1. Spirit Fanfics >
  2. Em Meio Ao Caos (Fairy Tail) >
  3. Um Novo Amanhecer

História Em Meio Ao Caos (Fairy Tail) - Capítulo 18


Escrita por: Venusianna

Notas do Autor


Boa leitura, pessoinhas💜

Capítulo 18 - Um Novo Amanhecer


╰╮✾╭╯✯╰╮✾╭╯

– Lu-chan! – Levy deu um salto e pulou no pescoço da amiga, lágrimas brotaram em seus olhos, mas seu sorriso também estava ai.

– Levy-chan – A garganta da maga doeu, parecia ter feito uma vida desde a última vez que falara algo, além de estar sedenta por água, a boca seca que doeu quando ela sorriu para a baixinha, soube naquele momento que seus lábios estavam ressecados e rachados.

Passos apressados fizeram barulho contra o piso de madeira do lado de fora da enfermaria e a porta se abriu com um estrondo forte, com as dobradiças rangendo como se se esforçassem para segurar a porta de sair voando.

Lucy mal teve tempo de registrar cabelos brancos, vermelhos, azuis e tantas outras quando esses vultos coloridos dançavam em alta velocidade pelo quarto ou talvez ela que ainda estivesse muito lenta. Metal frio acariciou a lateral de seu rosto quando o cheiro de campos de morango lhe invadiu as narinas a dor do choque contra a armadura só veio depois.

– Nunca mais assuste a gente assim! – A voz de Erza fez vibrar todo o corpo magro da maga estelar.

Ela viu os próprios braços finos abraçarem seus amigos e se assustou com a magreza. Estava em pele e osso apenas e também muito pálida. Afrouxando seus braços ao redor deles, Lucy observou as próprias mãos e seu semblante ficou um tanto quanto preocupado e até melancólico.

Aos poucos o calor deles foi diminuindo, haviam se afastado, mas apenas para se sentarem ao redor dela.

A loira olhou ao redor e sorriu para eles, sorriu verdadeiramente, aliviada por todos estarem bem e embora um lampejo de lembranças tenham lhe atingido, ela não deixou a culpa transparecer.

– Por quanto tempo eu dormi?

– Uns... Sete meses – Mirajane falou com doçura segurando uma das mãos de Lucy que arregalou os olhos com a ideia de que passou 7 meses em coma e pior, ter 7 meses de aluguel atrasado, isso lhe causou arrepior de medo – Mas não importa, Lucy. Você acordou.

Juvia se aproximou com um copo de água em uma mão e uma jarra em outra e ofereceu o copo à loira que o aceitou com um aceno de agradecimento antes de esvaziar o copo rapidamente.

– Ah, me sinto fraca só de pensar no quanto terei que trabalhar para pagar sete meses de aluguel... aquela velha vai me matar. – Choramingou.

– Não se preocupe com isso, Lu-chan. Gray, Natsu, Erza e eu fizemos alguns trabalhos extras para manter seu aluguel em dia e nós, garotas, nos revezamos para manter seu apartamento limpo.

– Ah, meninas... Obrigada. Vou compensar, prometo!

– Por enquanto, recupere-se, loira – A voz de Gray veio da entrada. Lucy o viu de braços cruzados e sorrindo, encostado no batente da porta. Gajeel, que estava logo ao lado dele, soltou um “Gi hi”.

Seus amigos, companheiros, todos estavam felizes, mas ainda tinha gente faltando. E logo que Lucy inspirou ar para falar, a maioria fora embora, inclusive os garotos. Conforme iam e se afastavam, ela ouvia suas vozes.

– Ela é um homem forte!

– Lucy é mulher, Elfman.

– Cara, finalmente ela acordou, imagino como será que aquele fosforo ambulante voltar.

– É bom que ela já esteja um pouco recuperada, Gi hi.

– Elf-nii, já que Lucy já acordou, a Mira-nee vai estar livre hoje, que tal comermos curry?

– Curry é coisa de Homem!

– Gray-sama! Espere Juvia!

