História EME - Dons, não maldições - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aceitacao, Dons, Drama, Eme, Escola, Família, Fantasia, Floresta, Fogo, Garras, Gelo, Heróis, Mau, Mistério, Mudança, Mutantes, Novela, Plantas, Raio, Regeneração, Romance, Suspense, Vida
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Movimentos inesperados


Fanfic / Fanfiction EME - Dons, não maldições - Capítulo 10 - Movimentos inesperados

Os arquivos da empresária

Mesmo sem Nico e Lenita conosco, fomos embora, pois percebemos que era inútil tentar entrar na VOA naquele dia. 

Na EME, usei o notebook da escola e transferi os arquivos pegos do computador da empresa para ele. 

- Pegou só daquele computador? - Perguntou-me Vicente. 

- Eu raquiei todos os dispositivos conectados na rede Wi-fi da VOA.

- Nossa - Disse Jacô. 

Estávamos todos na sala de estar. Eu sentada numa poltrona e os outros atrás de mim, inclusive Zé. 

- Procure primeiro o lugar onde o Nico está - Sugeriu Cat.

- E a Lenita - Disse Gabriel. 

- Tá - Respondi, e não demorei a encontrar a estrutura da VOA, com todos os andares e o sub solo com as celas. - Aqui - Apontei para a prisão. - Nico e Lenita devem estar aqui, nas selas do subsolo.

- Minha Nossa Senhora! - Disse Cat. - Eles tão trancafiados?

- Acredito que sim, infelizmente.

- Mas tem várias celas, né? - Disse Jade. 

- Sim, eles devem estar capturando pessoas... 

Ergui a cabeça pensativa. 

- É claro! - Disse. - Bom, sabemos que há Ravena como possível aliada de Madame Ester. Sem falar daquele cara que atravessou a parede do prédio.

- E também aquele tal de Renê - Disse Vicente. 

- É.

Houveram alguns olhares entre todos, provavelmente pelo meu xingamento. 

- Desculpem - Tornei a procurar arquivos interessantes no notebook. - Ah! 

- O que foi? - Perguntou Zé, o zelador. 

- Ela já tem dados sobre todos nós. Nossos dons e o que estávamos melhorando nas habilidades. Tem assunto aqui até sobre os animais. 

- Desconfio do "tio Alberto" - Disse Rafa.

- Sério?

- Não acha estranho o modo como ele chegou e se foi?

- Bem, pode sido um espião, não é? – Raciocinei mais um pouco. – Ravena pode mudar de forma.

- E se tiver sido ela?

- Não duvido – Disse Vicente.

Descobrindo ainda que haviam planos de um dispositivo com alto risco para pessoas, mas não sabíamos ainda qual seria sua finalidade.

Máquinas detalhadamente feitas pra ataque estavam em projeto, e também havia o prazo de seis dias informado numa pasta. 

- Será que eles têm mesmo toda essa tecnologia? - Interrogou Vicente. 

- Provavelmente - Falei. -, não viu a proteção do prédio? Aquela mulher possui um arsenal de inovações tecnológicas incrível. 


A tentativa de Marcu e Dream: parte 1 - a bruxa

Enquanto falávamos de Madame Ester, a própria discutia com Ravena sobre um assunto indispensável para seus planos. 

- Como não me disse isso antes?! - Disse Madame em seu escritório. 

- Eu tentei, mas aí aquela Madame Laís apareceu e... 

- Tá. Mas quem você disse que foi avisar? 

- A Caia. 

- Uma das bruxas?

- Sim. 

- Vá chamá-la, Renê! 

- Sim, Madame Ester. 

Renê saiu da sala apressadamente. 

- Acha que já podemos confiar nele?

- Creio que sim, Ravena. Temo que apagaram as lembranças dele sobre EME, mas a vontade dele de enfrentar Madame Laís é tão grande quanto a minha. 

- Hum...

