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História Enchanted - Capítulo 12


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Notas do Autor


Oiii, galero!!! Como cês tão em mais esse domingo de quarentena?

Cá estou eu novamente com mais um capítulo de Enchanted, esse inédito, novinho em folha e bom, nossa amiga Regina continua sem sorte, coitada, porém, dessa vez a Emma não tem culpa, nem ela vai entender, mas né?!

Muito obrigada todo mundo que passou por aqui, deixou aquele review amigo, se compadeceu com a Regina, teorizou sobre a Emma. Obrigada a quem deu uma chance a Enchanted, quem favoritou e quem indicou. Obrigada, obrigada, obrigada, vocês são foda!!!

Capítulo 12 - Doces ou Travessuras?


Caras leitoras, não faço ideia de como anda a vida por aí, mas por aqui, continua exatamente igual, ou seja, nada de melhora. Talvez seja pelo fato de não ter se passado muitos dias depois da festa do pijama que Apenas Emma deu, ou por eu ser um ser humano com extrema falta de sorte, ou talvez também, tenha a ver com a quase inexistente paciência que Deus me deu.

Apenas Emma, acabou dormindo mesmo no meu quarto naquela madrugada, e acordei no outro dia com o ombro dormente e literalmente babado, já que em algum ponto da noite, ela fez meu ombro de travesseiro e não o largou mais. Infelizmente para mim, Emma acordou antes que eu pudesse fugir do meu próprio quarto, e pelo jeito como me olhou, tive certeza que ela pensou que ganharia um beijo de bom dia, e que rolaríamos de amor pela minha cama. Coisa que não aconteceu, já que me esquivei, me pus de pé, falei que iria fazer um café e lhe ordenei que acordasse o clube Taylor Frozen, para as levarmos até seus adestradores.

Meu estresse começo quando comecei a entregar aquelas meninas para seus respectivos responsáveis. Quando mencionei sobre a festa de arromba que elas deram na minha humilde residência durante a madrugada, sem a minha permissão, sem meu consentimento, perturbando a paz, o silêncio, o sossego dos vizinhos, e que tais responsáveis dividiram comigo a multa pesada que eu teria que pagar, eles quiseram se esquivar, me olharam de cara feia, e me falaram sobre eu ser a responsável pelo o que acontece na minha casa. Parece que combinara de falar a mesmíssima coisa. Então já comecei a cuspir marimbondos logo pela manhã mesmo.

Em minha defesa, falei que não posso ser responsável pela educação, ou falta dela, que essas meninas recebem em casa. Também falei sobre a idade delas, questionando aos pais idiotas se eles acham que as filhas tendo de quinze anos para cima, são mentalmente capazes de saber sobre o certo e o errado, e regras que devem ser seguidas. Indiquei também um psicólogo a eles, talvez terapia os ajude a entender que nem sempre os filhos estão certos, e se entenderem tal coisa, talvez, e só talvez, essas meninas não se tornem adultas mimadas, e egocêntricas que acham que podem tudo.

Depois de discursa a respeito, avisei que iriam sim me ajudar a pagar a multa e que caso se negassem, prometi que acharia alguma brecha, alguma lei, onde eu conseguisse enquadra-los em um processo, porque se tem uma coisa que eu gosto, essa coisa é processar.

Tudo ficou pior quando fiquei sozinha com Apenas Emma. Ela foi comigo até a casa do amigo de Henry, buscar meu filho. Enquanto eu dirigia, ela tinha os olhos bobões apaixonados, fixos em mim. Tentei ignorar de todas as maneiras possíveis, tentei também, permanecer sempre com as duas mãos ao volante, porém, no primeiro sinal vermelho em que paramos, meus dedos acabaram entrelaçados aos dela. No segundo sinal em que paramos, arrisquei olhar para o lado, e acho que meus olhos acabaram hipnotizados pelos dela e quando dei por mim, já estávamos nos beijando.

Depois que pegamos Henry, e ele manteve ela entretida em alguma conversa sobre jogos de celular, consegui relaxar um pouco, mas não muito, já que sempre que minha atenção parava nela, e eu via o quão jovem é, julgava a mim mesma por tê-la beijado e depois beijado de novo. Fora os pensamentos irritantes, que me pediam para beija-la outra vez.

Meu dinheiro investido em um almoço ruim, ou seja, lanches do McDonald’s, também foi motivo para eu reclamar. Não bastasse isso, os dois insistentes não se contentaram em só passar no drive thru, não, nós tivemos que entrar no estabelecimento. Aquele cheiro horrível de gordura e lanche industrializado, teve que invadir minhas narinas e grudar em minhas roupas limpinhas e cheirosas. Odeio gastar dinheiro com comida ruim. Não passo horas no trabalho, e consequentemente horas me estressando, para jogar meu dinheiro fora desse jeito. Emma comeu cinco, CINCO Big Macs, e mais a metade do que sobrou do meu. Não satisfeita com isso, sua fome infinita ainda reservou espaço para três Top Sundaes. Fora isso, tomou um litro de Coca-Cola. Depois disso tudo, deu leve tapinhas sobre a barriga, - que já perdeu sua forma chapada e está cada dia mais cheinha – enquanto comentava que poderia comer mais alguma coisa.

A tarde nossa programação foi ainda pior, fomos para casa para uma sessão cinema. Primeiro assistimos Crepúsculo, seguido de Lua Nova. Não estava nem na metade do primeiro filme, quando Henry pegou no sono, a cabeça deitada sobre as minhas pernas. Já meus ombros, foram usados de lenço por Apenas Emma, durante quase todo o segundo filme. Não, não bastou ela secar as lágrimas ali, teve também que assoar o nariz, tudo por culpa daquele vampiro idiota e brilhante.   

A noite comemos pizza, depois eles começaram uma jogatina no videogame, e eu também fiquei pela sala, mas não jogando e sim lendo alguns artigos. Então Henry foi dormir, Emma foi dormir e eu fui para o meu quarto. Não muito tempo depois, ela já estava debaixo dos meus lençóis, abraçada a mim, me beijando e tentando me seduzir. Como a grande guerreira que sou, resisti bravamente, não deixando a situação ir além dos beijos. Mais uma noite ela acabou dormindo no meu quarto, e mais uma manhã acordei com o ombro dormente e babado.  