– Vou comemorar bebendo! E assim que ela se recuperar, vai comemorar comigo!

Lucy riu com aquilo e olhou para as três garotas que permaneceram ali. Erza, Levy e Mirajane.

– Quero que me digam tudo o que perdi, mas antes devo um pedido de desculpas para todos.

– Lu-chan, não foi sua culpa. Afinal você não se lembrava de nada.

– Eu lembro agora, Levy. Lembro de tudo. Fiquei tão aliviada de ver vocês todas vivas e aparentemente sem sequelas e... – A imagem de Natsu todo ensanguentado se arrastando no chão surge na mente dela e aquilo a faz gelar – Natsu. Onde ele está???

– Calma, Lucy. Ele está vivo e muito bem. Saiu em missão com a Wendy, eles foram atrás de algo para tentar te acordar, logo estarão de volta.

Com a informação que Erza calmamente lhe deu, a loira suspira e deita na cama, respirando fundo de alívio, seu peito apertado ao pensar se ele teria mudado naqueles 7 meses, se teria conhecido alguém.  Seus olhos castanhos recaem sobre a cintura de Erza, mas logo ela desvia o olhar e senta, colocando os pés no chão, mesmo sabendo que não conseguiria sair andando como se nada tivesse acontecido. Respirando fundo quando Mirajane e Levy sentaram-se, uma de cada lado e Erza puxou uma cadeira para ficar de frente à Lucy. E assim as três contaram o que havia acontecido para a loira e ela lhes contou suas memórias, ao menos algumas delas.

 ╰╮✾╭╯✯╰╮✾╭╯

Lucy

A semana passou lenta, Natsu e Wendy ainda não tinha voltado, mas ao menos eu já conseguia andar, Porlyusika usou sua magia para acelerar minha recuperação, agora eu só precisava comer bem e continuar caminhando para voltar ao ritmo. Todas as tardes alguém me acompanhava para uma caminhada por Magnólia, as meninas se ofereceram para irem comigo e acabou que chegamos à conclusão de que intercalar seria melhor para todos. Para elas eu estava treinando apenas de tarde, mas desde que voltei para o meu apartamento pedi que Gray me acompanhasse secretamente durante a manhã, o que foi cerca de dois dias depois de eu ter acordado e recebido a visita da curandeira da Fairy Tail. Pedi isso à ele, pois todos me mandavam repousar e o único que entendia minha pressa e agonia de ficar em forma logo era ele, por vezes Gajeel trocou de lugar com Gray, apenas para que o mago do gelo pudesse pegar alguma missão rápida, afinal eu jamais pediria que ele deixasse o trabalho de lado por mim, ou qualquer um de meus companheiros.

Com Gajeel, as caminhadas eram bem silenciosas, quando ele não decidia ficar cantarolando algo. Sinceramente, sinto falta de andar sozinha, mas prometi não andar por ai desacompanhada desde que tentei e minhas pernas me traíram, fiquei sentada no chão lutando para me levantar até que Erza me achou. Ganhei uma surra verbal de todas as garotas da Guilda.

Acordei em minha cama, o sol ainda não tinha surgido no céu. Decidi que era hora de tentar sozinha, mas levaria as chaves, caso algo acontecesse, poderia pedir ajuda de Loke.

Após estar devidamente pronta, saí. As ruas ainda estavam com pouco movimento, preguiçosamente ganhando ânimo. Sentei em um café e pedi um croissant e um cappuccino, estavam deliciosos não mais que a comida de Mira, mas eu quis um tempo para mim dessa vez. Mentalmente anotei o nome do lugar, voltaria aqui com Levy quando fôssemos falar do meu livro. Meu livro... eu estava 7 meses sem escrever uma única palavra, sequer lembro da última coisa que escrevi... tenho quase certeza de que uma nuvem de tristeza estava sobre mim, pois ouvi alguém cochichando sobre eu parecer estar de luto.

