História Encontrada - Swanqueen G!P - Capítulo 5


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Notas do Autor


Hey nenéns, espero que gostem e boa leitura! ❤️

Capítulo 5 - Por que você precisa falar com o padre?


Fanfic / Fanfiction Encontrada - Swanqueen G!P - Capítulo 5 - Por que você precisa falar com o padre?

— Ah, querida Emma, olhe aquele broche! Que encanto! — apontou Zelena, entusiasmada. — Combinaria com seu vestido!

— E quanto ao seu, senhorita Zelena, Que tecido escolheu? — perguntou Ashley.

— Seda. É o casamento de minha irmã, não posso...

Zelena continuou falando, mas eu não ouvi. Minha atenção estava no relógio de bolso prateado descansando sobre o cetim creme. Ele destoava dos outros, e me causou certa estranheza olhar para a peça simples, nada rococó, com o mostrador branco e os longos ponteiros pretos. Não combinava em nada com o restante da vitrine repleta de dourado, brilho e pedras coloridas.

Entrei na loja sem refletir muito, o coração batendo rápido. As três garotas me acompanharam.

— Olá! — saudou o homem de bigodes cinzentos e pele morena. — Que grata surpresa ver tão belas jovens em meu humilde estabelecimento. Como tem passado, senhorita Ashley? Não tenho visto seu pai pela vila ultimamente.

— Ele tem sofrido de gota outra vez, senhor Robin — respondeu Ashley, com um sorriso doce. — Mas está melhor, graças aos cuidados do dr. Whale.

— Mande lembranças a ele. E como está crescida, senhorita Zelena! Já é uma moça! — elogiou o joalheiro.

— Completarei dezesseis na primavera.

— Como o tempo voa! — o sujeito exclamou, então focou os olhos em mim. — E esta deve ser a encantadora senhorita Emma, que arrebatou o coração de nossa jovem senhora Mills. Lamento não ter ido ao baile de noivado. Minha esposa estava com uma terrível amigdalite. Mas ficamos muito felizes com a notícia. Ansiosa com a proximidade do casamento?

— Um pouco nervosa — acabei confessando.

— É claro que está, minha querida — e ele exibiu uma fileira de dentes tortos. — Minha esposa ficou muito contente quando recebeu o convite. Estamos honrados pela lembrança e desejamos os mais sinceros votos de felicidade ao casal.

— Vale... errr... Obrigada.

— Minha sobrinha acaba de chegar. Ficará conosco até o Natal. Seria muito abuso se eu a levasse à cerimônia?

— Não, de jeito nenhum. Quanto mais gente, melhor. — Ao menos era assim que Regina pensava.

— Em meu nome e no de Jacinda, eu lhe agradeço — ele fez um ligeiro gesto com a cabeça e sorriu. — Como posso ajudar damas tão encantadoras? — perguntou a nós quatro.

— Posso ver aquele relógio ali? — indiquei a vitrine.

Não sei por que fiz isso. Realmente não sei. Eu não tinha como pagar por ele.

— Certamente, senhorita. — Robin abriu a vitrine com uma chavinha, pescou o que eu queria dali e me entregou a peça.

Fiquei admirada ao sentir o peso em minha mão.

— É prata pura — ele informou. — Veio diretamente de Londres.

Inferno! Importado no século dezenove deve custar os olhos da cara!

— É muito bonito. — E era mesmo. A caixa traseira era simples, tinha apenas um pequeno entalhe com o símbolo do infinito bem ao centro. Ali em minha palma, não parecia tão diferente. E eu tinha certeza de que em certas mãos ele se encaixaria de forma precisa e perfeita.

— Se procura um presente para sua noiva — continuou Robin —, um relógio seria uma lembrança marcante para celebrar a união. Mas, se me permite, senhorita Emma, talvez um dos outros modelos agrade mais a senhora Mills. Há uma peça de ouro com acabamento impecável. A máquina conta com dezoito rubis e...

— A Regina iria gostar mais desse — interrompi, séria. Muito mais do que a ocasião pedia. Minha mão começou a suar. — Ela não iria querer um relógio com dezoito rubis. Regina gosta de coisas simples e comuns.

— Bem... — Robin pigarreou. — A senhorita deve conhecer melhor o gosto dela que eu.

