História "Encontrada: À espera do felizes para sempre" - Capítulo 26


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Categorias Perdida, The Vampire Diaries
Personagens Bonnie Bennett, Caroline Forbes, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Enzo, Stefan Salvatore
Visualizações 30
Palavras 1.991
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 26 - Chapter XXV


*P.O.V Elena*

— Ai, meu Deus! — gemi, e me aproximei de uma lady Catarina coberta de purê. — Caramba, foi sem querer! Eu só me levantei e... Deixa eu te ajudar com...

— Você já fez o suficiente. — A mulher se esquivou de minhas mãos apatetadas, e uma comoção tardia se abateu sobre a sala.

Todo mundo se apressou para junto da anfitriã, mesmo os que tinham sido atingidos pelo purê explosivo, tentando ajudá-la como podiam. Fui empurrada para trás e desejei com todas as forças que o chão se abrisse e me engolisse.

Não era pedir muito.

— Lady Catarina, oh, por Deus, seu vestido está arruinado! — alguém arfou.

— Que tragédia! A seda era tão adorável — lamentou uma mulher.

— Deixe-me acompanhá-la até a sala das damas. Pedirei à sua criada que prepare outro traje.

— Oh, querida Cecília, você é um conforto para mim — disse Catarina. — Vamos antes que mais alguma comida seja arremessada.

A mulher me lançou um olhar mortal por entre as cabeças sujas. Eu corei e quis explicar que na verdade a culpa tinha sido do filho dela, que me tocara onde não devia, e não pude fazer outra coisa além de reagir como se esperava. Ao menos no século vinte e um.

Mas me dei conta de que ela estava irritada demais e isso só pioraria tudo.

— É isso o que acontece quando se convida a plebe para o banquete — Cassandra comentou ao meu lado, alto o bastante para que todos ouvissem. Ela tinha purê nos cabelos.

Não tive coragem de olhar para onde estava Damon. Não queria ver o constrangimento em seus olhos.

— Oh, querida, não chore. — O padre, muito gentil, me pegou com todo o cuidado pela cintura e me levou para longe da muvuca. — Venha, vamos tomar um pouco de ar.

Eu não via muita coisa à minha frente, mas, com purê grudado na sobrancelha esquerda, isso até era compreensível. Não tinha nada a ver com lágrimas como ele sugerira. Nada mesmo!

Não nos afastamos muito no entanto, apenas até o salão onde aconteceria o baile.

— Elena! — Damon chamou da sala ao lado tentando se livrar do mar de gente que o rodeava, se esticando para me ver.

— Pronto, pronto. Agora tudo vai ficar bem. — O padre tentou me acalmar retirando um lenço da batina decorada por bolotas gosmentas.

— Valeu, padre. — Eu esfreguei o tecido no rosto, me livrando da comida, e o devolvi a ele.

O homem olhou para o lenço e fez uma careta.

— Pode ficar. Ainda tem um pouco de... — E apontou para minha têmpora.

— Eu pensei que o senhor fosse me odiar pra sempre. Tipo, porque eu meio que forcei a barra e te obriguei a me casar em português.

Ele riu de leve.

— E foi justamente o que me fez reconsiderar. Uma dama que se dispõe a mentir tão fervorosamente a um sacerdote deve amar muito seu noivo.

— Eu não estava mentindo.

— Eu sei — ele anuiu com a cabeça uma vez, e os lábios se curvaram para cima de um jeito inesperado.

— Elena! — Damon atravessou a porta e não parou até me envolver em seus braços. Não havia constrangimento em seu semblante, e sim uma preocupação genuína. — Você está bem?

— Ah, Damon, eu sinto muito. Muito mesmo! Não queria te envergonhar, mas eu não pude fazer nada. A cadeira...

— Shhhhh... — Ele acariciou meu cabelo, afundando minha cabeça em seu peito forte. Isso sempre fazia eu me sentir melhor. Sempre. Não foi diferente naquele momento. — Você não me envergonhou, foi um acidente. Todos sabem disso. — Nem todos, eu quis dizer, mas fiquei quieta. — Não é mesmo, padre Antônio?

— Certamente! O criado foi muito desastrado.

