1. Spirit Fanfics >
  2. Êmulo >
  3. Décimo Quinto

História Êmulo - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, Kitsune-chan!

Ah, eu estou completamente exausta. Não respondi ainda todos os comentários do capítulo 13 (e talvez eu nem responda nessa semana). Estou cheia de trabalhos e provas para a semana que vem, sabem como a escola fica antes do Carnaval, né? Além disso, o querido professor de matemática passou 66 questões pra gente copiar e responder. Duvido que ele vá ler aquilo tudo.
Ivonisio, Ivonisio, por que tão sádico?

...

Enfim, não estou no clima para fazer notas. Decidi postar esse capítulo justamente hoje, dia 12, para simbolizar o mesário de Êmulo. Sim, a fanfic está completando hoje 1 mês de existência, neeh. E olhem só os resultados em tão pouco tempo, minna!

Já disse que amo vocês?

...

Queria fazer uma perguntinha básica para vocês.

– Vocês querem capítulo +18 ou com interação de sexo entre outro casal que não seja NSN? Se sim, diga qual casal neeh

Lembrando que teremos mudanças nas tags, mais um casal entrará para a fic, hn.

Aliás, para os que estavam odiando o Sasori, apenas aguardem... Lágrimas vão rolar.

Podem ler agora, eu deixo!

[Betado]

Capítulo 15 - Décimo Quinto


A primeira coisa que viu após acordar foram as grades cheias de selos supressores de chakra do pequeno cubículo onde estava. A algema prateada queimava a base de seus punhos, não importava quantas vezes tentava se soltar, apenas conseguia sentir mais dor e cansaço. Sua cabeça latejava com força. As memórias dos dias anteriores se passando como um filme interminável em sua mente.

Parecia um filme de terror. Sasori não costumava ter medo de filmes ou apresentações de teatro, mas ele temia aquele. E como temia.

Sasori se perguntava como poderia ter sido tão descuidado ao ponto de cair em um mísero genjutsu. Percebeu então que estava de guarda baixa no último encontro que tivera com Kabuto, quando o Yakushi estava o revelando o esconderijo da Akatsuki. A partir dali, sentia como se não respondesse por si mesmo.

– O genjutsu é tão perfeito que eu nem percebi quando estava nele. – pensou alto. – Quem poderia ter um nível de ilusão tão grande quanto esse? É esse tipo de shinobi que a Akatsuki possui?

As respostas para suas perguntas o assustavam. Muito.

Em sã consciência, Sasori nunca seria capaz de trair sua própria vila. Além disso, rebelar-se a Suna era quase o mesmo do que negar o Kazekage, seu aluno de época gennin. O Akasuna viu nos olhos soturnos de Gaara o talento para se tornar um ótimo ninja no futuro, o que realmente aconteceu. Sasori se odiaria se o sonho de Gaara fosse destruído por sua causa.

Além de Gaara, havia também Kankuro, seu pupilo na arte de marionetes. Sasori via no Sabaku o jeito sonhador e curioso que tinha quando criança. Só de lembrar que provavelmente Kankuro não sobreviveu ao seu veneno – que era tão complexo que nem mesmo ele havia criado um antídoto – deixava Sasori intensamente triste e frustrado consigo mesmo.

Sasori havia falhado como shinobi.

– Rasa-san vai me matar – resmungou.

– Eu até o faria se essas merdas de grades não estivessem no meu caminho. – Sasori pulou de susto e olhou para seu chefe furioso. Engoliu em seco. – A minha vontade nesse momento é de te esmagar com minha areia até o seu intestino travar com o pó.

– Não seja tão direto, Rasa-sama. – Obito se aproximou e sorriu pequeno para o Akasuna. – Viemos te soltar, Sasori.

Me soltar?

– Não pense que você andará livremente por aí, por mim você seria morto em praça pública e teria as partes do corpo jogadas para os cachorros selvagens comerem. – Sasori se encolheu. As ameaças de Rasa nunca eram apenas ameaças. – Mas Chiyo-sama insistiu em dizer que você estava em um genjutsu, o que me deixou com ainda mais raiva da sua incompetência, se quer saber.