Depois de comer, segui meu caminho, andando distraidamente até a guilda. Quando entrei, notei que sequer estava cansada, as caminhadas duplas já surtiam algum efeito, ainda que mínimo, e minha aparência estava um pouco melhor. A cor voltou para minha pele, as olheiras sumiram e meu cabelo voltara à ter o brilho de sempre, ainda estou bem magra, mas nada que uma boa alimentação não vá resolver com o tempo, voltarei ao meu esplendor!

 Fechei a porta atrás de mim e segui em direção ao balcão onde vi Mirajane arrumando bolos, tortas tonéis de bebida.

– Bom dia, Mira-san!

– Lucy! Bom dia, vejo que veio sozinha hoje. Despistou seus guarda-costas? – Nós rimos.

– Decidi tentar vir sozinha hoje, já faz uns três dias que parei de tropeçar e cair, achei que poderia dar conta de vir até a guilda.

– Fico feliz que chegou inteira.

Soltei uma risada animada que ecoou pela guilda ainda vazia.

– Sim. Ah, Mira, quer ajuda para arrumar essas coisas?

– Se tiver certeza de que dá conta, eu aceito.

Sorri para ela e recebi seu sorriso de volta. Contornei o enorme balcão comecei à colocar copos, pratos e talheres no lugar, evitei pegar muitos de uma vez, seria desastroso cair e quebrar toda a louça da guilda, além do trabalho que daria para Mirajane.

Arrumamos as coisas falando sobre as últimas notícias das revistas. Em algum momento comentei que li sobre estarem suspeitando de que Laxus arranjou uma namorada, o viram comprando flores e chocolates e na hora virou fofoca, afinal ele será o próximo mestre da Fairy Tail, além de ser jovem e bonito, então o que não falta são pretendentes. Quando mecionei sobre isso, vi que Mira ficou quieta e me amaldiçoei na hora.

– Mira?

– Hã? Oi?

– Você ainda gosta do L– Ela pulou em mim com uma mão tampando minha boca.

– Shhhh.

Fiquei paralisada, não esperava essa reação dela, me senti ser puxada para de baixo do balcão e fui sem resistência, não que fosse adiantar se eu tivesse alguma.

– Lucy – Sussurrou ela. Eu a encarei, sem fazer som algum – sou eu. – Provavelmente ficou evidente na minha cara que eu fiquei confusa, pois ela suspirou rindo – Eu e Laxus...estamos juntos.

Soltei um gritinho e ela tapou minha boca de novo, mas dessa vez me desvencilhei e abracei, Mira estava toda vermelha, muito fofa.

– Desde quando? Como aconteceu? Por que não me disse antes?

– Shhhh, Lucy, fala baixo ainda é segredo.

Tapei minha própria boca e ela riu. Mirajane abraçou os próprios joelhos, um sorriso apaixonado apareceu em seu rosto, as bochechas ainda rosadas. Aquela cena aqueceu meu coração. Fico tão feliz por uma de minhas amigas estar tão feliz assim. Sempre vi um clima entre eles, mas nunca pareceram mostrar nada intencionalmente para nós da guilda.

– Lucy, lembra no dia que o Natsu... bom... ficou daquele jeito?

– Sim, me lembro, foi aterrorizante vê-lo daquela forma. O que tem, Mira?

– Bom, depois que vocês dois fugiram da guilda... – Quis me enterrar, achei que ninguém tivesse notado, mas subestimei os poderes de observação dela, com certeza a Levy deve ter notado também – Laxus me chamou dizendo para eu ir ao segundo piso para-

Um estrondo ecoando pela guilda a fez se interromper e nos levantamos rapidamente, ou ao menos eu o fiz. Já de pé ouvi passos duros se aproximando do balcão e pareceram aumentar bruscamente a velocidade, mal tive tempo de me virar quando braços me puxaram por cima do balcão. Com o susto, esperneei e gritei, acertei chutes, socos e puxões nos cabelos macios de meu sequestrador.

– Ai, Luce! Isso dói! Para, sua maluca! – Ao ouvir a voz, eu parei, me virei o quanto o abraço forte em minha cintura permitia – Doida!

