História Em segredo - Capítulo 8


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Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Keith, Lance
Tags Klance
Visualizações 73
Palavras 2.499
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, meus queridos e minhas queridas! Vocês pediram mais um capítulo, então, aqui está! Espero que gostem!
No mais, até o próximo (que provavelmente deve ser o último.... ou o penúltimo, vai depender da minha cabeça doidinha).

Um beijo e um queijo procês!

Capítulo 8 - Sobre gratidão e dívidas contraídas


Os cinco leões que formavam Voltron coloriram o céu violáceo de Ydrisa, e Pina suspirou longamente ao vê-los. Com as mãos finas pressionadas contra o peito, assistiu às incríveis máquinas rodopiarem enquanto se aproximavam do solo e sentiu seus lábios se curvarem num sorriso assim que pousaram num terreno não muito distantes do palácio. Ao lado dos seus pais, caminhou até a enorme mandíbula do Leão Negro e se curvou ligeiramente ao ver o líder dos paladinos deixar a impressionante nave. Ticks depois, todos os paladinos e seus acompanhantes já estavam em solo ydrisiano e eram calorosamente recebidos pelos habitantes, que aplaudiam e festejavam a presença dos guerreiros mais uma vez no planeta.

Ao vê-los, sentiu uma vontade muito grande de se aproximar e contar-lhes sobre tudo o que havia sucedido após a última visita deles – sobre como sua vida em Ydrisa havia mudado para melhor, sobre como, agora, tinha mais liberdade não apenas para conversar com os próprios pais e poder ter amigos de verdade, mas para viver.

Agora, ela era feliz. E, finalmente, aprendera a sorrir.

Sentia que devia todas essas conquistas aos paladinos e ao conselheiro Coran, que fizeram com que seus pais percebessem o quão infeliz a princesa Pina era.

Estava ansiosa, e a ansiedade que experimentava por muito pouco não a fez correr por entre a multidão e se aproximar dos guerreiros, enlaçando cada um deles num abraço muito apertado e repleto de gratidão. Se obrigou, contudo, a se conter, e contida, esperou até o momento certo. E foi assim, esperando, que começou a observar uma coisa ou outra.

Todos os paladinos estavam nitidamente exaustos, o que já era esperado, pois ouvira histórias do quão grandiosas haviam sido as batalhas contra o exército galra, e por isso fez questão de pedir a um serviçal ou outro que deixasse as acomodações de todos eles o mais confortável possível. Notou também que, apesar do perceptível cansaço estampado nos rostos de cada um dos paladinos, todos pareciam felizes.

Todos, com exceção de um.   

Lance.

Porque o paladino Lance, o mesmo cujo sorriso lhe encantara tanto daquela primeira vez, não tinha mais o brilho nos olhos. Não tinha mais o semblante alegre. Não tinha mais o sorriso perfeito. Os olhos azuis dele estavam estranhamente vazios, seu semblante não mais reluzia de alegria e seu sorriso...

Seu sorriso estava defeituoso tal qual o dela fora um dia.

Naquele instante, Pina soube que havia algo de errado ali e, movida pela curiosidade e pela vontade de ajudar o paladino, decidiu que ele seria o primeiro a quem iria abordar.

Foi apenas após quase uma varga e meia que a princesa conseguiu se aproximar do piloto do Leão Vermelho. Vendo-o se afastar dos demais e seguir até onde ficariam hospedados, a ydrisiana acelerou o passo e pôs-se a segui-lo, alcançando-o uma fração de tick antes dele poder entrar no quarto para repousar.

— Paladino Lance, espere! — Ela pediu e viu Lance parar de supetão em frente a porta do cômodo.

Com um suspiro cansado, ele olhou na direção dela.

— Princesa Pina — Disse com uma voz que era tão estranha quanto aquele olhar vazio que a assustara a princípio. — Como vai?