– Você será mantido em custódia, mas terá a pena reduzida se nos ajudar. – disse Obito. – É só colaborar e dizer o que sabe.

– Eu digo! – concordou rapidamente. – Eu digo tudo! Não posso deixar Gaara nessas situações sem fazer nada a respeito.

– É Kazekage-sama para você, traidor – corrigiu Rasa.

Obito abriu a cela de Sasori e o ajudou a se levantar. O Akasuna foi levado para uma pequena salinha onde teve suas mãos soltas. Rasa estava sentado a sua frente, olhando-o como se pudesse matá-lo em um segundo – e realmente podia. Obito estava de pé ao lado do Yondaime. Chiyo, acanhada, observava a tudo de longe com o olhar pesaroso.

– Eu deveria acabar com você e com Obito por esconderem de mim a ameaça da Akatsuki – os dois engoliram em seco. –, mas vocês tiveram sorte de eu ter recebido mensagens do Hokage e do Tsuchikage pedindo sigilo. Apesar de entender seus propósitos, não quero que me escondam mais nada, ainda mais agora que meu filho está em perigo.

– Nossos erros não importam mais, temos que cuidar do presente. – Obito suspirou. – Sasori, o que aconteceu?

– Meu último encontro com nosso espião foi há duas semanas. – contou sob o olhar metralhador de Rasa. – Provavelmente foi quando eu fui pego no genjutsu. A partir daí, a Akatsuki comandou todas as minhas ações. O pior é que me lembro de tudo o que fiz.

– Pior seria se não lembrasse de nada. Seja direto, onde esses desgraçados estão?

Rasa-san nunca esteve tão irritado quanto hoje, Sasori analisou. Tudo isso é por minha culpa.

– Eu me reuni com alguns membros da Akatsuki no esconderijo. – disse. – Ele fica na...

Sasori grunhiu e apertou seu ombro com força, reclamando de dor. Obito franziu o cenho, contornou a mesa e se aproximou do ruivo. A primeira coisa que viu foi a mão do Akasuna pressionando uma marca na base de seu pescoço. Padrões negros se espalhavam pela tez, deixando um rastro semelhante a concreto por onde passava. Obito tirou a mão de Sasori e analisou o símbolo com seu sharingan.

– A Akatsuki pensou em tudo. – praguejou. – Eles colocaram uma marca em você. Ela usa seu chakra para fechar sua rede de chakra, é como se o seu próprio corpo estivesse se matando.

– Agora não dói mais – Sasori olhou para a marca maldita em seu pescoço. Filhos da puta!

– Isso significa que a marca só se ativa quando você diz algo que possa comprometer a Akatsuki. – desativou seu sharingan. Isto certamente é obra de Orochimaru, soube que ele sabe muito sobre esse tipo de marca da maldição, pensou Obito, frustrado. – Sasori não dirá nada ou morrerá.

– Se Sasori não será útil, então ele deverá voltar para a prisão – levantou-se.

Chiyo piscou aturdida e cutucou Rasa. O Yondaime olhou para a Akasuna com certa pena, mesmo que não pudesse fazer nada. Ainda que não fosse totalmente sua culpa, Sasori havia traído Suna e como tal deveria pagar pelos seus crimes.

– Reconsidere, Kazekage-sama. – pediu. – Sasori pode não falar nada, mas ele sabe muito sobre essa tal Akatsuki. Ter ele por perto será crucial para encontrar o menino Gaara.

– Eu sei onde é o esconderijo da Akatsuki. – disse Sasori. Rasa olhou-o com desconfiança. – Confie em mim, Rasa-san, quero compensar pelos meus erros. Gaara é muito importante para mim também.

– Nada nos garante que você conseguirá chegar ao tal esconderijo com essa marca no pescoço.

Sasori olhou novamente para a marca e cerrou os dentes. Não poderia se importar com aquilo. Tinha que tentar.

– Eu corro o risco. – disse, decidido. – Mesmo que eu morra tentando, trarei Gaara de volta para Suna.

Rasa deu um último olhar para Sasori e se virou.