Domingo nós fomos até a casa dos meus pais, para o famoso almoço em família. Foi um pouco menos ruim do que o domingo anterior, sem competições e sem banhos forçados de piscina, já que quando Zelena, está na presença do namorado, ela se comporta como uma pessoa normal. Principalmente quando tem medo que eu abra a boca para contar ao infeliz, coisas que fariam com que os dois de repente, batessem boca. Algo que envolve um beijo lésbico, por exemplo. Porém, para a minha infelicidade, Apenas Emma, estava bastante interessada sobre o tema Halloween, já que viu muitas casas sendo enfeitadas para o evento que segundo ela, nunca aconteceu na Floresta Encantada. Teve toda uma explicação sobre a data. Teve todas as suas perguntas respondidas. E de novo para minha infelicidade, achou o máximo. À noite, quando foi para o meu quarto, não foi exatamente para me beijar, e sim para me pedir se poderíamos comprar uma fantasia, para no dia do Halloween, sair pela vizinha pedindo doces. Tal pedido serviu para levar meu tesão para as nuvens e expulsa-la do meu quarto.

Ontem, ela finalmente foi ao médico, médica, na verdade. Clínica geral. Depois de atentamente ouvir a história de Apenas Emma, contada por mim, a Doutora Sarah, a mediu, pesou, fez testes de reflexo, mediu a circunferência de sua cabeça, viu sua garganta, os ouvidos, checou também os olhos, aferiu a pressão, ouviu o coração e os pulmões. Tentou começar uma série de perguntas que acabou não acontecendo já que Apenas Emma, respondeu a primeira dizendo que nunca foi a um médico. Depois dos exames físicos feitos, solicitou uma série de exames de sangue, urina e fezes. Pediu também uma ressonância magnética do cérebro de Apenas Emma, provavelmente para checar se o mesmo realmente existe, e outra do restante do corpo. Pediu também alguns outros exames e eu cheguei à conclusão que Emma é que me levará a falência.

Por fim, antes de nos despedirmos, ela me aconselhou a procurar a polícia, para tentar descobrir algo sobre o passado de Emma, ao ouvir que eu já tinha feito tal coisa, me sugeriu que eu a levasse a um psiquiatra. Disse também que existe clínicas que cuidam de pessoas como Apenas Emma, e se caso eu precisasse, poderia me indicar uma. Dispensei a clínica de loucos que ofereceu, e combinei que voltaríamos dali dois dias, com todos os exames prontos.

Emma foi embora do consultório de bico comigo, isso porque ela entendeu que a MÉDICA, sugeriu que é louca. Respondi lhe dizendo que seria de grande valia, se ela colaborasse contando de onde veio e consequentemente com isso, deixando o status de louca para trás. Minha sugestão fez com que ela fizesse o que faz sempre, quando é esse o assunto, ou seja, se calou.

Meus problemas por Apenas Emma ser uma indigente começaram ontem, quando ela não tinha um documento para apresentar para a secretária da médica, por isso, a consulta foi marcada em meu nome. Hoje pela manhã, quando a levei para colher sangue, tivemos o mesmo problema. Ou seja, apresentei o meu documento, respondi sobre quantas horas “eu” estava em jejum, neguei quando foi me perguntado se tomo algum medicamente, e sorri simpaticamente quando a mulher disse que eu poderia esperar na sala ao lado, que brevemente iriam me chamar.

Flashback

- Não se esqueça, você se chama Regina. – Sussurrei, para de novo lembra-la de tal coisa.

- Eu já sei. – Respondeu, enquanto tinha sua atenção nos potinhos que tinha ganhado para a urina e fezes. – Só não sei porque temos que mentir. – Também estava sussurrando.

- Porque você não tem uma identidade, e não ter uma identidade significa que você não pode nem colher sangue, ou urinar dentro de um potinho. – Resmunguei.

- Como minha bunda vai caber aqui para você sabe...? – Parecia preocupada. Seus olhos continuavam fixos no pote. – O que eles vão querer fazer com minhas fezes? – Fez cara de nojo ao questionar-se.

- Exames. – Mesmo que não tenha perguntado a mim, resolvi responde-la.

- E para que, que se examina merda? – Balançou a cabeça negativamente, reprovando tal coisa e acabou me fazendo rir.

- Regina Mills? – Antes que pudesse responder, a responsável pela coleta chamou. Bom, como esse nome costuma também ser o meu, levantei a cabeça junto com Emma, deixando a enfermeira confusa. – Qual das duas? – Aponto de mim para Emma.

- Eu. – Apenas Emma respondeu a se pôr de pé. – Ela também é Regina, mas sem Mills. Apenas Regina. – Explicou ao jogar seus potes para cima de mim, me fazendo rolar os olhos, antes de guarda-los na minha bolsa.

- Vamos lá então? – Convidou, enquanto tentava sorrir.

- Regina pode vir junto? – Pediu. – Não gosto de ver sangue.

- Pode. – Respondeu já sem muita simpatia. Sem saída, também me pus de pé, e junto com Apenas Emma, segui para a sala de coleta.

Apreensiva, ela sentou-se onde lhe foi indicado, colocou o braço sobre o apoio, e um tanto hesitante, assistiu a mulher examinar suas veias. Seus olhos cresceram, quando a enfermeira pegou cinco tubinhos, que seriam destinos do sangue de Apenas Emma. E quando a borracha foi colocada em seu braço, olhou para mim, quase gritando por ajuda. Lhe sorri, tentando dizer com isso que estava tudo bem, iria ficar tudo bem. Só que então ela viu o tamanho da agulha que espetaria seu braço, e quase instantaneamente, tirou o braço de lá e se pôs de pé.

- Não quero fazer isso não, doido! Vai doer. – Dirigiu a voz amedrontada a mim.

- Não vai doer, você quase não vai sentir. – Mesmo sem muita paciência, a responsável lhe prometeu.

- Como você vai botar essa coisa... – Apontou para o objeto. – Desse tamanho todo no meu braço e não vai doer? – Só faltou mesmo dizer “você não me engana, não”.

- Você vai sentir uma espetadinha e pronto. Nada além disso. – Tentou de novo e ganhou muitos balançares negativos de cabeça.

- Eu não quero. – De novo recorreu a mim. – Por favor, Regina. – Estava implorando. Lhe rolei os olhos, lhe balancei a cabeça em reprovação, me questionei o porquê mesmo não aceitei a sugestão da Dra. Sarah, bufei e muito sem paciência me aproximei.

- Você precisa. – Usei um tom que não dava margem a questionamentos e ao fazer tal coisa, fiz também lágrimas represarem nos olhos dela. Uma parte irritante de mim, me dizia para não estourar com ela, já que era a primeira vez que estava se submetendo a um exame de sangue. E eu também sabia que se fosse rígida, com certeza ela começaria a chorar ali mesmo, como uma criança acuada faz. – Emm... Regina... – Consegui me corrigi antes de pronunciar o verdadeiro nome. – Você precisa fazer, para sabermos se está tudo bem com você. – Tentei um tom mais ameno. – Achei que você fosse corajosa. – Passou o braço pelos olhos, livrando-se das ameaças de lágrima.

