1. Spirit Fanfics >
  2. Empty Space -Stony >
  3. Dança

História Empty Space -Stony - Capítulo 10


Escrita por:


Capítulo 10 - Dança


I couldn't make you love me

(Eu não consegui te fazer me amar)

I couldn't make you love me (space)

(Eu não consegui te fazer me amar (espaço)

 

Tony apertou cada vez mais os braços ao redor de Steve, o que fez apenas com que o ex-soldado sorrisse.

-Realmente você estava precisando de um abraço. -Steve sussurra, entre os cabelos de Tony.

Aquele contato era íntimo demais entre os dois, mas nenhum deles se importava. Não havia interesse sexual ali, ou interesse romântico, ou qualquer outro interesse que não fosse somente o interesse da amizade. Tony aos poucos estava conseguindo um amigo, que estava confiando de olhos fechados, da mesma maneira que Steve também estava confiando.

-Sim, eu estava. -Tony o respondera com a voz embargada. -Há muito tempo que ninguém me abraçava.

Steve engoliu em seco ao ouvir aquelas palavras. Ele sempre fora abraçado pelos seus pais, então ele sempre se sentira amado, mas parecia que as coisas eram diferentes para Tony. Seus pais não o abraçavam, ou diziam se importar com ele. E os seus amigos? Será que não eram capazes de abraçar Tony por pelo menos meio segundo, apenas para ele se sentir um pouco querido?

Tony erguera o rosto e encontrara um sorriso nos lábios de Steve. Ele o agradecera mentalmente por aquele pequeno contato humano, mas que lhe fizera toda a diferença.

-Obrigado, Steve.

-Não precisa me agradecer, Anthony. 

Tony o abraçara pela última vez, sentindo a cicatriz da bala que ferira Steve bem à altura do coração e agradeceu mentalmente por Steve estar vivo e estar ali com ele. Agradeceu mentalmente por Steve não ser um dos mortos, porque Tony precisava de alguém que o compreendesse e que não o julgasse. Precisava de alguém para preencher seus espaços vazios.

-Está ficando tarde. -Stark declarou em um sussurro, se afastando um pouco de Steve e enxugando os últimos resquícios de suas lágrimas. -Eu não quero ficar te prendendo aqui. É melhor você ir.

-Qualquer coisa que você precisar -ele tirou de dentro do bolso da calça que usava um pedaço de papel e entregara para Tony. -Me liga. Eu também tenho dificuldades para dormir à noite, então é bem capaz de você me encontrar acordado.

Tony concordou com um aceno de cabeça guardando aquele papel no bolso de sua calça.

-Eu vou ligar se eu precisar de alguma coisa.

-Adorei a nossa noite, Anthony. Espero que você tenha se divertido também.

-Tá brincando? Foi a coisa mais doida que eu já fiz! -ele disse, arrancando uma gargalhada de Steve. -Eu agradeço a você por ter me proporcionado isso. De verdade. Significou muito para mim, você não faz ideia.

-Eu sei que significou. Não tente esconder suas cicatrizes, Anthony. Não cometa o mesmo erro que eu cometi. Todos somos quebrados por dentro, por isso que nos tornamos únicos. Isso faz toda a diferença.

Tony engoliu em seco e assentiu com a cabeça. Steve tinha razão. Quem ele queria enganar? Ao seu pai? Ele já falecera há tempos. Seus amigos? Se eles realmente se importarem com Tony, o aceitarão da maneira que ele é.

-Você tem razão. Eu vou tentar mudar. Vou tentar não vestir a minha armadura de homem de ferro o tempo todo.

Steve sorrira docemente para ele.

-Faça isso. Vejo você amanhã.

-Boa noite.

-Boa noite, Anthony.

 

(...)

 

Tony revirou em seus lençóis sem parar, olhando para o teto escuro do quarto à todo momento. Lembrou-se da noite maravilhosa que tivera com Steve e como se divertira também, e lembrou-se da maneira que um simples abraço fora capaz de desmontá-lo, fora capaz de o torná-lo humano também. Seres humanos precisam de contato, e com Tony não seria diferente. Porque seria? Só porque ele tentava passar a fachada de ser um homem indestrutível, não significava que ele era. Longe disso. 