– Não posso sair de Suna, tenho que cobrir o lugar de Kazekage. – abriu a porta. – Espero que traga o meu filho em menos de 72 horas, Akasuna.

Mesmo que não confiassem em Sasori, Rasa tinha que dar o braço a torcer. Estava completamente sem alternativas. Não importavam os meios, seu filho tinha que voltar vivo para Suna.

Gaara tinha que ser salvo.


* * *


Kankuro fez careta ao tomar mais uma dose de remédio caseiro. O veneno havia sido completamente drenado de seu organismo, apesar de que algumas partes de seu corpo ainda estavam paralisadas, porém já conseguia mexer os pés e os dedos das mãos. 

Sakura estava de pé ao seu lado escrevendo algumas coisas em uma prancheta.

– O que está olhando? – perguntou sem tirar os olhos do papel.

– Estou vendo o quão sortudo eu sou por ter a melhor namorada do Mundo Shinobi. – Sakura corou. – Você salvou a minha vida, Sakura.

– Eu sei que faria o mesmo por mim. – largou a prancheta e segurou as suas mãos. A temperatura normalizou. – Não poderia deixá-lo morrer.

Kankuro forçou suas costas e aproximou-se de Sakura, selando seus lábios. Ela sorriu.

– Não force suas costas, baka.

Enquanto Sakura enchia a maca de almofadas, Obito abriu a porta com pressa. O olhar centrado em seu rosto indicava que tinham uma missão.

– Finalmente, Obito. – disse Sasuke. Eu nem lembrava mais que ele estava , pensou Sakura. – Não aguentava mais ver o casalzinho meloso.

– Cale a boca, Uchiha!

– Não temos tempo para discussões, vamos sair em vinte minutos. – entregou dois pergaminhos para eles. – Rasa-san nos deu a ordem de ir buscar Gaara.

– Eu vou junto! – disse Kankuro, tentando sair da cama.

Porém, a única coisa que Kankuro conseguiu foi sentir mais dor em suas articulações. Sakura se desesperou e puxou-o de volta para a cama, checando todos os cantos de seu corpo.

– Você fica aqui, está em estado de recuperação ainda. – mandou. – Eu vou ficar com ele, Obito-sensei!

– Oi, você não pode. – Sasuke interviu. – Como fica o Time Sete? Nós dois não vamos conseguir lidar com os inimigos sozinhos.

– Você não precisa ficar por mim, Sakura, é sua missão.

– Não me questione, Kankuro. Vou ficar aqui porque quero ficar.

Obito respirou fundo e massageou as têmporas.

– Certo, Sakura fica aqui e cuida do Kankuro. – Sasuke olhou-o de forma indignada. – Não se preocupe, Chiyo-baa e Sasori vão conosco.

– Sasori-sensei?! – Kankuro esbravejou.

– Sasori sabe onde eles estão. Eu e Chiyo-baa vamos estar de olho em qualquer atitude suspeita, não se preocupe. Gaara voltará vivo, prometo.

Antes que Kankuro pudesse responder, a porta se abriu novamente e um raio verde passou pela mesma. O restante do Time Gai ficou parado na entrada da enfermaria com uma gota de vergonha alheia escorrendo pela testa.

– Sakura-san! – Lee balançou Sakura pelos ombros. – Como isso foi acontecer? Gaara está bem? Como invadiram Suna? O que aconteceu?

– Acalme-se, Lee! – Gai puxou-o pela gola do collant. – Manere sua juventude!

– A Akatsuki invadiu Suna e fez Karura-san como refém. – respondeu Obito. Lee arregalou os olhos. – Gaara se entregou para salvá-la. Não houveram lutas ou mortes de inocentes.

Gaara-san é incrível de todas as formas possíveis, Lee apertou as mãos em punho. Não posso deixar que seu sacrifício tenha sido em vão. Vou trazê-lo de volta.

– Tsunade-sama nos mandou para cá. – disse Gai. – Ela disse para nos juntarmos a vocês.

– Tsunade-sama pensa mesmo em tudo. – sorriu pequeno. – Kankuro, Sakura, nós vamos saindo. Traremos Gaara vivo, não se preocupem.

