História Enchanté - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles
Tags Drama, Harry Styles, Leighton Meester, Lily Collins, Romance
Visualizações 198
Palavras 4.009
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


💠💠Título do capítulo: Somos inevitáveis.💠💠

Boa leitura <3

Capítulo 24 - We're Inevitable


Fanfic / Fanfiction Enchanté - Capítulo 24 - We're Inevitable

 

 

Por um instante, a Terra não girou em sua órbita.

Quando olhei, não acreditei, ao ver Libby na porta, com um olhar doce e um rosto angelical, esperando a irmã.

- Vy…! — Li em seus lábios.

Nada encoraja tanto ao perdão quanto o medo e a compaixão...

Libby deu dois passos até Ivy e expandiu seus braços para a irmã, que abraçou-a de volta escondendo o rosto em seu peito.

Sorri em êxtase, com centenas de emoções bombardeando o meu corpo...

Vy me olhou por cima do ombro da irmã com um brilho no olhar tão intenso, que senti meus olhos molhando observando a cena de longe.

Eu estava envolvido e emocionado demais para dizer alguma coisa, então eu só sorri de volta pra ela com lágrimas nos olhos…

Enquanto houver amor, ele irá vencer. E o amor venceu.

Deus, para a felicidade do homem, criou o perdão.

Esqueça todo aquele papo de que o amor de verdade não existe. Esqueça também, aquele mito do amor perfeito, em que tudo são rosas. O verdadeiro amor, vive de altos e baixos, e essa é a sua grande magia. É você brigar e pouco tempo depois estar abraçado com a pessoa que você ama. O amor verdadeiro é aquele que você sabe os riscos que está correndo, e mesmo assim se entrega de corpo e alma. Nem sempre será felicidade e nem deve, pois tudo nessa vida em excesso enjoa, e com o amor não é diferente.

Amoleci diante da cena das duas, abraçadas, chorando juntas.

Um único minuto de reconciliação, vale mais do que toda uma vida sem brigas.

 


 

 

                                          Eu quebro todas as minhas regras por você.


 



 

Libby

 

Afinal quando é que a gente perdoa…?

É quando a gente esquece…? Ou é quando se aprende a conviver com quem nos ofendeu...?

Na verdade, o perdão acontece nas duas realidades.

Perdoar é reconstruir, é olhar para aquela pessoa de um jeito novo.

Mas e quando temos a dificuldade de esquecer…?

A gente aprende a conviver com aquele que nos machucou, sem permitir que a recordação do que houve fique determinante sobre o outro.

Às vezes nós fazemos isso com as pessoas... um erro que ela praticou contra a gente, e no decorrer disso, começamos a ver essa pessoa pelo resto da vida a partir daquele erro que ela cometeu.

A vida, o tempo todo está nos dando situações para nos alegrarmos e para nos entristecermos. E eu precisava desse momento… eu precisa e sentia a cada dia a necessidade desse perdão.

Eu me sentia paralisada ao carregar tanta mágoa sobre os ombros.

Eu precisava colocar Ivy no lugar certo e não mais longe de mim. Por que uma coisa desencaixada dentro de nós é uma coisa que a gente não tolera...

É como você entrar em uma casa e um quadro está todo torto na parede… todo mundo fica incomodado quando ver o quadro torto, e todos têm a necessidade de voltá-lo para o lugar.

A mesma coisa acontece conosco quando temos uma situação que não foi resolvida dentro do nosso coração.

O perdão é uma atitude inteligente, é fazer bem a si mesmo. É claro que você alivia o outro do fardo da culpa, sendo todos beneficiados com tal ato.

Então perdoar realmente significa esquecer...

Eu não lembro mais o mal que me fizeram... não me faz mais diferença...

- Você... sinceramente me perdoou...? — Sua voz soou falha, fraquinha, quase sem som.

- Sim, sim, claro que perdoei...

- Não está só com pena de mim…?

- Claro que não, Ivy... — Desencostei nossos corpos a olhando de frente. — Você sabe o que eu senti quando soube que te machucaram…? — Negou ao responder. — Eu quis morrer. — Ela apertou meus ombros um pouco mais forte. — Infelizmente não temos a imunidade de não machucar ou sermos machucados por alguém… mas nós temos a decisão de perdoar. A matéria prima para o perdão é o amor e eu te amo… — Seu sorriso doce foi molhado pelas lágrimas que ainda escapavam dos seus olhos.

