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História Embrasa (JaeYong) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Nem acredito que finalmente to postando minha primeira JaeYong, helpkkk
Vamos começar com alguns avisos:
˚₊· Quero agradecer a @jenoparte por essa capa PERFEITA que me deixou ainda mais inspirada
˚₊· E a minha neném, @queridinho, pela betagem maravilhosa do capítulo
˚₊· A história é JaeYong, mas vocês vão ver muito o shipp JaeWoo, se preparem
˚₊· Terão muitas cenas com bebidas ao longo dos capitulos, porque o bonde do Jae é pinguço mesmokk mas saibam que não estarei fazendo qualquer tipo de apologia à isso
˚₊· Amem o Jaehyun e o Taeyong, mesmo que as vezes eles sejam cuzão
˚₊· Boa leitura a todos e até as notas finais ♡

Capítulo 1 - Capítulo Um



[EMBRASA]
Capítulo Um:

 

"Pessoas são feitas de imagens", essa foi uma lição que aprendi ainda muito cedo.

Tinha apenas onze anos quando meu pai se tornou político. Ele costumava ser só o dono de uma loja de eletrônicos no centro da cidade onde cresci — Gimje, na Jeolla do Norte —, mas um dia decidiu que virar vereador nos traria uma renda maior e ele tinha razão. Pela cidade ser pequena, foi fácil conseguir votos o bastante para se tornar um membro da câmara municipal, e não posso garantir que seu trabalho lá tenha sido dos mais limpos.

De uma hora para outra nossa situação financeira mudou e, com essa mudança, adquirimos uma casa maior em um bairro melhor, um carro do ano, ingressos para o clube da cidade e até me colocaram na melhor escola particular de Gimje. De repente, nos tornamos a família perfeita, com membros perfeitos e aparências perfeitas. Meu pai se tornou o marido ideal, minha mãe se tornou um exemplo de esposa, minha irmã se tornou uma filha invejável e eu, obviamente, me tornei o filho que todos queriam ter.

Mas a perfeição era muito difícil de se manter.

Eu odiava as aparências, mas era jovem e covarde demais para me rebelar, então apenas segui o papel que me foi imposto contra a minha vontade. Eu já não tinha mais amigos verdadeiros, pois todos haviam ficado na antiga escola, o que facilitou para que a imagem fosse mantida. Eu me tornei o aluno exemplar, sempre com as melhores notas, também fui o mais sociável dos adolescentes e o melhor dos jovens atletas da cidade.

Aos dezessete anos meu pai decidiu se eleger a prefeito e não ficamos surpresos quando ele ganhou, afinal, quando as cortinas de nossa casa de vidro estavam abertas, todos os moradores de Gimje nos amavam — e ninguém precisava saber como éramos realmente quando elas se fechavam. Eu mantive minha imagem, continuei sendo o melhor aluno, o capitão do time de futebol, o amigo divertido, o irmão carinhoso e o orgulho dos meus pais. Tudo isso sempre prezando a polidez que a família Jung exigia.

Ninguém questionava o fato de eu não namorar, aliás, isso só me tornava ainda mais exemplar aos olhos dos cidadãos. “Olhe Jaehyun, como é esforçado, só pensa nos estudos. Se todos os jovens fossem como ele...” — frases assim eram fáceis de se ouvir por lá. Não estavam totalmente errados, eu realmente me importava muito com os estudos. Todos esperavam que eu tivesse um futuro brilhante e eu estava lutando para ter um, não por causa da pressão colocada em meus ombros, mas por saber que uma faculdade em Seul seria a forma mais fácil de sair daquela cidade infernal.

Uma vez que estivesse em Seul, teria mais liberdade para ser eu mesmo.

Foi com esse pensamento que passei o ensino médio me dedicando inteiramente aos estudos, até que meus esforços foram recompensados com uma bolsa integral na universidade Hongik, para o curso de Engenharia Civil. Por morar em outra cidade, consegui um quarto no dormitório gratuito da faculdade, o que me rendeu a independência de não precisar do dinheiro dos meus pais para ter onde morar, mesmo que ainda usufruísse de uma mesada bem gorda para me manter — não era como se eles não pudessem pagar, afinal.

