História EME - Dons, não maldições - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aceitacao, Dons, Drama, Eme, Escola, Família, Fantasia, Floresta, Fogo, Garras, Gelo, Heróis, Mau, Mistério, Mudança, Mutantes, Novela, Plantas, Raio, Regeneração, Romance, Suspense, Vida
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Palavras 4.459
Terminada Não
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Pois é, vocês podem não acreditar mas cá estamos nesta segunda feira.
Perguntei se queriam postagens em dois dias da semana, e como não disseram nada pensei em deixar como estava, mas mudei de ideia. Acho que isso pode agilizar um pouco as coisas.

Na foto o pessoal da VOA

Capítulo 9 - As grades de baixo


Fanfic / Fanfiction EME - Dons, não maldições - Capítulo 9 - As grades de baixo

A sugestão da telepata

- Não, Vicente, apenas você vai comigo - Eu disse ao meu irmão. 

- E a gente vai ficar aqui sozinho? - Perguntou Jacô.

Todos estavam na sala de estar. 

- Não, Zé estará no comando. 

- É o quê? - Disse Zé. 

- Sei que se sairão bem, Zé - Disse Vicente. 

- Não quero que ninguém mais corra o risco de ser sequestrado. 

Eu e Vicente pegamos a moto (eu dirigi) e fomos falar com Diana, a telepata, pois o resgate já iniciava a primeira etapa. 

- Lamento, mas eu não posso deixar meu sítio - Disse Diana após a chamarmos pra ir conosco na cidade ajudar a encontrar Nico e Lenita no prédio da VOA. 

- Mas precisamos de alguém que possa o localizar através dos pensamentos - Disse eu.

- Hum, eu acho que conheço alguém que pode servir para esse fim. 

- Mesmo?

- É, é um ex-marido meu. Ele pode dizer onde tá qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, só precisam levar uma peça de roupa e uma quantia expressiva em dinheiro. 

- Quanto, mais ou menos? - Perguntou Vicente. 

- Uns dois mil contos. 

- Nossa. 

Apesar de ser um alto valor, eu e Vicente conseguimos o dinheiro e seguimos o endereço dado por Diana. O homem sugerido, curiosamente era Guru, aquele que já ajudara Madame Ester.

Chegamos a cidade, e decidimos que apenas eu entraria no endereço indicado. Vicente ficou aguardando em frente a casa humilde de Guru. 

Bati palmas e uma voz de dentro soltou um "Pode entrar", então fiz como foi indicado. 

- Guru? - Perguntei ao homem velho sentado no chão a observar um chá preto e jogar paciência.

- Sim, Madame Laís de Sousa - Respondeu ele e não custou para mover uma carta no jogo. 

- Como sabe o meu... - Sentei no chão em frente a ele. - Deixa pra lá, esqueci que...

- Pode pôr a quantia em minha mesa. Sei que está se perguntando se o valor está correto, e temo dizer que há cinquenta reais à mais. 

- Nossa, isso é honestidade? 

- Não gosto de ver meus clientes enganados. 

Peguei os tais cinquenta reias à mais e os pus de volta em meu bolso, logo colocando o resto na mesa. Em seguida Guru pôs o dinheiro numa gaveta atrás dele, como fizera com Madame Ester.

- Certo - Disse Guru. -, em que posso ajudá-la?

- Quero que rastrei o dono dessa meia pra mim - Entreguei uma meia de Nico a Guru.

Ele a tocou com as mãos na mesa, e mesmo com o fedor, a parte escura de seus olhos sumiu, ele ergueu a cabeça de seu chá e de seu jogo, e não demorou para que ele encontrasse Nico em sua cela na VOA. 

- Ele tá preso em algum lugar. 

- Minha Virgem Maria! - Exclamei e arregalei os olhos. 

- Pobre Nicolau, está encharcado por lágrimas, em algum lugar num prédio em... - Ele entrou na mente de pessoas na rua ao redor da VOA, e através dos olhos duma delas, ele viu um táxi com uma placa informando ser de João Pessoa. - Em João Pessoa. 

- E qual é o nome do prédio? 

- É... - Disse ele ainda na mente da mesma pessoa, que olhou pra cima e leu a logo da empresa. - VOA. 

- Eu sabia! 

- Então por que perguntou?!

