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História Empty Crown - Capítulo 9


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Notas do Autor


Voltei com um novo capítulo!

Relativamente a este capítulo...
Tem um cantinho reservado para Wangxian por que acho que estava na altura de colocar novamente uma interação deles, sendo esta mais focada na relação deles (visto que a última estava mais focada na “procura” de Yanli e tals).
E sendo que este será o “gatilho” para o desenrolar da relação futura deles.

Nos vemos nas notas finais que tenho lá um pequeno “aviso”.

Boa leitura <3

Capítulo 9 - Problema Matinal.


8.

O Rei de GusuLan e o Príncipe de YunmengJiang acabaram por passar a noite na cabana, tendo em conta que a tempestade não tinha acalmado significativamente e já havia anoitecido.

Ficarem fechados num lugar desconhecido e na companhia somente um do outro foi uma situação puramente estranha, pelo menos sobre a perspetiva de Jiang Cheng. Ocasionalmente, o mais velho tentou puxar algum assunto de conversa com o mais novo que tratava de cortar o assunto com alguma resposta curta e grossa. Porém o maior dilema daquele tempo que passaram juntos, foi quando o sono e cansaço começou a apoderar-se de ambos e havia apenas uma pequena cama no canto do cómodo. Lan Xichen ofereceu de boa vontade a cama ao mais novo, garantindo que ficaria bem no chão, porém Wanyin era um homem orgulhoso e teimou de volta, sentindo que o outro o estava tratando como uma donzela, mais uma vez. Depois de alguns longos minutos discutindo sobre quem dormiria na cama e quem dormiria no chão, Jiang Cheng cansou-se de discutir e soltou um “Se quer dormir no chão, durma na porra do chão, não me importa”.

O dia seguinte enfim havia chegado e os primeiros raios do sol fraco já adentravam pela janela única da pequena cabana, dando a clara indicação que havia parado de nevar.

Jiang Cheng abriu os olhos, tentando habituar-se à claridade que iluminava o pequeno cómodo. Sentou-se na cama e olhou ainda um pouco adormecido à sua volta, encontrando o Rei de GusuLan em pé, junto à mesa e de costas voltadas para o jovem Príncipe que engoliu em seco quando notou que o outro estava desprovido de qualquer peça de roupa para cima. Apenas com a calça interior, tendo o robe branco com detalhes azuis claros perfeitamente dobrado sobre uma cadeira, Lan Xichen tinha a sua camisa interior estendida sobre a mesa, parecendo estar numa difícil luta de desamarrotar a mesma.

O Príncipe de YunmengJiang tentou desviar a atenção das costas largas do mais velho e parar de prestar tanta atenção nos músculos se flexionando conforme o outro movimentava os braços, porém estava sendo traído e controlado pelo seu subconsciente. Era a sua segunda vez vendo o outro semi nu e consequentemente era a sua segunda vez ficando estranhamente hipnotizado pela boa figura do jovem Rei que para além de um rosto belo tinha um corpo igualmente belo e aparentemente esculpido pelos Deuses. Toda essa situação já era motivo o suficiente para deixar Wanyin desconfortável e irritado consigo mesmo. Ele tinha sentido isso da última vez e estava sentindo isso agora, porém, como se os batimentos acelerados já não o deixassem suficientemente constrangido, uma pequena ereção começou a formar-se debaixo da sua calça interior.

O desespero apoderou-se do seu corpo quando percebeu o que estava acontecendo, repetindo mentalmente que aquilo era apenas uma ereção matinal e que nada tinha a ver com o facto do outro estar semi nu. Jiang Cheng queria acreditar que tinha sido apenas uma infeliz coincidência, negava-se a aceitar ou sequer cogitar a ideia de que aquilo tinha sido provocado pela imagem outro.

– Seu filho da puta. – resmungou baixinho, colocando a mão sobre o seu membro semi desperto, com vontade de o socar por ser tão inconveniente mas não o fazendo por razões óbvias.

– Bom dia. Já acordou, Wanyin? – questionou Lan Xichen, voltando-se para fintar o mais novo e sorrindo-lhe amavelmente.

Jiang Cheng engoliu em seco e num movimento rápido pegou a pequena almofada, colocando-a sobre o seu colo para esconder o que estava acontecendo nas suas partes baixas. Já estava envergonhado e irritado o suficiente, não podia permitir que o outro percebesse o que estava acontecendo.

– Não, é uma miragem sua. Ou vai na volta sou sonâmbulo. – resmungou o mais novo num rolar de olhos, tentando ser o seu mais normal possível para acobertar o pequeno problema pelo qual estava passando.

– Vejo que está acordado. E bem acordado. – comentou o Rei de GusuLan com uma pequena risada.

Aquele comentário do mais velho deixou Wanyin à beira do desespero, achando que tinha sido descoberto. As suas mãos começaram a suar e apertaram a almofada sobre o seu colo ainda com mais força.

– O que... o que porra quer dizer com isso?

– Bom, você está resmungando, acho que é um bom sinal que você está acordado e no seu perfeito estado normal.

– Ah sim, isso, claro. – murmurou o mais novo, soltando um pequeno suspiro de alívio que fora notado pelo outro.