Me mudei para Seul aos dezenove anos, deixando para trás uma família frígida e alguns poucos amigos — dos quais eu só me importava com um, Moon Taeil. O dormitório era individual e consistia em uma cama de solteiro, uma mesa para computador e um armário pequeno no qual mal cabiam todas as minhas roupas, sendo que grande parte delas haviam ficado em Gimje. O banheiro era minúsculo e o vaso sanitário ficava de frente para o chuveiro, enquanto a pia ficava de frente para onde deveria ter uma porta, mas tinha só uma cortina. Era bom o bastante para viver só, porém nem se comparava com o conforto do meu antigo quarto, o que me fazia passar o menos de tempo possível ali dentro.

A primeira pessoa que conheci na capital foi John Suh, um americano de Chicago com descendência coreana, que havia se mudado para o país justamente para fazer a faculdade. Veterano no mesmo curso que eu, ele me apresentou o campus quando eu estava perdido, procurando pelo auditório onde ocorreria as boas-vindas aos calouros. Por ser um cara extrovertido e muito sincero, nos demos bem logo de cara e, ao fim do evento, nós já nos tratávamos como velhos conhecidos.

Johnny me apresentou para seus melhores amigos: Kim Doyoung, Yuta Nakamoto e um tailandês conhecido como Ten — ao que parecia, seu nome era difícil demais, por isso o chamavam pelo apelido. Todos eram tão extrovertidos quanto o próprio Suh e, assim como foi com Johnny, me senti à vontade o bastante perto deles para que nos tornássemos bons amigos. Eles me aceitaram imediatamente, mesmo que eu ainda fosse um estranho e ficasse um tanto desconfortável com suas provocações. Eu nem ao menos lembrava de quando havia tido amizades tão profundas com alguém — nem mesmo com Taeil — como tive com aqueles caras.

Com o tempo, percebi que Seul era totalmente diferente de Gimje e não só pelos prédios enormes. A vida parecia correr na cidade grande, quando que em Gimje o tempo se arrastava e os dias pareciam não terminarem nunca. Em Seul as manhãs e tardes eram tão agitadas quanto as noites, as pessoas pareciam estar sempre ocupadas demais com suas próprias vidas para notarem os outros, o que tornava as coisas frias ao mesmo tempo em que libertadoras. Era bom sair na rua sem que ninguém perguntasse onde estava indo, sem cruzar com nenhum conhecido querendo xeretar em assuntos que não são de sua conta.

Seul era libertadora, mas era estranha também.

Enquanto em Gimje os homossexuais pareciam nem ao menos existirem, como se houvesse algum campo protetor ao redor da cidade que não permitisse o nascimento de ninguém que não fosse heterossexual, na capital eles pareciam estar por todos os lados. Andando pelo campus, ruas ou parques da cidade, era comum encontrar casais do mesmo gênero — e até de alguns gêneros que eu não conseguia identificar de primeira — passeando de mãos dadas, conversando abraçados ou até trocando beijos e carícias como se estivessem sozinhos em suas casas. Minhas bochechas coravam e meu coração acelerava sempre que encontrava cenas como essas, tinha certeza que jamais me acostumaria com elas.

Era difícil para mim, vindo de onde vim e criado sem ao menos ouvir o termo “gay” ser dito com normalidade, entender a forma como casais do mesmo gênero eram aceitos por boa parte da população, como muito deles se sentiam confortáveis para serem eles mesmos em público, mesmo que tal ato pudesse gerar dor e violência. Não era como se Seul estivesse livre dos preconceitos, mas comparada com Gimje, parecia outro mundo nesse quesito.

Eu sempre soube que não gostava de garotas, não houve um tempo da minha vida em que me senti atraído por alguma delas ou por qualquer coisa que fosse minimamente “feminina”, de acordo com os padrões impostos socialmente. Eu não gostava de perfumes doces, trejeitos delicados, e também não gostava de garotas que fossem contrárias a esse padrão. Não importava o jeito ou a forma, eu já havia aceito que as garotas não me atraíam.