Lee levantou o dedão.

– Nem que eu tenha que dar 500 voltas ao redor de todo o Mundo Shinobi, prometo que trarei Gaara-san de volta em segurança.

Vendo o Time Obito-Gai – apelido que passou a chamá-los – sair com pressa da enfermaria, Kankuro sorriu pequeno. Minutos se passaram e Temari apareceu com Shikamaru, enchendo-o de broncas e abraços apertados.

Confio em vocês.


* * *


O primeiro olho da Estátua Gedo brilhou forte em vermelho escarlate anunciando o fim do longo selamento de três dias. O corpo de Gaara caiu com força no chão frio da caverna. Sem chakra e tendo o bijuu tirado com brutalidade de seu organismo, o Kazekage não tinha chances de sobreviver. O líder estalou as costas. O primeiro já foi, pensou. Faltam mais oito.

– O prazo de descanso é de dois dias. – disse o líder. – Agora que selamos o Shukaku, o Mundo Shinobi notará a Akatsuki como uma ameaça. Temos que agir rápido e na surdina.

– Posso fazer uma pergunta? – perguntou Kakashi.

O líder revirou os olhos. Novatos.

– Diga.

– Sabendo que um de nossos membros é um jinchuuriki, o que faremos? Selaremos ele como os outros?

Os demais membros olharam para o líder com certa dúvida no olhar. Orochimaru semicerrou os olhos. Aquela possibilidade havia se passado por sua mente várias vezes, mas o sannin não imaginava qual seria a resposta do líder. Não vou entregar o Naruto-kun, muito menos Kyuubi.

– Saberemos quando chegar a hora, não podemos selar Kyuubi antes do Hachibi. Até lá, teremos tempo para pensar.

O líder sorriu por trás da máscara. Ele não precisava de tempo para pensar, já tinha sua decisão tomada. O jinchuuriki terá o mesmo fim que seus pais, riu baixinho. Morrer pelas minhas mãos.

– Sinto chakra inimigo se aproximando. – disse Kisame. De todos, ele era o mais sensível a detecção de chakra. – Oito shinobis. Um dos chakras é o de Sasori.

– Você disse que sua marca impediria que Sasori nos entregasse, Orochimaru. – o sannin olhou diretamente para o olho vermelho sangue. – Sua marca maldita falhou!

– Eu disse que ela impediria Sasori-kun de falar algo sobre a Akatsuki, mas não disse nada sobre levá-los até aqui. – cruzou os braços. – Essas coisas acontecem.

– Isso não importa, não podemos perder tempo aqui. Kakashi, Kisame, tomem conta dos inimigos.

Kakashi e Kisame foram deixados sozinhos na caverna antes que pudessem questionar. O Hoshigaki suspirou e apoiou Samehada no chão a poucos centímetros do rosto pálido de Gaara. Olhou para o jinchuuriki com certa pena, logo voltando sua atenção para o Hatake. Ele parecia preocupado.

– O que foi?

– Konoha está vindo. – Obito está vindo. – Eles não sabem que estou vivo.

– Entendi. – sorriu. – Vá, eu encubro você.

Me encobrir?

– Por que você parece ser tão legal?

– Sou leal a Akatsuki, o líder me abrigou quando ninguém da minha vila confiou em mim. – disse, nostálgico. – É apenas uma forma de gratidão. Agora suma logo antes que eu desista.

Kakashi concordou com a cabeça e se escondeu nas sombras. Segundos se passaram e a caverna foi destruída com brutalidade. Os destroços das pedras caíram em cascata na frente dos olhos de Kisame. Dos oito chakras que sentiu, apenas quatro shinobis sobraram: Lee, Obito, Chiyo e Sasori.

O Time Obito-Gai se desmembrou para retirar os selos que estavam separados ao redor da caverna para possibilitar a abertura da mesma. O Time Gai deveria ficar com esse trabalho, mas como Lee estava focado a salvar Gaara, Sasuke se ofereceu para retirar o quarto selo e partiu com o restante do time.