- Deixa pra lá. Mas... O senhor também pode localizar objetos?

- Não, a menos que tenham coinciência, o que não é o caso.

- Como sa... - Parei de falar quando lembrei de que ele pode ler pensamentos. - Esqueça. Bom, mas se quer saber, eu recomendo que o senhor não leia a mente de seus clientes. 

- Me desculpe - Os olhos dele voltaram ao normal -, mas a Madame não mostrou-se incomodada. Laisinha, a criança que foi vítima bullying e acabou expulsa da escola. 

- EU me equivoquei. 

- Por que não diz sobre o Corvo a seus alunos, Madame Laí. Por que não diz a verdade a seu irmão? 

O Corvo. Não era momento pra remexer o passado, .

- Obrigada por tudo, Guru - Me levantei do chão.

- Volte sempre. 

Saí da casa humilde e me juntei a meu irmão, que já havia subido na moto para evitar ficar em pé. 

- E então? - Perguntou ele. 

- Já sei onde ele tá. 

Vicente suspirou aliviado. 

- E também sabe onde tá o aparelho das cápsulas pra libertar os gêmeos? - Perguntou ele. 

- Não, ele não encontra objetos. 

- E agora? 

- Agora vamos ter que nos virar. 


Ratoeira

Na VOA, Nico e Lenita mantinham-se ocupados boa parte do tempo dormindo, pois ele já desistira de chorar e da ideia de uma fuga, e ela ocupou-se apenas em esperar.

Três vezes ao dia, uma clone de Madame Ester trazia água e comida, além de frequentemente descartar os resíduos (urina e fezes) de um balde, em local apropriado. 

Até então, eles já notaram que haviam além deles outras pessoas aprisionadas lá. Eram audíveis gritos e as vezes gemidos vindos do longe, mas a certeza ainda não era confirmada, pois aquilo podia ser um tipo de tortura ou até mesmo um pré estágio alucinógeno. 


Marcu e Dream continuavam amigos, e apesar das aulas em horários diferentes, ele ajudava a amiga em algumas lições, exceto em matemática ou português. 

- Você é mesmo horrível em cálculo - Disse Dream a ele após uma tentativa frustrada de resolver um problema matemático. - Até eu sei que isso tá errado.  

- Eu disse que não era bom em matemática - Disse Marcu rindo. 

Eles pararam de falar por um tempo. Ao passar de não poucos segundos, o garoto tomou um tom sério na voz e tornou a falar. 

- Escuta, Dream, isso aqui pode parecer legal e tudo mais, mas é tudo mentira. A Madame Ester só quer nos usar. 

- Eu sei, Marcu, e eu só tô feliz aqui por causa de você. 

- Olha, eu tô esperando o momento certo pra dar um fora daqui, mas eu não vou te forçar a nada. Então? Tu quer fugir comigo? 

Ela abriu um sorriso. 

- Sim, eu não ia aguentar ficar aqui sem você, irmão. 

- Ótimo, mas... Dream, eles vão vir atrás da gente, mesmo que consigamos escapar, eles virão - Marcu segurou a mão de Dream com bastante rigidez. - Por isso, saiba que se conseguirmos, você e seus pais tem que sumir do mapa, entende? 

- Nos mudar? 

- É, mas pra bem longe daqui, onde ninguém os encontre. 

- Eu ouvi bem? - Perguntou Mel na porta. - Vocês vão fugir? 

A partir dali, Marcu e Dream tomaram uma aparência evidentemente preocupada e nervosa.  

- O quê? - Disse Marcu. - Não, quem vai fugir?! Nós não! 

- Não finja, Marcu, eu ouvi tudo. 

Naquele momento, ele percebeu que era tarde pra convencê-la de que ouvira errado. 

- Por favor, não conte a ninguém, Mel, eu... eu te dou minha sobremesa, eu faço suas tarefas, mas não conte a ninguém! 

- Tá implorando? 

- Ham... Sim.

- Acho que não tô vendo ninguém de joelhos, aqui. 

Mel usou seu dom pra fazer Marcu ajoelhar-se e pôr as mãos num gesto de súplica. 

- Por favor! - Pediu ele.

- Bem... Eu não disse que ia contar. 

Marcu e Dream respiraram aliviados. 

- Mesmo? - Perguntou Dream. 

