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História Em Meu Pequeno Mundo - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eae pessoal, voltei, desta vez com uma longfic e se preparem porque vem polêmica (Adoooro, rsrs)
Esse da imagem é o Serafim e vai ser nosso querido protagonista ♡
Então, esse conto vai ter uma série de novidades tanto para o autor aqui, quanto pra vocês leitores aí (Espero que seja agradável para todos)
Minha primeira capa original, estou orgulhoso de mim mesmo!

Observações:
→ A maior parte dos lugares que vão aparecer na história são reais.
→ Eu não vou obedecer o clima da data que aparecer(Fiquei com preguiça de pesquisar, rs).
→ Esse primeiro capítulo é apenas uma introdução, ou seja, acrescentei o conflito para que o resto se desenrolasse depois (Eu sei que é meio óbvio, porém eu achei que ficou muito triste para um começo, ainda assim é necessário, então, não me abandonem logo de cara, pfv).

Capítulo 1 - Capítulo I


Fanfic / Fanfiction Em Meu Pequeno Mundo - Capítulo 1 - Capítulo I

 Bem, sou Serafim. Este é meu vigésimo quarto ano de vida. Moro em uma cidade economicamente importante na região metropolitana de São Paulo chamada Santana de Parnaíba. Minha residência se encontra em um condomínio de elevada classe, Tamboré 11. Obtive a melhor educação que o Brasil pode ofertar, incluindo aulas extracurriculares tais como de música e esportes.

Minha literacia é invejável e, embora meu pai buscara, em incansáveis tentativas, me induzir a seguir carreira semelhante a dele, o amor pela cozinha predominou. Acabei por me formar em gastronomia, após quatro anos de exímia dedicação.

Infância dos sonhos, adolescência pacífica e uma vida promissora a se seguir. Acreditam que minha vida seja perfeita não é mesmo? Sim... em certo período fora, em realidade. 

 Meus pais sempre foram o meu lar. A minha terra firme. O meu bem maior. É esplêndido imaginar como pessoas tão grandiosas se aproximaram. Lourenzo Tavares Garcia, homem forte (em todos os sentidos), sempre rodeado por negócios, paixão herdada pelo pai e um senso de proteção impressionante. Verônica Lobos Alencar, mulher determinada e de personalidade marcante, quem a conhecia jamais a esqueceria. 

Porventura, ambos com idades simultâneas. E posteriormente a anos de amor e prazer, nascera eu. Serafim Lobos Garcia.

E lá estava eu, iniciando o ano de 2019 no velório de minha mãe. Ela conseguia ser majestosa até mesmo após sua morte. A garoa pairava sobre todo o ambiente, como lágrimas sublimes. Os guarda-chuvas se reuniam em uma coreografia melancólica.

Não fora um evento extravagante, minha mãe considerava insustentável a ideia de um aglomerado de pessoas cercando o seu corpo desvanecido. Por esta razão haviam apenas um ou dois ex-colegas de seu emprego e a nossa família. Meu pai, minha tia Agata (irmã mais nova de mamãe), seu marido Carlos e eu. Todos inconsoláveis.

Quando a minha vida perfeita começara a ser ameaçada?

Me recordo o momento que pode ser classificado como o início do fim: Outubro de 2017.

Mamãe estava indisposta, não consiguiu ir ao trabalho, então repousava no sofá assistindo programas de televisão. Eu havia regressado antes do horário rotineiro pois o restaurante onde trabalho estava em obra. Ao mirar a sua face notei que se encontrava muito abatida. Isto era preocupante, afinal Verônica era uma mulher forte e alegre, ninguém contrariava isso.

— Boa tarde Serafim. Chegou cedo hoje, está tudo bem? — Ela falou calma, não tirou os olhos de seu entretenimento e tamborilava tenuemente em seus fios capilares bem definidos.

Mamãe nunca gostou de prender o cabelo, e geralmente acreditava que cabelo curto seria mais apropriado para uma advogada (função que sempre amou exercer), por fim decidiu estabilizar um corte chanel, segmentado em uma ampla quantidade de cachos babyliss.

— Sim mãe, estão reformando a cozinha. — Respondi desabando ao seu lado. — A senhora que não está nada bem, não é?

— Eu pensei muito e eu quero que me acompanhe até o hospital. — Disparou ela.

— Suspeita de algo?

— Não... porém eu não estou nada satisfeita com minha saúde ultimamente.