Assenti uma vez.

— É claro que esse que escolheu é magnífico — ele emendou, voltando ao modo vendedor. — Poderia gravar uma mensagem na tampa ou as iniciais de sua noiva, se desejar. Deixe-me mostrar. 

Ao pegar o relógio, ele o girou e levantou a tampa traseira, e a peça se abriu como se fosse um estojo de pó compacto, revelando a parede interna, lisa como uma colher.

— Vê? — indicou ele. — Perfeito para uma inscrição apaixonada.

— Ah, Emma, quanta delicadeza de sua parte — Zelena se animou, tocando meu ombro. — Regina ficou tão abalada por ter perdido o relógio de papai! Estava na família há gerações.

Sei que não foi a intenção dela, mas aquilo só me deixou ainda mais mortificada.

— Quanto custa?

Quando o homem disse o preço, eu não soube avaliar se era ou não caro demais. A moeda — literalmente, nada de notas — era dividida por cores.

Cobres e douradas, e tudo que eu sabia era que as douradas valiam mais. Vergonhoso para alguém que por anos trabalhou em um escritório de contabilidade.

— Deve ficar com ele — Zelena me encorajou. — Não acha que Emma deve comprar este presente para Regina, senhorita Ashley?

— De fato, é uma linda peça — Ashley concordou, piscando rápido.

— Isso... esse valor... é muito caro? — perguntei a elas. — Tipo, o que eu poderia comprar com esse dinheiro?

Zelena franziu o cenho.

— Bem, não sei ao certo. Talvez um bom vestido de baile...?

— Ou aquele par de brincos, ou dois pares de sapatos, ou alguns frascos de perfume — ajudou Anna, enumerando com os dedos e parecendo grande conhecedora do assunto. Mulan e ela deviam se entender muito bem.

Um vestido. Não parecia ser tão caro assim.

— Garanto que nada deixaria minha irmã mais feliz do que receber um presente seu — Zelena exibiu suas covinhas. — Ainda mais um relógio!

Eu mordi o lábio, tentada, mas já sabia a resposta. Eu não tinha como pagar. Não sem assaltar alguém, ou roubar um banco. Quer dizer, se os bancos já existissem, é claro.

Desde a minha volta ao século dezenove, quase três semanas antes, eu estava desempregada, e a grana que eu tinha na carteira só teria validade em uns cento e setenta anos. Não me sobrara muito tempo para pensar a respeito com Regina e Zelena me arrastando de um lado para o outro por conta dos preparativos para o casamento. Eu não tinha nada meu ali, exceto os cacarecos sem valor dentro da bolsa que viajara no tempo comigo na primeira vez e ali permaneceram. Regina era muito generosa — até demais para o meu gosto. Ela me daria todas as moedas de que dispunha se eu pedisse, mas, se eu pagasse pelo relógio com a grana dela, deixaria de ser um presente. E a minha intenção não era substituir um relógio por outro.

Eu tinha plena consciência de que a perda que Regina sofrera era irreparável. Mas talvez, se eu desse a ela algo que representasse quanto eu a admirava e amava, quanto ela era importante para mim, a falta do relógio do pai se tornasse mais suportável, ou algo assim.

Não tinha nada a ver com o fato de que ela um dia pudesse passar a me odiar por eu ter sido a causa da destruição (ainda que sem querer) de algo tão precioso. Nada a ver mesmo!

No entanto, por mais que eu quisesse sair daquela loja com o relógio numa sacola, meus bolsos permaneciam vazios.

— Obrigada, senhor Robin. — E devolvi a peça ao homem. — É muito bonito, mas não posso ficar com ele.

— Tem certeza? — ele perguntou, surpreso.

Fiz que sim com a cabeça e saí da loja antes que fizesse uma loucura — tipo agarrar o relógio e sair correndo.

Ashley e Anna nos seguiram para fora, mas perceberam que meu humor não era dos melhores e logo trataram de inventar uma desculpa, se despedindo apressadas e voltando para o ateliê. Zelena teve que correr para me acompanhar.

— Emma, espere! Por que desistiu da compra? — Ela me alcançou e inspirou fundo, tentando recuperar o fôlego. — Tenho certeza de que minha irmã ia adorar aquele relógio.