Renê havia morado na VOA há alguns anos, mas se rebelara e tentou um enfrentamento contra Madame Ester. Isso causou ameaças que foram cumpridas pela mulher, acabando com o assassinato da mãe do rapaz na época com dezessete anos. 

Ele voltou para a casa de seu papai, e como já fora dito tornou-se piloto de seus pequenos aviões de carga.

Ao que parece, Diana havia retirado, provavelmente por acidente, as lembranças de Renê sobre o assassinato da mãe, pois uma coisa dessas é muito difícil de se perdoar. Ou talvez simplesmente ele esperava o momento certo para dar uma rasteira em Madame Ester. Quem sabe... 

- Queria me ver, senhora? - Perguntou Caia ao entrar no escritório apreensiva. 

- Sim, Caia. Eu soube de um ato de completa ingratidão de...

- Eu não fiz nada! - Disse Caia após engolir em seco e interromper a fala da mulher. - Por favor, não me faça mal algum. 

- Não gosto que me interrompam, menina. 

- Me desculpe, eu...

Madame Ester não podia impedir que Caia ficasse muda, como a bruxa pode fazer, mas com um movimento de mão a menina calou-se. 

- Não a chamei aqui pra reclamar de você. 

Caia suspirou aliviada, e não voltou a falar. 

- Eu quero que diga tudo o que sabe sobre a tentativa de fuga relativa a Marcu e Dream. 

- Ah, é sobre isso.


Sandra em ação

Na EME, expliquei mais alguns arquivos a todos, relacionados com os mutantes presentes lá e o número de funcionários. Em seguida fui ao meu escritório e pedi que todos se dispersassem. 

Sandra foi ver os animais no estábulo, e para sua surpresa, ela se deparou com o unicórnio menor e um dos pássaros maiores caídos, aparentando uma doença. 

- Aí meu pai! - Disse ela. - Zé! - Gritou rasgando a goela. 

Zé, o zelador, estava regando as plantas da horta e do jardim - ultimamente me mantenho tão preocupada com Nico e Lenita que nem tenho mais vontade de cuidar das plantas. -, mas ao ouvir o grito, ele entrou rapidamente no estábulo. 

- O que foi, Sandra? 

- Veja! - Ela lhe apontou os animais. 

- Ai minha Virgem Maria! 

- Eu sei. O que tá acontecendo? 

Zé aproximou-se do pássaro amuado e do unicórnio cansado, sentindo seus batimentos. Estavam lentos. 

- Devem estar doentes - Zé pensou um momento. - Será que isso não tem a ver com a visão que a menina Jade teve? 

- Ahr! - Suspirou Sandra.

Eles pensaram silenciosamente por uns instantes, até que Zé teve uma ideia, após cerca de meio minuto.

- E se você usar seu dom neles?

- Pra deixá-los piores?!

- Mas você também não pode curar? 

- É mesmo - Sandra animou-se. -, havia esquecido. 

Ela retirou a luva esquerda e pôs a mão no rosto do pássaro. Aos poucos ele foi-se desamuando e finalmente bateu as asas e aparentemente curou-se.

- Funcionou - Alertou Zé.

Ela então foi ao unicórnio e repetiu o procedimento com ele, que não custou a curar-se. 

- Uau! - Sussurrou Sandra alto o suficiente para que Zé a ouvisse. - Eu não sou tão ruim quanto imaginei...

- O quê?! Você se achava ruim, menina? Quem dera eu tivesse o dom que você tem. É uma ótima pessoa, Sandra, e não se deixe enganar por devaneios alheios. 

- Obrigada, Zé. 

- O que acha de contarmos o que você fez a Madame Laís? 

- Acho uma ótima ideia.

Eles iriam ao meu escritório, mas esbarraram comigo ainda na entrada da EME, sendo que aproveitaram daquele momento para me contaram o que acontecera. 

- Pode ter sido um simples resfriado, ou até uma grave doença - Disse após eles terminarem de falar. -, e temos de apurar isso - Eles concordaram acenando com a cabeça. - Mas você agiu bem, Sandra, está aprendendo a usar melhor seus dons à cada dia.