Ele apertou seu travesseiro com força, pressionando a cabeça fortemente contra ele. Fechou seus olhos, mas não sentira a necessidade de chorar como ele fazia todas as noites. Aquela noite ele estava... bem. Bem como nunca estivera há tanto tempo.

(...)

 

Um sorriso estampava os lábios de Steve quando ele fora deitar àquela noite. Pensou em Tony. Pensou em como se divertira naquela noite, como aquela noite fora especial para ele, como Tony também era um ser humano como outro qualquer.

Não tivera pesadelos.

Era a primeira vez em dois anos que ele não tinha pesadelos. E tudo graças à Tony.

 

(...)

 

Na manhã seguinte, Tony estava de bom humor, assim como Steve também estava. Eles se cumprimentaram com um aceno de cabeça e Tony já informara à Steve o que ele teria fazer e o que deveria ser entregue até o final do dia.

-Mais um dia e você se tornará oficialmente parte da equipe. -Tony lhe dissera e Steve sorriu em resposta.

-Espero poder ficar, senhor Stark.

Tony sentiu seu corpo todo tremer e concordou com a cabeça. Steve era excelente. Ele era carinhoso e amigo, era verdadeiro e honesto em suas palavras e sobre o que pensava também. Aquilo tudo atraía Tony. Atraía Tony na direção de uma amizade verdadeira, porque ele sentia que podia confiar em Steve de olhos fechados.

-Eu também espero, Steve. -Tony fora honesto. -Eu também espero que você possa ficar.

 

Steve parou na porta do elevador quando sentiu o início de uma falta de ar. Segurava os papéis firmemente em suas mãos e respirava fundo. Ele pressionou uma mão sobre a parede e ergueu seus olhos para as portas de metal à sua frente.

-Respira fundo, Steve -repetira consigo mesmo várias e várias vezes. -A guerra já acabou. Você está em casa novamente. Ninguém pode te machucar agora.

Ele fechou os olhos com força ao rever em sua mente as imagens das crianças mutiladas e sentiu vontade de chorar. Porque ele não fizera mais? Porque ele não fizera mais para poder salvá-las? O que havia de errado com ele? Ele jurara servir e proteger seu país, jurara servir e proteger as pessoas também, principalmente aquelas que necessitassem da sua ajuda, como aquelas crianças necessitavam.

-Senhor Rogers? Tudo bem com você? -abriu os olhos e deparou-se com uma mulher loira. De alguma maneira havia conseguido chegar ao 15° andar e entregara para ela os documentos. Suas mãos tremiam sem parar e a mulher começou a ficar preocupada com ele. -Está passando mal? Quer que eu peça ao senhor Stark uma dispensa?

Steve balançou a cabeça em negativa. Não, ele podia aguentar. Ele aguentou coisa muito pior do que aquela.

-Eu estou bem. Não se preocupe comigo. Eu só preciso respirar um pouco e tudo vai ficar bem.

Gatilho, gatilho, gatilho, ficava gritando em sua mente sem parar. Gatilhos que o levavam diretamente para o Iraque, diretamente para o seu abrigo, para o seu batalhão. Gatilhos que o faziam reviver os horrores da guerra e o faziam temer pela própria vida de novo e de novo. Tudo era como um maldito gatilho em sua mente. Será que toda a cabeça de ex-veteranos e ex-fuzileiros eram a mesma coisa que a cabeça de Steve? Será que eram tão ferradas como a cabeça dele? Ele sentia curiosidade em descobrir.

-Você está suando frio e seus lábios estão tremendo. -A mulher justificou. -Talvez precise se sentar um pouco, até que esteja melhor.

-Não. Eu tenho trabalho para fazer. O senhor Stark precisa de mim. Eu estou bem. É sério. Não é nada demais.

Deu as costas para ela, ainda se sentindo trêmulo e suas pernas estavam moles. Respirou fundo e forçou-se a continuar, entrando no elevador em seguida. Pensou em coisas que o faziam feliz e a primeira coisa que lhe viera à mente era uma imagem de Anthony sorrindo enquanto estavam na pista de patinação de gelo. Aquela imagem ficou na cabeça de Steve a noite inteira. Era a sua imagem preferida de todos os tempos.

Aos poucos ele relaxou os punhos e a sensação de claustrofobia, de estar preso, de estar sendo torturado, foi se esvaindo aos poucos.