Quando Lee viu o corpo de Gaara, Kisame jurou ter visto chamas de ódio brilhando em seus olhos redondos.

– Gaara-san!

Tarde demais, Sasori engoliu em seco. Merda de Akatsuki!

– Olha se não é o meu amigo marionetista. – Kisame mostrou os dentes pontudos. – Quando posso devolver o seu carrinho? Ele foi bem útil, sabe.

Sasori grunhiu, mostrando o dedo do meio. Espero que pegue esse carrinho e enfie no meio do cu.

Lee se pôs em posição de batalha, pronto para atacar. Sasori e Chiyo ficaram nas laterais. Obito estava na retaguarda, olhando a tudo com seu sharingan. O Uchiha encontrou algo suspeito atrás de uma das estalactites da caverna.

– Quem está aí?

Kakashi arregalou os olhos e saiu correndo de seu esconderijo, escondendo o rosto com o manto e suprimindo seu chakra o máximo que podia. Obito saiu de sua posição, perseguindo o inimigo até que sumisse no meio da floresta.

Eu tentei, pensou Kisame. Agora, tenho que acabar com esses aqui.

– Estou apenas esperando a sua confirmação, Sasori-san. – disse Lee. Sua mira estava focada no rosto sorridente de Kisame. – Vou socá-lo até que ele volte ao mar de onde veio.

– Kisame é um dos membros mais fortes da Akatsuki, não o subestime por conta da postura desleixada. – tirou seus fios de chakra. – Você não terá chances contra ele se não souber como ele luta, ainda mais não podendo usar ninjutsu ou genjutsu.

– O que sugere?

Lee sentiu os fios de chakra de Sasori prendendo nas articulações de seu corpo. Era uma sensação incômoda. O Rock se sentia como uma verdadeira marionete.

– Felizmente, eu me lembro perfeitamente dos movimentos de Kisame. – disse. – Você será minha marionete, Lee. De acordo?

– Faço tudo para salvar o Gaara-san!

Chiyo observava tudo de longe. Via quando Sasori guiava Lee com maestria, fazendo uso de todas as poucas aberturas de Kisame dava. Pensou em interferir na luta e ajudar o neto, mas ponderou melhor e ficou quieta, apenas olhando a situação. Era uma exímia kunoichi médica, a melhor de toda Suna, estaria de prontidão se algum de seus aliados se ferisse. Além disso, talvez sua ajuda no campo de batalha não fosse render tantos resultados.

Sasori era um mestre de marionetes melhor do que ela, afinal.

– Você ainda se lembra de tudo, então. – Kisame desviou de um chute. O chão ao redor do pé de Lee rachou. – Como se sente sabendo que traiu sua vila?

– Cale a boca, tubarão maldito! – guiou Lee, que conseguiu socar Kisame. – Depois que nós salvarmos Gaara, iremos destruir um a um da Akatsuki. Vocês vão cair!

– Gaara já está morto, não tem como salvá-lo. – jogou Lee para longe com o auxílio de Samehada. – Não importa o quanto tente nos deter, a Akatsuki vai estar sempre nas sombras esperando o momento certo para agir. O mundo conhecerá a paz, marionetista.

Sasori grunhiu.

– Titereiro!

Lee berrou e abriu o primeiro portão, aumentando sua velocidade, desferindo uma sequência bruta de socos nos músculos de Kisame. Eu tenho sorte de ter alguns quilos e gordura a mais, segurou o pé de Lee e girou-o no ar, jogando-o até que ele batesse com as costas na parede da caverna. Se fosse alguém magro, teria todos os ossos quebrados facilmente. Esse pirralho é uma pequena besta!

Ele não está fazendo o mínimo de esforço e ainda sim está contendo todos os ataques, Sasori fez Lee se levantar. Lee é forte, mas não é o ninja ideal para lutar contra Kisame. Desse jeito, eu mesmo vou ter que lutar contra ele.

Na verdade, Sasori duvidava muito que sairia vivo de uma luta contra Kisame.

– Chega de brincar. – empunhou Samehada. – Estou perdendo tempo demais aqui.