Dei-lhe um belo soco no topo da cabeça quando ouvi a palavra, ele me largou ali em cima do balcão e se afastou esfregando o lugar em que eu o havia acertado. O encarei, procurei ferimentos, mas não havia nada, ele estava totalmente inteiro, sem pensar duas vezes, praticamente pulei de onde estava sentada no balcão e envolvi meus braços em seu pescoço o abraçando com força, ele pareceu hesitar, provavelmente estranhando sua agressora o abraçar. Sorri com o rosto enterrado no cachecol, finas lágrimas de alívio irromperam de meus olhos, mas também senti pontadas fortes de culpa ao me lembrar dele todo ensanguentados e semimorto no chão irregular banhado por seu sangue. Apertei meu abraço e senti ele abraçar de volta, parecia não saber o que fazer, mas não o culpo.

Quando o abraço dele finalmente se consolidou em mim, ouvi sua risadinha baixa bem na orelha e seu hálito quente me fez ficar toda arrepiada.

– Falei que íamos te trazer para casa.

– Sim – sussurrei contra o tecido.

– Eles se goxxxxxxxxtam! Mira! Olha olha!

Senti o rosto esquentar e me virei, mas ver que Happy estava bem e sem medo de mim, depois de tudo... o puxei pelo rabo, ouvi seu grito desesperado que ficou mudo quando apenas o coloquei no abraço entre mim e Natsu. Achei que fosse ter resistência, mas Happy se agarrou à minha blusa rosa e começou à chorar alto entre nós, que apenas nos abraçamos mais.

– Luxy, não assusta mais a gente assim! – Os soluços e a voz chorosa me fizeram demorar um pouco para entender, mas sorri com carinho.

– Não vou, não se preocupe, aquilo não vai mais acontecer.

Ouvi Natsu dar uma risadinha e concordar comigo. Os abracei com mais força e segurei as lágrimas que ainda queriam descer.

– A propósito, me contaram que foram buscar um meio de me acordar. Que fofo.

Olhei para o rosado e pisquei um dos olhos, rindo. Meu riso apenas aumentou quando o vi ficar sem jeito e cambalear para trás, sua mão saiu da minha cintura, mas eu ainda os segurava. Happy também ficou meio desconsertado com meu tom brincalhão e provocador.

– Luxy! Você tinha que ver, o Natsu ‘tava chorando toda noite!

– Eu????? Era você quem deitava no travesseiro da Luce e passava a noite toda choramingando! Faz meses que não durmo direito!

– Waaaaa! I-isso não é verdade!

Não aguentei. Tive que solta-los para me apoiar em uma mesa, ou cairia de tanto gargalhar da discussão boba deles. Minha barriga doía e meus olhos lagrimavam, mas não conseguia parar de rir. Ambos me olharam, sorrindo e por um momento tive certeza de que nada tinha mudado, ao menos até uma mão gentil tocar meu ombro.

– Lucy?

– Sim?

Me virei. Harumi e Alex atrás de mim, ambos me olhando com certo receio, até que pulei neles e o abracei forte.

– Fico feliz que vocês dois estejam bem!

– Fico feliz que se lembre de nós – Disse Alex em uma meia risada que expressava sua surpresa.

Nos separamos e Alex deu um beijo em minha testa, Harumi colocou uma mão de cada lado do meu rosto e me puxou para perto, ela estava amassando minha cara e eu ia reclamar, mas me detive quando a vi chorando, então apenas a abracei, ela sabia que eu a tinha perdoado.

Natsu apareceu atrás de mim, parecia meio desconfiado, mas ele e Happy disseram que depois de terem me “exorcizado”, Harumi também voltara ao normal. Que ela pediu tantas desculpas que Natsu e Gajeel quiseram arrancar as orelhas. E que explicou à todos brevemente sobre o pequeno baú que achara e em como aquilo havia invadido seu corpo e mente, mas não lhes disse que isso foi a cerca de 300 anos atrás.


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Até o próximo capítulo.💜💜


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...