- Obrigada - Disse Sandra sorrindo.

- Bem - Disse eu mudando de assunto. -, mas eu achei um documento sobre as cápsulas que informa como destrancá-las. 

- Vai libertar Dario e Júlio? 

- Vou tentar. Venham comigo. 


A tentativa de Marcu e Dream: parte 2 - o quarto

Na VOA, a bruxa Caia não hesitou em dizer tudo o que sabia dos planos de fuga de Marcu e Dream, e não demorou para que Madame Ester tomasse as devidas providências. 

Antes que ela se encaminhasse aos jovens, os dois mantinham-se a conversar juntos e a articular a fuga ainda naquela noite no quarto de Dream. 

- Então vai ser hoje mesmo? - Perguntou Dream ao amigo. 

- Sim. Vamos esperar mais um pouco pra ver se a Mel vem. Você já sabe o que fazer, certo?

- Sim. Vamos descer pelo elevador e eu pego qualquer um que ficar em nosso caminho com minha cabeça. Ao chegar na portaria eu uso meu dom na funcionária lá de baixo e você aproveita pra pegar a chave. 

- Exatamente. E não se preocupe, se acontecer alguma coisa eu te protejo, você sabe, né? 

- Sei, mas... Acho que tô com medo de dar alguma coisa errado, Marcu, e se nos pegarem? Acho esse plano muito arriscado.  

- Não é diferente de quando fugiu da escola, é? 

- Acho que não muito.

Diante de todas as pessoas que já cruzaram a vida de Marcu, provavelmente Dream, se fossemos fazer um top cinco, seria a quarta colocada, perdendo apenas para a mãe, a irmã e o pai, superando a namorada.

Ela era insegura de si.

Não lembrava-se de nada sobre sua família que antecedeu a chegada ao orfanato, mas isso até que era bom, de certo modo, pois descobrir que sua mãe era usuária de drogas não seria reconfortante. 

Naquele instante, diante da preocupação da garota, Marcu resolveu tentar tranquilizá-la.

- Ei - Disse ele olhando em seus olhos. -, não se preocupe, vai dar tudo certo. Logo estará de volta ao lado de seus pais. 

TOC! TOC! TOC! 

Alguém batia na porta do quarto interrompendo o momento. 

- Será que é a Mel? - Sussurrou Dream olhando nos olhos de Marcu.

O rapaz deu um sorriso de leve.  

- Vou ver - Ele retribuiu o sussurro. 

Ao levantar-se e seguir rumo a porta, Marcu a destrancou e se deparou com Madame Ester, Francisco, Ravena, Renê, e o mais surpreendente foi a visão das bruxas Mel e Caia paradas bem ali com um sorriso maléfico estampado no rosto afilado de ambas. 

Marcu percebeu o que acontecia, e Dream também desconfiou de algo ruim enquanto permanecia sem esboçar reação sentada na cama.

Ainda com tudo indicando uma traição de Mel, Marcu olhou para a amiga seriamente, como quem dizia "Não diga nada, eu resolvo isso", e ele realmente tentou fazê-lo. 

- Posso ajudar? - Perguntou Marcu sem demonstrar nenhum tipo de sentimento.

- Por que está no quarto de Dream, Marcu? - Disse Madame Ester friamente. - Não quero nenhum tipo de...

- Não é nada disso, só estava ajudando Dream na tarefa de matemática.

- Mesmo? - Perguntou Ravena. - E onde estão os materiais? 

- Já terminamos, já ia sair quando vieram.

Ele parecia ter uma reposta meio convincente meio duvidosa para qualquer pergunta que eles fizessem. 

- Você não mente mal, Marcu – Disse Madame Ester. -, mas já pode parar de fingir. 

- O quê?!


Experiências

Na EME, eu Sandra e Zé fomos as cápsulas que aprisionavam os gêmeos e após alguns segundos de espera, resolvi dizer algo. 