Mas foi só no meu segundo ano na universidade, durante o quarto semestre, que eu me senti atraído pelo sexo masculino. O nome dele era Jungwoo e ele era o garoto mais doce que eu já conheci. Ele tinha um sorriso inocente e um jeito descarado de flertar com todo mundo que sempre me deixou sem reação, mesmo sabendo que seus flertes não deveriam ser levados a sério. Com cabelos castanhos como os meus, um sorriso brincalhão e olhos redondos e brilhantes, ele era lindo como uma pintura e engraçado como ninguém mais. Seu senso de humor sempre me pegava desprevenido, assim como suas provocações bobas.

Se me pedissem para explicar minha relação com Jungwoo, eu não saberia como fazer. Nós éramos amigos, mas tinha sempre essa tensão inexplicável pairando ao redor toda vez que nossos olhos se encontravam. Eu não era de corar facilmente, mas Jungwoo sabia como me deixar tímido de um jeito que eu nunca havia sido antes. Bastava ele piscar seus olhos brilhantes e sorrir com doçura, e todo o meu corpo parecia corar com as batidas frenéticas do meu coração. Ele me deixava nervoso, eufórico e ansioso, tudo ao mesmo tempo, criando uma verdadeira bagunça dentro do meu peito e um calor inexplicável em meu ventre.

Não foi surpresa alguma ele ter dado o primeiro passo até mim, pois eu estava confuso demais para fazer qualquer outra coisa além de admirá-lo sem qualquer descrição. Ele cursava arquitetura e a única cadeira que tínhamos juntos era a de desenho técnico, pela qual nos conhecemos graças a um trabalho em grupo. Uma vez que nos tornamos próximos, o apresentei para meus amigos mais velhos e Jungwoo foi incluído no grupo no mesmo instante, já que todos gostaram dele — e foi justamente após uma reunião nossa, que minha relação com Jungwoo mudou.

As noites de sexta-feira eram reservadas para idas ao bar próximo da universidade, onde aproveitávamos a chegada do fim de semana para jogar sinuca e beber cerveja. Jungwoo morava do lado de fora do campus, em um condomínio de apartamentos que dava desconto no aluguel para alunos de Hongik, e mesmo meio tonto com as cervejas que bebi, fiz questão de o acompanhar até em casa.

— Jaehyun... — Foi o que Jungwoo disse com sua voz doce, escorado contra a porta de seu prédio, a cabeça apoiada na madeira e me olhando através dos cílios, de um jeito que eu julguei ser bonito demais. — Você não quer entrar? Está tarde para voltar sozinho.

A verdade é que eu estava torcendo para receber aquele convite, pois eu estava curioso. Queria saber se o que sentia era mesmo atração, se os lábios de Jungwoo eram tão macios quanto pareciam e se, ao gemer meu nome, sua voz continuaria tão suave quanto era normalmente. E, naquela noite, eu comprovei que a resposta para todas as perguntas era “sim”. Jungwoo ficava ainda mais lindo deitado embaixo de mim, se contorcendo com meus toques e suspirando a cada novo centímetro de pele que eu descobria com a boca. Apesar de ser minha primeira vez, ele soube me guiar de forma que fosse bom para nós dois, tão bom que repetir a dose se tornou essencial.

Não assumimos um namoro, primeiro porque eu não estava pronto para isso, e segundo porque Jungwoo tinha uma espécie de regra sobre não namorar caras não-assumidos — o que eu julguei bem inteligente da parte dele, já que ele não havia saído de seu armário para se prender no armário de alguém —, e assim nossa amizade se tornou ainda mais profunda, mesmo que Johnny continuasse a ser meu melhor amigo.

Jungwoo conhecia um lado meu que ninguém mais conhecia, e eu podia ser ainda mais eu mesmo estando junto com ele.

 

[...]