— Eu estou muito bem — Respondeu a princesa com sinceridade e deu mais alguns passos na direção dele, encurtando a distância que os separava. — E isso devo a vocês. É por isso que estou aqui. Para agradecer. Tanto por salvarem o universo quanto por me salvarem. Depois de tudo o que aconteceu na última vez que vieram a Ydrisa, muita coisa mudou na minha vida. Meus pais perceberam o quanto o estilo de vida que me impuseram estava me entristecendo e... e, depois de muito diálogo, resolveram mudar um pouco as coisas por aqui. Hoje, posso dizer que sei o que é felicidade, pois a experimentei e continuo a experimentá-la todos os dias.

Ele demorou um pouco para respondê-la. A fitou por alguns ticks e, após o que pareceu ser uma breve hesitação, disse:

— Que bom. Fico feliz por você.

Só que ele não parecia nada feliz, e se dar conta daquilo fez o coração de Pina doer.

— Agora, princesa, se me der licença — Prosseguiu o paladino e apontou para dentro do quarto. — Vou deitar um pouco. Estamos viajando há dias sem parar, e eu estou exausto. Preciso dormir.

Ele fez menção de entrar no quarto, mas Pina o deteve.

— Lance. Há algo errado com você. O que é?

As palavras dela o fizeram estremecer. Com a testa franzida e os olhos endurecidos, ele a encarou.

— Como é que é?

— Eu sei reconhecer um sorriso defeituoso em alguém, porque eu mesma cultivei um por muitos anos. Todos os outros paladinos parecem esgotados por causa da guerra, porém eles estão felizes. Mas você está triste. Por quê? — Disse ela, e o semblante de Lance se fechou ainda mais. — O que aconteceu nesse meio tempo que apagou a felicidade que antes brilhava forte em seu íntimo e transbordava do seu olhar? Por acaso isso teria alguma coisa a ver o paladino Kei-

— Pare — Ele a interrompeu bruscamente, e Pina se calou na mesma hora. Verdade seja dita, ela fechou a boca com tanta rapidez que por muito pouco não mordeu a língua. — Pina, é sério. Pare, por favor. Deixe isso pra lá, está bem? E deixe o Keith em paz dessa vez. Não se aproxime dele.

Havia um rancor preso à voz dele, às palavras, e aquilo tudo deixou Pina se sentindo pior do que antes.

— Você não me perdoou — Murmurou a princesa, e Lance massageou os olhos. — Paladino Lance, por favor, eu juro que o que acontec-

— Eu sei. Foi um acidente. Foi tudo um acidente. Você cometeu um erro e... e... eu sei, eu entendo. Acredite em mim quando digo que entendo, porque eu também vivo cometendo erros — Com o semblante não mais endurecido, mas sim cabisbaixo, quase derrotado, Lance sussurrou tão baixinho que ela quase não o escutou direito: — Não é você quem eu não perdoei. Eu... eu não perdoei a mim mesmo.

Quando ele entrou no quarto, ela não impediu. Também não o impediu quando ele fechou a porta e a deixou sozinha no corredor, tendo como companhia apenas o eco daquelas palavras sussurradas que ela quase não foi capaz de escutar.

E que não foi capaz de compreender.

Por que Lance não se perdoaria? E, talvez o mais importante: por que se culparia pelo que aconteceu? Essas eram perguntas que Pina não conseguiria responder sozinha. Se quisesse respostas, ela precisaria de ajuda. E já tinha até mesmo uma certa ideia de quem poderia ajudá-la. Afinal, quem melhor para explicar a ela o que aconteceu com a felicidade de Lance do que a própria causa dessa felicidade?

Dessa forma, ignorando o pedido do paladino para que não se aproximasse de Keith, ela foi justamente procurar o indômito líder de Voltron.

~Voltron~

Não foi difícil encontrá-lo. No entanto, conseguir um momento a sós com o piloto do Leão Negro foi praticamente impossível.

Keith estava sempre à vista, mas também estava sempre acompanhado, ora pelos demais membros da equipe, ora por uma galra de aparência perigosa, ora por um humano de cabelos brancos e rosto marcado por cicatrizes. Ficou à espreita e tentou várias maneiras de se aproximar. Pensou em inúmeros planos para surpreendê-lo e chegou a armar uma pequena tocaia, mas nada parecia dar certo. Gastou quase três quintants nessa tentativa de se encontrar a sós com ele, e teve todas as suas tentativas frustradas. No quarto dia de estadia dos paladinos em Ydrisa, recebeu a notícia de que eles partiriam em breve, muito provavelmente no dia seguinte, e ficou desalentada, achando que havia perdido sua chance.