— Quer ir agora? — Questionei. Meus pais sempre me ensinaram que quanto mais breve o problema é detectado, mais provável seria que este tivesse solução.

— Eu aguardava o seu pai sair da empresa para me levar, entretanto você surgiu antes. Logo, não vejo empecilhos. — Se levantou ajeitando o vestido.

As irmãs Agata e Verônica eram famosas por amarem vestidos. Agata, desfrutava de cores leves e estampas discretas. Verônica, se aprofundava em tons escuros e opacos.

— Vamos em seu carro ou no meu?

— No seu. Não estou em condições de dirigir.

Rapidamente nos locomovemos de nosso condomínio até um hospital próximo ao centro da cidade. Em cerca de 30 minutos, mamãe se explicou para o médico e realizou exames. Incluindo o de sangue. A droga do exame de sangue.

Disseram que em uma semana os resultados estariam prontos. Receitaram um fármaco para encobrir o mal estar dela. Eu imaginei que aquela sensação poderia ser simplesmente resquícios de stress. Afinal enfrentar um tribunal não era uma tarefa singela. Droga de exame de sangue

Mal reparei que o tempo correu. Jantamos em família, como de costume, e minha mãe explicou para o meu pai que visitara um profissional de saúde. E saiu como um fato comum, sem relevância. Papai fez perguntas tais como "Por que não me esperou?" ou "Demorou muito?".

Na noite anterior à chegada dos resultados, mamãe aparentava melhora. Retornara ao seu estado de espontaneidade. Comemos peixe empanado e arroz pilaf, que eu preparei. Para realçar os sabores, um cálice de vinho do porto para cada um.

— Meu exame fica pronto amanhã. — Citou enquanto bebericava um pouco do líquido escuro.

— Quer que eu te acompanhe? — Meu pai sugeriu, limpando a boca com um guardanapo.

— Não será necessário, estou me sentindo ótima. — Sorriu e finalizou sua dose de uma vez. 

 Eu somente pude contemplar a graça de ter os meus pais tão unidos. Nada prepararia meu pai, minha mãe ou eu para o que ocorreria no dia seguinte.

Me consumo em melancolia apenas de tocar a memória. Foi um dia alegre no restaurante. Meu chefe garanhão recebera seus amigos (igualmente atraentes) ao passo que, minha melhor amiga Jaqueline e eu, analisamos cada um deles enquanto servíamos os mesmos. Recebemos saudações do pequeno grupo de galãs e nos despedimos com um abraço. Subi em meu carro e finalizei mais um dia de trabalho. Se eu pudesse, travava a minha vida naquele instante e recomeçava, em um ciclo interminável.

Estacionei rapidamente e entrei pela porta principal. A visão não foi nada agradável. Minha mãe chorava em ritmo frenético. Meu pai a consolava, contudo mal conseguia conter as próprias lágrimas. Soube que a situação era alarmante pois ambos não perceberam quando apareci.

— Mãe?...

Oh... filho, sua mãe não está nada bem. Ela precisa descansar. Você entende? — Meu pai me encarou nos olhos. Raramente se mostrava tão vulnerável. O que me deixou mais aflito.

Concordei com a cabeça e assisti em silêncio ele levá-la para o quarto. O seu choro era contínuo e intenso.

Sentei-me no sofá, em uma área próxima da qual meus pais se retiraram. O meu nervosismo persistiu e passei a massagear o joelho, eu odiava não saber o que estava acontecendo. Principalmente com meus pais. Comecei a formular teorias. Problemas financeiros? No emprego? Algum acidente? ... Problemas de saúde? 

Talvez fosse exatamente isto.

A droga do exame de sangue.

Olhei para os quatro cantos do cômodo, escutando o tique e taque do relógio da cozinha ao lado.

Esse mistério era horrível...

Tique

A minha mãe estava doente?

Taque

O que o exame dizia?

Tique

Droga de exame de sangue.

Taque

Mirei o chão e vi um envelope do hospital abandonado. Fitei por um tempo digerindo tudo o que acontecia. Peguei com cautela e puxei o que seria o resultado do exame. Então, o choque.

O teste sanguíneo constava anomalias nas células brancas e plaquetas e com uma análise minuciosa foi possível concluir que se tratava de um caso avançado de leucemia. Câncer.