 

— Ei, querem ir em uma balada comigo hoje? — Ten nos convidou no sábado à noite, quando estávamos todos atirados no chão da sala do apartamento de Johnny, assistindo um filme de terror tão ruim que a gente mais ria do que assistia. — Abriu uma nova boate gay em Itaewon semana passada, eu ‘tô doido pra conhecer.

— A 4U? — perguntou Jungwoo, levantando a cabeça do meu ombro para sorrir animado. — Eu fui lá na inauguração. O lugar é incrível!

Mesmo os conhecendo há mais de dois anos, na época, eu ainda ficava surpreso com o quanto meus amigos eram abertos a coisas assim. Johnny e Yuta falavam sobre mulher em noventa por cento do dia, e volta e meia estavam de caso com alguma garota da faculdade; já Doyoung, até poucos dias antes, namorava uma garota chamada Kim Sejeong, conhecida por ser a aluna mais bonita do curso de música. Diferente da maioria dos caras heterossexuais que eu conheci, eles não se incomodavam com a ideia de ir em uma boate LGBT com Tem e Jungwoo, mesmo sabendo que seriam cantados por outros caras.

No começo, eu ficava desconfortável quando a proposta era apresentada — e sempre por Ten, que era um festeiro de primeira —, porque a ideia de ter homens dando em cima de mim me deixava bastante desconfortável. Foi depois de me envolver com Jungwoo que eu entendi o porquê de me incomodar, mas a ideia não se tornou menos incômoda por isso. Eu tinha medo do que aconteceria caso eu fosse visto em uma boate gay, mesmo sabendo que meus pais estavam há horas de distância dali. Ficava nervoso de, ao beber, acabar perdendo o controle e ficar com algum cara em frente aos meus amigos. Em minha humilde opinião, seria um péssimo jeito de me assumir.

— Vamos lá, eu não aguento mais esse filme. — Se levantando do chão onde estava deitado, Yuta aceitou o convite de Ten. — A cara do Johnny acordando de manhã é mais assustadora do que isso.

Ri quando o moreno jogou uma almofada no loiro, mas por dentro eu procurava um jeito de recusar o convite. Seria chato recusar novamente? Só havia ido em uma balada com eles nesse tempo em que nos conhecemos e não era uma boate LGBT, será que pensavam mal de mim por causa disso? Eu devia parecer tão mente fechada para eles. Segurando um suspiro, mordisquei o canto da unha em um mau costume que tinha desde adolescente, fazia sempre que ficava nervoso, e como se lesse meus gestos, Jungwoo segurou minha mão e a afastou da minha boca.

Surpreso, olhei para seu rosto tranquilo e no mesmo instante fiquei mais calmo, ele tinha esse efeito sobre as pessoas, talvez por sua personalidade ser sempre tão zen. Respirando fundo, relaxei outra vez no sofá enquanto ele deitava a cabeça em meu ombro novamente, sua mão não deixando de segurar a minha.

— Ainda está cedo, se nos arrumarmos agora podemos nos encontrar na frente da boate antes da meia-noite — constatou Johnny, já desligando a televisão.

— Eu não sei se quero ir... — Surpreendentemente, o comentário veio de Doyoung e não de mim. Ele parecia cabisbaixo ao abraçar uma almofada do sofá, seu queixo apoiado no objeto macio. O termino recente do namoro estava sendo difícil para ele... — Não ‘tô no clima.

— Qual é, Dodo — disse Ten, saindo de seu lugar no chão para abraçar o amigo no sofá. — Sair um pouco vai fazer bem para você. Ver gente, beber, dançar...

— Quem sabe você até conhece alguém para tirar as teias de aranha do seu pau.

Yuta sempre teve essa mania de fazer piadas nos piores momentos possíveis, mas ele falou aquilo com tanta naturalidade que, após alguns segundos de silêncio, todo mundo começou a rir, até mesmo Doyoung. Foi fácil convencê-lo a ir junto depois disso, e então foi a vez de todos olharem para mim, como se esperassem pela desculpa que eu arranjaria daquela vez.