— Eu sei, Zelena! Mas eu não tenho como pagar. Não ainda.

Tudo bem, novo plano. Eu juntaria uma grana e voltaria em um mês ou dois. Como conseguiria dinheiro ainda não estava muito claro, mas eu podia bolar alguma coisa, certo? Se eu consegui me virar para pagar a faculdade depois da morte dos meus pais, podia muito bem pensar em algo que me desse algum lucro. Era uma droga estar no século dezenove, onde o trânsito era inexistente e eu não podia vender balas no semáforo (também inexistente, claro).

— Mas Regina não lhe deu muitas moedas? — perguntou Zelena.

— Deu. Mas eu... perdi todas — menti.

— Você está mentindo. Por que não quer usar o dinheiro que minha irmã lhe deu?

— Porque... não seria um presente para ela. Seria uma compra, e não é essa a intenção.

— Que pensamento mais peculiar, Emma. Os senhores/senhoras sempre arcam com as despesas da esposa, mesmo que seja com um presente para eles. Ao menos é o que um bom senhor/senhora faz, e minha irmã deixou claro que você pode ter tudo que quiser.

Ela nunca entenderia. Tentei outro caminho.

— Pois é, mas ela ainda não é minha esposa.

Seus imensos olhos azuis se ampliaram, a boca se escancarou conforme minhas palavras penetravam seus ouvidos. 

— Tem razão! Se as pessoas souberem que você estava fazendo compras com o dinheiro de Regina antes do casamento, pensarão que você é a... Oh, não!

— Zelena, ela comprou metade da vila pra mim — abri os braços, desanimada.

— É diferente! Foram presentes da sua noiva, ninguém jamais poderá reprimi-la por isso, mas se você, uma dama solteira, decidir fazer compras usando o dinheiro de Regina, assumirá que é sustentada por minha irmã. Sua reputação cairá na lama! Ficará à margem da sociedade, ninguém vai recebê-la ou convidá-la para jantares e bailes, você se tornará uma pária! Não podemos permitir que algo tão abominável aconteça! — Zelena encrespou a testa. — Temos que pensar em outro jeito de pagar por aquele relógio.

Não era bem aquela reação que eu esperava, mas funcionou, de qualquer forma. A menina começou a andar de um lado para o outro, seus saltinhos repicando o paralelepípedo, as delicadas sobrancelhas franzidas como se estivesse concentrada em algo. De repente, ela parou, fazendo sua longa saia bufante balançar.

— Tenho algumas economias. Não é muito, mas posso lhe emprestar quase a quantia toda, e o que faltar poderá pagar depois do casamento! Tenho certeza de que o senhor Robin não vai se importar.

— Não. De jeito nenhum. Seria ainda pior do que pegar o dinheiro da Regina. — Porque não era fácil uma garota conseguir algum dinheiro naquele século.

Ela me olhou feio assim que eu disse isso, e estava pronta para retrucar quando algo em sua expressão mudou.

— Então você pode pagar com as economias da casa! — Seu sorriso foi tão amplo que quase atingiu as orelhas. — Toda mulher oferece um bom montante para a esposa manter a casa. Para a compra de mantimentos, roupas de cama, pequenos imprevistos, as necessidades dela. É uma boa soma e, se conseguir economizar nos gastos diários, pode conseguir o valor que precisa para comprar o relógio!

— Tipo um salário por cuidar da casa? — perguntei desconfiada. — Porque ela já tem a Ingrid pra fazer isso.

— Ingrid é governanta. Ela cuida dos afazeres, mas não pode decidir nada sem consultar Regina ou a mim. E, a partir de amanhã, será você quem deverá assumir essa tarefa! Não pense que é fácil. Todos os gastos serão sua responsabilidade. E o que sobrar será seu, para gastar como bem quiser. É uma compensação por seu empenho e esforço. Foi assim que consegui juntar minhas economias.

Engoli em seco. Ouvir aquilo não era bom. Nada bom.

— Eu não sou muito boa em cuidar da casa. Vivia faltando leite na minha geladeira porque eu nunca me lembrava de comprar.

A cabeça dela pendeu para o lado.

— Sua geladeira?