- Onde será que está a Cat? Cat! - Gritei. 

- Tô aqui! - Disse a garota saindo da EME e trancando a porta. - Desculpe a demora, é que eu estava me preparando mentalmente pra isso. 

Sandra revirou os olhos com essa afirmação. 

Antes que eu possa narrar a tentativa de destrancar as cápsulas, vou até Gabriel e Jacô, que no momento trabalhavam num treino do dom de projetar barreiras exercido por Gabriel. Apesar da preocupação com a prima Lenita, ele fazia isso justamente para ajudar ao máximo em seu resgate. 

- Posso mandar? - Perguntou Jacô. 

- Pera aí - Respondeu Gabriel fechando os olhos enquanto respirava e inspirava. Ele logo se concentrou e surgiram ondulações no ar, não demorando a criar um tipo de barreira que refletia a luz do ambiente em várias direções. - Vai! 

Jacô então reuniu luz na mão esquerda com a direita, rapidamente fazendo uma bola de fogo surgir e a transformando numa tira que saia de uma mão a outra. 

- Tem certeza? - Perguntou Jacô ainda uma última vez baixando os óculos escuros em direção aos olhos - Não quero machucar você. 

- Tudo bem, eu me afasto se qualquer coisa der errado. 

- Tá. 

Jacô então girou o tronco e após uma volta em belos movimentos de braços, mãos e pernas, ele lançou o cordão de fogo na barreira de Gabriel, que recuou um pouco e quase fechou os olhos, mas manteve-se firme. Porém, ainda assim a barreira sumiu ao toque do fogo, também dando fim a este. 

- Uau! - Disse Jacô arregalando os olhos e tirando os óculos. 

- Uau? Foi uma porcaria - Disse Gabriel baixando a cabeça. -, minha proteção sumiu.

- É, mas ela apagou o meu fogo. 

Gabriel pensou e refletiu uns segundos. 

- Tem razão - Disse erguendo os braços para o céu. -, eu sou demais. Uhu! 

- Mas não se acha muito, não. Ainda assim ela sumiu. 

É... Gabriel estava aprendendo a reutilizar seu dom, e isso poderia levar tempo, pois nem Sandra e Jade ainda haviam se adaptado totalmente as novas habilidades. Isso levaria tempo. Jacô o ajudava, e isso era bom. Assim ele também podia treinar sua velocidade em unir luz para criar fogo.

Nas cápsulas em frente a EME, Cat fez como eu lhe passara antes de esbarrar em Sandra e Zé, e se concentrou o máximo que pôde diante das caixas, para poder lançar eletricidade forte e certeiramente suficiente em ambas. 

Por um ou dois, arrisco-me até a dizer três minutos, Cat expôs-se ao sol de braços abertos e sua pele absorveu a luz nutrindo o corpo e fazendo a mecha azul arroxeada escurecer-se não pouco. Talvez isso não fosse necessário, mas ela não queria que sua energia acabasse totalmente após o lançamento. 

- Pronta? - Perguntei quando ela parou de absorver energia e sua mecha tornou-se de uma cor fortíssima.  

- Pronta! - Respondeu Cat, confiante. 

Ela se posicionou em seu devido lugar. Eu e os outros presentes lá nos afastamos um pouco, por segurança.

Cat, depois de uns segundos de concentração, esticou um dedo para cada cápsula, e deles saíram pequenos raios elétricos fortes, que duraram pouco mais de cinco segundos. Ao término, as marcações estranhas das cápsulas se acenderam.

- Eu fiz algo de errado? - Perguntou Cat se afastando.

- Não, Cat, era pra ser assim - Respondi aproximando-me para realizar o resto da tarefa.

Pressionei determinados símbolos de ambas as cápsulas, fazendo um barulho alto de trancas se abrindo por dentro.

Não demorou para que elas fossem destrancadas por completo, mostrando-nos a visão de Dário sentado e preso numa cadeira de sua cápsula, e Júlio em sua.