- Eu sou, só não gosto de sangue. – Reclamou, a voz embargada.

- Prometo que vai ser rápido. Se você fazer sem reclamar e sem chorar, antes de te deixar em casa, nós podemos passar no McDonald’s. – Funcionou, minha promessa pareceu encoraja-la. De um semblante assustado/tristes, mudou para um largo sorriso, seguido de um passar de língua pelos lábios. Só que por algum motivo, algo pareceu lhe ocorrer, o que a fez ficar séria.

- Não quero McDonald’s. – Sua afirmação me deixou surpresa, me fazendo arquear as sobrancelhas.

- Não? – Negou.

- Não. – Foi enfática. – Quer dizer querer eu quero, mas tem uma coisa que eu quero muito mais e se você dizer sim, eu faço tudo sem chorar, fugir ou reclamar. – Prometeu, um tom quase animado. – Vou ser corajosa e encher todos esses tubos de sangue. – Sua empolgação, me fez arquear as sobrancelhas.

- E que coisa seria essa? – Mesmo com medo de saber, resolvi questionar, já que a enfermeira ao nosso lado, estava bufando e batendo o pé, claros sinais de impaciência. Ou seja, não ia demorar muito a nos expulsar dali, sem Apenas Emma colher o maldito sangue.

- Que a gente compre aquelas fantasias de Sti... Sti...Stitch, para mais tarde ir pedir doces ou travessuras. – Só faltou pular e bater as mãos ao me pedir tamanho absurdo. Claro que eu neguei, briguei com ela, esbravejei, ameacei, me irritei, ouvi um risinho de deboche da enfermeira, e amaldiçoei o maldito dia em que Henry, encontrou Apenas Emma.

Agora cá estou eu, parada em frente ao espelho. Desacreditada, encaro a imagem que reflete ali. Um Stitch gigante, no caso, eu mesma. Prontíssima para sair por aí, batendo na vizinhança, para saber se vai ser doces ou travessuras.

- Não, Regina, Emma não é louca, a louca dessa história é você. – Resmungo com a minha ridícula imagem.

O celular que vibra em cima da cama, me avisando sobre mensagens, me faz tirar a atenção da minha imagem e ir até o telefone.

Estou chegando.” A mensagem é de Zelena. Com nem Henry, quis se juntar a nós para ir atrás de doces, Zelena vem fazer companhia a ele. Sim, ele está crescendo e muitos pré-adolescentes da idade dele, já ficam em casa sozinhos, porém, não gosto de deixa-lo sozinho, acho bastante irresponsável, então como Zelena, introduziu de um jeito bastante empolgado o Halloween a Apenas Emma, ela foi a escolhida para vir fazer companhia ao meu filho.  

Descendo.” Respondo. Como ela com certeza vai rir de mim, e fazer piadas, prefiro espera-la lá embaixo, assim o risco de eu cancelar a caça aos doces, se torna um pouco menor.

Guardo o celular no bolso, dou uma última olhada no espelho e com muito pesar, abandono o meu quarto. Paro em frente ao quarto de Apenas Emma, que está com a porta fechada e dou três batidas ali.

- Emma, está na hora, estou esperando na sala. – Aviso e a ouço gritar um “já vou”. Sigo então o meu caminho, só que antes de parar na sala, vou até a cozinha e pego um dos copos do Darth Vader, pertencente ao meu filho.

Existe uma lei, onde o cidadão não pode sair pela cidade ingerindo bebidas alcóolicas, então esse lindo copo me ajudará a camuflar o whisky. Hoje vou literalmente beber de canudinho, só assim, para um pouco de simpatia habitar no meu eu, e assim me ajudar na missão quase impossível que me aguarda lá fora.

Ao voltar para sala, encontro Henry, largado no sofá, prestando atenção no seu jogo de tiros no videogame.

- Você está uma gracinha. – Sim, meu filho está debochando de mim. Mesmo que não tenha tirado os olhos da TV, de algum jeito, viu minha fantasia.

- Respeito, garoto! – Peço ao passar por ali, indo até meu bar.

- Vai voltar cheia de doces para casa. – Continua debochando. Graças a Deus, as coisas entre nós dois, estão aos poucos melhorando. E para ser completamente honesta, isso começou a acontecer depois que Emma, veio morar aqui. Provavelmente esse é um dos motivos para eu gostar dela, gratidão. Mesmo que não tenha feito nada diretamente, indiretamente ela fez.

- Tem certeza que você não quer mesmo nos acompanhar? – Resolvo convidar de novo. Henry sempre gostou desse dia, de se fantasiar e bater nas portas. Por algum motivo hoje, mostrou-se desanimado e avisou que ficaria em casa.

- Absoluta. Vá com Emma, eu fico aqui. – Ergo uma sobrancelha. Algo nessa frase soou diferente. Penso sobre, enquanto encho o copão com o amor da minha vida, vulgo Jack Daniel’s.

- Poderíamos ir nós três. – Tento de novo.

- Não. Melhor ir só vocês duas. – Ah sim, com certeza algo nada bom, está passando pelo cabeça desse garoto. Fecho meu copo e vou até ele, parando em sua frente, impossibilitando assim, que continue jogando.

- O que você está aprontando? – Questiono, um tom desconfiado.

Junta as sobrancelhas, mostrando desentendimento.

- Nada. – Responde. – Por que eu estaria aprontando alguma coisa? - Quer saber.

- Por que você acha melhor ir só Emma e eu? – Indago, enquanto lhe estudo.

- Porque vocês são adultas, e às vezes é mais divertido para vocês, saírem só as duas. – Dá de ombros. – Fica mais fácil conversar sobre coisas de adulto e tal. – Abro a boca para questionar de onde ele tirou a ideia de que Emma, é adulta. Porém, desisto. Sei exatamente o que ele está tentando fazer. Só não sei se está agindo sozinho, ou está confabulando com os malucos da minha família.

- Isso não é nenhum tipo de operação, não é mesmo? – Henry quando quer algo, nomeia de operação alguma coisa. Por exemplo “operação Disney”, “operação game novo que vai sair”, “operação vamos todos a Acapulco”, e por aí vai.

- Do que você está falando? – Vejo que sim, é uma operação. O tom de vermelho que ganha, junto com os olhos que fogem dos meus, entrega isso. Levo uma mão a cintura e lhe balanço a cabeça em negativo.