- Eu também te amo… — Com carinho, limpei as lágrimas que escorriam por suas bochechas. — Nunca quis te magoar intencionalmente. Não me perdoo por ter feito isso…

- Não condene a si mesmo…

- Não é fácil…

- Eu sei que não. — Entrelacei nossos dedos. — E também sei que isso não será um processo mágico, instantâneo… — Ela me ouvia chorando. — Tudo será fruto de uma luta, de um processo, não há solução mágica para as coisas… mas há Deus. Somos cristãs, você sabe que tudo fica mais fácil com Ele… — Ela assentiu. — Agora me diga o que aconteceu na escola…? O que fizeram com você? — Pedi com calma.

Ela esfregou uma mão no rosto, abaixando a cabeça.

- Ivy… — Era notável sua angústia. — Me fale o que aconteceu, vamos resolver juntas.

Passei a mão no cabelo dela.

- Eu estava saindo da escola para voltar pra casa — Ela começou dizendo baixinho, parecia ter medo de falar. — E então de repente chegaram dois garotos, mascarados, puxando a minha mochila e abrindo-a com violência

- E o que fizeram depois? — Por dentro eu sentia tanta ira.

- Rasgaram os meus livros… todas as folhas escritas do meu caderno e ainda levaram o dinheiro que os nossos pais me deram para comprar o vestido do baile — Ouvi-a fungar.

- Me disseram que te derrubaram no chão… isso é verdade?

- Sim. Mas eu não vi quem foi...

- Então não foram os caras mascarados que te empurraram?

- Não… foi alguém que estava por trás de mim…

- Ivy… — Passei a mão pelo cabelo nervosamente. — Por que acha que isso te aconteceu?

- Eu não sei. Acontece desde sempre — Respondeu simplesmente.

- Como assim?? Por que nunca me contou?

- Não são coisas fáceis de se reconhecer… — Percebi alguma dificuldade dela ao falar. — Tais coisas como ‘’nerd estúpida’’ ‘’monocelha’’ ‘’a irmã feia’’... são coisas que me causam vergonha…

- Olhe pra mim — E ela então fez o que eu pedi. — Não há nada de errado em você. Não há nada de errado na sua inteligência e muito menos nesse seu rosto tão bonito, tão bonito que me falta ar — Ela sorriu um pouco, fungando. — Você não pode abaixar a cabeça para o que eles fazem ou dizem. Você precisa reagir, berrar com alguém. — Ela riu alheia.

- Harry me disse a mesma coisa… — Sorri triste.

- ...ele gosta mesmo de você, não é...? — Reconheci, sentindo sincera felicidade por ter alguém que também cuida dela com amor e sinceridade.

- Ele… — Ela ficou hesitante em confirmar. — Ele tem agido como o meu melhor amigo, só isso.

- Eu quero que fiquem juntos. — Declarei. Sem me dar conta que as palavras já saltaram da minha boca.

- O que…? — Seus olhos saltaram enquanto me olhava.

- Se vocês se amam… se querem estar juntos, fiquem. Só quero a sua felicidade...

- Mas você ainda gosta dele… — Suspirei.

- Irei esquecer... — Busquei ser mais firme. — Estou esquecendo.

- Não… não posso. Não quero fazer isso. — Abraçou-me outra vez. — Não agora que estamos bem de novo…

- Pense bem, Vy…  — Reconectamos nosso olhar.  — A cada dia que passa, mais me convenço de que o maior desperdício da vida está no amor que não aproveitamos… — Ela desviou seus olhos dos meus para o chão. — Assuma o amor de vocês… antes que seja tarde. — Ela passou as mãos pelo rosto e em seus olhos eu pude enxergar o quanto ela estava mexida.



 

                                                                Horas depois



 

- Seja bem-vindo, feriado! — Saudei ao saltar da cama da Ivy.

Dormimos juntas, depois de uma madrugada inteira conversando.

Abri as janelas do quarto, e o aroma de grama molhada penetrou no ambiente junto à brisa. Apoiada no batente da janela, observei Pether aguando as plantas do jardim e deslumbrei-me com o azul celeste da piscina.

- Mas que horas são…? — Perguntou-me ela, ao coçar um dos olhos.

- Hora de curtir a vida! — Ela assentou o travesseiro sobre sua cabeça, desaprovando a minha ideia. — Ora, sem drama. Está um dia lindo lá fora, apenas escolha um biquíni. — Saí do seu quarto para também trocar de roupa.