— Não acredito que joguei comida numa mulher! — gemi. — Não faço isso desde os cinco anos!

Damon riu, tocando meu rosto com o indicador e me obrigando a olhar para ele. A diversão em seu rosto desapareceu, dando lugar a outra coisa. Uma perigosa.

— O que causou o sobressalto? Eu estava olhando, Elena, e a vi saltar da cadeira pouco antes de tudo acontecer. Como se alguém a tivesse ofendido. Gravemente. — Uma nuvem obscura de fúria encobriu suas íris.

— Ah! — Merda. A promessa que fizera, de ensinar Dimitri a manter os olhos longe de mim, ecoou dentro da minha cabeça. O que Damon faria se tivesse de ensiná-lo a manter as mãos também? — Foi... hã...

As imagens do rosto inchado de Santiago se misturaram à conversa com o padre sobre os duelos, à visão do ciúme de Damon logo que chegamos e embaralharam meus pensamentos. De modo que, pela primeira vez, menti para Damom de maneira descarada.

Certo, tinha a coisa do condicionador também. Mas isso não era mentir. Era omitir informações, e tinha prazo para terminar. Aquilo ali não — ou eu mentia, ou pagava para ver. E suspeitava de que, se não fizesse algo, Damon terminaria contando sete passos ao amanhecer. Ou ao entardecer.

Pouco importava o horário dos duelos.

Eu não queria Damon num desses e ponto-final.

— Hã... uma... abelha me picou — acabei dizendo.

Damon me fitou desconcertado e friccionou o polegar em minha testa, provavelmente para limpá-la.

— É mesmo? — perguntou numa voz desconfiada.

— É sim, bem... humm... aqui, tá vendo? — e apontei para o meu ombro.

Suas sobrancelhas quase se uniram quando ele disse, sem entonação alguma:

— Isso é uma pinta, Elena.

— Parece, né? Mas não é. É uma picada de abelha. Sou alérgica e fica assim, meio marrom, na minha pele. — Achei que era uma explicação boa o bastante, mas resolvi adicionar, caso ele voltasse ao assunto no futuro: — E... hã... a marca não desaparece nunca mais! É permanente. Tipo, daqui uns cinco anos ela ainda vai estar aqui.

— Como uma pinta — ele insistiu.

— É, só que é uma picada. — Pressionei os lábios e fixei o olhar no pequeno V que se formara entre as suas sobrancelhas. Se eu olhasse em seus olhos, estaria perdida.

— E todas essas pequenas marcas. — Ele correu o dedo pelo meu ombro seguindo para o meu pescoço. — Foram picadas de abelha também?

— Ãrrã — engoli em seco. — Poucas são pintas mesmo. Na verdade, acho que são só picadas. Todas elas.

Ele bufou, cravando os olhos no padre.

— O senhor também vai me dizer que foi uma abelha, padre?

— Um velho como eu não enxerga muito bem, caro Damon. Se sua esposa diz que foi um inseto, devia acreditar. Agora, se me derem licença, vou me livrar desse purê. — Ele fez uma mesura, à qual Damon respondeu com elegância, e se retirou.

Damon me conduziu até um pequeno sofá de madeira forrado com um tecido em tons que iam do amarelo ao dourado e me fez sentar.

Retirou um lenço do bolso e começou a limpar meu rosto com uma delicadeza comovente.

— Desculpa mesmo, Damon. Juro, eu não sabia que estavam passando atrás de mim com a comida. Alguém devia ter dito a eles que esse tipo de coisa é perigosa.

Damon desatou a rir, mesmo tendo se esforçado para se manter sério.

— Não tem graça — reclamei.

— Discordo. Havia purê por toda a cabeça de tia Cassandra. Até agora, sem dúvida, foi a melhor parte da festa.

Eu escrutinei sua expressão e percebi que ele realmente se divertia. Acabei rindo também, e Damon se inclinou para me beijar de leve. Nesse momento, Caroline cruzou a porta, escoltada por Stefan e Teodora.

— Ah, querida Elena! — A menina se ajoelhou diante de mim, colocando minhas mãos entre as suas. — Lamento tanto!

— Um terrível trabalho da criadagem. Não se culpe — Teodora se apressou em acrescentar.