Uma fumaça que cobria o interior das cápsulas dissipou-se e os gêmeos acordaram aos poucos erguendo a cabeça. 

- Nossa... - Disse Dário. 

Júlio pôs-se a revirar os olhos e tentar soltar-se, pois a cadeira da cápsula ainda o prendia, assim como a de seu irmão. 

- Sandra, quero que... - Dizia eu, mas fui interrompida por uma rápida ação dos irmãos. Ambos passaram para a forma de dragão, e ainda presos nas cadeiras sopraram um leve bafo de gás, que dissolveu as trancas e os soltou. Eles puseram-se de pé e levantaram tremendo um tanto e recobrando os movimentos. - Ótimo! Venham comigo, vou os pôr a par das novidades. 

Ao saírem, as caixas voltaram ao modo compacto e eu as peguei para serem destruídas. 

Expliquei a Dário e Júlio tudo o que aconteceu desde a partida deles. Contei desde os animais e os novos dons, até Madame Ester e a captura de Nico e Lenita. 

- Vamos ajudar nos treinos de todos - Disse Dário. 

- E num plano infalível pra resgatar os meninos - Completou Júlio. 

- Excelente - Disse Vicente. -, precisamos de vocês mais do que nunca. 

Estavam todos da EME na sala ouvindo o que eu dizia aos gêmeos, assim como Madame Ester, Francisco, Ravena, Renê, as bruxas, Marcu e Dream estavam juntos no quarto desta última. 


A tentativa de Marcu e Dream: final - apagando

- Ahhh... - Disse Dream ao ver Madame Ester criar dois clones novos. Marcu arregalou os olhos. A coisa foi bizarra, pois nenhum dos alunos tinha visto antes a mulher fazê-lo. 

Madame Ester havia aproximado-se da cama de Dream e estendera as mãos próximas a ela. Logo, outro par de dedos saiu de seus pulsos, formando segundas mãos e não demorando para os braços também saírem. O rosto começou a revirar-se e uma segunda boca apareceu, assim como o nariz e o resto da face. 

A essa altura, Marcu, Dream, Mel e Caia tentavam esconder o leve nojo e sensação de estranheza que sentiam. 

Em seguida as pernas da mulher começaram a duplicar-se, acompanhadas pela cintura e o quadril. Não custou muito e uma clone perfeita surgiu a balançar a cabeça ainda com as mãos apoiadas na cama. 

Madame Ester precisava de mais um clone, então após recobrar o fôlego, ergueu os braços pra cima deixando novos aparecerem acompanhados pelo rosto e a cabeça. A mulher pareceu uma aberração com outra pessoa fundida acima das pernas. Mas isso não ficou assim por muito tempo. 

As novas pernas logo surgiram e deixaram o corpo de Madame Ester, tornando-se outra cópia perfeita e idêntica a original, com roupa e tudo, assim como a primeira. 

Madame Ester, após dar umas boas recuperadas de fôlego, pôs as mãos na cintura e fez um sinal com a cabeça para as clones novatas. Logo elas se puseram a andar em direção aos quase fugitivos, sendo que Dream ainda pôs as mãos na cabeça para tirar sua tiara, mas seu amigo fez que não com a cabeça e ela obedeceu. Não adiantaria lutar.

- Estão com sono? - Perguntou Madame Ester a Marcu e Dream quando as clones seguraram os seus braços.

- Que história é essa? - Perguntou Dream.

- De um modo ou de outro vão ficar - Madame Ester fez um gesto para Caia, sugerindo que ela desse a sua deixa. 

- Não! - Disse Marcu entendendo o que seria feito. - Não faça isso Caia, não faça o que ela quer!

A bruxa não hesitou e fechou as mão em direção aos rostos de Marcu e Dream, que perderam a consciência enquanto reviravam os olhos e relaxavam nos braços das clones. 

- E agora? - Perguntou a que segurava Marcu. 