Eu não me segurei. Me desmanchei em um lamento calado e profundo. Naquele exato momento notei que minha vida e a de minha família nunca mais seriam as mesmas.

Nas semanas seguintes, meu pai e eu travamos uma luta contra a resistência de mamãe para sair da cama. Ela não queria saber de nada nem de ninguém. Explicamos que ela tinha que retornar ao médico. Foi extremamente doloroso testemunhar seus prantos de como aquilo era injusto.

Porém ela cedeu. Outras semanas dolorosas de exames invasivos prosseguiram. Minha valente mãe estava com leucemia mielóide aguda. Descobriram que a doença progredira por ao menos 3 anos sem que fosse perceptível. Apesar da série de notícias trágicas, havia uma luz no meio de tamanha tragédia. Uma faísca que ligava minha mãe à vida. Os especialistas relataram que havia uma parcela de chances da minha mãe se curar. Custaria tempo, todavia valeria o esforço. Após uma duradoura reflexão, mamãe aceitou a briga com o câncer.

A quimioterapia ocorria às segundas, quartas e sextas. Ela aparentava estar animada com a possibilidade de se curar. Porém, se submeteu à situações que não a agradaram em nada, particularmente o afastamento do cabinete onde trabalhava. Seu superior, um homem muito gentil por sinal, fez questão de afastá-la para que se recuperasse, além de garantir que seu emprego estaria a salvo até que ela pudesse retornar ao posto.

Ele chegou ao ponto de reunir um grupo de funcionários e levar um bolo ao hospital, durante uma das sessões de quimioterapia, com a frase "Queremos Vc de Volta!" confeitada por cima. Me lembro que minha mãe chorou quando foram embora. Talvez ela sentia medo daquela ser a última vez que encontraria seu pessoal. Sinto o pesar deste medo ter se concretizado.

Esse mesmo homem apareceu durante o velório.

Os meses seguintes representaram melhora no quadro clínico. Ainda que não pudesse trabalhar, mamãe estava satisfeita. A primeira metade de 2018 nos deu a esperança necessária para prosseguirmos. Eu estava pensando em um pequeno evento para comemorar meus 23 anos. Minha mãe adorava confraternizações. Pequenas, mas repleta de significados. Restava apenas uma semana para o dia 24 de Junho chegar (dia do meu aniversário) e mamãe contraiu pneumonia.

Por certo tempo, as visitas foram interrompidas, afinal a imunidade dela estava prejudicada. Por sorte, dois dias antes de eu completar 23 anos, os médicos a tiraram do isolamento. Passei o meu aniversário todo no hospital, ao seu lado, rindo e chorando, de acordo com o tema da conversa.

Mesmo presa à cama, ela tinha poder de me surpreender. Meu pai chegou durante a tarde com uma caixa de bolo. Era azul com uma fita amarela. Imediatamente reconheci onde foi preparado e quem o produziu.

— Eu telefonei para Isabel. Pedi o seu sabor favorito. Chocolate e mousse de cereja. — Ela disse vitoriosa. Sua peruca replicava fielmente os seus cachos.

Isabel era uma confeiteira que morava do outro lado da cidade, entretanto meus pais sempre a cativaram. Ela fez a maioria dos meus bolos de festa, e todos eram mais que deliciosos.

— Eu estava excessivamente preocupado em destruir o presente, porém vejo que ele está inteiro. — Meu pai comentou, descansando o bolo sobre uma mesa ao lado da cama. — Feliz aniversário filho!

Lourenzo é um homem corpulento. Quase dois metros de altura e musculoso. Seu abraço me envolvia completamente. E eu só podia me entregar ao enlace, afinal era muito confortável. Um toque forte era tudo o que eu precisava naquela situação.

 Isso é um dos fundamentos de minha criação. Minha mãe em todas as ocasiões me impulsionou para que eu fosse mais forte a cada vez, aprendesse com cada decepção e encarasse de frente qualquer situação adversa. Em contrapartida, meu pai estava disponível para ajudar com a parte sentimental, quando eu queria chorar, recorria ao seu ombro, quando eu estava feliz, buscava contar tudo para ele. A harmonia era perfeita. Segundo os meus amigos, meus pais invertiam os papéis. Eu pouco me importava. Estava feliz com isto.

— Não esqueça que você é o dono de seu pequeno mundo. — Mamãe falou mais tarde, depois de cortarmos o bolo. Meu pai precisava fechar um contrato e já havia se retirado.

