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História Encontro de Estrelas - Reylo - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olá!!
Fiquei sumida porque meu computador quebrou e eu simplesmente ODEIO ter que escrever pelo celular.
Teremos a segunda parte do jantar e eu espero que vocês gostem!

Capítulo 4 - Jantar - Parte I


 

 

 

O dedo longo pairava sobre a opção "Ligar",  ponderando se aquela era a decisão correta a se fazer. Não haveria mal em trocar algumas palavras com ela, certo? Por mais tempo que ficassem sem se falar, sabia que sua mãe não o trataria com rigidez, pelo contrário. Ela com certeza ficaria feliz em ouvir sua voz, perguntar sobre o que andava fazendo e definitivamente iria convidá-lo para jantar na enorme mansão dela.

 

Entretanto, Ben Solo também sabia que sua mãe falaria durante horas sobre os acontecimentos recentes da vida dele, com um sermão no final que o faria estremecer. E de quebra, ainda o obrigaria a falar com o tio. Algo que Ben não queria fazer nem tão cedo.

 

Talvez fosse melhor mandar uma mensagem? 

 

Ben: Oi, mãe. Estou um pouco ocupado para ligar agora, mas quero que saiba que lhe desejo tudo de melhor. Feliz aniversário, te amo.

 

Desligou o celular, o jogando em cima da mesa de centro da sua sala. A verdade era que o ator não tinha absolutamente nada para fazer a semana inteira, havia ficado trancafiado em casa desde o incidente na cafeteria. Foi isso que a sua agente e amiga de longa data, Phasma, havia pedido que ele fizesse. Não como se Ben tivesse ânimo algum para andar na rua agora, e agradecia aos céus por só ter que voltar à Primeira Ordem próxima semana, para filmar suas últimas cenas como Kylo Ren.

 

Olhou em volta do seu apartamento minimalista,  com as cores frias que tanto o agradava quando o comprou no auge do seu sucesso, mas que agora parecia estranhamente vazio. Antes, que pudesse dar um gole na sua garrafa de cerveja, a campainha tocou.

 

Ben franziu o cenho enquanto se levantava, não esperava ninguém e era pouco provável que os seus "amigos" quisessem aproximação agora.

 

— Ocupado, Ben? — A figura feminina de 1,55 de altura indagou, assim que ele abriu a porta. Leia apontava o celular com a mensagem enviada há apenas alguns minutos na direção do rosto do seu filho, indignada. — Você mente igualzinho ao seu pai. 

 

 

O homem de cabelos negros bufou, dando passagem para Leia entrar na sua residência. Percebeu o olhar reprovador que ela lançava para a bagunça que ele havia feito em quase uma semana, demorando os olhos nas garrafas e latas de bebida alcoólica dispostas na cozinha e na sala. 

 

— Eu não quis ligar porque sabia muito bem o que você iria dizer — Ben defendeu-se. — Que eu deveria ter pedido ajuda, ou qualquer coisa motivacional.

 

 

Ele se sentou no sofá, ainda sem conseguir encarar sua mãe diretamente. Estava sem contato com ela há algum tempo e sabia que se permitisse aquela aproximação nesse momento vulnerável, Leia Organa conseguiria extrair o que ela quisesse dele.

 

— Meu filho — Ela sentou-se ao lado dele, testando a proximidade ao pousar uma mão na perna esquerda de Ben —, eu queria ver você no dia do meu aniversário. Eu sinto sua falta, querido.

 

 

Ben finalmente pode ver com clareza o rosto da sua progenitora, notando que seu semblante estava coberto de afeto e os olhos castanhos marejados. Leia colocou a mão no rosto do filho, numa outra tentativa de aproximação. O jovem Solo poderia tentar negar o quanto quisesse, mas com todos os sentimentos de raiva que cresciam dentro de si, ter a presença amorosa de sua mãe era mais do que reconfortante.

 

Por isso, não disse nada quando ela o abraçou.

 

 — Eu sei que você se culpa profundamente pelo o que aconteceu, Ben — Leia continuou a falar, com a cabeça encostada no ombro largo de Ben, enquanto que as mãos dele envolviam sua cintura. — Mas saiba que até mesmo o seu tio se arrepende de ter dito tudo aquilo ano passado.

 

— Duvido muito — Ben soltou uma risada irônica, desvincilhando-se daquele aperto.