– Você está bem? – perguntou Lan Xichen, confuso e preocupado, aproximando-se consideravelmente do outro.

– Eu estou bem, não precisa de se aproximar. – respondeu de imediato, estendendo a mão como clara indicação que queria manter uma distância segura entre eles. – E por que raio está despido?

– Dormi com a camisa interior e ela ficou amarrotada. Não gosto de vestir roupa amarrotada e estava tentando dar um jeito nela antes de irmos embora.

– Você é um emproado mesmo.

O Príncipe de YunmengJiang reconhecia que, apesar de poderosos e ricos, a família Real de GusuLan era naturalmente humilde e desapegada de grandes luxos, tendo apenas algumas regras rígidas e que o mesmo achava ridículas, inclusive todas aquelas direcionadas a regras de etiqueta e vestimenta. Porém não poderia deixar passar a oportunidade de criticar, afinal era de sua natureza, além de que aquilo estava sendo uma boa estratégia para o ajudar na resolução do seu problema abaixo da almofada.

Lan Xichen sorriu compreensivo, não se ofendendo com as palavras alheias.

– Não necessariamente, são regras de etiqueta da minha família que foram transmitidas de geração em geração e estão bem enraizadas em qualquer Lan.

– Que seja, não estou interessado nas regras da sua família, Rei de GusuLan.

– Dormiu bem, Wanyin? 

– Claro que sim. Dormir numa cabana desconhecida, correndo o risco de ser morto durante a noite pelo dono da cabana e dormir com um outro homem no mesmo cómodo... O que você acha?

– Se lhe serve de consolo, eu fiquei de vigia a noite toda.

A ideia de ter dormido no mesmo cómodo que o outro homem enquanto o mesmo estava acordado tinha deixado Jiang Cheng ainda mais desconfortável.

– O quê? Isso torna tudo ainda mais estranho! – exclamou, olhando desconfiado na direção do mais velho. – Por acaso não me olhou enquanto eu estava dormindo, pois não?

– Hum, só um pouco.

– Você...

– Calma, estou brincando com você. – interrompeu Xichen, não conseguindo conter a risada que sabia que ia cutucar ainda mais a fúria do outro.

– Não brinque com coisas sérias, não tem piada alguma. – falou sério, apontando o dedo na direção do outro.

Jiang Cheng levantou-se da cama ainda fuzilando o mais velho com o olhar, numa ordem silenciosa para que parasse de dar risadas na sua cara.

Felizmente o seu problema matinal tinha acalmado no meio daquela conversa e podia preparar-se tranquilamente e sem receio que o outro percebesse o que tinha acontecido. Os dois vestiram-se adequadamente, pegaram as suas respetivas espadas e guardaram as mesmas na cinta. Apesar de não terem mexido em muitas coisas na cabana, sendo que só usaram a cama e a mesa, deixaram a mesma devidamente limpa e arrumada como a encontraram.

Quando chegaram até aos seus cavalos, Jiang Cheng insultou o bicho de todos os nomes possíveis e imagináveis, arrancando uma risada de Lan Xichen que recebeu um olhar cortante logo de seguida. Depois do momento de insultos gratuitos contra o pobre animal, ambos subiram nos seus respetivos cavalos e rumaram em direção à vila de Gusu.

 

(...)

 

O Rei de GusuLan e o Príncipe de YunmengJiang haviam regressado seguros ao castelo Real no exato momento em que Lan Wangji já preparava um cavalo para ir procurar o irmão mais velho. Só depois de Lan Xichen assegurar que estava bem e que só precisava de descansar um pouco, é que o mais novo saiu de perto do irmão e foi ocupar a sua mente com outra coisa.

Wangji aproveitou a hora do almoço para treinar e limpar a sua mente, visto que o campo de treinamento se encontrava completamente vazio por que todos os Guardas interromperam os seus treinos para a refeição.

Ele manuseava a sua espada no ar em golpes rápidos e eficazes, treinando algumas das técnicas mais complexas e ao mesmo tempo mais admiráveis e exclusivas do seu Reino. Por mais que ele fosse o sucessor legítimo ao trono, caso eventualmente acontecesse alguma coisa com o seu irmão mais velho que ainda não tinha filhos, Wangji não era um membro da Realeza ligado às responsabilidades de governar um Reino. Nas suas veias corria o sangue de um verdadeiro guerreiro e ele era sem dúvida alguma o mais talentoso de todo o Reino de GusuLan em campo de batalha. Não era à toa que o seu tio e o seu irmão mais velho sempre temiam pela vida do Lan mais novo, que mesmo não sendo sua responsabilidade, sempre estava na linha da frente ao lado do Rei de Gusulan, colocando a sua vida em perigo para defender o seu Reino.

Aquilo era a sua vida e aquilo era o que fazia sentir-se vivo.

– Lan Zhan!

O jovem de vestes brancas nem precisou de se voltar para saber quem o chamava, pois era atormentado por aquela voz desde que o dono da mesma havia colocado os pés em Gusu. Além disso, ninguém se atrevia a chamá-lo pelo seu nome de nascença, nem mesmo o seu irmão ou o seu tio o chamavam pelo nome de nascença.