- Meu amor, você sabe que não consegue me enganar. – Solto com o ar. – Qual o seu plano, Henry? – Me dá de ombros, e resolve novamente me encarar.

- Por que Emma está dormindo no seu quarto todos os dias? – De tudo que esperava ouvir, essa pergunta com certeza não fazia parte. Agora são meus olhos que fogem dos dele, enquanto tento pensar em uma resposta para dar. Porque ela tem pesadelo? Porque está sofrendo de insônia? Porque trocou o dia pela noite? Porque se mete debaixo dos meus lençóis, me provoca, me beija e me enlouquece?

- Ela não está. – No momento, negar é a melhor coisa a se fazer. Aprendi isso com meus clientes. Antes de falar a verdade, a gente tenta dar a volta na situação mentindo.

- Me amor, você sabe que não consegue me enganar. – O debochado resolve me imitar. – Eu vejo como ela olha para você e como às vezes, você acaba olhando para ela. – Continua e antes que fale mais algum absurdo, resolvo interromper. 

- Não está acontecendo nada, Okay? – Meus olhos voltam para os dele. – É complicado demais para você entender, é complicado demais até para eu entender, mas quero que acredite em mim quando digo que não está acontecendo. – Peço. – Sei o quanto você gosta de Emma e tudo mais, mas não quero que crie esperanças em relação a isso, querido. Porque se você fazer isso, vai acabar me odiando. – Seus olhos me investigam, antes de responder.

- Okay, não vou ter esperanças. – Meio que promete. – Mas mesmo assim, divirta-se com Emma hoje à noite. Tentar se divertir não dói, dói? – Indaga e me faz esboçar um sorriso.

- Não dói. – Concordo. – Qual o nome da operação já fracassada? – Quero saber.

- Operação cúpido. – Com a mão, pede que eu saia da frente da TV.

- Seus avós estão de alguma forma envolvidos nisso? – Pergunto só por perguntar, tenho certeza que estão. Aqueles dois não tem mais nada o que fazer, então vivem de gastar o dinheiro da aposentadoria e se meter na vida das filhas. Principalmente a minha mãe, tenho plena certeza que ela acha que, quando se trata da minha vida pessoal, eu sou mais perdida do que filho de uma mulher da vida, em dia dos pais. E isso não é verdade, e mesmo que fosse, não estou precisando de ajuda, obrigada.

- Só falo com a presença do meu advogado. – É a resposta cretina que me dá.

- Eu sou sua advogada, me respeite.

- Nesse caso, por conflito de interesses, tia Zelena quem é minha advogada. – Balanço a cabeça negativamente, e sabendo que nada vou arrancar dele, desisto e resolvo beber meu whisky. Beber de canudinho é bom, porque a bebida dura mais.

Quando penso em sentar-me ao lado do meu filho, Emma aparece na sala. Obviamente, traja uma fantasia igual a minha. A única coisa que nos diferencia, é que ao invés de um copo, ela segura uma cesta de doces, também do Darth Vader.

Não faço ideia do porquê, já que estamos fantasiadas do mesmo jeito, ela me observa tão atentamente, mas como sei que se não lhe chamar atenção, vai continuar fazendo isso por um tempo, resolvo intervir.

- Pronta? – Indago.

-Sim! – Responde animadamente.

- Henry, comporte-se Okay? – Peço ao inclinar meu corpo para baixo, para que possa beija-lo. – Zelena já está subindo.

- Okay, prometo cuidar bem dela. – Me faz rir e balançar a cabeça negativamente.

- Até depois, garoto! – Emma lhe estende a mão, e eles fazem um toque personalizado.

- Divirta-se, Emma! – Sorri para ela, depois passa os olhos por mim. Sua mensagem subliminar me faz rolar os olhos, dar as costas para ele e seguir nosso caminho.

Já no elevador, puxo ainda mais a touca que faz parte da minha fantasia, tentando me esconder o máximo possível ali. Torço para não encontrar com nenhum vizinho. Para que continuemos apenas nós duas dentro dessa lata. Não pegaria bem para minha imagem de chata, brava, irritada e arrogante, ser vista dentro de uma fantasia fofinha. Onde iria parar minha credibilidade, minha reputação?

Ao contrário de mim, Apenas Emma, não está nada preocupada. Na verdade, ela continua com os olhos fixos em mim. Já achando que há algo de errado com minha fantasia, resolvo questiona-la.

- O que você olha tanto? – Resmungo a pergunta. Uma ruga de irritação na testa. Será que ela quer uma foto? Um autógrafo?

- Você não parece você vestida assim. – Fala. – Quer dizer, dá vontade de abraçar você e não de sair correndo, fugir, se esconder. – Por esse exato motivo, não quero ser reconhecida por ninguém. Se até Apenas Emma, está achando isso, imagina então as pessoas normais. – E também, parece que falta um pedaço seu. Acho que é porque você não está usando aqueles saltos. – Ótimo, em duas frases fui indiretamente chamada de baixinha e fofinha.

- Culpa sua, que escolheu o pior tipo de fantasia. – Reclamo. – Não gosto de parecer fofinha, nem abraçável, e nem baixinha. – Esbravejo e ela ri.

- Agora já quase parece você de novo. – Me faz rolar os olhos e também me faz ter vontade de sorrir.

- Se alguém me vê vestida assim, minha credibilidade de imbatível e brava, vai pelos ares. – Me lamento.

- O que isso significa? – Quer saber. Bebo mais um pouquinho do meu whisky enquanto balanço a cabeça em negativo.

- Nada. – Respondo.

- Okay. – Encosta-se na parede lateral do elevador, e joga uma mão para dentro do bolso. Pelo jeito como agora está me olhando, sei que quer me dizer alguma coisa. Como não tenho certeza se quero ouvir, deixo a decisão por conta dela. – Você não vai sair hoje, depois que a gente voltar para casa?

- Não. Por quê?

- Porque os adultos vão para festas na noite de Halloween, não vão? – Afirmo.

- Costumam ir, mas eu sou uma adulta que já passou da fase das festas de Halloween. – Explico. Ela concorda. Sei que ainda não falou tudo que tem para falar, e prevendo onde quer chegar, resolvo ser mais rápida. – Não, você não pode sair hoje à noite para uma festa. Nem na casa de uma de suas amigas, muito menos em outro lugar. Além de não ter identidade, você continua de castigo. – Melhor jeito de evitar uma discussão é nem começando ela.

- Eu não ia pedir para sair. – Morde o lábio inferior, enquanto me sorri. – Só queria saber se posso dormir com você. – Okay. Hoje tiraram o dia para me questionarem coisas inesperadas. Primeiro, Henry. Agora Emma. – A gente pode assistir um filme de terror. – Está claramente me dando uma desculpa.