— Eu até que gostei — comentou Stefan com um meio sorriso. — Esse jantar estava tão animado quanto um velório.

— Foi o que acabei de dizer a ela — Damon disse divertido.

— Não espirrou nada em vocês? — Examinei os três. Eles tinham sobrevivido.

— Não, mas você precisava ter visto como a tia Cassandra ficou — Caroline brincou, exibindo suas covinhas, então parou de sorrir. — Desculpe-me, Stefan.

— Não se desculpe, prima. Achei que a adição de purê lhe caiu muito bem.

— Não precisa se constranger, querida Elena. — Teodora tocou meu cabelo e se pôs a ajeitar alguma coisa por ali. — Todas já passamos por isso em algum momento.

— Verdade, Teodora? — olhei para ela, esperançosa.

Seu rosto se contorceu um pouco.

— Bem, sim. Talvez fôssemos mais jovens...

— Tipo uns quinze anos mais jovens — completei, e Damon riu.

— Por que está tão preocupada? — ele exigiu saber. — Você me disse certa vez que não se importava com o que os outros pensavam a seu respeito.

— É, mas isso foi antes de você se casar comigo e as pessoas ficarem me chamando de senhora Salvatore. Aliás, acho que você vai ter que falar de novo com os empregados, porque ninguém anda cumprindo o que prometeu.

— Falarei, prometo. Agora, por favor, esqueça o ocorrido e vamos nos divertir.

Como se isso fosse possível com aqueles sapatos não anatômicos idiotas. Mesmo assim me levantei e aceitei seu braço.

Subitamente a sala se encheu. Instrumentos começaram a ser tocados, talvez para distrair os convidados.

Lady Catarina retornou, limpa e linda, em um vestido fúcsia, rodeada de gente, conversando e rindo como se nada tivesse acontecido.

Pelo menos até ela cravar os olhos em mim. O desagrado em seu rosto chegava a ser cômico, e não foi surpresa alguma ver Cassandra se inclinar no ouvido da mulher e dizer alguma coisa que a fez franzir a testa.

Nunca pensei que um dia diria isso, mas fiquei aliviada quando Damon se dirigiu para perto do dr. Almeida e de sua família. Os Moura fizeram o mesmo.

— Minha cara senhora Salvatore — saudou o senhor Moura, fazendo seu bigode dançar.— Que bom vê-la recuperada do susto. Os criados de hoje em dia já não são como os de antes.

Eu não queria colocar a culpa nos empregados, porque na verdade a culpa era do Dimitri, mas não podia dizer isso com Damon ali. Então, eu apenas sorri para o pai de Teodora e esperei que ele aceitasse aquilo como sinal de embaraço e deixasse o assunto para lá.

E funcionou.

Graças a Damon e ao médico, que mudaram de assunto. Júlio e Klaus se juntaram a Teodora, Caroline e Stefan, um pouco mais atrás.

Reparei no jeito como Klaus olhava para Stefan, ainda de braços dados com Teodora e Caroline, como se o sujeito fosse desprezível e digno de repulsa.

— E ando sentindo uma dor na lombar que me mata! — dizia o senhor Moura.

— Ora, mas quanta lamentação! — zombou a senhora Moura, uma mulher magra de traços elegantes e os mesmos cachos avermelhados da filha. — O senhor esteve indisposto por um dia apenas!

— Para um homem da minha idade, querida Bernadete, um dia pode ser tudo o que lhe resta.

— Na verdade, para qualquer um de nós, senhor Moura — acrescentou o médico. — Um dia pode mudar tudo.

— Sim, de fato, Almeida — concordou o bigodudo.

— Especialmente para as jovens. Os ventos não andam soprando a favor delas — a senhora Moura suspirou, se abanando com um leque preto de renda. — As recém-casadas devem estar aflitas.

Seu comentário chamou minha atenção. Isso e o fato de Damon ter se enrijecido da cabeça aos pés, devo ressaltar. Eu me voltei para a mulher.

— E por quê, dona Bernadete?

— Por causa da maldição.

— Que maldição?

A mulher se benzeu, os olhos arregalados como pires.

— A maldição das recém-casadas. Jovens damas estão morrendo logo após o casamento!



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