Comecei a escovar os dentes e assustei-me com o barulho da campainha.  

- Senhorita, Libby — Ouvi a diarista me chamar logo depois de tocarem a campainha.

- O que, Louise?

- A senhorita tem visita.

Amarrei depressa o meu biquíni e pus um vestido leve por cima.

Desci os primeiros degraus da escada, e a minha expressão não poderia ser mais surpresa.

- Você?!

- Bom dia, Collins. — Respondeu-me Rick e encarei-o, muito séria. — Gostou da visita? — Estranhei o que ele tinha em mãos.

- Trouxe uma bomba? — Apontei para a caixa.

Ele soltou uma gargalhada.

- Eu lhe trouxe um presente.

- Um presente...? — Desconfiei.

- Venha e veja você mesma — Sugeriu-me.

Mesmo incerta, desci as escadas e me aproximei dele imaginando o que seria, porém não consegui adivinhar.

Peguei a caixa de suas mãos e ajoelhei-me no chão colocando-a sobre o piso.

Comecei a abri-la e meu espanto só foi aumentando.

Ergui meus olhos para ele e o encontrei me observando, apreensivo.

Havia um lindo vestido vermelho, elegante e jovial, acompanhado de jóias e um delicado par de saltos dourados.

- Não gostou deles...?

- São… maravilhosos. — Confessei-lhe admirando-os, tocando-os cuidadosamente.

- Mas? — Subitamente olhei-o.

- Não posso aceitá-los. — Ele suspirou cansado e esfregou uma das mãos no rosto.

- Por favor aceite. — Clamou-me de forma doce. — Eu pedi dicas a Giulietta e ela até me acompanhou nas compras, afirmando que você iria gostar — Confessou-me sincero.

- Não disse que não gostei, só disse que não irei aceitar. — Ele rolou os olhos e eu fiz o mesmo.

- Quer parar de ser tão orgulhosa e teimosa? São só presentes! — Tornou-se impaciente.

- Mas

- Ao menos experimente-os. — Pediu-me e por alguns instantes, permaneci indecisa.

Mas em seguida, levantei-me e peguei todas as peças antes de subir a escada.

Dez minutos depois estava em frente ao espelho do meu quarto, analisando a imagem refletida e a minha própria emoção.

Fiquei sorrindo enquanto me olhava no espelho e a minha expressão deixava claro o quanto eu estava uma idiota apaixonada. Mas o que?!

Sentia-me inquieta, ansiosa, confusa e estranhamente feliz.

- Já está pronta, Collins? — Ouvi-o me chamar e imediatamente pus minha cabeça para o lado de fora do quarto.

- Sim.

- Não vai me deixar ver como ficou? — Respirei fundo contendo um sorriso bobo.

Caminhei devagar até os degraus da escada, descendo um por um com calma devido aos saltos.

Ele abriu um sorriso, admirando-me de cima à baixo.

Meu coração bateu tão forte que cheguei a quase perder meu fôlego.

- Agora, Cinderela, você já pode ir ao baile. — Sua voz rouca soou mansa.

- A que baile refere-se...?

- Ao da escola. Um passarinho verde me contou... — Confessou-me, com um meio sorriso.

- Não sei se vou. Nem par tenho para me acompanhar — Fui sincera.

- Irei levá-la. — Tornei-me atônita. Com o coração nas alturas.

Sua respiração foi tudo o que ouvi por quase três minutos, ao ficarmos em silêncio. Palavras para quê? Além do que, de alguma forma, assim como eu, ele parecia estar tão instável.

Ele me olhava fixamente, tentando adivinhar o que se passava em minha cabeça.

- Não quer ir comigo?

- Por que deseja levar-me? — Fugi de sua pergunta para não ter que admitir que sim. Que queria muito.

- Não aguentaria ver outro acompanhando-a além de mim. — Confessou-me. E no mesmo instante meu coração acelerou e um sorriso nasceu em meus lábios fazendo-me estremecer por dentro.

- Não creio que seja uma boa ideia, Rick... — Não tive coragem.

- Quer que eu peça permissão ao seu pai? — Sacudi a cabeça, tentando resistir. — Então o que devo fazer, Libby?

- Nada — Seus lábios cerraram.

- Não acha que basta de me rejeitar...?

- Sinto muito que não ache a minha resposta satisfatória — Ele soltou um suspiro.