Isso até ser abordada inesperadamente pela mulher galra de aparência ameaçadora.

— O que quer tanto conversar com Keith? — A galra perguntou, e Pina se sentiu congelar. Paralisada, não foi capaz de responder, e a galra continuou: — Está há dias nos seguindo e lançando a ele olhares estranhos, mas nunca se aproxima. Por quê? Por acaso está tramando alguma coisa?

— O quê? Não! Não! — Quase gritou, horrorizada. — Não queria passar essa impressão. Juro!

A galra arqueou uma sobrancelha.  

— Então... por que está fazendo isso? Está me parecendo bem suspeita.

— Queria conversar com ele, só isso.

— E por que não o fez até agora? Teve dezenas de oportunidades.

Pina fitou o chão, envergonhada.

— É que... considero que a conversa que gostaria de ter com ele um assunto bem pessoal. Preferiria conversar a sós com o paladino Keith. Mas parece que perdi minha chance. Hoje é o último dia de vocês em Ydrisa. Irão partir amanhã bem cedo.

Uma expressão desconfiada ocupou o rosto da galra por alguns instantes, mas logo se dissolveu, sendo substituída por uma que era suave e ligeiramente divertida.

— Assunto pessoal, hein? — Ela riu, e Pina sentiu suas bochechas enrubescerem. — Vou te dizer uma coisa, menina. Recebi ordens de não o deixar sozinho, mas acho que, uma hora ou outra, vou acabar me afastando um pouco por alguns doboshes. Não acha?

Pina piscou, confusa.

— Desculpe, eu não entendi... Você vai se afastar...? Por alguns doboshes?

A galra riu de novo.

— Claro — Deu de ombros, num falso ar de tanto faz. — E, nesse meio tempo, alguém poderia se aproximar dele e trocar uma ideia ou outra. Não poderia? Acho algo bem provável de acontecer.

E Pina, por fim, entendeu o que ela estava querendo insinuar. Com um sorriso enorme, assentiu freneticamente.

— Com certeza! Alguns doboshes, sim! Sim! Seria mais que suficiente. Muito obrigada.

— Ah, deixa disso — Respondeu e deu as costas à princesa, se afastando aos poucos. E então, parou de repente e fitou a ydrisiana por cima do ombro. — Só não ofereça nada a ele, certo? Ouvi dizer que ele é muito fraco para as bebidas do seu povo.

Pina tornou a assentir, sua cabeça balançando tão rápido para cima e para baixo que seu penteado trançado começou a se desfazer. Ajeitando algumas mechas loiras atrás da orelha, disse solenemente:

— Nunca cometeria esse erro de novo. Prometo. O paladino Keith ficará bem. Você tem a minha palavra.

~Voltron~

Como a galra dissera, Pina conseguiu seu momento a sós com Keith. O encontrou no jardim aos fundos da propriedade real, recolhendo alguns gravetos no chão e os atirando ao longe, para que um grande animal de pelo azul marinho os pegasse. Assistiu à brincadeira por um tempo, ou melhor, até que o paladino percebeu a sua presença.

— Princesa Pina — Disse ele, o rosto tranquilo. — Deseja alguma coisa?

Ela sorriu.

— Você se lembrou do meu nome — Disse, e ele riu um pouco. — Da última vez, tinha esquecido.

— Acho que minha memória melhorou de lá pra cá — O paladino respondeu com um sorriso gentil enquanto acariciava o pelo escuro do animal ao seu lado.

— O que é ele? — Pina perguntou. — Nunca vi uma criatura assim antes.

— O nome dele é Kosmo. Ele parece um lobo, um animal que existe no meu planeta natal. Acho que é tipo um lobo espacial. Não sei a qual espécie ele pertence de verdade, mas, para ser sincero, não me importo muito. Ele é meu amigo, e isso é o que realmente importa para mim.

