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História Ember - Capítulo 1


Escrita por: LadyBuug

Capítulo 1 - Depois desse tempo todo


Já fazia muito tempo desde a última vez em que esteve ali, naquele cais, esperando pela balsa que os levaria até a Ilha Ember, lar de tantas memórias de infância e adolescência.

—Está mesmo tranquila? Sabe que não precisamos ir até lá...— Disse Mai se aproximando da amiga com cautela.

—Tranquila não é bem a palavra.— A guerreira contorceu o rosto mantendo o olhar fixo no horizonte por onde a balsa se aproximava lentamente.— Estou tentando não pensar muito nisso, mas parece que vou explodir a qualquer momento.

—Ty — A mais alta se posicionou na frente da outra, obrigando-a a olhar diretamente para si enquanto segurava-lhe os ombros.— Eu sei que a última vez em que se viram não foi muito boa, com todo aquele lance de apodrecer na masmorra, coisa e tal... Mas confie em mim, Azula não é mais a mesma.

—Urgh, isso que me enlouquece!— Ty Lee afastou as mãos alheias de seus ombros e deu passos para trás, visivelmente incomodada.— Ela mudou. Eu mudei. E me incomoda saber que não acompanhei nada dessa mudança. Passei esse tempo todo te mandando cartas e mantendo contato, mas com ela não foi assim. E se ela ainda não tiver me perdoado?

—Ei, garotas, não quero interromper o papo, mas a balsa chegou.— Disse Zuko, usando um bermudão de banho e um chapéu espalhafatoso de palha. Não havia mudado muito desde a adolescência.

Aquela viagem para a Ember estava planejada já fazia algum tempo, antes de Ty Lee conseguir suas férias das Guerreiras Kyoshi, desde que Suki deixou o grupo e entrou para a guarda de Cranfish toda a responsabilidade ficou para a Lee. Essas férias eram mais do que merecidas e estava tudo preparado para ser perfeito, isso até receber a notícia de que Azula seria a anfitriã nesta viagem.

Não estava preocupada com surtos agressivos ou coisas do tipo, Zuko estava tranquilo e até ansioso para ver a irmã, então não havia motivos para Ty Lee se preocupar com isso também, seu problema era outro.



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Ao chegarem na ilha foram direto para a casa onde constumavam passar os verões na infância, a antiga casa de veraneio que agora era a moradia fixa da princesa do Fogo. Ainda não havia caído a ficha de que iria revê-la.

Todos entraram na casa sem dificuldade graças a chave que Zuko tinha consigo e quase no mesmo instante um criado levou as malas para os quartos.

—Onde ela está?— Ty Lee perguntou para Mai, esta que encarava uma cesta de frutas muito chamativas na mesa da cozinha, não deu muita atenção para a pergunta da mulher.

—Falando de mim?— A voz firme que se fez presente poucos passos atrás de si, do lado de fora da casa, arrepiou todos os pelos de seu corpo. No mesmo instante a Lee se virou, apenas para conferir se era ela mesmo ou se estava delirando.— Quanto tempo, não?

A princesa se aproximava em passos calmos e um sorriso sereno no rosto, usava uma avental surrado e sujo de terra amarrado na cintura, chinelo nos pés e luvas grossas nas mãos ocupadas segurando ferramentas de jardinagem. Seus fios de cabelo estavam presos em um coque e sua franja, como sempre, longa e partida no meio. Agora haviam pequenas bolsas debaixo dos olhos dourados e algumas marcas de expressão pelo rosto, mas nada que fosse capaz de estragar a beleza alheia.

—Estava cuidando do jardim essa hora? O sol não está muito forte?— Zuko foi quem perguntou ao se aproximar primeiro da mulher, visivelmente preocupado. Era um pouco estranho vê-los agindo assim, como irmãos que se amam, e ao mesmo tempo bom ver que a relação deles finalmente havia entrado nos eixos.

—Relaxa Zuzu.— Provocou com o apelido e afastando a mão do rapaz de seu rosto, esse que estava checando possíveis queimaduras.— Só estava arrancando ervas daninhas, estavam acabando com a minha horta.

A guerreira franziu o cenho por um momento. Agora Azula era amiga do irmão, morava sozinha em uma ilha e cultivava o próprio alimento? Havia caído num universo paralelo por acaso?

Se virou para a esquerda, aonde Mai deveria estar, para lhe perguntar se estava sonhando, mas esta já estava bem longe de si e bem perto da tal cesta de frutas.

—Você não vai mesmo falar comigo depois desse tempo todo?— Azula direcionou a atenção para Ty Lee ao que Zuko se juntou a Mai, provavelmente afim de dar um pouco de espaço para as duas que tinham muito assunto para pôr em dia.— Vejo que não abandonou as tranças.— Disse levando a mão direta, já sem a luva de jardinagem, para a trança que caía pelo ombro esquerdo alheio.

—E você não abandonou o coque.— Falou algo pela primeira vez desde que pusera os olhos na princesa. Foi algo bobo? Foi, mas levando em conta que seu coração estava somente a um passo de explodir em seu peito, era uma grande vitória.

A princesa riu soprado apenas, mostrando um pequeno sorriso com um olhar gentil, um olhar feliz, fazia tempo que Ty Lee não via algo tão puro e bom vindo daquela mulher.

—Está com fome?— Não esperou receber uma resposta para que puxasse a mais baixa consigo até a cozinha. Haviam panelas pelo fogão com comida que sequer parecia ter sido tocada, mas que já havia esfriado.— Pensei que iriam chegar mais cedo e fiz a comida antes, é só reaquecer rapidinho.— Dizia mais para si mesma enquanto procurava por algo em suas gavetas.

—O que está procurando?— Perguntou confusa, se fossem talheres, ela já havia passado por essa gaveta fazia tempo.

—As pedras de fogo.— Murmurou.

—Por que não domina o fogo? Seria mais rápido.— Deu a ideia como se já não fosse óbvio o suficiente, mas Azula travou no mesmo instante, pareceu precisar de alguns segundos para que voltasse a processar as coisas.

—Você não sabe...— Concluiu antes de olhar para a mulher.— Óbvio, não teria como saber, ficou longe tanto tempo.

—Sei o quê?

—Que não sou mais dominadora de fogo.— O queixo da guerreira caiu. Agora fazia mais sentido todo mundo estar tão tranquilo em visitar a princesa. Fazia muito sentido, na verdade. Chegou pensar em falar algo, mas Azula deu continuidade em sua fala antes.— Foi no mesmo dia do cometa, no começo foi difícil me adaptar, era como se parte da minha alma tivesse sido arrancada do meu corpo, mas com o tempo consegui me adaptar.

—E-eu sinto muito, Azula.— Segurou as mãos da mulher com delicadeza olhando em seus olhos dourados.— Também sinto muito por ter sumido.

—Olha, eu não te culpo.— Sorriu sem jeito desviando o olhar, mas não conseguiu evitar o contato por muito tempo, os olhos grandes e cinzas da guerreira pareciam ímãs.—Eu nunca fui fácil, nunca te dei o devido valor e só tenho que agradecer pelo que fez por mim. Mas também tenho algo para pedir agora...

—Qualquer coisa.— Assegurou apertando levemente as mãos que ainda segurava. Estavam tão perto, tão conectadas de novo, parecia que esses sete anos longe sequer existiram.

—Me ajude a achar as pedras de fogo!



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