Ele abriu seus olhos e tudo que ele viu foi Anthony até que a sensação de pânico se esvaísse por completo de seu corpo.

(...)

 

-Eu particularmente estou gostando do seu trabalho, Steve. -Tony comentou com ele no final do dia. -Você pega as coisas rápido, sabe seguir ordens, sabe me agradar... enfim... é tudo o que eu preciso em um assistente no momento. Estou disposto a te pagar esse valor. -Tony rabiscou números em um papel e mostrou a Steve.

-É mais do que eu jamais poderia imaginar. Não posso aceitar tudo isso.

Tony ergueu uma sobrancelha em sua direção.

-Como assim não pode aceitar? Steve, você merece! Entenda. Estou disposto a pagar até mais para ter você aqui. Esse dinheiro vai ajudá-lo, não vai? Vai ser bom para você.

Steve mordeu o lábio inferior, concordando com a cabeça.

-Realmente, ele vai me ajudar, mas eu ainda acho que é muito.

Tony franziu a testa.

-Steve, aceita que o seu salário vai ser esse a partir de agora e sem discussões!

Steve sorriu diante do tom brincalhão de Tony. Acabou por dar de ombros e sentir-se rendido.

-Tudo bem. Eu vou aceitar esse salário, mesmo eu achando que ele é muito. 

-Está oficialmente contratado. Só preciso que assine esse documento para mim para que possamos oficializar as coisas.

Steve rubricou o documento que Tony lhe entregara e em seguida, Tony fizera a mesma coisa.

-Seja mais do que bem-vindo as Indústrias Stark, Steve Rogers.

-Obrigado, senhor Stark. Vai ser um prazer imenso trabalhar oficialmente com o senhor a partir de agora.

 

(...)

 

Peter encarou o celular à sua frente, enquanto abria uma garrafa de uísque e derramava um pouco do líquido cor âmbar no copo em cima da mesinha de centro.

Pensava se ligava ou não para Tony. Eles haviam terminado. Peter deixara isso claro para ele. Mas, agora, sozinho naquele apartamento, ele sentia saudades de Tony. Sentia saudade de poder beijá-lo, de poder tocar o seu corpo, de poder estar com ele... 

Discou o número e deixou que chamasse até que caísse na caixa postal. Ao ouvir a mensagem eletrônica de Tony, resolveu não deixar recado algum, apenas desligar o telefone. Ele tomou o uísque de uma vez só, voltando a encher o copo novamente.

Se ele sentisse saudades de Tony novamente, ele poderia tentar ligar para ele e deixar uma mensagem.

Mas não hoje.

Não dessa vez.

 

(...)

 

I look up from the ground

(Olho do chão pra cima)

To see your sad and teary eyes

(E vejo seus olhos tristes e marejados)

You look away from me

(Você desvia o olhar de mim)

 

Tony verificou o histórico de chamada até que se deparou com uma chamada perdida de Peter. Todo o seu corpo tremeu e ele sentiu lágrimas em seus olhos. Há alguns dias, daria tudo para receber uma ligação de Peter e resolver toda aquela situação. Hoje, ele estava confuso. Ele estava confuso se deveria se empolgar pelo fato de Peter ligá-lo ou deveria simplesmente ignorar aquilo e ir dormir.

Antes que pudesse se dar conta, seus dedos digitavam freneticamente o telefone de Steve, enquanto sentia sua boca seca e seus olhos molhados.

-Steve? Desculpa te acordar se você já estava dormindo, mas é que eu preciso conversar com alguém... -ele se ajeitou em sua cama. -Onde você mora? Será que eu posso dar uma passada até aí? Eu prometo que vai ser rápido.

 

(...)

 

Tony estava desnorteado. Steve podia ver isso claramente em seu semblante. Ele falava agitadamente, da mesma maneira que movia as mãos de um lado para o outro.

-Calma, Anthony. O que foi que aconteceu?

Tony pressionou as mãos sobre a cabeça e se sentou no pequeno sofá que havia na quitinete em que Steve morava.

-Peter me ligou. Ele me ligou, mas não deixou uma mensagem. Eu não sei como me sentir em relação a isso.

-Você estava esperando essa ligação, não estava? -a voz de Steve era calma.

