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História Encontro de Almas - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Oiii

Boa leitura❤❤

Capítulo 7 - Cap.6


Fanfic / Fanfiction Encontro de Almas - Capítulo 7 - Cap.6



                      Jeiza:



— Querida, você tem certeza que a festa é hoje?— Minha tia pergunta batendo na porta do quarto. 


Já é dia seguinte, nove e meia da manhã e eu estava me aprontando para o "primeiro dia de trabalho", que na verdade era uma festa, eu poderia facilmente começar semana que vem, mas o evento poderia me integrar melhor com a equipe. 


Deixo o rímel que passava nos cílios de canto e me levanto da cadeira da penteadeira, caminhando até a porta. 


— Bom dia, tia!— Era a primeira vez que eu a via hoje. 


— Bom dia, meu amor!— Ela sorri de forma fofa. 


— A festa é hoje sim, por que a pergunta?— Digo com sinceridade no estranhamento. 


— Eu vi a hora que o Dave saiu do quarto pra fazer a caminhada, era sete da manhã, agora já são nove e você ainda tá aí!— Ela diz em tom divertido. — Pelo demora, você vai acabar chegando amanhã no mesmo horário. 


Eu ri, depois voltei a minha maquiagem e minha tia sentou na ponta da cama.


— Eu já to quase pronta, to indo mais cedo pra passar no rh. — Digo enquanto penteava os cabelos.


— Imagina se fosse no horário certo, então...


Depois do café, eu já me preparava para sair, arrumava e checava as pastas com toda a minha documentação a cada cinco segundos só pra ter certeza de que estava tudo em ordem. 


— Minha linda, eu te garanto que esses papeis não vão sair correndo da pasta.— Tia Amélia me diz enquanto arrumava a mesa do café. 


— Ai, to nervosa, tia, a senhora acredita?— Solto um riso frouxo.— Parece que é meu primeiro emprego, to até com frio na barriga. 


— Relaxa, mulher!— Ela diz colocando uma mecha do meu cabelo para trás.— Vai dar tudo certo e você vai arrasar. 


Sorrio como forma de agradecimento.


— Eu posso esperar você por lá, Dave?— Pergunto ao meu marido ao ve-lo passar pela porta.


— Claro, eu vou tomar um banho e mais tarde te encontro lá.— Ele diz e antes de entrar no quarto, olha meu corpo de cima a baixo.


— O que foi?


— Você vai com essa roupa mesmo?— Ele olha para meu vestido com desdém. 


— E qual o problema? 


— Nada. Mas se eu não fosse junto, poderia jurar que essa tal reuniãozinha de trabalho era pura mentira.


Expiro o ar com força e até tomo fôlego novamente para despejar tudo o que eu queria dizer à ele naquele segundo, porém minha tia foi mais rápida.


— Ela está linda mesmo assim!— Ela diz em voz alta.— Vai lá, minha querida e muito boa sorte, boa festa... Arrasa. A tia te ama muito.


— Eu também te amo, tia! Até mais tarde.


Nem me despedi de Dave, e não tive um pingo de remorso. Dave e eu não temos nos dado muito bem nos últimos meses, brigávamos muito e por qualquer coisinha, mas digamos que minha vinda ao Brasil tenha piorado bastante a situação. Desde que nos conhecemos, Dave sempre demonstrou ciúmes do meu amigo Zeca por conta do colar que eu sempre usei e tenho tanto carinho, eu nunca deixei que Dave me desse um colar, não queria substituir o presente de Zeca e por isso ele tem tanta raiva do menino que nunca viu e nunca verá na vida. Sim eu me refiro a Zeca sempre como um menino, uma criança, que é a imagem que eu tenho na memória por conta de uma única foto que tínhamos juntos no meu aniversário de cinco anos e talvez essa seja a imagem pela qual irei me lembrar pelo resto da vida. 


Paro o carro numa vaga aleatória do estacionamento do rh da editora, por conta do trânsito do Rio acabei me atrasando um pouco e cheguei em cima da hora da festa. 


— Só espero que Dave não chegue antes de mim ou já viu...— Resmungo fechando a porta do carro.


Tratei de apressar os passos enquanto cruzava o enorme corredor até a sala em que eu deveria apresentar-me formalmente. Por lá ainda demorei uma hora e meia já que tive que ouvir atentamente sobre como funcionava as coisas por aqui. 


— Vai ser um prazer ter a senhorita trabalhando conosco!— Meu gestor, Igor, quem diz, ele ficará à disposição para me auxiliar durante essa primeira semana.


— Imagina, o prazer é meu. 




A editora não ficava tão longe assim do rh, era na rua de cima, então pude deixar o carro de minha tia lá mesmo e ir à pé. 