Madame Ester aproximou-se e tirou de sua bolsa uma seringa, a qual injetou no braço de Marcu e tirou não pouco sangue. 

- Levem-nos ao subsolo. Um em cada cela. Vá com elas, Francisco.

Ele obedeceu. 

- Subsolo? - Sussurrou Mel no ouvido de Caia. A bruxa respondeu dando de ombros. 

- Podemos ir, Madame Ester? - Perguntou Mel, em fim. 

- Claro - Nesse momento, a mulher tirou uma arma de choque de sua bolsa rosa e a usou rapidamente nas bruxas, as impedindo de esboçaram reação à tempo. - Venham buscá-las assim que derem conta desses dois - Disse Madame Ester as clones que arrastavam Marcu e Dream. Elas concordaram com a cabeça. 

- O quê? - Disse Renê. - Mas elas...

- Traíram os amigos - Madame Ester pôs a arma de volta na bolsa. - Quis dá-las a esperança de que gostei do que fizeram, mas odeio traição. 

- Enquanto aquela garota elétrica no subsolo, Madame Ester? - Perguntou Ravena. 

- Ah é, eu peguei a garota errada. Agora temos que arrumar uma nova receptora. 

- E o que fez com a garota que pegou?

- Bom, podemos precisar dela, por isso tá presa. Mas ainda preciso usar a outra pupila de Madame Laís. 

- Enquanto ao rapaz que retiramos da cela? 

- Isso mesmo, quase esqueci dele. Seus dons já foram desinibidos perfeitamente, mas ainda preciso ver se ele está fazendo o que quero. 

- Vai lá? 

- Sim. Você e Renê vão pros seus quartos. 

- Tem certeza de que não quer ajuda, Madame Ester? - Perguntou Renê.

- Está surdo? Volte pro seu quarto! 

Ambos saíram do quarto de Dream e deixaram as bruxas estiradas lá, completamente inconscientes. 

- Nunca questione uma ordem de Madame Ester, Renê - Disse Ravena a ele enquanto os dois se dirigiam aos seus aposentos e Madame Ester pegava o elevador. -, não aprendeu isso no passado? 

- Foi só uma sugestão. 

- Pois continue com suas sugestões e vai acabar debaixo de sete palmos de terra - Renê tomou um rosto preocupado. - Ou melhor, jogado no rio Mamanguape.

Após essa afirmação horrenda, Ravena entrou em seu quarto e Renê parou em frente a ele enquanto ocupava seus pensamentos na memória de sua mãe. Como as investigações não chegaram a Madame Ester? Seu pai era um aviador conhecido, mas acho que a empresária sabia melhor como mexer seus pauzinhos. 


A cidade das notícias

Na cidade de João Pessoa, em frente ao prédio da empresa VOA, uma repórter preparava-se à sua maneira para entrar ao vivo no ar. 

O jornal em que ela trabalhava, Cidade das Notícias, estava prestes a anunciar sua entrada, enquanto Cat, Jacô, Sandra, Rafa, Jade e Gabriel acomodavam-se no sofá da EME procurando por algo que valesse à pena assistir. Cat precisava se recuperava e um pouco de distração não faria mau.

Sandra passava de canal em canal, e nada parecia bom. Porém, um grito de Gabriel interrompeu a passada de programas dela. 

- Pera aí! - Gritou ele levantando-se do sofá. - Eu acho que vi o prédio da Madame Ester. 

- Mesmo? - Perguntou Cat. - E como sabe que é ele?

- Pela foto do celular de Madame Laís. 

- Vou voltar o canal - Disse Sandra. 

Ela apertou uma tecla e não custou a encontrar a visão do tal prédio.

- É verdade! - Disse Jacô. 

Todos observaram a repórter, com o pano de fundo da VOA, que ainda esperava a deixa do jornalista que apresentava o tele jornal. Quando ela em fim veio, eu cheguei bem na hora e pude acompanhar o que seria dito. 