— Como assim? — A questionei. Ela não costumava me dar sermões.

— Eu só estou reafirmando algo que você reconhece muito bem. Você decide como vão ser as coisas... caso eu não supere...

— Mãe! Não! — A privei de pressupor uma ideia que me perfurava o peito somente pela existência. — Você tem que se preparar para receber alta, sair daqui. Vamos passear, talvez ir à praia... — Tagarelei devido ao nervosismo.

— Filho, preste atenção, por favor. Você sabe que minhas chances não são grandes. Os médicos deixaram bem claro.

— Não... — Segurei o choro. — Eu não vou permitir que me deixe. Que deixe o meu pai...

— Eu não desejo ir, meu bem. Mas um dia eu vou. E caso esse dia esteja iminente, quero que cuide de você e do seu pai. Em seu pequeno mundo, tem que proteger o que é seu e o que quer manter nele.

As lágrimas não me obedeceram e desmoronaram. Minha mãe me acolheu e no restante da noite prevaleceu o silêncio.

Desacreditei que a vida dela podia estar na reta final. A possibilidade era estapafúrdia ao meu ver. Entretanto, nossa fé foi completamente abalada em Novembro daquele ano. Outra infecção, desta vez mais séria, acometeu seu intestino. Foi quando revelaram que o tratamento não estava surtindo efeito.

Me desesperei. Minha mãe somente encarou o chão, sem conseguir olhar qualquer um diretamente. Meu pai se calou com a mão, transbordando sem gerar som algum. Um dos piores momentos de minha vida.

O tempo passou voando. Lourenzo, homem de negócios, pouco concentrava-se em algum assunto desta área. Tudo o que fazia era tratar minha mãe como alguém da realeza (um nível a mais de intensidade do que costumava fazer). Pediu um tempo de sua empresa e colocou um substituto de confiança por período indeterminado.

Eu continuei frequentando o meu emprego. Era um refúgio para não me concentrar no que mais me alfinetava. Meu chefe galã era demasiadamente compreensivo, por este motivo consegui passar mais tempo com minha mãe. 

Conversávamos nós três, normalmente, sobre assuntos banais, que não envolvessem remédios, doença ou dinheiro.

Ela foi ficando fraca. Observando, impontente, sua saúde minguar. O ano de 2018 se acabou e ela estava acabada. Contemplamos os fogos de artifício da janela do quarto. Tia Agata e seu marido também estavam presentes. 2019 se iniciou bem. É realmente inconsolável que minha mãe viveu por apenas 6 dias deste ano.

Ela adquiriu pneumonia novamente, desta vez bacteriana. Enquanto meu pai e eu nos desesperávamos à medida que ela adentrava a emergência do hospital numa cadeira de rodas, minha mãe massageava o meu rosto com um sorriso fraco e os olhos praticamente fechados.

— Meu menino... — Sussurrou roucamente.

— Eu te amo mãe! — Eu disse em tom inaudível.

Papai se descontrolava ao descrever a situação para o médico. Foi necessário um calmante para que ele aguardasse pacientemente as notícias. E após minutos, explicaram que minha mãe estava internada em tratamento intensivo.

Ela simplesmente dormiu. A doença progrediu rapidamente e se disseminou para o sangue. E ela nunca mais acordou. 

7 de Janeiro de 2019. Estava eu desolado, destruído, perdido... inconsolável. O corpo gelado de minha mãe coberto por aquele véu. Eu não sabia o que fazer. E a única pessoa que se sentia igualmente desalentada era meu pai. Eu o encarei, ele retribuiu o meu olhar e correu para me ter em seus braços. Choramos unidos por longos minutos, ao passo em que os outros presentes nos cercavam sentindo a pesada nuvem de tristeza se formando em nosso entorno.

Partimos para casa logo após o funeral. Meu pai dirigiu de volta para a casa na mais profunda mudez. Eu choramingava olhando a paisagem do caminho. Chegamos em casa e nada falamos. Meu pai sentou-se no sofá e murmurou algo que não pude compreender. De repente, pensei em álcool. Um violento desejo de beber cresceu em minha garganta. Sabia naquele instante que, caso eu encontrasse uma garrafa de bebida em minha frente, beberia até eu dormir.

— Filho. Venha cá, por favor. Tenho que lhe contar uma coisa. — Meu pai me convidou com batidinhas ao seu lado.