— Ah, é um... humm... baú onde eu guardava comida. Dei esse nome a ele — me apressei em dizer. Zelena não tinha ideia da minha história, e eu queria que permanecesse assim. Já bastava ter bagunçado a cabeça de Regina uma vez. Eu estava ali, escolhi aquele século, era tudo o que importava. — E, de todo jeito, não adianta. Eu queria dar o relógio para a sua irmã amanhã, depois do casamento, e só vou receber essa grana mais pra frente, certo? Voltamos ao problema de eu ser amante da sua irmã.

— Shhhh! Não diga essa palavra em voz alta — ela enroscou o braço no meu. — E ninguém precisa saber disso. Basta dizer ao senhor Robin que teve problemas com a remessa de alguns títulos e que, assim que os correios despacharem os documentos, a agência bancaria fará o pagamento.

— Os correios já existem? — perguntei surpresa. Ela se deteve e me olhou confusa. — Existe aqui! Foi isso que eu quis dizer. Se já existe nesta região.

— Bem, temos um agente dos correios na vila. O senhor Victor. Mas duvido que o senhor Robin vá falar com o sujeito. Ele não tem motivos para desconfiar de sua palavra. Ou da minha. Vamos! Temos de nos apressar antes que Regina fique impaciente e decida nos procurar. Ela não pode estragar a surpresa! — Ela fez a volta e me puxou rumo à joalheria.

Eu relutei. O plano de Zelena tinha muitos furos. Eu podia enganar o seu Robin e o pessoal da vila, mas Regina não era boba. Assim que visse o relógio, ela se perguntaria como eu tinha conseguido comprá-lo. Zelena, porém, garantiu que a irmã pensaria que eu havia utilizado as moedas que ela me dera nas últimas semanas e não tocaria no assunto. Eu também temia que Regina topasse com o seu Robin e o joalheiro lhe contasse que eu tinha comprado fiado, além da mentira sobre títulos de valor e tudo o mais. Zelena achou muito improvável; o sigilo absoluto entre vendedor e comprador era quase sagrado naquele século.

Eu tinha quase certeza de que aquele plano não daria certo. Ainda assim, a expressão desolada no rosto de Regina pouco mais cedo naquele dia bloqueou qualquer pensamento e eu entrei na lojinha. E, como Zelena antecipara, o senhor Robin ficou mais do que satisfeito em me vender fiado e acreditou em tudo o que eu disse (e ainda resmungou sobre o senhor Victor-Sei- Lá-das-Quantas precisar de um assistente). 

Depois de termos acertado tudo, demorei um pouco para decidir o que queria gravar na tampa do relógio. Evoquei a imagem de Regina sorrindo daquele jeito que fazia meu coração se alvoroçar, e as palavras saíram sem esforço. Estevão levou pouco mais de vinte minutos para fazer a gravação e me entregar o relógio dentro de uma bela caixa de madeira forrada de veludo verde-escuro.

Nós duas saímos da joalheria, passamos rapidamente no sapateiro para pegar minha encomenda — a única coisa que Regina comprou para mim da qual não reclamei, apesar de ele não ter visto o modelo que escolhi — e voltamos para a frente do ateliê de madame Ariel. Graham já tinha acabado de empilhar as caixas e nos esperava sentado no banco da frente da carruagem. Pedi a ele que guardasse o relógio dentro de um dos pacotes, e o garoto me atendeu de pronto. Graham estava sempre disposto a me ajudar. Eu gostava cada vez mais daquele garoto.

Zelena tocou meu braço de repente e seus dedos finos me prenderam.

— O que foi? — perguntei sem entender.A garota deu de ombros.

— Apenas atendendo a um pedido curioso.

Eu acompanhei seu olhar e encontrei Regina atravessando a rua. Dei um passo à frente, mas Zelena me conteve, me segurando mais firme, de modo que eu tive de esperar por ela. Ah!

— Já terminaram? — ela perguntou ao nos alcançar. Educada como sempre, ela se inclinou, os olhos fixos nos meus, tomou minha mão e a levou aos lábios. Um rugido selvagem reverberou pelo meu corpo quando senti a carícia quente em minha pele.

— Já — suspirei.

Ela se endireitou, mas não soltou a minha mão, apenas a realocou na curva de seu braço.

— Excelente. Gostaria que me acompanhasse até a igreja.

— Algum problema com o casamento? — Zelena arregalou os olhos.