- Não vou desistir. — Encarei-o com os olhos semicerrados.

Ele riu.

- O que foi? Não vou.

- Senhorita. — Olhei de relance para Pether, o jardineiro.

- Sim?

- Estou com um problema na mangueira da piscina. A senhorita poderia me acompanhar? — Assenti antes de retirar meus saltos e segui-lo.

Caminhamos pelo quintal e parando em frente a piscina, o perguntei:

- Qual é o problema, P? — Ivy e eu sempre o chamávamos assim.

- A mangueira arrebentou. Olhe — Mostrou-me. — Preciso de outra para continuar o trabalho

- Precisa agora?

- Se possível

- Com licença, Rick. Preciso resolver isso.

- Eu espero. — Rolei os olhos, mas assenti, saindo.

Fui até o meu quarto e peguei na gaveta o dinheiro para o necessário. Meus pais não estavam em casa no momento, então, tive que assumir.

- Aqui está, P. Compre o que precisar. — Ele recebeu o dinheiro agradecendo-me. — Rick? — Chamei-o, sem conseguir avistá-lo ao redor. — Rick? — Caminhei pelo quintal. — Rick!

Como uma pedra no fundo do lago, o encontrei no fundo da piscina.

Mergulhei na água, e o agarrei com firmeza, levando-o para a superfície.

O desespero preencheu todos os meus lugares, deixando assim de ser apenas um estado de espírito.

Arrastando-o com cuidado, consegui levá-lo até a margem, sentindo um peso morto em meus braços.

Deitei-o na grama e ajoelhei-me ao seu lado.

- Rick! — Pus minhas mãos sobre o seu peitoral pressionando-as fortemente em seu peito. — Não morra, por favor, por favor…! — Senti meu coração doendo, já não era medo. Era dor de perdê-lo.

Pressionei novamente o seu peito e então ele abriu os olhos, rindo do meu estado.

- Seu…

- Sou nadador desde criança. Consigo reter o fôlego por muito tempo — Disse em diversão, ainda rindo.

- Você me deixou apavorada! — Disse ainda nervosa, não conseguia parar as lágrimas.

- Perdoe-me! — Apressou-se em dizer. — Me perdoe — Repetiu ele. — ...você está chorando por mim, Collins…? — Ele sorriu triste, limpando as minhas lágrimas, acariciando minhas bochechas.

- Você é um — E antes que eu pudesse continuar, ele inclinou-se sobre o meu rosto e os nossos lábios se encontraram, silenciando-me.

Mantive os olhos arregalados e minha face parecia arder ao não conseguir mover meus lábios nos seus.

Paralisei totalmente.

Suas mãos seguravam-me firmemente pela cintura, atraindo-me para junto de si. Eu podia sentir as batidas rápidas do coração dele, assim como as do meu freneticamente.

- Solte-me! — Empurrei com força seu corpo, apoiando as mãos em seu peitoral molhado.

- De-desculpe — Ele respirava ofegante e tremia como se estivesse com frio.

- Você precisa ir embora. Está encharcado e pode pegar um resfriado. — Preocupei-me.

- I-Isso é tudo que te-tem a dizer depois do-do be-beijo? — Estranhou minha reação.

- Isso não foi um beijo. — Levantei-me de sobressalto. — Não pus a língua em nenhum momento. — Meu corpo tremia também com frio.

- Está bem — Murmurou, levantando-se. — Espero que não guarde ressentimentos desse quase beijo e que aceite ir comigo ao baile amanhã. — Me disse antes de virar as costas, completamente encharcado.

- Espere. — O impedi de prosseguir. — Vou pegar uma toalha para que vá se secando até o carro

- Não precisa se preocupar comigo. Não pego um resfriado desde os meus quinze anos de idade.

- Mesmo assim, Superman. Espere aqui. — Lhe disse antes de ir até o armário das toalhas e pegar duas, enrolando-me em uma delas. — Tome.

- Obrigado — Ele a colocou em volta do corpo e olhou-me por um segundo. — Desculpa ter feito você estragar esse vestido novo e tão bonito

- Oh, Deus — Lamentei ao notar que haviam pedrarias faltando.

- Posso te dar outro — Fuzilei-o com os olhos.

- Você merece um castigo por tal brincadeira infantil! — Rolando os olhos ele tentou afastar-se.

- Até amanhã, Collins.

- Não irei a lugar nenhum com você amanhã! — Avisei-o.