- Jura que você quer dormir comigo para assistir um filme de terror? – Debocho e ganho dela um novo sorriso, um sorriso diferente, um sorriso cafajeste, desses que ganham sua atenção e seu interesse.

- Quero dormir com você porque é difícil ganhar um beijo seu, quando a gente não está no quarto. – É direta. – Mas também pode ter o filme. – Dá de ombros.

A verdade é que deveria negar, acabar de vez com essa história de dormir no meu quarto e consequentemente, acabar com a história dos beijos, dos amassos e da minha vontade que está ficando cada noite mais complicada de controlar, mas a verdade é que já estou sorrindo, enquanto penso em mais tarde e sinto meu corpo reagir a isso.

- Okay, você pode dormir no meu quarto. – Murmuro, os olhos fixos nos dela.

- Para assistir filme, ou para beijar? – Apenas Emma, não está no elevador. Toda essa conversa, o jeito sugestivo que me olha, o sorriso cafajeste, Emma quem está no comando.

- Caso você não me irrite, se comporte bem, não tenha nenhuma crise de infantilidade... – Dou um passo à frente, ficando quase junto a ela. Minha mão toca-lhe o peito.  – Para beijar. – Concorda com um aceno.

- Você nunca vai me ver tão bem-comportada. – Usa um tom baixo, galanteador.

Acabo balançando a cabeça negativamente, enquanto penso no quão complicada essa mulher é. Como pode mudar de personalidade assim, em um piscar de olhos? E como eu faço para essa versão dela ficar no controle e nunca mais ir embora? Seria tão mais fácil se ela fosse sempre assim. Com a Emma adulta, eu sei lidar. Com Apenas Emma, muitas vezes me falta paciência, e não existe nenhum tesão.

- Nem parece a mesma de hoje de manhã, que quase saiu correndo com medo do exame de sangue, e ainda me chantageou, para que o mesmo pudesse acontecer. – Esboça um meio sorriso, me deixando sem entender. – O quê? - Questiono.

- Não fique brava. – Só o fato de me pedir isso, já me deixa quase brava. - Eu não estava com medo. Não tenho medo de sangue. – Me conta. – Só queria que a gente saísse para o Halloween, e você me disse um milhão de nãos. Aí eu bolei esse plano. – Confessa e me deixa boquiaberta.  

- Você mentiu para mim? – Questiono desacreditada.

- Não? Talvez um pouquinho? – Irritada por ter sido enganada, saio do elevador assim que a porta do mesmo se abre. – Não fique brava. – Pede, vindo atrás de mim.

- Você me fez de trouxa. – A acuso, o tom bravo de quem acabou de descobrir que foi enganada.

- Não fiz. – Tenta se defender. – Eu só queria que a gente saísse e você já tinha me dito muitas vezes que não. – Continua sua defesa falha.

- O que de forma alguma, te dá o direito de mentir. – Esbravejo ao sair do prédio.

- Não foi uma mentira grande. – Tenta um novo argumento. Desce um degrau da escadaria, e para em minha frente. Como estou irritada, por ter sido enganada, não a encaro. Meus olhos estão na rua, tentando ver se Zelena já chegou.  

- Uma mentira é uma mentira, seja ela grande ou pequena. – Reclamo.

- Você também mentiu quando falou meu nome lá. – Concordo.

- Sim, menti. Mas mentir para um estranho, é diferente de mentir para alguém que conheço e confia em mim. Quando você mente para alguém que confia em você, você quebra a confiança desse alguém. – Ainda não acredito que foi enganada por essa criatura. Agora estou preocupada, achando que não sou um detector de mentiras, como achava ser.

- Me desculpa. – Pede, agora um tom de arrependimento. – Não queria quebrar a confiança, só queria que você fosse no Halloween comigo. – Suspiro, levo uma mão a cintura e a encaro. Agora me olha com cara de cão que caiu da mudança. E trajando essa fantasia, a cara de coitada consegue ficar ainda maior.

- Você mente para mim quando fala que veio da Floresta Encantada. – Acuso. Ela nega.

- É a minha verdade. – Responde prontamente. – Mesmo que agora eu entenda que não morava em uma Floresta Encantada, me falaram a vida inteira que eu morava. – Vejo em seus olhos que está me falando a verdade. Como vejo o de sempre quando o assunto se torna esse. Ela está incomodada.

- Emma, se você me falar de onde veio, vai ficar tudo mais fácil. – Resolvo insistir.

- Eu não sei de onde vim. A resposta continua sendo a mesma, Floresta Encantada. – Está quase ficando chateada. – Tirando hoje, quando fui fazer o exame, nunca menti para você. Juro que não. – Suspiro, enquanto penso a respeito.

- Por que você sempre foge desse assunto então? – Balança a cabeça em negativo.

- Falar sobre ele, não vai ajudar a gente a saber quem eu sou e nem a chegar até lá. Você pode acreditar. – Como sei que se insistir, vamos terminar as duas chateadas, resolvo mais uma vez deixar para lá. – Você vai me desculpar ou não?

- Se você não me falar mais nenhuma mentira, nem grande e nem pequena. – Dou de ombros.

- Não vou mais. – Se compromete e sem que eu espere, seus braços envolvem minha cintura. – Ainda posso dormir no seu quarto? – Seu questionamento me faz rolar os olhos.

- Não sei onde Apenas Emma foi parar, desde que entramos no elevador, mas por favor, que ela demore a voltar. – Peço e a vejo juntar as sobrancelhas.

- O que isso significa? – Quer saber. Penduro os braços em seus ombros e nego.

- Nada. – Respondo. Os olhos presos nos seus. – Só continue assim, se for possível. – Não responde verbalmente, só concorda com a cabeça, quanto espera alguma ação minha.

Como está um degrau abaixo do meu, está poucos centímetros menor que eu. Minha mão desocupada, faz com a touca da fantasia, saia da sua cabeça. Ajeito alguns fios despenteados do seu rabo de cavalo, lhe afago a lateral da face, e deixo me levar pela minha vontade, aproximando meu rosto do seu. Tal ação, a faz fechar os olhos.

De um jeito sutil, carinhoso, meus lábios tocam os dela, arrastam-se por seus lábios finos e macios, enquanto as costas dos meus dedos, continuam lhe afagando a face. Do mesmo jeito carinhoso e calmo, o meu beijo é correspondido.

