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História Em Um Piscar de Olhos - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Oi!! Sou eu aqui, de novo. :)
Não demorei nadinha, puts que vitória.
Espero que você goste desse capítulo e espero também que não deixe de apreciá-lo pelo fato de conter uma cena triste, assim como o próprio título já diz.
Obrigada por tudo!

ps: desculpe qualquer erro, são quase duas da manhã e eu não pude me segurar mais tempo pra postar esse capítulo.

Capítulo 10 - À comédia, o seu paradoxo


Regina não chegou a se importar muito com o fato de não terem usado camisinha, até porque pelo o que Tina falava, seu irmão não era de pular de galho em galho quando se tratava de mulheres. Mas não sigam esse exemplo de acreditar que alguém não tem uma vida sexual ativa, afinal de contas, além de não ter certeza sobre o fato anterior, um indivíduo pode ser portador de algum tipo de DST sem ao menos ter consciência disso, o que não é o caso dos personagens em questão, mas poderia. Protejam-se.

Além disso, também não se importou com o fato de ficar grávida depois da relação desprotegida que tiveram, pois ela já tentara engravidar através de um doador anônimo, mas não fora uma experiência da qual gostava de se relembrar, por conta dela trazer consigo uma sensação paradoxal àquela de alegria no peito. Uma vez que, fora nessa época que seus dias não foram regados de seus melhores momentos.

A médica dela recebera alguns exames que ela pedira para que fizesse, antes de partirem para o processo com o qual Regina sonhava há muito. Entretanto, no dia do retorno, a jornalista sentiu que seu corpo instantaneamente pesou ao pisar na clínica, como se o mundo tivesse descarregado, de uma vez, algo bem em cima dela, como se estivesse a avisando que algo aconteceria dali alguns minutos, mas não entendeu muito o porquê daquela repentina sensação.

Assim que entrara na sala, a doutora explicara a ela sobre cada um dos exames que estavam em cima da mesa, ao menos aqueles que eram de Regina. Um deles, ao que a paciente entendeu, mostrava que ela não chegaria a ser infértil, mas as possibilidades da fecundação dar certo eram quase nulas.

Depois de muito discordar da médica e de muito se negar a acreditar que não poderia tão facilmente gerar uma vida, ela saiu do local abrindo mão de um futuro que, a partir daquele momento, sentira que já não era mais seu.

Nesse dia, Regina desistira de muitas coisas, principalmente do seu sonho de ser mãe.

Passara dias chorando, em seu próprio luto interno por conta de uma aspiração sua que, até onde sabia, nunca chegaria a acontecer. Algumas pessoas diziam a ela que seria possível aprender alguma coisa com a dor que sentira naqueles dias, mas nada acontecera além de dias regados a incontáveis choros e lamentações vindos de si. Ela sentia que nenhuma dessas pessoas entendia realmente o aperto o qual se instalava dentro de seu peito, a cada pensamento de um objetivo que estava distante demais para ter esperanças.

Não gostava de se lembrar desse momento, afinal de contas, mesmo que isso tivesse acontecido há um tempo, ela não conseguia evitar a tristeza que corria em seu ser ao cogitar a ideia de que, nos dias atuais, ela poderia estar com seu filhinho de cinco anos nos braços, fazendo coisas que pais costumavam fazer pelos seus filhos.

A mulher olhou para o loiro, depois de dar uma funda respirada.

- Robin, eu estou limpa, então desde que você também esteja, nós não teremos problemas. – ele percebera que seu semblante havia mudado. Percebera também, que o brilho antes fazendo morada nos olhos dela, tinha ido embora. Há uns dias atrás, se alguém o dissesse que chegaria a sentir falta de ver os olhos de Regina brilharem, ele riria até nunca mais.