Enxuguei o restante da umidade salina de minha face e realizei o pedido. Sorri em sinalização para que ele continuasse.

— Por acaso se lembra que te falei de meu irmão?

— Me lembro sim.

Raramente esse assunto era tratado em casa. Meu pai não se animava muito em falar sobre. Por esta razão, eu ao menos podia lembrar do nome deste homem.

— Ele virá morar conosco. Chegará aqui nos próximos dias.

Me surpreendi. Ao ponto em que conhecia a história, esse meu tio, o qual eu desconhecia totalmente, morava na Espanha e odiava redes sociais, além de manter pouco contato com meu pai depois que viajara. Tudo isso fazia com que para mim ele fosse um estranho. Eu somente necessitava de minha cama, porém não obteria descanso com a curiosidade crescente.

— Por quê? Ele está com problemas? — Indaguei sutilmente.

— Pois bem, ele me disse que estava pensando em regressar ao Brasil. Que abandonara a empresa de sabonetes pois a sua cabeça explodia a cada dia a mais naquele lugar. Ademais, me disse que queria nos ajudar com o problema da Verônica. — Fez uma pausa para reprimir o escândalo de lágrimas que queria libertar. Mas eu sabia que meu pai não era do tipo que soltava de uma vez e pronto se recuperava. Ele liberava sua dor com intensidade leve e continuava desta forma por longos períodos. Isto tornava qualquer sofrimento bem mais danoso do que realmente era. Porém, era seu jeito de lidar com estes episódios.

— Como ele poderia ajudar? — Questionei, contudo me arrependi instantaneamente por soar indelicado.

— Ele queria se aproximar de nós... bem, seu tio e eu já fomos muito próximos. — Respondeu em timbre nostálgico. — Ele gostaria de se unir à família novamente. Eu estava relutante com a ideia devido às nossas desavenças do passado. Mas com tudo que viera a ocorrer eu mudei de ideia e resolvi aceitá-lo.

— Isso é bom. — Afirmei, agradecido por meu pai não se afetar mais com o tom de minha pergunta. Ou ao menos não demonstrar isto.

— Ele imagina encontrar ela... todos bem. — Disse dificultosamente. — Porém, eu vou atualizá-lo sobre tudo e falar um pouco mais de você.

— Tudo bem pai. — Respondi me elevando, me preparando para desabar em meus aposentos.

— Filho... tente ser compreensivo. E gentil. — Meu pai se elevou para me fitar de frente. Eu era obrigado a elevar a minha cabeça para devolver o olhar. — Quer ficar aqui comigo? — Se ofereceu para que eu pudesse chorar, colando-me em seu peitoral grosseiro.

Eu o abracei novamente. Derramando mais uma temporada de lágrimas e umidecendo o tecido de seu casaco.

— Eu quero ficar sozinho. Por um tempo. Vou para o meu quarto. — Me desfiz o abraço. Ele demorou para se distanciar por completo, esticando o braço para perpetuar o toque.

— Filho, se você quiser...

— Tudo bem pai. — O mirei fugazmente e corri para o meu quarto. 

Eu mandei um e-mail formal para o meu superior para explicar que minha mãe havia falecido. Ele ligou diretamente no meu celular, para dar seus pêsames e me avisar que eu receberia duas semanas de recesso. Eu não pude fazer mais que agradecer imensamente.

Não falei para ninguém mais. Queria distância do meu celular e de meu notbook. Nesse momento não queria contato humano qualquer. Muito oposto a isso. O que mais me reconfortaria seria o isolamento. Eu me cobri e chorei, a cefaleia permanecia e eu irrelevava sua presença, continuei a lagrimejar até líquidos saírem das minhas narinas e a intupirem. Chiei baixinho, me virei para a parede e desejei viajar no tempo. Nascer de novo. Ou quem sabe morrer junto à mamãe. Qualquer coisa para passar a dor. Todavia, o único fenômeno que consegui foi o de cair no sono. 

 Acabara de perder a minha mãe. E não fazia ideia de como reagir. Eu só desejei veemente que algo ocorresse. Qualquer coisa...


Notas Finais


Não demorei muito neste capítulo porque era somente uma apresentação de todo o drama, mas conforme o conto for se desenvolvendo os capítulos vão ficar maiores :)
Estou ansioso para escrever o próximo :')
Beijões e até lá ˙♡˙


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