—Alphonse... — Ela o chamou, uma das mãos sobre o rosto do loiro que a carregava para fora dali tentando relacionar o rosto jovem e belo com a lembrança daquela armadura que conheceu. — Você está muito bonito.

—V-Valeu. — agradeceu sorrindo mesmo estando vermelho dos pés a cabeça com aquele elogio.

Levou a ruiva até o carro onde Jerso e Zampano esperavam prontos para partir dali o mais rápido possível quando Edward voltasse também. Encararam a ruiva com certa estranheza quando a viram, para alguém que acabou de levar uma surra em uma briga ela parecia calma demais. Ainda mais abraçada no loiro que estava vermelho com a aproximação da mesma.

—Isso vai dar uma merda... —Jerso sussurrou para o amigo ao seu lado que preferiu não comentar nada, apenas concordou com a cabeça enquanto via Alphonse ajudar a garota a entrar nos bancos de trás do carro.

Continua...


Notas Finais


E então o que acharam? quem ta com sdd da May ai? ashashahsa
kissus de amora <3


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