- Nós estamos aqui para falar de algo que aconteceu recentemente bem nesse lugar - Dizia a repórter ruiva. -. Nessa zona de prédios, apartamentos e empresas da metrópole de João Pessoa, uma ocorrência diferente se manifestou à pouco tempo...

- Ai meu pai! - Disse e me sentei no sofá instantaneamente. 

- ...Imagens de câmeras de segurança mostraram uma perseguição nas ruas da cidade. Uma moto em alta velocidade seguia um carro rosa. O mais estranho foi o fato de plantas e cipós terem agarrado o carro, como se quisessem pegá-lo. Tiros foram disparados e o automóvel rosa veio parar aqui, no prédio empresarial atrás de mim. Desde um tempo, os funcionários trancaram as portas. Tentamos contato mas não tivemos nossas ligações retornadas. Igor. 

- Que bizarro, Martha - Disse Igor, o âncora do tele jornal no estúdio. 

- É, Igor. Inclusive, aqui na cidade de João Pessoa, alguns dias atrás, uma menina foi vista correndo pelas ruas após fugir da escola, e do nada as vassouras de um mercadinho voaram inexplicavelmente em cima do porteiro da escola, que tentava alcançá-la. Será que estamos li dando com pessoas de poderes sobrenaturais, Igor? 

- Vai saber, não gosto nem de ouvir falar dessas coisas...

Todos da EME presentes na sala de estar mostravam-se claramente preocupados, então percebi que era hora de me pronunciar. 

- Calma, pessoal, isso não é fim do mundo. 

- Mas isso é terrível, Madame Laís! - Exclamou Rafa. 

- É - Concordou Gabriel. -, agora eles tem motivos pra desconfiar de qualquer demonstraçãozinha de nossos dons. Agora vai ser perigoso salvar Lenita e Nico. 

- É verdade - Disse Cat. -, podemos estar correndo risco. 

Percebi que se não tomasse o controle daquilo, grandes problemas poderiam surgir, então não demorei a falar novamente. 

- Tudo bem, basta! Isso foi um descuido meu, eu sei, mas a única coisa em que podemos pensar agora é na próxima invasão a VOA e em sermos cautelosos...

Dei ainda mais um pouco de sermão, e felizmente todos entenderam o recado. 

- Mas e a menina que falaram na reportagem? - Questionou Jade observando bem esse ponto. - Ela pode ser uma de nós! 

- Tem razão, Jade, mas se não tiveram mais notícias dela isso só pode significar duas coisas: ou ela voltou pra casa, ou Madame Ester a descobriu. 

- Tomara que tenha sido a primeira opção, essa Madame Ester parece ser terrível.

- Ela é um monstro! - Completou Sandra. - Como alguém pode aprisionar pessoas? Eles devem estar passando por coisas horríveis agora. 

Gabriel tomou um rosto preocupado e sombrio pela afirmação de Sandra. 

- Não se preocupe, Gabriel - Disse eu. -, resgataremos sua prima e Nico o quanto antes.

Ele baixou a cabeça entristecido. 

- Bom, vou ver os animais - Decretou Sandra. - Alguém quer vir comigo? 

- Eu vou - Disse Rafa levantando-se. 


O super cérebro

Na empresa VOA, Madame Ester desceu em direção ao subsolo. Saindo do elevador, a mulher dirigiu-se a uma porta metálica cinzenta, cuja qual ela logo abriu com uma chave retirada de seu bolso. Ao entrar, deu um leve sorriso com algo que viu.


¤ Sala No Subsolo ¤

Reflexo: Haviam aparelhos e tubos de ensaio por

todos os lados em cima de prateleiras e estantes de aço. 

A sala era um tanto escura, com apenas duas lâmpadas

trazendo um tanto de luz,

e o perfil de alguém sentado numa cadeira metálica

trabalhando em algo com um maçarico era facilmente

visto por qualquer um que nela entrasse. 


O rosto sentando virou-se e olhou Madame Ester. Vendo se tratar dela, voltou ao seu trabalho sem dar muita importância a mulher ali parada trancando a porta. 