 

 

— É verdade. Ele até mesmo incentivou que eu te entregasse isto — Leia buscou na sua bolsa de mão o convite do jantar que aconteceria mais tarde na sua casa, que na verdade era quase uma festa em comemoração ao aniversário dos gêmeos. — Se você decidir ir, tente não comentar sobre o incidente no café dele, ok?

 

O moreno arregalou os olhos, com uma expressão confusa no seu rosto. Desviou a atenção do convite em suas mãos, e encarou a mãe que estranhou a reação dele àquele comentário. 

 

— O tio Luke é dono da cafeteria aqui da esquina? —  Perguntou, surpreso.

 

 

— Meu Deus, vocês dois tem sido muito negligentes um com o outro, hein? — Leia riu, levantando-se de supetão. — Vou ter que ir, querido. Tenho que resolver alguns detalhes pendentes para mais tarde — Ela nem teve que se curvar para beijar a testa de Ben, ainda sentado no sofá. — Por favor, esteja lá. É importante para mim. E para o seu tio também.

 

 

Ben assentiu, embora não estivesse cem por cento confiante do que fazer.

 

 

O clima tenso formado no ar era algo que Rey não conseguia explicar, honestamente.

 

Poe deveria estar animadíssimo, conversando com Rey sobre eles dois finalmente descobrirem algo sobre a vida de Luke. Finn com certeza estaria meio desanimado, já que Rose não pode vir e os dois andavam sempre juntos. Entretanto, quando os três já estavam dentro do carro, devidamente arrumados para o aniversário de Luke e sua irmã - que ninguém sabia que existia, só souberam que se chamava Leia -, o clima era tão carregado que Rey não conseguia respirar.

 

Ela estava no banco de trás, sentada no meio, enquanto Poe dirigia o carro com Finn no banco de carona. Os dois não se olhavam e o amigo motorista da vez parecia tremer. 

 

— Gente, vocês nem comentaram do meu vestido — Disse Rey, depois de minutos que mais pareceram horas. Ela fez um biquinho como se estivesse indignada, mas nem se importava de verdade.

 

Ela estava linda num vestido longo e azul, que tinha um decote bem satisfatório nas costas. Seu cabelo estava preso pela metade, e ela ousou fazer cachos na parte solta para dar mais volume. A maquiagem era simples, dando mais atenção à um batom vermelho que se destacava em seus lábios.

 

— Você está linda, magrela — elogiou Finn, finalmente desviando a visão da janela do carro para dar um sorrisinho à amiga. — Não é novidade para ninguém.

 

Silêncio novamente.

 

E foi assim até eles chegarem, uns quinze minutos depois, ao enorme casarão onde o tal jantar aconteceria. Ao estacionar o carro, os três ainda ficaram paralisados olhando para aquela residência que mais parecia ser uma propriedade das Kardashians. 

 

— Puta que pariu — Poe foi o primeiro a se manifestar diante daquela visão. 

 

— Gente, eu estou chocada. 

 

— Estamos todos, Rey — Finn disse, ajeitando o paletó em seguida. — Essa tal de Leia... O que ela faz da vida? 

 

— E eu sei lá, a única pessoa influente na cidade com esse nome é a...

 

De repente, como se as engrenagens finalmente tivessem funcionado na cabeça dos três, eles se entreolharam com os olhos arregalados.

 

— Você tá brincando que a gente vai entrar na casa da Senadora Leia Organa, né? — Poe tinha um misto de surpresa e admiração em sua face. — Essa mulher é um ícone! Sério, vocês viram quando ela simplesmente detonou o General Griveous? 

 

— Tá zoando? Eu vi aquele debate umas quinhentas vezes! — Finn respondeu, com um sorriso. Os dois pareciam finalmente terem saído daquele transe de se ignorarem, gesticulando e falando freneticamente o quanto admiravam a aniversariante do dia.

 

Rey ergueu um sobrancelha se sentindo estranhamente excluída. Foi quando de repente, um batida no vidro do motorista assustou os três que não viram ninguém se aproximando. 

 

Poe abriu a janela e todos dentro do automóvel puderam ver a carranca costumeira do velho Luke Skywalker. Seus olhos azuis pareciam ainda mais chamativos com a luz do poste que irradiava seu rosto. Era muito estranho para Rey e Poe, que conviviam com ele há muito tempo, ver o chefe tão alinhado num vestimenta formal. Os cabelos normalmente desgrenhados, estavam penteados e a barba sempre por fazer, não estava mais no rosto dele.

 

— Vocês vão ficar aí para sempre? Que eu saiba os convidei para entrar na merda dessa casa!