Sabendo de suas próprias fraquezas, Kisame previu os movimentos que Sasori faria Lee fazer e se desviou do ataque no último minuto, girando Samehada, cortando os fios de chakra que ligavam o Akasuna até o sobrancelhudo. O Hoshigaki sorriu de canto e derrubou Lee no chão, pressionando a ponta de sua espada na base de seu pescoço.

Um movimento e Lee seria decepado.

Sasori arregalou os olhos e correu até Kisame, pulando em cima dele. Os dois saíram rolando pelo chão da caverna, dando tempo para Lee se levantar e correr até Gaara, carregando seu corpo mole no colo. O Hoshigaki bufou e socou Sasori para longe. Antes que Kisame atacasse Lee, o ruivo segurou-o pelo pé.

– Te peguei – enfiou a agulha na perna do Hoshigaki.

Kisame grunhiu ao sentir os músculos de sua perna paralisando lentamente. Bem que Kabuto nos avisou que Sasori sabia muito de venenos, eu deveria ter sido menos descuidado, chutou Sasori. Eu poderia dar o último golpe e cortar a sua cabeça, mas vou relevar dessa vez.

A verdade era que Kisame estava impressionado com Sasori. Ele poderia ter escolhido ficar na cadeia – sabendo que provavelmente voltaria a prisão depois dessa missão – ou ainda ter deixado Lee morrer, mas voltou atrás para lutar por sua vila e por seu Kazekage. A lealdade de Sasori foi o que fez Kisame poupá-lo da morte.

O Hoshigaki sumiu em meio a um furacão de água. Sasori grunhiu e forçou seus joelhos, se levantando. Correu manquejando até o corpo de Gaara. Lee acariciava os cabelos de fogo enquanto segurava as lágrimas.

– Gaara-san tinha tantos planos. – Lee não aguentou. Chorava intensamente sobre o corpo do Kazekage. – Planos para Suna, para ele, para nós... eu também tinha planos para a gente. Tudo parece tão triste sem Gaara aqui.

– O Kazekage era tão jovem. – Chiyo se aproximou e baixou a cabeça em sinal de respeito. – Suna inteira estará de luto.

Chiyo olhou para as próprias mãos. Existe uma forma de salvá-lo, mas eu teria que deixar muitas coisas para trás, viu Sasori cair de joelhos ao lado do corpo desfalecido. O ruivo nunca estivera tão triste do que naquele momento. Não posso deixar Sasori sozinho, ainda mais nesse momento. Quero aproveitar meus últimos dias ao lado do meu neto.

– Gaara morreu por minha culpa. – Sasori reprimiu as próprias lágrimas que teimavam em cair. – Se eu tivesse sido menos descuidado, não teria caído no plano da Akatsuki e Gaara ainda estaria conosco em Suna. A culpa é completamente minha, logo, é meu dever desfazer os meus erros.

– Não tem como desfazer a morte, Sasori-san.

– Existe um meio. – Sasori respirou fundo e pôs suas mãos sobre o corpo de Gaara. Chiyo arregalou os olhos. Sasori...? – Eu não sou o melhor ninja médico do mundo, mas as circunstâncias me fizeram aprender algumas coisas. Desculpe-me por usar seu kinjutsu de forma tão arcaica, obaa-san.

– Você não pode! – as mãos do ruivo brilharam. – Sasori, você sabe quais são as consequências desse jutsu!

O kinjutsu médico de Chiyo era restrito e altamente confidencial, apenas ela e o outro conselheiro de Suna deveriam saber da existência daquele jutsu. Porém, Sasori deveria ter o aprendido ao mexer nas anotações da avó. Chiyo nunca pensou que veria seu único neto usando o kinjutsu criado por ela. Apesar de dever estar feliz, a velha Akasuna sentia que queria chorar.

Ele não era chamado de kinjutsu a toa. Afinal, a vida do usuário era dada em troca da vida daquele que estava sendo curado.

– Sasori...