Ignorando completamente os chamamentos alheios, Wangji continuou o seu treino como se não estivesse ouvindo nada, já repudiando a presença do outro que certamente iria atormentá-lo novamente. Ele era uma pessoa de poucas palavras, introvertida e solitária, claramente o oposto de Wei Ying que falava pelos cotovelos, era extrovertido, intrometido e muitas vezes inconveniente.

Pelo canto do olho, Wangji viu a figura de vestes negras parar ao seu lado.

– Lan Zhan! Não se faça de surdo, eu sei que me ouviu.

Mais uma vez, silêncio foi a resposta.

– Ainda está chateado com o que aconteceu ontem? Não seja tão rancoroso, eu já pedi desculpa.

Foi só mencionar o acontecimento do dia anterior que Wangji parou abruptamente e fuzilou o outro com o olhar.

Ele não podia ignorar a ousadia e falta de vergonha de Wei Ying que, no dia anterior, havia subido de forma ágil e surpreendente as trepadeiras para invadir a varanda dos aposentos do Lan mais novo. Ele tentara chamar a atenção de Wangji, batucando na porta e o importunando continuamente até que o mesmo abrisse a porta, porém isso não aconteceu e ele teve que arranjar uma estratégia. Uma que lhe rendeu uma queda direta do primeiro andar, provocada por Lan Wangji, obviamente. Felizmente a queda havia sido aparada pelo nivelamento da neve e não houve qualquer tipo de lesão.

Lembrar-se desse cenário foi o suficiente para o fazer guardar a espada e dar costas, disposto a afastar-se daquele intrometido com o qual não queria ter qualquer tipo de relacionamento.

– Por que continua fugindo de mim? – interrogava Wei Ying, seguindo o outro descaradamente. – Eu já disse que não vou parar de infernizar a sua vida até que seja meu amigo.

– Não quero ser seu amigo. – respondeu Wangji, direto e sem parar de caminhar.

– Nossa! Não precisa de ser tão direto, magoou os meus sentimentos. – falou Wei Ying, com a sua típica falsa manha e o seu jeito teatral de reagir.

– Patético.

– Olhe, eu realmente estou arrependido do que aconteceu ontem, mas você também não facilita. Por que não me dá um oportunidade?

Vendo que não se veria livre tão facilmente do outro, Lan Wangji parou de caminhar e voltou-se para fintar Wei Ying. Aparentemente, a única forma de se livrar do outro era arranjando uma estratégia para terminar com aquela perseguição absurda.

– Um duelo.

– Quê?

– Se eu ganhar, você se afasta. Se você ganhar, eu dou-lhe uma oportunidade. – explicou Lan Zhan, sendo bem firme nas palavras que proferia e no seu olhar gélido que intimidava qualquer pessoa. Menos o homem na sua frente.

– Você quer mesmo resolver isto com um duelo? – perguntou Wei Ying, soltando uma gargalhada escandalosa e zombeteira. – Como queira, mas se eu ganhar espero que não se acovarde e cumpra com a sua palavra.

– Eu sou um homem de palavra. – defendeu-se Wangji, com orgulho.

– Que vença o melhor então. – falou o Wei Ying, com um sorriso desafiante no rosto e desembainhando a sua espada.

Lan Wangji era um jovem talentoso e confiante, porém o seu adversário estava à sua altura, sendo que Wei Ying era sem dúvida alguma um dos guerreiros mais talentosos e conceituados do Reino de YunmengJiang. Para além disso ele aprendia rápido e nos poucos dias que esteve no Reino de GusuLan, treinando com os Guardas dali, havia aprendido a executar alguns truques e táticas, bem como prever a execução das mesmas pelo seu adversário e defender-se do ataque.

Seria um duelo bem acirrado e ambos estavam dispostos a vencer.


Notas Finais


Eu só queria deixar um aviso aqui relativamente ao ritmo da história, somente por que senti necessidade de esclarecer por que eu sempre sinto essa necessidade de me explicar com as mais diversas coisas KKK

Eu sou uma pessoa que aprecia um ritmo lento em histórias (na verdade é relativamente a tudo na vida, mas isso é só um aparte) gosto que as coisas sejam desenvolvidas bem lentamente e com calma. Gosto de desenvolver mil e uma coisas até chegar a pontos de virada e mudanças na história. O mesmo acontece com o desenvolvimento da relação de Xicheng, que para além de gostar e querer desenvolver ela gradualmente, para mim faz muito sentido que assim seja por causa da personalidade complicada do Jiang Cheng. Acho que seria muito contraditório e fora de contexto colocar ele já caído aos pés de Xichen, já se beijando e amando com todo o coração. Inclusive o Xichen, que apesar de ter uma personalidade mais fácil de compreender e de lidar, não o vejo como uma pessoa impulsiva e que se jogue logo de cabeça numa relação e no amor.

Era só isso que queria partilhar com vocês, para entenderem melhor o ritmo da história e os motivos pelos quais eu estou levando ela num ritmo mais lento.

Obrigada por lerem <3


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