É uma sensação gostosinha, que me remete a adolescência, quando o simples ato de beijar na boca, me causava a sensação de frio na barriga. De quando eu beijava, só pelo simples fato de fazer tal coisa, e não como uma preliminar pré sexo, com o intuito de parar na cama de alguém. De quando um simples beijo, tinha o poder de me desacelerar, levar embora qualquer pensamento, tirar meus pés do chão.

Talvez eu tenha essa sensação, por Emma ser alguns muitos anos mais jovem e tudo que tal coisa implica. Ou talvez porque não vejo nela cobranças para um relacionamento, planos para um futuro, pressão para que eu faça suas vontades. Por ser Apenas Emma, é tudo bastante complicado, mas em momentos assim, quando estamos nos beijando, ou quando ela é quem deveria sempre ser, as coisas se tornam simples, leves.

- Sim, família, embora esteja camuflada nessa fantasia de Stitch, essa é mesmo Regina. E essa outra Stitch, que é possível ver melhor, já que a touca não está sobre a cabeça, é mesmo Emma. – Minha desagradável irmã, surge como um balde de água fria, pondo fim ao magnetismo no qual eu estava falando. Apenas Emma e eu, já não nos beijamos mais. No momento meus olhos furiosos, estão em minha irmã, parada no degrau de Emma, ao lado dela, aparentemente me filmando com seu celular estúpido. – Diga olá para os nossos pais. – Me pede, enquanto me dá seu sorriso de vingança. Sim, está fazendo isso única e exclusivamente porque eu filmei ela beijando outra mulher.

- Qual a droga do seu problema? – Ignoro meus pais e resolve esbravejar com a minha irmã.

- Oi, querida! – Ouço a voz animada de mamãe, como se de repente os Estados Unidos tivessem acabado de ganhar a copa do mundo. – Adorei a fantasia. – Elogia.

- Oi, meu amor! – É a vez do meu pai. – Está linda assim de ursinho. – Primeiro eu rolo os olhos, depois bufo.

- Não estou fantasiada de ursinho, estou fantasiada de Stitch. – O que é óbvio, mas aparentemente para o meu pai, não tão óbvio.

- Para mim, parece um ursinho. – O ouço rebater.

- Parece mesmo. – Cora o ajuda. – Oi, Emma! – Zelena, a câmera girl, agora foca em Apenas Emma. Então me dou conta que ela não se afastou de mim, muito pelo contrário, continua abraçada a minha cintura e parece bem confortável assim, obrigada.

- Oi, Dona Cora! – Saúda com empolgação. – Como vai? – Resolve bater papo com a minha mãe.

- Estou bem e você? – Enquanto trocam figurinhas, aproveito para bebericar meu whisky. Ursinho. Desde quando eu me fantasiaria de ursinho? Seria demais até para mim. Ursinhos são fofinhos, carinhosos, gutxi, gutxi. E eu não sou absolutamente NADA dessas coisas. Ah menos que estivesse fantasiada de urso polar, há dias sem comer, prestes a atacar para matar a fome.

- Estou bem também. Regina e eu vamos pedir doces. – Conta.

- Vocês estão lindas assim, combinando as fantasias. – Pelo tom como minha mãe fala, ela realmente acha isso. – Espero que consigam muitos doces. – Deseja. – Vou guardar alguns chocolates, para quando você vir aqui. – Promete.

- Obrigada, dona Cora! – Agradece. – Gosto muito dos chocolates que têm na sua casa. – Emma gosta de todos os tipos de comida. Até hoje, não vi ela fazendo cara feia para nada. E seu gosto aumenta ainda mais, quando se trata de doces. Ela é quase uma formiga em forma de gente.

- Venha busca-los no domingo. – Pede. – Um beijo, Emma. Bom Halloween! – Deseja ao se despedir, me fazendo crer que o vídeo será encerrado. – Zelena, entregue o telefone para sua irmã. – Infelizmente o vídeo encerrado transformou-se em ilusão. E pelo tom agora sério de Cora, sei que um sermão virá.

- Boa sorte! – Minha irmã me deseja ao entregar o telefone. Ativo a câmera da frente, novamente me fazendo visível para meus pais.

Balanço a cabeça em reprovação, ao ver mamãe com uma gravata borboleta preta, algo que eu deduzo ser um maiô, também da mesma cor, uma máscara e orelhinhas das coelhinhas da playboy. Meu pai também usa orelhinhas e gravata borboleta, mas está sem camisa e sem mascará.

- Como eu faço para desver o que estou vendo? – Minha voz perturbada questiona. – Isso não vai sair da minha cabeça tão cedo. – Me lamento. Me olha de um jeito bastante sério, o que me faz concluir que por algum motivo, não está para gracinhas.

- Regina, o que você está bebendo aí nesse copo? – Quer saber.

- Whisky. – Respondo ao deixar o copo mais visível e novamente dar uns golinhos na bebida.

- Você tem que parar com isso, tem que parar de beber todos os dias. – Começa seu sermão. – Whisky não é água, não é refrigerante. – Por isso que eu bebo. – Desse jeito, você vai se tornar uma alcoólatra funcional. Se é que já não se tornou. – Seu exagero me faz suspirar.

- Eu não sou uma alcoólatra, mamãe. – Lhe dou certeza. – Cuide da sua vida, que eu cuido da minha. – Sugiro.

- Não fale desse jeito com sua mãe. – Meu pai resolve se meter.

- Eu não sou alcoólatra. – Enfatizo. – Vocês falam como se eu vivesse bêbada, quando a verdade, é que bebo apenas a noite, quando chego em casa, para relaxar. – Me defendo. – Zelena bebe e ninguém fala nada. – Reclamo.

- Não todos os dias. – Ela rebate. – Apenas um dia do final de semana e não é sempre que isso acontece. – Aposto que foi ela quem plantou essa ideia na cabeça dos nossos pais. A primeira vez que ouvi sobre isso de alcoólatra funcional, foi dela.

- Aposto que esse copo está cheio. – Mamãe aposta certo.

- Já bebi um pouco, então não completamente. – Faço pouco caso, enquanto dou de ombros.

- Pare de beber, Regina! – Agora é meu pai quem está pedindo. – Não faça isso com você, querida. – O assunto insistente, me faz bufar contrariada.

- Eu não sou mais uma criança, então não me tratem como uma. Parem de cuidar da minha vida! – Exijo. – Eu preciso ir, e Zelena precisa subir, Henry está lá em cima sozinho e eu não chaveei a porta. – Olham para mim com desaprovação, com se eu estivesse fazendo algo de muito errado.

- Nós vamos conversar sobre isso. – Cora avisa. – E caso você fuja, se esconda, resolva não aparecer mais, seu pai e eu vamos até você. – Mesmo contrariada e irritada, resolvo não responder.