 

Luke parecia absurdamente irritado, e a razão desse mau humor provavelmente deveria ser a própria festa em si. Ele deveria estar odiando toda aquela luxuosidade.

 

— Por que você não avisou que sua irmã era Leia Organa, Luke? — Rey perguntou, logo quando todos saíram do carro em decorrência do ultimato dele. Poe e Finn agora andavam em direção à casa um pouco mais a frente de Rey e Luke, e pareciam estar numa conversa envergonhada. O que era estranho. 

 

— Para vocês ficarem impressionados ou mudarem o comportamento comigo? Não mesmo — Ele chutou uma pedrinha que se encontrava no caminho. — Títulos sempre foram algo que destruíram minha família. Odeio que Leia tenha se envolvido tão avidamente nesse mundo grotesco da política.

 

— Quanto mais eu descubro sobre você, mas eu sinto que tem mais segredos guardados por aí.

 

Os quatro finalmente pararam, sem saber ao certo se tocavam a campainha ou simplesmente entravam. Luke, que ainda estava curioso sobre a fala de Rey, revirou os olhos pela hesitação dos jovens. Simplesmente meteu a mão na maçaneta, os levando a uma nova imensidão de riqueza. 

 

O queixo de Rey caiu.

 

Ela se sentiu dentro do cenário de um de seus filmes favoritos, A Bela e a Fera. Estava esperando a hora dos utensílios começarem a cantar e o casal principal rodopiar pelo salão. Por mais que tivesse vivido naquele mundo de riquezas por grande parte de sua vida, a sua realidade havia mudado drasticamente de uns anos para cá, então tanta ostentação agora parecia coisa de outro mundo.

 

Finn lhe beliscou levemente no braço, como um aviso para ela engolir aquela expressão impressionada para não passar vergonha. 

 

Os quatro começaram a andar em direção ao que parecia ser a sala de jantar, que tinha uma mesa enorme centralizada no meio do cômodo. Algumas pessoas, todas com pinta de influente, conversavam enquanto bebericavam de taças de champanhe, todas devidamente arrumadas e elegantes. A maioria eram pessoas de idade mais avançada, o que fez com que Finn, Poe e Rey chamassem um pouco mais de atenção indesejada.

 

Entretanto, a atenção da senhora com dois coques peculiares na cabeça, e um bonito vestido branco, se voltou totalmente para o senhor de olhos azuis que os acompanhavam.

 

— Luke! 

 

Era Leia Organa. Poe só faltou ter um piripaque, reprimindo a vontade de dar um leve surto.

 

— Não acredito que você veio!  — Leia tinha um sorriso brilhante no rosto, enquanto abraçava o irmão com um enorme afeto. Luke fez uma careta, para manter a fama de impenetrável, mas Rey pode notar que ele reprimia uma risada. — Jurava que ia furar comigo numa comemoração feita para você também! Já ia mandar uma comitiva ir atrás de você!

 

— Eu cumpro com a minha palavra, irmãzinha.

 

Os dois sorriram um por outro, parecendo ter uma conversa implícita por aquele simples gesto. Como se muitas coisas estivessem querendo sair de dentro deles, mas agora não era o momento para sentarem e conversarem.

 

A atenção de Leia finalmente se voltou aos três jovens, ainda sustentando a expressão feliz no rosto. Ela estava radiante.

 

— Ah, vocês devem ser os funcionários que trabalham no café do Luke, não é mesmo? 

 

— Eu não — Finn levantou a mão, fazendo graça. — Estou totalmente de penetra.

 

Todos riram e logo uma conversa agradável se iniciou. 

 

Rey pegou uma taça de champanhe que um garçom ofereceu na bandeja e deu um longo gole. Se dispersou um pouca da conversa para dar uma olhada ao redor daquela sala de jantar, quando foi surpreendida por uma figura masculina que ela não via há anos.

 

O seu avô.

 

Ele estava do outro lado do cômodo, e não parecia ter notado sua presença. Usava um de seus ternos finos, e parecia ainda mais grisalho e careca do que Rey se lembrava. 

 

Óbvio, ela não poderia querer que depois de anos ele continuasse com a mesma aparência. 

 

Ela o reconheceria em qualquer lugar por conta daquele maldito relógio, que um dia havia pertencido ao seu pai. Aquela jóia que foi um dos motivos das desavenças mais fortes que os dois já tiveram, que fez com que o relacionamento de avô e neta - que não era dos melhores - ficasse intolerável. 

 

Era muita audácia daquele velho esbanjar o relógio em seu pulso. 