- Eu estou, mas... Regina? – ela olhou para cima e fechou os olhos, evitando não sentir tanto aquela sensação esquisita que se apossava de seu corpo toda vez que tocava no assunto. Hoje em dia ela procurava não chorar mais por conta disso, não se permitia sentir por uma coisa que havia acontecido há muito tempo, mas incontrolavelmente aquela sensação voltava de vez em quando. E ela sabia que não conseguiria evitar de contar a ele.

Voltou seu olhar para o loiro em sua frente.

- Sim, Robin.

- Você não está preocupada com isso aqui? – ele fez um gesto circular, imitando uma barriga cheia, em seu próprio corpo. A mulher rira com pesar, achara graça do gesto de Robin, entretanto, preferiria mil vezes ter noventa e oito por cento de chance de engravidar, do que ter chances quase nulas.

Seus olhinhos começaram a brilhar novamente, mas diferente de remeterem à algo bom, brilharam à tristeza. – Eu não consigo engravidar. - ela deu de ombros e continuou, ao perceber que ele ficara triste por ela. – Está tudo bem, algumas pessoas só não foram escolhidas pra isso. - apesar dela se demonstrar indiferente, ele sabia pelas expressões naquele rostinho, que ela sentia muito mesmo aquela situação.

Ele não precisara falar nada para mostrar a ela que estava ali caso precisasse. Puxou-a para um abraço e, assim como seu coração, o abraço também estava apertado como nunca. Sentira a dor mascarada de Regina no mesmo segundo que ela olhara para cima.

- Pense pelo lado bom... – ele acariciava os fios macios dela, enquanto a envolvia num abraço tranquilizante. – Você não terá que se preocupar sobre ter que limpar catarro de criança birrenta. – ela riu levemente, da piada que o loiro fizera.

- Robin... Se você ao menos soubesse o quanto eu gostaria de poder fazer isso... – ele soubera que ela iria continuar a falar e não a interrompera. – Eu já tinha escolhido até nomes, sabe?

- E quais seriam eles? Se me permite perguntar.

- Se fosse menininha, se chamaria Enola, e se fosse um menininho, se chamaria Roland. – ela fungou. – Há uns anos, antes de eu descobrir tudo, cogitara a ideia de ter até mesmo os dois, ou quem sabe até três, para fazerem companhia um ao outro quando eu não estivesse mais aqui... – sua voz fora diminuindo o tom ao chegar no término da frase. Ela precisava pausar no meio de algumas palavras, para que conseguisse proferi-las sem titubear. Se começasse a falar sobre isso desenfreadamente, desabaria bem ali, nos braços dele, dentro de seu abraço. – Já tinha pensado em como seriam os quartos e tudo mais. Mas tudo foi por água abaixo, literalmente. – fez uma analogia da ideia de suas expectativas terem se esvaído, com os choros que a fizeram companhia durante muito, muito tempo.

- Eu sinto muito por isso. De verdade. Ninguém merece ter seus sonhos distantes demais desse jeito. – fechara os olhos e deu um beijinho na cabeça dela. Em seguida, colocou o rosto dela entre suas mãos e a olhou profundamente, afagando suas bochechas. – Mas, veja bem, tenho certeza que a vida ainda vai te presentear muito, viu? Você é bem insuportável, preciso admitir... – ele brincou e ela riu, finalmente, dissipando um pouco daquela tristeza. – Mas não merecia passar por nada disso, ninguém merece.

- Eu sei... – respirou fundo e saíra do abraço dele. Não aguentaria se segurar por mais tempo se acabasse ficando por ali, permitindo que sensações se apossassem dela. – Mas, tudo bem, isso já passou. Já passou. – ele sentiu que ela estava tentando falar que eram águas passadas para que ela mesma acabasse, algum dia, acreditando naquilo.

- Por falar em já ter passado... Você viu o filme que saiu há um tempo? – ela sabia que ele estava tentando desviar o assunto, para ajudá-la a pensar em outras coisas.