— Eu não ‘tô arrumado para sair e o dormitório da faculdade já fechou... — falei, o que não era mentira pois o dormitório fechava as dez da noite e já eram dez e meia.

— Então você vem comigo para o meu apê e eu te empresto uma roupa minha — respondeu Jungwoo, apertando minha mão e sorrindo daquele jeito doce que me aquecia de dentro para fora.

E sem mais escolhas, acabei concordando, menos contrariado do que gostaria de parecer. Não podia negar que estava curioso para saber como era uma boate gay, até porque todos os meus amigos curtiam — mesmo que Johnny e Yuta reclamasse no dia seguinte por não encontrarem nenhuma garota afim de passar a noite com eles. Parecia divertido, e a ideia de dançar até minhas pernas doerem me era bastante agradável.

Ten, Yuta, Jungwoo e eu descemos juntos para esperar nossas caronas do lado de fora do edifício, enquanto Doyoung concordou em ficar com Johnny para irem juntos à boate — uma forma de ter certeza que o Kim não se esconderia em seu quarto para chorar a noite inteira pelo fim do namoro. O uber que chamei não demorou a chegar e, por Jungwoo morar perto do condomínio de Johnny, levou apenas dez minutos para descermos em frente ao seu prédio.

— Você já foi em uma balada gay? — O Kim perguntou enquanto esperávamos o elevador descer até o térreo. Neguei com a cabeça. — Você vai adorar, é bem diferente das festas héteros. As pessoas são bem mais divertidas, todo mundo se respeita e ninguém julga ninguém. Você pode usar saia se quiser, o máximo que vai acontecer é alguém elogiar suas pernas, e nós podemos passar bastante glitter, para chamar a atenção.

— Não sei se eu quero chamar atenção — respondi sem pensar, sincero.

— Você não vai se divertir nada se continuar negativo desse jeito. — Me pegando de surpresa, ele abraçou meu pescoço com ambos os braços antes de sorrir de um jeitinho abusado que eu não me acostumava nunca. — Vai por mim, eu vou fazer a sua primeira boate gay ser incrível. Ninguém vai reparar em nós, nem mesmo os caras. Ten sempre some no meio das festas para se agarrar com alguém, Yuta e Johnny passam o tempo todo dançando e caçando mulher, e Doyoung... bem, eu nunca fui numa festa com ele para saber. Mas vai por mim, todos estarão tão ocupados com suas próprias vidas que não vão reparar se você estiver sendo boiola, então relaxa e aproveita, ok?

Honestamente? Suas palavras funcionaram tanto que um peso enorme pareceu sair das minhas costas já naquele momento. Eu tinha muita sorte de ter um amigo como Jungwoo.

 

[...]

 

O Kim e eu tínhamos as mesmas medidas, o que facilitou muito na hora de escolhermos uma roupa para mim. Eu só não esperava que alguém com a personalidade calma e doce dele tivesse tantas peças... ousadas.

— São roupas de balada. — Ele explicou enquanto eu encarava as camisas transparentes e rendadas espalhadas sobre a cama de casal. — Eu não uso no dia-a-dia, só para sair à noite. O que acha dessa? Combina com sua calça.

Pegando uma camisa preta de cetim, ele a esticou em frente ao próprio corpo e pude perceber que era menos transparente do que as outras, mesmo que ainda desse para ver a pele das costas pelo fundo de tule. Por ser a menos reveladora das opções, aceitei a peça e não demorei em arrancar a camiseta verde de algodão pela cabeça. Jungwoo estava certo, a camisa ficou bonita com minha calça preta rasgada nos joelhos, e era confortável e fresca o bastante para que eu não morresse soando no meio da festa.

— O que você vai usar? — perguntei, sentando em um espaço livre da cama para esperar que ele se arrumasse.

— Ainda não sei. ‘Tá meio frio para usar essa regata — disse ele, segurando uma blusa de tule decotada e com rendas pretas escondendo boa parte do fundo transparente. — Mas eu sei que vou sentir calor quando estiver lá dentro.