- Okay, mamãe, tchau! – De mau humor, eu me despeço.

- Tchau! – Responde sem se abalar. – E antes de sair, entregue seu copo a Zelena. – Antes que eu consiga abrir a boca para falar qualquer coisa, a vídeo chamada é encerrada. Com vontade de gritar e esbravejar, entrego meu celular a fofoqueira da minha irmã.

- Satisfeita? – Questiono com ela.

- Eu só quero o seu bem. – Responde, um tom sério.

- Então não se meta na minha vida! – Ordeno.

- Vou subir, não vou começar um bate-boca no meio da rua. – Seu tom também é irritado.

- Ótimo!

- O copo? – Pede ao estender a mão. Como não faço menção em entregar, Apenas Emma o pega de mim e entrega a Zelena. – Obrigada, Emma! – Agradece e lhe pisca. – Divirta-se. – Deseja ao tocar o braço de Apenas Emma e se retirar.

Contrariando minhas expectativas, Emma não me fala absolutamente nada, simplesmente me dá as costas, pega meus braços e os coloca sobre seus ombros.

- Segura! – Pede e sem prévio aviso, pega minhas pernas, me tirando do chão. Fazendo dela, meu cavalinho. Com medo de cair, minhas pernas abraçam com firmeza sua cintura.

- O que você está fazendo? – Minha pergunta é esbravejada.

- Descendo as escadas. – Responde sem se abalar.

- Me ponha no chão. – Exijo e não sou obedecida. 

- O que é isso de alcoólatra? – Resolve ignorar minha exigência e mudar de assunto.

- Alguém que é viciado em bebidas alcóolicas. – Minha resposta é resmungada em tom ainda irritado.

- E o que é ser viciado? – Paciência, Regina, paciência.

- Nesse caso em que me acusam, é alguém que bebe todos os dias e que tem dificuldades para não beber. – Faz silêncio por alguns segundos, enquanto anda na calçada, em meio a algumas pessoas também fantasiadas, comigo ainda em suas costas.

- Você bebe todos os dias. – Usa um tom baixo, provavelmente com medo que eu brigue com ela. – Você consegue não beber? – Está curiosa.

- Consigo. – Respondo. – Acho. – Isso eu resmungo. – Não é como se estivesse me prejudicando. – Me defendo. – Eu bebo a noite, quando chego em casa. Bebo e vou dormir, que mal há nisso? – Estou falando com Apenas Emma, mas não estou.

- Não sei. Você fica um pouco chata quando bebe mais do que um copo daquele Jack Daniel’s, seus olhos ficam pequenos, e a sua voz fica meio enrolada. Você fala coisas que não têm graça e fica implicando comigo e até com Henry. – Observa. – E também fica um gosto não muito bom na sua boca. – A última observação me deixa quase indignada. Está reclamando do gosto da minha boca, mas hoje à noite, quer se enfiar debaixo dos meus lençóis com a única finalidade de beijar essa mesmíssima boca.

- Você não é de forma alguma obrigada a beijar a minha boca. Você beija porque fica me provocando até eu não aguentar mais e fazer a sua vontade. – Além de tudo é mal agradecida. Aposto que existe muita sapatão por aí, que daria a vida por um beijo meu, mesmo que minha boca tivesse gosto álcool etílico.

- Eu gosto de beijar, não estou reclamando, só falando. – Trata logo de se defender.

- E não é nessa parte que você se junta aos outros e me fala para parar de beber?

- Não. – Responde e me surpreende. – Você nunca faz nada o que te pedem, então não adianta, né? – Me chama indiretamente de teimosa e do contra.

- Não adianta. – Concordo. – Agora chega desse assunto. Me põe no chão, vamos começar a bater nas casas. – Como a pessoa obediente que quase nunca é, ela faz o que lhe peço. Me devolve ao chão e então se volta para mim. – Vá lá. – A incentivo, apontando para o caminho de pinheiros, que leva até a casa, onde algumas crianças estão.

- Sozinha? – Afirmo.

- Eu não tenho mais idade para pedir doces. – Tampouco ela, mas né? É melhor não dizer nada.

- Mas o que eu vou falar? – Me vejo na obrigação de rolar os olhos. Insistiu por dias a fio, para participar dessa coisa chata, mentiu para mim, para que isso acontecesse, e agora está empacada, sem saber o que falar.

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- Você vai até lá, espera eles abrirem a porte e diz: “Oi, meu nome é Emma.” – Nessa parte você sorri. E então aponta para mim. Vou ficar bem parada aqui. E aí você continua: “Aquela que está lá, é Regina, minha advogada, resolvi traze-la junto para garantir que vou ganhar meus doces e não vou ser xingada, nem discriminada, nem ofendida, só pelo fato de não ser mais uma criança. Ela gosta de processar as pessoas, você sabe, todo advogado gosta, mas tudo vai ficar bem, se você me der alguns doces.”  Entendeu? – Pelo jeito que balança a cabeça, não conseguiu decorar nem a primeira frase.

- Mais ou menos.

- Repita então. – Peço.

- Oi, meu nome é Emma! – Sorri, como eu sugeri. – Aquela lá, é Regina. Ela é brava, chata, advogada que late, grita e mete medo até em mim. Se você não me der doces, ela vai latir um monte contra você, falar palavras difíceis e te processar. – O resumo de Apenas Emma, e o jeito sério como falou tudo, acaba me fazendo rir. – Está bom?

- Está ótimo! – Elogio. – Se eles te negarem, me chame que eu vou até á e resolvo. – Prometo.

- Okay. – Solta com o ar. Está visivelmente nervosa. – Me deseje sorte. – Pede e me faz solar os olhos.

- Vem cá, a puxo pelo pulso, e faço com que desça da calçada, para que de novo possamos ficar do mesmo tamanho.

- Não é mais para eu ir? – Parece dúvida.

- Sim, é para você ir. – Respondo ao apoiar meus braços em seus ombros. – Mas antes... – Meu rosto aproxima-se do dela, fazendo com que feche os olhos. Meu nariz brinca com o seu, meus lábios roçam os dela. – Vamos terminar o que Zelena atrapalhou. – Ronrono, antes de tomar-lhe os lábios.

...

Bom, contrariando todas as expectativas que eu nem tinha, foi divertido pedir doces com Emma. Não precisei intervir nenhuma vez, em todas as portas que bateu, ela ganhou seus doces. Até eu, que nem pedindo estava, ganhei. “Esse eles mandaram para você”, empolgada me contava.