- É, mas com uma condição. 

- Qual? - Perguntou Marcu. 

- Eu também quero fugir. 

- Você?! 

- É claro, eu não aguento mais isso aqui, é tudo um saco. 

- Mas... Se não quer mais ficar aqui, por que já não usou sua habilidade e o fez?

- Acha que não pensei nisso? Não dá. Só consigo controlar uma pessoa por vez. Seria uma ratoeira prestes a pegar o rato. 

- E a Caia? - Disse Dream. 

- Ha. Ela tá muito estranha já faz um tempo. Não confio nela. 

- Saberia de alguma passagem que pudéssemos usar? - Perguntou Marcu.

Após essa pergunta, Mel riu enlouquecidamente, como uma verdadeira bruxa de contos de fadas faria. 

- Por favor, Marcu, eu moro aqui há uma eternidade, é claro sei. 

- Ah! - Disse ele ainda na posição de súplica forçada pela bruxa. - E, será que pode...

A bruxa fez com que Marcu se libertasse. 

- Valeu - Agradeceu ele.

- Então? - Disse Mel. - Querem minha ajuda?

- Sim, se puder...

- Ótimo, depois combinamos os detalhes.

Ela deixou o quarto tranquilamente. 

- Acha que podemos confiar nela? - Perguntou Dream a Marcu.

- Espero que sim, Dream. 


Jornada e jornal

Finalmente, após não pouco tempo de viagem, chegamos a João Pessoa, onde procuramos pelo prédio excêntrico da VOA, que não demorou a aparecer na paisagem metropolitana. 

Paramos bruscamente um tanto longe e após Vicente saltar da moto, eu também o fiz. 

- E agora? - Perguntou-me Vicente ajeitando os cabelos no retrovisor e as mangas da camisa. 

- Agora vamos... - Ao dizer essa frase, algo engraçado em seu ponto de vista aconteceu: um jornal voou direto em meu rosto, de forma a me interromper. - ...iniciar o plano de resgate! - Respondi triunfalmente ao retirar as manchetes da minha cara. 


O soltador de gemidos: parte 1 - dialogando

Nas celas do subsolo da VOA, meus alunos até que eram bem tratados, em comparação aos outros que lá estavam. 

- Ahhhhh... - Gemia alguém trancafiado.

- Para com isso, eles podem nos castigar - Dizia outro alguém atrás das grades ao lado. 

- Eu não entendo, Qui, por que nos fazem passar por isso?! - Perguntou o garoto que gemera. 

- Eles são monstros, não precisam de motivos. 

- A proposta! - Disse outra pessoa da cela ao lado do rapaz que gemia se espremendo pelas grades da janelinha da porta. 

- O que disse, Alam? - Perguntou Qui, a garota com quem o gemedor conversava, até então. 

- Não aceitamos a proposta feita, senão, estaríamos lá no alto, nos divertindo. 

- Como tem certeza? - Perguntou outro ser ao lado de Qui. 

- O meu amigo, Alex, aceitou a proposta e uns dias depois mandou recados pra casa, dizendo que era tudo ótimo. 

- E por que não foi também? - Perguntou o rapaz que gemia. 

- Por que eu não queria abandonar minha vida, Eric, mas é óbvio que ou tu vem por bem ou tu vem por mal. Quando eles te acham não há muita opção. 

Houve um silêncio incômodo, de repente.

Até agora, apenas o Eric, o soltador de gemidos, mantinha-se deitado em seus lençóis, mas não demorou para que ele se erguesse, ao notar o silêncio, e o quebrasse. 

- A vida muitas vezes é como um caminho com duas estradas. Ou você segue o duvidoso ou confortável, mas acaba descobrindo que nem tudo é o que parece. Por falar nessas coisas, quantos acham que somos? 

- Muitos - Disse Qui. 

- Não, eu quero um número exato. 

- E por que não conta, não é um gênio?! - Sugeriu Noah, o rapaz ao lado de Qui nas celas do outro lado. 

Eric então contou as celas que ele achava estarem ocupadas. 

- Acho que uns dez ou onze. 

- É, mas você contou os novos? - Perguntou Alam.

- O quê, tem novatos?

- Acho que você tava dormindo quando eles chegaram. 

- E onde eles tão?

- Levaram um pra longe, bem longe. E eu acho que ouvi um ser posto aqui, quase ao lado. 