– Diga para Kankuro que me arrependo de não ter o ensinado tudo sobre marionetes, deixo a chave do meu ateliê para ele. – Sasori sentiu seus olhos pesarem. – Dê um abraço em Rasa-san por mim, eu sempre quis saber como ele reagiria se eu o fizesse.

– Eu não posso perder você...

– Diga a Deidara e a Itachi para que se atraquem logo, não aguento mais ver eles fingindo que não querem nada um com o outro. E Obito, espero que ele não seja o virgem do grupo, seria vergonhoso até para ele. – sorriu. A luz ao redor de suas mãos parou. Lee sentiu a pulsação de Gaara voltar. – Eu queria viver para sempre, ser uma arte eterna, admirável e imutável, perfeita, mas nem mesmo eu posso mudar os rumos naturais da vida. Chegou a minha hora, obaa-san.

O corpo de Sasori pendeu para trás. Chiyo se ajoelhou a sua frente. A respiração de seu neto parava e o coração quase nem batia de tão fraco que estava.

– Meu neto...

– Eu vou sentir sua falta, obaa-san. – fechou os olhos. – Não se esqueça de mim.

Chiyo soluçou.

– Você sempre será eterno para mim, Sasori.

Lee nem teve tempo de se sentir triste pela morte do Akasuna. Sentiu Gaara se mexer e alarmou-se. Vendo os olhos claros do Kazekage se abrindo, Lee só soube chorar ainda mais.

– Gaara-san!

– Lee? – piscou os olhos. – O que você está fazendo aqui? – sentou-se no chão frio. Segurou a cabeça, sentia como se seus neurônios estivessem sendo esmagados com brutalidade. – O que aconteceu?

– Sequestraram você. – Gaara se lembrou de tudo e arregalou os olhos. – Karura-san está dormindo e Kankuro-san foi envenenado, mas está melhor agora. Eu estava tão preocupado, Gaara-san.

– Você não precisa de formalidades comigo, Lee. – o Rock sorriu acanhado. – E Shukaku?

Lee abaixou a cabeça.

– Quando chegamos, o selamento já tinha terminado. – Gaara entendeu. Não era mais um jinchuuriki. De certa forma, estava livre de sua maldição. – Você estaria morto de Sasori-san não estivesse aqui.

– Sasori-sensei?

Gaara virou o rosto e arregalou os olhos ao ver Chiyo acariciando os fios ruivos de Sasori. Não precisava estar perto para saber qual era a condição de seu mestre. O ar cheirava a morte e sacrifício.

– Ele morreu por mim. – seu coração falhou uma batida. – Por quê?

– Nós amamos você, Gaara. Sasori-san preferiu morrer salvando você do que viver sem te ver. – Lee segurou suas mãos. – Se eu pudesse, faria o mesmo.

Minutos se passaram e o restante do time voltou para a caverna. Todos velaram o corpo de Sasori em silêncio. Chiyo havia retirado seu próprio orgulho, chorando silenciosamente sobre o cadáver de seu neto. Gaara não sabia se chorava ou se se mantinha forte pela memória de seu mestre.

Apenas sabia que era eternamente grato a Akasuna no Sasori.


* * *


Obito pulava pelos troncos das árvores. Estava perseguindo o parceiro de Kisame há horas e ainda não havia conseguido pegar o maldito fujão. Poderia simplesmente usar o Kamui e capturá-lo, mas o Uchiha queria interrogá-lo antes. Precisava saber o que a Akatsuki escondia.

Precisava de respostas.

Obito não larga do meu pé, Kakashi estava se desesperando. Podia ver a luz no final da floresta. No campo aberto, ficaria mais fácil para o Uchiha capturá-lo. Pior, reconhecê-lo. Ele não era tão rápido quando éramos menores. Isso definitivamente é um problema.

Kakashi levantou sua bandana. Não queria ter que usar aquilo na frente de Obito, porém era necessário. Assim, tirou uma dúzia de shurikens de dentro do manto e lançou-as na direção do Uchiha, distraindo-o.

Enquanto Obito desviava dos ataques, Kakashi ativou o Kamui para poder sair da floresta e despistar o Uchiha. Vendo a ação do inimigo, o Uchiha correu até o mesmo e segurou-o pela gola do manto, puxando-o para trás. No entanto, por mais que tivesse tentado, Kakashi já havia fugido. A única lembrança sua que tinha era o manto negro de nuvens cor de sangue.