- Como vai, Eric? - Disse ela a Eric aproximando-se. - Está indo bem no projeto?

- Sim, Madame Ester - Respondeu ele seriamente e sem tirar os olhos do que fazia. -, já tô finalizando o gerador, acho que à noite acabo. 

- Excelente. Enquanto aos fusíveis? 

- Ah, já ia falar deles - Eric aproximou-se de uma pilha de coisas coberta por um pano branco, que logo foi retirado por ele. - Acontece que houve um problema e uma explosão... Enfim, acho que vou demorar mais tempo que o previsto pra concertá-los. 

Madame Ester aproximou-se do rapaz calma e friamente, fazendo com que Eric engolisse em seco. 

- Eric - Disse ela segurando seu queixo e suas bochechas com não pouca força. -, eu não tenho tempo, faça de tudo pra arrumar - Ela soltou ele. - Acho que vou diminuir suas refeições para uma ao dia, assim terá mais tempo. 

Eric baixou e cabeça e Madame Ester pôs-se a sorrir um tanto. Em seguida se retirou do ambiente. 

- Madame Ester - Disse Eric interrompendo a mulher que deixava o lugar, a fazendo virar-se devagar e olhar fixamente para ele de forma intimidadora.

- O que quer? - Perguntou-lhe Madame Ester. 

- Quando vou rever meu pai? - Ele falou sem levantar o olhar. 

- Se fizer tudo como eu disse... em breve. 

- Obrigado. 

Madame Ester ignorou o agradecimento e após trancar a porta dando duas voltas na chave, se retirou pelo fim do corredor. 

A essa altura, acho que você já sabe qual o dom de Eric, ou pelo menos tem uma ideia. Mas vamos esclarecê-lo de uma vez, só para não deixar nenhum rastro de dúvidas.


¤ Eric ¤

Dom: A mutação lhe proporcionou um desenvolvimento

anormal de suas células cinzentas,

por isso ele tem um Q.I. altíssimo, além de um rápido raciocínio

e entendimento veloz sobre qualquer assunto. 

Reflexo: Moreno, olhos esbugalhadamente azuis,

um cabelo com cachos definidos e esvoaçantes

 sobre a testa.


Algo nos olhos

Dário e Júlio foram descansar em seus velhos quartos após nossa conversa explicativa sobre os assuntos perdidos por eles.

Júlio dormia exausto, e Dário também estava prestes a fazê-lo, quando algo no mínimo diferente ocorreu. 

- Ah... - Disse ele baixinho ao ver no reflexo de um espelho de mão seu rosto, mais exatamente os olhos. 

O olho direito dele estava com a parte branca repleta de riscos azuis e verdes. 

- O que é isso? - Ele correu para o quarto do irmão. - Júlio! - Disse Dário sacudindo o irmão deitado na cama de seu quarto. Infelizmente, seu sono era mais pesado que uma montanha. 

Ao perceber que o irmão não acordaria, Dário voltou ao seu quarto e olhou novamente no espelho. Os traços azuis e verdes haviam sumido, por momento.

- Toc, toc - Disse eu ao chegar no quarto de Dário. 

- Madame Laís - Disse ele surpreso e pondo o espelho na cama.

- Não está cansado, Dário? Seu irmão está roncando alto o suficiente pra se ouvir do corredor. 

- Eu sei. Já estava me preparando pra ir se deitar.

- Ah, então vou deixá-lo em paz. Tchau - Acenei antes de sair. 

Dário respirou profundamente após minha saída, e logo se jogou na cama pensando se deveria contar o que vira em seu olho ou não. Antes que pudesse decidir, ele adormeceu. 


Notas Finais


Estamos nos aproximando da reta final, espero que estejam gostando. Tive alguns problemas com esses últimos capítulos mas acho que consegui (ninguém viu que só pus o acento no nome do Dário agora).

Link do vídeo de apresentação dos personagens: https://youtu.be/rAPMGXx23NY


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