- Mas por que quer saber quantos somos? - Perguntou Qui. 

- Era só uma ideia que me ocorreu.

- Ideia de...

- Uma fuga! 


O prédio

Após descermos da moto, não custou para que o plano se iniciasse com a entrada no prédio arquitetonicamente belo da empresa Vivendo O Amanhã. 


¤ VOA ¤

Reflexo: Um prédio grandioso e envidraçado, 

com o nome VOA, estampado em dourado e preto na entrada

à portaria. É meio cortocido, formando uma construção

mais avantajada no meio que

nas extremidade de cima e baixo. 


Vicente foi encarregado de manter a porteira ocupada, enquanto eu usaria meus não poucos conhecimentos sobre computadores para pegar todas as informações necessárias no da portaria da VOA. 

- Com licença, moça - Disse Vicente pondo os cotovelos sobre o balcão e realizando sua função. -, saberia dizer onde é o prédio da empresa VOA? 

- É aqui mesmo, senhor. 

- Não!

- Sim!

- E vocês vendem hormônio pra cavalo?

No momento em que Vicente conversava com a porteira clone, eu espreitei por trás da mulher, enquanto meu irmão desviava o olhar dela, e fiz umas plantas que acoplei num suporte em meu cinto alongarem seus cipós um tanto. 

- ...Então aqui só vende hormônio pra jumento e boi? - Dizia Vicente.

- Senhor, nós não vendemos nada aqui há não ser tecnologia. O senhor deve estar no prédio errado. 

Ao término dessa frase, fiz as plantas aumentarem ainda mais e cobrirem a boca e o rosto da mulher, sendo que os braços e pernas foram os próximos. 

Ela se contorceu um tanto tentando escapar, mas eu fiz os cipós a apertarem mais um pouco, até que ela acabou se desfazendo em pó branco.

- Não era isso que eu pretendia, mas... - Parei de falar ao recolher as plantas de volta ao meu cinto. - Muito bem - Me dirigi ao computador. 

Após umas teclados e arrastares de mause, pus meu pen drive na entrada USB da máquina e transferi alguns arquivos pra ele.

- Terminou, Laís? - Perguntava Vicente constantemente. 

- Não me pressione.

- Já terminou, Laís? - Perguntou ele não muitos segundos depois. 

- Ainda não, Vicente. Olha, só vigia pra ver se não vem ninguém, tá? Eu aviso quando terminar.

- Ahã. 

Bom, felizmente ninguém veio. POR ENQUANTO. 


O soltador de gemidos: final - o pai

Antes que qualquer um dos aprisionados repreendesse ao soltador de gemidos por sua ideia de uma fuga, uns passos duros fizeram com que todos voltassem aos seus respectivos leitos. 

- Eric? - Disse a voz olhando pelas grades das celas.

- Pai? - Perguntou Eric, provavelmente reconhecendo a voz.

- Eric! - O homem foi a janelinha da cela do provável filho. - É você mesmo?

- Sim, mas como o senhor entrou aqui? 

- Não importa, precisamos sair o mais rápido possível. 

- E a guarda? 

- Já dei um jeito nela e também peguei a chave. 

O homem retirou um chaveiro dos bolsos, e após ver que o número do recinto de Eric era 11, procurou o mesmo numa das chaves, e não demorou muito a encontra-lá.

Ele destrancou a cela e o rapaz que à pouco gemia rapidamente saiu dela e entrelaçou os braços no pai. 

- Vamos soltar os outros! - Disse Eric encerrando o abraço. 

- Não há tempo, eles podem nos achar. 

Os outros prisioneiros mantiveram-se quietos a ouvir a cena.

- Eu não posso deixá-los. 

- Filho, escute, se não sairmos daqui agora vamos ser pêgos. Eles têm câmeras de segurança, não vão demorar a nos encontrar. 

Eric fechou os olhos lentamente e os abriu, tomando forças pra ir embora. 

- Vamos logo - Disse ele.

O pai pegou a mão do filho e correu com ele passando pela cela de Lenita, que dormia, e pelas outras desocupadas. 

- Não acredito! - Disse Qui sussurrando para si em seus aposentos. 

Eles passaram pela guarda clone desacordada, e não demorou para cruzarem a porta e se retirarem por um corredor mais claro que comparado ao quadro de celas. 