Me senti como uma adolescente, de mãos dadas com a namoradinha, trocando beijos, abraços e gracinhas, batendo perna por aí, como se eu não tivesse uma vida adulta e todas as preocupações que fazem parte da mesma. Como se Apenas Emma, não fosse Apenas Emma. Como se não existisse nada de complicado, nem de estranho em tudo isso. Apenas deixei a Regina estressada, irritada, adulta, preocupada, ranzinza, mãe, advogada de lado e me entreguei ao momento, escapei da minha realidade, das minhas responsabilidades, me dei algumas horas de férias.

Fomos comer pizza, depois de pedir doces. Eu pedi água com gás, ao invés de pedir algo alcoólico. E de sobremesa, enquanto voltava para casa abraçada a cintura de Apenas Emma, até comi chocolate.

Emma veio ouvindo atentamente e com um sorriso no rosto, histórias de quando Zelena e eu éramos crianças e o quanto brigávamos. Realmente parecia interessada em tudo que ouvia, em vários momentos me interrompeu para fazer algum questionamento, ou comentário sobre. Em nenhum momento me falou da sua infância, dos seus brinquedos, dos pais, amigos, ou dividiu comigo alguma lembrança boa. E eu também não questionei. Talvez um dia, ela resolva enfim me falar algo, e faça isso por vontade própria e não por insistência minha.

Quando chegamos em casa, Henry já estava em seu quarto dormindo, e Zelena babando no meu sofá. Ofereci a cama de Emma, para que passasse a noite, e sem me questionar nada, agradeceu e aceitou. Me deu um daqueles sorrisos significativos, algo como: estou feliz por ver você feliz. Nos desejou boa noite e foi babar no travesseiro de Emma.

O filme de terror, não aconteceu, já os beijos... quase fracassei na missão de não transar com ela e bom, Emma me ajudou e muito nisso. Quando dei por mim, ela estava de calcinha e sutiã, beijando afoitamente minha boca, enquanto minha mão estava sobre o pano da calcinha, acariciando lá, sentindo o quanto aquela peça intima estava molhada, pensando no quanto a minha boca queria estar lá, entre as suas pernas.

Foi quando ela me pediu por favor, e disse que estava doendo de tanta vontade, que parei de pensar com a vagina e que com muito trabalho, meu cérebro retomou o controle da situação. Emma não gostou nada disso, cruzou os braços, fez bico, me disse que queria, e me questionou muitas vezes o motivo de eu não querer. E a verdade é que nem eu sabia mais, eu queria, queria muito, Nossa Sra. Das Vaginas Pingando, sabe o quanto eu queria. Então respondi para ela, o que também respondi para mim “precisamos ir devagar”.

Ela mora na minha casa, está dormindo na minha cama, e meu Deus, eu tenho certeza que se começarmos, não vai ser só uma vez. E depois, se eu não conseguir mais parar e mesmo assim, tiver que fazer isso? É repetitivo eu sei, mas já é tudo muito complicado assim, e sei que vai ser pior se começarmos um sexo amigo. Sim, nós vamos transar, eu tenho certeza, mas é o que falei, precisamos ir devagar.

Fui dormir com vontade, e acordei com vontade. Acordei com ela se esfregando em mim, com sua mão apalpando meus seios, com seus lábios no meu pescoço, com essa mulher me enlouquecendo. Tive que fugir para o banheiro, e para não correr o risco de ter o mesmo invadido, chaveei a porta. Tomei um banho quase frio, e mais uma vez nessa história, me masturbei pensando nela.

Depois que deixamos Henry na escola, e ficamos só nós duas no carro, resolveu que voltaria a me provocar. Veio beijando meu pescoço, passando a mão pela minha perna, apertando minha coxa e falando sobre a sua vontade de namorar pelada. Ela quase chorou enquanto me falava sobre seu desejo.

Agora estamos aqui, sentadas diante da médica, assistindo em silêncio a mesma analisar os exames e esperando o que tem para nos dizer. Atentamente, acompanho o os olhos da Dra. Sarah, passarem pelos papéis, mas ela não esboça nenhuma reação. A única coisa que vi de diferente nela até agora, foi um pequeno arquear de sobrancelhas junto com um balançar positivo de cabeça e só.

Por fim, ela larga as folhas sobre a mesa, me encara e sorri.

- Então? – Questiono, enquanto torço para que ela me diga que Apenas Emma tenha mais de 20 anos, senão vou eu mesma até a polícia me entregar.

- Emma tem vinte e cinco anos, talvez um ano a mais, talvez um a menos. – Aliviada, solto o ar que nem sabia que estava prendendo. – Não vi nada de errado em seu cérebro, está normal e é saudável. – Me sinto aliviada por ouvir isso também. – O que me leva a crer que, Emma sofreu um sério trauma psicológico e me faz aconselhar você a procurar um psiquiatra, além de leva-la a terapia. – Dou um aceno em concordância. – Todos os exames estão normais. Ela é uma jovem bastante saudável. – Sorri para Emma, que lhe sorri em resposta. – Quanto a gravidez, acredito que esteja na décima quarta semana. Uma semana a mais, ou a menos. – Sabe quando uma força do além, invisível, ataca seu corpo e você sente o baque? No presente momento acabo de ser atacada.

Quero abrir a boca e questionar: QUE PORRA DE GRAVIDEZ, VOCÊ ESTÁ LOUCA? Mas não consigo, não consigo falar, mal consigo respirar. Meu coração está batendo forte, prestes a fugir pela minha garganta. E graças a Deus eu estou sentada, porque tenho certeza que minhas pernas seriam incapazes de me manter de pé. Minhas mãos estão suando frio. Meu estômago está bastante embrulhado.

- Gravidez? – Emma pergunta, um tom perdido, de alguém que não entendeu o que ouviu.

- Sim, você está grávida. – Dra. Sarah, repete e com isso, torna meu ar ainda mais escasso.

Meus ouvidos entram em colapso, perdem a audição. Nem sentando meu corpo consegue se manter, me sinto caindo. Minha visão perde o foco, até tudo se tornar branco e então eu apago.


Notas Finais


E aí? A Regina vai surtar, sim ou claro? Ela vai querer o cu da Emma, e nem é de uma forma boa. Cês acham que ela aguenta mais essa? E a Emma, coitada?! No próximo capítulo vamos nos compadecer por ela também, também não é fácil ser a Apenas Emma. Logo agora, que a Regina tava parando de resistir, né mesmo?
Agora tá com vocês, me digam o que acharam e o que esperam para o próximo capítulo?

É isso então, boa semana de domingo para vocês e continuem com a bunda dentro de casa.
Beijos!


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