— Não, Zelena. Está tudo certo. Mas desejo falar com o padre Antônio.

— Ah... — foi minha complexa resposta.

Eu me encontrara com o padre uma única vez, logo depois de voltar para Regina. O homem até que foi simpático e me desejou felicidades assim que soube do nosso noivado, mas bastou ser informado de que eu estava morando na casa das Mills para que toda a camaradagem desaparecesse.

Foi por isso que inventei dezenas de desculpas para não ir à missa nos dois últimos domingos.

— Demoraremos um pouco — Regina avisou a irmã. — É melhor você voltar para casa. Vou pegar Meia-Noite na casa do dr. Whale mais tarde.

— Está bem, mas procure não demorar muito. Emma e eu temos que terminar os arranjos das mesas.

— Farei o possível — ela concordou com um firme aceno de cabeça.

Despedindo-se da irmã e de Graham, Regina começou a me guiar pelas ruasbda vila, seguindo em direção à igreja.

— Senhorita Emma! Senhorita Emma!

Eu me virei. Úrsula corria em minha direção, um dos lados da saia levemente suspenso, uma caixa redonda nas mãos.

— Que bom que a encontrei. Eu me esqueci desta encomenda. São suas... — Ela olhou para Regina pelo canto do olho.

Regina pigarreou de leve.

— Vou esperá-la ali. — Ela me soltou e se afastou alguns passos.

— São suas... A senhorita as chama de calcinhas. Estavam embaixo de um rolo de tecidos. Desculpe.

— Não tem problema. Pode entregar para Zelena? Eu tô indo pra igreja agora.

— Ah, claro. E a senhorita faz muito bem. Rezar numa hora dessas é tudo que podemos fazer.

Eu ainda não tinha entendido o que ela quis dizer quando seus braços magros me envolveram.

— A senhorita estará em minhas orações todas as noites.

— Humm... Valeu — dei um tapinha desajeitado em suas costas.

Quando ela se endireitou, percebi que tinha lágrimas nos olhos.

— Úrsula, você tá bem?

— Ah, como a senhorita é atenciosa! Com tanto para pensar, ainda é gentil o bastante para se preocupar comigo. Farei uma novena para a senhorita. Minha fé é poderosa. Vai dar tudo certo. Oh, não! A senhorita Zelena está partindo. Preciso entregar o pacote a ela!

Úrsula gritou enquanto se apressava na direção da carruagem, e eu fiquei ali, observando a garota magra e alta feito um cabo de vassoura, que não falara coisa com coisa, se aproximar de Graham e estender a caixa para o alto. Eu ainda observava a assistente de madame Ariel quando Regina me abordou.

— O que aconteceu?

— Eu honestamente não sei.

— Podemos ir? Não quero que minha irmã fique furiosa comigo por mantê-la longe de casa na véspera de nosso casamento.

Assenti e aceitei seu braço.

— Espero que o padre esteja de bom humor hoje — comentei. — Ingrid disse que ele perguntou por mim ontem, quando apareceu para acertar uns detalhes com você. Foi muita sorte Zelena ter me arrastado com ela e Mulan ao ateliê da madame Ariel logo cedo.

— O padre Antônio apenas se preocupa com a sua reputação. Amanhã, no entanto, essas aflições terminarão. Você será minha perante Deus e os homens. Para sempre — adicionou ela, com um sorriso torto satisfeito.

Eu sorri também. Regina e eu estávamos tentando — de verdade — nos manter afastadas uma da outra. Em parte porque Ingrid era um tremendo cão de guarda, e, em parte, porque Regina queria fazer tudo de acordo com a tradição. Mas, sabe como é, estávamos apaixonadas, e de boas intenções o inferno está cheio.

Entramos na igreja em estilo barroco localizada bem no centro da vila. A capela não era tão diferente da que eu estava acostumada. Tinha bancos de madeira escura e um altar simples, e algumas imagens de santos nos davam as boas-vindas. Na lateral, em um pequeno recuo, ficava o confessionário, uma espécie de casinha. Não gostei dela.

— Por que você precisa falar com o padre? — sussurrei enquanto atravessávamos o corredor.

— Quero me confessar.

Foi aí que entrei em pânico.


Notas Finais


Deixe eu saber o que estão pensando e até o próximo ❤️


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