- Por aqui - Disse o pai levando o rapaz pelo corredor mais escuro dos dois que haviam à frente. 

Num instante inexplicável, o pai soltou a mão de Eric e correu um pouco mais rápido e para o mais longe possível do filho. 

- Espere, eu tô ficando pra trás - Disse o garoto tentando acompanhá-lo. 

O homem virou no fim do corredor e ao chegar ao mesmo, Eric deparou-se com ele parado de costas e Madame Ester à sua frente.

- Pai, fique longe dela! 

- Hahahahaha - Riu o tal pai revirando os ossos e músculos lentamente, assim mudando de forma e também de voz, voltando a forma original, que era a de Ravena. - Hahaha... - Terminou ela de gargalhar e de mudar. 

- Não, não - Eric tentou correr, mas Francisco atravessou uma das paredes e o agarrou, dando um choque elétrico em seu pescoço, que o fez desmaiar. 

- Nossa - Disse Francisco meio que se afastando dele e passando uma mão na parede com o fim de limpá-la. -, ele tá podre.

- Não interessa - Disse Madame Ester aproximando-se. -, precisamos dele. Suas habilidades são importantíssimas pros meus fins. 

- Mas por que dá-lo essa falsa esperança?

- Tá com pena, Francisco?! - Questionou Ravena. 

- Não, só quero saber. 

- O dom dele passou muito tempo inibido - Disse Madame Ester. -, pra reativá-lo é preciso adrenalina correndo nas veias.

- E só por curiosidade, por que não usar uma injeção? 

- Essas coisas custam caro, e também assim é mais divertido. 


< Madame Ester >

Reflexo Psicológico Óbvio: Mão de vaca 

excêntrica. 


Eles arrastaram Eric de lá e se retiraram, deixando apenas uma indignação em seus companheiros de prisão. 


Farsa na voa

Enquanto tudo isso ocorria com o pobre Eric, eu e Vicente nos mantivemos ocupados na portaria da VOA. 

- Laís!

- O que foi, Vicente? 

- Já terminou? 

Me irritei. 

- Ahr, se eu tivesse terminado eu não estaria mais aqui, caramba! 

- Calma, não precisa gritar. 

Eu não havia gritado, mas fui consideravelmente grossa. 

- Laís, eu acho que temos um problema - Disse Vicente olhando para o lado de fora. 

- O quê é, Vicente? 

- É aquele maluco que te raptou!

- O quê?! - Ergui a cabeça do computador. - Fique calmo, ele não sabe mais quem somos.

- E o que faremos?

Quando Renê finalmente entrou, se deparou conosco fingindo trabalhar na VOA. 

Eu permaneci no computador fingindo ser a porteira, enquanto Vicente pegou uma vassoura num armário e pôs-se a varrer o chão. 

- Com licença - Disse Renê vindo até mim. -, eu gostaria de falar com Madame Ester. Será que posso subir? 

Eu limpei a garganta fortemente e logo me pus a fingir falar ao telefone. 

- Só um minuto. Alô, Madame Ester? - Um pausa. - Um homem chamado...

- Renê. - Disse ele.

- Renê, está pedindo permissão pra subir. - Uma pausa. - Ahã. Ahã. Tá - Coloquei o telefone fixo de volta em seu lugar. - Pode subir. 

- Obrigado - Renê se afastou e em seguida pegou o elevador. 

Houve um grande "Ufa" de mim e de Vicente, e após isso nos pusemos em nossas posições normais. Porém não por muito tempo, pois percebemos o elevador voltando e as nossas posições de disfarce rapidamente voltaram. 

- Aliás - Disse Renê ainda no elevador. -, em que andar ela tá? 

- Ham... - Disse eu. - Décimo.

- Ok. 

Em seguida o elevador voltou a subir e outro "Ufa", foi dito por nós.

- Já terminou, Laís? - Voltou a perguntar Vicente. 

- NÃO!


Atrás das grades

Nas celas subterrâneas da VOA, os meninos dormiam de tão cansados que estavam de segurar o peso dos próprios corpos. Eles já emagreciam e tornavam-se fracos, assim como os outros presos que estavam há muito tempo.

Após a saída de Eric, não demorou para os comentários de Qui, Alam e Noah virem a tona. 