Apesar de ter chegado um pouco atrasada, a festa ainda estava em seu auge, fui apresentada à alguns funcionários, conversei com algumas pessoas, todos foram muito receptivos e simpáticos, aqui será um ótimo local de trabalho.


— Essa aqui é a Melanie, trabalha na tradução.— Meu gestor me apresenta à uma moça de cabelos castanhos e olhos claros. 


— Muito prazer, Jeiza! — Ela responde em tom neutro.— Eu trabalho junto com o Zeca, mas pelo visto você só vai conhece-lo segunda-feira, ele teve um problema com o filho e foi embora mais cedo.


— Ah, que pena. Mas tá tudo bem?


— Tá sim.— Ela diz e me lança um sorriso rápido. 


— Que bom, então fica pra segunda. 


— É!


Eu tenho certeza que ela forçou um sorriso depois, mas não disse nada. 


Igor se distanciou de mim pouco tempo depois e eu fui curtir a festa agora que eu já era um "alguém" lá, ora ou outra eu trocava algumas palavras com meus futuros colegas, coisas pessoais mesmo para nos conhecermos melhor, contei a eles que morava no exterior, mas ocultei a parte que meu pai já foi dono disso aqui e perdeu tudo por conta de uma ilusão e por isso não nos falamos, não me orgulho disso e não gosto que as pessoas saibam, e como até mesmo o nome mudou, não seria difícil.


Meu celular apita, era uma mensagem de Dave avisando que não iria me acompanhar pois estava ocupado com uma coisa importante, apenas respondi um "ok". Eu já imaginava que ele não viria, a festa já estava no fim e eu estava prestes a me despedir, então tratei de fazer isso pra já. 


— Oi, Seu Maurício, boa tarde!— atendo a ligação do dono do apartamento que alugaríamos em breve.


— Boa tarde, Jeiza! Eu te liguei pra avisar que o apartamento já foi liberado e você já pode pegar a chave na portaria.


— Que notícia boa! Pode deixar que hoje mesmo eu dou uma passada lá, muito obrigada, viu?


— Que isso! Tchau e desculpa o incômodo.


— Imagina, não incômodo nenhum. Tchau.


Encerro a ligação e parto direto pra casa da minha tia. 


— Ah, então eu não vou ter a companhia da minha sobrinha mais linda?— Minha tia diz fazendo uma cara de lamento extremamente exagerada.


— Que isso, tia! Até parece que eu não vou ver a senhora todo o santo dia!


— E é bom vim mesmo viu! — Ele diz em tom de ultimato. 


Dave ainda não havia chegado do tal compromisso importante, mas também nem me importei, estava farta de nossas brigas, cansada de verdade. 


— Vai esperar o Dave ou vai sozinha?— Tia Amélia pergunta depois de um tempo.


— Sozinha. — Digo e solto um suspiro longo.— Ai, tia to cansada, sabe? Nem sei porque ele veio comigo se não queria deixar Londres! Agora fica descontando as frustrações dele em mim, tá um saco isso! 


— É, eu percebi. 


— Fora o ciúme ridículo que ele tem de um simples colar!— Reviro os olhos.— Acredita nisso?


— Você ainda tem o colar? Não tinha reparado, ou nem lembrava mais. 


Sorrio e analiso o pingente da peça pendurado no cordão adaptado para caber no meu pescoço e ainda parecer um colar.


— Ele não parece ser um simples colar.— Amélia coloca ênfase na palavra "simples".


— E não é. É um presente, não? Um presente de um amigo. 


Tia me olha de um jeito sugestivo.


— Jeiza, olha pra mim.— Seu tom era sério.— Você ainda pensa nesse menino? Tipo... Criou uma imagem dele que foi crescendo junto com você?


— Nada a ver, tia! Nós éramos amigos e duas criancinhas, nada demais. Eu guardo o colar porque é uma lembrança que eu tinha da minha vida antes de me mudar, só isso. 


— E você acha que se encontrasse com ele, sentiria que ele é apenas seu amigo?


— Ah, eu sei lá, tia!— Digo me levantando no sofá, um pouco irritada com o rumo da conversa. — Que papo doido! E outra: se por um acaso a gente se esbarrar, não vamos nem nos reconhecer, isso é fato. Talvez não tenhamos a mesma conexão e não sejamos mais amigos como éramos antes. 


Ela apenas dá de ombros.


— Bom, eu já vou, tá? A senhora pode avisar o Dave que eu estou no apartamento?— Digo enquanto desplugava meu celular do carregador. Havia o colocado alí para pegar um pouco de carga para que eu não ficasse incomunicável. 


— Se eu ainda estiver aqui quando ele chegar...


Estreito os olhos para minha tia.