 

Rey sentiu um súbito mal-estar. Algo entalado na garganta que ela lutava para não liberar. 

 

Ela sentia nojo.

 

— Vocês me deem licença — ela anunciou para o grupo em que ainda se encontrava. Apenas Finn pareceu notar algo de errado —, mas preciso ir ao toalete.

 

Antes que alguém pudesse dizer algo, a morena saiu pela mesma porta que havia entrado naquela sala. Sem saber direito para onde ir, subiu a enorme escadaria, sabendo perfeitamente que "bisbilhotar" a casa alheia era uma tremenda falta de respeito.

 

Algo pelo qual o homem de quem fugia com certeza a repreenderia.

 

Havia diversas portas no andar de cima, todas brancas e lisas. Uma delas lhe chamou a atenção por ter a maçaneta pintada de preto, o que a destacava das demais. Parecia que algum adolescente tinha feito aquilo, e talvez tenha mesmo. Sem pensar muito, abriu a porta e sentiu um alívio enorme ao finalmente se isolar.

 

Entretanto, antes mesmo que pudesse respirar em paz, notou que não estava sozinha. A figura masculina não precisou nem se virar para Rey reconhecê-lo. Costas e ombros largos e os cabelos negros e ondulados, que sempre se destacavam.

 

Ben Solo estava se olhando no espelho, tentando impacientemente ajustar o nó da sua gravata, que só faltava lhe sufocar. Quando a porta se abriu, nem deu muita atenção pensando ser sua mãe o agilizando. Mas foi levantar o olhar, que viu pelo reflexo a mulher responsável pelo seu nome ter viralizado nas redes sociais.

 

Os dois estavam em transe. Não se encaravam diretamente, mas sim pelo espelho, parecendo perdidos sobre o que fazer. E assustados por se encontrarem novamente.

 

— O que você está fazendo aqui? — Ben finalmente perguntou, se virando. Fechou a cara, com medo de dar um passo em falso e acabar pisando numa granada.

 

— Eu... Eu trabalho para Luke Skywalker. 

 

Ben sabia daquilo. Esperava que ela estivesse lá, na festa. Não no seu quarto de infância.

 

— Não — Ele começou a explicar, se aproximando, esquecendo totalmente o impasse da gravata. — Por que está aqui em cima? Não vai dizer que estava bisbilhotando?

 

Rey odiou o sorriso presunçoso que se formou no rosto dele, mas que também trazia um misto de sensações dentro de si. Não conseguia acreditar que havia sonhado em encontrar Ben Solo, mas que ele havia acabado por se tornar um pesadelo.

 

— Precisava de ar — explicou. — Não que seja da sua conta — completou, erguendo a sobrancelha como se o desafiasse.

 

Ben reprimiu uma risada, gostando daquele jogo de provocações. Ele amava ser desafiado, e  nunca perdia. 

 

Se aproximou ainda mais, notando que Rey havia vacilado um pouco na sua expressão decidida. A linda mulher, algo que ele pode constatar com mais clareza hoje, assim que ela entrou no quarto, andou para trás até encostar as costas na porta.

 

— É da minha conta. Afinal, você está na minha casa.

 

Sua casa? — Rey arregalou os olhos.

 

— Deixe-me apresentar propriamente — ele tossiu, assumindo uma postura pomposa apenas por brincadeira. Ben estendeu a mão. — Ben Organa Solo.

 

Deu ênfase naquele sobrenome, sabendo que Rey entenderia. Ela encaixou as peças na sua mente como se estivesse formando um quebra-cabeça.

 

Ben era filho de Leia, sobrinho de Luke e ainda era o homem com quem Rey havia trocado farpas recentemente.  

 

Os dois se encararam por um tempo, ambos perdidos em pensamentos. Os acontecimentos no Galáxia do Café pareceram voltar apenas agora, pois imediatamente as feições de Rey e Ben ficaram mais sérias.

 

— Como uma mulher tão fina como Leia pode ter criado um filho tão grosseiro como você? — Rey foi a primeira a alfinetar, cruzando os braços em posição de combate.

 

O primeiro tiro havia sido disparado.

 

— Como uma garçonete medíocre feito você—  Ben a olhou de cima baixo, internamente sabendo que de medíocre Rey não tinha nada. —, acabou caindo nessa festa? Não vai me dizer que está dando para o Luke?

 

Aquela insinuação havia passado dos limites e Rey sentiu seu sangue ferver. Como de costume, mordeu o interior das bochechas, sinal de que sua raiva iria extravasar a qualquer momento. 