- Veremos. — Meu coração disparou diante da postura insistente dele.

Ele exercia um estranho fascínio sobre mim, diferente de tudo que já sentira antes.

Não entendo, apenas sinto.

E tenho medo de um dia entender e nunca mais deixar de sentir.



 

                                                          

                                                                Horas depois...





 

Harry

 

Depois de dormir por umas oito horas seguidas, despertei rolando de barriga para cima na cama.

Olhei no relógio do criado mundo e marcava um pouco mais de oito e meia da noite.

Sentei na cama dobrando os joelhos sobre o colchão e chequei as inúmeras chamadas em meu celular. Oito eram do Liam e doze do Louis.

Era noite de sexta-feira e sexta-feira era dia de bebedeira para os dois. Decidi não retornar, estava faminto, precisava comer e não beber.

Fiz menção de me levantar e estanquei ao ouvir passos vindo do corredor dos quartos.

Girei a cabeça olhando na direção da porta aberta e encontrei Ivy parada com um prato nas mãos.

Fiquei olhando-a por um longo momento, tentando decifrar se ela era mesmo real.

- Olá, mon ange... — Senti meu coração se aquecer ternamente e no mesmo instante eu saltei da cama.

- Vy...? — Mostrei-lhe um sorriso torto antes de me aproximar: — O que está fazendo aqui a essa hora? — Não sei por que fiz essa pergunta. — Quer dizer… aconteceu alguma coisa...?

Ela riu como se também não acreditasse na própria ousadia.

- Vem, vamos nos sentar — Disse um pouco sem graça. — Anne me disse que iria acordar com fome então eu preparei isso pra você na cozinha... — Ela disse sentando-se no colchão e estendendo-me o prato onde haviam três sanduíches de queijo e presunto.

- Obrigado, chérie — Sussurrei pra ela e beijei sua bochecha. — Eu estou mesmo faminto. Dormi a tarde inteira que nem me lembrei de comer hoje — Eu disse a fazendo rir.

Dei uma grande mordida no sanduíche e lancei um olhar tímido para ela, que me admirava com olhos brilhantes e o olhar intenso.

- Você está me deixando encabulado... — Eu disse, com um sorriso esticado no rosto.

- Desculpe — Ela sorriu de canto. — Vou pegar o seu suco — Disse levantando.

- Não precisa, Vy — Não quis abusar de sua gentileza.

- Ele já está pronto, eu só o esqueci na geladeira antes de subir. Eu volto logo — Trocamos um sorriso antes dela sair do quarto, e encostei minhas costas na cabeceira da cama.

Devorei meus outros dois sanduíches refletindo sobre o quanto ela era incrivelmente maravilhosa.

Só o fato de estar perto dela faz meus sentimentos transbordarem de felicidade e gratidão. Estar perto dela exalta o meu querer, porque sinto completos os espaços que ninguém mais saberia preencher.

Seu olhar é uma das poucas expressões humanas que me comove, porque seus olhos são sinceros quando brilham para mim.

Não sei bem onde isso vai parar… mas a minha vontade é que não pare jamais...

- Trouxe sobremesa... — Anunciou mostrando-me uma barra do nosso chocolate favorito. — Mas primeiro o suco.

- Qual é, Vy — Resmunguei, mas peguei o copo de sua mão e tomei todo o conteúdo em um único gole.

- Nossa — Mostrou-se surpresa. — Toma — Me estendeu o chocolate e o abri já mordendo-o.

Suspirei de olhos fechados enquanto mastigava aquela delícia.

- Quer um pedaço? — Ofereci-lhe, mas ela acabou recusando.

- Não, obrigada — Seus olhos castanhos me encaravam cheios de um brilho intenso e inseguro e um sorriso tímido estava no canto de seus lábios. — Mi cariño. Preciso falar sério com você agora — Ela disse e parecia nervosa, o que me assustou.

- Aconteceu alguma coisa? — Perguntei aflito.

- Não, não é nada grave — Ela disse tentando me acalmar, mas parecia pior do que eu.

- Então diga, está me assustando — E quando comecei a tentar imaginar o que deveria ser, ela se pronunciou.