Keith continuou acariciando o pelo do animal, e Pina, após mordiscar várias vezes o lábio, viu-se esticando a mão à frente e tocando de leve a criatura. Riu quando encostou a ponta dos dedos no pelo de Kosmo.

— É tão macio — Comentou e, sentindo-se mais corajosa, se ajoelhou ao lado do lobo espacial e mergulhou a mão comprida num tufo de pelo sedoso. Kosmo lambeu a mão dela e emitiu pequenos sons de satisfação. — Que graça! Parece ser tão manso.

— Conheço muitos galras que iriam discordar de você — Keith disse, seus lábios torcidos num sorriso que era um pouco só maldoso.

Pina o observou por um momento e, após se levantar, ficou de frente para Keith.

— Você mudou muito em tão pouco tempo. É incrível — Falou e o olhou dos pés à cabeça. — Está mais alto, mais forte, mais... maduro, eu acho. E seu rosto — Levou uma mão pálida ao rosto de Keith e traçou a cicatriz na bochecha dele com o polegar. — Sua equipe não parece ter envelhecido um único dia, mas você, paladino Keith...

— O tempo passou diferente para mim — Respondeu. — Eu estive preso num abismo quântico, que, por sinal, foi onde encontrei meu amigo aqui. Para o universo, apenas um dia ou dois se passaram, mas, para mim, foram dois anos inteiros. Acho que isso explica as mudanças — A ydrisiana fez que sim, e Keith coçou a queixo. — Você tem a memória boa, princesa... para se lembrar de tantos detalhes. Impressionante.

— Não é memória. Como absorvi um pouco da sua quintessência da última vez que nos vimos, sua imagem ficou presa em mim. Mas... sua imagem de antes, de como você era quando te conheci. E, por falar nisso, não tive a oportunidade de te pedir perdão pessoalmente pelo que fiz. Você quase morreu e... e foi culpa minha.

— Não, não foi culpa sua. Coran me explicou o que aconteceu. Você não tinha como saber que aquela bebida me faria mal.

A resposta dele a tranquilizou, e Pina respirou aliviada, sentindo-se mais leve por finalmente conseguir se desculpar cara-a-cara com o paladino que quase matara. As próximas palavras dele, contudo, a deixaram bem intrigada.

— E que negócio é esse de quintessência que você falou? Você absorveu um pouco da minha quintessência? Como assim? Quando fez isso?

— Desculpe... você não sabe? Acabou de me dizer que Coran te explicou o que houve. Deve ter te falado então sobre a habilidade do meu povo e... ...e sobre o que eu fiz.

Keith enrugou a testa, estando nitidamente confuso.

— Que habilidade? E o que foi que você vez?

— Você não sabe mesmo? Mas eu achei que... que... mas como é possível? Eles não te contaram? Por que esconderiam isso?

— Olha, princesa, eu realmente não faço ideia do que você está falando. Tudo o que eu sei é que você me ofereceu uma bebida que é fatal para humanos, e que eu só sobrevivi porque sou metade galra. Por quê? Não foi bem isso o que aconteceu?

— Talvez — Ela sussurrou, não sabendo ao certo o que dizer.

Não sabendo ao certo nem o que pensar.

Aquela era sim uma parte da história. Mas só isso mesmo. Apenas uma parte. Uma parte minúscula. E Keith não merecia saber apenas uma parte de uma história que acontecera com ele.

Não, não era justo.

Não sabia o que levara os paladinos a esconderem do próprio líder a verdade. Sabia apenas que não poderia permitir que Keith continuasse sem saber o que de fato se passara com ele.

— Se quer saber, não foi bem isso o que aconteceu, paladino Keith. Mesmo sem querer, acabei por atentar contra a sua vida e, portanto, considero que tenho uma dívida com você. Uma dívida eterna. Por isso, não posso permitir que siga sem saber a verdade. Sem saber o que eu realmente fiz.

E, assim, ela revelou tudo a Keith.

Tudo mesmo.

Sem poupar detalhes.



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