— E a senhora vai aonde? Posso saber?— Brinco, como se eu fosse mãe dela.


— Vou pro pagode mais tarde, faz tanto tempo que eu não vou.— Ela dá uma piscadela. — Se quiser ir comigo, tá convidada.


— Hm... Vou ver, mas provavelmente não vai dar, eu preciso conversar com o Dave. 


Tia Amélia não diz nada, apenas me encara com um olhar que disse tudo. 


Não tardei muito a sair, apenas o tempo de eu fazer um rabo de cavalo e colocar uma roupa mais confortável, além de procurar uma trena, visto que eu tiraria todas as medidas para comprar os móveis novos, já que os meus eram sob medida e ficaram para o próximo morador. Depois disso, peguei o carro e saí, o apartamento não era muito longe, duas quadras daqui.


— Boa tarde!— Cumprimento o porteiro, um senhor de meia idade com a barba e os cabelos grisalhos. — Eu sou a Jeiza Rocha, nova moradora do 38, no quarto andar. O seu Maurício deve ter falado de mim, ele deixou a chave pra eu pegar e...


— Ah, sim! — Ele diz e sorri de forma simpática. — Boa tarde! Aqui está. 


— Muito obrigada. O senhor é...?


— Carlos!


— Muito prazer, seu Carlos.


— O prazer é meu, seja bem vinda ao prédio!


— Obrigada! 


O apartamento era relativamente grande. Tinha um amplitude boa pra duas pessoas e um gato morarem. E sim, seriam apenas nós dois e uma gata, porém dependendo do rumo da nossa conversa, só uma pessoa e uma gata.


Enquanto fazia as medidas da cozinha, escuto vozes infantis vinda da porta de entrada, que havia deixado aberta. Vou até lá, com receio que as crianças estivessem sozinhas e entrassem, com isso eu poderia talvez levar uma bronca dos responsáveis por elas. Mas eles estavam com o pai.


Nos apresentamos brevemente.


— Jeiza, você quer participar da noite dos doces com a gente? — A mais velha, Maria Lúcia, pergunta depois de uns minutinhos de conversa nossa. 


— É, vem! Nossa vó não quis, teve que sair.— O irmão também insiste. 


Percebi que o pai ficou nervoso com o convite inesperado dos filhos. Eu sorri, mas sabia que aceitar não era nem de longe uma cogitação.


— Eu ía adorar, meus amores, de verdade. Mas eu preciso ir pra casa, tá tarde e meu marido tá esperando. 


— Ele não mora com você? Nossa mãe não mora, ela tá viajando.— Maria diz e o pai trata logo de cortar o assunto. 


— Vamos indo, então? A Jeiza tá com pressa, não tá?— Ele olha pra mim quase implorando por uma resposta positiva.


— É. Estou.— Digo mesmo que involuntariamente eu tenha vacilado, na verdade eu poderia ficar alí conversando com as meninas por horas, mas como o pai estava com pressa, eu só concordei com ele.


— Ah!— Eles lamentam. 


— Quando você vem morar aqui?—Maria Lúcia pergunta.


— Logo logo, prometo.


— Ebaa!!


— Então vamos? Quem chegar primeiro vai comer tudo.— As crianças se apressam, acreditando nas palavras do pai


— Tchau tia!


— Tchau, lindos!— Digo com um sorriso no rosto. Depois encaro o pai.— Tchau, José! Foi um prazer.


Apertamos novamente as mãos, involuntariamente eu sorri.


— O prazer foi meu. 


Ele ficou me encarando desde o momento em que tranquei a porta até o elevador descer. Confesso que fiz o mesmo também, mas não sabia bem o porque de ele e as crianças terem me cativado em poucos minutos, mais as crianças é claro, o pai veio só de brinde. 


Me sento no carro e passo a mão por trás do pescoço quando estaciono na casa de tia Amélia, em poucos minutos teria uma séria conversa. E no mesmo segundo também me dei conta de que não estava usando meu colar.


— Droga!— Resmungo ao ver que não estava pelo carro de minha tia. Então eu só poderia te-lo deixado em algum lugar quando fui dar uma pequena faxina no apartamento.— Deixa pra lá, amanhã eu pego.


Confesso que estranhei Dave não ter chegado ainda, mas estava disposta à esperar e assim ele teria mais uma explicação a me dar. 


Liguei a tv e zapeei por alguns canais, mas nada de interessante, o auge foi uma luta de MMA que estava quase no fim, depois coloquei um filme qualquer e tentei prestar atenção. 


Quando esta quase cochilando, meu celular toca. Era minha tia


— Oi, ti...


— Menina, você não sabe quem eu acabei de encontrar aqui na estudantina! 






Notas Finais


Obrigada por ler❤❤

Bjss da Maah😘😘


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