- Robin, você precisa ser mais específico. - ela revirou os olhos e sorriu, tentando dissipar e esquecer o momento anterior.

- Era um filme futurístico, Regina. Todo mundo vivia num mundo com a política de uma criança por família, mas um avô acabou indo contra essa política e tratara de cuidar das sete netas que ele tinha. Sabe? Aquele que tem sete meninas iguais com os nomes dos dias da semana. – gesticulava enquanto falava.

- Na verdade... – ela franziu a testa tentando pensar sobre – Acho que não.

- Ótimo. Você come sanduíche?

- Comeria sempre se pudesse.

- Então você vai me ajudar a fazer alguns.

- Você endoidou de vez? – cruzara os braços enquanto o assista dar as costas a ela.

- Não.

- Robin... Eu preciso trabalhar. Não piso na editora há uns dois dias.

- Regina, ontem foi domingo, por que você iria trabalhar no domingo? – ela se sentiu envergonhada ao deixar escapar que era viciada em seu trabalho.

- Porque... Oras, eu não sei, você faz perguntas muito difíceis. – bufou e cruzou mais ainda os braços.

- Responder o porquê de você ir trabalhar num domingo é fácil. Faz assim, - ele se virou para ela e apertou suas bochechas. – eu não faço nada além de trabalhar porque sou uma chata sem graça. - imitou-a.

- Tire a mão daí. – ela fez um gesto brusco na mão dele, que saiu sorrindo à cozinha junto a ela.

- Você precisa de uma folga, baixinha.

- Robin, mas me responde, se você é um cozinheiro, pra que precisa de ajuda pra fazer isso?

- Ninguém trabalha sozinho, Regina. – organizou cada coisa no balcão.

- Eu sei, mas é um sanduíche...

- Tá bom, então lá na sua casa você faz sozinha, aqui tem companhia pra isso.

- Não está mais aqui quem falou. – levantou os braços em sinal de rendição. – Estúpido.

- Insuportável.

- Quer que eu faça o quê? – ignorou o xingamento dele e apontou para as coisas no balcão, enquanto ele lavava algumas alfaces.

- Duas duplas desse pão de forma, qualquer coisa fazemos mais depois.

- Posso fazer igual a Tina e xeretar aqui dentro? – disse assim que terminou de empilhar as duas duplas.

- Pode, só não quebra nada porque você já se machucou esses dias.

- Eu não vou quebrar nada, deixa de besteira. – a mulher andava pra lá e pra cá fuçando em todas as gavetas que estavam ao seu alcance, até que encontrou seu objetivo. – Achei! –

- Regina, não. – ele, que depois de lavar as alfaces começara a separar os presuntos, virara para trás e a vira segurando uma faca enorme em suas mãos. Sabia que ela não tinha muita experiência com cozinha e prontamente se preocupara com a segurança dos dois.

- Robin, sim.

- Pra que você quer uma faca?

- Você vai ver. – ela chegou perto dos pães e pegou dois deles para tirar a borda. Eles estavam lado a lado, praticamente colados, e Robin olhara para cima, pedindo por paciência. Afinal de contas, ela não come a borda do pão por que, meu Deus? – Viu, Robin, o pão fica mais gostoso assim. Você que cozinha deveria saber disso.

- Abaixa essa faca.

- Sabe, às vezes acho que você deveria cozinhar umas coisas e deixar ali em casa.

- Regina, a faca.

- Comer comida congelada faz bem? Estou pensando em comprar algumas, o que você acha? – ela mal percebera que estava falando sozinha e gesticulando com uma faca daquele tamanho em mãos e Robin, ao tentar tirá-la dela, levou sem querer a sua mão de encontro com a dela, fazendo o instrumento cair, mas sem antes deixar de raspar na parte de dentro da mão dele.

O objeto fez um barulho ao cair no chão que eles mal notaram, tamanho foi o susto. - Porra! Regina, falei pra soltar a faca. – ele segurou seu pulso com a mão direta, enquanto a outra pingava sangue.