Jungwoo ficaria lindo naquela regata. Seu corpo magro e com poucos músculos era delicado o bastante para combinar com a roupa sem que ficasse tão reveladora, ao tempo em que ficaria sexy em suas clavículas bem definidas e cintura fina. Sendo sincero, eu queria vê-lo naquela peça.

— Vai ficar incrível em você.

Sem resistir, segurei sua cintura e o trouxe para perto, até ele estar parado no meio de minhas pernas. Sorrindo, ele deixou a blusa de lado para segurar meus cabelos com ambas as mãos, seu rosto descendo até o meu. Jungwoo sabia me ler como ninguém mais e isso ficava claro até nos detalhes mais mínimos. Ele sabia quando eu estava preocupado, quando estava nervoso, quando estava satisfeito e, talvez principalmente, quando estava excitado — o que se encaixava perfeitamente naquele momento.

Seus lábios eram macios como veludo e ele tinha um leve gosto do chocolate branco que comemos enquanto assistíamos ao filme ruim, poucas horas antes. Espalmando os dedos em suas costas, o aproximei ainda mais de mim enquanto ele me abraçava ainda mais apertado, nossos corpos tão colados que quase suspirei.

— Dá tempo de a gente transar antes de sair? — perguntei, interrompendo o beijo para selar seu queixo.

— Com certeza, não. — Rindo, ele empurrou meu ombro até eu soltá-lo, apenas para se abaixar, esfregar a ponta do nariz na parte sensível do meu pescoço e murmurar. — Mas a gente pode vir para cá depois da festa. Eu sempre fico excitado quando bebo.

Era verdade, eu mesmo havia testemunhado um par de vezes.

No final, Junwgoo não demorou mais de dez minutos para escolher o que vestir e trocar de roupa, então se dedicou inteiramente a fazer minha maquiagem. Eu estranhei, de início, pois nunca havia feito nada do tipo, mas ele fez algo tão discreto que eu nem ao menos parecia estar usando algo, o único destaque sendo o glitter prateado nas maçãs do meu rosto. Vendo o resultado no espelho, dos olhos levemente esfumaçados em marrom e o brilho nas bochechas, eu me encontrei estranhamente a vontade, principalmente por ter gostado mais do que pensei que gostaria.

Descemos para esperar o Uber quando Jungwoo também já estava pronto. Ele vestia a regata de tule e renda — e, como o esperado, ficou linda nele —, e eu o abraçava por trás a fim de espantar um pouco do frio que arrepiava sua pele. Sem resistir, deixei um beijo demorado em seu ombro exposto segundos antes do veículo parar em frente ao prédio.

— ‘Tá com muito frio? — perguntei, esfregando seus braços quando ele se encolheu junto a mim no banco de trás do Uber.

— Estou bem, vai estar calor dentro da boate.

Sem mais nada a dizer, continuei esfregando sua pele exposta pelos vinte minutos de viagem que levou até chegarmos em Itaewon. Havia uma fila considerável do lado de fora do local, então assim que o carro parou, nós fomos direto para ela. Jungwoo mandou mensagem em nosso grupo do KakaoTalk, avisando que estávamos guardando lugar na fila, já que fomos os primeiros a chegar lá, e enquanto os outros não apareciam, falamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo, apenas jogando conversa fora.

— Ainda está nervoso? — Ele perguntou, abraçado em minha cintura com os braços esticados, de forma que podíamos nos olharmos sem estarmos perto o bastante para ser desconfortável, já que tínhamos a mesma altura.

— Na verdade, acho que estou mais ansioso para entrar logo e ver como é.

— Vai ser divertido — garantiu ele, sorridente. — Vou adorar te ver bêbado pela primeira vez.

Envergonhado, gemi antes de confessar: — Eu fico um saco quando bebo demais.

— Isso é verdade. Ele fica pior do que o Yuta chorando com saudade de casa. — Surgindo do nada, Johnny interrompeu a conversa, se enfiando na fila ao nosso lado junto com Doyoung. — Só que ele chora por amar tanto Seul que não quer voltar para casa.