- Ainda não caiu a ficha de que ele foi embora assim e nos deixou - Disse Alam. 

- Ele tinha que ir - Disse Noah. - A oportunidade veio. 

- Você faria o mesmo, Alam - Disse Qui. - Confessa. 

- Bem... Dependendo das condições...

- Então, babaca! - Disse Noah. 

Em seguida, a conversa atrás das grades cessou.

Para Qui, foi muito triste o fato de Eric os ter deixado, mas era claro que qualquer um deles não hesitaria se surgisse para eles a mesma chance.

Alam estava chateado e aborrecido pela atitude do colega, mas notou que sua decisão não foi diferente da que ambos teriam. 

Noah não ligava muito, mas é claro que gostava de conversar para passar o tempo. 

A divisão era assim: quatro celas num bloco, um corredor, quatro celas num bloco, um corredor, quatro celas num bloco, um corredor, quatro celas num bloco, um corredor, totalizando dezesseis selas, sendo que os cálculos feitos por Eric disseram haver dez ou onze prisioneiros, incluindo os novatos. Porém, ele estava errado. Eram apenas eles, ali, não entendo como concluíram esse resultado. Bem, talvez por ouvir os roncos ou o ecos de Nico e Lenita, e muitas vezes dos próprios colegas de prisão ao lado, Eric achou que houvessem outros prisioneiros além deles e dos novatos, quando na verdade não haviam. 

Ele poderia facilmente ter percebido isso quando Ravena, disfarçada de seu pai, veio até lá, pois ao ver uma pessoa estranha, é claro que haveriam conversas de possíveis outras pessoas atrás das outras grades, ou até mesmo esperança de liberdade. 

É, não se podia esperar muito deles, pois chegaram há pouco tempo, e apesar de nunca terem ouvido outra pessoa que não fossem eles ou pequenos barulhos de Nico, talvez a solidão fosse grande ao ponto de causar a criação de coisas que não existiam. 

Vai saber!


Moeda de troca

Na VOA, enquanto eu ainda passava alguns arquivos para o meu pen drive na portaria, Renê acabara de esbarrar com Ravena no décimo andar. 

- Renê! - Afirmou ela assustada. 

- Ravena! 

- A Madame Ester sabe que está aqui? 

- Acho que sim, lá em baixo disseram que eu podia subir. 

Ravena ficou meio desconfiada, e então levou Renê ao quarto de Madame Ester, onde ela descansava após deixar Eric nas mãos de Francisco. 

- Madame Ester - Disse Ravena bem no momento em que a mulher se preparava para deitar-se em sua cama rosa.

- O que é? - Gritou ela. 

- Sou eu, Madame - Disse Renê entrando e vendo a mulher de pijama rosa num quarto rosa. 

- Renê! - Disse ela um tanto mais calma. 

Ravena foi chamada pela bruxa Caia e Renê ficou a conversar com Madame Ester. 

- O que é, Caia? - Perguntou Ravena do lado de fora do quarto se dirigindo a garota. 

- Eu tenho algo muito importante pra dizer.

- Diga! 

- Há traidores aqui, pessoas que querem fugir. 

Ravena ficou ligeiramente mais interessada. 

- Tem certeza? 

- Sim, a Mel ouviu tudo e me contou.

- E quem quer fugir? 

- Marcu e Dream - Caia não teve o menor receio em entregá-los. 

- Os novatos?!

Ravena então entrou no quarto de Madame Ester, enquanto ela olhava as imagens das câmeras de segurança em seu tablet, após Renê descrever as pessoas que estavam na portaria. 

- Madame Laís - Disse Madame Ester rangendo os dentes. 

- Madame Ester - Disse Ravena. 

- Agora não, Ravena.

Ela não insistiu, mas ficou na porta. 

- Quem é Madame Laís? - Perguntou Renê para a dona da VOA. 

- Não se lembra?

- Não, por que lembraria? 

- Deixa pra lá, vamos descer agora. 

Madame Ester, ainda de pijama, saiu apressada de seu quarto ao lado de Renê, e se dirigiu ao elevador rapidamente. 

- Disse a ela? - Perguntou Caia a Ravena. 

- Ainda não tive a chance. 

- Que droga! - A bruxa passou a mão nos cabelos e não demorou a voltar a falar. - E quem era aquele?

