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História Encontro ao Acaso - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Outra Maneira


Acordar logo cedo com seu ombro sendo cutucado diversas vezes certamente não é das experiencias que ele gostaria. Com uma baita dor de cabeça, tudo o que fez foi se virar e puxar as cobertas acima da cabeça.

— Não me enche o saco!

O cutucão volta, — ainda mais forte. Joga as cobertas da mesma forma que joga a paciência no lixo. O rapaz Thiago dá um pulo para trás com o movimento abrupto.

— Por que está me cutucando como se eu estivesse morto?

Para tanta chatice, o esperava encontrar nu, ou com o quarto pegando fogo. Na verdade, ele está muito bem vestido, e tirando a cara abatida, nem mesmo parece que bebeu todas na noite passada e deixou para que eu sozinho lidasse com tudo.

Ele pisca diversas vezes antes de responder. Sendo assim, ele volta a deitar. Os cutucões voltam novamente, desta vez, acompanhados pela voz minguada.

— Ei!

Senta na cama de novo. A paciência se perdendo rapidamente.

— O que tanto quer, caramba?

— Não consigo encontrar a chave do quarto.

Senta na cama. Apoia a mão direita sobre a têmpora para aliviar a tensão da enxaqueca se mostrando presente para o canto direito da testa. Não bebeu tanto assim, e nem costuma ter dores de cabeça somente por causa de algum Gin. Deve ser o estresse. Acabou que o tiro saiu pela culatra, afinal.

— Claro que não vai achar porque eu escondi. — respondeu depois que o olhar penetrante dele começou a coçar na pele dele.

Os dois olhos arregalados coberto por olheiras de quem bebeu a noite toda, e ele ainda olha como se Pedro tivesse cometido algum tipo de crime.

— Fez o quê? — indagou mais alto, parecendo quase assustado.

Coçou a cabeça para tentar aliviar a dor que o grito dele causou.

— Ficou surdo, ou o quê?

— Por que escondeu a chave? — A pergunta agora foi feita em tom mais baixo, o que ele agradeço.

— Tem ideia do quanto de dinheiro tive que gastar por sua causa? — Abaixou a mão, se sentindo quente e irritado, e não de um jeito que goste de sentir.

Thiago fez uma careta estranha. Obviamente que ele não se lembra.

— Tenho contas para pagar. E você é quem me deve, e não o contrário.

— Poderia ter só pegado o dinheiro. — Ergue os ombros, argumentando com uma simplicidade que chega a ser irritante.

— Para me acusar de furto depois?! Nem pensar!

Levanto. Nota os olhos grandes dele o seguindo assim que passa por ele.

— Por que está nu?

— Por que acha?

Vai para o banheiro. As peças que pendurou estão no mesmo lugar, e do mesmo jeito, agora secas. Ele pegou as dele, porém, nem teve a educação de pegar as suas. O cheiro ao menos saiu assim como constatou ao cheirar as peças. Vestiu-se rapidamente. Lavou o rosto e abaixou o cabelo rebelde com um pouco de água.

Sentado na beirada da cama com as duas mãos juntas, estava o tal Thiago, como o mundo tivesse acabado lá fora e fôssemos só nós em uma espécie de apocalipse Zumbi, encarava ambas as mãos sem parar, as movendo para lá e para cá uma vez ou outra. A chave do quarto se encontra dentro da fronha do travesseiro em que dormiu. Só o pegou, e mostrou-lhe, fazendo um movimento admirável de esquivo assim que a mão dele tenta alcançar a chave.

— Nada disto. Tem que me pagar primeiro.

— Quanto te devo?

— Foram $90 pela bebida, $105 pelo quarto, e mais $80 pelas minhas roupas rasgadas, dando um total de $275 reais.

— Aonde vou arrumar tudo isto agora?

— Se vira! — ordenou desdenhoso. — Já gastei demais e tive problemas por sua causa. É você que tem que tem que compensar agora, e não eu.

Thiago coça a cabeça. Divide o olhar entre a porta e Pedro, talvez calculando se pudesse tirar a chave da mão dele. Particularmente, esperava tanto que ele fizesse isto que quase pulou quando ele abaixou a mão e olhou para seu rosto com um ar maior de seriedade.

— Não tenho dinheiro aqui. Preciso de um caixa eletrônico.

— Claro. Podemos ir em um. O quarto está pago. — diz. — Mas, as chaves ficam comigo.