— E nem adianta dizer que ele não precisa voltar — acrescentou Doyoung, retirando sua jaqueta jeans e a deixando sobre as costas de um Jungwoo bastante surpreso. — Ele só vai continuar chorando e chorando até seu rosto ficar nojento com tanta lágrima e ranho.

— Sorte sua ser bonitão — disse Johnny, abraçando meus ombros e dando um tapinha fraco em minha bochecha, quando Jungwoo se afastou para vestir a jaqueta do Kim mais velho. — Se fosse com o Dodo seria uma imagem dos infernos.

— Cala a boca, mané — reclamou Doyoung, rindo ao empurrar o maior.

Encolhido dentro da jaqueta alheia, Jungwoo não voltou a me abraçar, provavelmente por estarmos na frente de nossos amigos e evitarmos demonstrações tão óbvias de afeto quando estávamos com eles. Tínhamos combinado de manter a parte extra da nossa amizade só para nós já que, com menos pessoas envolvidas, as complicações eram muito menores.

Ten e Yuta chegaram quase ao mesmo tempo, quando já éramos os próximos a entrar na boate. Ten estava vestido com uma camisa preta como a de Jungwoo, mas por não ter as rendas ela era totalmente transparente, o que me fez pensar que aquele estilo era bastante comum entre os fregueses de boates gays, já que vários outros homens usavam peças parecidas por ali. Yuta, Johnny e Doyoung estavam muito mais simples, com calças jeans e camisas de botão como a minha, o que me fez sentir mais tranquilo, de certa forma.

Como se me vestir como eles me fizesse menos... gay.

A música pop, que podia ser ouvida mesmo do lado de fora da boate, estava absurdamente alta quando entramos e retumbava por todos os cantos escuros do local. Da recepção, onde fizemos nossos cadastros e recebemos nossos cartões — onde seriam colocados os custos de tudo o que consumíssemos naquela noite —, não dava para ver bem o tamanho geral da boate, mas Jungwoo nos guiou, quando todos havíamos terminado nossos cadastros, até uma escadaria que levava ao andar de cima, onde ficava a pista principal.

Foi nessa mesma escadaria que eu esbarrei com ele pela primeira vez: o garoto ruivo, com olhos afiados e piercing na sobrancelha. Ele vinha no caminho contrário quando, ao falar com Johnny atrás de mim, não percebi a possível colisão até ser tarde demais. Nossos ombros se esbarraram, mas o impacto foi fraco ao ponto de nenhum de nós perdermos o equilíbrio e, felizmente, ele não tinha nenhuma bebida em mãos.

— Me desculpa — pedi, um pouco intimidado com o olhar irritado que ele me lançou. — Você se machucou?

— Estou bem — respondeu, seus olhos se estreitando enquanto analisava meu rosto de forma indecifrável.

Eu estava prestes a perguntar se havia algo errado quando, já no topo da escada, Ten gritou alto o bastante para ser ouvido por cima da música: — Jaehyun, vem logo!

Sentindo a mão de Johnny empurrar com leveza minhas costas, acenei com a cabeça para o desconhecido uma última vez antes de desviar de seu corpo e voltar a subir, logo tendo Johhny voltando ao assunto anterior, algo sobre esperar que as bebidas não fossem tão caras.

— Está tudo bem? — Segurando minha mão com a sua, Jungwoo perguntou quando os alcancei.

— Sim, só esbarrei em alguém.

— Entendi — disse ele, pulando em seus pés com um sorriso animado. — Então vamos logo beber!

E com uma dose extra de euforia, sentindo meu coração acompanhar as batidas fortes da música, eu concordei, pronto para fazer daquela experiência a melhor que pudesse ser.

 

 


Notas Finais


Quando até a autora shippa JaeWoo em sua fic JaeYong, como fica???
Quero agradecer a todos que leram até aqui, e me digam nos comentários o que estão achando da história por favorrr, eu amo receber feedbacks!!

~Beijos e até a próxima ♡


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