- Só um babaca. 

Na portaria, eu percebi um detalhe deixado pra trás por nós. 

- Ah, as câmeras de segurança. 

- Deixa comigo - Vicente apontou a palma da mão aberta em direção a uma das câmeras, e a fechou a destruindo. Ele fez isso com as outras e não demorou a Madame Ester perceber em seu tablet rosa o fato.

- Desativaram as câmeras, mas é tarde. 

- Acho que não são muito espertos, Madame Ester. 

O elevador chegou a portaria e os dois se depararam conosco lá. 

- Ha! - Disse Madame Ester se aproximando. 

- Já terminou, Laís? - Perguntou Vicente pela última vez. 

- Agora já! 

Peguei o meu pen drive do computador e nos juntamos em frente a porta de entrada. 

- Então essa é a verdadeira Madame Laís! - Disse Madame Ester. Estávamos frente à frente, agora. 

- Madame Ester - Disse eu com a voz rasgada. 

- O que faz aqui? Que ousadia é essa?! Veio atrás de seus aluninhos?

- Sim, me devolva eles. 

Madame Ester suspirou e pôs as mãos nos cabelos esbranquiçados antes de responder. 

- Pode levá-los. 

Não respondi. 

- E então?

- E então o quê, Madame Ester? 

- Quantos alunos seus me dará pelo floco de neve e a menina da bandana?

- O quê?! Não vou usar meus alunos como moeda de troca. 

- Então Nicolau e Lenita permanecerão comigo. 

- Tudo bem! - Suspirei fortemente e abri o acoplamento de meu cinto, liberando um cipó que pus a erguer um tanto. Vicente também preparou seu dom. 

Madame Ester bateu palmas sarcasticamente, enquanto Renê ficava atrás dela com um sorriso besta no rosto. 

- Meus parabéns - Disse ela. -, são bravos!

- Não ataque, Vicente - Falei. - Não ainda. 

- Acha que pode fazer isso bem na minha frente? Na minha empresa, Madame Laís?!

- Eu tô fazendo, não é? 

Uma pausa. 

- Tudo bem - Disse Madame Ester. 

- Tudo bem o quê? - Perguntei. 

- Podem ir.

- E os meninos? 

A mulher mexeu em seu tablet e após um minuto Nicolau e alguém com uma capa que provavelmente era Lenita vieram pelo elevador. Estavam imundos e com cara de preocupação. 

- Nico e Lenita - Disse eu. 

- Madame Laís! Vicente! - Disse apenas Nico. 

- Podem ir - Disse Madame Ester a eles. 

Os dois correram pra nós e puseram-se ao meu lado. 

- Agora xô! - Ester agitou as mãos aparentemente nos expulsando. 

Saímos de lá sem deixar de olhar pra trás, e quando cruzamos os primeiros três metros fora do prédio, o suposto Nico parou e voltou a sua forma original, que era a mulher Ravena. 

- Ravena - Disse eu com ódio e rangendo os dentes. 

E a suposta Lenita retirou o manto mostrando-se ser um das clones de Madame Ester. 

As portas de vidro da empresa fecharam-se e uma luz estranha envolveu todo o prédio num instante. Antes de qualquer ação, Francisco atravessou a porta do lugar e pegou a mão de Ravena e da clone, as tornando também intangíveis e as levando de volta. 

Sem muito pensar, fiz o cipó que saía de meu cinto ricochetear as portas, mas ele foi repelido imediatamente 

- Há um campo magnético de proteção - Falei. 

- Droga! - Disse Vicente. - Como caímos nessa? Era óbvio que Madame Ester não nos entregaria eles assim. 

Realmente fomos tolos, não podíamos ter considerado uma vitória tão fácil. E eles venceram essa, nos expulsaram do prédio. 

Voltamos cabisbaixos para a moto e seguimos viagem de volta à EME, sendo que eu dirigi. 


Notas Finais


Eu genuinamente não sei o que pensar rsrs
Acho que a estória deve estar muito boa ou muito ruim, por que praticamente ninguém diz nada sobre.
Enfim, se quiserem que eu saiba o que acharam os comentários estão aí.

Espero que tenham curtido esse capítulo introduzindo novos personagens muito importantes pro que há de acontecer em breve. Beijos e até a próxima


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