Thiago abriu a boca para retrucar alguma coisa. Para alegria de sua sanidade e dor de cabeça, ele guardou para si mesmo. Ainda manteve uma certa distância dele quando abriu a porta, esperando que ele saísse correndo como qualquer pessoa que deve dinheiro costuma fazer. Ele não o fez, e eles seguiram lado a lado para fora do quarto.

O mesmo atendente de antes estava na recepção, ele olhou estranho para eles

— Aqui está a chave. — Deixa a chave do quarto em cima do balcão. — Espero estar tudo acertado.

— Está sim. 

Ele olha para Thiago e depois para Pedro.

— Devem ter tido uma noite e tanto.

— O que não é de sua conta.

Saiu na frente, sem se importar em argumentar qualquer coisa com este homem desagradável.

— Nós não...

Thiago ficou para trás, como se fosse muito importante para ele se explicar ou algo assim.

— Vai ficar plantado aí até quando?

Com um leve aceno de cabeça, ele finalmente o acompanha.

Descendo a rua, procuraram até encontrar um caixa eletrônico, — o que custou. Por sorte, um mercado por perto acabou de abrir e eles disponibilizavam um caixa eletrônico para saques na porta deste. Thiago tomou a frente para sacar o dinheiro, ele me encostou na parede ao lado. O procedimento é feito rápido, o dinheiro é sacado e dado a Pedro com as mãos levemente trêmulas.

— Depois de tudo o que me causou, tem que me pagar algo mais.

— O que mais? — indaga bufando de desânimo.

Notou que dentro do pequeno mercado já aberto tem mesas e uma pequena padaria que dá para tomar café da manhã. Com a enxaqueca dos infernos que está sentindo, além do estômago completamente vazio.

— Me paga um café da manhã. — Maneou com a cabeça, apontando para a loja.

Thiago segue seu movimento. Outro suspiro escapa dos lábios dele.

— Ora, não se faça de coitado. Concordamos que você me pagaria uma bebida, e não que você encheria a cara como se não houvesse amanhã.

Com outro bufo, agora com ares de quem está irritado. Sorriu em desdém, ele revira os olhos e vai para dentro do pequeno mercado. Ele adentrou a sua frente. O balcão no fundo do pequeno mercado ainda estava sendo preenchido com os lanches a serem servidos pelo dia. Ele pediu o mais comum; café preto com açúcar e pão com queijo na chapa. Thiago pediu para si mesmo um café puro e sem açúcar.

Sentaram numa pequena mesa redonda que não os permitia ter muito espaço. Pedro come todo o café da manhã enquanto Thiago remexia em o café com a colherzinha de plástico e a cabeça abaixada.

— Conhece esta parte da cidade?

— Como?

— Vim para este lado as escuras e preciso voltar para casa.

Thiago ergue a cabeça de novo. Os olhos grudados nos seus.

— Ontem... nós fizemos...?

Riu enquanto bebia o café. A xícara foi posta de volta na mesa. Limpou meus lábios com o pulso.

— Oh, então tudo isso se trata disto? — Thiago fica mais sério, como se estivesse ficando bravo. — Poderia ter só dito antes de ficar me olhando como se o mundo tivesse acabado.

— Mas nós....?

— Não fizemos nada. — Pega a xícara e bebe outro grande gole. — Teria sido bom, assim a noite teria sido melhor.

— Mas eu acordei nu...

— Eu te disse para tirar as roupas já que você vomitou nelas, e aliás, foi você mesmo que as lavou no chuveiro, assim como eu fiz e te disse para fazer.

Terminou logo de tomar meu café da manhã. A dor de cabeça ainda o incomodando, mas com o humor melhor, se sinto mais generoso.

— Ainda tem que me devolver o livro, não se esqueça. — Bate de leve na mesa com as pontas dos dedos.

— Desculpa. — pede ele antes que Pedro se vire.

— Pelo o quê?

— Te causei problemas. — confessou ele, com os ombros caídos ligeiramente. — Sinto muito.

— Se sente tanto, então termine logo o que tem que fazer e me devolva o livro. Não é meu.

Virou nos calcanhares para ir embora. Novamente, é parado antes de dar o passo final.

— Por que me pediu para te pagar um drink? — Ele pergunta sério. Os braços apoiados em cima da mesa enquanto o olhar fixo no rosto alheio.

— Porque eu pensei que podia ser divertido, acabou que achei errado. — Sacudiu de leve os ombros, o deixando finalmente.

Definitivamente, por mais bonito que este jovem seja, não é nada divertido. Pedro teve má sorte dessa vez, agora só precisa de um remédio para dor de cabeça, do livro para devolver para seu pai, e depois tentar arranjar outro jeito de consumir seu tédio.



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