 

— Você é nojento! — Rey o empurrou, fazendo Ben cambalear para trás. O homem se assustou ao ver que havia realmente a atingido. — Como ousa insinuar uma coisa dessas?

 

Ben suspirou, se sentindo arrependido. Olhou para seus sapatos, e antes que pudesse abrir a boca, o celular de Rey, que estava na bolsa de mão que ela trouxe, tocou.

 

Era o Finn. Rey virou-se, olhando para a porta de madeira. Qualquer visão naquele momento era melhor do que a do homem que a deixava tão puta da vida.

 

Entretanto, ao virar-se, Rey deu a Ben uma bela visão. A de suas costas nuas, por conta do decote generoso do vestido. A peça azul também dava um destaque sensacional à bunda dela. Ben tinha que admitir que, por mais que não conseguisse manter uma conversa normal com ela, Rey era estupidamente linda... e gostosa.

 

Ele ficou tão envolvido com aquilo que via, que nem prestava atenção ao que ela falava ao telefone. Quando notou que a conversa estava por se encerrar, rapidamente olhou para qualquer outro ponto do quarto, envergonhado por ter ficado tão alucinado com as costas de uma mulher.

 

Daquela mulher.

 

— Estão começando a procurar a gente — ela avisou, sem coragem para o encarar nos olhos.

 

— Então é bom irmos.

 

Dito isso, Ben passou na frente dela, trombando de leve com seu ombro. Rey bufou, também atravessando a porta. Lembrou-se de um detalhe, e assim que Ben alcançou a escada ela o chamou.

 

— Espera! — Acelerou o passo em sua direção, notando que ele havia praticamente paralisado no primeiro degrau da enorme escadaria.

 

Ela ficou frente a frente com ele, sentindo suas mãos tremerem um pouco quando as levou em direção a gravata torta e apertada. Havia aprendido há muito tempo com seu pai, e adorava o ajudá-lo antes de algum evento pelo qual tivessem que comparecer. 

 

Enquanto ajustava a peça de roupa, fazia uma bico engraçado com os lábios e Ben não conseguia parar de encarar-lá. Foi pego de surpresa pelo ato. Além da aproximação repentina, o perfume adocicado de Rey havia invadido as suas narinas sem nenhuma permissão. 

 

Se sentia frustado. Rey o deixava com raiva, mas conseguia o surpreender com pequenos atos de gentileza mesmo quando ele se mostrava um merda.

 

Assim que terminou o que estava fazendo, Rey fez menção de descer as escadas. Mas Ben não deixou. 

 

A segurou pelo pulso e abriu a boca umas três vezes como se estivesse pensando se deveria realmente falar. Quando Rey se mostrou impaciente com a hesitação dele, Ben finalmente tomou coragem.

 

— Me desculpe — disse. — Você com certeza não merece esse tratamento, e eu tenho sido injusto. Estava em um momento péssimo e não deveria ter descontado meus problemas em você — Rey estava abismada, prestando atenção em cada segundo daquelas palavras. — Sinto muito, de verdade, por ser um babaca.

 

— Você não é um babaca — assegurou. — É um pessoa comum que passa por problemas e que tem o total direito de sentir raiva. Eu sinto muito por ter sido tão invasiva, em vários sentidos. 

 

Os dois sorriram de leve, sentindo um peso enorme ser descarregado de suas costas. Parecia que estavam entrelaçados com tantas conexões que existiam na vida deles. 

 

O fato dos dois conheceram Luke. Ben ter entrado justamente no Galáxia do Café, mesmo que não soubesse que aquele lugar pertencia ao tio. E Rey ter entrado, com tantas opções de quarto, justamente naquele de maçaneta preta.

 

A porta da frente, no final da escadaria, se abriu, distraindo os dois ao se virarem para ver quem havia chegado tão atrasado. Um homem mais velho, grisalho e com um barba rala, cabelos lisos e olhos azuis, além de um sorriso que parecia sempre tender ao malicioso, adentrou no espaço.

 

O corpo de Ben imediatamente enrijeceu e após duas discussões num espaço curtíssimo de tempo, Rey pode notar que ele estava prestes a explodir. 

 

— O que você está fazendo aqui? — gritou.


Notas Finais


Sinto que o reencontro não foi tão satisfatório assim... mas ainda teremos a segunda parte!
Lembrem que Ben odeia o pai, então com certeza ele vai dar um chilique.
Obrigada por ter lido até aqui!


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