- Não me interrompa agora, está bem? — Assenti com a cabeça. — Eu vim aqui esta noite porque... quando você se dá conta de que quer passar o resto da sua vida com alguém... você quer que o resto de sua vida comece o quanto antes. — Mordi o lábio com o que ouvi. — Estou tentando descobrir qual a coisa certa a se fazer, e eu sinceramente não sei qual é, mas eu só não quero mais ficar sem você... — Ela fez uma pausa e eu sorri. — Eu quero fazer isso... eu preciso… não posso mais desperdiçar a oportunidade de ser sua e de você ser meu. Sem nada e nem ninguém no meio, e por mais que o destino tente nos separar, ou as pessoas. Eu te amo e não seria metade do que sou sem você pois você é a minha outra metade… — Ela sorriu levemente corada e eu me segurei para não interrompê-la com um beijo. — Não tenho dúvidas que com você daria certo... mas eu quero ter a certeza de que no final do dia será só eu e você juntos. Eu quero ter a certeza de que quando você estiver triste e precisar de alguém, eu serei a primeira pessoa que você vai procurar. Eu quero ter a certeza de que quando eu estiver com dificuldade e precisar de alguém, você vai estar lá pra mim. — Eu fiz menção de interrompê-la para dizer que isso já era certo, mas ela ergueu a mão em forma de me parar. — Não diga nada por favor, não ainda — Novamente assenti com a cabeça. — A verdade é que já não aguento mais isso dentro de mim… tanto amor, tanto sentimento. Preciso compartilhar e tem que ser com você, só você. Por que só você pode me satisfazer, só você me faz feliz desse jeito, só quando estou com você me sinto forte e corajosa, só você faz o meu coração disparar e só você tem a capacidade de fazer com que eu me apaixone cada dia mais. — Ela abriu um sorriso e suspirou. — Você é o primeiro a invadir meu coração e quero que seja o último… — Senti vontade de chorar. Com o coração cheio de um calor intenso, gostoso, e a minha nuca arrepiada.

- Eu quero o mesmo… — Minha voz trêmula indicava que eu logo começaria a chorar.

- Eu te amo tanto… — Ela acariciou calmamente a minha bochecha. — Eu sei que estamos passando por uma fase difícil; e como toda fase, será passageira. Vamos encarar este momento como um aprendizado, como um crescimento… mas juntos. — Observei seus olhos encherem-se de lágrimas. — Li e eu conversamos ontem… a noite toda... e ela só me disse que fôssemos felizes. — Senti minhas narinas arderem. — Agora eu te amo sem medo… sem correntes… — Encostei minha testa na sua e não ousei abrir os olhos. Aquilo só podia ser um sonho… — Você tinha razão, mi cariño… ela me ama e essa foi a maior prova que eu poderia ter tido… — Ela afagou meu rosto. — Eu te amo tanto que quando o meu olhar se cruza com o teu, eu sinto o cheiro de amor — Segurei sua mão que estava em meu rosto, dando um beijinho em sua palma. — Desde o dia em que te conheci, não consegui te tirar da cabeça e soube que era amor e não brincadeira… eu sabia que seria difícil e que teríamos muitas barreiras, mas o amor vence todas elas, e ao seu lado sei que estou segura. Amo tudo em você… o brilho dos seus olhos quando me olha, a maneira que você fala… amo quando diz que sou linda, mesmo eu sabendo que não sou… amo a maneira que você me toca, amo os seus beijos… mas amo principalmente a maneira de como sou quando estou com você... — Sequei algumas lágrimas que rolaram por minhas bochechas e sorri. — Me perdoa se te fiz esperar tanto… mas precisávamos desse tempo para resolver tudo. Fica comigo essa noite? Hoje… agora.. amanhã, sempre? Quero envelhecer ao seu lado, meu amor... — Eu me derreti inteiro com aquelas palavras tão lindas e seu sotaque americano maravilhoso.

- E-eu… — Tentei murmurar algo, mas ela conteve-me de novo.

- Ainda falta... — Assenti com a cabeça, com o coração aos pulos de emoção. — Eu prometo que vou fazer você se sentir o homem mais amado desse mundo... — Sorri lhe dando um calmo selinho.

Ela me olhou por vários segundos nos olhos, segurando meu rosto com as duas mãos, me encarando com o mais profundo sentimento.

- Mon ange… — Funguei sentindo o coração a mil. — Você... aceita namorar comigo...?

 


Notas Finais


O que será que Harry vai responder? Será que Hivy vai vingar...?
Confesso que adorei a Ivy tomando essa atitude.
Me digam o que acharam do capítulo e até o próximo ❤️


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