- Robin! Foi sem querer! Puta que pariu, o que a gente faz? E-eu... Está doendo? – ee devolveu um olhar fuzilante para ela, que se calou no mesmo momento, depois de pedir desculpa. – Me desculpa...

- Pega uma caixa vermelha no meu banheiro, por favor.

- Que educado falando por favor uma hora dessas, eu xingaria. – dissera enquanto saía da cozinha.

- Eu ainda consigo te ouvir.

Regina não demorou dentro do banheiro dele, porque a caixa era extremamente visível, e voltou correndo para a cozinha.

- E agora? – ele, que já tinha passado água no ferimento, analisava se precisaria de ponto, mas ao seu ver estava superficial demais.

- Vou fazer um curativo provisório, amanhã eu vejo isso melhor.

- Mas vai infeccionar se você não cuidar disso direito, Robin. – ela dissera como se ele fosse burro e como se já não soubesse disso.

- Ah, não me diga. – grudou um band-aid mediano na mão e começou a envolve-la com o tecido.

- Cala a boca. – ela guardou aquilo que ia na geladeira em seu devido lugar, e deixou o pão para que Robin guardasse depois.

- Você me corta e eu que preciso calar a boca? – ao terminar o curativo, colocou uma mão na cintura, enfrentando-a.

- Sim.

- Sinceramente. – ele fora pra sala e se sentara no sofá, ligando a televisão e colocando no filme sobre o qual comentara mais cedo, antes de ter sua mão coberta por aquele líquido quente e vermelho.

- Vou poder me sentar aí com você, ou ainda tá bravo por eu ser um desastre na cozinha?

- Senta essa bunda aqui logo, antes que eu me arrependa. Deus, por que me deras uma vizinha tão difícil de lidar? – lamentou.

- Até parece que eu dou difícil assim, você é duas vezes mais.

Ela se sentou no sofá e se acomodou. Em seguida, ele pegou uma manta que estava por ali para cobri-los. Apesar de estarem em uma estação quente, o dia e o apartamento estavam frios.

Assim que o filme começou, eles tão logo se envolveram com o filme que colocaram. Algumas vezes ela fazia perguntas a ele, para que confirmasse suas teorias sobre os próximos minutos do filme. Entretanto, Regina havia largado a caneca na mesa de centro e chegara mais perto de Robin, aconchegando-se perto dele.

- Se você contar pra alguém que eu estou me aconchegando em você, eu vou ser obrigada a te largar numa vala durante à noite.

- Eca, você está me abraçando. - ele fingiu uma careta e fingiu se espremer nos bracinhos dela. Diferentemente de uns dias atrás, agora quem precisava tomar cuidado com a própria mão, era ele.

- Idiota.

- Eca... – bufou e revirou os olhos.

Ela sorriu e, dois minutos depois, caíra no sono. Acabara por ficar tão relaxada perto dele, que dormira sem ao menos perceber. Sua respiração suave tranquilizava Robin porque ele sabia que, naquele momento, a tristeza de mais cedo tinha ido embora, ao menos por um tempo, e isso o ajudara a acompanhar a mulher em seu sono. Os dois ficaram ali durante horas, dormindo aconchegados, como se a vida deles dependesse daquilo, por mais que passassem horas e horas discutindo e proferindo blasfêmias um ao outro.

Diante da relutância deles, mais por parte dela do que dele, em aceitar que sentiam alguma coisa um pelo outro, seus corpos como forma de vingança inconsciente, ficavam cada vez mais à vontade quando estavam perto.


Notas Finais


Espero que tenha gostado, escrevi com muito carinho! <3

Link das minhas outras histórias:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/backstory-18398171
https://www.spiritfanfiction.com/historia/the-basics-of-love-9742661

Te vejo no próximo. :)
Mwah! <3


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