-Sim, eu estava. Há uns dois dias, mas não hoje. Hoje parecia que as coisas estavam diferentes, que as coisas estavam mudando para mim.

-O que você quer dizer com isso?

Tony ergueu seus olhos para Steve e suspirou.

-Eu estava vazio quando Peter me deixou. Eu estava quebrado, mas agora eu sinto que meu coração está sendo suturado e de uma forma boa. Estou com medo do meu coração acabar magoado de novo.

-Isso é completamente compreensível. Tony você está com medo. Está com medo porque não sabe se gosta dele, ou não.

-Eu não gosto do Quill, não da maneira que ele gosta. -Tony acabou por admitir. -Não, é diferente. Eu acabei me envolvendo com ele porque ele era um amigo íntimo de Pepper. Ela acabou nos apresentando. Ele era excelente, uma diversão, uma distração... até que passou a não ser mais. É errado pensar que eu estou melhor sem ele?

Steve sorriu docemente para ele e balançou a cabeça em negativa.

-É claro que não, Anthony. Não é errado pensar dessa maneira.

-Mas porque eu sinto que é tão errado? Porque todo o meu ser grita que eu sou um canalha egoísta?

-Você não é um canalha egoísta, ok? É apenas um ser humano que está tentando descobrir o seu caminho, apenas isso.

Ao fundo, Tony ouviu uma música tocando e deixou ser embalado por aquele som calmante.

-Escuta sempre música? -Stark quis saber.

Steve deu de ombros.

-Me acalma bastante. Uma das poucas coisas do meu pai que ficaram comigo.

Tony levantou-se e aproximou-se do pequeno rádio, tocando-o levemente.

-Seu pai pelo menos te amava. -Ele sussurrou, a voz embargada. -Não era um ditador egoísta que queria mais que o filho se ferrasse.

Steve suspirou ao escutar aquelas palavras. Tony era completamente quebrado, assim como ele também era. Os dois tinham cicatrizes enormes que preenchiam seus corpos, suas mentes, suas maneiras de pensarem.

Observou quando Tony se sentou novamente e se aproximou com carinho dele.

-Sabia que eu nunca tirei alguém para dançar antes?

Tony ergueu uma sobrancelha olhando na direção de Steve.

-O que você quer dizer com isso?

Ele dera de ombros.

-Eu nunca tirei uma garota ou um garoto para dançar antes.

-Porque não?

-Porque eu prometi para mim mesmo que quando eu fizesse isso, essa pessoa deveria ser importante para mim. E eu venho cumprindo essa promessa há quase vinte anos.

Tony engoliu em seco ao escutar aquelas palavras e olhou para a mão estendida de Steve, sentindo o seu coração disparar em seu peito. Ele se emocionou, principalmente quando a sua mão trêmula segurou a mão firme de Steve.

 

But nothing heals the past like time

(Mas nada cura o passado como o tempo)

And they can't steal

(E eles não podem roubar)

The love you're born to find

(O amor que você nasceu para encontrar)

 

Steve tinha cheiro de suor e de sabonete. Quando as mãos de Tony pressionaram seus ombros, as mãos de Steve pressionaram sua cintura e o guiaram por aquela pequena sala em passos lentos e delicados. Quando Steve o rodopiara e fizera Tony cair diretamente em seus braços, Stark sorrira com aquilo.

I know you love him, but it's over mate

(Eu sei que o ama, mas acabou, parceiro)

It doesn't matter, put the phone away

(Já não importa, guarde o telefone)

It's never easy to walk away, let him go

(Nunca é fácil ir embora, deixe-o pra lá)

It'll be okay

(Vai ficar tudo bem)

 

Steve também sorriu, principalmente quando sua bochecha roçou sobre o rosto de Tony de forma delicada. Ele viu os brilhos nos olhos de Tony, viu a maneira como Tony se sentira querido e amado naquele momento, como nunca se sentira antes.

-Eu cumpri essa promessa durante vinte anos. -Steve sussurrara. -E finalmente achei alguém especial o bastante para dançar comigo.

Tony sorriu ao escutar aquelas palavras, deitando a sua cabeça com delicadeza no peito de Steve e escutando os seus batimentos.

-E você é a pessoa mais especial de todas, Anthony. Eu não tenho dúvida alguma disso.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...