– Ele fugiu. – suspirou. – Pelo menos ele deixou o manto para trás. A equipe de reconhecimento deve conseguir extrair algo disso aqui.

Obito poderia ter perdido a luta, mas nunca perderia a guerra. Encontraria o ninja suspeito no futuro e faria aquilo com aquele maldito manto rubro-negro.

A Akatsuki está literalmente na minha mão.


* * *


Coisas eram arremessadas por todas as paredes do quarto, se estraçalhando e espalhando seus vestígios pelo chão. Orochimaru respirou fundo, vendo toda aquela baderna pela pequena abertura na parte superior da porta de ferro. Suigetsu, Karin e Juugo estavam do seu lado, preocupados.

– Naruto-kun, acalme-se. – disse Orochimaru. Sua voz era calma e serena. – Não se descontrole.

Naruto rosnou e correu até a porta. As garras afiadas encostaram de leve na ponta do nariz do sannin, arranhando a tez pálida. Orochimaru encarou os olhos escarlates do Uzumaki com um ar de superioridade. Não eram raros os momentos em que Naruto incorporava Kyuubi, porém aquela havia sido sua maior recaída, tanto que teve que ser levado a força para uma sala isolada onde ficaria até que voltasse ao controle do próprio corpo.

Cobra maldita! – grunhiu. – O que fizeram com Shukaku?

– Shukaku está selado na Estátua Gedo. – respondeu sem tirar a serenidade do rosto. – É como se ele estivesse morto.

Filho da puta!

Orochimaru não demonstrou nada perante a raiva de Kyuubi, o que apenas aumentava sua ira. O sannin sorriu de canto ao ver os olhos piscando entre o azul opaco e o vermelho sangue. A ira do bijuu está se misturando com a de Naruto-kun. Fico imaginando o que teria acontecido se eu tivesse o levado comigo.

– E o Gaara? – Orochimaru lambeu os lábios ao ouvir a voz rouca cheia de ódio. – O que aconteceu com ele?

– Estaria morto se o nosso cúmplice não tivesse se metido no meio do caminho. Gaara-kun deve estar voltando feliz para Suna agora.

– Minha vontade é de arrombar essa porta e matá-lo lentamente. – rosnou. – Eu ainda vou acabar com a sua raça, cobra de merda!

Orochimaru sorriu de canto.

– Esperarei ansiosamente, Kyuubi.

O sannin forçou a ruptura da ligação entre Naruto e Kyuubi a partir de seu selo. O Uzumaki caiu desmaiado no chão da cela. Algumas partes de seu corpo estavam feridas por conta da liberação do chakra vermelho de seu bijuu, porém seu organismo se curava rápido e logo, logo ele estaria bem e não se lembraria de nada.

– Vocês, esqueçam que isso aconteceu. – disse para o Time Hebi. – Naruto-kun deve ficar calmo durante esses dias, tenho alguns planos para ele.

Orochimaru sumiu pelos corredores do esconderijo. O Time Hebi se entreolhou, curioso e preocupado ao mesmo tempo.

Quais eram os planos de Orochimaru?


Notas Finais


Sasori: a marca e a autorização de Rasa; Time Obito-Gai: a missão de procura ao Kazekage; Sasori: sacrifício; Obito: a fuga e o manto de nuvens sangrentas; Orochimaru: a ira de Kyuubi.

Ficou bom, hn?

PS¹ – Vocês querem uma cena ou interação +18 entre um casal que não seja NSN?
PS² – Cansada, minna, quase morrendo, mas aqui
PS³ – Tá tarde né? Kami-sama
PS⁴ – Quais serão os planos de Orochimaru?
PS5 – Sim, o namorado de Gaara era Lee (alguns acertaram, neeh)
PS6 – Para os que odiavam o Sasori, esse capítulo é para vocês.

~queria escrever mais, mas tô morrendo
~kukuku
~entrelinhas


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...